quinta-feira, 12 de março de 2015

O TABERNÁCULO | Êxodo 25 a 40

Lições sobre a presença de Deus
Êxodo 24.12 a 25.1, 8-9
24.12 Disse o Senhor a Moisés: “Suba o monte, venha até mim, e fique aqui; e lhe darei as tábuas de pedra com a lei e os mandamentos que escrevi para a instrução do povo”. 13 Moisés partiu com Josué, seu auxiliar, e subiu ao monte de Deus. 14Disse ele às autoridades de Israel: “Esperem-nos aqui, até que retornemos. Arão e Hur ficarão com vocês; quem tiver alguma questão para resolver, poderá procurá-los”. 15 Quando Moisés subiu, a nuvem cobriu o monte, 16 e a glória do Senhor permaneceu sobre o monte Sinai. Durante seis dias a nuvem cobriu o monte. No sétimo dia o Senhor chamou Moisés do interior da nuvem. 17 Aos olhos dos israelitas a glória do Senhor parecia um fogo consumidor no topo do monte. 18 Moisés entrou na nuvem e foi subindo o monte. E permaneceu no monte quarenta dias e quarenta noites.
25.1 Disse o Senhor a Moisés: (…) 8 E farão um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles. 9 Façam tudo como eu lhe mostrar, conforme o modelo do tabernáculo e de cada utensílio.
O PROBLEMA DO SER HUMANO
Tem alguma coisa errada com o ser humano! Você não acha? Tem dúvida disso? Quando olhamos ao redor, nós podemos constatar que algo terrível realmente aconteceu com a humanidade. Mas, o quê?
Algumas perspectivas psicológicas (Larry Crabb, psicólogo cristão, é um dos precursores) apontam duas premissas para o problema do homem: as pessoas necessitam desesperadamente tanto de (1) sentido quanto de (2) amor (valor e segurança).
Em busca de sentido, elas empregam todas as suas forças e as suas energias no trabalho. Afinal, querem ser valorizadas, e é na carreira ou naquilo que fazem com seus dons, talentos e capacidades que elas procuram construir toda a sua identidade. É no ter que elas encontram o seu valor.
Em busca de amor, as pessoas vivem para agradar os outros. Querem ser reconhecidas e elogiadas. Precisam se sentir indispensáveis. Afinal, ninguém consegue viver bem sem ter o que se ama. Logo, é no louvor recebido dos outros que a maioria encontra segurança.
O resultado disso tudo não é difícil de se prever. Basta olhar ao redor para se constatar que, para se sentir seguro e amado, nós amamos coisas e usamos pessoas. É uma tragédia!
Bem, olhando para as Escrituras, eu não diria que a busca de sentido e de amor seja o problema principal do ser humano. Querer receber valor e se sentir seguro é apenas uma consequência, um sintoma de uma doença ainda mais profunda: o pecado.
A necessidade mais profunda do ser humano, o nosso problema principal, é que por causa do pecado nós nos separamos de Deus (Rm 3.23). Precisamos de perdão e reaproximação. Longe de Deus, tudo ficou pervertido – do nosso relacionamento com o Criador, passando pela nossa interação com a vida, aos nossos relacionamentos com o próximo.
Agora, em vez de amar a Deus acima de todas as coisas, e amar ao próximo como amamos a nós mesmos, passamos a usar tudo e todos (inclusive Deus) para suprir o que julgamos ser as nossas “necessidades mais profundas”: valorização (egolatria) e segurança (autonomia).
A Bíblia, como já dissemos, revela que o problema principal do homem é o pecado, e que, portanto, a necessidade mais profunda das pessoas é de salvação, de santificação e de satisfação total em Deus, na comunhão plena com ele. Para mim, um dos textos mais lindos da Bíblia, e que melhor apresenta essa verdade, é o do Salmo de Moisés, o mesmo que escreveu o livro de Êxodo.
Ao longo de sua extensa peregrinação com o povo pelo deserto, Moisés, o libertador de Israel, descobriu, na prática, o problema principal do ser humano – o pecado nos impede de nos satisfazermos em Deus! Por isso ele ora, dizendo:
Sl 90.14 | Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes.
De capa a capa, a Bíblia ensina que quem (em Cristo) encontra perdão pelos pecados, recebe (pelo Espírito) a adoção de filho e passa a viver em comunhão com o Pai, encontra satisfação em Deus. O resultado será que essa pessoa passará a viver para amar a Deus (que satisfaz pela sua doce comunhão) e as pessoas – servindo a Deus e ao próximo com tudo o que são e com tudo o que possuem. A sua fé, a sua segurança e o seu valor estarão firmados no Senhor. Isso nos traz ao Êxodo.
DEUS CONOSCO
Fiel à sua promessa (Êx 6.6-8), o Senhor libertou o seu povo do Egito (Êx 1-18) e, no Monte Sinai, pactuou a adoção dessa gente com a entrega da lei, das ordenanças e dos estatutos (Êx 19-24). Agora, de Êxodo 25 ao final de Êxodo 40, Deus cumprirá o restante da sua promessa, que era de habitar em comunhão com o seu povo.
Os pré-requisitos para a comunhão com Deus
Para se ter e se desfrutar da comunhão com o Senhor, a pessoa precisará, primeiramente, ser perdoada e adotada por Deus. Por isso que em Êxodo, antes do tabernáculo (que era o símbolo da presença de Deus com o seu povo), faz-se primeiro o relato da libertação do Egito (Êx 1 a 18) e, depois, a adoção do povo no Sinai nos termos do Livro da Aliança (Êx 19 a 24). Só quem é resgatado e adotado por Deus desfrutará de sua doce comunhão:
Gl 4.4-7 | 4 Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei, 5 a fim de redimir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. 6 E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho ao coração de vocês, e ele clama: “Aba, Pai”. 7 Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e, por ser filho, Deus também o tornou herdeiro.
O valor conferido por Deus à comunhão
É impressionante observar que para a criação, Deus investiu seis dias de trabalho (Gn 1.31), mas na instrução de Moisés sobre como deveria ser a construção do tabernáculo, ele investiu 40 dias e 40 noites (Êx 24.18). Há na Bíblia toda 50 capítulos dedicados à construção do tabernáculo e ao ministério sacerdotal que lá deveria ser exercido (13 capítulos em Êxodo; 18 em Levíticos; 13 em Números; 2 em Deuteronômio e 4 em Hebreus).
Nenhum outro aspecto da fé do povo de Deus é tão explorado, e com tantos detalhes, do que o tabernáculo, os seus utensílios, o sacerdócio e os seus rituais. Por quê? Deus quer mostrar o valor que ele confere à comunhão com o seu povo; ele faz todo o empenho para que o seu povo não erre nem trivialize esse tema. Deus é Deus conosco.
Ao longo do livro de Gêneses, o Senhor caminhou com o seu povo – Adão e Eva (Gn 3.8), Enoque (Gn 5.22-24), Noé (Gn 6.9) e os patriarcas (Gn 17.1; 24.40; 48.15), mas agora, de Êxodo em diante, já que a revelação de Deus é progressiva, o Senhor passaria a habitar com o seu povo (Êx 25.8, 35-36; 29.44-46), culminando com a encarnação de Jesus (Jo 1.14) e, depois, com o envio do Espírito Santo (Jo 14.23; 15.16; 16.7); até o dia em que habitaremos com ele eternamente no céu:
Ap 21.3-4 | 3 Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: “Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. 4 Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou”.
Deus conosco é um tema imprescindível, pois a grande diferença entre o povo de Deus e os outros povos é que o Senhor habita com o seu povo e manifesta a sua gloriosa presença, primeiro no tabernáculo e, em seguida, em Jesus Cristo (que foi tipificado pelo tabernáculo de Êxodo).
Êx 29.42-46 | 42 “De geração em geração esse holocausto deverá ser feito regularmente à entrada da Tenda do Encontro, diante do Senhor. Nesse local eu os encontrarei e falarei com você; 43 ali me encontrarei com os israelitas, e o lugar será consagrado pela minha glória. 44 “Assim consagrarei a Tenda do Encontro e o altar, e consagrarei também Arão e seus filhos para me servirem como sacerdotes. 45 E habitarei no meio dos israelitas e serei o seu Deus. 46 Saberão que eu sou o Senhor, o seu Deus, que os tirou do Egito para habitar no meio deles. Eu sou o Senhor, o seu Deus.
Jo 1.14 | Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu [armou tenda, “tabernaculou”] entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.
Deus conosco é um tema imprescindível, pois da nossa comunhão com ele dependem todas as outras coisas da vida e da eternidade.
O tabernáculo e as lições da presença de Deus
Tendo destacado o valor do tabernáculo como símbolo da presença de Cristo com o seu povo, que lições o tabernáculo descrito em Êxodo pode nos ensinar sobre a presença de Deus?
Nós poderíamos gastar dezenas de domingos pesquisando cada detalhe de cada instrução e de cada elemento do tabernáculo, o que poderia ser bastante útil. Porém, faremos apenas um voo panorâmico.
De uma tacada só, estudaremos Êxodo 25 a 40, em busca de lições sobre a presença e a prática da presença de Deus. Se, como já vimos, o problema principal do ser humano é não conseguir desfrutar de plena satisfação na doce comunhão com Deus, o que e como esse texto da Escritura pode nos ensinar? Abordaremos o nosso tema a partir de cinco perspectivas. Veremos:
  • A estrutura do tabernáculo
  • Os utensílios do tabernáculo
  • O sacerdócio no tabernáculo
  • As ofertas para o tabernáculo
  • A mobilidade do tabernáculo
Pois bem, o que o Senhor tem a nos ensinar sobre a sua presença?
1. A estrutura do tabernáculo destaca a santidade de Deus
A estrutura do tabernáculo destaca a santidade de Deus. Como?
Observe que, se por um lado, o tabernáculo em si mesmo simboliza a presença especial de Deus entre o seu povo; por outro lado, a própria planta e estrutura do tabernáculo lembra a Israel de seus pecados.
As cortinas e a cobertura
O muro que cercava o tabernáculo (cortinas), formando o átrio ou o pátio. De longe, tudo o que se via era um cercado de cortinas de linho branco, com cerca de 50 metros de cumprimento, por 25 metros de largura, suspenso entre firmes colunas de madeira revestida de bronze, presas por ganchos e hastes de prata.
O teto do tabernáculo. Avistava-se também, por cima da cerca, com aproximadamente de 5 metros de altura, a cobertura especial para o tabernáculo, com quatro camadas sobrepostas, formando paredes e teto de lona. A cobertura externa era de couro de animal (Cinza escuro? Cor da areia?).
A lição. De fora, o que se via era um “muro” branco (cortinas), simbolizando a separação entre o que estava de fora (impuro) do que estava de dentro (puro). Acima dos “muros” (cortinas), o que se via era uma cobertura de pele de animal, sem qualquer beleza ou atrativo. Fora de Cristo não se vê beleza em Deus.
A porta do pátio (ou átrio)
Localização. A porta ficava do lado oriental, que dá para o nascente (Êx 27.13).
Dimensões. Ela tinha 9 m de largura (Êx 27.16), em uma parede de 25 m de cumprimento. Ou seja, larga o suficiente para todos que desejassem entrar.
As cores. Na cortina que servia de porta de entrada para o átrio do tabernáculo, quatro cores são explicitamente mencionadas: branca, azul, roxa e vermelha.
A lição. Só se entra pela porta. Cristo é a porta. Ele é a estrela da manhã que raiou do oriente. Ele convida a todos para entrar. Ele, que é sem pecado, de natureza divina, e rei de toda a terra, fez-se pecado e morreu em nosso lugar, dando-nos acesso à presença de Deus.
O caminho até o tabernáculo
Tabernáculo. Entrando pela porta, o que encantava os olhos do adorador era a cortina que dava acesso ao santo lugar (por ela só passavam os sacerdotes). Passando por aquela segunda cortina, via-se a terceira cortina, a que dava acesso ao santo dos santos (por ela só passava o sumo sacerdote uma vez ao ano, no dia da expiação). Todas as três cortinas eram tecidas com as mesmas 4 cores (branca, azul, roxa e vermelha). Porém, apenas a terceira, a que separava o lugar santo do santo dos santos, tinha o desenho de querubins, para assinalar que esses seres sublimes sempre velam pela glória de Deus. Detrás desse terceiro véu estava a arca, ali Deus, simbolicamente, habitava.
Altar do holocausto. Entre a porta de entrada do átrio (pátio) e o tabernáculo havia dois utensílios. O primeiro era o altar do holocausto. Sem sacrifício, sem propiciação, sem o sangue do Cordeiro, não se pode chegar a Deus.
Bacia de bronze. Do altar do holocausto ao tabernáculo, passava-se pela bacia de bronze, onde os sacerdotes lavavam pés e mãos antes de entrarem na presença de Deus. Arrependimento e purificação contínuos são indispensáveis para se viver em comunhão com Deus.
Dentro do tabernáculo
Lugar santo. No lugar santo havia três utensílios. À esquerda: o candelabro de ouro que a tudo iluminava. À direita: a mesa dos pães da propiciação que servia para alimentar os sacerdotes. À frente: o altar de incenso representava orações.
Santo dos santos. No santo dos santos havia apenas a arca da aliança, cuja tampa servia como propiciatório, apontando para Jesus. Dentro da arca havia três elementos importantíssimos na história de Israel: as tábuas da Lei, o maná do deserto e a vara de Arão, visando trazer à memória do povo que em Deus eles têm instrução, recebem provisão e passarão da morte para a vida.
Há muito mais que poderia ser dito sobre a estrutura do tabernáculo. Porém, numa visão geral, o que queremos destacar é que o nosso pecado nos separa da santidade de Deus.
Naturalmente, entregues a nós mesmos, não achamos graça em Deus. Em Cristo, porém, somos transportados para a presença santa e gloriosa do Senhor. Passamos a viver em comunhão, mas ainda sofrendo com as consequências do pecado – batalhando por santidade.
2. Os utensílios do tabernáculo revelam a majestade de Deus
Além da estrutura, outra coisa que, com certeza, Deus deseja usar em sua pedagogia, para ensinar sobre a sua presença, são os utensílios e os objetos utilizados para a fabricação dos mesmos. Todos os itens, pela beleza e pelo valor, apontam para a majestade de Deus.
Êx 25.1-9 | 1 Disse o Senhor a Moisés: 2 “Diga aos israelitas que me tragam uma oferta. Receba-a de todo aquele cujo coração o compelir a dar. 3 Estas são as ofertas que deverá receber deles: ouro, prata e bronze, 4 fios de tecidos azul, roxo e vermelho, linho fino, pêlos de cabra, 5 peles de carneiro tingidas de vermelho, couro, madeira de acácia, 6 azeite para iluminação; especiarias para o óleo da unção e para o incenso aromático; 7 pedras de ônix e outras pedras preciosas para serem encravadas no colete sacerdotal e no peitoral. 8 “E farão um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles. 9 Façam tudo como eu lhe mostrar, conforme o modelo do tabernáculo e de cada utensílio.
Vejam que todas as ofertas são de qualidade e nobreza. É tudo do melhor e do mais belo. Outro fato precisa ser observado. Não basta ser o melhor e se dar o melhor para Deus, se a forma de usar e de manusear não estiverem de acordo com a descrição e o modelo de Deus.
O melhor para Deus, dentro dos padrões da vontade de Deus, revelará ao mundo a gloriosa majestade de Deus. Foi assim que nasceram o tabernáculo e os seus utensílios: as cortinas, as colunas, as argolas, as estacas, o átrio ou o pátio, a porta, o altar, a bacia, a tenda, a mesa dos pães, o candelabro, o altar de incenso, o véu, o santo dos santos, a arca e o propiciatório, as roupas dos sacerdotes, etc.
Tudo no tabernáculo apontava para Cristo, e só revelou a glória de Cristo pois foi utilizado o melhor do povo dentro do modelo de Deus.
A nossa vida, com o melhor que temos, entregues aos propósitos de Deus (e apenas segundo a vontade revelada de Deus na Bíblia) revelará ao mundo a majestade gloriosa de Jesus Cristo.
3. O sacerdócio no tabernáculo descreve o chamado de Deus.
As vestes sacerdotais descritas em Êxodo 28.3-43 e 39.1-41 muito nos ensinam sobre o chamado de Deus para cada cristão.
A estola sacerdotal ensina, com as suas cores, sobre a vida de Cristo que nós devemos espelhar para o mundo.
As duas pedras nas ombreiras, uma à direita e outra à esquerda, ensinam sobre a responsabilidade que temos pela Igreja de Jesus. Nós carregamos o seu testemunho sobre os ombros.
O peitoral com doze pedras diferentes, com os nomes das doze tribos de Israel, gravados em cada uma delas, ensina que devemos carregar no peito, em oração, os nomes dos santos de Deus.
O urim e o tumim guardados na dobra do peitoral ensinam que é possível descobrir a vontade de Deus.
O manto ou sobrepeliz da estola sacerdotal chama atenção para o equilíbrio que deve haver entre palavras e posturas, o que falamos e como vivemos.
A mitra sobre a cabeça com a inscrição “Santidade ao Senhor” adverte que somos chamados a exalar a santidade de Deus.
Resumindo, podemos dizer que em Cristo nós somos chamados à salvação, à santidade e ao serviço. Ainda, sempre que caímos, somos chamados a recomeçar, de novo e de novo.
Quando lemos o Êxodo, descobrimos que do capítulo 25 ao 31 nós temos a instrução de Deus, e do capítulo 35 ao 40, repetindo detalhadamente praticamente tudo que já havia sido dito, nós temos a fiel execução do povo. Entre os dois relatos, nós encontramos o horrível incidente do bezerro de ouro, as consequências desse incidente e a renovação da aliança (Êx 32-34). Por que tantos detalhes repetidos uma segunda vez? Deus quer ensinar uma lição muito linda de graça e de misericórdia.
Sempre que caímos, Deus nos chama a um recomeço. De forma geral, nós vemos o chamado de Deus para a restauração da nação na execução do plano original de Deus, mesmo depois de terem pecado:
Êx 35.1 | Moisés reuniu toda a comunidade de Israel e lhes disse: “Estas são as coisas que o Senhor os mandou fazer” (…)
De forma específica, nós vemos o chamado de Deus para a restauração individual no tratamento dado a Arão.
Arão tinha servido de líder do povo na rebelião do pecado, enquanto Moisés passava os seus 40 dias e 40 noites na presença de Deus (Êx 32). Não bastasse a rebelião e a idolatria, quando confrontado por Moisés, Arão mentiu. Veja:
Êx 32.24 | Então eu lhes disse: Quem tiver enfeites de ouro, traga-os para mim. O povo trouxe-me o ouro, eu o joguei no fogo e surgiu esse bezerro.
Será mesmo? Parece que não. Veja o testemunho do próprio Deus
Êx 32.35 | E o Senhor feriu o povo com uma praga porque quiseram que Arão fizesse o bezerro.
Arão fez o bezerro e depois mentiu! Deus, porém, o chamou à restauração do pecado.
Êx 40.12-13 | 12 “Traga Arão e seus filhos à entrada da Tenda do Encontro e mande-os lavar-se. 13 Vista depois Arão com as vestes sagradas, unja-o e consagre-o para que me sirva como sacerdote.
Deus é realmente maravilhoso! Ele nos chama à salvação, à santificação e ao serviço. Mesmo quando pisamos na bola, ele nos chama ao arrependimento, à restauração e nos entrega seus planos para seguirmos com fé, esperança e amor.
Para o contrito e o arrependido, sempre há esperança.
4. As ofertas para o tabernáculo pintam a generosidade de Deus
A presença de Deus é fonte de toda sorte de bênçãos. Quando o povo foi libertado do Egito, de lá eles não saíram de mãos vazias:
Êx 12.35-36 | 35 Os israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata e de ouro, bem como roupas. 36 O Senhor concedeu ao povo uma disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que lhes davam o que pediam; assim eles despojaram os egípcios.
Por que Deus, tão graciosamente, nos dá tanto assim? Para aprendermos o prazer que é entregar, dar, contribuir. Agostinho nos fala que Deus só nos pede aquilo que ele próprio já nos deu. É isso o que vemos na construção do tabernáculo.
Êx 25.1-3 | 1 Disse o Senhor a Moisés: 2 “Diga aos israelitas que me tragam uma oferta. Receba-a de todo aquele cujo coração o compelir a dar. 3 Estas são as ofertas que deverá receber deles: (…) [Tudo o que haviam despojado dos egípcios!]
Além de nos dar, é Deus que move o nosso coração a ofertar. O “coração compelido a dar” é um coração tratado por Deus.
Êx 36.6-7 | 6 Então Moisés ordenou que fosse feita esta proclamação em todo o acampamento: “Nenhum homem ou mulher deverá fazer mais nada para ser oferecido ao santuário”. Assim, o povo foi impedido de trazer mais, 7 pois o que já haviam recebido era mais que suficiente para realizar toda a obra.
Um coração que foi alvo da generosidade de Deus, um coração nas mãos de Deus, causa esse tipo de “problema”. A generosidade de Deus é fonte de bênção, mas é também forma de constrangimento.
5. A mobilidade do tabernáculo anuncia a forma da presença de Deus
O tabernáculo não foi construído no Egito por causa da idolatria e do pecado que ofuscavam a presença de Deus. Ele foi construído entre o Egito (de onde foram arrancados) e Canaã (aonde estavam indo). Isso é muito significativo. No deserto, o povo era peregrino. Vivia pela esperança da promessa. Caminhava rumo a Canaã e com eles permanecia o Senhor. Veja como termina o Êxodo…
Êx 40.36-38 | 36 Sempre que a nuvem se erguia sobre o tabernáculo os israelitas seguiam viagem; 37 mas se a nuvem não se erguia, eles não prosseguiam; só partiam no dia em que ela se erguia. 38 De dia a nuvem do Senhor ficava sobre o tabernáculo, e de noite havia fogo na nuvem, à vista de toda a nação de Israel, em todas as suas viagens.
Sempre que paravam, montavam o tabernáculo, acampavam ao redor e o sacerdote entrava no santo lugar ou no santo dos santos, os pés permaneciam na areia do deserto (o tabernáculo não tinha piso), também não havia como descansar (no tabernáculo não havia cadeira). A única coisa a fazer era cumprir a vontade de Deus. A única coisa para ver era a majestosa presença de Deus estampada no simbolismo ao redor e no teto do tabernáculo.
Com os pés no chão e os olhos no céu! Era assim que os israelitas enfrentavam o deserto. Deus era sempre com eles e por eles.
O TABERNÁCULO | Êxodo 25 a 40
Lições sobre a presença de Deus
A presença de Deus era o que inspirava, o que mobilizava, o que mantinha viva a alma daquele povo no meio daquele deserto. Eles tinham os pés no chão, mas os seus olhos voltavam-se para o céu.
Sempre que tiravam os olhos do céu, suas esperanças murchavam. Sem o tabernáculo, simbolizando a presença de Deus, aquele povo secava e morria. Deus era a alegria, a beleza, a esperança e a salvação da vida deles. Afinal, o que mais eles poderiam ver naquele deserto?
Olhos voltados para Deus os fizeram romper em fé:
Hb 11.27 | Pela fé saiu do Egito, não temendo a ira do rei, e perseverou, porque via aquele que é invisível.
O que te faz perseverar?
O valor que você busca no trabalho?
A segurança que você almeja no amor das pessoas?
Você persevera amando as coisas e usando as pessoas?
Nós, que temos os pés na areia, só encontraremos esperança para perseverar até o céu ao voltarmos os olhos para lá, para Cristo.
Pela fé, olhe para Jesus e seja salvo, torne-se santo e satisfaça a sua alma na presença de Deus. Saia daqui fazendo a mesma oração de Moisés no único Salmo que leva o seu nome:
Sl 90.14 | Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes.
No Deserto, só Deus pode satisfazer a alma da gente. Deus te abençoe.
Pr Leandro B. Peixoto
Fonte: http://ibcentral.org.br/multimedia/

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