sexta-feira, 24 de abril de 2015

A CAUSA DO ESGOTAMENTO ESPIRITUAL DE MUITOS "CRENTES"

FALTA DE PERDÃO ACABA COM A PESSOA

"Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados" (Lucas 6:37).

Um dos maiores problemas da pessoa esgotada espiritualmente é a falta de perdão. Em geral, essa incapacidade de perdoar degenera em ressentimento e amargura de raízes profundas. A pessoa espiritualmente exaurida é a que se desapontou em todas as áreas da vida, e de modo especial no relacionamento com as demais pessoas. Todas as esperanças alimentadas pela pessoa exausta no espírito, esperanças de poder caminhar com Deus, abrangiam, de certa maneira, outros cristãos. E assim, ao longo da vida, o crente que se queimou foi erigido coluna que ostentam os nomes que falharam que não conseguiram manter-se à altura de suas expectativas. No inicio das manifestações da queima espiritual ocorre usualmente, amargas confrontações com outros crentes. Às vezes achamos que conseguimos suportar os pagãos que nos ferem com mais facilidade do que suportamos os irmãos em Cristo. Davi explicou a dupla mágoa produzida pela traição de um irmão: Com efeito, não é inimigo que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem é o que me odeia quem se exalta contra mim, pois dele eu me esconderia; mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu íntimo amigo. Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus. Salmos 55:12-14.
Um dos principais passos na direção da volta ao vigor e à força espiritual é perdoar a todos quantos fizeram parte de nossas mágoas nesta vida. Perdoe a todos quantos o abandonaram, os que se esquivaram quando você mais precisou deles. Perdoe os mexeriqueiros mediante os quais levaram as notícias de sua ruína e de seus problemas que chegaram aos ouvidos de todos. E perdoe às pessoas que você julgou serem gigantes espirituais, mas provaram ter pés de barro e uma porção de fraquezas, exatamente como as demais pessoas. Estamos vivendo em uma época rodeados de fariseus. Contudo não desprezemos os fariseus. A pessoa que despreza o fariseu torna-se fariseu também! Embora os houvesse enfrentado tantas vezes, Jesus nunca alimentou quaisquer ressentimentos contra eles. Ele chorou por causa das pessoas religiosas de Jerusalém. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Mateus 23:37.
Todos nós aqui nesta manhã, sabemos que o perdão custa caro. Aprendemos que o perdão é gratuito para a pessoa que o recebe, mas custa muito caro para a pessoa que o concede. A pessoa que perdoa precisa absorver o custo e deixar o ofensor passar impune. Por exemplo, Paulo disse que os cristãos não devem levar outros crentes à corte porque é mau testemunho diante das pessoas do mundo. Depois ele acrescenta: O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? 1 Coríntios 6:7. Perdoar alguém que o enganou, expulsando-o da herança que tinha direito é custoso para você, mas é melhor do que ir à corte diante dos incrédulos. Paulo está nos dizendo que devemos "aceitar o golpe" em favor de nosso irmão, que ele fique com a nossa herança e siga livre! Isso não é barato! Precisamos compreender que o perdão requer nossa morte, compreendida na forma e nos moldes específicos da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Colossenses 3:3.
Suponha que o marido cometa adultério e depois peça o perdão da esposa. Ela resolve perdoá-lo. Mas isso custa muito para ela; ela precisa suportar no coração a dor da rejeição, da traição e da perda pessoal. Mas ela diz que se dispõe a isso pelo bem do marido e do relacionamento. Se ela fizesse o que tinha vontade, o expulsaria de casa e lhe diria que ele nunca mais seria bem-vindo. Mas ela vence essas emoções e escolhe a rota dolorida do perdão, o primeiro passo rumo à reconciliação. Isso é "morte" como a de Cristo. Mentem a seu respeito e a pessoa responsável finalmente vem pedindo seu perdão. Você o concede com bondade, mas ainda precisa arcar com o custo. Os rumores têm vida própria e sua reputação continua maculada. Você nunca vai conseguir reverter todos os danos, mas deixou o ofensor seguir sem pagar. Se Deus pagou nosso débito com grande perda pessoal, o que nos faz pensar que podemos pagar o débito de alguém, sem aceitar as perdas? É claro que temos muito mais a ganhar com o perdão do que perder, mas perdoar é estar disposto a fazer algo difícil. É livrar uma pessoa que não merece. C. S. Lewis expressa bem está questão: "Perdão é uma linda palavra, até você ter algo a perdoar". Nossa capacidade de perdoar baseia-se no perdão divino. O motivo pelo qual podemos perdoar muito é porque Deus nos perdoou muito. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Efésios 4:32.
Não importa o mal que fizeram contra você, não é tão grande quanto os males que fizemos a Deus. Se a grandeza do pecado é determinada pela grandeza do ser contra qual é cometido, nossos pecados são realmente grandes. Muitas vezes oramos: "Ó Deus, faça-me como tu és"; ou seja, queremos ser mais parecidos com Deus. Depois reclamamos quando ele nos dá oportunidade de conceder perdão. O perdão é um curso necessário em nosso currículo, pois provê a oportunidade de sermos como o Pai no céu, aquele que faz o bem mesmo aos maus. O perdão não é uma emoção. É uma escolha a fazer; podemos perdoar mesmo que não tenhamos vontade. Se você esperar até sentir-se disposto, não vai perdoar. Precisamos escolher contra esses sentimentos de amargura que gostariam de controlar nossa atitude e comportamento. Deus optou pelo perdão, e é o que também devemos fazer. Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa do seu nome. 1 João 2:12.
O ato perdoador deve motivar-nos a conceder graça e misericórdia a todos os que têm magoado e ofendido. A ressurreição de Jesus mudou para sempre todos os nossos relacionamentos, não apenas com Deus, mas com todas as pessoas com quem convivemos ao longo desta vida. Por outro lado, quando não perdoamos a alguém, estamos efetivamente aprisionando essa pessoa em nossa mente. O malfeitor ficará trancado para sempre, como pessoa que agiu mal. À semelhança da imagem de vídeo que "congelou", ou seja, que foi paralisada a fim de mostrar a jogada de certo atleta, assim também o indivíduo que odeia "congela" ou paralisa o objeto de ódio em sua mente. O fato notável é que a insistência na falta de perdão contra um indivíduo traz tormento para a vida daquele que não perdoa. Tornamo-nos escravos da pessoa a quem odiamos. Todos os nossos pensamentos obscurecem-se diante do pensamento de tal pessoa, cuja sombra fica voejando continuamente sobre nossa vida. A vida se nos torna amarga, o ódio ferve logo abaixo da superfície, pronto para agredir qualquer pessoa que vier a fazer alguma coisa que nos desagrade. Quando não perdoamos, ficamos para sempre presos no momento passado e, a cada vez que lembramos, sofremos de novo. É como estar preso numa armadilha que nós mesmos criamos. Guardar mágoa de alguém é como tomar veneno, esperando que o inimigo morra. Por que haveis de ainda ser feridos, visto que continuais em rebeldia? Toda a cabeça está doente, e todo o coração, enfermo. Isaías 1:5.
Quando não perdoamos aqueles que nos causaram mal, é como uma grande montanha que nós colocamos em nosso caminho e, por isso, não conseguimos seguir em frente. Se acrescentarmos à raiva, a mágoa, o ódio ou o ressentimento, teremos mordaças e correntes que prendem e machucam. Memórias tristes doem, mas a falta de perdão é um profundo mergulho no sofrimento, no qual um fato pode ser reproduzido mil vezes em nossa mente, repetindo sem parar uma dor, como um disco arranhado que não sai do lugar. A amargura injeta veneno em nossa corrente sanguínea, que perturba seriamente nossa saúde emocional e física, provocando um verdadeiro esgotamento espiritual. A pessoa que não perdoa fere-se muito mais do que a que não foi perdoada. Somente uma pessoa que foi incluída no sacrifício do Senhor Jesus e igualmente ressuscitada juntamente com Ele, tem a capacidade de perdoar aqueles que o feriram. A partir do momento quando cremos no sacrifício de Cristo é que somos libertos do poder das trevas e das cadeias invisíveis que nos aprisionavam. Tirou-os das trevas e das sombras da morte e lhes despedaçou as cadeias. Salmos 107:14.
O crente que não perdoa precisa encarar o fato de que os pecados da pessoa que contra ele pecou foram incluídos na obra de Jesus, em sua morte e ressurreição, até mesmo aqueles pecados que esse crente resolveu não perdoar. É honra para toda nova criatura, perdoar aos outros na base da obra de Cristo. Você e eu somos escravos cuja dívida incalculável foi perdoada, e que agora estendemos o mesmo perdão a uma pessoa que, comparativamente, nos feriu apenas de maneira trivial. É aqui meu irmãos que jaz nossa maior dificuldade em conceder perdão. Uma voz interna exige que alguém pague pelo malefício cometido. O ato do perdão parece contradizer todo o senso de justiça; as pessoas deviam pagar pelas coisas erradas que fizeram! Agora quando olhamos para a cruz e nos vemos crucificados com Cristo, a fé ouve Jesus dizer: "Eu já paguei, deixe essas pessoas irem livres!" Perdoar a alguém não é dizer que não havia dívida a ser paga, e tampouco significa que não houve sentimentos feridos. Perdoar é liberar o devedor da dívida real que se lhe pesa, à luz do que Jesus fez. Estevão estava sendo apedrejado, condenado à morte, e seu último ato foi: Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu. Atos 7:60.
Quando Estevão estava dizendo ao Senhor para que este pecado não lhes fosse imputado, em outras palavras, ele estava dizendo a Deus que não era para fixar este pecado neles, ou seja, não lances na conta deles. Se não se "fixou" nos assassinos, em quem se fixou então? Se esse pecado não lhes foi lançado na conta, foi lançado na conta de quem então? Estevão não encenava um gesto bonito, proclamando um desejo às portas da morte, que ficava bem num cristão. Ele estabelecia o fato legal ao reconhecer que o pecado, cometido naquele instante contra a sua pessoa, já fora lançado na conta de Jesus. Esse pecado se fixara em Cristo, na cruz, e havia sido declarado isento de culpa, em sua ressurreição. Tenhamos isso em mente que o exercício do perdão é a capacidade que Deus nos dá para perdoarmos todo aquele que nos machucou. E uma vez que perdoamos com o perdão de Deus, somos libertos da armadilha de uma memória, sentimento e pensamento infinitamente dolorosos. O perdão não é para o outro, que muitas vezes nem existe mais. O perdão é para nós mesmos, para nosso usufruto, para nossa vida. É tirar a mordaça que não deixa o grito sair e desvelar um mundo novo, que as vendas aplicadas sobre nossos olhos angustiados não permitem revelar. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; Colossenses 3:13. Amém! Bom dia, graça e paz queridos (as),
Fonte: https://www.facebook.com/claudioamorandi/posts/943216715710395

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