segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Nenhum trecho da Bíblia apresenta um mais nítido contraste entre o modo de vida do crente cheio do Espírito e aquele controlado pela natureza humana pecaminosa do que 5.16-26. Paulo não somente examina a diferencia geral do modo de vida desses dois tipos de crentes, ao enfatizar que o Espírito e a carne estão em conflito entre si, mas também inclui uma lista específica tanto das obras da carne, como do fruto do Espírito.
ANDAR NA CARNE X ANDAR NO ESPIRITO.
A grande ênfase da segunda metade da Epístola aos Gálatas é que em Cristo a vida é liberdade. Estávamos sob servidão da maldição ou condenação da lei, mas Cristo nos libertou dela. Éramos escravos do pecado, mas agora somos filhos de Deus.
O tema deste parágrafo pode ser dividido em duas partes, intituladas "o fato do conflito cristão" e "o caminho da vitória cristã".

O Fato do Conflito Cristão (vs. 16-23)

Os combatentes no conflito cristão são chamados de "a carne" e "o Espírito". Versículos 16 e 17: Andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne... Com "carne" Paulo quer dizer o que somos por natureza e hereditariedade, nossa condição caída, o que a Bíblia na Linguagem de Hoje chama de "os desejos da natureza hu­mana".
"Espírito" ele parece referir-se ao próprio Espírito San­to, que nos renova e regenera, primeiro dando-nos uma nova natureza e, então, permanecendo em nós. Mais simplesmente, poderíamos di­zer que "a carne" representa o que somos por nascimento natural, e "o Espírito" o que nos tornamos pelo novo nascimento, o nascimento do Espírito. E estes dois, a carne e o Espírito, vivem em ferrenha opo­sição.
“… Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o Espírito para a vida e paz…” (Rm. 8:6).
A palavra no grego para pendor, inclinação, significa “colocar a mente, prestar atenção”. Em todos os cristãos aparecem estas duas sementes: a semente de Deus e a do mal.
Assim, para quem olhamos, a este nos inclinamos. Se colocarmos nossa mente no Espírito, vamos ter vida, paz e bênção. Mas, se colocarmos nossa atenção na carne e a ela obedecermos, então morreremos.
O que é o espírito?
Alguns pensam que “espírito” significa o mesmo que “alma”. Mas não é assim. A Bíblia deixa claro que “espírito” e “alma” se referem a duas coisas diferentes.
Os escritores bíblicos usaram a palavra hebraica rú·ahh ou a palavra grega pneú·ma ao escreverem a respeito do “espírito”. As próprias Escrituras indicam o significado dessas palavras. Por exemplo, o Salmo 104:29 diz: “Se [tu, Jeová] lhes tiras o espírito [rú·ahh], morrem e voltam ao pó.” E Tiago 2:26 diz que “o corpo sem espírito [pneú·ma] está morto”. Nesses versículos, portanto, “espírito” se refere àquilo que dá vida a um corpo. Sem espírito, o corpo está morto. De modo que na Bíblia a palavra rú·ahh é traduzida não apenas por “espírito”, mas também por “força” ou “força da vida”.
O espírito humano é a parte imaterial do homem. A Bíblia diz que o espírito humano é o próprio sopro do Deus Todo-Poderoso que foi soprado no homem no início da criação de Deus: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente"(Gênesis 2:7). É o espírito humano que nos dá a consciência de nós mesmos e de outras notáveis, embora limitadas, qualidades que se "espelham em Deus".
O apóstolo Paulo disse: "Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus" (1 Coríntios 2:11). Com a morte, o "espírito volta a Deus que o deu" (Eclesiastes 12:7; ver também Jó 34:14-15 e Salmo 104:29-30).
ANDAR NA CARNE X ANDAR NO ESPÍRITO
Carne (gr. sarx) a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal (Rm 8.6-8,13; Gl 5.17,21). Aqueles que praticam as obras da carne não poderão herdar o reino de Deus (5.21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e mortificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo (Rm 8.4-14; ver Gl 5.17).
As obras da carne, diz Paulo, são conhecidas. São óbvia a todos A carne propriamente dita, a nossa velha natureza, é secreta e invisível; mas as suas obras, as palavras e os atos pelos quais se manifesta, são públicos e evidentes.
O andar no Espírito começa quando colocamos nossas mentes e corações no Senhor e na Sua vontade; quando valorizamos nosso Deus e Seus caminhos. A palavra para morte no versículo 6 de Rm. 8 é “Chagau”, que significa destituição da glória de Deus, separação, falta de res-posta. Aqueles que cedem à carne são destituídos da glória de Deus e morrem.
Os filhos de Deus são orientados e fazem a vontade de Deus para as suas vidas.
No capítulo 5 de Gálatas encontramos três níveis de relacionamento com o Espírito de Deus. No versículo 18, Paulo diz:
“… sois guiados pelo Espírito…”.
Ser guiado fala de ser puxado, conduzido, levado.
O primeiro nível de relacionamento com o Espírito Santo é a obediência. Ele quer e precisa nos guiar. Os filhos de Deus são orientados e fazem a vontade de Deus para as suas vidas.
“… Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus…” (Rm. 8:14).
O segundo nível de relacionamento com o Espírito Santo está nesse versículo. Andar no Espírito é mais que ser guiado. Temos que esperar a direção de Deus não apenas nas grandes decisões, mas nas pequenas também. Andar no Espírito é a chave para a parte “b” do versículo: vencer a concupiscência.
O terceiro nível de nosso relacionamento com o Espírito Santo está em Gl. 5:25: “… vivamos no Espírito…”.
Viver é mais do que ser guiado. Viver fala de uma aliança profunda e completa. É fato que o Espírito Santo está em nós e que estamos nEle. Aqui, porém fala de vivermos conscientes da presença do Espírito. Quando vivemos este tipo de vida, constantemente diante do Senhor, então o versículo 24 se cumpre em nós: “crucificamos a nossa carne”.
Viver na carne é viver a vida sem Cristo, desprovida por completo da lei do Espírito. Este não é o caso dos cristãos verdadeiros, pois o texto prossegue dizendo:
“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” (Romanos 8:9)

Depois desta declaração profunda, de que ninguém que serve a Cristo está desprovido do Espírito Santo para vencer, Paulo estabelece claramente onde cada uma das duas leis opera:
A do pecado: na carne; E a do Espírito da vida: em nosso próprio espírito.
E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.” (Romanos 8:10).

OBRAS DA CARNE
Antes de examinarmos a lista das "obras da carne", convém dizer algo mais sobre a expressão "a concupiscência da carne" (Galatas 5.16). Infelizmente essa expressão veio a ter em portu-guês uma conotação que o seu equivalente grego não tem. Atualmente, "concupiscência" signifi­ca "desejo sexual descontrolado" e "carne" significa "corpo", de modo que "a concupis-cência da carne" e "os pecados da carne" são (na lin­guagem comum) aqueles atos relaciona-dos com os nossos apetites fí­sicos. Mas o que Paulo quis dizer é muito mais do que isso. Para ele ‘a concupiscência da carne” é todo desejo pecaminoso de nossa natureza caída. Isto fica bem explícito no seu feio catálogo de "obras da carne".
Muitas passagens do Novo Testamento ensinam que os seguidores de Cristo precisam remo-ver o mal de suas vidas. Temos que crucificar a carne ". . . com as suas paixões e concupis-cências" (Gálatas 5:24). Algumas vezes, as pessoas não entendem tais instruções e pensam que a vida de um cristão é vazia, despojada de todo o prazer. Mas Deus não tem intenção de deixar um vazio, de tornar nossas vidas vácuos sem significado. Quando ele nos diz que pré-cisamos remover o pecado, ele também nos mostra outras coisas ­ que são muito melhores ­ para encher nossas vidas e fazê-las mais ricas. Por exemplo, quando Paulo disse a Timóteo: “Foge, outrossim, das paixões da mocidade”, ele imediatamente acrescentou esta instrução positiva para encher o vazio: "Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor" (2 Timóteo 2:22). Ele tinha que remover o mal, mas imediatamente lhe foi dito que pusesse o bem no seu lugar.
O QUE É O FRUTO DO ESPÍRITO ?
O "Fruto do Espírito" é um termo bíblico que engloba nove atributos visíveis de uma vida cristã verdadeira, os quais estão enumerados em Gálatas 5:22-23: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” .
A metáfora do "fruto" aparece várias vezes no Novo Testamento, designando sempre algum "resultado" (Mt 3.8; 7.16; Rm 1.13; Ef 5.9; Hb 13.15). O fruto do Espírito são qualidades mo-rais divinamente implantadas. São resultados da ação do Espírito em nosso caráter.
Primeiro, a sua origem é sobrenatural: "do Espírito" (genitivo grego que indica fonte ou causa). Enquanto as "obras da carne" são atos que praticamos naturalmente, o "fruto do Espí-rito" é de responsabilidade do próprio Espírito. Precisamos ter humildade, pois não podemos produzir este fruto.
Segundo, o seu crescimento é natural. O "fruto" faz parte da "lei da semeadura e da colhei-ta": "aquilo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6.7). O nosso interior é como um campo onde estamos semeando diariamente. Aquilo que você semear você irá colher. "Semeie um pensamento, e você colherá uma ação; semeie uma ação, e você colherá um hábi-to; semeie um hábito e você colherá um caráter; semeie um caráter e você colherá um desti-no". Se você deseja que o Espírito Santo produza o fruto em você, forneça-lhe os meios: ora-ção e leitura bíblica. "A graça nos confere os meios para colhermos abundante safra espiritual".
Terceiro, a sua maturidade é gradual. Antes de ser um fruto maduro, há etapas que precisam ser cumpridas. Isto demanda tempo: primeiro a flor, depois o embrião e por fim, o fruto (Mc 4.28). O Espírito Santo não tem pressa e um caráter cristão maduro é resultado de uma vida inteira.
As Escrituras nos ensinam que não são “frutos” individuais que podemos escolher. Antes, o fruto do Espírito é um só “fruto” com nove partes que caracterizam todos aqueles que verda-deiramente andam no Espírito Santo. Este é o fruto que cada cristão deveria produzir na sua nova vida com Jesus Cristo..

O fruto do espírito. Vejamos:
Caridade” (amor) (gr. agape), i.e., o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (Rm 5.5; 1Co 13; Ef 5.2; Cl 3.14).
Gozo” (gr. chara), i.e., a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo
Paz” (gr. eirene), i.e., a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial (Rm 15.33; Fp 4.7; 1Ts 5.23; Hb 13.20).
Longanimidade” (gr. makrothumia), i.e., perseverança, paciência, ser tardio para irar-se ou para o desespero (Ef 4.2; 2Tm 3.10; Hb 12.1).
Benignidade” (gr. chrestotes), i.e., não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Ef 4.32; Cl 3.12; 1Pe 2.3).
Bondade” (gr. agathosune), i.e., zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade (Lc 7.37-50) ou na repreensão e na correção do mal (Mt 21.12,13).
Fé” (gr. pistis), i.e., lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade (Mt 23.23; Rm 3.3; 1Tm 6.12; 2Tm 2.2; 4.7; Tt 2.10).
Mansidão” (gr. prautes), i.e., moderação, associada à força e à coragem; descreve alguém que pode irar-se com eqüidade quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso (2Tm 2.25; 1Pe 3.15; para a mansidão de Jesus, cf. Mt 11.29 com 23; Mc 3.5; a de Paulo, cf. 2Co 10.1 com 10.4-6; Gl 1.9; a de Moisés, cf. Nm 12.3 com Êx 32.19,20).
Temperança” (gr. egkrateia), i.e., o controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5).
O fruto do Espírito e a santidade
Podemos considerar a santificação como: Passada, Presente e Futura, ou como Instantânea, Progressiva e Completa ou Final.
O fruto do espírito evidencia em nossa vida o processo de santificação.
1) SANTIFICAÇÃO INSTANTÂNTANEA. I Coríntios 6.11. "E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus."
Hebreus 10.10, 14 "É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre. Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados."
A evidência do fruto do Espírito na vida do crente mostra que ele foi separado do pecado e separado para Deus. Justamente por isso é que os crentes no Novo Testamento são chamados de santos. Se a pessoa não é santa, também não é cristão. Se for um cristão, então é um santo.
2) SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA. A Justificação se diferencia da santificação em que a primeira é um ato instantâneo, mas não e progressivo, enquanto que a segunda é uma crise com mira a um processo - um ato que é instantâneo e que leva consigo a ideia do crescimento até chegar a seu complemento.
O crente verdadeiramente separado para Deus, além de experimentar uma nova vida, somos dirigidos a santificação, não só aparentemente mas interiormente Rm 12:1.
O nosso controle agora não é pela simples emoção mas controlados pelo Espírito Santo de Deus. Quando estamos separados o pecado não tem mais domínio em nós. Rm 6:14-16.
CONCLUSÃO
Quando olhamos para o fruto do Espírito Santo vemos um retrato de Jesus Cristo. Todas as nove virtudes acima estão presentes no caráter de Cristo. Elas só podem ser implantadas no crente, por intermédio do Espírito Santo. Ele é quem opera a transformação moral do crente (2 Co 3.18). Deixe o Espírito trabalhar em seu caráter e verá os resultados operados pelo Espírito Santo em sua vida.//
Pr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.)
Ass. de Deus em Santos (Ministério do Belém) - São Paulo.
Email: adayl.alm@hotmail.com
Facebook: adayl manancial

BIBLIOGRAFIA
J. Stott – A carne e o espirito
Dennis Allan – Andando no espirito

Rozilon Lourenço – O fruto do espírito

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradeço e será um prazer receber seu comentário que depois de aprovado será publicado.