sexta-feira, 7 de julho de 2017

A INSPIRAÇÃO DIVINA E A AUTORIDADE DA BIBLIA

   
REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO
Revelação - O termo significa "tirar o véu" e mostrar algo que estava encoberto. Neste sentido, revelação" é o conteúdo registrado pela inspiração. A relação entre os dois termos pode ser definido assim: a inspiração é o automóvel e a revelação é o passageiro.
Quando dizemos que "Deus se revelou" estamos dizendo que ele tirou o véu que o encobria diante dos homens (lembre-se da citação de Joachim Jeremias sobre Deus ter dado sua última palavra em Jesus) e se deu a conhecer à humanidade. O propósito da Bíblia é trazer a auto-revelação de Deus aos homens. Ele não revelou fatos ou o futuro ao homem. Esclareçamos a questão com a própria Bíblia. Já sabemos que Jesus é o clímax da revelação de Deus. Então podemos entender bem este ponto com o texto de João 1.18: "Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigênito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer". Jesus é a maior revelação de Deus e a finalidade da revelação é tornar Deus conhecido dos homens. Nele, o Pai se dá a conhecer aos homens. 

Devemos, antes de considerar iluminação, deixar bem clara a conexão existente entre revelação e inspiração. Pensemos, então, nestas palavras de um teólogo chamado L. S. Chafer: 

Revelação e inspiração estão estreitamente ligadas., mas distinguem aspectos da verdade bíblica. Nas Escrituras, ambas, inspiração e revelação, se combinam para nos assegurar que a Bíblia é a Palavra de Deus e revela fatos sobre Deus com completa acurácia. A revelação foi o ato da divina comunicação aos escritores da Escritura. Inspiração foi a obra de Deus em guiar e dirigir os escritores da Bíblia para que o que eles escrevessem fosse absoluta verdade mesmo quando estivesse além do seu entendimento. A inspiração foi limitada à Bíblia em si, e é mais adequado dizer que as Escrituras foram inspiradas do que dizer que os escritores foram inspirados 16 

Iluminação – Esta palavra significa "fazer a luz brilhar". Nós não somos inspirados simplesmente porque não recebemos a revelação, mas somos iluminados para conhecê-la. 

Entendemos mais isto à luz de uma palavra de Paulo: "sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da vossa vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos" (Ef 1.18). A iluminação é para que os crentes descubram as grandes verdades reveladas por Deus na sua Palavra e sua aplicação para as suas vidas. 

A conexão entre estes três conceitos nos possibilita compreender um pouco mais como Deus se revelou e como podemos receber, hoje, essa revelação.

INSPIRAÇÃO DAS ESCRITURAS
Inspiração - Inspiração é a influência sobrenatural do Espírito de Deus sobre a mente humana, pela qual os profetas, apóstolos e escritores sacros foram habilitados para exporem a verdade divina sem nenhuma mistura de erro. É o poder inexplicável que o Espírito Divino exerce sobre os autores das Escrituras, em guiá-los até mesmo no emprego correto das palavras e em preservá-los de todo erro, bem como de qualquer omissão. 

Para o Apóstolo Paulo, a inspiração divina é a forte inspiração espiritual de Deus sobre os homens, capacitando-os a expressarem a verdade. É como se o próprio Deus houvesse falado cada palavra do livro – Toda a Escritura é divinamente inspirada, é dada pelo sopro de Deus (2 Tm 3:16).

Embora seja a Palavra do Senhor, é ao mesmo tempo, em certo sentido, a palavra de Moisés ou de Paulo. 

Inspiração ou Expiração? A palavra inspiração vem do latim, e significa respirar para dentro. Ela é usada pela ARC. (Almeida Revista e Corrigida) somente duas vezes no N.T. (II Tm.3:16; II Pe.1:21). Este vocábulo, embora consagrado pelo uso, e, portanto, pela teologia, não é um termo adequado, pois pode parecer que Deus tenha soprado alguma espécie de vida divina em palavras humanas. Em II Tm.3:16 encontramos o vocábulo grego theopneustos que significa soprado por Deus. Portanto podemos afirmar que toda a Escritura é soprada ou expirada por Deus, e não inspirada como expressa a ARC. As Escrituras são o próprio sopro de Deus, é o próprio Deus falando (II Sm.23:2). Em II Pe.1:21 este vocábulo se torna mais inadequado ainda, pois a tradução da ARC. transmite a ideia de que os homens santos foram inspirados pelo Espírito Santo. O fato é que o homem não é inspirado, mas a Palavra de Deus é que é expirada ( Compare Jó.32:8; 33:4; com Ez.36:27; 37:9). A ARA. (Almeida Revista e Atualizada), porém, apesar de utilizar o termo inspiração em II Tm.3:16, usa, com acerto, o verbo mover em II Pe.1:21, como tradução do vocábulo grego pherô, que significa exatamente mover ou conduzir.

Inspiração, revelação e iluminação 
Estes três conceitos caminham bem juntos, mantendo uma estreita ligação entre si, e são muito necessários para se compreender bem o ensino da Escritura. Algumas vezes, pela estreiteza de sua proximidade, confundem-se um com os outros, na maneira de nossos crentes se expressarem. "O Pastor estava inspirado hoje", diz alguém ao ouvir o sermão do pastor e gostar do que foi dito. Entende-se o que o irmão quis dizer, mas do ponto de vista teológico seria mais correta a declaração: "O Pastor estava iluminado hoje". Isto não é discussão ociosa nem perda de tempo. Vamos esclarecer o sentido de cada palavra. Desde o início, uma declaração de W. C. Taylor, um dos maiores missionários batistas pioneiros no Brasil, nos ajudará a entender a relação destes conceitos entre si e o sentido de cada um: Três doutrinas vão sempre juntas, na inteligente apreciação do valor da Es-critura: revelação, inspiração e iluminação. Para o autor (do texto bíblico) veio a REVELAÇÃO; para a Escritura que ele transmite veio a INSPIRAÇÃO; para o leitor que busca saber por meio dela a verdade e a vontade de Deus, virá, nas condições de espiritualidade, a ILUMINAÇÃO. O profeta e o apóstolo foram MOVIDOS. Suas Escrituras foram INSPIRADAS. Nós somos ILUMINADOS.

AS ESCRITURAS SAGRADAS
A revelação em forma escrita
É razoável que a mensagem divina tomasse forma de livro. Os livros representam o melhor meio de preservar a verdade em sua integridade e transmiti-la de geração a geração. Portanto, Deus agiu com a máxima sabedoria dando ao homem a sua revelação em forma de livro, para que continuasse intacta através dos séculos e para que todos os povos pudessem obter a mesma norma de fé e prática. 

Assim, é natural concluir que Deus inspirasse os seus servos a arquivarem essas verdades, que não poderiam ser descortinadas pela razão humana. Finalmente, é razoável crer que Deus tivesse preservado, por sua providência, os manuscritos das escrituras bíblicas e que tivesse influenciado a sua igreja a incluir no cânon sagrado somente os livros que fossem divinamente inspirados.

A inspiração das Escrituras é:

1. Divina e não apenas humana (como a sabedoria ou esclarecimento dado aos filósofos). 

2. Única e não comum. Não é uma influência do Espírito Santo comum a todos os cristãos para ajudá-los a compreenderem as coisas de Deus (1 Co 2:4; Mt 16:17). Tal influência, prometida e experimentada pelos crentes não é o mesmo que inspiração. Ás vezes os profetas recebiam verdades por inspiração e lhes era negado esclarecimento necessário à sua compreensão (1 Pd 1:10-12).

3. Viva e não mecânica. A inspiração não significa ditado, no sentido de que os escritores fossem passivos, sem que tomassem parte as suas faculdades no registro da mensagem. Embora sejam algumas porções das Escrituras ditadas (os Dez Mandamentos e a Oração Dominical), Deus não falou pelos homens como quem fala por um alto-falante. Antes seu Divino Espírito usou as suas faculdades mentais, produzindo desta maneira uma mensagem perfeitamente divina, e que, ao mesmo tempo, conservasse os traços da personalidade do autor. Embora seja a Palavra do Senhor, é ao mesmo tempo, em certo sentido, a palavra de Moisés ou de Paulo.

4. Completa e não somente parcial. Segundo a teoria da inspiração parcial, os escritores seriam preservados do erro em questões necessárias à salvação dos homens, mas não em assuntos de história, ciência, cronologia e outras. De acordo com essa opinião, seria mais correto dizer que “A Bíblia contém a Palavra, em lugar de dizer que é a Palavra de Deus”. Mas quem poderia, sem equívoco, julgar o que é e o que não é essencial à salvação ou qual parte é a Palavra de Deus e qual não o é? E se a história da Bíblia é falha, então a doutrina também o é, porque a doutrina bíblica se baseia na história bíblica. Ao contrário disso, as próprias Escrituras reivindicam para si a inspiração total (Ex 24:4; 34:28; Js 3:9; 2 Rs 17:13; Is 34:16; 59:21; Zc 7:12; Sl 78:1; Pv 6:23). Cristo e seus apóstolos se referiram ao Antigo Testamento como a “Palavra de Deus” (Mt 5:18; Jo 10:35; Lc 18:31-33; 24:25, 44; Mt 23:1, 2; 26:54; Lc 3:4; Rm 3:2; 2 Tm 3:16; Hb 1:1, 2; 2 Pd 1:21; 3:2; At 1:16; 3:18; 1 Co 2:9-16).

5. Verbal e não apenas de conceitos. Segundo outra teoria, Deus inspirou os pensamentos e não as palavras dos escritores. Isto é, Deus inspirou os homens, e deixou ao critério deles a seleção das palavras e das expressões. Mas a ênfase bíblica não está nos homens inspirados, mas sim nas palavras inspiradas (Hb 1:1; 2 Pd 1:21). Um pensamento é uma palavra antes de ser ela proferida; uma palavra é um pensamento ao qual se deu expressão. Uma simples palavra pode ser o fundamento de doutrinas básicas (Jo 10:35; Mt 22:42-45; Gl 3:16; Hb 12:26, 27). Paulo nos fala de “palavras ensinadas pelo Espírito” (1 Co 2:13). Há uma distinção entre a revelação e a inspiração. Revelação é aquele ato de Deus pelo qual ele dá a conhecer o que o homem por si mesmo não podia saber. Inspiração é o que preserva o escritor de qualquer erro ao escrever essa revelação.

Precisamos distinguir também entre as palavras inspiradas e os registros inspirados. Muitos dizeres de Satanás são registrados nas Escrituras e sabemos que o diabo não foi inspirado por Deus ao proferi-los. Neste caso apenas o registro foi inspirado.

A INERRÂNCIA DA PALAVRA DE DEUS

INERRÂNCIA OU INFALIBILIDADE: Inerrância significa que a verdade é transmitida em palavras que, entendidas no sentido em que foram empregadas, entendidas no sentido que realmente se destinavam a ter, não expressam erro algum.

A inspiração garante a inerrância da Bíblia. Inerrância não significa que os escritores não tinham faltas na vida, mas que foram preservados de erros os seus ensinos. Eles podem ter tido concepções errôneas acerca de muitas coisas, mas não as ensinaram; por exemplo, quanto à terra, às estrelas, às leis naturais, à geografia, à vida política e social etc.

Também não significa que não se possa interpretar erroneamente o texto ou que ele não possa ser mal compreendido

A REVELAÇÃO DE FORMA ESCRITA
É razoável que a mensagem divina tomasse forma de livro. Os livros representam o melhor meio de preservar a verdade em sua integridade e transmiti-la de geração a geração. Portanto, Deus agiu com a máxima sabedoria dando ao homem a sua revelação em forma de livro, para que continuasse intacta através dos séculos e para que todos os povos pudessem obter a mesma norma de fé e prática. 

Em uma opinião acertada, o Dr. Keyser diz: "Os livros representam o melhor meio de preservar a verdade em sua integridade e transmiti-la de geração a geração. A memória e a tradição não merecem confiança. Portanto, Deus agiu com máxima sabedoria e também de modo normal, dando ao homem a Sua revelação em forma de livro. De nenhuma outra maneira, pelo que podemos ver, podia ter Ele entregue aos homens um ideal infalível que estivesse acessível a todos os homens e que continuassem intacto através dos séculos e do qual todos os povos pudessem obter a mesma regra de fé e prática.

Assim, é natural concluir que Deus inspirasse os seus servos a arquivarem essas verdades, que não poderiam ser descortinadas pela razão humana 

Guardemos bem isto: temos uma revelação porque Deus se revelou, não porque o homem a descobriu ou arrancou dele. Nas palavras, já citadas, de João Batista: "O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu" (Jo 3.27). 

COMO ENTENDER A REVELAÇÃO DE DEUS PELA PALAVRA
A revelação é a autobiografia de Deus, ou seja, e a história que Deus faz de si mesmo. É o conhecimento acerca de Deus que procede de Deus. Em um sentido mais amplo, a revelação é a totalidade dos meios ou formas em que Deus se dá a conhecer.
- Para estabelecer um contato verdadeiro com o homem, a revelação há de vir numa forma cósmica (usando o termo de Kuiper), ou numa forma sacramental (usando o termos de Karl Barth), ou nua forma antrópica. O que Kuiper quer dizer com "cósmica", é que a revelação há de vir verdadeiramente em nosso mundo e vestir-se de sua forma a fim de ser compreendida por nós. Por "sacramental", Barth quer dizer que os elementos deste mundo são toados a serviço da revelação para servir como seus sinais. "Antrópica", quer dizer para nós que a revelação há de acomodar-se ao homem, sua linguagem, sua cultura e suas capacidade. Este caráter cósmico, sacramental e antrópico da revelação é a forma da grande condescendência de Deus.

O Dr. Berrnard Ramm, em seu livro "Special Revelation and the Word of God", diz que: "A religião sem os dados e a direção da revelação, não é mais que um esquema no qual os homens projetam a realidade divina. A razão pela qual muitos atualmente se opõem ao cristianismo, é que alguns eruditos pensam que este também é um sistema de projeções. Segundo eles, o cristianismo postula realidades religiosas (Deus, alma, imortalidade,) que não podem ser comprovadas. Porém, a revelação não é uma projeção, desde o ponto de vista encarado pelos religiosos se causa. Se quiséssemos dizer que a revelação é uma projeção, postularíamos que: A revelação é a projeção da vontade e a mente de Deus parra o nosso mundo. É a linguagem do homem ao serviço de Deus em virtude da projeção eu Deus faz de sua própria verdade ao nosso mundo. Assim estaríamos reafirmando as características da revelação como condescendência de Deus.

Concluindo: conceitualmente as verdades bíblicas são imutáveis, inerrantes apesar de que os que a leem, a estudam e a apregoam serem passíveis de erros e de interpretações equivocadas. 

A Bíblia Sagrada é a nossa única regra de f é e prática.///

Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)

EMAIL: adayl.alm@hotmail.com

Facebook: Adayl Manancial

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