sábado, 9 de abril de 2016

JUSTIFICAÇÃO, SOMENTE PELA FÉ EM JESUS CRISTO

A DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO
Entre as inestimáveis doutrinas do Cristianismo está a justificação. Doutrina esmerada pelo apóstolo Paulo em sua magna Carta aos Romanos e resgatada por Lutero, na Reforma.
A ausência e a incompreensão da doutrina da justificação no período da Idade Média trouxeram muitos prejuízos como a escravidão da consciência, conceitos errados acerca de Deus e Sua justiça, comprometendo toda a Soteriologia, além de deturpar o Cristianismo. Isso mostra que ela é uma das colunas do Cristianismo. Sendo assim, compreender o verdadeiro significado dessa doutrina é algo indispensável a todo cristão.
A justificação pela fé foi um dos pilares da Reforma do século dezesseis. O conceito de que a salvação é uma somatória do esforço humano e da disposição divina, uma parceria entre a fé e as obras está em total desacordo com o ensino das Escrituras. A salvação é pela graça mediante a fé e não o resultado das obras nem mesmo da adição de fé mais obras. A salvação não é uma conquista do homem, é um presente de Deus. Não é uma medalha de honra ao mérito, mas uma manifestação do favor imerecido de Deus.
Quanto à natureza da justificação, é importante ressaltar que o homem justificado não se torna justo, mas é declarado justo, tratando-se de duas afirmações diferentes. Um dos erros da tradição escolástica, no período pré-reforma, foi interpretar o termo “justificar” como sendo “tornar justo”. Mas, com a Reforma, Lutero reafirmou o sentido legal do termo. A justificação é o direito legal de se ter acesso e comunhão com Deus. Não se trata de uma justiça infundida no homem.
A Reforma Protestante ficou conhecida pelos cinco “solas” (Sola Scriptura: Somente a Escritura; Sola Gratia: Somente a Graça; Sola Fide: Somente a Fé; Solus Christus: Somente Cristo; Soli Deo Gloria: Somente Glória a Deus).
Desses cinco “solas”, que são considerados os princípios da Reforma Protestante, três estão diretamente relacionados com a Doutrina da Justificação pela Fé. Vejamos:
SOLA GRATIA. A Graça é fonte da justificação de Deus.
SOLA FIDE. A Fé é o instrumento, o meio, dessa justificação.
SOLUS CHRISTUS. Jesus Cristo é o fundamento sobre o qual esta justificação está alicerçada.

Assim sendo, o homem é justificado mediante a Fé, que é derramada pela Graça de Deus, por meio de Jesus Cristo somente.
A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ
Martinho Lutero disse: “Esta doutrina é a cabeça e a pedra fundamental. Por si só, ela gera, alimenta, edifica, preserva e defende a igreja de Deus. E sem ela, a igreja de Deus não poderia existir nem por uma única hora”. Martin Lloyd-Jones afirmou que a justificação pela fé “é a grande doutrina central de todo protestantismo, e vocês descobrirão que em cada avivamento ela sempre vem na vanguarda”. A igreja cai ou permanece de pé por causa desta doutrina. Ela é a espinha dorsal de todas as doutrinas bíblicas. John Piper diz: “Pregar e viver a justificação pela fé glorifica a Cristo, resgata pecadores desesperados, encoraja santos imperfeitos e fortalece igrejas frágeis”.
A LEI NÃO JUSTIFICA NINGUÉM (3.18-20)
Todos, judeus e gentios, são pecadores, todos estão debaixo do pecado. O pecado domina o ser humano. Todos estão debaixo do juízo de Deus e a Lei testifica contra eles.
Tendo traçado a extensão do pecado, e revelado o seu amplo domínio sobre os homens, Paulo mostra que a Lei, na sua insuficiência, para justificar o pecador, foi dada como espelho para revelar o pecado, e não para livrar do pecado.
Um segundo texto importante do Antigo Testamento que apoia a justificação pela fé é Habacuque 2:4: "o justo viverá pela sua fé", ou como alguns estudiosos querem ler, "o justo pela fé viverá". Paulo deixa claro que este verso, citado em Romanos 1:17, Gálatas 3:11 e Hebreus 10:38, é cumprido finalmente na justiça que vem pela fé no evangelho de Cristo, pela qual a própria lei nos ensinar a procurar (Romanos 3:21-22; 10:4). A explicação de Paulo sobre Habacuque inspirou não somente Martinho Lutero, mas a incontáveis outros crentes a colocarem sua fé numa justiça não deles próprios, mas naquela de Jesus Cristo, que é chamado "O SENHOR JUSTIÇA NOSSA" (Jeremias 23:6).
Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (3.23). Após argumentar que a Lei aponta o pecado e a necessidade de limpeza, mas é incapaz de limpar o homem, agora o apóstolo Paulo dá a conhecer com toda intensidade o antídoto, o remédio de Deus para o pecado. O caminho de libertação do pecado e da culpa é a justificação diante de Deus pela fé em Cristo Jesus.
Aos lábios que se calaram, rostos que se abateram e sorrisos que se fecharam pela sentença de condenação, Paulo é o portador da grande boa nova do perdão da culpa, e da libertação do pecado. Do investimento de Deus, através de Jesus Cristo, em que a justiça é creditada ao homem, assegurando-lhe a possibilidade de viver uma vida reta e de ter garantido o pleno acesso a salvação eterna. Para o homem imerso em densas trevas, esta mensagem faz raiar o Sol da Justiça, justiça que só o próprio Deus pode prover.
Quanto ao fundamento, a justificação tem como base a justiça de Cristo. Sendo o homem in-capaz de se auto-justificar, Deus o justifica. Surge então a questão: como Deus, sendo absolutamente justo, pode justificar o homem injusto e pecador? Paulo responde e deixa claro que Cristo se fez justiça por nós (Rm 3.24-26; 4.5; 1Co 1.30). Portanto, Deus não é injusto ao justificar o injusto, pois o fundamento é a justiça de Cristo e Deus considera a justiça dEle pertencente ao homem.
O QUE É JUSTIFICAÇÃO?
A justificação é um ato jurídico ou uma sentença divina na qual Ele declara perdoado todo pecador que crer em Jesus. Louis Berkhof define: “A justificação é um ato judicial de Deus no qual Ele declara, baseado na justiça de Jesus Cristo, que todas as exigências da lei estão satisfeitas com respeito ao pecador”. A justificação é o contrário de condenação. Ela é um ato único e legal que remove a culpa do pecado e restaura o pecador à sua condição de filho de Deus, com todos os seus direitos, privilégios e deveres.
Por justificação entende-se o ato pelo qual Deus declara justifica uma pessoa que a Ele se chega através de Cristo. Esta justificação envolve dois atos:

1- O cancelamento da dívida do pecado na “conta” do pecador.
2- O lançamento da justiça de Cristo no lugar do pecado.

Em outras palavras, justificação não é aquilo que o homem é ou tem em si, mas aquilo que o Senhor Jesus é e faz na vida do que o aceita como seu único e suficiente Salvador. Desse modo, justificar significa tornar ou declarar justo. É um termo legal, que implica em processo legal. O resultado desse processo acontece quando Deus justifica o pecador, tornando-o justo e reto, não pelos méritos do homem, mas pelos méritos de Jesus Cristo.
A justificação é tão abrangente que, se uma pessoa aceitou verdadeiramente a Cristo há uma hora, está tão justificada quanto uma que O segue há muitos anos. A justificação não é como a santificação que é um processo gradual. Nunca nos tornamos mais justificados por seguirmos Cristo há mais tempo, somos justificados no momento que aceitamos o sacrifício de Jesus por nós.

A justificação testificada pela lei e pelos profetas (3.21).

A justificação do pecador, mediante o sacrifício vicário de Cristo, pode ser percebida por meio de várias profecias no Antigo Testamento; (Romanos 3:21) Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas”. (Is 53.11; 45.22-23; Jr 23.6; Sl 85.10).
Os sacrifícios da lei não visavam retirar os pecados, mas cobri-los temporariamente até que Cristo viesse como o sacrifício perfeito e substitutivo.

Sobre a Justificação pela "Fé Somente"
Está absolutamente evidente que o ‘sola fide’ é muito enfatizado na teologia cristã-evangélica em sua batalha contra a teologia do catolicismo medieval. Fé e obras são termos excludentes entre si. Nada poderia ser acrescentado à justiça de Cristo. Nenhuma adição humana seria tolerada.
A doutrina de Trento ensinava que a justiça merecida por Cristo deveria ser apoiada pela justiça do próprio pecador que cooperava com a graça. Literalmente, Trento expressa-se desta forma, no Cânone 9, da Sexta Sessão.
O sinergismo, a ideia de que a salvação é uma conjugação de fé mais obras, não tem amparo nas Escrituras. A verdade meridianamente clara é que a salvação é recebida mediante a fé inde-pendentemente das obras. As obras não são a causa da salvação, mas seu resultado. Não somos salvos pelas obras, mas para as obras. A fé é a raiz, as obras são os frutos. A fé produz obras; as obras revelam a fé. Não estamos com isso desprezando as obras nem diminuindo seu valor.

Embora a fé seja o meio através do qual Deus opera a salvação, a fé não é e não pode ser uma condição humana - isto é, se "condição" implica mais do que a ordem necessária, ou o caminho de salvação. Se a fé fosse o fundamento condicional (isto é, meritório) da justificação, a salvação pelo mérito humano estaria introduzida, desonrando a graça divina e subvertendo o evangelho ao reduzi-lo a simplesmente mais uma versão de justificação pelas obras (Gálatas 4:21-5:12). Além do mais, visto que não podemos ser aceitos por Deus com uma justiça menos do que perfeita, nossa fé teria de ser perfeita. Contudo, a fé de ninguém é perfeita. Toda nossa fé é danificada pelo pecado. Nada em nós, inclusive nossa fé, teria possibilidade de obter sucesso como uma condição. A fé desconhece o mérito humano (Efésios 2:8), porque a própria natureza da fé é depender inteiramente do mérito e justiça de Cristo como "mais que suficiente para quitar a dívida de nossos pecados" (Confissão Belga, Artigo 22). Nós não somos justificados por nossa fé que é sempre imperfeita, mas pela sempre perfeita justiça de Cristo. Todas as condições de salvação devem ser e têm sido cumpridas por Jesus através de Sua obediência, tanto ativa como passiva, no estado de Sua humilhação (Romanos 5:19).
A justificação se origina em Deus.
A justificação pela fé é a manifestação da justiça de Deus sobre os pecadores. Ele é quem toma a iniciativa de perdoar o homem de todos os seus pecados, declarando-lhe que não existe mais nenhuma condenação contra ele. Ele é o autor da justificação, a qual não pode ser obtida pela obediência humana à lei de Deus (Gl 2.16,21). Ele é o Juiz Supremo que declara a absolvição do pecador.
A justificação é gratuita.
A justificação é um presente que Deus concede ao homem. Paulo diz: “sendo justificados gratuitamente, por Sua graça” (Rm 3.24). A palavra gratuitamente significa “como um pré-sente”, “sem pagamento”; e a palavra graça significa “por um favor imerecido”. Ela não pode ser comprada por obras humanas ou conquistada por méritos pessoais. Ela é exclusivamente pela graça.
Quanto à necessidade de justificação, estende-se a partir da queda de Adão, com a sua desobediência, o pecado entrou no mundo, a raça humana herdou a corrupção do pecado e, consequentemente, o homem é injusto desde seu nascimento (Sl 51.5; Gn 8.21). Assim, o homem é incapaz de agradar a Deus e fazer sua vontade (Rm 8.7-9). Além do mais, o pecado atrai a ira de Deus. Sua ira requer juízo e a justificação impede que esse juízo seja executado.
ABRAÃO É EXEMPLO DE JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ (4.1-23)
Depois de enfatizar que a justificação não se fundamenta na Lei, mas sim na graça de Deus a todos que creem em Cristo, agora será usado para explicar a justificação o exemplo de Abraão. Com isso Paulo está dizendo que a justificação não é algo novo, pelo contrário, com Abraão foi assim, ele foi justificado pela fé (v. 3). O pai da fé foi justificado antes do estabelecimento da Lei, apenas por ter mostrado fé em Deus. Com isso Paulo quer encerrar de vez a questão da importância da Lei na salvação. A salvação está em Cristo Jesus.
Expondo Romanos 4, Theodore Beza comenta: Abraão não foi justificado, e feito o pai dos fiéis, por qualquer de suas próprias obras, nem precedentes nem seguintes de sua fé em Cristo, conforme prometido a ele; mas meramente pela fé em Cristo, ou em o mérito de Cristo pela fé imputado a ele para justiça. Portanto, todos seus filhos tornam-se filhos seus e são justificados, não por suas obras, nem precedentes nem seguintes de sua fé; mas pela fé somente no mesmo Cristo.
Os judeus dos dias de Jesus citavam Abraão como exemplo de justificação pelas obras, mas Paulo o enaltece como exemplo de justiça pela fé. Abraão não tinha observado nenhuma lei, prestado nenhum serviço, nem cumprido nenhum ritual que lhe pudesse ter servido de crédito em sua conta corrente diante de Deus. Sua fé em Deus, que lhe fizera a promessa, foi-lhe creditada como justiça.
Uma justiça recebida somente pela fé.
Este “dom da justiça” é recebido somente pela fé. Se, por um lado, é verdade que não há uma declaração explícita da frase “justificação pela fé somente”, também é verdade que este é o ensino que perpassa toda a Escritura. Não há como escapar deste ensino quando Paulo declara enfaticamente que “ao que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. E por isso diz Davi ser bem-aventurado o homem a quem Deus imputa justiça, independentemente de obras”, em Romanos 4.5-6. Que a fé é o único meio de justificação para Paulo fica suficientemente claro na passagem anterior, mas isto também é afirmado de outros modos. Outro modo pelo qual Paulo ensina isto é quando ele rejeita qualquer outro meio de justificação, exceto a fé. “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3.28). “… sabendo, contudo, que o homem não é justificado pelas obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus…” (Gl 2.16). E para que não se digam que tais passagens referem-se a somente uma classe de obras e que as obras não são de todo excluídas, na concepção paulina de justificação, basta que se cite passagens onde ele explicitamente faz a exclusão de qualquer tipo de obras, a exemplo de Efésios 2.8-9: “Visto que pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie”. Pela graça, mediante a fé e não de obras – isto não pode significar outra coisa além de que a salvação é “somente pela graça e somente mediante a fé”, visto que, se obras forem acrescentadas, não poderá mais se dizer que “não vem das obras” e nem tampouco que é “pela graça”; pois, “se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11.6)
CONCLUSÃO: Concluímos, enfatizando que, quando afirmamos que somos justificados pela fé, não estamos dizendo que a fé é a base da justificação. A fé é apenas a causa instrumental. A causa meritória é o sacrifício de Cristo na cruz. Tomamos posse dos benefícios da morte de Cristo pela fé. A fé não é a causa, é o meio. A fé é a mão estendida de um mendigo que recebe o presente de um rei. Essa fé salvadora não é meritória nem mesmo procede do homem. O mês-mo Deus que dá o fim, a salvação, também dá o meio, a fé salvadora. De tal forma que, a salvação é obra exclusiva de Deus de ponta a ponta, sem qualquer mérito do homem. Na verdade, tudo provém de Deus, tudo é feito por Deus e tudo é consumado por Deus para que ele mesmo receba toda a glória, agora e eternamente!//
Pr. Dr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.;D.Hu.)
Ass. De Deus em Santos (Ministério do Belém) - São Paulo.

(O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição, foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos exerceu seu ministério na Republica Argentina; é Licenciado, Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Doutor em Psicologia e em Humanidade, Escritor, Professor Universitário, Pós-graduado em Psicanálise e em Ciências Políticas, Juiz Arbitral do Tribunal de Justiça Arbitral-RJ, membro da Academia de Letras Machado de Assis de Brasília, Professor da Faculdade Kerigma, e Diretor da Faculdade Teológica Manancial-SP).

Facebook: adayl manancial

BIBLIOGRAFIA
Adaylton de Almeida Conceição – Carta aos Romanos.
Heber Carlos de Campos - A Justificação pela Fé.
Joel R. Beeke - A Relação da Fé com a Justificação.

Robson T. Fernandes – A Doutrina da justificação.

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