quinta-feira, 26 de maio de 2016

Imagem de Santo Antônio: corpo num lugar e cabeça em outro

A Revista ATITUDE, de nov/dez/Jan-2003/2004, edição 4, p. 35 traz uma notícia que considero muito interessante para nossos ouvintes: ” Na cidade de Caridade, no sertão do Ceará, a população está ficando revoltada, pois começaram a construção de uma estátua enorme do padroeiro da cidade, Santo Antônio, mas ainda não terminaram. Construíram o corpo em um morro atrás da igreja matriz, e a cabeça do santo em um outro local. Os empreendedores desse monumento religioso não pensaram como iriam colocar a cabeça imensa no corpo. Resultado disso é que até hoje isto não foi possível devido aos altos custos. O corpo está lá no morro, e a cabeça está estendida no chão, numa rua da cidade. De que o que o povo reclama? É que de uns tempos para cá os pedidos ao santo só são atendidos pela metade.

Pergunta: Como o irmão vê a devoção do povo da cidade de Caridade, tão preocupado com seus pedidos ao santo que são atendidos pela metade? É possível aceitar, que por causa da separação da cabeça do santo do corpo, isso pode realmente contribuir para receberem uma resposta pela metade?

Resposta do Pr. Natanael: Não. Isso não passa de uma superstição religiosa muito acentuada do povo cearense. A prática em si, de levantar uma imagem de Santo Antônio de tamanho tão descomunal, que nem pensaram como levariam a cabeça para ser colocada sobre o tronco do santo, já demonstra ser um ato impensado e, pior ainda, fora dos princípios bíblicos. Se a imagem do santo fosse assim tão poderosa não poderia ela por si mesma pôr sua cabeça no lugar devido? Ocorre que a imagem nem mesmo a si mesma ajuda, como poderia ajudar a outros que invocam sua ajuda?

Pergunta: O que a Bíblia fala acerca do poder que os ídolos possam ter para ajudar as pessoas que invocam sua proteção e ajuda?

Resposta do Pr. Natanael: A Bíblia até zomba da crendice de uma pessoa que imagina poder ser ajudada por um ídolo, tido como protetor de alguém ou até de uma cidade: “Ouvi a palavra que o Senhor vos fala a vós, ó casa de Israel. Assim diz o Senhor: Não aprendais o caminho das nações, nem vos espanteis com os sinais do céu; porque deles se espantam as nações, pois os costumes dos povos são vaidade; corta-se do bosque um madeiro e se lavra com machado pelas mãos do artífice. Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos e com martelos o firmam, para que não se mova. São como o espantalho num pepinal, e não podem falar; necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar. Não tenhais receio deles, pois não podem fazer o mal, nem tampouco têm poder de fazer o bem” (Jeremias 10.1-5). Não está bem claro, à luz da Bíblia, que nenhum auxílio se pode esperar de tais protetores? Diz o versículo 5: “necessitam de quem os leve, porquanto não podem andar”. Não poderia o problema, que vem se arrastando por algum tempo, ser resolvido pelo próprio Santo Antonio, qual seja colocar sua cabeça em cima do seu corpo? Não passa mesmo de um “espantalho num pepinal”.

Pergunta: O que surpreende é como um povo inteiro de uma cidade não vê que isso se torna ridículo, e até motivo de gozação, para os visitantes de tal cidade? Falta o que ao povo de Caridade?

Ora, considerando que a notícia declara que o corpo da imagem de Santo Antônio está atrás da igreja matriz da cidade, consideramos que os padres responsáveis pelo ensino de religião ao povo não estão sendo o suficientemente fieis para com suas responsabilidades. Se fossem mais envolvidos com a Bíblia, poderiam enxergar e ensinar o povo o que a Palavra de Deus diz sobre a fabricação de ídolos e sua invocação. Está escrito com muita clareza na Bíblia para não se fazer imagens de escultura e muito menos invocá-la. “Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem esculpida, nem coluna, nem poreis na vossa terra pedra com figuras, para vos inclinardes a ela; porque eu sou o Senhor vosso Deus” (Levítico 26.1). E Deus reclama por meio do profeta Jeremias esse erro do povo. “Acaso trocou alguma nação os seus deuses, que contudo não são deuses? Mas o meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor, porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (Jeremias 2.11-13).

Pergunta: O que significa essa linguagem do profeta Jeremias, falando que o povo de Israel havia cometido duas maldades?

Resposta do Pr. Natanael: O povo de Deus cometeu dois pecados principais:

1) Abandonaram o Senhor e isso era a primeira maldade. “Ó Senhor, esperança de Israel, todos aqueles que te abandonarem serão envergonhados. Os que se apartam de ti serão escritos sobre a terra; porque abandonam o Senhor, a fonte das águas vivas” (Jeremias 17.13); “pois em ti está o manancial da vida; na tua luz vemos a luz!” (Salmo 36.9).

2) A segunda maldade é que buscaram vida e prazer nas coisas do mundo. Ao agirem assim, abdicaram do seu propósito e destino como povo redimido. Jesus, nos seus dias, no diálogo que manteve com a mulher samaritana, se identificou como ‘água viva’. “Se tivesses conhecido o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe terias pedido e ele te haveria dado água viva. Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que tirá-la, e o poço é fundo; donde, pois, tens essa água viva? És tu, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, do qual também ele mesmo bebeu, e os seus filhos, e o seu gado?. Replicou-lhe Jesus: Todo o que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (João 4.11-14).

Lemos também, durante o ministério de Jesus, ele se identificava como a água viva: “Ora, no seu último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva. Ora, isto ele disse a respeito do Espírito que haveriam de receber os que nele cressem; pois o Espírito ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado” (João 7.37-39). A nossa “água viva” está na comunhão pessoal com Deus, por meio de Cristo.

Pr. Natanael Rinaldi - Estudo elaborado em 31/07/2007

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