quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

PACIÊNCIA: EVITANDO AS DISSENSÕES


De acordo com a versão eletrônica do dicionário Caldas Aulete, a palavra paciência significa “virtude que consiste em suportar os males e incômodos sem reclamar, sem se revoltar ou irritar; resignação; saber esperar com calma; qualidade ou comportamento de quem não desiste nem desanima ; perseverança”.
Calma é algo raro neste início do século XXI, especialmente nas mais populosas cidades brasileiras. É exatamente o contrário da prática habitual no trânsito, nos conflitos conjugais e nas relações interpessoais em geral. E até mesmo na vida de alguns cristãos, a paciência é uma atitude em desuso.
É fácil não desistir nem desanimar quando as circunstâncias da vida são boas. Contudo, muitas pessoas vêm, paulatinamente, irritando-se com facilidade em qualquer situação adversa. Uma situação ruim no trânsito, ainda que corriqueira, causa revolta. Algo desagradável no ambiente de trabalho provoca reclamação e insatisfação.
O apóstolo Paulo afirma: “e não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Romanos 5:3–5).
O CRISTÃO, A PACIENCIA E SUA RELAÇÃO COM DEUS
A nossa paciência depende da qualidade da nossa relação pessoal com Deus. A Bíblia diz em Apocalipse 14:12. “Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.”
Os cristãos são pacientes uns com os outros. A Bíblia diz em Efésios 4:2 “Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor.”
Algumas coisas foram criadas para agirmos sem paciência, por exemplo: microondas (um eletrodoméstico que prepara refeições prontas em minutos), o celular que podemos nos comunicar com pessoas em questão de segundos e em qualquer lugar do mundo, a internet e outras coisas mais.
Quando tudo está indo do jeito que queremos, é fácil demonstrar paciência. O verdadeiro teste de paciência aparece quando nossos direitos são violados; quando o carro esporte nos corta no trânsito; quando um grupo de adolescentes estão se comportando de forma inadequada; quando o nosso colega de trabalho ridiculariza a nossa fé mais uma vez. Algumas pessoas acham que têm o direito de ficar chateadas quando enfrentando irritações e provações. Impaciência é quase como uma ira justa. A Bíblia, no entanto, fala de paciência como um fruto do Espírito (Gálatas 5:22), o qual deve ser produzido por todos os Cristãos (1 Tessalonicenses 5:14). Paciência revela nossa fé no fato de que Deus sabe qual o melhor tempo para tudo e que Ele é onipotente e amoroso.
É claro que paciência não acontece da noite para o dia na vida de um crente. O poder e a bondade de Deus são muito importantes para o desenvolvimento da paciência em Seus filhos. Colossenses 1:11 nos diz que somos fortalecidos, “segundo a força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo”, enquanto Tiago 1:3-4 nos encoraja a saber que provações são a forma que Deus usa para aperfeiçoar nossa paciência. Nossa paciência se desenvolve e fortalece ainda mais quando descansamos na perfeita vontade de Deus e no Seu tempo, mesmo quando à face de homens perversos: “Descansa no Senhor, e espera nele; não te indignes por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa astutos intentos” (Salmo 37:7). No fim das contas, nossa paciência é recompensada: “Sede pois, irmãos, pacientes até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tiago 5:7-8). “Bom é o Senhor para os que esperam por ele, para a alma que o busca” (Lamentações 3:25).
A PACIÊNCIA NOS AJUDA A ATINGIRMOS NOSSOS OBJETIVOS
Diz a bíblia, Eis que temos por felizes os que perseveram firmes, tendes ouvido a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu. (Tiago 5.11)
O maior exemplo bíblico de paciência foi Jó, a paciência dele fez o Senhor abençoá-lo para que ele atingisse o seu objetivo, você pode até querer debater: Ser paciente? Você está louco? Eu tenho pressa? Pouco tempo? Eu estou impaciente demais para praticar a paciência?
Quando somos pacientes adotamos uma visão de longo prazo, a paciência nos faz ter poder de persuasão para vermos importantes decisões mudarem, todos aqueles que desejam alcançar seus objetivos devem ser pacientes, considere alguns dos versículos bíblicos sobre este tema.
Mas se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.” (Romanos 8.25)
A IMPACIENCIA
Abraão e Sara. Deus prometeu a Abraão que ele teria descendentes tão numerosos quanto as estrelas (Gênesis 15: 1-6). Isso apesar do fato de que Abraão e sua esposa Sara serem incapazes de ter filhos, e estarem velhos demais para ter filhos, no momento da sua promessa. No entanto, sabemos que Abraão crer em Deus, e Deus representou a ele com justiça, apesar deste fato (Gênesis 15: 5-6). Deus reforçando a promessa ao longo de vários anos, como a promessa não foi cumprida de imediato, Sara sua esposa sugeriu que Abraão tivesse um filho com sua serva Agar (Gênesis 16). Abraão aceitou seu conselho e a criança resultante e foi Ismael. Foi só muitos anos depois que o a promessa de Deus foi cumprida, quando Abraão tinha 100 anos de idade e Sara tinha 99 anos de idade que a promessa foi cumprida com o nascimento de Isaac através de Sara ( Gênesis 17:15 ; Gênesis 21: 1-8).
 Porque Isaac era o filho da promessa, não Ismael, causou conflitos no lar, porque a herança de Abraão foram para Isaac. As consequências dessa precipitação continuam até hoje, através dos descendentes de Ismael (árabes) e os descendentes de Isaac (judeus), eles continuam a lutar sobre quem deve possuir terras na região da Palestina.
Paciência de Jó
Jó foi provavelmente, o mais conhecido como uma pessoa de paciência e fé na Bíblia. Na verdade, o ditado "paciência de Jó" ou “fé de Jó” é comum de se ouvir em alguns círculos, quando se fala de alguém com paciência e fé. Um breve resumo do livro de Jó nos mostra que Deus considerava Jó um homem que era perfeito e justo em todas as suas formas (Jó 1: 1-8; Jó 2: 3). O demônio tenta fazer com que Jó perca sua fé em Deus, lhe tirando tudo que possuía, Deus permite que Satanás testa-se Jó, atacando a vida de Jó, e de sua família. O ataque de Satanás foi tão cruel que a sua mulher e seus amigos lhe disseram que ele deveria amaldiçoar a Deus. Apesar disso, Jó repreendeu a sua própria mulher, e se recusou a amaldiçoar a Deus (Jó 2: 9-10).
Ao longo do livro de Jó, vemos que na procura de respostas, de por que isso tinha acontecido com ele. Seus amigos tentaram aconselhá-lo, mas, seus conselhos foram um pouco contraditórios, e acusaram Jó de merecer o que lhe tinha acontecido. Mas Jó teve paciência e acreditou em Deus, e Deus abençoou abundantemente Jó.
O exemplo do agricultor
O apóstolo Paulo, na unção do Espírito Santo, falando à Timóteo sobre a espera, exemplifica-a com o agricultor; à respeito da dedicação, usa o atleta como exemplo; sobre a entrega, seu exemplo é o soldado e faz observações tão importantes, e nos ensina que precisamos abraçar, vivenciar e praticar estas coisas. Sobre a espera, lembra-nos do agricultor, porque ninguém entende melhor de paciência e espera do que ele. Em seu trabalho, primeiro prepara a terra, depois lança a semente e depois pacientemente começa a esperar – o sol, a chuva, o crescimento, o tempo da colheita. Temos uma parte a fazer e depois esperamos que Deus faça a d’Ele.
É muito difícil encontrar alguém que espera pacientemente. Muitos desistem de esperar e vão embora e às vezes a benção, a resposta de Deus chega e a pessoa não está mais lá; mudou de idéia; mudou de opinião; reformulou o seu pedido. Deus não fez, ela mesma o fez; Deus não orientou, ela se orientou; Deus não deu, ela “se arranjou” de outra forma; não esperou porque esperar é difícil. Se uma pessoa não aprender a esperar, vai aprender rapidamente a desesperar, o que é muito pior.
A Bíblia fala com detalhes que Deus é longânimo (2 Pe 3.9). Ele não é afobado, nem precipitado. Não tem pressa e nem corre atrás do sucesso como se não fosse dar tempo. Deus é calmo, sereno e tranquilo porque quer que todos se salvem. Se Deus é longânimo, temos que aprender a esperar no Senhor com paciência (veja Lc 21.17).
DISSENSÕES NO CORPO DE CRISTO
Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloe que há contendas entre vós I Co 1.11.

Dissensões, discórdias e divergências se encontram em todos os seguimentos da sociedade, elas acontecem pelas diferenças existentes nos indivíduos, eles são diferentes em número, gênero e grau, mesmo assim temos a possibilidade de nos relacionar bem uns com os outros, embora isso dependa de outros fatores, bem como o reconhecimento dos valores sociais. O ser humano é o único que não consegue viver em sociedade sem conflitos, pois os problemas estão presentes em lugares que jamais pensaríamos que houvesse “na igreja”. Paulo recebeu informações que na igreja de Corinto havia algumas questões a serem resolvidas, inclusive grupos de cristãos disputando liderança (I Co 1.12).

O espírito mundano causa dissensões nas igrejas
E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podíeis, nem, tão-pouco, ainda agora podeis, Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais, e não andais segundo os homens” (I Corintios 3.1-3)
Nesta revelação dada por Paulo, os coríntios que não faltava nenhum dom, tinham pessoas que ainda eram carnais, que ainda estavam andando segundo o mundo, e isso tudo estava acontecendo na igreja em corinto que foi edifica na rocha onde Paulo foi o arquiteto ministrando o verdadeiro evangelho, mas Paulo não ficou calado, mostrou na cara deles seus erros; ele não falou assim, vou deixar com DEUS como muitos afirmam. Mas hoje porque não se pode fazer o que Paulo fez?
Orgulho e inveja causam divisão
Nenhuma carta do Novo Testamento fala mais sobre divisão do que 1 Coríntios. As facções na igreja coríntia eram o resultado de comportamentos carnais de pessoas que estavam mais preocupadas com suas próprias reputações e influências do que estavam com o povo de Deus (leia cuidadosamente 1 Coríntios 3:1-17). Quando os homens são apanha-dos na carnalidade de tentar mostrar que nossas igrejas são maiores do que as igrejas deles, que nossos projetos são melhores do que os projetos deles e que nossos pregadores são mais eloquentes do que os pregadores deles, as contendas são inevitáveis. Se pensarmos que somos maiores e melhores, seremos dominados pelo orgulho.
Como os crentes de Corinto, constantemente nos achamos em luta contra dois inimigos: o mundanismo e a carnalidade. O primeiro é exterior, e o segundo, interior. Os coríntios raramente os venciam; frequentemente sucumbiam a ambos. Em consequência, cometiam sérios pecados, um após outro. Quase toda a primeira epístola visa identificá-los e corrigi-los.
O pecado das divisões na igreja coríntia foi acompanhado de outros pecados, pois estão sempre inter-relacionados. Não existe pecado isolado – um leva a outro, e o segundo reforça o primeiro. Cada pecado é uma combinação de pecados. A primeira epístola aos coríntios confirma essa realidade e nos exorta a cortar o mal pela raiz.
A causa da existência dos partidos (1Co 3.1-3)
O motivo do partidarismo não era somente externo – a influência do mundanismo; mas também interno – a carnalidade. Os coríntios não só haviam sucumbido às pressões do mundo, mas também haviam sido seduzidos pela própria carne.
Antes de começar a repreender os coríntios, Paulo os chama de “irmãos”. Isso é a indicação de que eram salvos por Cristo, e que o apóstolo assim os considerava. Entretanto, não podia diminuir a gravidade do pecado que haviam cometido. Não convinha dirigir-se a eles como crentes espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo” (1Co 3.1). O crente espiritual é aquele que se deixa controlar pelo Espírito, enquanto o crente carnal se entrega ao controle da sua natureza carnal (Rm 8.9,14).
As manifestações da carne (1Co 3.3-4)
A carnalidade não é inevitável. É uma questão de escolha. Os cristãos de Corinto não cresciam porque alimentavam os apetites carnais. Era por essa causa que a congregação de Corinto colocava em evidência os ciúmes e as contendas.
O ciúme é a atitude ou a condição emocional interna; e a contenda é a ação que resulta dela ou a sua expressão exterior. O primeiro se revela como forma de egoísmo, que é uma característica comum às crianças, e não aos adultos! Crentes maduros são altruístas.
Essas duas manifestações são sintomas carnais mais destrutivos do que se possa pensar. Entre outras coisas, causaram as divisões na igreja de Corinto. Quando a congregação desenvolveu lealdade em torno de indivíduos, foi manifesto o ciúme entre os grupos, e surgiram as contendas (1Co 3.4).
Romanos 15:1,2. Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação.
CONCLUSÃO. Temos na Bíblia alguns exemplos de pessoas que estiveram bem próximas de perder uma grande benção de Deus em suas vidas, por se desesperarem – Moisés, Naamã, Jonas, Tiago, João. Davi é um exemplo diferente – a sua vida estava falida publicamente, mas em seu coração ele continuava esperando no Senhor. Precisamos esperar no Senhor até Ele se inclinar para nós e ouvir o nosso clamor.//
Pr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.)
Ass. de Deus em Santos (Ministério do Belém) - São Paulo.
Email: adayl.alm@hotmail.com
Facebook: adayl manancial

BIBLIOGRAFIA
Beth Moore - Paciência – A esperança que vem de Deus
Dennis Allan - Discórdias, Dissensões e Facções: Obras da Carne
Elis Clementino - Dissensões na Igreja
Leonardo Silva Horta - Paciência


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradeço e será um prazer receber seu comentário que depois de aprovado será publicado.