terça-feira, 30 de junho de 2015

UMA MENSAGEM À IGREJA LOCAL E À LIDERANÇA


Prof. Adaylton de Almeida Conceição

INTRODUÇÃO. As Epístolas pastorais são livros canônicos do Novo Testamento, foram escritas por Paulo de Tarso e se dirigem a Timóteo e a Tito. São agrupadas desde os primeiros séculos do cristianismo num só corpus: Primeira Epístola a Timóteo , Segunda Epístola a Timóteo e Epístola a Tito.

1 e 2 Timóteo e Tito sempre foram considerados como que formavam um grupo separado de cartas, diferente das outras que foram escritas por Paulo. A diferença que está mais à vista é que, juntamente com a pequena carta a Filemom, foram escritas à pessoas, enquanto que as outras cartas paulinas iam dirigidas à igrejas.

Foram pela primeira vez chamadas "Pastorais" no século dezoito, por D.N. Bardot (1703), e popularizadas por esse título em 1726, por Paul Anton. O título é apenas parcialmente uma descrição do seu conteúdo, pois não são estritamente pastorais no sentido de fornecer instrução sobre o cuidado das almas. A designação de pastoral é por serem dirigidas a pessoas que tinham responsabilidades pastorais. Diferente das demais epístolas paulinas quando se destinam a uma igreja ou um grupo de igrejas. 

Embora estas epístolas não sejam cartas de teologia pastoral, o título serve convenientemente para distinguir as três, como um grupo, de outras cartas escritas por Paulo. Estas epístolas não são manuais de organização eclesiástica, disciplina da igreja, administração eclesiástica ou métodos eclesiásticos. Paulo estava dando instruções para situações históricas reais de duas igrejas, que estavam sob os cuidados de dois ministros que ele conhecia intimamente. Por esta razão, as epístolas são limitadas quanto ao assunto discutido, mas elas contêm princípios que podem ser usados em igrejas de qualquer época e lugar. As três tem tanta coisa em comum, quanto a estilo, doutrina e alusões históricas, que devem ser tratadas como um grupo, da mesma maneira como as Epístolas da Prisão.

Não há nada que indique que elas foram escritas na mesma data ou do mesmo local ou que o autor pretendesse que fossem um conjunto, entretanto estudos contemporâneos indicam que devem ser tratadas como um grupo. Possivelmente escritas no período do fim da vida do apóstolo Paulo, apresenta o pensamento dele preparando Timóteo e Tito para continuar a sua tarefa. Por esse motivo introduz uma diferente espécie de correspondência na literatura paulina em comparação com as demais epístolas anteriores.

Levando em consideração, a alta experiência do apóstolo Paulo com relação a assuntos relacionados à igreja do Senhor, o mesmo proporcionou a dois de seus companheiros, “os quais foram por ele chamados de filhos”, a responsabilidade de estarem à frente de igrejas e os adverti-os de modo sensato e preciso, dando-lhes direção e instrução, afim de que, eles pudessem ter condições suficientes para se manterem firme nesta obra tão árdua. A Timóteo e a Tito, findando a sua missão neste mundo, Paulo, o Apóstolo dos Gentios, endereçou cartas com diversas admoestações, fortalecendo-os quanto a fé e de como deveriam se portar ante as heresias que assolavam a igreja na época, bem como a cerca da formação daqueles que dariam prosseguimento a obra do Senhor. Estas cartas tão preciosas tanto para seus receptores, como para nós igreja, por conterem mais um tratado de conselhos práticos do que compêndio teológico tem sido conhecidas desde os tempos mais remotos como Epístolas Pastorais.

As epístolas de Paulo foram escritas num espaço de menos de vinte anos. Seu lugar entre os apóstolos que escreveram é resultado do seu encontro pessoal e do seu relacionamento íntimo com Cristo ressurreto e das instruções que recebeu do Senhor.

CENÁRIO HISTÓRICO

O cenário histórico colhido destas epístolas é como segue. Depois que Paulo e Timóteo estiveram juntos em Éfeso, Paulo partiu para a Macedônia (I Tm. 1:3), mas esperava voltar logo (I Tm. 3:14). Timóteo havia partido para Éfeso, para cuidar da igreja refutar os falsos mestres que estavam em atividade lá. Uma vez que sua volta podia ser retardada, Paulo escreveu esta carta, para ajudar Timóteo em seu ministério (I Tm. 3:14,15). De maneira semelhante, Paulo estivera em Creta e, ao partir, deixou Tito para cuidar da organização da igreja (Tt. 1:5). Paulo estava, provavelmente, na Macedônia ou em Acaia e queria que Tito se encontrasse com ele em Nicópolis, onde Paulo planejava passar o inverno (Tt. 3:12). De II Timóteo fica-se sabendo que Paulo era um prisioneiro (II Tm. 1:8, 16,17; 2:9). Ele já havia estado perante o tribunal uma vez (II Tm. 4:11,16, 21) e estava aguardando outro aparecimento. Ele tinha pouca esperança de ser solto (II Tm. 4:6). Somente Lucas ainda estava com ele (II Tm. 4:11), Tito tendo sido enviado à Dalmácia (II Tm. 4:10) e Tíquico a Éfeso (II Tm. 4:12); Demas havia abandonado Paulo e retornara a Tessalônica (II Tm. 4:10). 

Data e proveniência 

A seqüência das três epístolas é 1 Timóteo e Tito (62-65 D. C.). A primeira dessas foi escrita em Filipos, e a segunda em Nicópolis. Elas foram escritas durante o período de sua liberdade condicional, após ter sido solto de sua primeira prisão em Roma. 2 Timóteo (67 D. C.) foi escrita em Roma, quando Paulo estava na prisão Maretina, pouco antes de sua execução. 

Propósito 

As epístolas a Timóteo e Tito têm muitas características em comum. Diferente das outras epístolas a Timóteo e a Tito são palavras pessoais a seus auxiliares apostólicos. Elas tratam da necessidade de supervisão pastoral nas igrejas. Elas se concentram na organização das igrejas, na importância da doutrina apostólica em refutar falsas doutrinas. Descrevendo também as qualificações dos líderes cristãos.

Autoria 

Desde o início do século XIX, as Epístolas Pastorais têm sido atacadas mais que quaisquer outras Epístolas Paulinas sobre a questão da autenticidade. A similaridade destas epístolas requer que sejam tratadas como uma unidade em termos de autoria. 

A evidência externa apoia solidamente a posição conservadora de que Paulo escreveu as cartas a Timóteo e a Tito. Os pais pós-apostólicos da igreja, tais como Policarpo e Clemente de Roma, fazem alusão a elas como escritos de Paulo. Além disso, essas epístolas são identificadas como paulinas por Irineu, Tertuliano, Clemente de Alexandria e o Cânon Muratoriano. 

Canonicidade 

Alguns manuscritos antigos não trazem as epístolas pastorais. O papiro Chester Beatty, bem como o papiro Vaticano não trazem as trazem, mas eles são fragmentados e perderam folhas. Já os manuscritos do Sinaítico, Alexandrino e Rescrito de Efrém contêm as pastorais em sua forma integral. 

Policarpo de Esmirna usava as pastorais em 125. Clemente de Roma (95), Inácio de Antioquia (110) dão a impressão de usar as pastorais. O Cânon de Muratori (180) menciona as pastorais. 

Destinatário

O que se sabe de Timóteo está diretamente dito tanto por Paulo ou indiretamente por Lucas em sua obra dos Atos. Para Cothenet, de todos os colaboradores de Paulo, Timóteo é o mais conhecido. Esta personagem aparece pela primeira vez no Segundo Testamento em At 16,1: “Havia ali [Listra] um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia que abraçara a fé e de um pai que era grego”. Segundo relata os Atos, foi em Listra, cidade da Lacônia que se econtrava Timóteo. Pertencente à média burguesia, seu pai era heleno, sua mãe, Eunice, judia, convertida ao cristianismo e sua avó Lóide, “mulher de fé sem subterfúgios” (BÍBLIA TEB, 1994, 2317).

Segundo Barbaglio, tanto Timóteo quanto Tito são considerados “protótipos das autoridades eclesiásticas” do cristianismo da Ásia Menor.

Esteve presente junto a Paulo em diversos momentos de sua atividade missionária principalmente na confecção de algumas cartas como: 1 e 2 Tessalonicenses (2 Ts 1,1), a 2 Coríntios (2 Cor 1,1), Romanos (Rm 16,21), Filipenses (Fl 1,1), Colossenses (Cl 1,1) e Filêmon (Fm 1). Estes e outros relatos mostram a amizade, o carinho e principalmente a confiança que Paulo tinha por Timóteo. 

Quanto a Tito, parece que ele acompanhou Paulo na segunda e terceira viagens missionárias, e em parte da quarta. Foi um autêntico missionário. Durante a terceira viagem recebeu uma missão delicada: apaziguar a belicosa igreja de Corinto, onde muitos contestavam e acusavam Paulo. O apóstolo não podia ir. Ele e Tito combinaram encontrar-se em Trôade, o que não sucedeu (2.12-13). Paulo foi a Macedônia para encontrar-se com Tito, que chegou com boas novas (2Co 7.5-6, 13-14).

LUGAR OCUPADO PELAS EPÍSTOLAS PASTORAIS.

As Cartas dirigidas a estes dois Pastores ocupam um lugar totalmente particular no contexto do Novo Testamento. Hoje, o parecer alguns exegetas é que estas Cartas não teriam sido escritas pelo próprio Paulo, mas teria a sua origem na "escola de Paulo", e refletiriam a sua herança para uma nova geração, talvez integrando alguns breves escritos ou palavras do próprio Apóstolo. Por exemplo, algumas palavras da segunda Carta a Timóteo parecem tão autênticas, que só podem vir do coração e da boca do Apóstolo.

Sem dúvida, a situação eclesial que sobressai destas Cartas é diferente da dos anos centrais da vida de Paulo. Ele agora, em retrospectiva, define-se "arauto, apóstolo e mestre" dos pagãos na fé e na verdade (cf. 1 Tm 2, 7; 2 Tm 1, 11); apresenta-se como alguém que obteve misericórdia, porque Jesus Cristo como escreve "quis mostrar, primeiro em mim, toda a sua magnanimidade e para que assim, servisse de exemplo àqueles que haviam de crer nele para a vida eterna" (1 Tm 1, 16). Portanto, o que parece realmente essencial em Paulo, perseguidor convertido da presença do Ressuscitado, é a magnanimidade do Senhor, que nos serve de encorajamento, para nos induzir a esperar e a ter confiança na misericórdia do Senhor que, não obstante a nossa pequenez, pode realizar maravilhas.

Conteúdo

Que há uma espécie de homogeneidade no tocante ao conteúdo, isto não é discutido. Segundo a Bíblia TEB (1994) o que se deve levar em conta é a relação que há entre as pastorais e o paulinismo. Os temas principais são tocados: a) a misericórdia divina manifestada em Jesus, que veio para salvar os pecadores (1Tm 1,12-17); b) o homem salva-se pela graça e por meio da fé (1Tm 1,16); c) a salvação dos homens efetua-se de conformidade com o plano eterno de Deus (1Tm 3,16); d) exortação aos escravos (1Tm 6,1-2); e) atitudes frente às autoridades (1Tm 2,1); f) a recordação dos sentimentos do apóstolo como a humildade (1Tm 1,12-14) e seu afeto para com Timóteo (1Tm 1,2.18; 5,23).

AVALIAÇÃO DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS

As epístolas pastorais são a fonte mais confiável para entendermos como andava a igreja no período de transição entre a igreja pioneira e a igreja institucionalizada a partir do segundo século depois de Cristo.

Duas tendências merecem destaque: O crescimento de heresias é mais aparente.

Toda carta de Paulo lida com certa oposição à verdade e divergência doutrinária.

Gálatas ataca o legalismo, I Coríntios afirma que alguns não acreditavam na ressurreição do corpo, Colossenses lida com problemas filosóficos, etc.

No entanto, esses problemas eram esporádicos e pontuais (com a possível exceção do movimento judaizante).

Nas cartas pastorais, todos esses erros voltam a aparecer, porém de maneira mais intensa e com um ar de ameaça futura.

Por causa dessas ameaças, há um enfoque maior em se concentrar na doutrina sadia. A maneira como várias afirmações de Paulo são escritas em formas de credo (conjunto de princípios, normas, preceitos e crenças por que se pauta uma pessoa ou uma comunidade) apontam para a cristalização da doutrina cristã já antes do fim do primeiro século.

Em outras palavras, já começava a ser reconhecido, entre as igrejas, a doutrina correta e sadia pela qual cada discípulo e cada igreja deveria se portar.

Os falsos mestres 

Em geral se pressupõe que as três cartas se opõem o mesmo ensino falso. Isso pode ser ou não verdade, mas parte desse ensino incluía um forte elemento judaico. Existem referências a “mestres da lei” 1 Tm 1:7, aos “da circuncisão” Tt. 1:10, a “fábulas judaicas” Tt. 1:14, e a “contendas e debates sobre a lei” Tt. 3:9. Há uma advertência contra o “saber como falsamente lhe chamam” 1 Tm 6:20, a qual, junto com referências a “fábulas e genealogia sem fim” 1 Tm 1:4; 4:7; Tt 3:9, frequentemente entendida como referência a sistemas gnósticos. Isso tem o apoio de textos que mencionam práticas ascéticas 1 Tm 4:3. Mas o gnosticismo maduro pertence a uma época já bem dentro do século II, e estas cartas não são desse período. O ensino falso descrito nestas cartas não é diferente do que existia durante o período ministerial de Paulo. As pastorais atiram-se contra o tipo misto de heresia que já fora combatido por Paulo em Colossenses, que teve origem em um judaísmo sincretista da variedade gnóstica pré-cristã. Embora o entendimento de se tratar de uma heresia do segundo século, não existe bases para se dizer que ela teria surgido enquanto Paulo desenvolvia seu trabalho.

Análise teológica 

Paulo expõe nas Pastorais além de um conteúdo ministerial e conceptivo deste tema desenvolve um cunho teológico e ético como em suas demais cartas. 

a) Nas Pastorais é dada ênfase na doutrina ortodoxa (1 tm 1:8-11; 2 Tm 1:13-14; Tt. 1:5-9) e procura manter a sã doutrina (1 Tm 1:10, 2 Tm 4:3; Tt 1:9; 2:1 e seguindo a mesma idéia 1 tm 6:3, 2 Tm 1:13; Tt 1:13; 2:2-8); 

b) na liderança da igreja (1 Tm 3:1-15; 2 Tm 1:13-14; Tt. 2:1); 

c) outro tema também é discutido, referendo ao ministério deles (1 Tm 1:18; 2:7- 2 Tm. 2:1-7; Tt. 2:7-8; Tt 2:7-8; 15, 3:9); 

d) Como também a ênfase a uma vida santa (1 Tm. 1:3-7; 2:8-10; 2 Tm 1:3-12; 2:14-19; Tt. 3:1-11). 

e) Paulo reconhece a misericórdia de Deus em Jesus Cristo e sua experiência como pecador e blasfemador 1 Tm 1:12-17; Tt. 3:3-7; 

f) A justificação é um ato inteiramente divino dependendo da graça de Deus 2 Tm. 1:9, Tt. 3:5; 

g) Salvação: Jesus nosso Salvador 1 Tm 1:10; único mediador 1 Tm 2:5; a graça salvadora aos homens Tt. 2:11; revelada no amor de Deus na eternidade 2 Tm 1:9-10, Tt. 2:11. 

h) Cristo: o novo homem, o redentor 1 Tm. 2:5-6; 1:15. 

i) Vida eterna: o alvo para qual os cristão são chamados e que podem desfrutar aqui e agora 1 Tm 6:12; 2 Tm 1:1; Tt. 1:2; 3:7. 

j) Fé: o meio para atingir salvação 1 Tm 1:16; e sua importância 1 Tm 3:13. 

l) Graça 2 Tm. 1:9 .

m) Ética: Segundo casamento 1 Tm 3:2, 12, 5:9; os escravos 1 Tm 6:1; o estado 1 Tm 2:1ss., Tt. 3:1.

O COMBATE ÀS HERESIAS

Necessidade de Refutar os Falsos Ensinamentos (1,3-7) e XI – Os Adversários da Igreja (4,1-5)

“Por terem apartado desta linha, alguns se extraviaram num palavreado oco; pretendem ser doutores da lei, ao passo que não sabem o que dizem, nem o que afirmam com tanta veemência.”

Segundo Cothenet, um dos grandes objetivos de 1 Timóteo é o combate às heresias, sendo, portando, sua grande missão. O texto de Timóteo se utiliza do termo grego (ί) para designar palavreado oco, discursos vãos, ou mesmo loquacidade frívola, que se contrapõe à “Sã Doutrina” que do grego se tem (‘ύί) (1Tm 1,10), que é um ensinamento conforme a piedade (1Tm 6,3). Barbaglio, questiona: “qual é o critério que permite discernir entre a verdadeira e a falsa doutrina?”. A resposta é um tanto quanto sombria, pois seriam aquelas que Paulo zelosamente confiara a Timóteo e Tito de modo que este como um depósito, deve ser preservado e fielmente transmitido. Neste ponto, tem-se uma mudança substancial com a doutrina paulina. Enquanto que as comunidades geradas ou animadas por Paulo eram convidadas a experimentar da graça de Deus mediante a fé em Cristo, pelo Espírito, agora, a preocupação não é a fé na graça experimental, mas na graça já transmitida e depositada em pessoas especialmente escolhidas para transmiti-las. Tem-se aqui a figura nítida do mediador, aquele que faz a ponte entre a Graça e os homens, de modo que esta não se perca em erros. Tem-se aqui, o início daquilo que se pode chamar de Tradição. As doutrinas que são (, referem-se a mitos e genealogias sem fim. Seus autores se julgam a “doutores da Lei” (termo este, utilizado pelos fariseus (Lc 5,17 e At 5,34) em seus discursos vãos. O combate às heresias não é prerrogativa das Pastorais, umas vez que em Colossenses e Efésios Paulo não poupou críticas as especulações em torno das potências intermediárias entre Deus e o mundo. Tal prática acompanhou todo o cristianismo pós-apostólico com os apologistas do século II.

O CONTEÚDO GERAL DE 1 TIMÓTEO

O conteúdo é diversificado, mas a maior parte trata da vida da igreja, em termos de funcionamento, e não de teologia. Ele relembra seu passado de perseguidor da fé cristã e como a graça de Deus o transformou (1.12-14). Deus fez isto com ele para ele servir de exemplo: v. 16. É muito bom quando podemos servir de exemplo para os demais. Não em termos de sermos melhores, mas podermos mostrar como Deus agiu na nossa vida. Isto nos traz à mente o valor de uma vida transformada que pode ser testemunho para os outros. A nossa vida, como pastores, pode ser um exemplo para nossas ovelhas? A influência de uma vida tocada pela graça de Cristo é muito grande.

A EPÍSTOLA A TITO

A carta a Tito tem data ao redor de 62 a 64, e deve ter sido escrita, portanto, durante a quarta viagem missionária de Paulo. Foi produzida na Macedônia (3.12). Tito não era judeu, mas grego, tendo sido ganho para Cristo por Paulo: Gálatas 2.1-3 e Tito 1.4. A decisão paulina de não circuncidar Tito está em consonância com Atos 15 e é um exemplo vivo do novo tempo do evangelho, de liberdade da lei (Gl 1.4). Não fosse esta carta seria ele um personagem obscuro, mencionado apenas de passagem. Atos omite seu nome. Mas ele foi um grande homem de Deus e pode nos lançar luzes sobre nossa conduta como homens de Deus.

CHAMADO À LIDERANÇA A PERSEVERAR NA PALAVRA

O autor compara estas doutrinas com duas referências de base. Uma consiste na evocação de uma leitura espiritual da Sagrada Escritura (cf. 2 Tm 3, 14-17), ou seja, de uma leitura que a considera realmente como que "inspirada" e proveniente do Espírito Santo, de tal forma que por ela se pode ser "instruído para a salvação". Lê-se a Escritura, justamente, pondo-se em diálogo com o Espírito Santo, de modo a haurir a sua luz "para ensinar, para convencer, para corrigir e para instruir na justiça" (2 Tm 3, 16). Neste sentido, a Carta acrescenta: "A fim de que o homem de Deus seja perfeito e apto para toda a boa obra" (2 Tm 3, 17). A outra evocação consiste na referência ao bom "depósito" (parathéke): é uma palavra especial das Cartas pastorais, com que se indica a tradição da fé apostólica que se deve conservar com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós.

Portanto, este chamado "depósito" deve ser considerado como que a soma da Tradição apostólica e critério de fidelidade ao anúncio do Evangelho. E aqui temos que ter presente o fato de que nas Cartas pastorais, como em todo o Novo Testamento, o termo "Escrituras" significa explicitamente o Antigo Testamento, porque os escritos do Novo Testamento ainda não existiam, ou ainda não faziam parte de um cânone das Escrituras.

Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)


Facebook: Adayl Manancial

BIBLIOGRAFIA

Adaylton de Almeida Conceição - Introdução às Epístolas Pastorais- 2006

André Rodrigues - Resumo expositivo das Epístolas Pastorais

Bruno Glaab - Cartas Pastorais, Gerais e Hebreus.

BROWN, R. A comunidade do discípulo amado. S. Paulo: Paulinas, 1983

CARREZ, M. et. al. - As cartas de Paulo, Tiago, Pedro e Judas. São Paulo: Paulinas, 1987

Victor Marques - Cartas Pastorais ( I Timoteo).

domingo, 28 de junho de 2015

Uma carta aberta aos pastores, por John MacArthur


segunda-feira, 22 de junho de 2015

A RESSURREIÇÃO DE JESUS

INTRODUÇÃO; Por que, depois de 2000 anos, a crença na ressurreição de Jesus Cristo, um dos mais extraordinários mistérios da fé, ainda exerce efeito tão arrebatador? Disse o apóstolo Paulo, o grande disseminador das palavras de Jesus, em suas cartas aos coríntios, no Novo Testamento: "Se Cristo não foi ressuscitado, nós não temos nada para anunciar e vocês não têm nada para crer”.
A RESSURREIÇÃO DE JESUS E A FÉ CRISTÃ
A Questão da Ressurreição de Jesus se encontra no centro da fé cristã. Não há forma de Cristianismo primitivo, por nós conhecida, que não afirme que após a morte vergonhosa de Jesus, Deus o trouxe de volta à vida. Esta afirmação é, em especial, a resposta constante do Cristianismo primitivo para uma das quatro questões sobre Jesus que devem ser levantadas por todos os historiadores sérios do primeiro século.
Os vinte longos séculos do Cristianismo, repletos de êxito e de glória, foram baseados na verdade da Ressurreição de Jesus. Afirmar que o Cristianismo nasceu e cresceu em cima de uma mentira e fraude seria supor um milagre ainda maior do que a própria Ressurreição do Senhor. Será que em nome de uma fantasia, de uma miragem, milhares de fiéis enfrentariam a morte diante da perseguição romana? É claro que não. Será que em nome de um mito, multidões iriam para o deserto para viver uma vida de penitência e oração? O testemunho dos Apóstolos sobre a Ressurreição de Jesus era convincente e arrastava. O edifício do Cristianismo requer uma base mais sólida do que a fraude ou a debilidade mental. Assim, é muito mais lógico crer na Ressurreição de Jesus do que explicar a potência do Cristianismo por uma fantasia de gente desonesta ou alucinada.
O que é Ressurreição?
Ressurreição é um substantivo feminino com origem no termo em latim 'resurrectio'
que significa o ato de ressurgirressuscitarvoltar à vida.
Ressurreição é diferente de reincarnação, porque implica que a pessoa regressa à vida como a mesma pessoa.
A RESSURREIÇÃO DE JESUS
A Ressurreição de Jesus é ponto fundamental da fé cristã, a ponto que o Apóstolo Paulo pode dizer: "Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação; vazia também é a vossa fé… Se Cristo não ressuscitou, vazia é a vossa fé; ainda estais nos vossos pecados".
(1Cor 15, 14.17).

"Ele não está aqui, mas ressuscitou" (Lucas 24:6).  Jesus ressuscitou!  Ressuscitou!  Essa palavra ressoa poderosamente atravessando os séculos.  Ela pode ter sido a palavra mais poderosa que jamais foi pronunciada.  Entre todas as grandes proclamações da História, nenhuma se compara, em grandeza de significação a esta simples afirmação.  Esta declaração levou o espanto e a alegria aos seguidores de Jesus.  Ela se tornou o assunto central da pregação apostólica.  De fato, cada ponto da Bíblia gira em volta desta ressurreição vitoriosa de Jesus Cristo, deixando a sepultura e o poder do diabo que essa sepultura representava.  Jesus ressuscitou!
A fé na ressurreição de Jesus.
Acreditar na ressurreição de Jesus, para o cristão, é uma condição de existência: é -se cristão porque se acredita que Jesus está vivo, triunfou da morte, ressuscitou, e é, para todos os humanos, o único mediador entre Deus e os homens. Dessa mediação participam a seu modo tudo aquilo (o universo e tudo aquilo que contém) e todos aqueles (dos mais sábios aos mais humildes) que, pela vida e pela palavra, proclamam o poder e a misericórdia de Deus que sustenta todo o universo e chama todos a participar de sua vida.
A fé na ressurreição de Jesus Cristo é o fundamento da mensagem cristã.
A fé cristã estaria morta se lhe fosse retirada a verdade da ressurreição de Cristo. A ressurreição de Jesus são as primícias de um mundo novo, de uma nova situação do homem. Ela cria para os homens uma nova dimensão de ser, um novo âmbito da vida: o estar com Deus. Também significa que Deus manifestou-se verdadeiramente e que Cristo é o critério no qual o homem pode confiar.

A fé na ressurreição de Jesus é algo tão essencial para o cristão que São Paulo chegou a escrever: “Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia, e vazia também a vossa fé” (1Cor 15, 14).
A ressurreição de Jesus “foi a evasão para um gênero de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do transformar-se, mas situada para além disso: uma vida que inaugurou uma nova dimensão de ser homem”.

OS SADUCEUS E A DOUTRINA DA RESSURREIÇÃO
A razão pela qual os saduceus eram contrários não apenas à ressurreição mas a qualquer noção de uma vida futura é muito interessante. Primeiro, eles insistiam que as tradições não continham esta doutrina nova e supérflua e que a ressurreição não era ensinada na própria Torah. Mas eles foram além. Ressurreição era uma doutrina revolucionária, que tinha a ver com crenças firmemente mantidas sobre o clímax vindouro da história de Israel. Era justamente o tipo de coisa, do ponto de vista dos saduceus, que aqueles fariseus agitadores de classe baixa desejariam adotar para sustentar seus sonhos revolucionários sobre a virada da ordem existente e o estabelecimento do reino de Deus. O principal objetivo dos saduceus não era assegurar a própria sobrevivência deles em uma vida futura, mas negar uma doutrina que lhes parecia (acertadamente) desafiar a sobrevivência de seu poder dentro da ordem presente e dentro de quaisquer mudanças na mesma.
"Por que a ressurreição de Jesus Cristo é tão importante?"
Resposta: A ressurreição de Cristo é importante por vários motivos.
Primeiro, é um testemunho do imenso poder de Deus. Acreditar na ressurreição é acreditar em Deus. Se Deus realmente existe, e se Ele criou o universo e tem poder sobre o mesmo, então Ele tem poder de ressuscitar os mortos. Se Ele não tem tal poder, Ele não é um Deus digno de nossa fé e louvor. Apenas Aquele que criou a vida pode ressuscitá-la depois da morte; só Ele pode reverter o horror que a morte é, e só Ele pode remover o aguilhão que é a morte e a vitória que pertence ao túmulo. Ao ressuscitar Cristo dos mortos, Deus nos faz lembrar de Sua absoluta soberania sobre a morte e vida.
Segundo, a ressurreição de Jesus é um testemunho da ressurreição de seres humanos, que é uma doutrina básica da fé Cristã. Ao contrário de outras religiões, o Cristianismo possui um fundador que transcende a morte e promete que os Seus seguidores farão o mesmo. Todas as outras (falsas) religiões foram fundadas por homens e profetas cujo fim foi o túmulo. Como Cristãos, podemos nos confortar com o fato de que Deus Se tornou homem, morreu pelos nossos pecados, foi morto e ressuscitou no terceiro dia. O túmulo não podia segurá-lO. Ele vive hoje e se senta à direita do Pai no Céu. A igreja viva tem um Cabeça vivo!
Em 1 Coríntios 15, Paulo explica em detalhe a importância da ressurreição de Cristo. Alguns em Corinto não acreditavam na ressurreição dos mortos, e nesse capítulo Paulo lista seis conseqüências desastrosas se a ressurreição nunca tivesse ocorrido: 1) pregar sobre Cristo seria em vão (v.14); 2) fé em Cristo seria em vão (v.14); 3) todas as testemunhas e pregadores da ressurreição seriam mentirosos (v.15); 4) ninguém poderia ser redimido do pecado (v.17); 5) todos os Cristãos que dormiam teriam perecido (v.18); e 6) Cristãos seriam os mais infelizes de todos os homens (v.19). Mas Cristo realmente ressuscitou dos mortos e é “as primícias dos que dormem” (v.20), assegurando-nos de que vamos segui-lO na ressurreição.
CRISTO PREDIZ SUA PROPRIA RESSURREIÇÃO

Com freqüência , nos Evangelhos, Cristo prediz sua própria ressurreição (Mateus 16.21;
17.23; 20.17-19; 26.12, 28-31; Marcos 9.30-32; 14.28; Lucas 9.22; 18.31-34; João 2.19-22; 10.17-18). As predições são tão freqüentes, tão explicitas e num contexto tão variado que não deixa dúvida de que Cristo predizia sua própria morte e ressurreição.

A Doutrina da ressurreição de todos os homens, bem como a ressurreição de Cristo, é ensinada no Antigo Testamento.

Muitas profecias específicas no Antigo Testamento antecipa a ressurreição do corpo humano (Salmo 16;9-10; 17.15; 49.15; Isaias 26.19; Daniel 12.2; Jô 14.13-15; Oséias 13.14). No Salmo 16.9-10, o salmista Davi declara “Portanto está alegre o meu coração e se regozija a minha glória: também a minha carne repousará segura. Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO - UM ACONTECIMENTO HISTÓRICO
ressurreição de Cristo é um acontecimento dentro da história que, ao mesmo tempo, rompe o âmbito da história e a ultrapassa. Alguém já propôs com uma analogia. “Se nos é permitido por uma vez usar a linguagem da teoria da evolução”, a ressurreição de Jesus é “a maior ‘mutação’, em absoluto o salto mais decisivo para uma dimensão totalmente nova, como nunca se tinha verificado na longa história da vida e dos seus avanços: um salto para uma ordem completamente nova, que tem a ver conosco e diz respeito a toda a história”.
Portanto, a ressurreição de Cristo não se reduz à revitalização de um indivíduo qualquer. Com ela foi inaugurada uma dimensão que interessa a todos seres humanos, uma dimensão que criou para os homens “um novo âmbito da vida, o estar com Deus”.
As narrativas evangélicas, na diversidade de suas formas e conteúdos, convergem todas para a convicção a que chegaram os primeiros seguidores de Jesus, de que sua ação salvadora, tal como se havia pressentido nas Escrituras, não se frustrara nem se havia encerrado com sua morte. Pelo contrário, cumpria a promessa de Deus feita desde as origens da humanidade e, portanto, o fato de Jesus estar vivo e atuante na história tinha sua base em Deus, vinha confirmar a esperança que depositamos em Deus de que a verdade e o bem, a justiça e a paz hão de triunfar, terão a última palavra, porque Deus é fiel.
A RESSURREIÇÃO DE JESUS - OS FATOS.
Para ver o que a Palavra de Deus nos diz sobre a ressurreição de Jesus, comecemos a partir de Marcos 16: 1-6.
Quando terminou o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram especiarias aromáticas para ungir o corpo de Jesus. No primeiro dia da semana, bem cedo, ao nascer do sol, elas se dirigiram ao sepulcro, perguntando umas às outras: "Quem removerá para nós a pedra da entrada do sepulcro?” Mas, quando foram verificar, viram que a pedra, que era muito grande, havia sido removida. Entrando no sepulcro, viram um jovem vestido de roupas brancas assentado à direita, e ficaram amedrontadas. "Não tenham medo”, disse ele. “Vocês estão procurando Jesus, o Nazareno, que foi crucificado. Ele ressuscitou! Não está aqui.
Estas mulheres foram lá para ungir o corpo de Jesus com especiarias aromáticas e óleos. Elas esperavam encontrar Jesus na mesma posição de quando ele foi enterrado. Elas se admiraram com a pedra e como ela tinha se movido. Contudo, Deus livrou-as de suas preocupações: Ele ressuscitou Jesus Cristo da morte! As mulheres encontraram um anjo que lhes contou o que aconteceu: “Ele ressuscitou. Não está aqui.”  Jesus Cristo foi ressuscitado dentre os mortos. Todos os homens que morreram viram a corrupção. Contudo, Jesus Cristo não viu a corrupção. Ele foi ressuscitado dentre os mortos e vive para sempre. Atos 13: 34-37 nos diz: “E que [Deus] ressuscitaria [Jesus] dentre os mortos, para nunca mais tornar à corrupção, dize-o assim: “As santas e fiéis bênçãos de Davi vos darei”. Por isso também em outro salmo diz: “Não permitirás que o teu santo veja corrupção”. Porque, na verdade, tendo Davi no seu tempo servido conforme a vontade de Deus, dormiu, foi posto junto de seus pais e viu a corrupção. Mas aquele a quem Deus ressuscitou nenhuma corrupção viu”.
Qualquer outro, exceto Jesus Cristo, viu a corrupção. Todos os vários povos famosos que viveram através dos séculos viram a corrupção. Todos os fundadores das várias religiões morreram. Eles viram a corrupção. Contudo, isto não aconteceu a Jesus Cristo. Essa é uma das razões que torna o Cristianismo tão diferente. Seu líder está vivo agora e Ele viverá para sempre.
PROVAS DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO

O Novo Testamento apresenta uma prova irrefutável da ressurreição de Cristo. Pelo menos dezessete aparições de Cristo aconteceram depois de sua ressurreição.Vejamos algumas:
1- Apareceu a Maria Madalena (João 20.11-17)
2- Apareceu às mulheres (Mateus 28.9-16)
3- Apareceu a Pedro (Lucas 24.34; 1 Coríntios 15.5)
5- Apareceu aos discípulos quando Tome não estava presente (Marcos 16.14)
6- Apareceu aos onze discípulos uma semana depois da ressurreição (João 20.26-29)
7- Apareceu a sete discípulos no Mar da Galiléia ( João 21.1-23)
8- Apareceu aos cinco mil ( 1 Coríntios 15.6)
9- Apareceu a Tiago, o irmão do Senhor ( 1 Coríntios 15.7)
10- Apareceu aos onze discípulos no monte de Galiléia ( Mateus 28.16-20).
11- Apareceu aos discípulos na ocasião da ascensão no monte das Oliveiras (Lucas 24.44-53; Atos 1.3-9).
12- Apareceu a Estevão momentos antes do seu martírio ( Atos 7.55-56)
13- Apareceu a Paulo no caminho a Damasco ( Atos 9.3-6)
14- Apareceu a Paulo na Arábia (Atos 20.24; 26.15; Gálatas 1.12,17)
15- Apareceu a Paulo no templo ( Atos 22.17-21)
16- Apareceu ao Apóstolo João ( Apocalipse 1.12-20).
17- Apareceu a Paulo na prisão em Cesárea ( Atos 23.11).

O numero das vezes que apareceu constitui a mais poderosa evidencia histórica de que Cristo se levantou dentre os mortos.

RAZÕES PARA A RESSURREIÇÃO DE CRISTO

  1. Cristo ressuscitou para cumprir com o pacto davídico ( 2 Samuel 7.12-16; Salmo 89.20-37; Isaias 9;6-7; Lucas 1.31-33; Atos 2.25-31)
  2. Cristo ressuscitou para ser o doador da vida ressuscitada ( João 10.10-11; 11,25-26; Efésios 2.6; Colossenses 3.1-4; I João 5.11-12)
  3. Cristo ressuscitou de modo que Ela seja a fonte do poder da ressurreição (Mateus 28.18; Efésios 1.19-21; Filipenses 4.13).
  4. Cristo ressuscitou para ser a Cabeça da Igreja (Efésios 1.20-23).
  5. Cristo ressuscitou para que nossa justificação seja cumprida ( Romanos 4.25)
  6. Cristo ressuscitou para ser as primícias da ressurreição ( 1 Coríntios 15.20-23).
  7. Cristo ressuscitou para poder voltar e buscar os seu (João 14.2-3; 1 Tessalonicenses 4.16,17).
A RESSURREIÇÃO DE JESUS - OS EFEITOS
Tendo visto o que a Palavra de Deus diz sobre a ressurreição de Jesus, podemos ver os efeitos de Sua ressurreição. De modo diferente dos outros eventos cuja importância declina através do tempo, a ressurreição de Jesus hoje tem nas vidas das pessoas os mesmos efeitos tremendos que teve quando ela aconteceu. Abaixo nós mostraremos o porquê.
A ressurreição de Jesus: pré-requisitos para nossa justificação.
Para ver os efeitos da ressurreição de Jesus, comecemos a partir de Romanos 4:25. Lá se diz:
“O qual [Jesus Cristo] por nossos pecados foi entregue, e 
ressuscitou para nossa justificação”.

O fato de que você está agora justificado diante de Deus está baseado no fato de que Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos. Sem a ressurreição de Jesus não haveria justificação. Isso é simplesmente dessa forma. Podemos ver que ser justificado requer acreditar no Senhor Jesus Cristo e Sua ressurreição. Contudo, esta condição (acredite em Jesus Cristo e você se tornará justificado diante de Deus) tornou-se disponível porque Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos. E tudo isto por causa da ressurreição de Jesus. Sua ressurreição não é somente um fato histórico. Suas implicações continuam a ser as mesmas hoje como elas foram a 2.000 anos atrás.
A ressurreição de Jesus: pré-requisito para renascer.
Tendo visto que é por causa da ressurreição de Jesus que nós somos justificados depois de acreditar Nele, vamos até 1 Pedro 1:3. Lá se diz: “Bendito seja o Deus e o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”.
Deus nos regenerou para uma esperança viva. Hoje, quando se acredita em Jesus Cristo se é regenerado, nascido novamente. No entanto, veja que isto foi possível “através da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”. Se Jesus Cristo não tivesse ressuscitado dentre os mortos, então não poderíamos também renascer. Você pode provavelmente entender melhor os grandes efeitos da ressurreição de Jesus Cristo para milhões de pessoas que acreditaram, acreditam ou acreditarão em Jesus Cristo, quando você vir o resultado: cada um deles é – por causa da ressurreição de Jesus e da crença que eles têm Nele – renascido, um filho ou uma filha de Deus.
A ressurreição de Jesus: nós fomos ressuscitados com Ele!
Para ver outro dos efeitos da ressurreição de Jesus vamos até Efésios 2. 4-7 Lá ele diz: “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar nos lugares em Cristo Jesus.”
De acordo com esta passagem, quando Deus ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos, nós também ressuscitamos com ele. Quando Jesus Cristo se tornou vivo, nós também nos tornamos vivos com ele. Quando Jesus Cristo sentou-se nos lugares celestiais, nós também nos sentamos com ele. Isto ainda não foi materializado. Mas o será, quando Jesus Cristo voltar. Contudo, veja que do ponto de vista de Deus, é algo que foi completado quando ele ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos. Isso é o que todos estes “juntamente” significam. Se Jesus não tivesse ressuscitado dentre os mortos nada disto teria acontecido. Mas Jesus Cristo foi com efeito ressuscitado dentre os mortos! E por causa deste acontecimento, nós também somos considerados como que ressuscitados dentre os mortos, como vivos e assentados nos lugares celestiais. Esses são alguns dos efeitos tremendos da ressurreição de Jesus.
CONCLUSÃO; A Ressurreição é a vitória triunfante e gloriosa para todo o crente em Jesus Cristo, pois Ele morreu, foi enterrado e ressuscitou no terceiro dia de acordo com as Escrituras. E Ele voltará! Os mortos em Cristo vão ser ressuscitados, e aqueles que permanecem vivos na Sua vinda vão ser transformados e receber corpos novos e glorificados (1 Tessalonicenses 4:13-18). Por que a ressurreição de Cristo é tão importante? Por ter demonstrado que Deus aceitou o sacrifício de Jesus a nosso favor. Ela prova que Deus tem o poder de nos ressuscitar dos mortos. Ela garante que aqueles que acreditam em Cristo não vão permanecer mortos, mas serão ressuscitados à vida eterna. Essa é a nossa abençoada esperança.

Por causa da ressurreição de Jesus, podemos ter fé, esperança e salvação do pecado.  Porque Jesus conquistou a morte, podemos aguardar uma vitória eterna sobre a prisão da cova (cf. 1 Coríntios 15).  Com este milagre Deus oferece a maior prova da Sua existência, de Seu poder, de Sua pureza e de Seu amor.  Tudo o que é bom em Deus é resumido na força desta declaração:  Jesus ressuscitou!  Todas as nossas esperanças na eternidade estão contidas nesta simples expressão de triunfo.
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Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)

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BIBLIOGRAFIA
Adaylton de Almeida Conceição - O Mistério de Cristo
Adaylton de Almeida Conceição - Cristologia
N. T. Wright - As Origens Cristãs e a Ressurreição de Jesus
Felipe Aquino - A Ressurreição de Jesus
Dennis Allan - Jesus Ressuscitou
Adriana Dias Lopes - Ressureição: o grande dogma do cristianismo
Anastasios Kioulachoglou - Sobre a Ressurreição de Jesus

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A MORTE DE JESUS

INTRODUÇÃO– A crucificação foi um método de execução cruel utilizado na Antiguidade e comum tanto em Roma quanto em Cartago. Abolido no século IV, por Constantino, consistia em torturar o condenado e obrigá-lo a levar até o local do suplício a barra horizontal da cruz, onde já se encontrava a parte vertical cravada no chão.
Uma vez posto na cruz, de braços abertos, o condenado era amarrado e pregado na madeira pelos pulsos e pelos pés e morria, depois de horas de exaustão. A morte ocorria por parada cardíaca ou asfixia, pois a cabeça pendida sobre o peito dificultava a respiração.
Acredita-se que a crucificação foi criada na Pérsia, sendo trazido no tempo de Alexandre para o Ocidente, sendo então copiado dos cartagineses pelos romanos. Neste ato combinavam-se os elementos de vergonha e tortura, e por isso o processo de crucificação era olhado com profundo horror.
Jesus Cristo na cruz
A crucificação é geralmente associada a Jesus Cristo que, segundo as escrituras, foi morto desta forma.
A CRUCIFICAÇÃO DE JESUS
O mundo foi comovido com o filme “PAIXÃO DE CRISTO”, que se propõe a narrar as ultimas 12 horas de vida de Jesus, apresentando de forma fotográfica, o tremendo sofrimento físico pelo que passou o Filho de Deus. Apesar da forma vívida e cruel que o Diretor conseguiu passar para a audiência, concernente ao sofrimento de Jesus, a nós, como cristãos evangélicos, nos preocupa ao pensar que o mundo ficará apenas com a imagem de um Cristo impotente, sofredor, moribundo... morto. Nisso vemos a grande diferencia entre o Cristo da história e o Cristo das Escrituras. Pois o Cristo das Escrituras não é um Cristo para ser chorado, lamentado e que transmite tristeza. O Cristo das Escrituras é muito mais que um Cristo cuja história se pode resumir em 12 horas. O Cristo das Escrituras é tão amplo, tão abrangente, sua história é tão extensa que é impossível compacta-lo ou resumi-lo em 12 horas de história.
A MORTE DE JESUS
Na Escritura a morte de Cristo se revela como um sacrifício pelos pecados de todo o mundo. João Batista apresentou a Jesus com as palavras: “eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1.29). Jesus, na sua morte, foi o substituto morrendo no lugar de todos os homens. Por meio da sua morte, os juízos justos e incomensuráveis de Deus contra o pecador foram levados por Cristo. O Salvador já levou os juízos divinos contra o pecador para plena satisfação de Deus.
No tempo do Antigo Testamento se requeria nada mais que o sacrifício de um animal pararemeter (literalmente “tolerar”, “ passar por alto” Romanos 3.25), e o ato de dissimular (literalmente “ passar por altos sem castigo”, Atos 17.30) dos pecados, Deus estava, apesar disso, atuando em perfeita justiça al fazer este requerimento, visto que Ele olhava para a manifestação de seu Cordeiro, o qual viria não apenas a passar por alto ou cobrir o pecado, mas tira-lo de uma vez para sempre (João 1.29).
Jesus é o dom gratuito do Pai
Sendo de condição divina, Jesus Cristo fez-se totalmente humano, esvaziou-se da condição divina para viver conosco (Fl 2,6-8). Deus revela-se como Deus muito humano. Nada do que é humano é indiferente a Deus. A grande Revelação de Deus é a humanidade. A humanidade de Jesus marca definitivamente a abertura e o acesso à vida de Deus. Agora, o encontro com Deus se dá não necessariamente no Templo, mas em Jesus Cristo. “Ninguém vai ao Pai senão por mim”, diz Jesus (Jo 14,6). Deus se faz carne e vem habitar entre nós. Jesus Cristo se faz humano e servidor, manifestação da graça de Deus.
A CONDENAÇÃO E MORTE DE JESUS
A oração de Jesus
Na oração de Jesus no monte das Oliveiras, Jesus fala com o Pai. Percebe-se na oração de Jesus, primeiro, a experiência primitiva do medo, depois a turvação diante do poder da morte e, também, o pavor perante o abismo do nada, que o faz tremer, ou melhor, suar gotas de sangue (cf. Lc 22,44). Aquele que é vida sente advir sobre si todo o poder de destruição. Em Jesus vê-se o duelo entre luz e trevas, vida e morte. Manifesta-se não apenas uma angústia, mas o verdadeiro.
Assim, a oração “não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22,44) é verdadeiramente uma oração do Filho ao Pai, na qual a vontade humana natural foi totalmente arrastada para dentro do eu do Filho, cuja essência se exprime precisamente no “não Eu, mas no Tu”, no abandono total do Eu ao Tu de Deus Pai. Mas este “Eu” acolheu em Si a oposição da humanidade e transformou-a, de tal modo que, agora, na obediência do Filho, estamos presentes todos nós, somos todos arrastados para dentro da condição de filhos drama da escolha que caracteriza a vida humana.
CRISTO: “MARTIR OU VICARIO?”
Por que Cristo morreu? Essa tem sido uma das perguntas que mais tem comovido os corações durante toda a história do cristianismo. Esta pergunta bem respondida nos leva ao interior do recinto da fé cristã. Uma frase muito usada entre nós é: “Mártir do Gólgota”. Porém se não vemos no Gólgota mais que um mártir, nos desviamos muito da verdade. Muitos morreram vítimas da inimizade para com suas crenças. A cruz levantada no Calvário não é a única cruz que tem dado testemunho da fidelidade às crenças religiosas. Outras pessoas sofreram penas físicas mais cruéis que Cristo, e não cremos que os merecimentos delas apagam o pecado de seus semelhantes. Se Cristo não é mais que um mártir, será apenas um entre muitos mártires, e igual aos outros. Fazia falta mais que um mártir. Fazia falta uma base firme sobre a qual descansasse a oferta da misericórdia de Deus, para que ele fosse justo e o justificador do crente. Isto só se encontrava no substituto. O inocente teria que morrer para que o culpado escapasse.
A IMPORTANCIA DA MORTE DE CRISTO
Este é o assunto mais importante de toda a Bíblia. A morte de Cristo. Esta é a doutrina central da Bíblia. O derramamento de sangue para a remissão de pecados é o grande tema do Livro de Deus, tema do qual nascem todos os outros temas, e sem o qual a Bíblia se converteria num livro comum.
A morte de Cristo sempre foi o tema sobre o qual os apóstolos baseavam suas pregações e ensinos. Foi sobre a morte de Cristo que Pedro pregou no dia de Pentecostes e o resultado foi a conversão de três mil pessoas.
Em 1 Coríntios 1.17,18, Paulo diz com clareza e de forma enfática, qual devia ser o tema de suas pregações. Ele devia pregar a Cristo, porém a Cristo crucificado;o tema principal de sua pregação tinha que ser a crucificação de Cristo,e não suas pregações, nem seus milagres; ele cria que seu dever não era o de distrair a mente de seus ouvintes tratando outra coisa que não fosse esse grande e bendito acontecimento; tinha que falar da morte de Cristo, sem ocupar a atenção de seu auditório com vãs especulações. O apóstolo estava em condições de falar eloquentemente sobre qualquer outro assunto,; porém cria que não tinha sido enviado para isso, mas apenas a pregar a cruz de Cristo, que é poder de Deus e salvação para todo aquele que crer.
A morte redentora de Jesus cumpre em particular a profecia do Servo Sofredor. Jesus mesmo apresentou o sentido de sua vida e de sua morte à luz do Servo Sofredor. Após a sua Ressurreição, ele deu esta interpretação das Escrituras aos discípulos de Emaús, e depois aos próprios apóstolos.
AS IMPLICAÇÕES DA MORTE DE CRISTO
Ao considerar o valor total da morte de Cristo devem diferenciar-se alguns fatores
1. A morte de Cristo nos dá segurança do amor de Deus para com o pecador (João 3.16). “Mas Deus prova seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8). “Nisto se manifestou a caridade de Deus para conosco; que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. Nisto está a caridade, não em que nós tenhamos amada a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” ( I João 4.9,10).
2. A morte de Cristo é uma redenção ou resgate pago às exigências santas de Deus para o pecador e para libertar o pecador das justa condenação. É interessante notar que a palavra “por” significa “no lugar de”, ou”a favor de”, e é usada em cada passagem do Novo Testamento onde se menciona a morte de Cristo como um resgate“Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos (Mateus 20.28); “O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo” ( 1 Timóteo 2.6). A morte de Cristo foi um castigo necessário o qual ele levou pelo pecador. “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” (Romanos 4.25). “O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai” ( Gálatas 1.4).
3. A morte de Cristo está representada como um ato de obediência à lei que os pecadores quebrantaram. A palavra grega “hilasterion” se usa para o “ propiciatório” (Hebreus 9.5), o qual era a tampa da arca. No Dia da Expiação (Levíticos 16.14) o propiciatório era aspergido com sangue desde o altar e isto mudava o lugar do juízo em um lugar de misericórdia (Hebreus 9.11-15). Da mesma forma, o trono de Deus se converte em trono de graça (Hebreus 4.14-16) através da propiciação da morte de Cristo. Isso quer dizer que Cristo ao morrer na cruz, satisfez completamente todas as exigências de Deus relacionadas com o juízo para o pecado da humanidade.
4. A morte de Cristo na cruz satisfez, não só a um Deus Santo, mas proveu as bases por meio das quais o mundo foi reconciliado para com Deus. A palavra grega, “katallasso”, que significa “reconciliar“, tem em si o pensamento de trazer a Deus e o homem juntos por meio de uma mudança radical no homem. “Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pelo morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados,seremos salvos pela sua vida” (Romanos 5.10).
AS PROFECIA E A MORTE DE CRISTO
As profecias cobra uma importância vital na história da instituição e desenvolvimento do cristianismo, servindo de magnífico argumento a favor da divindade da religião cristã.
Os profetas predisseram acontecimentos e fatos, relacionados com a vida e missão de Cristo, que a mente humana estava impossibilitada de antecipar.
Aqui, ao falar sobre as profecias a respeito de Jesus, quero deixar evidente o seu fiel cumprimento nos mínimos detalhes, que vão desde seu nascimento à promessa de sua segunda vinda,concluindo com o seu reino eterno.
Vejamos algumas profecias que falam sobre o Senhor Jesus Cristo:
1. Seria vendido por trinta peças de prata. (Zacarias 11.12) “E eu disse-lhes: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o que me é devido, e, se não, deixai-o E pesaram o meu salário, trinta moedas de prata”. Cumprida em Mateus 26.14-16 “ Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os principais dos sacerdotes, e disse: Que me quereis dar e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata. E desde então buscava oportunidade para o entregar”. Veja também Mateus 27.9; Marcos 14.10, 11; Lucas 22.4-6.
2. Seria abandonado por seus discípulos. (Zacarias 13.6,7) .”E se alguém lhe disser: Que feridas são essas nas tuas mãos: Dirá ele: São as feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos. Ó espada, ergue-te contra o meu Pastor e contra o varão que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos: fere o Pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas; mas volverei a minha mão para os pequenos”. Cumprida em Marcos 14.50 “Então, deixando-o, todos fugiram”. Veja também Mateus 26.31,56; Marcos 14.17; João 16.32.
3. Permaneceria mudo diante de seus acusadores. (Isaías 53.7)”Ele foi oprimido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca”Cumpridas em Mateus 26.62.63.
E, levantando-se o sumo sacerdote disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti? E Jesus, porém, guardava silêncio.”
4. Lhe daria vinagre para beber. (Salmo 69.21)Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre”. Cumprida em Mateus 27;.34) “Deram-lhe a beber vinho misturado com fel: mas ele, provando-o, não quis beber” Veja também Marcos 15.23;26; Lucas 23.35-37; João 19.28-3-.
5. Não lhe quebraria nenhum osso. (Salmo 34.20) “Ele lhe guardo todos os seus ossos; nem sequer um deles se quebra”. Cumprida em João 19.32 “Foram pois os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que com ele foram crucificado; mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas”.
Podemos ver muitas outras profecias sobre Jesus, como que:
Seria acusado por falsas testemunhas (Salmo 27.12) , cumprida em Mateus 26.59-62; Seria esbofeteado, insultado e cuspido (Salmo 35.15.16), cumprido em Mateus 26.67.marcos 14.65; Seria açoitado (Isaías 50.6), cumprida em Lucas 22.64; Seria abandonado por Deus (Salmo 22.1), cumprida em Mateus 27.46; Marcos 15.34; Seria sepultado com os ricos (Isaías 53.12), cumprida em Mateus 27.57-60.
Muitas outras profecias se cumpriram na vida de Cristo, o que confirma sua veracidade e que verdadeiramente foram inspiradas por Deus.

O DECRETO E A NECESSIDADE DA MORTE DE CRISTO
Cristo veio ao mundo para revelar o Pai, para interpretar a lei, para dar exemplo de obediência, abnegação e amor; porém de um modo muito especial, veio a dar sua vida à morte em acatamento da vontade divina e para o bem de muitos. A cruz foio objetivo de sua vinda, a necessidade de seu nascimento..
Se no fim de sua carreira terrena não houvesse estadona cruz, como prova do amor de Deus e sinal de reconciliação, Jesus não teria tido motivo para nascer e viver entre os homens. Porque Cristo nasceu com a finalidade de morrer; e na verdade, começou a sofrer no dia em que nasceu.
Paulo disse que Jesus veio ao mundo para salvar aos pecadores, e para que essa salvação fosse possível, era necessário, de todo ponto de vista, sua morte na cruz.
O principal propósito de sua vida não era pregar, não era operar milagres, não era dar conselhos, mas morrer paras oferecer seu sangue como preço de resgate pelos pecados do mundo.
O teólogo Strong diz que: “O cristianismo é tão antigo quanto a criação. Na verdade, antecede à criação porque Cristo é o Cordeiro imolado desde antes da fundação do mundo. A revelação de Deus que culminou na cruz, começou no Éden. O principio de seu sacrifício final sempre esteve em processo; em todas as aflições de seu povo, ele foi aflito. Ele sofreu pelo pecado antes de nascer na Palestina”.
Toda a economia do Antigo Testamento, com seus tipos e sacrifícios, com suas ordenanças e cerimonial, indicava a ,morte de Cristo;porem a morte de Cristo não se originou no Antigo Testamento, não é uma doutrina revelada pelos patriarcas e profetas, mas algo decretado por Deus antes de que as coisas existissem. De certa forma, a salvação já estava preparada desde antes da fundação do mundo de Gênesis 1.1.
Falando sobre a morte de Cristo, em Atos 2.33, Pedro diz o seguinte: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos” e em sua primeira Epístola universal esclarece e fortalece esta palavra. Dizendo: “Mas com precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” ( I Pedro 1.19, 20).
Com estas palavras, Pedro apresenta a doutrina da origem da morte de Cristo na mente de Deus antes que o mundo existisse, e fala de sua culminação histórica na cruz, na Judéia.
SIGNIFICADO E OS RESULTADOS DA MORTE DE CRISTO
Um dos significados mais profundos da morte de Cristo é o do “RESGATE”.
RESGATE. Nas Escrituras, tanto do Antigo como do Novo Testamento, estão cheias da ideia do resgate, palavra que biblicamente é sinônimo de redenção e que etimologicamente tem o significado de; “Resgate – de res, prefixo, e o latim captare; colher, tomar; recobrar por preço o que o inimigo roubou; recobrar qualquer coisa que passou a mãos alheia”. Sabemos que o resgate de escravos e prisioneiros era uma coisa muito comum na antiguidade.
Demóstenes diz em sua obra: “A lei manda que o que é resgatado do inimigo seja de propriedade daquele que o resgatou, a menos que possa pagar o preço do resgate”. Cremos que esse era o sentimento de Paulo quando escreveu 1 Coríntios 6.20.”Porque fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”.
Paulo escreveu a Timóteo:”O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo” ( I Timóteo 2.16). Em colossenses 1.14, lemos: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber. a remissão dos pecados”.
Estas passagens falam sobre o resgate que foi efetuado por Cristo para livrar o homem do poder e da condenação do pecado.
Hoje, quando contemplamos os milhões de vidas que foram transformadas pelo poder de Cristo, que foi evidenciado em sua morte na cruz e sua ressurreição dentre os mortos, nos gloriamos e somos fortalecidos para proclamar essa grande verdade.
Reconhecemos que os resultados iniciais da morte de Cristo não foram nada animadores.
1. O primeiro resultado foi de tristeza, consternação dos seus discípulos. Eles não estavam preparados para algo tão chocante. Por outro lado, suas idéias messiânicas, muito ajustadas à letra das predições, não lhes permitia pensar em coisa semelhante acontecesse por não terem a idéia de que todo esse sofrimento era necessário ao Cristo. Ao contrario de tudo isso,para eles um Cristo crucificado eram escândalo e um contrassenso. Quanto maior era sua fé em que Jesus era o Cristo, mais lhes confundia a noticia de que o Messias tivesse de morrer. Certamente milhares de perguntas afluíam a suas cabeças...
Não, eles não estavam preparados para entender a bendita teologia da cruz – que era algo próprio do Filho de Deus o humilhar-se e tornar-se obediente até a morte e morte de cruz.
Em Lucas 24.13-35 temos a historia dos discípulos que iam no caminho de Emaús. O versículo 17 retrata o sentimento de todos os discípulos de tristeza e desilusão; haviam perdido as esperanças, apesar das palavras do Mestres. Havia nos discípulos um sentimento de solidão, abandono, vazio...
Por outro lado, o ódio dos fariseus, dos saduceus, dos sacerdotes e escribas, agora se converte em alegria, porque pensavam que com a morte de Cristo, aquele assunto estaria terminado para sempre, e que não haveria mais pregação sobre aquela doutrina, nem haveria mais discípulos. Criam que agora podiam dormir tranquilos.
Cristo, como o Filho do Homem, o Cordeiro de Deus, sofreu na cruz pelos homens. Ofereceu-se a si mesmo como um sacrifício; morreu por nossos pecados.Morreu como representante do homem (Veja Hebreus 9.12; Mateus 20.28; I Pedro 1.19; Tito 2.14; 2 Coríntios 5.15, 21; Gálatas 3.13).
JESUS ENSINOU COMO CELEBRAR A SUA MORTE
Praticamente todas as pessoas que se consideram seguidores de Cristo já participaram de um ato para lembrar da morte de Jesus na cruz. As palavras usadas para identificar esse ato variam de uma tradição religiosa para outra, mas a prática em si quase sempre tem suas raízes na Ceia que Jesus celebrou com seus apóstolos na noite antes de sua crucificação.
Encontramos quatro relatos no Novo Testamento da instituição por Jesus da Ceia como maneira de lembrar a sua morte. Três dos quatro relatos do evangelho incluem a Ceia (Mateus 26:26-29; Marcos 14:22-25; Lucas 22:19-20), e Paulo descreve a mesma Ceia em 1 Coríntios 11:23-26.
É importante observar que não são relatos de momentos diferentes, mas quatro relatos da mesma Ceia.
O propósito da Ceia foi definido por Jesus. Ele disse: “fazei isto em memória de mim” (Lucas 22:19). A Ceia é um memorial no qual lembramos a morte de Jesus na cruz. Paulo disse: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Coríntios 11:26).
Uma coisa tão simples, mas de profundo significado. Quando os cristãos participam da Ceia do Senhor, é momento para refletir sobre a morte de Jesus e o resgate do pecado que ele nos oferece pelo seu sangue. Devemos participar com reverência e seriedade, pois a Ceia serve para nos lembrar do sacrifício feito para nos salvar!
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Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)
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Facebook:Adayl Manancial

BIBLIOGRAFIA
Adaylton de Almeida Conceição – O Mistério de Cristo
Adaylton de Almeida Conceição – Cristo: Mártir ou Vicário?
André Sanchez - 4 importantes lições de Jesus Cristo sobre a morte
Michel Goulart - 20 fatos sobre a morte de Jesus C. na cruz
Dennis Allan - Jesus Ensinou como Celebrar a sua Morte
Paulo César Nodari - O sentido da condenação e morte de Jesus