terça-feira, 1 de novembro de 2016

MALEDICÊNCIA: O DISFARCE DE UM CORAÇÃO ENGANOSO

Em 2004, estava retirado na Chapada Diamantina-Bahia, buscando ao Senhor, quando fui despertado por uma passagem que relata o pacto de Galeede feito por Jacó e Labão, tendo por testemunha o Senhor que os vigiava, que iriam cumprir uma aliança que dizia: “para mal não passarei para o lado de lá, e tu não passarás para cá”, “para o bem de seus filhos”. Assim, o Senhor me disse: “O problema mais sério da igreja hoje é a maledicência”. No princípio, eu não enxergava o tamanho da gravidade do desvio, até que observando e estudando vi o que de fato é esse ferino pecado: ABOMINAÇÃO! Trata-se de uma arma destruidora usada pelo inimigo e que “amigos” e “irmãos” a utilizam indiscriminadamente, de forma deliberada e sem nenhum temor.
Eis o papel do Falso Profeta: esta é a entidade maligna responsável por criar “religião cristã”, sem as características e a essência de Cristo Jesus. Em Mt 15, o Senhor recriminou aos escribas e fariseus, quando questionado por seus discípulos não lavarem as mãos antes de sentarem à mesa. Jesus os desmascarou ao confrontar a negligência deles ao “mandamento de Deus” (honrar pai e mãe) com a “tradição dos anciãos”, concluindo: “E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição”. Ele ainda acrescenta as palavras de Isaías: “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”. Aquela realidade encaixa-se precisamente aos nossos dias quando um irmão tem problema com outro irmão, e, antes de resolver o conflito, procura o discipulador, companheiro, pastor, líder, cônjuge, filhos etc. e não vai direto à pessoa em questão. Em Mt 18:15, a palavra do Rei é clara: “Vai arguí-lo entre ti e ele só”. A covardia, deslealdade, entre outros motivos, levam-nos a transgredir o mandamento claro de Deus, tornando-nos como os fariseus: “religiosos”.
A maledicência visa diminuir a imagem da outra pessoa e chamar atenção para si. Assim fez a serpente com Adão e Eva no paraíso, maldizendo o Senhor e colocando dúvida nas suas palavras, diminuía a imagem de Deus perante eles: “É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comeres se vos abrirão os olhos e como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal”. Satanás é o pai da maledicência! Não é em vão que a palavra “diábolos” tem como traduções maldizer, caluniar e falar segundo ele ou por sugestão dele (Satanás). Na lista dos sete pecados que aborrecem ao Senhor, em Pv 6:16-19, o sétimo deles, “que a sua alma abomina” é o que “semeia contendas entre os irmãos”, onde a tradução do grego também é “diábolos”. Essa arma eficaz tem obtido grande êxito para o maligno no meio da casa de Deus, semeando desconfiança e separando irmão de irmão, confirmando as seguintes palavras, inclusive e infelizmente no meio do povo de Deus:
“e, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.” (Mt 24:12).
“O homem perverso espalha contendas; e o difamador separa amigos íntimos” (Pv 16:27)
Jesus, nosso modelo, nunca pecou: “ o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano”. Benditos sejam os seus santos lábios! Assim santificou-se o nosso Senhor. E conosco como será?

São três os agentes deste mal:
1. O Maledicente
2. O Ouvidicente
3. A Vítima

1. O Maledicente
Esse agente é aquele que sem saber negocia com o oculto, com as trevas: “Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus”, Jo 3:20-21. Deus é luz, a maledicência é trevas. A “luz” do maldizente é maligna porque descobre, indevidamente, a vida alheia. Cão descobriu a nudez de seu pai e foi amaldiçoado. Nada me autoriza a abrir a vida alheia e isso independe da função que desempenho (pastor, líder, discipulador). Salmos diz “Bem-aventurado aquele que encobre a transgressão” (do outro).
A falta de cuidado com a língua impede os irmãos de serem santos, pois pela boca podemos ser completamente contaminados e ainda contaminar a outros, como podemos ver em Tg 3:16. O Senhor explica esse processo em Mt 15:18, deixando claro que antes de pecar com a boca pecamos com o coração, pois a boca fala do que o coração está cheio”. A amargura brota primeiro no coração e depois contamina a muitos (Hb 12:14-15).
No Sermão do Monte, Jesus não aborda diretamente a questão da maledicência. No entanto, como sempre, a raiz do problema: O JULGAMENTO. Porque antes de maldizer você julga. Como já foi dito sabiamente, geralmente julgamos segundo aquilo que somos: “Se os teus olhos forem bons todo o teu corpo será luminoso; Se, porém, os teus olhos forem maus todo o teu corpo estará em trevas.”
O pecado do julgamento também é fruto de dardos do diabo, precisamos recorrer ao escudo da fé para não pecarmos contra Deus. O amor não suspeita mal (I Co 13). Dê sempre a melhor interpretação, caso a impressão persista, pergunte. “Perguntar não ofende!” Essa é a melhor forma de evitar o julgamento. Um outro ponto essencial é que aquele que for inquerido não seja melindroso. É necessário ter maturidade para entender que somos muito piores do que o irmão pensa. Se ele se equivocou na sua interpretação basta dizer isso a ele.
A gravidade do pecado de maledicência é equivalente a gravidade do pecado de sensualidade (impureza), pois os dois são pecados contra o corpo. Ao maldizer o irmão maculamos o olhar puro de quem ouve e aquele que admirava Cristo na vida do outro, passa a julgá-lo. Desta forma, você atenta contra o próprio Jesus, pois substitui o olhar espiritual do irmão por um olhar carnal, cooperando com o inimigo.
Existe uma frase judaica que diz: “Aquele que fala mal quer chamar atenção para si”. O que maldiz destaca-se utilizando o outro como escada. Isto é um ato de covardia, pois você não dá direito de defesa ao agredido. A Palavra fala que os covardes não herdarão o reino dos céus.
Este pecado ainda traz como consequência outro dano: muitos deixam de crescer, recolhem-se traumatizados deixando de edificar o corpo de Cristo, mantém seus pecados ocultos temendo a má fama ou até desistem do Senhor com medo de serem rotulados. Você é responsável por essas consequências. Miquéias 7:18 diz que Deus perdoa a iniquidade e esquece a transgressão. Nós lembraremos? Essa é a aliança do Senhor conosco e precisa ser uma aliança entre os irmãos: “a ninguém mais considereis segundo a carne e sim segundo o espírito”. O Senhor diz: “Nunca mais me lembrarei dos seus pecados, nem das suas iniquidades. Para sempre me esquecerei”. A igreja não precisa de maledicência, precisa de profecia. Se queremos buscar a santificação, a primeira coisa que devemos cuidar é com a língua.

Para refletir: A “maledicência” como é um pecado que nasce no coração, ela pode também ser expressada por gestos:
- Com um olhar;
- Um meneio de cabeça;
- Um afrouxar de lábios;
- Um levantar de sobrancelhas.

2. O Ouvidicente
“… Quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?”, assim agia o Nosso Amado Jesus em coisas que não lhe diziam respeito. Mas, hoje existem pessoas que são verdadeiras mantenedoras da vileza da maledicência, por ouvir o que não devem; e o que é para ser ouvido por questão funcional acaba sendo exposto de forma precipitada, cooperando com o desvio no procedimento da solução de problemas entre irmãos. Autoridades têm maior chance de tornarem-se ouvidicente.
Este segundo agente não é menos culpado que o primeiro, pois agrada-se em ouvir a fofoca. O pecado não acontece sem ele. O ouvidicente alimenta-se do maledicente.
Em Jo 21:20-22, Pedro tenta extrair do Senhor Jesus qual seriam seus planos quanto a vida de João, e Ele se opõe dizendo: “… que te importa?”. Detalhe, ao ser interrogado por Jesus quanto ao seu amor por ele, Pedro dá respostas insatisfatórias. Esse quadro repete-se comumente hoje. Muitos ao invés de desenvolverem seus “talentos”, ficam preocupados com a vida e o trabalho de outros, esquecendo-se do que lhes foi atribuído. O “saber” produz uma sensação de domínio da situação e de segurança. Aquele que ouve sente-se atualizado e protegido, pois supostamente conhece as debilidades dos irmãos. Amados, esse poder tem um preço alto: O PECADO.
No ministério, Jesus cientificava-se de situações de terceiros, discernindo seus corações, mas isso acontecia como fruto dos dons celestiais que Nele se manifestavam, visando um fim proveitoso. “Não era necessário que lhe dissessem o que era o homem, porque Ele sabia o que era o homem e conhecia a natureza humana”.
A Besta, responsável pelo sistema anti-Deus na terra, tem treinado a humanidade nessas práticas abomináveis através da mídia. Hoje, o que mais se vende em jornais, revistas, audiência em televisão e acessos à páginas de internet são os ESCÂNDALOS. A maioria das notícias vem com uma carga absurda de destruição de reputações, descobrindo, assim, a intimidade de terceiros. Infelizmente, a Igreja do Senhor, nos nossos dias, é cliente comum, alimentando seu coração dessas carnalidades e reproduzindo assim as mesmas práticas no Corpo de Cristo : “As palavras do maldizente são doces bocados que descem para o mais interior do ventre”. Assim, somos cauterizados tratando esse grave pecado com naturalidade. Em momento de descontração “caem” os inibidores, e em mesa de entretenimento quebra-se a timidez, reduzindo a vigilância; e a prática da maledicência torna-se mais intensa e séria. “Vigiai, pois não sabeis o dia e a hora que vem o Senhor”. Contudo, a alegria como fruto do Espírito é a de viver a vida de Cristo.
Atentemos à advertência para a Igreja dos últimos dias: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se.” Ap 22.11. “Porque os que se inclinam para carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito.” Rm 8.5.

3. A Vítima
O terceiro agente desse mal é a vítima, que uma vez agindo na carne, torna-se pior que o maledicente ou mesmo o ouvidicente. Pois, por sentir-se ofendido, se moverá em sua própria justiça deixando-se vencer pelo mal, transgredindo o mandamento prático que baliza o amor: “Aquilo que você quer que os homens vos faça, assim façais vós também a eles, porque esta é a lei e os profetas.” “Ama teu próximo como a ti mesmo.”
Quando sofremos a injustiça, nos parecemos mais com Jesus. A amargura e a auto-piedade são sentimentos mesquinhos que afrontam diretamente o Senhor,” pois há transferência de responsabilidade, subtraindo-se uma obrigação direta em pagar o mal com o bem; omite-se, esconde-se, ressente-se: PECA-SE!
Para Deus, a má reação a ofensa é pior que a ofensa. Pois a ofensa pode advir de uma iniquidade (pecado contra a santidade de Deus); trata-se do fato que o homem é falho, e sua imperfeição, cedo ou tarde, manifesta-se. No entanto, a má reação à ofensa vem de uma transgressão (pecado contra a autoridade de Deus); daí manifesta-se a malignidade do coração humano: a sua própria justiça. A justiça do homem é como trapo de imundícia para o Senhor, ou seja, algo repugnante. O Deus que perdoou o pecador não admite uma reação diferente da Dele. Por isso, Deus requer, que em situação similar, a pessoa perdoada conceda o perdão. Mt 18 (Parábola do Credor Incompassivo).
Nosso maior desafio é sermos como Jesus. Uma boa ocasião para vivermos tal desafio é quando somos injuriados. “Pois Ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se Àquele que julga retamente” e descansava. Problemas? Quem não os têm? A questão não está no que o problema vai fazer com você, mas o que você vai fazer com ele. O problema é uma oportunidade disfarçada pra você crescer. É o momento de tirarmos proveito, tentando enchergar como um alerta: aspectos em nossas vidas que precisam ser mudados. Tudo coopera para o nosso bem.
Deus tratará a situação quando o seu coração estiver resolvido. Ele não satisfará a tua justiça, pois Ele é o Justo Juiz. Não devemos reagir, devemos pagar o mal com o bem. Caso contrário, seremos catalizadores de pecado no meio do povo de Deus. “Porque , embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus” II Co 10.3-4.
Jesus tem que ser suficiente! É d’Ele que devemos buscar aprovação!

Jesus, a coerência entre o discurso e a prática
“Nem na sua boca se achou engano.” Porque em seu coração, também jamais habitou engano, pois a boca fala do que está cheio o coração. Esse é o nosso modelo! Nunca maldisse ninguém! Vemos em sua trajetória a prática de I Pedro 2.22.
Estando sob intenso interrogatórios, tanto de Pilatos quanto de Herodes, com maestria, Ele nos deixa uma lição de comportamento diante das situações adversas. É importante destacar que diante de Herodes, Jesus não lhe respondeu uma pergunta. Ele não se defendeu! “Portanto, o que for prudente guardará então silêncio, porque é tempo mau.” Amós 5.13.
Nenhuma prática ilustra melhor seu domínio de lábios e coração do que observá-lo no momento da última ceia. Pois evidencia seu reto procedimento com um traidor.
Jesus sabia desde o início quem era o traidor. “Contudo há descrentes entre vós, pois Jesus sabia desde o princípio, quais eram os que criam e quem o havia de trair.” João 6.64. Em dado momento, na última ceia, Ele revela que entre os discípulos um seria o traidor, criando um ambiente no qual é descrito o coração e a conduta daqueles homens. Os discípulos não se acusaram nem suspeitaram uns dos outros. Que ambiente Jesus criou entre eles!
Jesus conseguiu desenvolver uma responsabilidade pessoal, conduzindo-os a questionarem a si mesmos: “Porventura sou eu?” Marcos 14.19. Os onze discípulos poderiam desconfiar de Judas por ser o único que não era da Galiléia. Ele foi originário da terra de Queriote (ISH = Terra). Naquela época, a Galiléia, onde nasceram os outros discípulos, era o local de maior preservação da Lei de Moisés. Nem por isso Judas foi pré-julgado. Entre eles não havia julgamento, maledicência e nem espaço para “panelinhas” e facções.
Portanto, é simples entender o porquê da conduta dos discípulos, pois Aquele a quem seguiam deixava claro como se comportar diante desse mal. Porquanto ao ser interrogado por João sobre quem o trairia não se permitiu citar o nome de Judas, apenas sinalizou: “O que mete a mão comigo no prato esse me trairá.” Estando João reclinado ao peito de Jesus, este comunica-se com tamanha discrição: “Nenhum, porém, dos que estavam a mesa, percebeu a que fim lhe dissera isso.” Ou seja, Judas ao sair para delatar Jesus, por ser ele quem detinha a bolsa, deixou a impressão de que ausentou-se para comprar o que faltara, por ser ele quem detinha a bolsa. Como é impressionante a discrição do Senhor e a postura dos discípulos em dar a melhor interpretação aos fatos, não julgando Judas.
Jesus, como anfitrião, cumprindo a cultura da época, naquela noite, escolheu Judas para ser honrado, demonstrando uma total isenção de ressentimento. Semelhantemente, quando o encontra junto aos que iam prendê-lo, não o injuriou, mas o chamou de AMIGO. Pois, de fato, Jesus foi o verdadeiro amigo de Judas, mesmo sabendo que por ele seria traído. Jesus amou o traidor! Louvado seja o nome do Santo Jesus!

Eduardo Boulhosa
Fonte: http://fazendodiscipulos.com.br/ensinos/2011/maledicencia-o-disfarce-de-um-coracao-enganoso-2/

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