sábado, 28 de novembro de 2015

O que não é o novo nascimento

O novo nascimento

"Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo’’ (João 3:1-7).
Esse texto, tão conhecido por todos nós, nos revela a história de um mestre da lei dos judeus chamado Nicodemos, que, de noite, encontrou-se com Jesus para saber mais sobre a salvação.
Nicodemos era fariseu, a principal seita judaica da época de Jesus, membro do Sinédrio, o mais alto tribunal civil e eclesiástico de Israel, e mestre da lei, pois estudava, interpretava e ensinava as Escrituras ao povo. Era um homem extremamente religioso, freqüentava assiduamente as sinagogas, dava esmolas, era fiel nos dízimos, liderava seus compatriotas nas coisas concernentes à religião, e entendia sobre o Antigo Testamento como poucos.
Entretanto, o texto nos revela que, apesar de todas as suas qualidades e méritos religiosos, Nicodemos era um homem perdido, que sabia não haver alcançado a verdadeira salvação, apesar de toda uma vida de esforço para isso.
Nicodemos representava o melhor da religião, do conhecimento, do comportamento, e da moral humana, mas tropeçava na verdade bíblica de que todos eram pecadores (Salmo 14:3) e estavam afastados do Criador, pois seus melhores atos de justiça, para Deus, eram como trapos de imundícia (Isaías 64:6). Sua alma estava em guerra contra Deus (Romanos 7:23) e ansiava pela paz. Essa foi sua intenção ao procurar Jesus.
Ao encontrar-se com o Senhor, é possível que Nicodemos esperasse ouvir do Mestre uma palavra de encorajamento como "Não desista, você está no caminho certo, você só precisa melhorar um pouco mais’’, mas não foi isso o que aconteceu. Jesus foi direto ao ponto chave. Ele sabia que Nicodemos esperava que sua "retidão moral’’ o levasse à salvação. Por isso, Jesus não usou de rodeios: "Quem não nascer de novo não pode ver o reino de Deus’’ (v. 3) e acrescentou: "Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus’’ (v. 5). Jesus foi taxativo: nenhum indivíduo pode entrar no céu sem o novo nascimento. Essa é uma condição indispensável.
Jesus foi absolutamente franco com Nicodemos e também o é para conosco. Nossa religiosidade não é capaz de nos levar a Deus! Nossas boas ações ou intenções não são suficientes! Aliás, se depender de nosso merecimento, a única coisa que poderemos receber é a condenação eterna (Romanos 6:23). Só existe uma saída, e Jesus a estava apresentado a Nicodemos naquele momento. Ele precisava de um novo nascimento, uma nova vida, uma transformação total e não apenas uma reforma. Ele foi à pessoa certa. Jesus é o único caminho que leva ao pai (João 14:6).
Embora Nicodemos fosse um grande mestre religioso de sua época, ele não entendeu o que Jesus estava lhe dizendo naquele momento. O que significava nascer de novo? Ele imaginou que o novo nascimento poderia ser uma repetição do nascimento natural. A sua pergunta parece absurda: "Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?’’.
A dúvida de Nicodemos, por mais absurda que pareça, ainda persiste em nossos dias. Provavelmente nunca imaginamos que nascer de novo signifique o retorno ao ventre de nossa mãe, todavia, há muitos, inclusive dos que freqüentam a igreja, que ainda não entenderam o significado desse nascer de novo e, tampouco, viveram essa experiência em suas vidas. Então, o que seria nascer de novo?

O que não é o novo nascimento

Tornar-se uma pessoa melhor

O novo nascimento não é algo que fazemos para Deus, mas que Espírito Santo faz em nós e por nós. É comum vermos pessoas que, ao conhecer o evangelho, se esforçam para ser pessoas melhores, deixando a prática de alguns pecados e tornando-se mais justas ou bondosas, pensando que isso as qualifica para a salvação. A palavra de Deus é muito clara quando nos afirma que somos salvos pela graça, não por obras, não vindo isso de nós, mas diretamente de Deus (Efésios 2:8). Nossas justiças não são suficientes para nos salvar (Isaías 64:6). Podemos até melhorar aos nossos próprios olhos, mas isso nunca será suficiente para nos tornar dignos diante de Deus (Tiago 2:10). Precisamos nascer de novo e, para que isso aconteça, é necessário que o velho homem seja mortificado em nosso ser. Não há como melhorar nossa velha natureza, por isso, ela precisa morrer para que a natureza do segundo Adão, Cristo, possa florescer em nós (I Coríntios 15:22).

Tornar-se evangélico

O novo nascimento não é uma mudança de religião. Provavelmente você já se deparou com pessoas que simplesmente mudaram de religião, pensando assim alcançarem a salvação. Somos resgatados da morte para a vida quando nascemos de novo, e não quando entramos para o rol de membros de uma igreja. O reino de Deus não é constituído por evangélicos ou religiosos, mas por novas criaturas, criadas segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade (Efésios 4:24).
Muitos pensam que a salvação vem como uma retribuição por nossa assiduidade aos cultos promovidos pela igreja. Não. A nossa salvação não depende disso. A reunião da igreja como Corpo de Cristo foi instituída por Deus e é de grande importância para nosso crescimento e amadurecimento espiritual, todavia, é uma conseqüência de nossa salvação, e não o seu motivo (Colossenses 1:18). Não se engane, pois a freqüência aos cultos não é evidência do novo nascimento. Muitas religiões pregam a salvação como conseqüência de uma vida que observa os ritos e preceitos religiosos, todavia, a verdadeira salvação é proporcionada pela graça de Deus, mediante a vida e morte de Jesus na cruz como nosso representante e substituto.

Ser batizado

Também há os que pensam que, pelo batismo nas águas, hão de herdar a salvação. O batismo é um mandamento instituído diretamente por Jesus, como marca daqueles que professam a fé no seu nome. Todavia, o texto bíblico é claro ao afirmar que o batismo deve ser precedido pela fé em Cristo (Marcos 16:16). Essa fé que é tratada aqui não é apenas "acreditar em Deus’’, pois, segundo as Escrituras, até os demônios crêem e tremem diante de Deus (Tiago 2:19). A fé salvadora é aquela que nos impulsiona à rendição a Cristo de todo o coração, entregando-nos a ele por completo, crendo em sua vida, morte e ressurreição. O batismo nada mais é do que o simbolismo do novo nascimento. No batismo estamos testemunhando ao mundo aquilo que já experimentamos em nosso espírito. Não nascemos de novo quando fomos batizados, mas fomos batizados porque nascemos de novo.

Reencarnar

Os espíritas kardecistas, pessoas a quem Deus ama e que se consideram cristãs, acreditam que o novo nascimento a que se referia Jesus é a reencarnação. A crença na reencarnação é muito antiga, anterior até mesmo ao cristianismo. Pode ser que o próprio Nicodemos, ao perguntar a Jesus se deveria voltar ao ventre de sua mãe, estivesse pensando em algo do gênero.
Mas a resposta de Jesus mostra que essa interpretação não pode ser correta. Releia João 3:5-7. Em outras palavras, o que Jesus explicou é que não adiantaria nascer novamente da carne, pois carne é carne e, como completou o apóstolo Paulo, "carne e sangue não podem herdar o reino de Deus" (I Coríntios 15:50). Ou seja, se existisse a reencarnação, ela não resolveria nosso problema, pois ainda que reencarnássemos 1 milhão de vezes continuaríamos sendo carne, e não poderíamos ter acesso a Deus. Assim, o novo nascimento a que se referiu o Mestre não é um novo nascimento da carne, como entendem os reencarnacionistas, mas um nascimento do Espírito. Um nascimento "de cima", sobrenatural. Um nascimento de Deus (João 1:13). Trata-se de um evento que insere no homem a natureza divina (II Pedro 1:4), a qual passa a coexistir com a natureza humana, adquirida quando ele nasceu de sua mãe. Como examinaremos mais detidamente na próxima seção, é essa natureza divina que opera a salvação no homem.

O que é o novo nascimento

O novo nascimento é uma obra divina e sobrenatural, um mistério maravilhoso operado por Deus em nossas vidas. No novo nascimento, nossa velha natureza é morta, e a natureza de Cristo gerada em nossos corações, "pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente’’ (I Pedro 1:23).
A partir do novo nascimento, somos novamente gerados à imagem e semelhança de Deus, como no princípio, deixando de pertencer à descendência pecaminosa de Adão, para nos tornarmos descendência de Cristo, pois, "assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo’’ (I Coríntios 15:22). Somos descendência de Cristo, filhos de Deus. Essa é a promessa expressa em João 1:12-13: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus’’.
Existem três importantes aspectos que precisam ser entendidos sobre o novo nascimento:

O novo nascimento é produzido pela Palavra

Isso é o que Jesus quis dizer com nascer da água (v. 5). A água que nos purifica não é a água do batismo, mas a água da Palavra (Efésios 5:26). A fé vem pelo ouvir a Palavra (Romanos 10:17). Somos gerados pela divina semente da Palavra (I Pedro 1:23). Quando ouvimos a Palavra, e a recebemos em fé, a divina semente germina dentro de nós, produzindo uma nova vida.

O novo nascimento é produzido pelo Espírito Santo

O Espírito Santo é o agente do novo nascimento. Somos salvos pelo lavar regenerador do Espírito Santo (Tito 3:5). Ele implanta em nós o princípio da nova vida e então, somos gerados de novo. Essa ação do Espírito Santo é invisível, porém perceptível. É como o vento que você não sabe de onde vem nem para aonde vai, mas percebe seus efeitos (João 3:8).

O novo nascimento é produzido do sacrifício vicário de Cristo

Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, Jesus foi levantado na cruz (João 3:14-15). Assim como os israelitas foram curados da mordedura das serpentes abrasadoras quando olharam para a serpente de bronze (Números 21:5-9), assim também aqueles que, inoculados pelo veneno mortal da antiga serpente, Satanás, olham com fé para Jesus e são perdoados de seus pecados e recebem o dom da vida eterna (João 3:14-15).

Os resultados da regeneração

Regenerados, Deus nos convida a viver em novidade de vida (I Coríntios 5:17, Romanos 6:11-13), mediante a sua natureza implantada em nossos corações, pois "todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus’’ (I João 3:9).
Você precisa nascer de novo! São as exatas palavras de Jesus a um homem religioso, assíduo aos cultos e tido como mestre em Israel. Mesmo assim, Jesus lhe disse que faltava-lhe o principal: uma nova vida gerada por Deus.
Nesse momento, gostaria de lançar um desafio a você. Será que você tem de fato experimentado uma nova vida em Deus, tendo em seu coração o penhor do Espírito Santo confirmado que você é um filho de Deus? Ou, ao contrário, você se sente como Nicodemos, uma pessoa religiosa, uma pessoa piedosa, que sabia tudo sobre Deus, mas não o conhecia pessoalmente.
Gostaria que você analisasse sua vida nesse instante e, se ainda não passou pela experiência do novo nascimento, isso pode acontecer ainda hoje.
Para aprofundar o estudo desta lição, sugerimos o livro O Melhor de Deus para a Sua Vida, de Hernandes Dias Lopes (Ed. Betânia, São Paulo, 2004).
http://gruposdevida.com.br/drupal/book/export/html/37

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

BENÇÃO E MALDIÇÃO NA FAMÍLIA DE NOÉ

Em Gênesis já vimos várias vezes como a natureza do ser homem sempre o leva de mal a pior. Do início do livro até o final, percebemos grandes mudanças provocadas pelo pecado (Do Paraíso para a Queda, seguido por homicídio na família, até ao Dilúvio, quando a raça humana se mostra rebelde, corrupta, violenta e totalmente corrompida. Mas a graça de Deus sempre invade nossa história com notas de esperança e novos começos.
Depois do Dilúvio, Deus deu uma nova chance para a raça humana, representada na família de Noé. Noé é o novo Adão. Em Gn 7 e 8 testemunhamos a destruição de toda vida na face da terra, com a exceção de Noé e sua família. Deus acabou com tudo e todos, para limpar sua terra do mal. Noé achou graça, obedeceu a Deus, e foi usado grandemente por Deus
A história de Noé e de sua família não se encerra com sua saída da Arca. Houve um fato triste que trouxe julgamento a um de seus descendentes, e a futura divisão das terras do novo mundo.
Noé se tornou então o segundo patriarca (pai) da humanidade através dos seus três filhos: Sem, Cam (Cão) e Jafé que repovoaram a Terra.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
Noé era um lavrador da terra, como fora Caim. Cuidar de plantas se tornou sua grande paixão e entre elas estava a videira. Esta é a primeira vez que a produção de vinho é aludida na Bíblia, e é significativo que esteja ligada a uma situação de desgraça.
Noé pode ter sido inocente, não conhecendo o efeito que a fermentação causa no suco de uva nem o efeito que o vinho fermentado exerce no cérebro humano. Isto não impediu que a vergonha entrasse no círculo familiar. Perdendo os sentidos, Noé tirou a roupa e se deitou nu.
Benção e maldição
A atitude desrespeitosa de Cão para com o seu pai, Noé, resultou em maldição e a atitude reverente de Sem e Jafé para com o pai resultou em bênçãos.
Muito se tem falado sobre esse assunto, desde os argumentos infundados dos que afirmam que a África está submetida à maldição lançada por Noé ao neto Canaã, não sendo em nada original, repetindo apenas uma velha ladainha de 1455 que respaldou com a promulgação da Bula Romanus Pontifex, a escravização e a exploração da África pelo Reino de Portugal, chegando ao ápice no séc. 19 entre os escravagistas do sul dos EUA, quando passa a ser ensinado como fato que Deus lançou uma maldição sobre os africanos.
O teólogo e historiador Walter Passos, afirma que "a pretensa maldição de Cão trouxe lucros tanto para a igreja católica como para a protestante. Grande exemplo é a ordem dos jesuítas que enriqueceu com os "amaldiçoados". Dentro do protestantismo serviu para manutenção da escravidão. Hoje, é usada ainda para preterir os descendentes de africanos".
A maldição de Cão é usada diretamente para alimentar a intolerância e motivos dentro do cristianismo para introjetar o desamor e a baixa estima aos negros (ainda que de forma velada) em algumas igrejas evangélicas.
A BENÇÃO
A geração que nos antecedeu tinha o hábito de pedir a bênção dos pais. Antes de ir dormir, ao sair para a rua ou quando ia viajar. Essa era uma prática comum e abençoada.
Aquela geração também tinha problemas, lutava contra vícios e violência, mas nem compa-rar com a situação atual. Ao pedir a bênção dos pais, o filho demonstrava respeito por eles e fé em Deus.
A Bíblia fala sobre a importância que tem a bênção dos pais sobre os filhos, especialmente se ela está vinculada à bênção de Deus.
Em Gênesis, no capítulo 9, à partir do verso 24, lemos assim: “E despertou Noé do seu vinho e soube o que seu filho menor lhe fizera. E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos. E disse: Bendito seja o Senhor, Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo.”
Noé amaldiçoou o seu filho menor Canaã, declarando-o servo dos servos, que pode ser traduzido como escravo de escravos. Sem, Noé relacionou com Deus; Jafé foi abençoado com prosperidade.
O que terá acontecido aos três filhos de Noé? A palavra que ele liberou sobre os filhos se cumpriu? Isso é o que veremos a seguir

BÊNÇÃO DE NOÉ: O PROGRAMA PARA AS RAÇAS NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO

A bênção de Noé concernente a Jafé e Sem e sua maldição sobre Canaã, o filho de Cão, é o acontecimento importante que se segue no processo da salvação. Mas enquanto a aliança de Deus com Noé era o fundamento da história sucessiva da natureza, do mundo e da salvação, a bênção e maldição de Noé é seu projeto fundamental profético, seu programa para as raças na história.
A maldição de CAM
Cam ou Cão, (em hebraico: חָם, moderno H̱am; em grego: Χαμ Kham) é um dos filhos de Noé, segundo a narrativa bíblica. De acordo com a Tabela das Nações no livro de Gênesis, tratava-se do filho mais novo de Noé e foi o pai de Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã.
A história de Cão é relatada em Gênesis 9:20-27
Gênesis 9:20... “Começou Noé a ser lavrador, e plantou uma vinha: Bebendo do vinho, embriagou-se e achou-se nu dentro da sua tenda. Cão, pai de Canaã, viu a nudez de seu pai, e contou a seus dois irmãos que estavam fora. Então tomaram Sem e Jafé uma capa, puseram-na sobre os seus ombros e, andando virados para trás, cobriram a nudez de seu pai; tiveram virados os seus rostos, e não viram a nudez de seu pai.
Despertando Noé do seu vinho, soube o que seu filho mais moço lhe fizera. E disse: Maldito seja Canaã; Servo dos servos será de seus irmãos. E acrescentou: Bendito seja Jeová, o Deus de Sem; E seja-lhes Canaã por servo.
Dilate Deus a Jafé, E habite Jafé nas tendas de Sem; E seja-lhes Canaã por servo.
Segundo uma certa linha de interpretação, ao proferir tais palavras, Noé estaria profetizando que um dos descendentes de Sem, Abraão, iria herdar a terra dos cananeus. Embora a história possa ser interpretada de forma literal, em tempos mais recentes, alguns estudiosos têm sugerido que Cam pode ter tido relações sexuais com a mulher de seu pai. Sob essa interpretação, Canaã é amaldiçoado como o "produto da união ilícita de Cam."
Interpretações e implicações sócio-políticas.
A maldição de Cam foi usada por alguns membros de religiões abraâmicas para justificar o racismo e a escravidão eterna de negros africanos, quem acreditavam ser descendentes de Cam.7 8 Defensores da escravidão nos Estados Unidos invocaram consistentemente este relato da Bíblia ao longo do século 19 em resposta ao crescimento do movimento abolicionista. No Brasil, a maldição de Cão serviu de justificativa para escravizar os índios, tendo missionário da Ordem de São Pedro João de Sousa Ferreira afirmado "Não há lei divina nem humana que proíba a possessão de escravos" e continuou "(e os índios brasileiros) são da descendência da maldição de Ham" . Os Portugueses igualmente consideravam os negros descendentes de Cão. A cor era o sinal da maldição e justificava a escravidão.
A maldição sobre Canaã
Das 63 ocorrências do termo ‘ārar’ (maldição) no Antigo Testamento, o verbo ocorre por 12 vezes como antônimo do verbo abençoar (bārak), e um desses casos é o versículo 25 do texto em apreço. Seguindo os conceitos anteriores (Gn 3.14, 17; 4.11), o sentido primário é de que Canaã e sua descendência estariam banidos, cercados de obstáculos e sem forças para resistirem seus inimigos tornando-se escravos dos escravos (ebed ‘abādîm). Devemos notar, contudo, que embora Cão tivesse outros filhos além de Canaã (Cuxe, Mizraim e Pute (Gn 10.6), a maldição foi especificamente para Canaã e seus descendentes, isto é, os cananeus da Palestina, e não Cuxe e Pute, que provavelmente se tornaram os ancestrais dos etíopes e dos povos negros da África. Por fim, não se trata de uma maldição dirigida aos negros africanos como costuma afirmar certos intérpretes. Os canaanitas foram totalmente extintos segundo a posição de vários biblistas e historiadores.
O pecado de Cam é descrito no versículo 22 como “viu ele a nudez de seu pai”, mas será que apenas ver o pai nu e contar aos irmãos era suficiente para amaldiçoar? O próprio texto insinua algo muito mais do que isso, pois ao acordar, Noé soube o que seu filho mais novo havia feito, mais não informa como ele ficou sabendo.
No verso 22, Cam “descobre a nudez” do pai. As expressões hebraicas não são fáceis de traduzir e o texto aqui refere-se a atos sexuais ilícitos, explicitados no Código Legal de Israel (Levítico 18; Levítico 20; Deuteronômio 27.20-23).
Assim que, uma das interpretações do motivo causador da maldição sobre a descendência de Cão teria sido um possível ato de homossexualidade praticado durante a embriaguez do seu pai. Entretanto essa interpretação, mesmo que seguida por muitos estudiosos, não tem confirmação explicita no texto bíblico.
Um detalhe interessante está em Gênesis 14.18, quando Abraão, descendente de Sete, encontra um cananita nativo chamado Melquisedeque, que era homem justo e “Sacerdote do Deus Altíssimo”, e que abençoou Abraão. Deus coloca em ação um grande plano de redenção para todas as nações, para resgatá-las dessa e de qualquer outra maldição de pecado e julgamento. Ele chama a Abrão para todas as nações e faz uma aliança com ele e promete: “Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12). “Todas as famílias da terra” incluindo os cananeus.
AS BENÇAOS DE SEM E JAFÉ
Os Semitas Como Intermediários Espirituais da Redenção
Com Sem foi diferente. A bênção mais gloriosa foi dada a ele. “Bendito seja Jeová, o Deus de Sem” (Gn 9.26).
Esta forma de louvor, que expressa a bênção, que na verdade não é como “bênção”, mas como louvor ao Deus que abençoa, tem sua base (conforme Lutero observou: “proper excellentem benedictionem”) na promessa elevada e ilimitada dada a Sem. Jeová é o Deus de Sem, isto é, a raça Semita é a condutora dessa revelação especial. Para Jafé Deus é Elohim, o Criador, Sustentador e Governador universal (Gn 9.27). Mas para Sem Ele é Jeová, o Deus da aliança e o Redentor. Desse modo Sem se torna o vaso e canal da Sua graça especial redentora, e daí em diante a promessa da salvação espiritual é concentrada em seus descendentes. Esta salvação se torna completa em Cristo, pois Ele, o Redentor, como filho de Davi descende de Sem por meio de Abraão (Lc 3.36). Assim como Ele mesmo disse: “A salvação vem dos Judeus” (Jo 4.22). Em Cristo a bênção de Sem se tornou o Evangelho para o mundo.
Os descendentes de Sem
Duas coisas curiosas aparecem no versículo 21: Sem é descrito como pai de todos os filhos de Héber, seu bisneto (v.25): os israelitas, descendentes de Héber, por isso chamados hebreus na antigüidade (Gênesis 14:13, Filipenses 3:5), eram todos também filhos de Sem, ou semitas - ainda hoje têm esse nome! Nenhum outro povo é chamado semita: nem mesmo os árabes, que também são da descendência de Abraão, mas ilegítimos, sendo filhos não da sua esposa, mas da sua escrava egípcia.
Em que consiste a bênção de Jafé?
Deus dê alargamento ao que alarga” (Gn 9.27), ou “Deus alargue ao máximo o alargamento”. O jogo com as palavras “Ele torna amplo” (Heb. Jafé) e o nome Jafé devem ser reproduzidos na tradução. Jafé foi o pai dos Medos (Heb. Madai, Gn 10.2) e dos Gregos, que no hebraico é Javan.
A bênção sobre Jafé
A bênção do Senhor sobre Jafé está subordinada a de Sem: “habite ele nas tendas de Sem”, o que equivale a dizer que Jafé e Sem teriam relações diplomáticas amigáveis. Todavia, ’Elohîm engrandeceria a Jafé de tal forma que Canaã lhe seria servo (v.27). Além de Canaã receber a sua sentença imprecatória, esta foi reforçada em cada bênção pronunciada a seus irmãos. Os cananitas seriam escravos tanto dos semitas (linhagem judaica) quanto dos jafetitas (povos indo-europeus).
CONCLUSÃO
Nossa luta contra o pecado é diário, momento após momento. As vitórias de ontem serão lembradas para todo sempre, mas não garantem nada na luta de hoje. Não podemos cansar de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos (Gal 6.9). Noé havia andado com Deus durante mais de 600 anos quando caiu! Havia salvado o mundo, e caiu. Não importa quantos anos você é crente, quantos anos você ensinou EBD ou trabalhou na igreja ou é líder espiritual. Não importa se você é pastor da igreja ou se trabalha no berçário. Todos nós temos a natureza de Adão em nós. Todos nós temos que lutar, na força do Senhor, contra o pecado que tenazmente nos assedia (Hb 12.1,2). Para alguns, o “pecado de estimação” que está sempre com eles são vícios, para outros, pensamentos promíscuos; para outros, ira. Para alguns, auto-suficiência e orgulho.
As promessas e as benção de Deus devem ser uma constante em nossa vida. Tudo depende única e exclusivamente de uma decisão pessoal de cada um de nós. Servir e submeter a nossa vontade a Deus e crer que Ele é fiel.///
Pr. Dr. Adaylton Conceição de Almeida (Th.B.;Th.M.Th.D.;D.Hu.)
(O Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição foi Missionário no Amazonas e por mais de 20 anos exerceu seu ministério na Republica Argentina, é Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário, Psicanalista e Pós Graduado em Ciências Políticas e em Psicanálise, Doutor em Psicologia e em Humanidade, Diretor da Faculdade Teológica Manancial e Professor do Seminário Teológico Kerigma).

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Email: psimed2@yahoo.com.br
BIBLIOGRAFIA
Adaylton de Almeida Conceição – Dispensações (Períodos Bíblicos)
Délcio Meireles - Benção de Noé – O programa para as raças.
Esdras Costa Bentho – A maldição de Noé
Enéias Ramos Corrêa – Benção e maldição
Jairo Carioca - A Maldição de Noé sobre Canaã, o que aconteceu?

Walter Passos - A maldição de Cam