quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Cuidado, crente anti-social!

Tornou-se comum diante de casas com cães bravos colocar-se uma placa dizendo “Cuidado: cão anti-social”. Na verdade, o cão é uma fera capaz de produzir graves ferimentos em quem invadir o seu território, mas o dono informa que ele é apenas “anti-social”. Trata-se de um recurso lingüístico chamado de “eufemismo”, quando lançamos mão de um termo ou uma palavra para suavizar ou minimizar o peso que outra palavra teria.

Quero me valer de um eufemismo para dizer que mais do que nunca estamos cercados por aquele tipo de evangélico que eu chamo de “crente anti-social”, para dizer o mínimo. E quem é ele?

Primeiramente, ele é um hedonista espiritual, ou seja, vive em busca incessante do prazer pessoal. Tudo gira em torno dele e para ele. Suas orações, seus cânticos, sua busca é para sua satisfação somente. Não há o outro, não há o servir, não há desejo em ser instrumento, mas espera tão somente receber. Isso fica muito claro quando vemos na TV auditórios lotados de pessoas com os olhos fechados, o cenho franzido, expressão de suplício, a mão na cabeça, como que tentando fazer contato com algo superior e ganhar o “prêmio” que foi ali buscar. São hedonistas em busca da satisfação pessoal, e pouco importa a eles a família, a comunidade, quem está ao seu lado, se o outro está sofrendo, se ele poderia ser útil.... não, nada disso importa a não ser o “seu” prazer.

O crente anti-social não consegue enxergar mais nada além de si mesmo. O seu relacionamento com Deus é obsessivo, cheio de sofreguidão. Por achar que é cabeça, e não cauda, imagina-se acima das vicissitudes da vida e não aceita nada que venha atrapalhar o seu bom andamento.

Isso tudo me faz pensar que há somente duas maneiras de se viver e nós somos chamados a nos posicionar: ou vivemos de uma forma egocêntrica ou de uma forma cristocêntrica.

O egocêntrico só pensa em si mesmo, nunca está satisfeito, sempre quer mais. É uma verdadeira criança – mimada e infeliz. Deus para ele é apenas um supridor dos caprichos de sua mente insatisfeita. Normalmente são pessoas de difícil trato, fechadas em si, desconfiadas, sempre com pé atrás, incapazes de se abrir e baixar a guarda. Jamais falam com transparência. Jamais transpassam naturalidade, pois vivem uma espiritualidade artificial, como se fosse um personagem. É cada um cuidando do seu jardinzinho e fazendo da fé cristã a comunidade mais individualista e preocupada consigo mesma na face da Terra. Nem precisa dizer o quanto isso é abominável ao Senhor. Em nenhum momento vemos Jesus ou os apóstolos numa busca frenética de sensações agradáveis, mas em busca de viver de acordo com os propósitos divinos, e sempre pensando na comunidade, no mundo, e até mesmo nos inimigos, a quem deveriam ser bênção para eles também. 

Por outro lado, o cristocêntrico se alegra em Deus e tudo o que ele faz é para agradar ao Senhor. O seu prazer está em ser útil ao Reino. Ele reconhece o amor de Deus em cada momento da vida, sente-se amado e guardado, por isso não tem medo de mostrar suas fraquezas. Preocupa-se com o outro, com o irmão e com o seu próximo, não porque é de sua igreja ou de sua fé, mas porque tem um amor no coração que não distingue pessoas. É aquele tipo de gente capaz de tirar um prego da rua simplesmente porque “alguém” que ele não conhece pode se ferir (aliás, esse seria um bom critério para avaliar muita gente que diz estar cheia de amor pela humanidade).

O cristocêntrico não vive em busca do prazer porque a vida dele é prazerosa, é bem-aventurada, é leve e solta. Ele não precisa “criar” clima para estar bem, ele não precisa desenvolver uma performance para “sentir” Deus. Para ele não importa se está no templo em casa ou em meio a natureza – ele se sente bem em todos os lugares. Ele sabe que Deus está com ele, quer sinta, quer não. Ele sabe ter uma vida agradável a Deus quer esteja no templo ou numa masmorra. Ele não precisa receber algo de Deus para ser feliz, pois em Deus ele tem tudo o que precisa – Deus é a sua fonte de alegria.

O verdadeiro contentamento se dá quando cada um deixa de lado aquele infantilismo evangélico ensimesmado em si mesmo, e abre-se ao Eterno. Crente anti-social é uma excrescência, uma aberração que o mundo evangélico está produzindo. É uma gente neurótica, enfermiça da alma, e que adora um “ídolo” que chama de Deus, mas jamais é o Deus Emanuel, o Deus encarnado que habita conosco, que chora as nossas dores e nos sustenta com o hálito da vida.

A presença divina em nós nos torna humanos, ternos, afáveis, solidários, bondosos, nos dá sensibilidade à alma e sabedoria que vem do Alto. Toda espiritualidade que nos afasta dessa humanidade é perigosa e demoníaca, pois nos fecha no egoísmo e no individualismo, características luciferianas que o levaram a cair de seu estado original. Pense nisto!
http://pastordanielrocha.blogspot.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradeço e será um prazer receber seu comentário que depois de aprovado será publicado.