quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

PAZ DE DEUS ANTÍDOTO CONTRA AS INIMIZADES


O QUE É PAZ?
Comecemos definindo o que é paz. No Antigo Testamento, o termo ‘shalom’ se refere à ideia de ausência de conflito (1Cr 22.9; Pv 17.1), entretanto, por toda a Bíblia, o termo tem uma extensão de significado bem mais ampla. Pode significar bem-estar do indivíduo, de grupos, de nações, prosperidade física e material (Sl 4.8; Lm 3.17; 1Sm 20.42; Ml 2.5; Êx 18.23; Gn 15.15; Zc 8.19).

A paz é o desejo mais profundo do ser humano. Não por acaso, ela é uma promessa de Deus aos seus filhos. Desde muito cedo, os homens de bem se cumprimentavam assim: “Paz seja convosco” (Gn 43.23). Os anjos de Deus apresentavam-se do mesmo modo: “Paz seja contigo” (Jz 6.23). O Antigo Testamento nos ensina a abençoar assim: “o Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz” (Nm 6.26).

No Novo Testamento, a palavra paz tem seu sentido ampliado para a ideia de satisfação da ira de Deus por meio da morte de Cristo na cruz. Cristo veio para estabelecer a paz (Lc 2.14,29; 19.42), ele ensinou a necessidade de paz (Mt 5.9; Jo 14.27), e a trouxe por meio de sua morte e ressurreição (Rm 15.33ss).

Outro sentido percebido é o de paz interior que, embora não se caracterize pela ausência de lutas ou adversidades circunstanciais, mostra-se suficiente para trazer discernimento e controle emocional diante de momentos de angústia, dúvida e terror (Rm 15.13; Gl 5.22; 2Tm 2.22; Jo 16.33; Hb 12.11; 2Co 4.7ss).

A PAZ DE DEUS E A PAZ DOS HOMENS
As Escrituras fazem diferença entre paz e paz. Sim! Para Deus uma é a paz do homem e outra é a paz do céu.

Foi por isto que Jesus disse “a minha paz vos deixo, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo”.

Afinal, uma é a paz dos homens e outra a paz de Deus.
A paz dos homens tem a ver com conforto, equilíbrio de poderes, controle, domínio, bens, seguranças, sucessos, liberdade de expressão, determinações afetivas, reconhecimento, tranquilidade, autodeterminação, boas sensações, etc.

Ora, tire-se qualquer dessas coisas de um homem e ele perderá toda paz que supostamente possua.

A paz de Deus, no entanto, não é assim. Pois se a paz dos homens decorre de muitas bênçãos e prosperidades, a paz de Deus, no entanto, decorre de Deus apenas, e não de circunstancias favoráveis.

A paz do homem é sempre emocional. A paz de Deus, entretanto, é ultra-circunstancial, visto ser um estado que transcende a tudo.

Jesus deixou claro que uma é a paz da terra e outra a do céu.
“A minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo”.

Ele é a própria paz, não existe paz sem Ele, a falta dEle é falta de paz, uma paz tal que não precisa de ausência de guerras para estar estabelecida, pois é paz interior, que frutifica de dentro para fora, que é permanente e só pode ser adquirida mediante um compromisso de fidelidade entre nós e Deus. A Bíblia está recheada de promessas de Deus falando em conceder esta paz, mas todas estão condicionadas a este relacionamento de fidelidade com Ele.

A paz autêntica
A paz autêntica tem dois pressupostos: um elemento negativo, a ausência de agitação, que é precisamente o oposto da paz; e um elemento positivo, o descanso da vontade na posse estável do bem desejado. Ora, esse é precisamente o estado em que se encontra a alma inteiramente entregue à ação do Espírito Santo.

A paz que as pessoas ao nosso redor imaginam é aquela sensação que traz calma, tranquili-dade, bem-estar, algum tipo de contentamento, no dia a dia. Acontece que esse tipo de paz pode ter diversas origens. O uso de algumas substâncias entorpecentes, por exemplo, po-dem dar à pessoa a sensação de calmaria, autocontrole, submissão. É o caso de bebidas alcoólicas para alguns, de cigarros para outros, ou até mesmo outros tipos de droga. Música também pode ser um excelente recurso para fazer com que alguém fique calmo. Uma boa prosa com amigos, um passeio contemplando a natureza. Várias são as formas de encontrar bem-estar. Mas, certamente, não é desse tipo de paz que a Bíblia fala.

A paz que as Escrituras apresentam é de um tipo bem diferente. É a paz gerada pelo consolo absoluto do Espírito Santo no coração crente. Foi essa a paz que Davi evocou (Sl 4.8, NTLH) e que só pode ser sentida por aqueles que tiveram o coração transformado pela graça soberana do Senhor, pois experimentam a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Sem essa experiência vital de transformação, é impossível viver a paz genuína. A certeza da fé é que dá ao coração crente a segurança de enfrentar quaisquer situações.

Paulo afirmou: “O próprio Senhor da paz lhes dê a paz…”. A primeira característica da paz genuína é que ela é originada no próprio Deus, sendo um dos aspectos do fruto do Espírito.

A NATUREZA DA PAZ
Entre os gregos, ‘eirene’, que é a palavra que o apóstolo Paulo usa, era empregada para significar o estado ou a condição de ausência de guerra. Na verdade, para os gregos a paz era um interlúdio entre as guerras. Os romanos a traduziram por “pax”, significando um relacionamento de reciprocidade entre duas partes, mesmo que provocada pelo predomínio de uma parte sobre a outra.

Como os gregos e os romanos, temos pensado a paz como ausência de guerra, mas esta é uma visão limitada do conceito bíblico.

"Justificados, pois, mediante a fé, tenhamos paz com Deus, por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo". (Romanos 5:1)

Quando o homem reconhece essa verdade e se arrepende de todo o mal cometido contra o seu criador, vem sobre ele o perdão de Deus fazendo-o reconciliar-se com o seu Reino de glória. Tudo, por meio de Jesus Cristo. Ele é o único mediador.

"Portanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos..."  (1Timóteo 2:5,6a)

Muitos procuram a paz e não a encontram. Não são poucas as vezes que vejo noticiários em que pessoas envolvidas em tragédias, desastres, desavenças dizem: "Eu só quero paz".

A verdadeira paz só pode vir através da reconciliação do homem com o seu criador. Não há outro meio.

Gozo e paz
Gozo e paz estão intimamente ligados (Romanos 14:17 e 15:13). Satanás conseguirá certamente roubar nosso gozo se ele tirar nossa paz. Creio que Deus nos deu Jó para que no meio de nossas calamidades possamos lembrar que houve um homem que enfrentou problemas muito piores… e triunfou. Como? Quando ele passou a conhecer a Deus. Em Jó 42:5, Jó diz: “Com os ouvidos eu ouvira falar de ti, mas agora te veem os meus olhos”. Note que Jó encontrou paz em Deus antes de ser curado e ter sua vida restaurada… e Deus sequer lhe havia prometido isto. Mas o conhecimento de Deus trouxe a Jó a paz que ele tanto queria, mesmo no meio de suas terríveis circunstâncias.

SENTINDO A PAZ DE DEUS
Como posso sentir a paz de Deus inundando todo o meu ser quanto tenho ao meu redor pi-lhas de roupas para lavar, compras para fazer, trabalhos para terminar e, o que é pior, um resultado de exame para receber?

As preocupações nos rodeiam, o medo vive, diariamente, ao nosso lado e a ansiedade toma conta de nós. Mas, como filhas de Deus e templo do Espírito Santo, temos um meio para driblarmos estas preocupações, este medo e esta ansiedade. Este meio é a perfeita paz de Deus que não espera por momentos perfeitos e certinhos para fazer morada em nosso coração.

É maravilhoso sabermos que, como filhas de Deus, podemos ter esta paz mesmo vivendo em um mundo de guerras, desemprego, doenças, drogas, futuro incerto para nós e para nossos filhos...

Quando nestes momentos de tristeza decidimos repousar nos braços do Senhor, não só sentimos a Sua paz mas sentimos também o Seu amor.

Devemos promover a paz
Jesus nos conclama a sermos promotores da paz, ou pacificadores (Mt 5.9). 

Promover a paz é promover a reconciliação do homem com Deus, de que é exemplo o apóstolo Paulo. Ele escreveu: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1), porque ele é a nossa paz (Ef 2.14). Isaías lembra que seu sobrenome é Príncipe da Paz (Is 9.6) e o autor de Hebreus o chama de rei da paz (Hb 7.2).

Nosso compromisso é apresentar aos homens este Jesus Cristo reconciliador. Sem a ação deste Reconciliador, não haverá reconciliação, não haverá paz. Nosso prazer é anunciar este Evangelho. Afinal, “quão formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Is 52.7). Quando Deus reinar, haverá paz.

AS OBRAS DA CARNE 
É comum ouvir por aí o quanto a vida é uma guerra. E já que toda guerra é formada por batalhas, podemos dizer que a maior delas é a que se passa dentro de cada um de nós.

“Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si (...)” Gálatas 5.17 

O Espírito a que o apostolo Paulo se refere é Deus em nós. Mas o que seria essa tal de “carne”? A carne aqui são as atitudes que causam a separação entre nós e Deus; uma mente focada em seus próprios impulsos e desejos e não em praticar o que a Palavra de Deus orienta. Quando a mente não está focada em fazer a vontade de Deus, obviamente ela estará suscetível a pensar em tudo o que é contrário às coisas Divinas, e todos os pensa-mentos que nutrimos, mais cedo ou mais tarde, irão transformar-se em ações (quer você queira ou não). E é aí, com pensamentos totalmente distantes de Deus, que as obras da carne irão manifestar-se.

INIMIZADES 
Do latim vulgar ‘inimicìtas’ - Sentimento duradouro de hostilidade; ódio, aversão, malquerença. É o sentimento que, uma vez estabelecido no coração de alguém, contra outrem, não lhe permite desejar o bem do outro, não lhe permite se alegrar em hipótese alguma com a vitória do outro, faz com que o outro sempre lhe pareça rival, mesmo que não seja... É, também, o sentimento que faz com que a pessoa procure sempre andar na contramão do que a outra pessoa gosta. A Bíblia diz que a amizade com o mundo é inimizade com Deus - Rm 8:7 e Tg 4:4 . Ou seja, quem ama os prazeres mundanos está andando na contramão da vontade de Deus. A inimizade, como sentimento, retratado por Paulo em suas epístolas, parece tratar-se de uma antipatia gratuita, sem causa aparente, desinteligência, falta de compreensão, um mal-entendido. Por exemplo, uma falta de cumprimento pode ser suficiente para desencadear um processo de inimizade. Observe-se que não é que as pessoas se tornam nossas inimigas, na maioria das vezes não temos nenhum inimigo, é a nossa mente quem cria situações que não existem e nós, gratuitamente, elegemos inimigos.

O cristão e a inimizade
Assim que, conforme a definição acima, inimizade significa: Aversão, antipatia, desafeição, sentimento de não gostar de alguém, não amar!

Inimigo é aquele que tem inimizade; é contrário, adversário, oponente.

Ainda podemos dizer que a inimizade, é o sentimento de não gostar de alguém, não amar; ser contrário. Trazendo para o contexto, é não amar, é ser contrário ao próprio irmão!

Infelizmente muitas vezes ouvimos certos irmãos dizerem o seguinte: “Não vou com a cara daquele irmão” ou “Não gosto daquele irmãozinho”.

Quando não gostamos de alguém, sentimos aversão por este alguém e isto é sentimento de inimizade!

Como cristão, fica difícil imaginar não amar aquele pelo qual o nosso Senhor deu a sua vida também!

O nosso inimigo não é o homem, como está escrito em Efésios 6:12 – "A nossa luta não é contra a carne e o sangue !"

"Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas.

Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo" (I João 2:9-10).

"- Ah !! mas aquele irmão é muito chato !!!!"

Concordo, sei que existem pessoas que nós não “achamos legais” e que fazem coisas com as quais nós não concordamos, mas amar é uma decisão !! Precisamos decidir amar as pessoas, independente se nós a julgamos merecedoras ou não . O Senhor nos aceita e nos ama mesmo com as nossas falhas e imperfeições, se queremos parecer com Cristo, precisamos decidir amar a todos, pois as inimizades causam muitos problemas ao Corpo de Cristo.

"Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor."

O apóstolo Paulo nos orienta dizendo: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus da paz será convosco.” Filipenses 4.8,9

Quando se está em Espírito, rapidamente é detectado qualquer pensamento contrário, que se neutraliza com o uso da fé, sacrificando os desejos que só levam ao sofrimento de uma vida distante de Deus – ainda que em um primeiro momento eles pareçam bons e interessantes. Só assim você irá garantir a permanência no Reino de Deus e futura entrada no Reino dos Céus.//

Pr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.) 
Ass. de Deus em Santos (Ministério do Belém) - São Paulo.
Email: adayl.alm@hotmail.com
Facebook: adayl manancial
BIBLIOGRAFIA
Adeilson Salles - A paz do mundo e a paz de Deus
Israel Belo de Azevedo A paz como dom do Espírito
Núbia Onara - As ações que lhe deixam fora do Reino de Deu
Sandoval Juliano - Inimizades, Porfias, Emulações e Pelejas
Silvia Alice Botelho – Terceira qualidade do fruto do Espírito: Paz
Valdenira Nunes de Menezes Silva – Sentindo a paz de Deus

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