segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO

Nenhum trecho da Bíblia apresenta um mais nítido contraste entre o modo de vida do crente cheio do Espírito e aquele controlado pela natureza humana pecaminosa do que 5.16-26. Paulo não somente examina a diferencia geral do modo de vida desses dois tipos de crentes, ao enfatizar que o Espírito e a carne estão em conflito entre si, mas também inclui uma lista específica tanto das obras da carne, como do fruto do Espírito.
ANDAR NA CARNE X ANDAR NO ESPIRITO.
A grande ênfase da segunda metade da Epístola aos Gálatas é que em Cristo a vida é liberdade. Estávamos sob servidão da maldição ou condenação da lei, mas Cristo nos libertou dela. Éramos escravos do pecado, mas agora somos filhos de Deus.
O tema deste parágrafo pode ser dividido em duas partes, intituladas "o fato do conflito cristão" e "o caminho da vitória cristã".

O Fato do Conflito Cristão (vs. 16-23)

Os combatentes no conflito cristão são chamados de "a carne" e "o Espírito". Versículos 16 e 17: Andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne... Com "carne" Paulo quer dizer o que somos por natureza e hereditariedade, nossa condição caída, o que a Bíblia na Linguagem de Hoje chama de "os desejos da natureza hu­mana".
"Espírito" ele parece referir-se ao próprio Espírito San­to, que nos renova e regenera, primeiro dando-nos uma nova natureza e, então, permanecendo em nós. Mais simplesmente, poderíamos di­zer que "a carne" representa o que somos por nascimento natural, e "o Espírito" o que nos tornamos pelo novo nascimento, o nascimento do Espírito. E estes dois, a carne e o Espírito, vivem em ferrenha opo­sição.
“… Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o Espírito para a vida e paz…” (Rm. 8:6).
A palavra no grego para pendor, inclinação, significa “colocar a mente, prestar atenção”. Em todos os cristãos aparecem estas duas sementes: a semente de Deus e a do mal.
Assim, para quem olhamos, a este nos inclinamos. Se colocarmos nossa mente no Espírito, vamos ter vida, paz e bênção. Mas, se colocarmos nossa atenção na carne e a ela obedecermos, então morreremos.
O que é o espírito?
Alguns pensam que “espírito” significa o mesmo que “alma”. Mas não é assim. A Bíblia deixa claro que “espírito” e “alma” se referem a duas coisas diferentes.
Os escritores bíblicos usaram a palavra hebraica rú·ahh ou a palavra grega pneú·ma ao escreverem a respeito do “espírito”. As próprias Escrituras indicam o significado dessas palavras. Por exemplo, o Salmo 104:29 diz: “Se [tu, Jeová] lhes tiras o espírito [rú·ahh], morrem e voltam ao pó.” E Tiago 2:26 diz que “o corpo sem espírito [pneú·ma] está morto”. Nesses versículos, portanto, “espírito” se refere àquilo que dá vida a um corpo. Sem espírito, o corpo está morto. De modo que na Bíblia a palavra rú·ahh é traduzida não apenas por “espírito”, mas também por “força” ou “força da vida”.
O espírito humano é a parte imaterial do homem. A Bíblia diz que o espírito humano é o próprio sopro do Deus Todo-Poderoso que foi soprado no homem no início da criação de Deus: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente"(Gênesis 2:7). É o espírito humano que nos dá a consciência de nós mesmos e de outras notáveis, embora limitadas, qualidades que se "espelham em Deus".
O apóstolo Paulo disse: "Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus" (1 Coríntios 2:11). Com a morte, o "espírito volta a Deus que o deu" (Eclesiastes 12:7; ver também Jó 34:14-15 e Salmo 104:29-30).
ANDAR NA CARNE X ANDAR NO ESPÍRITO
Carne (gr. sarx) a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal (Rm 8.6-8,13; Gl 5.17,21). Aqueles que praticam as obras da carne não poderão herdar o reino de Deus (5.21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e mortificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo (Rm 8.4-14; ver Gl 5.17).
As obras da carne, diz Paulo, são conhecidas. São óbvia a todos A carne propriamente dita, a nossa velha natureza, é secreta e invisível; mas as suas obras, as palavras e os atos pelos quais se manifesta, são públicos e evidentes.
O andar no Espírito começa quando colocamos nossas mentes e corações no Senhor e na Sua vontade; quando valorizamos nosso Deus e Seus caminhos. A palavra para morte no versículo 6 de Rm. 8 é “Chagau”, que significa destituição da glória de Deus, separação, falta de res-posta. Aqueles que cedem à carne são destituídos da glória de Deus e morrem.
Os filhos de Deus são orientados e fazem a vontade de Deus para as suas vidas.
No capítulo 5 de Gálatas encontramos três níveis de relacionamento com o Espírito de Deus. No versículo 18, Paulo diz:
“… sois guiados pelo Espírito…”.
Ser guiado fala de ser puxado, conduzido, levado.
O primeiro nível de relacionamento com o Espírito Santo é a obediência. Ele quer e precisa nos guiar. Os filhos de Deus são orientados e fazem a vontade de Deus para as suas vidas.
“… Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus…” (Rm. 8:14).
O segundo nível de relacionamento com o Espírito Santo está nesse versículo. Andar no Espírito é mais que ser guiado. Temos que esperar a direção de Deus não apenas nas grandes decisões, mas nas pequenas também. Andar no Espírito é a chave para a parte “b” do versículo: vencer a concupiscência.
O terceiro nível de nosso relacionamento com o Espírito Santo está em Gl. 5:25: “… vivamos no Espírito…”.
Viver é mais do que ser guiado. Viver fala de uma aliança profunda e completa. É fato que o Espírito Santo está em nós e que estamos nEle. Aqui, porém fala de vivermos conscientes da presença do Espírito. Quando vivemos este tipo de vida, constantemente diante do Senhor, então o versículo 24 se cumpre em nós: “crucificamos a nossa carne”.
Viver na carne é viver a vida sem Cristo, desprovida por completo da lei do Espírito. Este não é o caso dos cristãos verdadeiros, pois o texto prossegue dizendo:
“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” (Romanos 8:9)

Depois desta declaração profunda, de que ninguém que serve a Cristo está desprovido do Espírito Santo para vencer, Paulo estabelece claramente onde cada uma das duas leis opera:
A do pecado: na carne; E a do Espírito da vida: em nosso próprio espírito.
E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.” (Romanos 8:10).

OBRAS DA CARNE
Antes de examinarmos a lista das "obras da carne", convém dizer algo mais sobre a expressão "a concupiscência da carne" (Galatas 5.16). Infelizmente essa expressão veio a ter em portu-guês uma conotação que o seu equivalente grego não tem. Atualmente, "concupiscência" signifi­ca "desejo sexual descontrolado" e "carne" significa "corpo", de modo que "a concupis-cência da carne" e "os pecados da carne" são (na lin­guagem comum) aqueles atos relaciona-dos com os nossos apetites fí­sicos. Mas o que Paulo quis dizer é muito mais do que isso. Para ele ‘a concupiscência da carne” é todo desejo pecaminoso de nossa natureza caída. Isto fica bem explícito no seu feio catálogo de "obras da carne".
Muitas passagens do Novo Testamento ensinam que os seguidores de Cristo precisam remo-ver o mal de suas vidas. Temos que crucificar a carne ". . . com as suas paixões e concupis-cências" (Gálatas 5:24). Algumas vezes, as pessoas não entendem tais instruções e pensam que a vida de um cristão é vazia, despojada de todo o prazer. Mas Deus não tem intenção de deixar um vazio, de tornar nossas vidas vácuos sem significado. Quando ele nos diz que pré-cisamos remover o pecado, ele também nos mostra outras coisas ­ que são muito melhores ­ para encher nossas vidas e fazê-las mais ricas. Por exemplo, quando Paulo disse a Timóteo: “Foge, outrossim, das paixões da mocidade”, ele imediatamente acrescentou esta instrução positiva para encher o vazio: "Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor" (2 Timóteo 2:22). Ele tinha que remover o mal, mas imediatamente lhe foi dito que pusesse o bem no seu lugar.
O QUE É O FRUTO DO ESPÍRITO ?
O "Fruto do Espírito" é um termo bíblico que engloba nove atributos visíveis de uma vida cristã verdadeira, os quais estão enumerados em Gálatas 5:22-23: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” .
A metáfora do "fruto" aparece várias vezes no Novo Testamento, designando sempre algum "resultado" (Mt 3.8; 7.16; Rm 1.13; Ef 5.9; Hb 13.15). O fruto do Espírito são qualidades mo-rais divinamente implantadas. São resultados da ação do Espírito em nosso caráter.
Primeiro, a sua origem é sobrenatural: "do Espírito" (genitivo grego que indica fonte ou causa). Enquanto as "obras da carne" são atos que praticamos naturalmente, o "fruto do Espí-rito" é de responsabilidade do próprio Espírito. Precisamos ter humildade, pois não podemos produzir este fruto.
Segundo, o seu crescimento é natural. O "fruto" faz parte da "lei da semeadura e da colhei-ta": "aquilo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gl 6.7). O nosso interior é como um campo onde estamos semeando diariamente. Aquilo que você semear você irá colher. "Semeie um pensamento, e você colherá uma ação; semeie uma ação, e você colherá um hábi-to; semeie um hábito e você colherá um caráter; semeie um caráter e você colherá um desti-no". Se você deseja que o Espírito Santo produza o fruto em você, forneça-lhe os meios: ora-ção e leitura bíblica. "A graça nos confere os meios para colhermos abundante safra espiritual".
Terceiro, a sua maturidade é gradual. Antes de ser um fruto maduro, há etapas que precisam ser cumpridas. Isto demanda tempo: primeiro a flor, depois o embrião e por fim, o fruto (Mc 4.28). O Espírito Santo não tem pressa e um caráter cristão maduro é resultado de uma vida inteira.
As Escrituras nos ensinam que não são “frutos” individuais que podemos escolher. Antes, o fruto do Espírito é um só “fruto” com nove partes que caracterizam todos aqueles que verda-deiramente andam no Espírito Santo. Este é o fruto que cada cristão deveria produzir na sua nova vida com Jesus Cristo..

O fruto do espírito. Vejamos:
Caridade” (amor) (gr. agape), i.e., o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (Rm 5.5; 1Co 13; Ef 5.2; Cl 3.14).
Gozo” (gr. chara), i.e., a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo
Paz” (gr. eirene), i.e., a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial (Rm 15.33; Fp 4.7; 1Ts 5.23; Hb 13.20).
Longanimidade” (gr. makrothumia), i.e., perseverança, paciência, ser tardio para irar-se ou para o desespero (Ef 4.2; 2Tm 3.10; Hb 12.1).
Benignidade” (gr. chrestotes), i.e., não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Ef 4.32; Cl 3.12; 1Pe 2.3).
Bondade” (gr. agathosune), i.e., zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade (Lc 7.37-50) ou na repreensão e na correção do mal (Mt 21.12,13).
Fé” (gr. pistis), i.e., lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade (Mt 23.23; Rm 3.3; 1Tm 6.12; 2Tm 2.2; 4.7; Tt 2.10).
Mansidão” (gr. prautes), i.e., moderação, associada à força e à coragem; descreve alguém que pode irar-se com eqüidade quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso (2Tm 2.25; 1Pe 3.15; para a mansidão de Jesus, cf. Mt 11.29 com 23; Mc 3.5; a de Paulo, cf. 2Co 10.1 com 10.4-6; Gl 1.9; a de Moisés, cf. Nm 12.3 com Êx 32.19,20).
Temperança” (gr. egkrateia), i.e., o controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5).
O fruto do Espírito e a santidade
Podemos considerar a santificação como: Passada, Presente e Futura, ou como Instantânea, Progressiva e Completa ou Final.
O fruto do espírito evidencia em nossa vida o processo de santificação.
1) SANTIFICAÇÃO INSTANTÂNTANEA. I Coríntios 6.11. "E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus."
Hebreus 10.10, 14 "É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre. Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados."
A evidência do fruto do Espírito na vida do crente mostra que ele foi separado do pecado e separado para Deus. Justamente por isso é que os crentes no Novo Testamento são chamados de santos. Se a pessoa não é santa, também não é cristão. Se for um cristão, então é um santo.
2) SANTIFICAÇÃO PROGRESSIVA. A Justificação se diferencia da santificação em que a primeira é um ato instantâneo, mas não e progressivo, enquanto que a segunda é uma crise com mira a um processo - um ato que é instantâneo e que leva consigo a ideia do crescimento até chegar a seu complemento.
O crente verdadeiramente separado para Deus, além de experimentar uma nova vida, somos dirigidos a santificação, não só aparentemente mas interiormente Rm 12:1.
O nosso controle agora não é pela simples emoção mas controlados pelo Espírito Santo de Deus. Quando estamos separados o pecado não tem mais domínio em nós. Rm 6:14-16.
CONCLUSÃO
Quando olhamos para o fruto do Espírito Santo vemos um retrato de Jesus Cristo. Todas as nove virtudes acima estão presentes no caráter de Cristo. Elas só podem ser implantadas no crente, por intermédio do Espírito Santo. Ele é quem opera a transformação moral do crente (2 Co 3.18). Deixe o Espírito trabalhar em seu caráter e verá os resultados operados pelo Espírito Santo em sua vida.//
Pr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.)
Ass. de Deus em Santos (Ministério do Belém) - São Paulo.
Email: adayl.alm@hotmail.com
Facebook: adayl manancial

BIBLIOGRAFIA
J. Stott – A carne e o espirito
Dennis Allan – Andando no espirito

Rozilon Lourenço – O fruto do espírito

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A inversão dos valores

Lições Bíblicas CPAD - Jovens e Adultos - 3º Trimestre de 2008

Título: As doenças do nosso século - As curas que a Bíblia oferece
Comentarista: Wagner dos Santos Gaby

Lição 10: A inversão dos valores - Data: 07 de Setembro de 2008

TEXTO ÁUREO
“Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências” (2 Pe 3.3).

VERDADE PRÁTICA
Os valores éticos e morais encontrados na Bíblia são absolutos e insubstituíveis, porque estão fundamentados na Palavra e no caráter de Cristo.

LEITURA DIÁRIA
Segunda - Is 5.20
Os que invertem os valores morais não ficarão impunes
Terça - Terça - Is 5.23
Os que justificam o ímpio e condenam os justos encontrarão castigo repentino
Quarta - Is 10.1
Os que fazem leis injustas e perversas sofrerão as conseqüências de suas transgressões
Quinta - Is 33.1
Os desleais encontrarão castigo e juízo
Sexta - Is 1.4
A nação corrupta e blasfema sofrerá os danos de sua rebeldia
Sábado - Jd v.11
A motivação errada no ministério resulta em condenação

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Mateus 23.13-19,28.
13 - Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais os homens o Reino dos céus; e nem vós entrais, nem deixais entrar aos que estão entrando.
14 - Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso, sofrereis mais rigoroso juízo.
15 - Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.
16 - Ai de vós, condutores cegos! Pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor.
17 - Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro ou o templo, que santifica o ouro?
18 - e o que jurar pelo altar, isso nada é; mas aquele que jurar pela oferta que está sobre o altar, esse é devedor.
19 - Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta ou o altar, que santifica a oferta?
28 - Assim, também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.

INTERAÇÃO
Prezado professor, observe os noticiários durante esta semana. Selecione algumas notícias na área da educação, política, religião, saúde e entretenimento. Faça uma análise dos valores difundidos por essas reportagens e pelos filmes, novelas e peças de teatro. Ao iniciar a lição dominical, use essas informações e partilhe com a classe suas reflexões. Contraste os valores difundidos pela indústria cultural com aqueles ensinados pelas Escrituras. Desperte o senso crítico de seus alunos. Deus o abençoe!

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Explicar o termo "valor".
Descrever as causas da inversão dos valores.
Reagir contra a inversão dos valores.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, se possível, leia os capítulos 8 e 11 da obra Panorama do Pensamento Cristão (CPAD). As informações contidas nesses capítulos certamente o auxiliarão a ministrar a aula com mais segurança. No capítulo 8, os autores discutem a ética bíblica e a práxis cristã no contexto da comunidade eclesiástica e da sociedade, com uma interface com a cultura pós-moderna. No capítulo 11, outros autores discorrem a respeito do relacionamento crítico entre os cristãos, a cultura e a mídia de entretenimento. As obras de Charles Colson e Nancy Pearcey também serão úteis. Use a tabela abaixo para reforçar o tópico II da lição. Reproduza o gráfico conforme os recursos disponíveis.

OUTROS FUNDAMENTOS DOS VALORES CRISTÃOS
COMENTÁRIO
Introdução
Palavra Chave
Valores: Normas ou princípios morais que orientam a conduta das pessoas.
A palavra “valor” origina-se do latim e significa “ser digno”. “Valores”, no contexto desta lição, referem-se aos princípios éticos e sociais aceitos por uma pessoa ou grupo, isto é, ao comportamento humano; suas regras e padrões.
Atualmente, tem havido uma “inversão” desses valores: a ética e a moral cristãs, antes aprovadas pela sociedade, vêm sendo sistematicamente substituídas por princípios amorais mundanos (Is 5.18-25; Cl 2.8). Em 2 Pedro 1.3-10, a Palavra de Deus estabelece os princípios éticos, as virtudes e valores necessários à boa conduta dos filhos de Deus.

I. INVERSÃO DOS VALORES BÍBLICO-CRISTÃOS
1. Causas da inversão dos valores. Ao folhearmos alguns jornais e revistas seculares, constatamos o quanto os valores éticos e morais cristãos têm sido desprezados pela sociedade pós-moderna. Vejamos as causas:
a) Ascensão do relativismo moral. Segundo esta teoria filosófica, não existe norma moral ou ética válida para todas as pessoas. As normas variam de cultura para cultura, de pessoa para pessoa. Cada um vive conforme as regras que estabeleceu para si mesmo. Assim, há uma ética para o cristão, outra para o ateu e uma terceira para os que não se enquadrem nas anteriores. Não existe, de acordo com esse pensamento mundano, normas, verdades ou valores que sirvam para todas as pessoas em todos os lugares.
b) Manifestação social do pluralismo. O pluralismo reconhece que há uma multiplicidade de culturas, religiões e posições éticas e morais conflitantes. Essa doutrina filosófica, todavia, diz que essas posições contraditórias podem coexistir, como se cada uma delas trouxesse uma parte da verdade e, nenhuma a verdade completa ou absoluta. Assim, a verdade encontra-se em cada sistema religioso, filosófico ou moral. Então, segundo esse pensamento, o cristianismo traz uma parte da verdade, o budismo outra e assim sucessivamente Segundo o pluralismo, assumir e respeitar diferentes valores em uma sociedade em constante mudança é uma manifestação de empatia e tolerância com o outro.
c) Crescente mundanismo. O mundanismo faz constante oposição à Igreja e aos valores cristãos (Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17). A sociedade organizada e rebelada contra Deus, tem estabelecido suas próprias leis, sem a menor consideração aos mandamentos divinos. O que temos visto, infelizmente, é o sagrado e o religioso curvarem-se ante o profano e o secular; até mesmo em certas denominações evangélicas.
2. Os valores cristãos invertidos. Há uma lista considerável de princípios bíblicos que não apenas foram desvalorizados, mas ultrajados pela sociedade pós-moderna. Vejamos:
a) Quanto ao casamento: Atualmente, em algumas sociedades, já se aceita a abominável união entre pessoas do mesmo sexo. É um atentado contra a Palavra de Deus, a família e os valores cristãos. O Senhor instituiu e abençoou apenas a união entre homem e mulher (Gn 1.27,28; 2.22-24). Quanto aos que querem mudar a ordem natural da criação, (Lv 19.22; Rm 1.26-32) serão amaldiçoados. A Bíblia é implacável neste caso: “Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos... herdarão o Reino de Deus” (1 Co 6.9,10 - NVI).
b) Quanto à família: As virtudes cristãs concernentes à família estão sendo substituídas por valores anticristãos: filhos que não respeitam os pais; pais permissivos quanto à moralidade; e a substituição do culto doméstico por entretenimentos perniciosos etc.
c) Quanto à igreja: Nesses “tempos trabalhosos”, muitas comunidades cristãs valorizam mais o “ministério” bem-sucedido do pregador que a santidade e o testemunho mantido por ele; mais o marketing ministerial do que os verdadeiros sinais do poder de Deus. Pregadores santos e tementes a Deus são preteridos por aqueles que buscam o louvor próprio em vez da glória de Cristo.

SINOPSE DO TÓPICO (I)
A ascensão do relativismo moral, a manifestação social do pluralismo e os valores cristãos invertidos são algumas causas da inversão de valores na pós-modernidade.

II. FUNDAMENTOS DOS VALORES CRISTÃOS
1. Os valores cristãos. Os valores cristãos estão pautados nas Sagradas Escrituras e são opostos aos do mundo. Enquanto cremos na existência de um só Deus, cujas leis regem não apenas o Universo, mas nossas vidas, planos e vontades, a cultura mundana nega a existência do Altíssimo, e seus adeptos vivem como se o Senhor realmente não existisse (Sl 14; 53).
2. Os três fundamentos. Os princípios cristãos possuem, pelo menos, três fundamentos básicos: são universais, absolutos e imutáveis.
a) Universais. Os valores cristãos são universais por estarem fundamentados na moral divina. Nosso Deus é um ser moral. Seus atributos atestam que Ele é santo (Lv 11.44; 1 Sm 2.2), justo (2 Cr 12.6; Ed 9.15), bom (Sl 25.8; 54.6), e verdadeiro (Jr 10.10; Jo 3.33). Portanto, o Senhor é o padrão moral daquilo que é santo - oposto ao pecado -, daquilo que é justo - oposto a injustiça -, daquilo que é bom - oposto ao que é mau, e daquilo que é verdadeiro - oposto à mentira. Tudo o que é puro, justo, bom e verdadeiro têm sua origem no caráter moral de Deus. Por conseguinte, os valores morais são universais porque procedem de um Legislador Moral universal.
b) Absolutos. Absoluto é aquilo que não depende de outra coisa, mas existe por si mesmo. Os valores cristãos são absolutos porque procedem de um Deus pessoal que não depende de qualquer outro ser para existir, Ele é eterno (Dt 33.27; Sl 10.16); existe por si mesmo (Êx 3.14), e tem a vida em si mesmo (Jo 5.26). Deus também é absoluto porque não está sujeito às épocas (1 Tm 1.17; 2 Pe 3.8; Jd v.25). Ele governa eternamente o Universo (Sl 45.6; 145.13), e seu reinado é de justiça (Hb 1.8).
c) Imutáveis. Imutável é a qualidade daquilo que não muda. Os valores cristãos são imutáveis porque o Senhor Deus é imutável. Ele não muda (1 Cr 29.10; Sl 90.2), é o mesmo em todas as épocas (Hb 13.8; Tg 1.17). Suas leis se conformam ao seu caráter moral, pois Ele é fiel (2 Tm 2.13). Portanto, devemos viver conforme a orientação de sua Palavra.

SINOPSE DO TÓPICO (II)
Os valores cristãos são universais, absolutos e imutáveis, pois se fundamentam no caráter de Deus e nos princípios das Escrituras.

III. COMO REAGIR À INVERSÃO DE VALORES
1. Denunciar o pecado e os valores mundanos. Devemos confrontar com a Palavra de Deus, os princípios amorais e antiéticos difundidos através de filmes, peças teatrais, novelas, músicas e revistas (Hb 4.12; Ez 44.23). Certo diretor afirmou que “o cinema e a televisão suplantaram a igreja como grandes comunicadores de valores e crenças”. Mas, quais são a estes valores e crenças? Geralmente, são padrões e crenças anticristãs. A Igreja, “coluna e firmeza da verdade” (1 Tm 3.15), tem como missão, não apenas anunciar o evangelho, mas denunciar os pecados e os valores mundanos dos homens (1 Tm 1.18-20).
2. Ensinar e viver os valores do Reino de Deus. Como Igreja do Senhor, temos a obrigação de viver e ensinar os mais elevados princípios éticos e morais do Reino de Deus (Lv 20.7; 1 Pe 1.16). A verdadeira mensagem do evangelho não se conforma aos discursos politicamente corretos, mas aos elevados padrões da santidade divina (Mt 5.20, 48; 1 Tm 3.15; 6.11).

SINOPSE DO TÓPICO (III)
O crente além de ensinar e viver os valores cristãos deve denunciar a inversão dos valores, o pecado e os valores mundanos.

CONCLUSÃO
Os elevados preceitos exarados na Palavra de Deus são imutáveis e servem de regra para orientar os homens em todas as gerações (Is 30.21; Mt 24.35; 2 Tm 3.16). Esses valores são insubstituíveis, e devem ser coerentes com o testemunho cristão - a igreja deve viver o que prega e pregar o que vive.

VOCABULÁRIO
Amoral: Diz-se da conduta humana que, suscetível de qualificação moral, não se pauta pelas regras morais vigentes em um dado tempo e lugar, seja por ignorância do indivíduo ou do grupo considerado, seja pela indiferença, expressa e fundamentada nos valores morais.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
COLSON, C.; PEARCEY, N. E agora como viveremos? RJ: CPAD, 2000.

EXERCÍCIOS
1. Descreva três causas da inversão de valores em nossos dias.
R. Ascensão do relativismo moral, a manifestação social do pluralismo e os valores cristãos invertidos.
2. Muitos valores cristãos foram invertidos pela sociedade mundana. Além daqueles que foram mencionados na lição, qual valor distorcido pelo mundo você considera o mais pernicioso para o Evangelho?
R. Resposta pessoal.
3. Cite os três fundamentos dos valores cristãos.
R. Universais, absolutos e imutáveis.
4. Justifique as razões pelas quais os valores cristãos são universais, absolutos e imutáveis.
R. Estão fundamentados no caráter de Deus e pautados nas leis divinas.
5. Como a igreja deve reagir à inversão de valores?
R. Denunciando a inversão dos valores, o pecado e os valores mundanos, e ensinando e vivendo os valores cristãos.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO - Subsídio Apologético
“Aceitando o Desafio
[...] A Igreja permanece verdadeira ao seu caráter preservando sua distinguibilidade. Ela não faz nenhum favor à sociedade adaptando-se à cultura popular prevalecente, porque falha em sua tarefa justamente no ponto em que deixa de ser ela mesma. A Igreja não tem uma ética social, mas é uma ética social, [...] na medida em que é uma comunidade que pode ser claramente distinta do mundo. Pois o mundo não é uma comunidade e não tem tal história, visto que está baseado na pressuposição de que os seres humanos, e não Deus, governam a história. Quando a Igreja adota uma ética moral formada pela cultura popular prevalecente, está negando sua natureza. Antes, a Igreja tem de expressar a ética social que já encarna; tem de transmitir a história de Cristo, uma história que continuamente causa impacto nas relações sociais dos seres humanos [...]”.
(PALMER, M. D. (org.) Panorama do pensamento cristão. RJ: CPAD, 2001, p. 314.)

APLICAÇÃO PESSOAL
Os princípios, leis ou normas que regem a vida cristã encontram-se nos inúmeros mandamentos morais, sociais e religiosos descritos nas Sagradas Escrituras. Podemos afirmar que a base da ética bíblica e dos valores cristãos é o santíssimo caráter de Deus. As Escrituras, nossa única fonte legítima da vontade de Deus, expressam a vontade de Deus para o seu povo. Os inúmeros mandamentos éticos e morais da Bíblia revelam a natureza santa, ética e moral de Deus. Portanto, o estudo dos valores e da ética cristã tem como base o caráter santo de Deus. Como você já sabe: Deus é santo (Lv 11.44; 1 Sm 2.2), justo (2 Cr 12.6; Ed 9.15), bom (Sl 25.8; 54.6), e verdadeiro (Jr 10.10; Jo 3.33).

Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. (2Tm 2.15.
http://www.estudantesdabiblia.com.br/licoes_cpad/2008/2008_03_10.htm

Resistindo aos apelos do mundanismo

Lições Bíblicas CPAD - Jovens e Adultos - 3º Trimestre de 2008

Título: As doenças do nosso século - As curas que a Bíblia oferece
Comentarista: Wagner dos Santos Gaby

Lição 12: Resistindo aos apelos do mundanismo
Data: 21 de Setembro de 2008

TEXTO ÁUREO
“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

VERDADE PRÁTICA
A separação do mundo é o princípio da vida cristã autêntica e vitoriosa.

LEITURA DIÁRIA
Segunda - 1 Jo 2.17 - A sociedade mundana e suas concupiscências efêmeras.
Terça - Tg 4.4 - Amigos do mundo, inimigos de Deus
Quarta - Jo 14.16,17 - O mundo não conhece e não pode receber o Espírito Santo
Quinta - Jo 15.14-21 - O mundo odiou a Jesus e aos seus discípulos
Sexta - 1 Co 1.21 - O mundo não conhece a Deus
Sábado - Cl 2.8 - Não andeis segundo os rudimentos do mundo

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - João 17.11-18.
11 - E eu já não estou no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós.
12 - Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.
13 - Mas, agora, vou para ti e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos.
14 - Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.
15 - Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
16 - Não são do mundo, como eu do mundo não sou.
17 - Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.
18 - Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

INTERAÇÃO - Professor, nesta lição incentive seus alunos à santificação e à piedade cristã. Essas duas virtudes devem ser estimadas e cultivadas por todos os crentes. Somente através dos valores cristãos e do discernimento da cultura mundana, o crente encontrará forças para resistir os apelos do mundanismo na pós-modernidade.
Defina os termos “mundanismo” e “cultura”, e faça uma relação entre mundanismo, cultura e Queda. Explique aos alunos o cuidado que o cristão deve ter com as adaptações culturais - a Igreja é distinta do mundo. Boa aula!

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Julgar a qualidade de certas produções culturais.
Discernir os desafios culturais pós-modernos.
Avaliar os valores da indústria de entretenimento.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, nesta lição use o Quadro de Relações Múltiplas para facilitar a compreensão de seus alunos. Este recurso possibilita ao estudante compreender um conceito por meio de vários exemplos. A lição trata do mundanismo, mas como o sistema mundano se manifesta na política, religião, mídia (TV), ciência, filosofia e ética? A tabela abaixo exemplifica algumas dessas manifestações. Reproduza-a conforme os recursos disponíveis. Incremente este recurso incluindo ilustrações, reportagens e exemplos extraídos da mídia.

MUNDANISMO
MANIFESTAÇÕES
REFERÊNCIAS

Na política
Corrupção; Legalização de leis anticristãs
Dn 3.10-12; 6.1-9; Et 3-6

Na religião
Sincretismo; Pluralismo religioso; Angelolatria
Jz 2.11-14; 1 Rs 11.6-9; Cl 2.18

Na mídia
Ridicularização da fé cristã; Adultérios; Homossexualidade; A estética acima da essência
2 Tm 3.2-8; 1 Tm 4.7,8; 1 Pe 3.1-6

Na ciência
Materialismo; Evolucionismo
1 Tm 6.20; 2 Tm 3.8; Is 40.10

Na filosofia
Existencialismo; Humanismo; Pós-modernismo
2 Tm 4.3,4; Cl 2.8

Na ética
Relativismo; Pluralismo sexual; Hedonismo
1 Tm 3.4; Jz 21.25; Rm 1.26-32

COMENTÁRIO

Introdução
Palavra Chave
Mundanismo: Hábitos, cultura e sistema da sociedade rebelada contra Deus.
De nada adianta o título de cristão se a pessoa não demonstra uma vida santa diante de Deus e dos homens. Todo crente precisa separar-se do mundo para viver uma vida totalmente controlada pelo Espírito. Deus é santo, e exige de nós santidade. Ser santo é estar separado das concupiscências desta vida. Satanás, o “príncipe deste século” (Jo 12.31; 1 Jo 5.19), tem disseminado seus maléficos valores através das falsas filosofias, heresias, e da nova moralidade, a fim de embaraçar o crente com as coisas deste mundo, dificultando ou impedindo sua íntima comunhão com Deus. Nesta lição, estudaremos sobre a influência do mundanismo na igreja, e como resistir aos seus apelos.

I. UMA CULTURA MARCADA PELO MUNDANISMO
1. Cultura e os valores mundanos. Segundo os dicionários, cultura é o “conjunto das realizações materiais, filosóficas e espirituais de uma sociedade”. Ela compõe a visão de mundo de um povo, de uma época, e de um grupo social organizado. A cultura e a cosmovisão de uma sociedade não cristã são opostas aos valores ensinados pela Palavra de Deus. Por isso, o cristão deve discernir, julgar, avaliar e confrontar os valores ensinados pela sociedade de nosso tempo com os princípios expostos na Palavra de Deus. Tudo o que for contrário às Escrituras deve ser rejeitado e rechaçado pela Igreja. Charles Colson afirmou que “o nosso chamado não é só para ordenarmos a nossa própria vida por princípios divinos, mas também para exortamos o mundo” (O cristão na cultura de hoje, CPAD, p.10). A Igreja, como luz do mundo, deve levar a sociedade a arrepender-se de seus pecados.
2. A cultura e a Queda. O homem é um ser capaz de produzir cultura. Antes da Queda, os princípios apreendidos e desenvolvidos pelo homem eram subordinados aos padrões morais, éticos e sociais estabelecidos pelo próprio Deus. Portanto, nessa época, a cultura refletia a imagem moral de Deus no homem (Gn 1.27-31; 2.15,16,18-24). Com a entrada do pecado no mundo, não apenas a criação foi afetada, mas também a natureza moral e ética humana. Conseqüentemente, toda a produção intelectual e cultural da humanidade ficou condicionada à desobediência e rebelião contra Deus (Gn 3.17-19,21,23; 4.7,19,23). Uma sociedade dominada pelo pecado, só pode produzir uma cultura contrária aos princípios da Palavra de Deus.
3. O cuidado com as adaptações culturais. Embora sejamos influenciados pela cultura do nosso povo desde o nascimento, a Bíblia adverte-nos do perigo de nos tornarmos “amigos do mundo” (Tg 4.4; 1 Jo 2.15-17). Os princípios registrados nas Sagradas Escrituras são absolutos e, portanto, não podem ser submetidos aos caprichos de uma sociedade permissiva. A Igreja de Cristo não luta apenas contra a cultura e os valores mundanos, mas contra as potestades malignas que gerenciam e promovem a maldade, a licenciosidade, a permissividade, a inversão de valores, a injustiça, entre tantas outras mazelas (Ef 2.2; 6.12). Infelizmente, alguns falsos mestres por meio de seus ensinamentos, têm legitimado muitos costumes pecaminosos na igreja, e há os que são coniventes e se negam a condená-los (2 Pe 2.1-3,10-19; Jd vv.4,16-18).

SINOPSE DO TÓPICO (I)
A cultura produzida pelo homem após a Queda é mundana e se opõe aos valores bíblicos. Portanto, o cristão deve confrontar os hábitos mundanos com as virtudes ensinadas pelas Escrituras.

II. O MUNDANISMO NA SOCIEDADE
1. Nas leis. Um dos propósitos da lei é regular o relacionamento entre os homens, possibilitando a ordem e o desenvolvimento da sociedade civil. As leis não são maiores que os homens, mas foram constituídas para que seus direitos e deveres sejam respeitados. Atualmente, em nosso país, muitos projetos de lei têm sido apresentados com o objetivo de justificar certos comportamentos contrários à Palavra de Deus, tais como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto e a utilização de células-tronco embrionárias em pesquisas científicas.
2. Na educação. A educação secular tem como fundamento o naturalismo, o humanismo, o pluralismo, entre outros “ismos” contrários à Bíblia. Da Educação Infantil ao ensino superior, os valores cristãos são contestados, algumas vezes, ridicularizados, e não poucas, ignorados. As teorias empregadas por algumas instituições são fundamentadas no ateísmo, antropocentrismo e no relativismo moral. Os livros didáticos costumam priorizar o evolucionismo e a autonomia espiritual e moral do homem. Muitas dessas escolas são conhecidas pela excelência e qualidade, entretanto, suas filosofias são contrárias a Palavra de Deus. A prioridade delas não é a formação do caráter segundo os princípios divinos, mas capacitar o educando para o mercado de trabalho, levando-o a ser mais competitivo numa sociedade que prioriza o ter em vez do ser.
3. Na família. A estrutura familiar no mundo está em processo de mudança. Nada se parece com o que Deus instituiu no princípio. O que vemos hoje é a banalização do divórcio, a infidelidade conjugal e a possibilidade legal de casais homossexuais adotarem crianças. Isso é um atentado contra os alicerces familiares fixados por Deus.
4. No entretenimento. O lazer e o entretenimento saudáveis, na medida certa, não são prejudiciais à vida espiritual. Porém, as práticas mundanas de diversão, por meio das quais as pessoas praticam toda forma de pecado, constituem um sério problema para a vida social e cristã. Atualmente, o mundanismo corrompeu até mesmo o lúdico e o entretenimento, sendo o divertimento uma ocasião para a bebedeira, a violência, as drogas e a prostituição.

SINOPSE DO TÓPICO (II)
O mundanismo na sociedade é visto nas leis, na educação, na família e no entretenimento.

III. “NÃO AMEIS O MUNDO” (1 Jo 2.15-17)
1. O que significa “amar o mundo”? Amar o mundo é estar em estreita comunhão com ele, dedicando-se aos seus valores, costumes e cultura. Em outras palavras, é ter satisfação nas coisas que desagradam a Deus e ofendem os princípios das Sagradas Escrituras. Esse pernicioso sentimento impede a comunhão do crente com o Senhor (1 Jo 2.15). É impossível amar o mundo e a Deus ao mesmo tempo (Mt 6.24; Lc 16.13; Tg 4.4).
2. Aspectos do mundo pecaminoso. Em 1 João 2.16, a Bíblia descreve três vias que conduzem o crente ao mundanismo:
a) “A concupiscência da carne”: Diz respeito aos desejos impuros, a busca de prazeres pecaminosos, e a satisfação dos sentidos (1 Co 6.18; Fp 3.19; Tg 1.14).
b) “A concupiscência dos olhos”: Refere-se ao desejo incontrolável pelas coisas mundanas que satisfazem à cobiça do homem (Êx 20.17; Rm 7.7). Aqui estão incluídas a pornografia, a violência, a impiedade e a imoralidade promovidas pelo teatro, televisão, cinema e em certos periódicos (Gn 3.6; Js 7.21; 2 Sm 11.2; Mt 5.28).
c) “A soberba da vida”: Diz respeito ao orgulho do homem pecador que não reconhece o senhorio de Deus. Tal pessoa procura exaltar, glorificar e promover a si mesma, julgando-se independente de tudo e de todos (Tg 4.16).

SINOPSE DO TÓPICO (III)
As três vias que conduzem o homem ao mundanismo são: concupiscência da carne e dos olhos, e a soberba da vida.

IV. “NÃO VOS CONFORMEIS COM ESTE MUNDO” (Rm 12.2)
1. O que é conformar? O verbo “conformar”, no original, significa “ser modelado de acordo com um padrão” e refere-se à constante imitação de uma atitude ou conduta até que a pessoa se torne igual ao modelo. Neste versículo, a Bíblia ensina que o crente deve resistir, combater e não imitar os padrões de comportamento, a cultura e os valores mundanos, pois a igreja não é apenas separada do mundo, mas consagrada a Deus. Seu comportamento reflete a vontade e a natureza de Deus para a humanidade.
2. “Mas transformai-vos...”. Na Bíblia, a mente renovada é fruto da atuação do Espírito Santo (2 Co 3.18; Tt 3.5). O crente de “mente renovada” pelo Espírito é capaz de discernir a perfeita e agradável vontade de Deus para a vida diária. Ele não se confunde e não se molda aos padrões e valores mundanos, pelo contrário, sabe o que agrada ou não a Deus. Neste texto, a razão iluminada pelo Espírito sobrepõe-se às emoções e inclinações naturais. O processo de renovação do entendimento do crente deve ser contínuo e pessoal.

SINOPSE DO TÓPICO (IV)
O processo de renovação do entendimento do crente deve ser contínuo e pessoal.

CONCLUSÃO
O crente que busca uma vida santa não pode se conformar com as coisas deste mundo. Observemos que as concupiscências estão associadas à falta de conhecimento legítimo do que é útil, real e necessário para se ter uma vida que agrada a Deus. Só cai em concupiscência quem perdeu a visão do Reino de Deus, e fixou seu olhar nas ilusões passageiras desse mundo.

VOCABULÁRIO
Antropocêntrico: Doutrina filosófica que considera o homem como o centro de todas as coisas.
Efêmero: De pouca duração; passageiro, transitório.
Lúdico: Referente a, ou que tem, o caráter de jogos, brinquedos e divertimentos.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
CARVALHO, C. M. O mundo de Rebeca. RJ: CPAD, 2007.

EXERCÍCIOS
1. Explique a razão pela qual o cristão deve discernir e confrontar com a Bíblia os valores da sociedade pós-moderna.
R. Porque a cultura e a cosmovisão de uma sociedade não cristã são opostas aos valores ensinados pela Palavra de Deus.
2. Faça uma relação entre a cultura humana e a Queda.
R. a Queda, toda produção cultural e intelectual do homem ficou condicionada à rebelião contra Deus.
3. Nesta lição, observamos alguns exemplos do mundanismo nas leis, na educação, etc. Descreva algum fato que você observou a respeito destes assuntos que comprovam o estudo desta semana.
R. Resposta pessoal.
4. Quais são as três vias que conduzem o homem ao pecado?
R. Concupiscência da carne e dos olhos, e a soberba da vida.
5. Explique o texto de Romanos 12.2.
R. Resposta pessoal.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO
Subsídio Apologético
“O modelo transformacional de Paulo
[...] Na visita de Paulo a Listra (At 14), vemos como a cultura helenística dos seus dias tinha sido divinizada. A cultura em si tornou-se um deus com seu próprio seguimento de culto. Depois da cura milagrosa de um aleijado, as multidões estavam certas de que Paulo e Barnabé eram realmente os deuses gregos Hermes e Zeus. O sacerdote do templo de Zeus apressou-se em sacrificar bois e guirlandas àqueles homens que fizeram milagres divinos. As multidões interpretaram o que lhes era maravilhoso e tentaram enfiá-lo em sua cosmovisão cultural-religiosa. Paulo e Barnabé corrigiram o engano, mas só a duras penas, mostrando-nos assim outra abordagem à cultura popular. Esta abordagem chama-se redentora ou transformacional. Está arraigada no mandamento cultural de Gênesis e floresce na obra do apóstolo Paulo”.
(PALMER, M. D. (org.) Panorama do pensamento cristão. RJ: CPAD, 2001, pp. 406-7.)

APLICAÇÃO PESSOAL
A atuação maligna na pós-modernidade diferencia-se da forma violenta como os cristãos do período greco-romano foram perseguidos ou da inquisição atroz. As estratégias estão mais sutis, difíceis de serem detectadas, e não pretendem aniquilar o Cristianismo, mas impedir o seu avanço, atenuar a sua mensagem, e enfraquecer a identidade cristã.
A mentira está disfarçada de verdade; a verdade está sob suspeita. Os valores morais e bíblicos perdem espaço para a moralidade hedonista e egocêntrica. Não se trata de mera ação humana, mas de nova roupagem para velhos pecados sob a batuta da antiga serpente.
Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. (2Tm 2.15).
http://www.estudantesdabiblia.com.br/licoes_cpad/2008/2008_03_12.htm

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A FIDELIDADE DE DEUS

Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp 4.12,13).

Os Sofrimentos de Paulo por amor a Jesus

Foi dito ao apóstolo Paulo que ele iria sofrer muito por amor a Jesus. O Senhor o usou de modo extraordinário como instrumento muito útil, Paulo sofreu muito por amor ao evangelho e por amor a Jesus; foi açoitado, preso, apedrejado, injuriado, contudo, continuou fiel ao Senhor, sempre fazendo a obra que o Senhor lhe tinha confiado, admoestando com lágrimas muitas vezes, sempre com amor, dedicação e fidelidade ao Senhor, o qual ele tanto amava.
Ele estudava constantemente a Palavra e era guiado pelo Espírito, e andava em Espírito, era perseguido entre gentios, nas cidades onde ele passava no deserto, no mar, também perseguido entre falsos irmãos. Onde ele passava muitos se convertiam, Igrejas eram abertas e Deus operava muitas maravilhas. Perseguido, ultrajado, difamado, controvertido, mas até os seus lenços curavam os enfermos.

AS AFLIÇÕES DA VIDA:
As pessoas podem perder o que têm, tal como aconteceu com Jó (Jó. 1.11-19), os próprios entes queridos (I Sm. 18.14), e a honra (Jó. 15.35). A doença é considerada uma das principais aflições na vida do crente (Pv. 18.14). A violência, desde a antiguidade, perturba o ser humano (Sl. 94.3-7; Is. 1.15-17). Atrelada a essa está a cultura do medo, que provoca pavor e pânico nas pessoas (Jó. 4.13,14). Em uma sociedade que privilegia o sucesso, as pessoas também têm medo do fracasso (Sl. 31.17; Is. 37.27). Diante das aflições o crente reage de formas diversas, alguns deles tentam fugir (I Rs. 19.3), gemem e choram (Sl. 79.11; Ez. 21.11). Como princípio, diante da aflição, o cristão tem em Jesus o exemplo maior (Is. 53). Mas as aflições dos antigos também inspira a fé dos cristãos (Mt. 5.12; At. 7.53; Hb. 11.35-38; Tg. 5.10). As aflições de um cristão têm caráter comunitário, pelo menos deveriam ter, se um sofre, todos deveriam sofrer juntos (I Co. 12.26).

O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos, diz: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”(Rm 8:38,39). A convicção firme e inabalável de Paulo é que nem a crise da morte, nem as desgraças da vida, nem poderes sobre-humanos, sejam eles bons ou maus(anjos, principados, potestades), nem o tempo(presente ou futuro), nem o espaço (alto ou profundo), nem criatura alguma, por mais que tente fazê-lo, poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. Temos vida plena como a de Paulo nos momentos de aflições?

VIVENDO AS AFLIÇÕES DA VIDA

Depois de Jesus, uma das pessoas que mais experimentou aflições por amor a Cristo foi o apóstolo Paulo. Ouça-o: “...eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas” (2Co 11:23-28). Durante toda a sua dor e o seu sofrimento, Paulo podia dizer em triunfo: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm8:18).

A SALVAÇÃO OPERA O CONTENTAMENTO E A ALEGRIA (2.17,18)
O apóstolo Paulo reporta-se ao Antigo Testamento para mostrar aos filipenses como, a fim de servi-los, ele entregou sua vida: “ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé” (v.17). O apóstolo está ciente das privações que impôs a si mesmo para edificar o Corpo de Cristo em Filipos. Ele, porém, se regozija e alegra-se pelo privilégio de servir aos filipenses. Em outras palavras, a essa altura, o sacrifício e os desgastes do apóstolo são superados pela alegria de contemplar, naquela comunidade, o fruto da sua vocação dada por Cristo Jesus: a salvação operada em sua vida também operou na dos filipenses.

A alegria do povo de Deus. O apóstolo estimula os filipenses a celebrarem juntamente com ele esta tão grande salvação (Hb 2.3). O apelo de Paulo é contagiante: “regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo” (v.18). A alegria de Paulo é proveniente do fato de que uma vez que Jesus nos salvou mediante o seu sacrifício no Calvário, agora o Mestre nos chama para testemunharmos a verdade desta mesma salvação operada em nós (v.13). Portanto, alegremo-nos e regozijemo-nos nisto.

A PREOCUPAÇÃO DE PAULO COM A IGREJA

Paulo, um líder comprometido com o pastorado. O versículo do texto áureo revela o coração amoroso de Paulo que, apesar de encarcerado, ansiava por notícias dos irmãos na fé. O apóstolo temia que a igreja filipense ficasse exposta aos “lobos devoradores” que se aproveitam da vulnerabilidade e da fragilidade das “ovelhas” a fim de “devorá-las” (Mt 10.16; At 20.29). Paulo se preocupava com a segurança espiritual do rebanho de Filipos e esforçava-se ao máximo para atendê-lo.

O apóstolo apresenta dois obreiros especiais para auxiliar a igreja de Filipos. Primeiramente, Paulo envia Timóteo, dando testemunho de que ele era um obreiro qualificado para ouvir e atender às necessidades espirituais da igreja. Em seguida, o apóstolo valoriza um obreiro da própria igreja filipense, Epafrodito. Este gozava de total confiança de Paulo, pois preservava a pureza do Evangelho recebido. O apóstolo Paulo ainda destaca a integridade desses dois servos de Deus contra a avareza dos falsos obreiros (v.21). Estes são líderes que não zelam pela causa de Cristo, mas se dedicam apenas aos seus próprios interesses.

Paulo, um líder que amava a igreja.

Ao longo de toda a Carta aos Filipenses, percebemos que a relação do apóstolo Paulo para com esta igreja era estabelecida em amor. Não era uma relação comercial, pois o apóstolo não tratava a igreja como um negócio. Ele não era um gerente e muito menos um patrão. A melhor figura a que Paulo pode ser comparado em seu comportamento em relação à igreja é a de um pai que ama os seus filhos gerados na fé de Cristo. Todas as palavras do apóstolo — admoestações, exortações e deprecações — demonstram um profundo amor para com a igreja de Filipos.

EPAFRODITO, O AMOROSO
Achei necessário enviar-vos Epafrodito, meu irmão e cooperador, companheiro de lutas, a quem enviastes para me socorrer nas minhas necessidades; porque ele sentia sal-dades de todos vós e estava angustiado por saberdes que ele havia adoecido.” (Filipenses 2.25,26).
Epafrodito, cujo nome significa “amoroso”, era um dos líderes da igreja de Filipos. Há quem diga que era um de seus pastores. Foi enviado a Roma ao encontro do apóstolo Paulo, para levar a este uma ajuda financeira dos filipenses, bem como para permanecer como seu companheiro, cuidando de suas necessidades, em nome daquela igreja. É isso que se depreende do texto acima e do capítulo 4, onde Paulo o menciona novamente, e onde ficamos sabendo que a igreja de Filipos já ajudara o apóstolo em outras oportunidades.
O percurso de Filipos a Roma era longo, podendo levar semanas. Pela maneira como Paulo se expressa nos versículos 19 a 30, conclui-se que Epafrodito adoeceu não muito tempo depois de chegar a Roma. Paulo nos informa que a doença o levou à beira da morte, e que a notícia dessa enfermidade chegou a Filipos e deixou os irmãos dali muito preocupados. Entretanto, enquanto Epafrodito permanecia em Roma ministrando a Paulo, veio-lhe a informação de que os irmãos souberam do que lhe ocorrera, e agora ele foi quem se preocupou com os filipenses.
Paulo e os judaizantes

A verdadeira circuncisão (3:2-3). Alguns chegaram a filipos ensinando coisas que não faziam parte do evangelho de Cristo. Falaram que os irmãos precisavam se circuncidarem e cumprirem a Lei de Moisés. Paulo explica que a circuncisão verdadeira é do espírito, e não da carne (veja Colossenses 2:11-14). É Cristo quem circuncida nosso coração e espírito quando, pela fé obediente, somos batizados nele. A falsa circuncisão tem ligação com Abraão apenas pela descendência física, mas a verdadeira circuncisão são aqueles que têm a fé de Abraão (veja Gálatas 3:7-14,26-29).

Considerando tudo como perda (3:4-11). Paulo mostra a futilidade de confiar na carne, usando o exemplo da própria vida dele. Se alguém poderia ter confiado na carne, seria Paulo. As coisas que ele conseguiu fazer, como judeu, eram notáveis. Mas, para Paulo, nada disso importava. Ele não somente considerava todas essas coisas perda, mas até as chamou de refugo. Até as maiores coisas que um homem pode conseguir aqui nessa vida não são nada quando comparadas com "a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus" (v. 8).

EXORTAÇÃO À ALEGRIA E FIRMEZA DA FÉ (4.1-3)

Crise da falta de firmeza espiritual. A alegria de Paulo. O primeiro versículo do capítulo 4 de Filipenses inicia-se com um “portanto”, justamente por ser continuação do capítulo 3, quando o apóstolo tratara do perigo dos “inimigos da cruz”. Aqui, Paulo diz que os crentes de Filipos são a sua “alegria e coroa” e aconselha-os a continuarem firmes no Senhor (v.1). A permanência dos filipenses em Cristo bastava para encher o coração do apóstolo de alegria. Por isso, ele manifestou o seu orgulho e os mais íntimos sentimentos de amor e carinho para com os irmãos de Filipos.

Crise da desarmonia.

A alegria nas relações fraternas. Nem tudo, porém, era maravilhoso e perfeito na igreja de Filipos. Ali, estava ocorrendo um grande problema de relacionamento entre duas importantes mulheres que cooperaram na implantação da igreja filipense: Evódia e Síntique (v.2). Esse problema estava perturbando a comunhão da igreja e expondo a saúde espiritual do rebanho.

A fim de resolver a questão, Paulo se dirige a um obreiro local (Timóteo ou Tito, não sabemos) que, com Clemente e os demais cooperadores, procuraria despertar e restabelecer o relacionamento harmônico e fraterno entre Evódia e Síntique. Como verdadeiro pastor, o apóstolo tratou as duas mulheres com o devido cuidado e respeito, pois as tinha em grande estima pelo fato de ambas terem contribuído muito para o seu apostolado.

A alegria de ter os nomes escritos no Livro da Vida. O versículo 3 demonstra algo muito precioso para o cristão: a alegria de ter o nome escrito no livro da vida. Paulo menciona tal certeza, objetivando reafirmar a felicidade e a glória de se pertencer exclusivamente ao Reino de Deus.

TRIBULAÇÕES E PESO DE GLÓRIA

Vencendo as crises. "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos." (II Co 4:8)

Nesse momento existem milhares de pessoas ao redor do mundo passando por sofrimentos e lutas inimagináveis. Muitas vezes não entendemos por que certas coisas acontecem, por quê temos que enfrentar certas tribulações. Muitas pessoas ficam perplexas ao ler o Livro de Jó, porque ele, sendo um homem temente ao Senhor, fiel, bom, justo, íntegro, teve que passar por uma grande luta. E realmente, muitas vezes ficamos sem entender o porquê de tantas coisas que acontecem na nossa vida. Mas ao ler a palavra de Deus podemos ter uma certeza, a de que muitas vezes ficamos aflitos, mas não somos destruídos; algumas vezes ficamos em dúvida, mas nunca ficamos desesperados; às vezes ficamos gravemente feridos, mas não somos destruídos (II Co 4:8). Passamos por sofrimentos sim, mas o Pai é quem nos sustenta, ainda que às vezes não venhamos a senti-lo por perto, Ele está lá, Ele é aquele que faz com que tudo coopere para o nosso bem (Rm 8:28). Fomos chamados por Deus, para carregar uma cruz e fazer parte de uma guerra, mas o nosso exército já é mais que vencedor, porque a batalha decisiva Ele já venceu por nós. Ainda que venhamos a ter que enfrentar adversidades, não estamos desamparados, nem sozinhos, nosso sofrimento leve e momentâneo não se compara ao peso de glória que em nós está sendo gerado. Quando o apóstolo Paulo escreveu o versículo 17 de II Co 4, ele estava sendo perseguido por causa da pregação do evangelho, podendo ser morto a qualquer instante, sofrendo por amor a obra de Deus. Mas ele afirmou que aquela "pequena" e passageira aflição estava produzindo uma glória enorme e eterna, muito maior do que aquelas lutas que ele estava enfrentando. O alvo de Paulo era alcançar aquilo que era eterno e invisível, nada poderia tirar o seu enfoque ("Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas. II Co 4:18). Deus permite que passemos por tribulações para que o nosso caráter venha a ser moldado por Ele.


CONCLUSÃO
As grandes lições da vida nós as aprendemos no vale da dor. O sofrimento é não apenas o caminho da glória, mas também o caminho da maturidade. O rei Davi afirmou: “Foi-me bom ter passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Sl 119:71). O patriarca Jó disse que antes do sofrimento conhecia a Deus só de ouvir falar, mas por meio do sofrimento seus olhos puderam contemplar o Senhor (Jó 42:5).
Em nossa jornada rumo à Formosa Jerusalém, jamais haverá ausência de conflitos. Portanto, devemos saber conviver com eles, sabendo que Jesus está conosco no barco, o que significa que jamais seremos abandonados. Qualquer tempestade, não importando a sua origem ou a sua magnitude, não pode resistir ao poder e à autoridade do Filho do Deus vivo que criou todas as coisas e as tem sob o seu controle. Você precisa estar cônscio dessa realidade. Deve ter convicção de que serve a um Senhor bom, maravilhoso, que o ama, que é todo-poderoso e que detém o controle de tudo. Ele prometeu estar conosco sempre, até a consumação dos séculos; por toda a eternidade, e é fiel para cumprir isto. Lembre-se, todas as coisas contribuem para o bem de quem ama a Deus (Rm 8:28).//

Pr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.;Th.D.)
Ass. de Deus em Santos (Ministério do Belém) - São Paulo.
Email: adayl.alm@hotmail.com
Facebook: adayl manancial

BIBLIOGRAFIA
Francisco A Barbosa - Vida plena as aflições
Mauricioberwald - Carta aos Filipenses
Sylvio Macri – Epafrodito, o amoroso
Carl Ballard - O Livro de Filipenses

Silvio Dutra - Prazer Nas Aflições