terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A SABEDORIA DIVINA PARA A TOMADA DE DECISÕES


A CRISE FAMILIAR NO REINO DAVIDICO

Herança é um problema sério, quanto mais dinheiro envolvido na partilha, tanto maiores serão os conflitos entre os herdeiros. A herança é uma expectativa de direito que só se consuma com a morte do dono dos bens, mas, em regra, muito antes da morte do dono dos bens, começam os conflitos pela posse de tais bens.

Foi o que aconteceu em Israel. No contexto histórico o rei Davi estava velho e doente e estava vivendo o último ano de seu reinado. Por quarenta anos Davi fez muitas guerras, cometeu pecados gravíssimos, foi castigado, perdoado, castigado de novo e ele já estava cansado de todas as lutas, das perdas de alguns filhos e de reinar com a espada sempre desembainhada, pronto para responder a qualquer ameaça a Israel.

Davi estava velho, doente e sem muitas condições de administrar o reino, porém ele era o rei, estava vivo e ele foi ungido rei pelo Senhor. A vida pertence a Deus, ninguém pode antecipar a morte de ninguém e quando isso acontece através do homicídio, quem o praticou vai ajustar contas com Deus, mais cedo ou mais tarde.

Adonias, agora o filho mais velho de Davi após a morte de Amnom e Absalão, impaciente pelo trono que julgava ia herdar, tratou de se promover e providenciou carros, cavaleiros e cinquenta homens que corressem pomposamente adiante dele, exatamente como fizera Absalão (2 Samuel 15:1).
Mas, como mais tarde disse o Senhor Jesus: "todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado" (Lucas 14:11), sua humilhação não tardaria em vir.
O que Adonias tinha era uma expectativa de direito, que só seria concretizado com a morte do rei Davi e Deus não aprovou a atitude rebelde de Adonias, que se autoproclamou rei de Israel. De repente, Adonias disse: “Eu reinarei” e conseguiu alguns carros, cavaleiros e cinquenta homens para formar um séquito.  
Para consumar o golpe, Adonias contou com a ajuda de Joabe, que era o comandante do exército de Davi e de Abiatar, o sacerdote, que seguiram Adonias, como se fosse legítima a atitude atabalhoada do príncipe herdeiro.

A vigilância do Profeta Natã e a sabedoria de Batge-Seba

Diante do golpe de Estado consumado pelo príncipe herdeiro Adonias, o profeta Natã foi falar com Bate-Seba, mãe de Salomão e esposa de Davi. Natã alertou Bate-Seba para o risco iminente que ela e seu filho corriam, porque Adonias sabia da predileção de Davi por Salomão, mas o rei Davi não sabia que Adonias se autoproclamou rei e que já estava até comemorando sua ascensão ao trono.

Natã instruiu Bate-Seba sobre como abordar o assunto com Davi e ela seguiu à risca as orientações do profeta e foi falar com o rei Davi. A estratégia era bem simples, Bate-Seba deveria entrar nos aposentos de Davi e cobrar dele a promessa feita a ela de que Salomão reinaria depois dele e na mesma hora entraria o profeta Natã confirmando as palavras de Bate-Seba e a promessa de Davi.

Bate-Seba entrou no quarto de Davi que já estava bem idoso e fez tudo como o profeta mandou e disse a Davi que todo Israel esperavam uma posição dele, sobre quem seria seu sucessor no trono da nação. Conforme combinado, Natã entrou na câmara do rei enquanto Bate-Seba contava a Davi que Adonias já estava reinando em seu lugar e o profeta confirmou as palavras de Bate-Seba.

O bom e velho rei Davi ficou indignado, então ele jurou que seu sucessor já estava escolhido e seria Salomão e Davi resolveu antecipar a coroação de Salomão para aquele mesmo dia.
Foram chamados à presença do rei Davi o sacerdote Zadoque, o profeta Natã e Benaia e Davi deu a seguinte ordem: Tomai convosco os servos de vosso senhor, e fazei subir a meu filho Salomão na mula que é minha; e levai-o a Giom. E Zadoque, o sacerdote, com Natã, o profeta, ali o ungirão rei sobre Israel; então tocareis a trombeta, e direis: Viva o rei Salomão! Então subireis após ele, e virá e se assentará no meu trono, e ele reinará em meu lugar; porque tenho ordenado que ele seja guia sobre Israel e sobre Judá.”  (1 Reis 1:33-35).

A Incumbência que Davi Deu a Salomão.
Davi, antes de morrer, deu a Salomão a solene incumbência de “cumprir a obrigação para com o Senhor, teu Deus, andando nos seus caminhos, guardando os seus estatutos, seus mandamentos e suas decisões judiciais, e seus testemunhos”. Mandou adicionalmente que não deixasse Joabe e Simei ‘descer em paz ao Seol’; também que tivesse benevolência para com os filhos de Barzilai, o gileadita. (1Rs 2:1-9) Provavelmente fora antes disso que Davi dera instruções a Salomão a respeito da construção do templo, dando-lhe o plano arquitetônico “que viera a estar com ele por inspiração”. (1Cr 28:11, 12, 19) Davi deu ordens aos príncipes de Israel presentes ali para ajudarem Salomão, seu filho, e para participarem na construção do santuário de Deus. Nesta ocasião, o povo ungiu novamente a Salomão como rei e a Zadoque como sacerdote. (1Cr 22:6-19; cap. 28; 29:1-22) A bênção de Deus sobre Salomão manifestou-se logo cedo no seu reinado, quando ele passou a sentar-se “no trono de Deus como rei em lugar de Davi, seu pai, e para ser bem sucedido” no reinado e para se tornar forte nele.  1Cr 29:23; 2Cr 1:1.

SALOMÃO BUSCA SABEDORIA DE DEUS PARA REINAR

Durante uma determinada noite, enquanto dormia, Senhor se manifestou a Salomão em sonhos e lhe disse: “Peça. O que lhe posso dar?” (1Rs 3,5).
É motivo de reflexão esta proposta maravilhosa que Senhor fez a Salomão. O Senhor diz a Salomão que pedisse o que bem entendesse e, obviamente, o seu pedido seria atendido.
Quantas coisas têm um rei para pedir ao Senhor; principalmente um rei no início do seu reinado, jovem, com a cabeça cheia de projetos, vaidades e ambições, ideias revolucionárias, planos de vitórias sobre seus inimigos, riquezas e vida longa.
Salomão poderia pedir ao Senhor que todos os seus inimigos fossem dizimados, os inimigos do trono no meio de sua própria gente, que eram tantos ou os inimigos da nação israelita que, costumeiramente, atacavam o território de Israel. Poderia pedir uma vida longa, como O Senhor dera ao seu pai Davi, para reinar por muitos anos sobre Israel. Poderia pedir para que ele, Salomão, fosse um rei respeitado e poderoso, e tivesse um exército imbatível.
Quantas coisas mais Salomão poderia pedir a O Senhor, na certeza de ser atendido.
Se o Senhor Nosso Deus dissesse a nós, a cada um de nós a você em particular a mesma coisa que disse a Salomão: “Peça. O que lhe posso dar?” (1Rs 3,5), sem dúvida, pediríamos riquezas, saúde, vida longa, muito prestígio, muito poder, uma bela casa, carros, fazenda, muito dinheiro... O que mais? Acredito que Salomão também tenha passado por esta tentação.
Mas Salomão era um rei que, apesar de ser jovem, era sábio, não recusou a oferta de O Senhor e a aproveitou da melhor maneira possível, e respondeu: “Tu demonstraste uma grande benevolência para com teu servo Davi, meu pai, porque ele caminhou diante de ti na fidelidade, justiça e retidão de coração para contigo; tu lhe guardaste esta grande benevolência, e lhe deste um filho que está sentado hoje em seu trono. Agora, pois, Senhor, meu Deus, constituíste rei a teu servo em lugar de meu pai Davi, mas eu não passo de um jovem que não sabe comandar. Teu servo se encontra no meio de teu povo que escolheste, povo tão numeroso que não se pode contar nem calcular. Dá. pois, a teu servo, um coração que escuta para governar teu povo e para discernir entre o bem e o mal, pois quem poderia governar teu povo, que é tão numeroso?”  (1Rs 3,6-9).    
Que resposta impressionante. Que humildade: “Mas eu não passo de um jovem que não sabe comandar.” (1Rs 3,7). Também seríamos tão humildes assim? Tenho dúvidas sobre isso. Diríamos ao Senhor:
Salomão se julgou jovem demais e incapaz de governar o povo de Deus e por isso pediu Um coração que escuta.” (1Rs 3,9). Um coração que escuta e põe em prática os ensinamentos do Senhor; um coração justo, misericordioso, puro. Um coração que escuta o clamor do povo de Deus e o leva até o Senhor.
Salomão pediu discernimento para distinguir entre o bem e o mal e para saber o que agrada e o que desagrada ao Senhor. Essa foi a resposta que Salomão deu ao Senhor. Não pediu riqueza, não pediu vida longa, não pediu glória, não pediu prestígio, não pediu a morte de seus inimigos, não pediu sucesso. Não pediu nada disso. Muito pelo contrário: pediu um coração que escuta, um coração generoso, um coração que pudesse escolher o bem dentre o mal e acolher a todos os que necessitassem da ajuda e justiça do rei e que dependessem de um rei santo e generoso para governar aquele povo.

No livro dos Provérbios, também atribuído ao rei Salomão, encontramos esta oração, que é uma súplica“Duas coisas eu te pedi; não me as negue antes de eu morrer: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem riqueza e nem pobreza, concede-me o meu pedaço de pão; não seja eu saciado, e te renegue, dizendo: ‘Quem é Yahweh’? Não seja eu necessitado e roube e blasfeme o nome de meu Deus.” (Pr 30,7-9)

O projeto da construção do Templo.
A construção do Templo de Salomão foi um desejo pessoal do rei Davi. Ele estava inquieto porque morava no palácio real, e a Arca da Aliança estava no tabernáculo. O tabernáculo era uma tenda onde a Arca da Aliança ficava.
Apesar de Deus não ter ordenado para Davi que construísse o templo, Deus não permitiu que ele o fizesse. Isso porque Davi era um homem que derramou muito sangue em várias guerras com os inimigos de Israel. Coube a Salomão, filho de Davi, a construção do templo. Por isso ele é conhecido como Templo de Salomão, ou Primeiro Templo.

O templo seria edificado em Jerusalém no monte Moriá. A construção foi iniciada no segundo dia do segundo mês do quarto ano do reinado de Salomão (II Crônicas 4:2), para a obra o rei fez um recenseamento dos estrangeiros e contou 153.000. Destes designou 70.000 para levar as cargas, 80.000 para cortar pedras nas montanhas e 3.600 para dirigir Cedro do Líbano serviços. Foram necessários também 30.000 trabalhadores de Israel que se subdividiram em grupos de 10.000 homens, estas levas iam para o Líbano buscar cedros e eram dirigidas por Adonirão, ficavam um mês no Líbano e voltavam para descansar dois meses.
No conjunto foram utilizados trabalhadores de Hiram, edificadores de Salomão e estrangeiros para o serviço. Hiram, rei de Tiro, teve um papel importante na edificação, pois forneceu a Salomão madeira de cedro do Líbano necessária para a construção . "Depois Salomão enviou esta mensagem a Hiram: "Age como fizeste com meu pai Davi, enviando-lhe cedro para edificar uma casa para a sua residência. Eis que resolvi edificar uma casa para o nome de Iahweh meu Deus para reconhecer sua santidade, queimar diante dele o incenso perfumado e oferecer continuamente os pães da proposição, oferecer holocaustos de manhã (...) A Casa que vou construir será grande, porque nosso Deus é maior do que todos os deuses." ( II Crônicas 2:2-4). "Envia-me do Líbano troncos de cedro, de cipreste e de sândalo, pois sei que teus servos sabem cortar as madeiras do Líbano. Meus servos trabalharam com os seus" (II Crônicas 2: 7). O cedro era cortado, embarcado em diversos portos da Fenícia e transportado por via marítima para desembarcar em Jafa, de lá a madeira era transportada até Jerusalém que ficava a 68 km da li. Salomão recebeu de Hiram toda a madeira de que precisou e em troca Hiram recebia vinte mil coros de trigo para prover sua casa e vinte mil batos (décima parte do coro) de azeite de olivas moídas por ano. Hiram auxiliou Salomão em vários de seus empreendimentos, indicou especialistas no trato do ouro, ferro, prata e bronze para a obra de entalhe.
O rei utilizou para a edificação do templo pedras grandes e lavradas. "Todos os edifícios eram feitos de pedras escolhidas, talhadas sob medida, serradas por dentro e por fora (...) ( I Reis 7: 9). Estágio Intermediário do Templo. As medidas do templo eram: 60 côvados de comprimento; 20 côvados de largura e 30 côvados de altura. O templo possuía 3 divisões principais; o pórtico (saguão de entrada), o santuário (salão principal) e o santo dos santos (santuário interior em forma de cubo). O templo foi edificado inteiramente com pedras e conta a Bíblia que enquanto se construía o templo não se ouvia nem som de martelo, machado ou de instrumento de ferro. As paredes internas e o teto eram forrados de ouro. O ouro era de melhor qualidade e todas as paredes, portas e batentes estavam revestidos com ouro. Dentro do templo, numa das extremidades, ficava o lugar mais sagrado de todos, o Santo dos Santos. Era o lugar mais interno do templo, nele, somente uma vez por ano, no dia da Expiação, o sumo sacerdote entrava para oferecer sacrifício para perdoar seus pecados e depois fazia o sacrifício pelos pecados do povo. Era no Santo dos Santos que ficava a arca da aliança. O lugar era coberto de ouro e tinha um altar de madeira revestido de ouro também. Existiam dois querubins iguais feitos de madeira e revestidos com ouro, sua altura era de 10 côvados, os querubins simbolizavam a proteção das coisas sagradas, neste caso, a Arca da Aliança.(O povo não podia ver os querubins, pois só o sumo sacerdote tinha acesso ao Santo dos Santos).
A Arca
O templo, serviria para guardar os tesouros mais valiosos do reino, o mais valioso era a Arca da Aliança. A arca era uma caixa de 1,20 m de comprimento, 0,75 m de largura e 0,75 m de altura. Era feita de madeira de acácia e recoberta de ouro puro. Continha, num período anterior ao de Salomão, as duas tábuas dos Dez Mandamentos, um vaso com maná e a vara de Arão. Era um símbolo da presença e da glória de Deus, santificava o lugar onde repousava. A arca era transportada só por sacerdotes ou levitas.
A inauguração do templo e o transporte da arca
Na festa dos tabernáculos, no mês de outubro, os sacerdotes levaram a Arca da Aliança para o templo, o rei Salomão e todo o povo se reuniu diante da arca e ofereceu sacrifícios de ovelhas e de bois, eram tantos os animais que não puderam ser contados. Os sacerdotes colocaram a arca no templo, dentro do santo dos santos e a colocaram debaixo das asas dos querubins. Quando os sacerdotes estavam voltando do santo dos santos, uma nuvem brilhante encheu o templo e foram obrigados a sair, porque a glória do Senhor estava enchendo o lugar. Então o rei Salomão orou ao Senhor e abençoa o povo agradecendo a Deus pela sua felicidade e pelas demais bênçãos. Também pediu a Deus que cumprisse a promessa de manter a descendência de Davi no poder, engrandece a Deus em sua oração e pede que proteja o templo de dia e de noite e que responda as orações suas e as do povo de Israel. Pede que a justiça apareça para com as causas do povo e que Deus perdoe sempre quando se mostrarem arrependidos de coração. Pede também a resposta à oração dos estrangeiros. Esta oração de Salomão é a mais longa registrada nas sagradas escrituras (I Reis 8: 22 a 53).
CONCLUSÃO
O escritor sagrado enaltece assim a sabedoria de Salomão: Deus concedeu a Salomão sabedoria e inteligência extraordinárias, bem como uma visão de espírito tão vasta como as areias que há nas praias do mar. A sabedoria de Salomão excedia a de todos os filhos do Oriente e toda a sabedoria do Egito. Foi o mais sábio de todos os homens; mais sábio do que Etan, o ezraíta, e do que Heman; do que Calcol e Darda, filhos de Maol; o seu no-me era conhecido por todos os povos em redor. Proferiu três mil provérbios, e seus hinos são em número de mil e cinco. Dissertou sobre as árvores: sobre o cedro do Líbano, bem como sobre o hisopo que brota dos muros; sobre os animais, as aves, os répteis e os peixes. Para ouvir a sua sabedoria vieram pessoas de todos os povos, da parte de todos os reis da terra, que alguma vez tinham ouvido falar da sua sabedoria”. (1Rs 5,9-14).
Salomão reinou em Israel de 970 a 931 aC.///

Pr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.)
Ass. de Deus em Santos (Ministério do Belém) - São Paulo.
Email: adayl.alm@hotmail.com
Facebook: adayl manancial

BIBLIOGRAFIA
Milton Restivo – A sabedoria de Salomão

R David Jones – A morte do rei Davi

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