quinta-feira, 30 de abril de 2015

NOVA VIDA PELO NOVO NASCIMENTO

        "A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo". João 3:3,7.
       O Novo Nascimento não é uma mera mudança exterior, não é uma simples mudança de vida, nem esforçar-se para ter uma vida melhor. O Novo Nascimento é a linha divisória entre o Céu e o inferno. Aos olhos de Deus há somente dois tipos de pessoas nesta terra: aquelas que estão mortas em pecados e aquelas que andam em novidade de vida, ou seja, renascidas em Cristo. No âmbito físico, não há um estado entre a vida e a morte. Um homem ou está morto ou está vivo. O Novo Nascimento é um milagre realizado em nós, sobre o qual podemos estar pessoalmente conscientes. É uma maravilha interna e eterna. "Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis". Ezequiel 36:26-27.
    Ou somos santos ou pecadores, espiritualmente vivos ou espiritualmente mortos, filhos de Deus ou filhos do diabo. Em vista deste fato solene, quão significativa é a pergunta: Eu já cri em meu Novo Nascimento em Cristo? Se a resposta é não, e se você morrer nesta condição desejará nunca haver nascido. "Os perversos serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus". Salmos 9:17.
     Muitos pensam que o Novo Nascimento é ser batizado, ou ser membro da igreja (Local), ou líder, ou elogiado! Mas isso não é o Novo Nascimento. Se não houver certeza evite evasivas, mas peça ao Senhor que lhe dê a certeza do Novo Nascimento. “Todo o que pede recebe”. O Senhor Jesus Cristo apresenta muitos obreiros sensacionais que naquele dia serão condenados por não terem nascido de novo. "Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade". Mateus 7:22-23.
     Na época do Novo Testamento havia um grupo de líderes religiosos que impunham sobre os outros o peso de seus compromissos religiosos até a última grama. Tinham mais burocracia do que podemos imaginar. Esses líderes religiosos eram os fariseus, boas pessoas em muitos aspectos, mas especialistas no uso incorreto das Leis do Antigo Testamento, considerando-as mais um conjunto de regras complicadas, que meios para o conhecimento da Graça de Deus. Não é de admirar que Jesus dissesse algo pesado sobre eles em Mateus 23:4: "Atam fardos pesados [e difíceis de carregar] e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los".
       Podemos verificar claramente que eles gostavam de amarrar a religião às costas das pessoas para vê-las se contorcer. O interessante é que embora eles tivessem regras, não tinham realidade; embora fossem admirados como boas pessoas, não tinham Deus. Não importa o quanto eles fossem piedosos, por dentro estavam apodrecendo. Na verdade, embora não soubessem, sua religião era mais um impedimento que uma ajuda, pois eles buscavam a glória de serem vistos pelos homens. "Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos pelos homens". Mateus 23:5a.
     A partir da queda, A Palavra de Deus compara o ser humano com a serpente e a víbora. Infelizmente não nos compara com um passarinho, ou carneirinho, ou qualquer animal benigno, mas sim com a espécie mais horrível e execrável de toda a criação. "Desviam-se os ímpios desde a sua concepção; nascem e já se desencaminham, proferindo mentiras. Têm peçonha semelhante à peçonha da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos". Salmos 58:3-4.
       Eu ficaria muito triste se alguém pensasse que o Evangelho diz aos homens: “Sim, Deus é amor, e porque Deus é amor, Ele perdoa você em Jesus Cristo. Muito bem, por causa disso, vira-se uma nova folha e se começa a viver uma nova vida”. Isso seria para mim uma negação do Evangelho. Não, O Evangelho não simplesmente perdoa você e insta com você a voltar e viver uma vida melhor. Ele te dá uma Nova Vida. Ele propõe fazer-nos filhos de Deus, e nos tornar co-participantes da natureza divina. Sua mensagem é que Deus vem habitar em nós. Você não está entregue a si mesmo, você não está sendo enviado novamente à tarefa de tentar melhorar a si mesmo. Deus dá a você uma Nova Vida, um novo começo, um novo princípio. Você se torna um novo homem, e se verá num novo mundo, com um novo poder e uma nova esperança. "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas". 2 Coríntios 5:17.
      Por mais que seu passado seja manchado, por mais que seu presente seja confuso, por mais que seu futuro pareça sem esperança, há uma saída. Há uma saída certa, segura e duradoura, mas apenas uma! Jesus disse que é preciso renascer! Você pode recomeçar a vida nova e melhor que pediu. Pode se livrar do eu desprezado e pecador e se transformar em uma nova pessoa, em um ser puro e tranquilo, cujos pecados foram apagados. A Bíblia diz que Jesus ao morrer na cruz nos incluiu em seu corpo. "Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado". Romanos 6:6-7.
      A condição do pecador é esta: Não tem paz, vive cansado e oprimido, dependente de medicamentos para dormir, viciado em álcool ou drogas, a beira do suicídio, o casamento próximo da destruição, ou já destruído, é um adúltero, um impuro, idólatra, contencioso, invejoso, ciumento, maldizente, ladrão, injusto, roubador, vivendo em orgias. “Os piores encontram-se escondidos entre os bancos e púlpitos das igrejas (Locais), tendo aparência de santos, mas nunca foram libertos dos seus pecados”. Não seria o seu caso? Estar na igreja (Local) não significa estar no Reino de Deus. Conhecer as Escrituras sem o Novo Nascimento não garante a entrada no Reino de Deus. "Jesus respondeu a um escriba entendido em Bíblia: Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do Reino de Deus. E já ninguém mais ousava interrogá-lo". Marcos 12:34.
   Temos certeza que o Novo Nascimento é obra divina na experiência humana; Deus pode fazer isto em qualquer pessoa.               Você e eu precisamos morrer para o pecado. Pois não há outro processo de renascer senão pela morte. "Insensato! O que tu semeias não nasce se primeiro não morrer". 1 Coríntios 15:36.
     Assim sendo, Jesus nos fez morrer em seu corpo. Jesus ao ser levantando da terra, na cruz, nos atraiu no seu corpo e nos fez co-participantes da morte. "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim". João 12:32.
     Cada um de nós que cremos no Senhor, morremos em seu corpo. "Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que se um morreu por todos, LOGO TODOS MORRERAM". 2 Coríntios 5:14. Amém! Bom da para você.

Pr Claudio Morandi

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segunda-feira, 27 de abril de 2015

JESUS ESCOLHE SEUS DISCIPULOS

      Mateus 4.18.22 "18. E Jesus andando junto ao mar da Galiléia avistou dois irmãos, Simão chamado de Pedro e André o irmão dele, lançando a rede para dentro do mar, porque eram pescadores. 19. E falou para eles: venham atrás de mim e farei de vocês pescadores de homens. 20. Eles sem demora abandonaram as redes e o seguiram. 21. E adiante dali avistou outros dois irmãos, Tiago o de Zebedeu e o irmão dele, no barco com Zebedeu o pai deles concertando as redes deles, e os chamou. 22. Imediatamente abandonaram o barco e o pai deles e o seguiram.” Lendo o texto de Mateus 4.18-22 observamos que autor do evangelho de Mateus apresenta Jesus e seu ministério como realizações proféticas. Numa ruptura de assunto, o autor normalmente esta querendo dar ênfase a algo que ele considera importante. Isto acontece nesta passagem, pois o autor mostra as profecias se cumprindo, começa a anunciar a pregação de Jesus, de repente para o assunto, discorre sobre chamado dos primeiros discípulos e volta a falar de Jesus e seu ministério.

      No começo do seu ministério Jesus escolheu doze homens que o acompanhassem em suas viagens. Teriam esses homens uma importante responsabilidade: Continuariam a representá-lo depois de haver ele voltado para o céu. A reputação deles continuaria a influenciar a igreja muito depois de haverem morrido.

     A palavra "discípulo" aparece centenas de vezes no Novo Testamento, onde é usada para descrever os seguidores de Jesus com muito mais freqüência do que "cristão" ou "crente". Um discípulo é uma "pessoa que segue os ensinamentos de um mestre" (Dicionário da Bíblia Almeida).

O inicio do chamado ao discipulado.
   Teriam esses homens uma importante responsabilidade: Continuariam a representá-lo depois de haver ele voltado para o céu. A reputação deles continuaria a influenciar a igreja muito depois de haverem morrido. Por conseguinte, a seleção dos Doze foi de grande responsabilidade. “Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolo” (Lc 6.12-13). A maioria dos apóstolos era da região de Cafarnaum, desprezada pela sociedade judaica refinada por ser o centro de uma parte do estado judaico e conhecida, em realidade, como “Galiléia dos gentios”. O próprio Jesus disse: “Tu, Carfanaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno” (Mt 11.23). Não obstante, Jesus fez desses doze homens líderes vigorosos e porta-vozes capaz de transmitir com clareza a fé cristã. O sucesso que eles alcançaram dá testemunho do poder transformador do Senhorio de Jesus.

     Nenhum dos escritores dos Evangelhos deixou-nos traços físicos dos doze.Dão-nos, contudo, minúsculas pistas que nos ajudam a fazer "conjeturas razoáveis" sobre como pareciam e atuavam. Um fato importante que tem sido tradicionalmente menosprezado em incontáveis representações artísticas dos apóstolos é sua juventude. Se levarmos em conta que a maioria chegou a viver até ao terceiro e quarto quartéis do século e que João adentrou o segundo século, então eles devem ter sido não mais do que jovens quando aceitaram o chamado de Cristo.

   Apesar de Jesus ser Deus, não usou Sua divindade para selecionar Seus discípulos. Passou uma noite inteira em oração para que o Pai Lhe mostrasse quem deveria escolher. Jesus estava para dar início a um movimento que mudaria o mundo e, para isso, queria ter certeza de que escolheria as pessoas certas.

Como Jesus Define o Discípulo
      Três dos relatos do evangelho incluem as palavras desafiadoras do Cristo: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me" (Lucas 9:23; veja Mateus 16:24; Marcos 8:34). Encontramos aqui três elementos essenciais do verdadeiro discipulado, que apresentam desafios enormes: Negar a si mesmo. Enquanto o mundo e muitas religiões começam com o egoísmo do homem, Jesus exige a auto-negação. As igrejas dos homens convidam as pessoas a realizar seus sonhos de riqueza, felicidade sentimental e posições de honra, mas a mensagem do Senhor é outra. Ele pede que a pessoa negue os seus próprios desejos para fazer a vontade dele. Tomar a sua própria cruz. Jesus veio para oferecer a vida, mas o caminho para a vida passa pelo vale da morte. Não somente a morte do Cristo, mas a nossa também

O PRINCIPIO DO DISCIPULADO
     Em Mateus 28.19-20, está escrito: “Ide e fazei discípulos de todas as nações… ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado”. Jesus quer na sua igreja, não apenas crentes, mas discípulos. O que é um discípulo? Um aprendiz, um aluno praticante. O crente acredita. O discípulo crê e se compromete com o que foi ensinado.

      Jesus não inventou este conceito. A relação mestre-discípulo é o mais antigo método de formação profissional (e espiritual). Durante muito tempo, foi a única maneira de se aprender um ofício. No contexto bíblico, podemos citar alguns exemplos: Josué era discípulo de Moisés; Eliseu, discípulo de Elias; Geasi, discípulo de Eliseu. No tempo de Elias, havia muitos discípulos dos profetas.

     Na época de Jesus, esse tipo de relação era muito comum no âmbito religioso. João Batista e os fariseus também tinham seus seguidores (Mc 2.18).

O que é um discípulo?
      A palavra “discípulos” se refere a um “aprendiz” ou “seguidor”. A palavra “apóstolo” se refere a “alguém que é enviado”. Enquanto Jesus estava na terra, os doze eram chamados discípulos. Os 12 discípulos seguiram a Jesus Cristo, aprenderam com Ele, e foram treinados por Ele. Após a ressurreição e a ascensão de Jesus, Ele enviou os discípulos ao mundo (Mateus 28:18-20) para que fossem Suas testemunhas. Eles então passaram a ser conhecidos como os doze apóstolos. No entanto, mesmo quando Jesus ainda estava na terra, os termos discípulos e apóstolos eram de certa forma usados alternadamente, enquanto Jesus os treinava e enviava para pregarem. 

O Chamado
       Quando decidiu escolher seus discípulos, Jesus não foi para a porta do templo chamar os doutores da lei. Eles já eram comprometidos demais. Cristo foi à praia e chamou alguns pescadores. Depois, convocou um publicano, Mateus, e um “guerrilheiro”, Simão Zelote. Os escolhidos poderiam não ser os mais indicados segundo a lógica humana, mas, pelo poder de Deus, poderiam ser transformados. Assim acontece hoje. Jesus escolhe pessoas simples e até os rejeitados pela sociedade.

     O Mestre formou um grupo heterogêneo. Havia ali 12 pessoas diferentes entre si quanto ao temperamento, caráter, profissão etc. O relacionamento entre eles poderia ser difícil. É assim também na família e na igreja. Somos diferentes e é por isso que nos completamos.

      Os escolhidos foram: Pedro, Tiago Maior, João, Filipe, André, Mateus, Judas Tadeu, Tiago Menor, Simão, Judas Iscariotes, Tomé e Bartolomeu.

Temas teológicos
      O principal tema que a passagem do evangelho de Mateus quer mostrar é a importância de Jesus escolher discípulos para estarem com ele no inicio de seu ministério. Esta importância se reflete na formação de um grupo para poder realizar manifestações públicas. Noutra passagem mais a frente (Mt 18:20), Jesus vai dizer que onde estiver dois ou três reunidos em seu nome ali ele estará. O Apostolo Paulo falando sobre o ministério de falar em línguas desconhecidas (1Co 14:29), pede que um fale e dois ou três julguem. A passagem de Mateus e outras passagens mostram a importância de existir um grupo para realizar a obra de Deus.

      No entanto outros temas podem ser tirados como a questão do chamado de Jesus para as pessoas se tornarem seus discípulos. Primeiro, porque pode se achar que discípulos são somente considerados aqueles que receberam esse chamado diretamente de Jesus Cristo enquanto estava presente aqui na terra. Logo,ninguém mais poderia se considerar um discípulo de Cristo autenticamente, fora os doze que ele escolheu. Porém observando o significado da palavra, deixa claro que qualquer que seguir os ensinamentos de Jesus, podem se considerar seus discípulos. Isso não quer dizer que os discípulos atuais tenham a mesma autoridade dos primeiros, apenas que são seguidores dos ensinamentos de Cristo. A discussão sobre esse tema se estende, mas de momento isto serve de reflexão ao chamado de Cristo para seus discípulos.

Considerando a escolha dos doze.
       Quando consideramos a escolha dos doze, nos surge a pergunta: "Por que apenas doze se havia mais para ser escolhido - At. 1.21-22) Há alguma intencionalidade no numero "doze"? 
     Em resposta a estas perguntas estão as chaves para entender a importância do que Jesus estava fazendo.

     Inicialmente há uma clara intenção de limitar seu numero. Por outro lado, não se pode negar que o numero doze tem profundas raízes na historia de israel. O símbolo é óbvio para qualquer judeu. Sua origem está no numero dos filhos de Jacó dos que se derivam as doze tribos que constitui a totalidade de israel. Em Mateus e Lucas a referencia a Israel é explicita quando Jesus promete aos Doze que se sentarão sobre (doze) tronos para julgar às doze tribos de Israel. (at. 19.28; Lc. 22.30). 

O Grupo de Imaturos
        Este grupo de pessoas com que Jesus lidou estava mui longe da perfeição, quando Jesus iniciou sua obra junto deles. Mesmo ao contemplar sua obra, ainda eram imperfeitos. Eram – caracteres ideais apenas em embrião. Eram santos apenas em estágio de fabricação. Preenchiam muito bem um dos três re­quisitos que George A. Coe sugere para o ensino — a imaturi­dade. Assim tinham eles que caminhar muito e muito, com muita paciência, para se tornarem cristãos crescidos e maduros. Na longa estrada do aprendizado, experimentariam muitas de­cepções e desânimos. Somente alguém que tivesse uma alentadora visão do futuro, movido do infinito amor e paciência, e de persistente energia e perseverança, se aventuraria a tomar como alunos este grupo de pessoas e fazer deles o que o Mestre Jesus fez.

      Não é preciso vasculhar muito o Novo Testamento para se ver quão imaturos e imperfeitos eram aqueles que Jesus tomou como discípulos. João, que depois se tornou o discípulo amado, não sabia controlar seu gênio, e falhou muito quando se en­colerizou contra os descaridosos samaritanos, aos quais Jesus queria revelar seu amor e o amor de seus discípulos. Simão, a quem se daria o nome de Pedro (pedra), não demonstrou possuir aquela solidez e firmeza que tal nome sugeria, pois prometera a Jesus que estaria firme a seu lado ainda que os mais desertassem, e dentro de poucas horas não só negou a Jesus, jurando por três vezes que nem o conhecia, mas o negou com uma linguagem desusada e lamentável.

     Tomé mostrou-se tão duro e obstinado em não acreditar na ressurreição de Jesus que tal atitude exigiu esforços especiais do Mestre no sentido de lhe provar satisfatoriamente esse glo­rioso acontecimento. Judas, após vários anos de companheirismo e aprendizado com o Mestre, não progrediu tanto a ponto de sentir-se preparado para resistir à tentação de traí-lo por trinta moedas de prata! Os discípulos de Jesus sofriam a enfermidade de desenvolvimento retardado, quando não de perversidade progressiva.

A tarefa do Mestre com seus discípulos.
      Apanhar este pequeno grupo de indivíduos sem preparo e que quase nada prometiam, e formá-los em pessoas bem desenvolvidas e preparadas, que constituíam gloriosa inspiração para o mundo, foi um verdadeiro milagre da arte de ensinar e exercitar. Jesus jamais foi suplantado por qualquer outro mestre; foi e é suprema inspiração e encorajamento para os mestres cristãos de todas as épocas. Ninguém pode avaliar devidamente as possibilidades latentes num moço ou numa moça aparentemente inaproveitável, nem o que se possa fazer com eles. 

Impulsivos ou Impetuosos
       Os discípulos de Jesus não eram apenas imaturos. Pior que isso: haviam tido na vida um desenvolvimento errado e falho. Alguns deles eram mesmo gente governada só por im­pulsos. Pedro era assim, e foi o campeão dos impetuosos. “Era homem impulsivo e precipitado, qual regato que desce cé­lere e desabaladamente montanha abaixo, atirando-se de encontro às rochas da baixada. Reagia repentinamente. Falava e agia, para depois pensar.” Temos exemplo vivo disso, quando se lançou ao mar, em certa manhã bem fria, nadou até a praia para chegar perto de Jesus, quando poderia ter feito isso com seu barco (João 21:7).

Perplexos
     As pessoas a quem Cristo ensinou viam-se muitas vezes desafiadas por inúmeras perplexidades e problemas, e assim procuravam a Cristo para que ele os resolvesse. Certo é que às vezes vinham a ele tangidos pela hipocrisia, pois queriam pegá-lo nalguma palavra. Jesus de imediato reconhecia isso, e, no entanto, lhes dava atenção, levando-os a tirar por si mesmos a conclusão certa.

QUEM ERAM OS ESCOLHIDOS POR JESUS PARA O DISCIPULADO?
     Os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.”

O perfil dos primeiros discípulos de Jesus.

1. SIMÃO PEDRO - Nasceu em Betsaida, mas residia em Cafarnaum, na Galiléia; Era pescador de profissão;Foi o primeiro líder da igreja cristã. Escreveu as epístolas que levam seu nome; Tinha pouco estudo, impulsivo, amoroso, tímido, explosivo; Morreu em Roma, crucificado de cabeça para baixo;

       Segundo a Bíblia, seu nome original não era Pedro, mas Simão. Jesus Cristo mudou seu nome para Kepha, que em aramaico significa “pedra”, “rocha”, nome este que foi traduzido para o grego como Petros, através da palavra petra, que também significa “pedra” ou “rocha”, e posteriormente passou para o latim como Petrus, também através da palavra petra, de mesmo significado. A mudança de seu nome por Jesus Cristo, bem como seu significado, ganha importância quando Jesus diz: '“E eu te declaro: tu és Kepha e sobre esta kepha edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela.” As principais fontes de informação sobre sua vida são os quatro Evangelhos, onde aparece com destaque em todas as narrativas evangélicas, os Atos dos Apóstolos, as epístolas de Paulo e as duas epístolas do próprio apóstolo. Filho de Jonas e irmão do apóstolo André, seu nome original era Simão e na época de seu encontro com Cristo morava em Cafarnaum, com a família da mulher (Lc.4:38-39). Pescador, tal como os apóstolos Tiago e João, trabalhava com o irmão e o pai e foi apresentado a Jesus por seu irmão, em Betânia, onde tinha ido conhecer o Cristo, por indicação de João Batista.

2. ANDRÉ - Também era de Betsaida; Era sócio de seu irmão Pedro na indústria da pesca; Foi um homem zeloso, sincero e dedicado em sua tarefa de apóstolo.

       No dia seguinte àquele em que João Batista viu o Espírito Santo descer sobre Jesus, ele o apontou para dois de seus discípulos, e disse: “Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1.36). Movidos de curiosidade, os dois deixaram João e começaram a seguir a Jesus. Jesus notou a presença deles e perguntou-lhes o que buscavam. Responderam: “Rabi, onde assistes?” Jesus levou-os à casa onde ele se hospedava e passaram a noite com ele. Um desses homens chamava-se André (Jo 1.38-40). André foi logo à procura de seu irmão, Simão Pedro, a quem disse: “Achamos o Messias…” (Jo 1.41). Por seu testemunho, ele ganhou Pedro para o Senhor. André é tradução do grego Andreas, que significa “varonil”. Ele e Pedro eram donos de uma casa (Mc 1.29) Eram filhos de um homem chamado Jonas ou João, um próspero pescador. Ambos os jovens haviam seguido o pai no negócio da pesca.

3. TIAGO - Era de Betsaida, onde trabalhava com a pesca; Tinha personalidade forte e ambiciosa; Foi um dos mais íntimos discípulos de Jesus. Pregou na Judéia; Tornou-se o primeiro mártir entre os apóstolos, morrendo pela espada de Herodes Agripa I. 

     Filho de Zebedeu Depois que Jesus convocou a Simão Pedro e a seu irmão André, ele caminhou um pouco mais ao longo da praia da Galiléia e convidou a “Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes” (Mc 1.19). Tiago e seu irmão responderam imediatamente ao chamado de Cristo. Ele foi o primeiro dos doze a sofrer a morte de mártir. O rei Herodes Agripa I ordenou que ele fosse executado ao fio da espada (At 12.2). A tradição diz que isto ocorreu no ano 44 dC, quando ele seria ainda bem moço. Os Evangelhos nunca mencionam Tiago sozinho; sempre falam de “Tiago e João”. Até no registro de sua morte, o livro de Atos refere-se a ele como “Tiago, irmão de João” (At 12.2) Eles começaram a seguir a Jesus no mesmo dia, e ambos estiveram presentes na Transfiguração (Mc 9.2-13). Jesus chamou a ambos de “filhos do trovão” (Mc 3.17). A perseguição que tirou a vida de Tiago infundiu novo fervor entre os cristãos (At 12.5-25).

4. JOÃO - Também era de Betsaida e trabalhava com seu irmão Pedro na pesca; A princípio era de espírito exaltado e indisciplinado; Fazia parte, também do rol dos discípulos mais chegados ao Mestre. 

- Felizmente, temos considerável informação acerca do discípulo chamado João. Marcos diz-nos que ele era irmão de Tiago, filho de Zebedeu (Mc 1.19). Diz também que Tiago e João trabalhavam com “os empregados” de seu pai (Mc 1.20). Trabalhou pregando em Jerusalém. Escreveu o evangelho e as epístolas que levam seu nome, e também o Apocalipse. Terminou seu ministério em Éfeso e Ásia Menor; Morreu de morte natural, provavelmente com 100 anos de idade, o único que não foi martirizado.

5. FILIPE - Nascido em Betsaida, provavelmente exercia a profissão de pescador; O Evangelho de João é o único a dar-nos qualquer informação pormenorizada acerca do discípulos chamado Filipe. Jesus encontrou-se com ele pela primeira vez em Betânia, do outro lado do Jordão (Jo 1.28). É interessante notar que Jesus chamou a Filipe individualmente enquanto chamou a maioria dos outros em pares. Filipe apresentou Natanael a Jesus (Jo 1.45-51), e Jesus também chamou a Natanael (ou Bartolomeu) para seguí-lo.
Ao se reunirem 5 mil pessoas para ouvir a Jesus, Filipe perguntou ao Seu Senhor como alimentariam a multidão. "Não lhes bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço", disse ele (Jo 6.7).

6. BARTOLOMEU - Era de Caná da Galiléia, sua profissão é desconhecida. Falta-nos informação sobre a identidade do Apóstolo chamado Bartolomeu. Ele só é mencionado na lista dos apóstolos. Além do mais, enquanto os Evangelhos sinóticos concordam em que seu nome era Bartolomeu, João o dá como Natanael (Jo 1.45). Crêem alguns estudiosos que Bartolomeu era o sobrenome de Natanael.

    A palavra aramaica bar significa "filho", por isso o nome Bartolomeu significa literalmente, "filho de Talmai". A Bíblia não identifica quem foi Talmai. 

      Supondo que Bartolomeu e Natanael sejam a mesma pessoa, o Evangelho de João nos proporciona várias informações acerca de sua personalidade. Jesus chamou Natanael de "israelita em quem não há dolo" (Jo 1.47). Diz a tradição que ele serviu como missionário na Índia e que foi crucificado de cabeça para baixo. 

7. TOMÉ - Originário da Galiléia, onde era pescador por profissão; Foi uma pessoa determinada, mas no momento propício não creu na ressurreição de Jesus. O Evangelho de João dá-nos um quadro mais completo do discípulo chamado Tomé do que o que recebemos dos Sinóticos ou do livro de Atos. João diz-nos que ele também era chamado Dídimo (Jo 20.24). A palavra grega para "gêmeos" assim como a palavra hebraica t'hom significa "gêmeo". A Vulgata Latina empregava Dídimo como nome próprio. 

      Não sabemos quem pode ter sido Tomé, nem sabemos coisa alguma a respeito do passado de sua família ou de como ele foi convidado para unir-se ao Senhor. Sabemos, contudo, que ele juntou-se a seis outros discípulos que voltaram aos barcos de pesca depois que Jesus foi crucificado (Jo 21.2-3). Isso sugere que ele pode ter aprendido a profissão de pescador quando jovem. 

8. MATEUS - Era de Cafarnaum, onde trabalhava como cobrador de impostos (publicano). Podemos observar sua humildade quando seu nome aparece na lista dos Apóstolos após Tomé (Mt 10:3), em outras listas aparece antes de Tomé. O fato de ter abandonado a sua profissão que apesar de ser mui desprezada, também, demonstrava sua humildade. Recebeu poderes apostólicos de milagres e sinais. Esteve no cenáculo em Jerusalém (At 1:13 e 14) após a ascensão de Jesus ao céu. Escreveu o evangelho que leva o seu nome. 

     Nos tempos de Jesus, o governo romano coletava diversos impostos do povo palestino. Pedágios pra transportar mercadorias por terra ou por mar eram recolhidos por coletores particulares, os quais pagavam uma taxa ao governo romano pelo direito de avaliar esses tributos. Os cobradores de impostos auferiam lucros cobrando um imposto mais alto do que a lei permitia. Os coletores licenciados muitas vezes contratavam oficiais de menor categoria, chamados de publicanos, para efetuar o verdadeiro trabalho de coletar. 

       Os judeus desprezavam os publicanos como agentes do odiado império romano e do rei títere judeu. Não era permitido aos publicanos prestar depoimento no tribunal, e não podiam pagar o dízimo de seu dinheiro ao templo. Um bom judeu não se associaria com publicanos (Mt 9.10-13). 

     Mas os judeus dividiam os cobradores de impostos em duas classes. a primeira era a dos gabbai, que lançavam impostos gerais sobre a agricultura e arrecadavam do povo impostos de recenseamento. O Segundo grupo compunha-se dos mokhsa era judeus, daí serem eles desprezados como traidores do seu próprio povo. Mateus pertencia a esta classe. 

      O Evangelho de Mateus diz-nos que Jesus se aproximou deste improvável discípulo quando ele esta sentado em sua coletoria. Jesus simplesmente ordenou a Mateus: "Segue-me!" Ele deixou o trabalho pra seguir o Mestre (Mt 9.9).

       Evidentemente, Mateus era um homem rico, porque ele deu um banquete em sua própria casa. "E numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa" (Lc 5.29). O simples fato de Mateus possuir casa própria indica que era mias rido do que o publicano típico.

9. TIAGO, - Filho de Alfeu Os Evangelhos fazem apenas referências passageiras a Tiago, filho de Alfeu (Mt 10.3; Lc 6.15). Muitos estudiosos crêem que Tiago era irmão de Mateus, visto a Bíblia dizer que o pai de Mateus também se chamava Alfeu (Mc 2.14). Outros crêem que este Tiago se identificava como “Tiago, o Menor”, mas não temos prova alguma de que esses dois nomes se referiam ao mesmo homem (Mc 15.40). 

10. JUDAS, o Tadeu - Nascido na Galiléia, Não o Iscariotes João refere-se a um dos discípulos como “Judas, não o Iscariotes” (Jo 14.22). Não é fácil determinar a identidade desse homem. O NT refere-se a diversos homens com o nome de Judas – Judas Iscariotes; Judas, irmão de Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3); Judas, o galileu (At 5.37) e Judas, não o Iscariotes. Evidentemente, João desejava evitar confusão quando se referia a esse homem, especialmente porque o outro discípulo chamado Judas não gozava de boa fama. Mateus e Marcos referem-se a esse homem como Tadeu (Mt 10.3; Mc 3.18). Lucas o menciona como “Judas, filho de Tiago” (Lc 6.16; At 1.13).

11. SIMÃO, o Zelote - Originário da Galiléia. Mateus refere-se a um discípulo chamado "Simão, o Cananeu", enquanto Lucas e o livro de Atos referem-se a "Simão, o Zelote". esses nomes referem-se à mesma pessoa. Zelote é uma palavra grega que significa "zeloso"; "cananeu" é transliteração da palavra aramaica kanna'ah, que também significa "zeloso"; parece, pois, que este discípulo pertencia à seita judaica conhecida como zelotes. 

      A Bíblia não indica quando Simão, foi convidado para unir-se aos apóstolos. Diz a tradição que Jesus o chamou ao mesmo tempo em que chamou André e Pedro, Tiago e João, Judas Iscariotes e Tadeu (Mt 4.18-22).

12. JUDAS ISCARIOTES - Nasceu na Judéia, provavelmente em Queriote-Hesrom. Todos os Evangelhos colocam Judas Iscariotes no fim da lista dos discípulos de Jesus. Sem dúvida alguma isso reflete a má fama de Judas como traidor de Jesus. A Palavra aramaica Iscariotes literalmente significa “homem de Queriote”. Queriote era uma cidade próxima a Hebrom (Js 15.25). Contudo,João diz-nos que Judas era filho de Simão (Jo 6.71). Se Judas era, de fato, natural desta cidade, dentre os discípulos, ele era o único procedente da Judéia. Os habitantes da Judéia desprezavam o povo da Galiléia como rudes colonizadores de fronteira. Essa atitude pode ter alienado Judas Iscariotes dos demais discípulos. Os Evangelhos não nos dizem exatamente quando Jesus chamou Judas pra juntar-se ao grupo de seus seguidores. Talvez tenha sido nos primeiros dias, quando Jesus chamou tantos outros (Mt 4.18-22).

CONCLUSÃO
      Na bíblia, não existia ninguém que fosse convertido e não fosse um discípulo. Todos os que criam em Jesus eram chamados de discípulos. Ser um discípulo significava ser salvo por Jesus, alguém que havia deixado tudo por ele.

       "E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." Mt 28:18-20

     Esta foi a última palavra de Jesus aos seus discípulos. Até parece que este é o ponto mais alto do Novo Testamento. É como se o senhor estivesse todo o tempo preparando o terreno para dar esta palavra. Depois de fazer tudo o que o Pai lhe encomendara, finalmente o Senhor podia dar esta ordem: "...Fazei discípulos de todas as nações...".

      Podemos negligenciar este mandamento? Ou podemos fazê-lo de qualquer jeito, ou da maneira que acharmos melhor? NÃO. Devemos Buscar com toda diligência e procurar entender bem. O Senhor ressuscitado nos deu uma ordem e devemos cumpri-la a risca.

Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)


Facebook: Adayl Manancial

REFERENCIAS

Adaylton de Almeida Conceição - introducción al Discipulado - Ed. Manantial -Buenos Aires

AMARAL, Emília et al. Novas palavras: português, volume único. São Paulo: FTD,2003. Anísio Renato de Andrade - Os discípulos de Cristo

BÍBLIA Sagrada. Nova Versão Internacional. São Paulo: Vida, 2004.

BROWN, Lothar Coenen Colin.Dicionário internacional de teologia do novo testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000. 

Felipe Aquino - Os doze Apóstolos

J. M. Price - A pedagogia de jesus

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A CAUSA DO ESGOTAMENTO ESPIRITUAL DE MUITOS "CRENTES"

FALTA DE PERDÃO ACABA COM A PESSOA

"Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados" (Lucas 6:37).

Um dos maiores problemas da pessoa esgotada espiritualmente é a falta de perdão. Em geral, essa incapacidade de perdoar degenera em ressentimento e amargura de raízes profundas. A pessoa espiritualmente exaurida é a que se desapontou em todas as áreas da vida, e de modo especial no relacionamento com as demais pessoas. Todas as esperanças alimentadas pela pessoa exausta no espírito, esperanças de poder caminhar com Deus, abrangiam, de certa maneira, outros cristãos. E assim, ao longo da vida, o crente que se queimou foi erigido coluna que ostentam os nomes que falharam que não conseguiram manter-se à altura de suas expectativas. No inicio das manifestações da queima espiritual ocorre usualmente, amargas confrontações com outros crentes. Às vezes achamos que conseguimos suportar os pagãos que nos ferem com mais facilidade do que suportamos os irmãos em Cristo. Davi explicou a dupla mágoa produzida pela traição de um irmão: Com efeito, não é inimigo que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem é o que me odeia quem se exalta contra mim, pois dele eu me esconderia; mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu íntimo amigo. Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus. Salmos 55:12-14.
Um dos principais passos na direção da volta ao vigor e à força espiritual é perdoar a todos quantos fizeram parte de nossas mágoas nesta vida. Perdoe a todos quantos o abandonaram, os que se esquivaram quando você mais precisou deles. Perdoe os mexeriqueiros mediante os quais levaram as notícias de sua ruína e de seus problemas que chegaram aos ouvidos de todos. E perdoe às pessoas que você julgou serem gigantes espirituais, mas provaram ter pés de barro e uma porção de fraquezas, exatamente como as demais pessoas. Estamos vivendo em uma época rodeados de fariseus. Contudo não desprezemos os fariseus. A pessoa que despreza o fariseu torna-se fariseu também! Embora os houvesse enfrentado tantas vezes, Jesus nunca alimentou quaisquer ressentimentos contra eles. Ele chorou por causa das pessoas religiosas de Jerusalém. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Mateus 23:37.
Todos nós aqui nesta manhã, sabemos que o perdão custa caro. Aprendemos que o perdão é gratuito para a pessoa que o recebe, mas custa muito caro para a pessoa que o concede. A pessoa que perdoa precisa absorver o custo e deixar o ofensor passar impune. Por exemplo, Paulo disse que os cristãos não devem levar outros crentes à corte porque é mau testemunho diante das pessoas do mundo. Depois ele acrescenta: O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? 1 Coríntios 6:7. Perdoar alguém que o enganou, expulsando-o da herança que tinha direito é custoso para você, mas é melhor do que ir à corte diante dos incrédulos. Paulo está nos dizendo que devemos "aceitar o golpe" em favor de nosso irmão, que ele fique com a nossa herança e siga livre! Isso não é barato! Precisamos compreender que o perdão requer nossa morte, compreendida na forma e nos moldes específicos da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Colossenses 3:3.
Suponha que o marido cometa adultério e depois peça o perdão da esposa. Ela resolve perdoá-lo. Mas isso custa muito para ela; ela precisa suportar no coração a dor da rejeição, da traição e da perda pessoal. Mas ela diz que se dispõe a isso pelo bem do marido e do relacionamento. Se ela fizesse o que tinha vontade, o expulsaria de casa e lhe diria que ele nunca mais seria bem-vindo. Mas ela vence essas emoções e escolhe a rota dolorida do perdão, o primeiro passo rumo à reconciliação. Isso é "morte" como a de Cristo. Mentem a seu respeito e a pessoa responsável finalmente vem pedindo seu perdão. Você o concede com bondade, mas ainda precisa arcar com o custo. Os rumores têm vida própria e sua reputação continua maculada. Você nunca vai conseguir reverter todos os danos, mas deixou o ofensor seguir sem pagar. Se Deus pagou nosso débito com grande perda pessoal, o que nos faz pensar que podemos pagar o débito de alguém, sem aceitar as perdas? É claro que temos muito mais a ganhar com o perdão do que perder, mas perdoar é estar disposto a fazer algo difícil. É livrar uma pessoa que não merece. C. S. Lewis expressa bem está questão: "Perdão é uma linda palavra, até você ter algo a perdoar". Nossa capacidade de perdoar baseia-se no perdão divino. O motivo pelo qual podemos perdoar muito é porque Deus nos perdoou muito. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Efésios 4:32.
Não importa o mal que fizeram contra você, não é tão grande quanto os males que fizemos a Deus. Se a grandeza do pecado é determinada pela grandeza do ser contra qual é cometido, nossos pecados são realmente grandes. Muitas vezes oramos: "Ó Deus, faça-me como tu és"; ou seja, queremos ser mais parecidos com Deus. Depois reclamamos quando ele nos dá oportunidade de conceder perdão. O perdão é um curso necessário em nosso currículo, pois provê a oportunidade de sermos como o Pai no céu, aquele que faz o bem mesmo aos maus. O perdão não é uma emoção. É uma escolha a fazer; podemos perdoar mesmo que não tenhamos vontade. Se você esperar até sentir-se disposto, não vai perdoar. Precisamos escolher contra esses sentimentos de amargura que gostariam de controlar nossa atitude e comportamento. Deus optou pelo perdão, e é o que também devemos fazer. Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa do seu nome. 1 João 2:12.
O ato perdoador deve motivar-nos a conceder graça e misericórdia a todos os que têm magoado e ofendido. A ressurreição de Jesus mudou para sempre todos os nossos relacionamentos, não apenas com Deus, mas com todas as pessoas com quem convivemos ao longo desta vida. Por outro lado, quando não perdoamos a alguém, estamos efetivamente aprisionando essa pessoa em nossa mente. O malfeitor ficará trancado para sempre, como pessoa que agiu mal. À semelhança da imagem de vídeo que "congelou", ou seja, que foi paralisada a fim de mostrar a jogada de certo atleta, assim também o indivíduo que odeia "congela" ou paralisa o objeto de ódio em sua mente. O fato notável é que a insistência na falta de perdão contra um indivíduo traz tormento para a vida daquele que não perdoa. Tornamo-nos escravos da pessoa a quem odiamos. Todos os nossos pensamentos obscurecem-se diante do pensamento de tal pessoa, cuja sombra fica voejando continuamente sobre nossa vida. A vida se nos torna amarga, o ódio ferve logo abaixo da superfície, pronto para agredir qualquer pessoa que vier a fazer alguma coisa que nos desagrade. Quando não perdoamos, ficamos para sempre presos no momento passado e, a cada vez que lembramos, sofremos de novo. É como estar preso numa armadilha que nós mesmos criamos. Guardar mágoa de alguém é como tomar veneno, esperando que o inimigo morra. Por que haveis de ainda ser feridos, visto que continuais em rebeldia? Toda a cabeça está doente, e todo o coração, enfermo. Isaías 1:5.
Quando não perdoamos aqueles que nos causaram mal, é como uma grande montanha que nós colocamos em nosso caminho e, por isso, não conseguimos seguir em frente. Se acrescentarmos à raiva, a mágoa, o ódio ou o ressentimento, teremos mordaças e correntes que prendem e machucam. Memórias tristes doem, mas a falta de perdão é um profundo mergulho no sofrimento, no qual um fato pode ser reproduzido mil vezes em nossa mente, repetindo sem parar uma dor, como um disco arranhado que não sai do lugar. A amargura injeta veneno em nossa corrente sanguínea, que perturba seriamente nossa saúde emocional e física, provocando um verdadeiro esgotamento espiritual. A pessoa que não perdoa fere-se muito mais do que a que não foi perdoada. Somente uma pessoa que foi incluída no sacrifício do Senhor Jesus e igualmente ressuscitada juntamente com Ele, tem a capacidade de perdoar aqueles que o feriram. A partir do momento quando cremos no sacrifício de Cristo é que somos libertos do poder das trevas e das cadeias invisíveis que nos aprisionavam. Tirou-os das trevas e das sombras da morte e lhes despedaçou as cadeias. Salmos 107:14.
O crente que não perdoa precisa encarar o fato de que os pecados da pessoa que contra ele pecou foram incluídos na obra de Jesus, em sua morte e ressurreição, até mesmo aqueles pecados que esse crente resolveu não perdoar. É honra para toda nova criatura, perdoar aos outros na base da obra de Cristo. Você e eu somos escravos cuja dívida incalculável foi perdoada, e que agora estendemos o mesmo perdão a uma pessoa que, comparativamente, nos feriu apenas de maneira trivial. É aqui meu irmãos que jaz nossa maior dificuldade em conceder perdão. Uma voz interna exige que alguém pague pelo malefício cometido. O ato do perdão parece contradizer todo o senso de justiça; as pessoas deviam pagar pelas coisas erradas que fizeram! Agora quando olhamos para a cruz e nos vemos crucificados com Cristo, a fé ouve Jesus dizer: "Eu já paguei, deixe essas pessoas irem livres!" Perdoar a alguém não é dizer que não havia dívida a ser paga, e tampouco significa que não houve sentimentos feridos. Perdoar é liberar o devedor da dívida real que se lhe pesa, à luz do que Jesus fez. Estevão estava sendo apedrejado, condenado à morte, e seu último ato foi: Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu. Atos 7:60.
Quando Estevão estava dizendo ao Senhor para que este pecado não lhes fosse imputado, em outras palavras, ele estava dizendo a Deus que não era para fixar este pecado neles, ou seja, não lances na conta deles. Se não se "fixou" nos assassinos, em quem se fixou então? Se esse pecado não lhes foi lançado na conta, foi lançado na conta de quem então? Estevão não encenava um gesto bonito, proclamando um desejo às portas da morte, que ficava bem num cristão. Ele estabelecia o fato legal ao reconhecer que o pecado, cometido naquele instante contra a sua pessoa, já fora lançado na conta de Jesus. Esse pecado se fixara em Cristo, na cruz, e havia sido declarado isento de culpa, em sua ressurreição. Tenhamos isso em mente que o exercício do perdão é a capacidade que Deus nos dá para perdoarmos todo aquele que nos machucou. E uma vez que perdoamos com o perdão de Deus, somos libertos da armadilha de uma memória, sentimento e pensamento infinitamente dolorosos. O perdão não é para o outro, que muitas vezes nem existe mais. O perdão é para nós mesmos, para nosso usufruto, para nossa vida. É tirar a mordaça que não deixa o grito sair e desvelar um mundo novo, que as vendas aplicadas sobre nossos olhos angustiados não permitem revelar. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; Colossenses 3:13. Amém! Bom dia, graça e paz queridos (as),
Fonte: https://www.facebook.com/claudioamorandi/posts/943216715710395

QUEM NÃO NASCER DE NOVO NÃO PODE ENTRAR NO REINO DE DEUS

      Não quero reformar nada! Não quero reformar ninguém! Apenas quero desconstruir minha religião e dar-me a oportunidade de começar novamente. Do zero! Quero aprender a orar porque suspeito que nunca aprendi em todos esses anos de eloquentes orações entonadas no conjunto de súplicas adornadas de lindos verbos. Tenho a ligeira impressão de que todas as vezes em que falei em línguas na roda de oração para fazer notório o meu nível espiritual, não me valeram de edificação alguma. E que minhas devocionais carregadas de desânimo e obrigação para com a minha “consagração” no ministério de louvor não resultaram em nenhuma intimidade com Deus !
        Quero desfazer de tudo que sei, ou que penso saber, e de tudo que não sei, e penso não saber, para aprender paulatinamente através de uma busca sincera, paciente, desobrigada, verdadeiramente motivada e autêntica, tudo quanto preciso, quanto quero e quanto me é essencial na jornada da fé. Quero despojar-me dos manuais religiosos, das doutrinas inquestionáveis, das tradições incoerentes e da estupidez e falácia da religião.
      Quero duvidar de tudo e de todos, porque minha alma contorce pela  verdade e tem sede de justiça. Quero abrir os meus olhos e enfrentar o ardor da luz cortante da revelação. Quero ficar cego por um tempo em virtude do impacto que a luz da verdade traz. Ficar cego para o enlatado evangélico, cego para o cauterizado cristianismo institucional. Quero ficar cego para as fórmulas instantâneas da fé, da sua comercialização e do abuso espiritual.              Quero recobrar a visão aos poucos. Enxergar com sanidade a vida, as pessoas, a família, os amigos, o futuro, o presente e o passado. Quero aprender a enxergar tudo que enxergava errado. Usar minha visão pela primeira vez!
       Quero me desviar dos caminhos da igreja que não segue o Caminho de Cristo. E andar na contra-mão desse sistema religioso elaborado sobre outro fundamento que não Jesus, a Rocha Viva. Quero tirar a capa que me identifica como “cristão” com o emblema da cruz para vestir-me de amor pelo próximo e por esse amor ser conhecido como discípulo de Cristo. E carregar não o emblema da cruz, antes, tomá-la dia após dia em meus ombros e renunciar à volúpia e morrer para o pecado.
        Quero fugir dos grandes eventos de milagres e shows da fé, patrocinados por sórdida ganância e puro estrelismo. E me juntar aos homens de Deus presenteados com o dom da cura que trocam o palco pelo corredor dos hospitais. Que ao invés de pedirem que vão a eles, se disponhem a IR aos que necessitam.
Cansei de viver sob maldição financeira! E, agora, não gasto meu dinheiro patrocinando esse sistema putréfulo de escravizar a fé dos pequeninos. Não quero participar de tal infâmia! Que o pouco que tenho sirva não ao luxo dos templos e de seus donos, mas, aos que realmente necessitam da minha fidelidade financeira resultante da confiança no Jeová Jiré. E não da ameaça pastoral de maldição da pobreza versus prosperidade.
      Quero ser livre para pecar! E da mesma maneira não pecar por entender que não me convém. Mas, se o desejo do pecado ronda a minha mente e não peco por causa da pressão de ter que me consagrar no ministério da igreja, que pobre que sou. Porque ainda não seria livre do pecado, mesmo não o praticando… Quero aprender a conduzir meu estilo de vida como resposta de gratidão à aceitação e perdão de Cristo, não como regras e proibições eclesiásticas que não tem efeito nenhum contra o pecado.
Estou desconstruindo a minha fé míope e doente para cultivá-la de forma autêntica, sincera, humana e verdadeira. Estou disposto a arriscar minhas crenças pelo conhecimento da verdade eterna, de modo, que mesmo vendo-a como em espelho, possa um dia conhecê-la completa assim como sou conhecido. Se para encontrar o Deus que está estampado no caráter de Cristo, me tornar necessário descrer do Deus pregado, e tornar-me ateu, que assim seja. E que possa, conhecê-Lo de forma pura, única, pessoal e intransferível.
Quero derrubar meus pilares espirituais porque não sei de onde vieram. Estavam lá no discurso e na retórica que pseudonimamente aceitei como sendo Jesus Cristo. Agora, nego a cartilha que reza, nego a teologia pronta que engoli e dou-me a oportunidade de crer e receber, de fato, Cristo meu Senhor e Salvador, pura e simplesmente.
Se fosse possível voltar ao ventre de minha mãe e carregar em meus genes a luz que agora vejo, para que ao nascer, soubesse desviar dos caminhos que para o homem parecem bons, poderia começar de novo sem incongruências e inverdades ludibriosas.
Talvez, só agora tenha entendido o que significa “nascer de novo”… é maravilhoso saber que Cristo ao ser crucificado me atraiu a si, conforme João 12:32, me incluindo em seu corpo naquela cruz (romanos 6:6), para me fazer morrer (2 Corintios 5:14)e juntamente com Ele me ressuscitou (Efésios 2:6) e hoje Cristo é a minha vida (Colossenses 3:4) Aleluia, Cristo é a minha vida. Já estou crucificado com com Cristo e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim. Gálatas 2:20.

Bom dia, graça e paz.
Pr Claudio Morandi
Fonte: https://www.facebook.com/claudioamorandi/posts/943215352377198

terça-feira, 21 de abril de 2015

A TENTAÇÃO DE JESUS

O QUE É TENTAÇÃO?
      A tentação é um estímulo ou indução a um ato que pareça atraente, ainda que seja inapropriado ou contradiga alguma norma ou convenção social sendo, conseqüentemente, proibido. A definição de tentação pode ser aplicada a uma ampla gama de ações, por exemplo, o desrespeito a uma restrição alimentar, a trapaça, a ostentação de artigos de luxo, a procrastinação. 

DEFININDO TENTAÇÃO 
      Na oração modelo encontrada no capítulo 6 desse mesmo Evangelho, entre outras coisas, Jesus ensinou-nos a pedir: “...e não nos deixes cair em tentação...”, o que nos permite dizer que a tentação em si não é pecado. Se o fosse, certamente a oração seria diferente.
No novo dicionário Aurélio, entre as definições apresentadas para “tentação” há uma que diz ser “desejo veemente”. Logo, resistir uma tentação é resistir a um desejo muito forte.
       Tentação é o esforço do diabo para tentar persuadir, seduzir, e induzir alguém a fazer especialmente algo sensualmente agradável ou imoral. É aquela voz dentro da gente que diz: “Vá em frente, fulano, nada vai acontecer… Ninguém vai ficar sabendo não”. 
      A tentação é a causa da morte espiritual da vida de cada cristão. Mas, através do exemplo de Jesus, aprendemos que é possível enfrentar a tentação e sair vitorioso desse conflito espiritual.
    "Quais foram o significado e o propósito das tentações de Jesus?" 
      Após Seu batismo, Jesus foi "levado pelo Espírito ao deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo" (Lucas 4:1-2). As três tentações de Jesus no deserto foram um esforço de seduzir e transferir a Sua fidelidade de Deus a Satanás. Vemos uma tentação semelhante em Mateus 16:21-23 onde Satanás, através de Pedro, tenta Jesus a renunciar a cruz à qual estava destinado. Lucas 4:13 nos diz que após as tentações no deserto, Satanás "o deixou até ocasião oportuna", o que aparenta indicar que Jesus foi tentado outras vezes por Satanás, embora novos incidentes não sejam registrados. O ponto importante é que, apesar de várias tentações, Ele nunca pecou. 
     Que Deus tinha um propósito ao permitir que Jesus fosse tentado no deserto é evidente pela declaração "foi levado pelo Espírito ao deserto". Uma finalidade é assegurar-nos de que temos um sumo sacerdote capaz de Se relacionar conosco em todas as nossas debilidades e fraquezas (Hebreus 4:15) porque Ele mesmo foi tentado em todos os pontos nos quais também somos. A natureza humana do Nosso Senhor permite que Ele compreenda as nossas próprias fraquezas por ter sido submetido à fraqueza também. "Porque, tendo em vista o que ele mesmo sofreu quando tentado, ele é capaz de socorrer aqueles que também estão sendo tentados" (Hebreus 2:18). A palavra grega traduzida "tentado" aqui significa "pôr à prova". Então, quando somos colocados à prova e testados pelas circunstâncias da vida, podemos ter certeza de que Jesus entende e se solidariza como alguém que sofreu as mesmas provações. 
      Embora Jesus foi tentado várias vezes, ele enfrentou um teste especialmente severo logo depois que foi batizado. Lucas recorda este evento (Lucas 4:1-13), mas seguiremos a história conforme Mateus a conta: "A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome" (Mateus 4:1-2). Pelo fato que foi o Espírito que levou Jesus para o deserto mostra que Deus pretendia que Jesus fosse totalmente humano e sofresse tentação.

Uma Ponte Para a História 
      Ninguém cairia numa tentação que não parecesse ser de alguma forma boa ou prazerosa. As tentações sempre prometem algo bom, mas no final acabam machucando mais do que esperávamos. 
O grande dramaturgo irlandês William Butier Yeats uma vez escreveu: “Toda tentação vencida representa uma nova reserva de energia moral. Toda prova suportada e resistida com um espírito correto torna a alma mais nobre e mais forte do que era antes.” Em cada tentação há a oportunidade de crescimento em Cristo que, se rejeitada, não poderá ser recuperada. Ao se preparar para explorar a história da lição desta semana, mantenha em mente que foi o hábito de Jesus de resistir ao diabo e a Sua iniciativa de sempre fazer a vontade de Deus no lugar da Sua que O capacitou a enfrentar as tentações no deserto e a sair vitorioso.

AS FASES DA TENTAÇÃO DE JESUS.
     As tentações de Jesus seguem três padrões que são comuns a todos os homens. A primeira tentação diz respeito à concupiscência da carne (Mateus 4:3-4), a qual inclui todos os tipos de desejos físicos. O Nosso Senhor teve fome, e o diabo o tentou a transformar pedras em pão, mas Ele respondeu citando Deuteronômio 8:3. A segunda tentação foi acerca da soberba da vida (Mateus 4:5-7), e aqui o diabo tentou usar uma passagem da Escritura contra Ele (Salmo 91:11-12), mas novamente o Senhor respondeu com a Escritura em sentido contrário (Deuteronômio 6:16), afirmando que seria errado abusar de Seus próprios poderes.
    A terceira tentação foi acerca da concupiscência dos olhos (Mateus 4:8-10), e se algum atalho ao Messias fosse possível, evitar a paixão e crucifixão para as quais Ele originalmente veio seria a forma. O diabo já tinha o controle sobre os reinos do mundo (Efésios 2:2), mas estava pronto a dar tudo a Cristo em troca de Sua lealdade. O mero pensamento quase causa a natureza divina do Senhor a tremer, e Ele responde agressivamente: "Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto’" (Mateus 4:10, Deuteronômio 6:13).

A TENTAÇÃO DE JESUS É O MODELO DA TENTAÇÃO DO CRENTE
    A partir da tentação de Jesus podemos compreender o que significa a tentação para nós. Há na Bíblia duas grandes histórias de tentação. No começo da história sagrada há a tentação dos nossos primeiros pais, Adão e Eva (Gn 3); mais adiante a narrativa da tentação de Jesus (Mt 4.1-11; Mc 1.12,13 e Lc 4.1-13).

- A primeira tentação trouxe como resultado a queda do homem.

- A segunda tentação trouxe a queda de Satanás.

Adão e Eva foram tentados no Jardim do Éden e caíram. Jesus foi tentado no deserto e triunfou, ou seja, ou Adão é tentado em nós, e nós caímos, ou Jesus é tentado em nós, e Satanás é quem cai.

A tentação de Jesus se repete, na verdade, o padrão da tentação dos nossos primeiros pais. Veja Gn 3.6; 1Jo 2.15,16 e Mt 4.1-11.

“Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Gn 36).

“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”(1Jo 2.15,16).

Observem um detalhe: de Gênesis a Mateus há um intervalo de cerca de 1500 anos. De Mateus a primeira carta de João há um intervalo aproximadamente de 50 anos. Mas é impressionante que os conceitos são os mesmos, a matriz existencial é a mesma, a leitura que fazem do ser humano e a luta com as forças transcendentes é a mesma. Só o resultado que é diferente, pois Jesus venceu a tentação.

A TENTAÇÃO DE JESUS PASSO A PASSO

FOI O ESPÍRITO SANTO QUE LEVOU JESUS AO DESERTO (MT 4.1).
    Mateus deixa claro que foi o próprio Espírito Santo que o levou ao deserto para ser tentado. Não partiu de Satanás tal atitude. Jesus não foi guiado ao deserto por uma força maligna, mas foi conduzido pelo Espírito Santo. Foi pela expressa vontade de Deus que esta crise se produziu na vida de Jesus. Não é que o Senhor queria ver se Jesus cairia ou não, mas uma demonstração da impossibilidade da Sua queda.

À semelhança de Adão, Jesus foi tentado, com uma diferença: Adão foi tentado no Jardim do Éden e caiu, Jesus foi tentado no deserto e venceu a Satanás.

O TEMPO QUE O SENHOR ESTEVE NO DESERTO (MT 4.1,2).
     O evangelista Mateus nos diz que o Senhor foi levado ao deserto para ser tentado e depois de 40 dias e 40 noites teve fome. O deserto é um lugar desconfortável, severo e agressivo. Era o deserto de Jericó, um lugar ermo, cheio de montanhas e cavernas, de areia escaldante durante o dia e frio intenso durante a noite. O deserto era lugar de solidão. Os grandes homens caíram não em lugares ou momentos públicos, mas na arena da solidão e nos bastidores dos lugares secretos. O deserto é o lugar das maiores provas e também das maiores vitórias. O deserto é o campo de treinamento de Deus.

O texto nos diz que o Senhor esteve no deserto por 40 dias e 40 noites. O número 40 é o número da provação. Quarenta dias durou o dilúvio (Gn 7.12), o jejum de Moisés no Sinai (Êx 34.28), a caminhada de Elias até o Horebe (1Rs 19.8). Quarenta anos Israel permaneceu no deserto (Sl 95.10). Israel esteve 400 anos no Egito, isso é 40×10. Quarenta dias e quarenta noites Jesus foi tentado por Satanás no deserto. Em Marcos 1.12,13 nos diz assim:

“E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam”. 

O PROPÓSITO DE JESUS SER TENTADO.

Por que o Espírito Santo impeliu Jesus ao deserto para ser tentado? Qual era o propósito?

O texto começa dizendo “A seguir” – ou seja, após o batismo de Jesus foi levado ao deserto para ser tentado. Há uma relação íntima entre o batismo e a tentação. No primeiro Jesus se dedicou ao caminho da cruz. Já no segundo, o diabo lhe apresentou meios pelos quais Ele podia efetuar seu ministério sem precisar ir à cruz.

Em primeiro lugar, Jesus foi tentado para provar a sua perfeita humanidade. A Bíblia nos fala que o Filho de Deus encarnou, ou seja, tornou-se como um de nós. Jesus foi 100% homem e 100% Deus. Mas quem foi tentado foi Jesus homem e não Jesus Deus. Porque o homem é tentado, mas a Deus ninguém tenta. Veja o que nos diz Tiago 1.13:

“Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta”.

A Bíblia também nos diz que Jesus tornou-se semelhante a nós em todas as coisas, exceto no pecado. Conf. com Hb 4.15:

“Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

Jesus passou por tudo isso para nos mostrar que em tudo Ele foi tentado, mas não para nos mostrar que podemos ficar sem pecar. Pelo contrário, Ele conhece as nossas fraquezas e se comparece de nós, mesmo que venhamos a pecar. Aliás, tanto o texto de Hebreus 4.15, quanto 1Jo 1.7-10, 2.1,2 que nos diz:

Em segundo lugar, Jesus foi tentado para vencer o diabo. Hernandes Dias Lopes nos diz que lutamos com um inimigo derrotado. O evangelista Marcos nos diz que o Senhor Jesus venceu Satanás o amarrando e roubando-lhe os seus bens. Veja o que ele nos diz:

“Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa”. (Mc 3.27)

Isso é o Senhor tirou de Satanás o domínio que ele tinha nessa terra. Jesus está libertando aqueles que estavam sob o seu domínio e os transportando para o Seu Reino. Paulo escrevendo aos Colossenses nos diz assim:

Jesus venceu Satanás no deserto, triunfou sobre todas as suas investidas. Esmagou sua cabeça na cruz, triunfou sobre ele definitivamente. Satanás é um inimigo limitado e está debaixo da autoridade absoluta de Jesus.

“Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”(Cl 2.14,15).

AS OFERTAS DE SATANÁS.

A Bíblia nos diz que Satanás tentou Jesus os quarenta dias. Quando lemos o texto aqui em Mateus a impressão que temos que o tentador só o tentou no final, mas não foi assim que ocorreu. Há dois textos que nos mostram isso:

“E logo o Espírito o impeliu para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás; estava com as feras, mas os anjos o serviam” (Mc 1.12,13).

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto, durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Nada comeu naqueles dias, ao fim dos quais teve fome” (Lc 4.1,2).

Satanás é um ser oportunista. Ele é como um vírus oportunista que ataca quando a nossa imunidade está baixa. Se a nossa imunidade espiritual estiver baixa ele irá atacar com todas as forças, embora ele ataque todos os dias, mas se a nossa imunidade espiritual estiver baixa ele irá triunfar sobre nós. Temos como exemplo Davi que caiu em adultério. Era tempo de guerra e ele estava em casa. O resto você já conhece.

A TRÍPLICE TENTAÇÃO DE JESUS

Com base no texto de Mt 4:1-11, vemos a tríplice tentação de Jesus.

PRIMEIRA TENTAÇÃO - A TENTAÇÃO DO DESERTO 
A tentação do deserto é a conhecida tentação de transformar pedras em pães. Após jejuar quarenta dias e quarenta noites, diz a Bíblia que Jesus teve fome. Então o tentador se aproximando dele disse: “Se tu és o filho de Deus mande que estas pedras se transformem em pães.”

A primeira tentação foi de ordem física (Mt 4.2-4) 

Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites na solidão do deserto, embora Marcos nos diga que Jesus estava com as feras – naquele deserto havia hienas, lobos, serpentes, chacais, panteras e leões.

A afirmação do diabo: "Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães" (4:3). O diabo é um mestre das coisas aparentemente lógicas. Jesus estava faminto; ele tinha poder para transformar as pedras em pão. O diabo simplesmente sugeriu que ele tirasse vantagem de seu privilégio especial para prover sua necessidade imediata. 

As questões: Era verdade que Jesus necessitava de alimento para sobreviver. Mas a questão era como ele o obteria. Lembre-se de que foi Deus quem o conduziu a um deserto sem alimento. O diabo aconselhou Jesus a agir independentemente e encontrar seus próprios meios para suprir sua necessidade. Confiará ele em Deus ou se alimentará a seu próprio modo? Há aqui, também, uma questão mais básica: Como Jesus usará suas aptidões? O grande poder que Jesus tinha seria usado como uma lâmpada de Aladim, para gratificar seus desejos pessoais? A tentação era ressaltar demais os privilégios de sua divindade e minimizar as responsabilidades de sua humanidade. E isto era crucial, porque o plano de Deus era que Jesus enfrentasse a tentação na área de sua humanidade, usando somente os recursos que todos nós temos a nossa disposição. 

A resposta de Jesus: "Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (4:4). Em cada teste, Jesus se voltava para as Escrituras, usando um meio que nós também podemos empregar para superar a tentação. A passagem que ele citou foi a mais adequada naquela situação. No contexto, os israelitas tinham aprendido durante seus 40 anos no deserto que eles deveriam esperar e confiar no Senhor para conseguir alimento, e não tentar conceber seus próprios esquemas para se sustentarem. 

Lições: 1. O diabo ataca as nossas fraquezas. Ele não se acanha em provar nossas áreas mais vulneráveis. Depois de jejuar 40 dias, Jesus estava faminto. Daí, a tentação de fazer alimento de uma maneira não autorizada. Satanás escolhe justamente aquela tentação à qual somos mais vulneráveis, no momento. De fato, as tentações são freqüentemente ligadas a sofrimento ou desejos físicos. 2. A tentação parece razoável. O errado freqüentemente parece certo. Um homem "tem que comer" . Muitas pessoas sentem que necessidades pessoais as isentam da responsabilidade de obedecer às leis de Deus. 3. Precisamos confiar em Deus. Jesus precisava de alimento, sim. Porém, mais do que isso, precisava fazer a vontade do Pai. É sempre certo fazer o certo e sempre errado fazer o errado. Deus proverá o que ele achar melhor; meu dever é obedecer-lhe. É melhor morrer de fome do que desagradar ao Senhor.

SEGUNDA TENTAÇÃO - A TENTAÇÃO DO PINÁCULO 

A segunda tentação é de ordem espiritual e psicológica (Orgulho) (Mt 4.5-7).

Esta segunda tentação está ligada a primeira, pois Jesus disse que confiava plenamente no Pai, então Satanás habilmente usa a própria palavra de Deus contra Jesus para tentar induzi-lo a se jogar do pináculo do templo para que o Pai o amparasse. E para isso ele cita o Salmo 91.12. Satanás sugere a Jesus a provar a Sua fé em Deus, submetendo Sua promessa a um teste, isso não passava de um grande sofisma. 

A Segunda proposta apresentada a Jesus foi no sentido de que Ele provasse sua divindade pulando do pináculo do templo. Olhando superficialmente, a proposta de satanás não passava de uma tremenda infantilidade. Sugerir aquele que veio do céu que pule do pináculo do templo não fazia nenhum sentido. Mesmo porque além de não ser algo pecaminoso, não haveria nenhuma dificuldade para Jesus fazê-lo.

A afirmação do diabo: "Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra" (4:5-6). Jesus tinha replicado à tentação anterior dizendo que confiava em cada palavra do Senhor. Aqui Satanás está dizendo: "Bem, se confia tanto em Deus, então experimenta-o. Verifica o sistema e vê se ele realmente cuidará de ti." E ele confirmou a tentação com um trecho das Escrituras. 

As questões: A questão é: Jesus confiará sem experimentar? Desde que Deus prometeu preservá-lo do perigo, é certo criar um perigo, só para ver se Deus realmente fará como disse? 

A resposta de Jesus: "Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus" (4:7). A confiança verdadeira aceita a palavra de Deus e não necessita testá-la. 

O diabo cita a Escritura; ele põe como isca no seu anzol os versículos da Bíblia. Pessoas freqüentemente aceitam qualquer ensinamento, se está acompanhado por um bocado de versículos. Mas cuidado! O mesmo diabo que pode disfarçar-se como um anjo celestial (2 Coríntios 11:13-15) pode, certamente, deturpar as Escrituras para seus próprios propósitos. O diabo fez três enganos: Primeiro, não tomou todas as Escrituras. Jesus replicou com: "Também está escrito". A verdade é a soma de tudo o que Deus diz; por isso precisamos estudar todos os ensinamentos das Escrituras a respeito de um determinado assunto para conhecer verdadeiramente a vontade de Deus. Segundo, ele tomou a passagem fora do contexto. O Salmo 91, no contexto, conforta o homem que confia e depende do Senhor; ao homem que sente necessidade de testar o Senhor nada é prometido aqui. Terceiro, Satanás usou uma passagem figurada literalmente. No contexto, o ponto não era uma proteção física, mas uma espiritual. 2. Satanás é versátil. Jesus venceu em uma área, então o diabo se mudou para outra. Temos que estar sempre em guarda (1 Pedro 5:8). 3. A confiança não experimenta, não continua pondo condições ao nosso serviço a Deus, e não continua exigindo mais prova. Em vista da abundante evidência que Deus apresentou, é perverso pedir a Deus para fazer algo mais para dar prova de si.

TERCEIRA TENTAÇÃO – A TENTAÇÃO DO PINÁCULO 

A Segunda proposta apresentada a Jesus foi no sentido de que Ele provasse sua divindade pulando do pináculo do templo. Olhando superficialmente, a proposta de satanás não passava de uma tremenda infantilidade. Sugerir aquele que veio do céu que pule do pináculo do templo não fazia nenhum sentido. Mesmo porque além de não ser algo pecaminoso, não haveria nenhuma dificuldade para Jesus fazê-lo.

A terceira tentação é de ordem religiosa – apostasia (Mt 4.8-10).

A terceira tentação foi a apostasia. A isca é o desejo de poder. Poder total sobre um mundo que jaz no maligno. Jesus é convidado a fazer um acordo com o maligno, para que Ele, Jesus, reinasse por meio de intrigas, de guerras, através do mal. Mas Jesus não veio para estabelecer um reino terreno como muitos pensam; mas estabelecer o Reino de Deus dentro do coração dos homens.

Satanás sabendo que Jesus estava focado no Reino de Deus, então lhe oferece um reino sem cruz, desde que Jesus o adorasse. Assim o Reino de Deus seria estabelecido sem trabalho ou lágrimas, nem risco de vida, sob a simples condição de que Jesus lhe prestasse reverência.

A afirmação do diabo: "Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou- lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares" (4:8-9). Que tentação! O diabo deslumbrava com a torturante possibilidade de reinar sobre todos os reinos do mundo. 

As questões: A questão aqui não era tanto a de Jesus tornar-se um rei (Deus já lhe tinha prometido isso Salmo 2:7-9; Gênesis 49:10), mas de como e quando. O Senhor prometeu o reinado ao Filho depois de seu sofrimento (Hebreus 2:9). O diabo ofereceu um atalho: a coroa sem a cruz. Era um compromisso. Ele poderia governar todos os reinos do mundo e entregá-los ao Pai. Mas, no processo, o reino se tornaria impuro. Então as questões são: Como Jesus se tornaria rei? Você pode usar um meio errado e, no fim, conseguir fazer o bem? 

A resposta de Jesus: "Retira-te Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto"(4:10). Nada é bom se é errado, se viola as Escrituras. 

Satanás paga o que for necessário. O diabo ofereceu tudo para "comprar" Jesus. Se houver um preço pelo qual você desobedecerá a Deus, pode esperar que o diabo virá pagá-lo. (Leia Mateus 16:26). 2. O diabo oferece atalhos. Ele oferece o mais fácil, o mais decisivo caminho ao poder e à vitória. Jesus recusou o atalho; Ele ganharia os reinos pelo modo que o Pai tinha determinado. Hoje Satanás tenta as igrejas a usar atalhos para ganhar poder e converter pessoas. O caminho de Deus é converter ensinando o evangelho (Romanos 1:16). Exatamente como ele tentou Jesus para corromper sua missão e ganhar poder através de meios carnais, assim ele tenta nestes dias. 3. O diabo oferece compromissos por bons propósitos. Ele testa a profundeza de nossa pureza. Ele nos tenta a usar erradamente as Escrituras para apoiar um bom ponto ou dizer uma mentira de modo a atingir um bom resultado. Nunca é certo fazer o que é errado.

CONCLUSÃO. Jesus rejeitar as três propostas de satanás, estava rejeitando assumir o comando dos três poderes que governavam, governam e governarão o mundo até o dia de Sua volta. Pois de fato, o inimigo lhe ofereceu o domínio político (representado pelo monte), o domínio religioso (representado pelo pináculo do templo) e o domínio econômico (representado pela tentação do deserto). Jesus rejeitou cada uma delas, pois embora fossem boas não eram as melhores. Poderiam até resolver algum tipo de problema mas não resolveriam o problema do pecado.

Jesus nos deixa o exemplo de como devemos responder às tentações em nossas próprias vidas -- com as Escrituras. As forças do mal vêm sobre nós com uma miríade de tentações, mas todas têm as mesmas três coisas em sua essência: a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida (1 João 2:16). Só podemos reconhecer e combater essas tentações ao saturar os nossos corações e mentes com a verdade. A armadura de um soldado cristão na batalha espiritual inclui apenas uma arma ofensiva, a espada do Espírito, ou seja, a Palavra de Deus (Efésios 6:17). Conhecer a Bíblia intimamente vai colocar a espada em nossas mãos e nos capacitar a ter vitória sobre as tentações.
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Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)


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BIBLIOGRAFIA

Adaylton de Almeida Conceição – Cristología – Ed. Manancial.

Adaylton de Almeida Conceição – O Mistério de Cristo

Gary Fisher - Como Jesus Venceu a Tentação

Anastasios Kioulachoglou - As tentações de Jesus

Tia Célia – Enfrentando a Tentação

domingo, 19 de abril de 2015

REPENTINA DESTRUIÇÃO

      Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, não há necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados com precisão de que o Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão. I Tessalonicenses 5:1-3.
Quero deixar uma coisa bem clara nesta manhã para que ninguém fique temeroso com relação aos acontecimentos dos últimos dias. Os juízos de Deus atacam repentinamente, mas não sem aviso. Deus prometeu que nada faria, incluindo fazer justiça, sem contar aos seus profetas o que viria. Vamos ler esta verdade em Amós 3:7: Certamente, o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas.
Temos de estar sempre atentos à voz da trombeta. Trombeta significa a voz de advertência. Noé fez soar a última trombeta à sociedade condenada, no segundo mês, no décimo sétimo dia. Deus é tão minucioso que indica até o dia! Por cento e vinte anos a trombeta esteve nos lábios de Noé, advertindo e anunciando o juízo de Deus. Então, na noite do décimo sexto dia, no segundo mês, Deus fechou o patriarca e sua família na arca, fazendo-o saber que hoje à noite soa a última trombeta! Amanhã, a Mãe Terra terá justiça! No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as comportas dos céus se abriram. Gênesis 7:11.
E não é de admirar que o dia de juízo virá quando a sociedade ficar obcecada com a prosperidade e a segurança. A destruição repentina estará prestes a irromper no dia que a mente dos homens estiver concentrada nas riquezas. Loucura pelo dinheiro! Ganância! Acumular! Entesourar! Jesus advertiu-nos de que será um tempo quando o coração dos homens desmaiarem de medo, observando as coisas terríveis que acontece sobre a terra. Os homens buscam ansiosos alguma coisa certa, alguma coisa segura. O texto não diz que será um tempo de paz e segurança, apenas que eles dirão; "Paz e segurança." Será sobre isso que todos conversarão. Os assuntos versarão sobre dinheiro, coisas, investimentos, como encontrar um lugar seguro para seus bens! Mas vejamos o que diz a Palavra de Deus em Lucas 12:20-21: Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus.
Nunca na história do mundo os homens se tornaram tão impelidos por uma busca ao dinheiro. Prosperidade é o sonho mundial! O mercado de ações tornou-se um gigantesco cassino. Milhões de pessoas jogam na loteria, na esperança de enriquecer-se da noite para o dia. Por que tal obsessão para fazer-se próspero? Por que todos sabem que a tormenta se aproxima! O mundo inteiro aguarda com ansiedade aquele dia quando a desintegração financeira atacar. Estão tentando assegurar-se contra aquele tempo horrível, esperando superar a tempestade. A obsessão da prosperidade tem corrompido até mesmo a igreja. Como Paulo ficaria triste se soubesse que chegaria um dia quando os ministros do evangelho tornariam a aliança de Cristo numa aliança de dinheiro! A igreja outrora levantava-se perante o mundo como um testemunho contra a ganância e o materialismo, contra o amor às coisas, contra o amor do indivíduo a si mesmo, contra o acúmulo de riquezas e a cobiça. Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; 1 Timóteo 6:17.
A repentina destruição pode significar mais do que um holocausto da bomba atômica. Por um só acontecimento repentino, uma só catástrofe, o sonho do mundo pode tornar-se um horrível pesadelo. Coramos de vergonha ao ouvir que um pregador gastou fortunas de dinheiro com carros fantásticos, joias, casas luxuosas, vinhos caros! hoje o nome de Jesus tornou-se alvo de piadas e sátira. Jesus tornou-se a canção dos ébrios! Basta você ficar apenas alguns minutos diante da televisão que você verá em algum noticiário, onde o mundo inteiro é informado de que o grande pregador contra o pecado foi apanhado em flagrante pecado de prostituição! Em meio a tudo isso, estas terríveis palavras do apóstolo Pedro soam verdadeiras: Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? 1 Pedro 4:17.
Amada igreja o juízo de Deus em sua casa são tão repentinos e amedrontadores, que os ouvidos dos homens tinem quando ouvem falar deles! Quando Deus julgou a casa de Eli, ele disse: Eis que vou fazer uma coisa em Israel, a qual todo o que a ouvir lhe tinirão ambos os ouvidos. Porque já lhe disse que julgarei a sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele os não repreendeu. 1 Samuel 3:11 e 13. Quando Deus julgou a Israel e a casa de Manasses por corrupção, ele disse: Eis que hei de trazer tais males sobre Jerusalém e Judá, que todo o que os ouvir, lhe tinirão ambos os ouvidos. 2 Reis 21:12.
Tinir os ouvidos em hebraico significava: “vibrar os ouvidos e fazê-los ficar vermelhos de vergonha.” Até o ímpio terá ouvidos ruborizados! Se Deus vibrar os ouvidos desta nação pelo que eles vêem e ouvem de seus juízos sobre a igreja, que tipo de juízos repentinos e temíveis cairão sobre esta sociedade? Os veículos noticiosos desta nação têm-se deleitado em fazer comédia dos cristãos. Têm feito a nação descrer de toda pregação de santidade, convertendo todos os ministros em charlatães e vigaristas! As salas de bares estão infestadas de zombadores. Eles erguem seus drinques para brindar, rindo-se: “A todos os pregadores do fogo do inferno!” Contudo, seria melhor que obtivessem um resultado mais alto, porque tudo isso vai mudar da noite para o dia! Deus tinirá os ouvidos do mundo agora porque a sociedade é a próxima, nossos governos são os próximos e nossas instituições financeiras são as próximas! A palavra destruição, conforme empregada aqui, refere-se à ruína, morte! Ruína e morte repentina! O juízo na casa de Deus é Deus disparando um tiro de advertência sobre a proa do navio do estado. Em breve ele exigirá um golpe certeiro! Os homens não vão querer ouvir e tentarão tapar os ouvidos. As notícias serão inacreditáveis! Chocantes! Esses, todavia, como brutos irracionais, naturalmente feitos para presa e destruição, falando mal daquilo em que são ignorantes, na sua destruição também hão de ser destruídos, 2 Pedro 2:12.
Jesus disse que devemos regozijar-nos quando estas coisas acontecerem, porque significa que nossa redenção está próxima. Mas quem são esses que podem regozijar-se à beira de tanta destruição? Deus está chamando o seu povo para vigiar e ser sóbrio, visto que o dia da destruição se aproxima. Uma vez que cremos em nossa morte e ressurreição com Cristo, somos filhos da luz e agora o que nos cabe é vigiarmos e sermos sóbrios. Porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas. Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios. 1 Tessalonicenses 5:5-6.
Quão maravilhoso é saber que não temos necessidade de temer os pavorosos dias de ira e indignação que estão logo adiante. Vivos ou mortos, somos do Senhor. A repentina destruição com certeza virá sobre os perversos; mas a glória repentina aguarda os vencedores. Este não é tempo de estar flertando com algum pecado oculto. Não é tempo de estar ociosos durante horas em frente à TV, desperdiçando preciosos momentos que deviam ser passados em oração e devoção. A trombeta de Deus está soando alto e claro. Não temos desculpas, e em breve seremos sobressaltados pelas velozes e nefastas explosões de terror, desastres e tribulações pelo mundo todo. Os que conhecem o Senhor e andam na sua justiça não terão medo. Eles estarão nas linhas de frente do campo de batalha espiritual, e vencendo todos os principados e forças das trevas pela oração intercessora. Faríamos bem em crer nisso e ter nossos corações preparados. AS MUDANÇAS ESTÃO CHEGANDO - MUDANÇAS INCRÍVEIS. Repentinas e nocivas! Mas também, num abrir e fechar de olhos, aqueles que foram crucificados com Cristo, que são os autênticos filhos de Deus serão transformados de mortais para imortais. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. 1 Coríntios 15:53. Amém.

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