sábado, 14 de março de 2015

LEVITAS HOJE?

Preparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, para o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, em abril de 2006 “Quando digo uma palavra ela significa o que quero que ela diga” (Humpty Dupty a Alice) Apresentei ao Seminário do Paraná uma palestra intitulada “Profetas e sacerdotes, uma relação tumultuada”. Nela alistei os motivos que causaram o choque entre estas duas classes e como se assemelham a alguns motivos causadores de choques em nosso meio. Esta palestra segue neste rumo. Não será que muito da desfiguração da nossa liturgia (embora o profeta não desfigurasse a religião de Israel) é uma reação a um sacerdotalismo mumificador de nossos cultos? Penso isto, mas reconheço que esta reação, que pode ter sido legítima, babelizou nossos cultos. Está difícil caracterizar o que seja um culto batista. Tenho visto cada coisa, nas minhas andanças! Alguns atos de culto já nem podem ser mais chamados de cristãos, como unção de genitália para pureza sexual e cura de impotência ou frigidez. Cultos com sal grosso, queima de incenso, com coreografia que parece dança de ventre, etc. Todas estas coisas merecem reflexão. Houve desinstitucionalização ou absoluta perda de referenciais, para não dizer de bom senso? A desinstitucionalização da religião é necessária, mas com ela veio um tsunami litúrgico e também doutrinário. É por isto que muita gente reage contra mudanças litúrgicas, porque algumas delas embutem mudanças doutrinárias. Falarei um pouco sobre mudanças doutrinárias porque vejo entre a liturgia e estas mudanças. E não de maneira acidental. Estas mudanças liturgias e doutrinárias estão chegando a nós pela avalanche neopentecostal. Na década dos sessentas e setentas, o pentecostalismo se infiltrou nas igrejas tradicionais via discussão teológica. Era-nos possível contra-argumentar, pois o debate sucedia em termos dissertativos e cognitivos. O neopentecostalismo se infiltra nas igrejas tradicionais pela via litúrgica. É mais difícil argumentar. Não vem pela razão e emoção, mas pela prática de culto, chamada de adoração. No pentecostalismo, primeiro se justificava, depois se fazia. No neopentecostalismo, primeiro se faz, depois se justifica. Por isso, não se pode falar de liturgia sem reconhecer que algumas práticas litúrgicas trazem embutidas práticas neopentecostais. E sabemos que muito do neopentecostalismo tem pouco ou quase nada a ver com o cristianismo. Talvez no início, mas presentemente assusta. Práticas baixo-umbandistas têm se mesclado com o neopentecostalismo. Em alguns momentos, o que se vê não dá a distinção perfeita entre evangelho e umbanda. E meu ponto de partida é este: as mudanças litúrgicas mais significativas foram efetuadas pelo neopentecostalismo e têm sido assimiladas, acriticamente, pelos chamados tradicionais. Mas, numa rota oposta aos profetas, que desinstitucionalizaram a religião de Israel, estes que pretendem desinstitucionalizar nosso culto, se chamam de levitas. É estranho porque os levitas institucionalizaram a religião de Israel. É um contra-senso que tentarei explicar depois. Para mim é um contra-senso, mas para eles é uma necessidade lógica. Esta é minha linha: o perigo da institucionalização. Acompanhada de uma linha paralela: o perigo da desinstitucionalização pretendida pelos levitas. E com outra questão: tinham que se intitular de levitas? Levitas hoje? Havia até uma revista para pessoas envolvidas com cânticos na igreja, com este título. Causou-me um choque na primeira vez. Tocar guitarra num culto é ser levita? Cantar corinhos ingênuos (na nova semântica os corinhos se chamam “louvor”) é ser um levita? Não é rabugice. É questão de fundamentos teológicos. As palavras não significam o que nós queremos. Elas têm significado. Também não podemos agir como neo-ortodoxos, empregando palavras que sempre tiveram uma denotação com outra conotação. Jô Soares tinha 2 uma personagem que dizia: “Palavras são palavras, nada mais que palavras”. Se não somos desconstrucionistas, palavras representam conceitos. Por trás dos conceitos há verdades. É preciso ser objetivo no uso dos termos. Caso contrário teremos uma babel conceitual. E o assunto tem outro significado: por trás dos termos, há um movimento, que tem raízes culturais, mas desdobramentos teológicos. E esses desdobramentos atingem o cristianismo em sua própria mensagem. Queiram me acompanhar. 1. UMA REAÇÃO À INSTITUCIONALIZAÇÃO Quando me converti, na adolescência, ganhei um exemplar do Cantor Cristão, para cantar nos cultos. Na união de adolescentes se cantavam os chamados “corinhos”. Pedi a uma moça que me desse por escrito a letra de alguns deles. Ela me deu umas dez páginas de caderno. Eles não entravam nos cultos, apenas nas uniões. Eram secundários. Hoje se tornaram principais e até mesmo o carro-chefe de muitos cultos. A vida se tornou mais ágil, os estilos musicais se aceleraram (do samba canção se chegou ao pagode, e isto sem juízo de comparação entre os dois ritmos). Os corinhos passaram para o culto, adquiriram nova terminologia, receberam o aporte da bateria e hoje, com agitação, ritmo, volume de som elevado e pobreza de conteúdo, dominam os cultos. Por que isto aconteceu? Como disse, em parte como uma reação à institucionalização do culto, como algo muito mecânico, com uma ordem cheia de avisos (na igreja em que me converti, os anúncios eram feitos de maneira solene, com o apresentador introduzindo o momento como “o rádio repórter IBA”, com pano de fundo igual ao falecido Repórter Esso), dois ou três hinos, uma dramática poesia e um esquisito jogral. Ainda hoje impressiona observar como se gasta tempo em anúncios em nossos cultos. Há várias reuniões e projetos importantes, outros menos e alguns outros irrelevantes. Na minha igreja, se não controlo esta parte, todo mundo quer dar um aviso e de forma dispersiva, repetitiva, mas na forma que as pessoas acham muito importante. Mede-se o valor de uma atividade na igreja pelo tempo dispensado ao seu anúncio. No livro Malaquias, nosso contemporâneo, conto de um culto em uma igreja em que cronometrei o tempo gasto em anúncios: 46 minutos. Isto cansa e mata qualquer culto. Num artigo, “Cristianismo ou igrejismo”, comentei isto e chamei-o de “maldição dos arquivos”. Como a burocracia da igreja invade o tempo do culto! Esta burocratização não acontece apenas nos anúncios da programação da igreja. Na forma de culto também, e bem mais acentuada. Em muitas igrejas, o povo não louva a Deus. Alguém louva a Deus por ele. Há uma profusão de números especiais que o povo assiste, num culto do qual pouco participa. Menores, mais ágeis, com letras mais fáceis, com ritmo mais envolvente, os corinhos acharam aqui seu espaço, e de tal maneira que foram promovidos a “louvor”. Foram identificados como o momento do culto em que se louva a Deus. Não devemos aceitar esta terminologia, porque ela é falsa. Mas os corinhos foram aceitos com efusividade e se tornaram, como disse anteriormente, o carrochefe de muitos cultos. A questão que levantei com professores e alunos de Música Sacra, em instituições em que trabalhei, não em crítica, mas até mesmo desejando orientação, foi esta: “Vocês recebem treinamento para conduzir o povo em louvor a Deus, passam por um seminário e por mãos competentes, mas saem como clones, os mesmos gestos comedidos, o mesmo ar (“agora é hora de sorrir porque quando regemos o povo deve ver um sorriso em nosso rosto”) e as mesmas técnicas. Uma hora só as vozes femininas, depois só as masculinas, agora sem os instrumentos, agora em voz suave, e assim vai. Aí vem o garoto que não entende nada de música, põe um microfone dentro da boca, bate na coxa e levanta a galera. O que está acontecendo?”. Isto sucede também com a pregação. Um sermão homileticamente perfeito, bem estruturado, pode não empolgar, se 3 mero ato mecânico. Vem lá o sujeito que não entende nada de organização de pensamentos, massacra o idioma (gente que conhece Homilética também o massacra), mas empolga o pessoal. O que está acontecendo? Minha primeira idéia está aqui: muito do que fazemos pode vir a ser uma rotina, um ato de instituição religiosa, mero dever de um profissional de religião. O amadorismo e a falta de capacidade de muita gente na área do louvor e da pregação têm sido compensados pelo seu fervor e entusiasmo, mesmo que exagerados ou artificiais. Nós, ministros, podemos assumir tanto o preparo que descuremos do fervor, da paixão, julgando que o preparo acadêmico basta. Muitos dos cultos tradicionais, com pastores tradicionais e músicos tradicionais podem ser uma ortodulia morta que expressa uma ortodoxia morta. Assim afirmo: o caos litúrgico foi produto, em grande parte, de uma reação à falta de significado e de relevância do culto para a vida das pessoas. O culto é para Deus, mas precisa proporcionar respostas às necessidades espirituais das pessoas. Se virmos o culto apenas como uma atividade a desempenhar e algo a acontecer na agenda da igreja, cairemos nesta situação, a de rotina. Precisamos vê-lo como o grande momento na vida da igreja, o grande momento para a vida de algumas pessoas que ali estão, e saber que o que acontecerá ali está sendo ansiado por muitos como algo que vai supri-los de vigor espiritual. A igreja que tem um culto que alimenta as necessidades espirituais dos seus membros não precisará de exotismo ou extravagância litúrgica. Conteúdo e forma precisam se harmonizar, sustentados por fervor (que não é grito). Isto faz a diferença. Os cultos da IURD são uma coisa horrorosa, mas trazem um elemento que deve nos fazer pensar: eles têm a ver com a vida real das pessoas. Quando lemos os salmos vemos que eles não teorizavam nem tratavam de assuntos desconectados da vida real das pessoas. Nossos cultos têm a ver com a vida real das pessoas? São relevantes? Nosso culto é apenas estético ou também é existencial, no sentido de ser passional? O grande problema da religião institucionalizada, com atos litúrgicos dirigidos pela elite oficial, é o risco da institucionalização vazia de vida. Acontece que muitos de nós, pastores e músicos, deixamos de ser povo. Lemos livros e não pessoas. Ler livros é bom, mas ler pessoas é necessário. O choque entre sacerdotes e profetas se deu aqui. O sacerdote embalsamou a religião. O profeta a reavivou. Não será que embalsamamos o culto, em algum momento? Culto cheirando a formol pode atrair? Quando deixamos de ler gente podemos substituir o cheiro de incenso pelo do formol. 2. MAS, LEVITAS? Embora alguns ministros de música se pensem como levitas, tenho visto que este termo foi assumido mais por pessoas que sustentam esta visão de um culto mais agitado, mais ligado a igrejas neopentecostais e por gente de igrejas tradicionais que assumiu a liturgia neopentecostal. Por que pessoas que reclamam do tradicional buscaram um termo que tradicionalizou a religião? O que está por trás disto? Primeiro, tentemos entender o que era um levita. Que fazia ele? “Eles preparavam os animais a serem sacrificados, mantinham vigilância, faziam trabalhos braçais, limpavam o lugar de adoração, agiam como assistentes dos sacerdotes aarônicos. Alguns levitas aproximavam-se dos sacerdotes quanto à dignidade, mas outros eram pouco mais que escravos” (Champlin, vol. 3, p. 793). Carregar e cortar lenha, limpar o sangue dos animais, manter tudo organizado. Levita é isso, zelador e vigilante de templo. Mas entendo o porquê da busca do termo. Ninguém podia se aproximar do templo, sem permissão dos levitas, sob pena de morte. Há gente que quer ser dona do culto, como os levitas se julgavam donos do templo. Isto posto, digo que nosso pessoal de culto não é levita. Este se ligava a um templo, ao sacrifício de animais, ao derramamento de sangue, foram uma ordem que pertence a um contexto 4 teológico que não mais existe, como o contexto do sacerdote do Antigo Testamento. Não há levitas hoje, nem mesmo no judaísmo! Por que usam este nome para si? Porque grupos neopentecostais têm tentado dar subsídio bíblico às suas práticas. O neopentecostalismo tem se valido muito da exegese alegórica, na linha de Fílon de Alexandria. Talvez nem saibam disto, mas é o que fazem. Para Fílon, a Escritura possuía dois níveis de significado, o literal e o subjacente. Este era encontrado pela exegese alegórica, quando a passagem (ou a palavra, no caso) era interpretada pela perspectiva de outro evento, sem levar em conta o que este evento significa. É uma forma de dar respaldo bíblico a algo que não o tem. O valor deixa de ser o valor explícito do evento e passa a ser o valor que o intérprete dá. O neopentecostalismo tomou termos como levita e apóstolo, por exemplo, e lhes deu um valor seu, que não o dos termos, e o valor do termo passou a depender do valor dado. O valor dado se sobrepõe ao valor real. O significado subjacente acaba sendo o valor mais elevado na alegorização. E o valor real é “engolido” pelo valor dado. Com esta prática, o produto da alegoria se torna real, e o evento que permitiu a alegoria se torna algo do passado, cujo valor não é relevante. O literal cede ao subjacente. O termo levita tem sido usado de forma subjacente. Ele é usado para grudar uma imagem em seus usuários. Isto é uma boa estratégia. “Regente” não é um termo bíblico. “Ministro de música” não é um termo bíblico. Mas “levita” é. O que se faz nada tem a ver com o ofício de um levita, mas legitima o que se faz e o coloca num nível acima do que os outros. Não podemos contestar a Bíblia. Se o levitismo está institucionalizado na Bíblia, quem somos nós para contradizê-lo? Parece que estou brigando por semântica e por conceitos hermenêuticos? Não, sou rabugento, mas não tanto. Estou mostrando como, com prestidigitação verbal, se transformou uma prática nova, que não era aceita e que enfrenta resistências, em algo bíblico, e assim se procura desarmar quem discorda. Isto coloca uma das partes em desvantagem porque está argumentando contra algo que, assim se diz, está na Bíblia. 3. QUE DIZ O NOVO TESTAMENTO? Uma prática neopentecostal é buscar refúgio no Antigo Testamento. O sistema religioso veterotestamentário é autoritário, no sentido de forma de governo. O líder neopentecostal se sente confortável num campo bíblico em que a sua voz, como líder, não pode ser contestada. No Novo Testamento o sistema religioso é democrático, e isto a partir de uma fundamentação teológica: o Espírito Santo não é de uma classe, mas de todos os crentes. O neopentecostalismo foi se abeberar teologicamente no Novo para se municiar dos termos bispo e apóstolo, que têm uma denotação centralizadora e uma conotação autoritária. Mas se justifica no Antigo Testamento. E se vale da exegese alegórica, que, entre muitas outras questões, ignora contexto histórico e a progressividade da revelação. Mas não nos subsidiamos no Antigo Testamento, pois somos cristãos. E não devemos nos valer do Novo de forma selecionável, optando pelo que nos serve. O que diz o Novo Testamento sobre o culto? Isto é matéria para um semestre, mas tentarei ser breve. Não temos relatos detalhados de cultos da igreja primitiva. Sabemos que o cristianismo foi, originalmente, uma seita judaica chamada “caminho” (At 22.4 e 28.22). Seus primeiros passos foram ensaiados dentro da sinagoga. O estilo de culto da sinagoga consistia de cânticos e explicação da Palavra, orações e atos de dedicação, como o bar mitzvah, por exemplo. A igreja agregou a celebração da ceia, que parece ter sido praticada em todas as reuniões. Em Atos 20.7 em diante vemos os cristãos reunidos para partir o pão e há uma longa pregação de Paulo, que se estendeu até meia-noite. Em 1Coríntios 16 e 2Coríntios 8 vemos que as ofertas faziam parte do 5 culto cristão. À luz de 1Coríntios 14.26, parece que a participação dos irmãos era grande, não havendo uma elite litúrgica, como no Antigo Testamento. De novo, a causa disto é o princípio teológico. Se o Espírito Santo era de toda a igreja, toda a igreja tinha algo a dizer no culto. Parece também que a pregação era debatida ou que se faziam perguntas ao pregador, pois Paulo proibiu as mulheres de fazerem perguntas. Um ou outro item pode ser acrescentado aqui, mas em linhas gerais era isto. Justino Mártir, em sua Primeira Apologia, escrita cerca de 150 de nossa era, para o imperador Antonino Pio, resumiu o culto da igreja primitiva em duas partes básicas. Seu relato mostra que o culto cristão se solidificara como distinto da sinagoga, da qual a igreja também se distanciara. Desta forma, aquilo que o Novo Testamento não explicita, a história mostra que ele cristalizou. O culto relatado por Justino tinha duas partes: (1) A liturgia da Palavra; (2) A liturgia da Eucaristia. A primeira parte, liturgia da Palavra, tinha quatro itens: Lições do AT e do NT; sermões; orações; hinos. A segunda parte, a liturgia da eucaristia, tinha oito itens: beijo da paz; oferenda de pão, vinho e água; orações e ações de graças pelo pão e vinho; a narrativa da última ceia e uma ordem para continuar nela; amém coletivo; comunhão e ceia do Senhor; oferenda aos pobres e porções separadas da ceia levadas pelos diáconos aos ausentes. Esta descrição não nos ajuda em questões de forma, mas nos orienta em alguns pontos. O culto tinha duas linhas. Dirigia-se a Deus e visava as necessidades humanas. Outra: tinha grande espaço para a Palavra, mais que para louvor. O culto tinha também uma dimensão de fraternidade. Tanto que após ele os diáconos iam levar a ceia aos ausentes, talvez doentes. Mais uma: não temos registro, nem no Novo Testamento nem na história imediata, de um clero ou uma classe dirigindo o culto. Não há um sacerdócio ou um levitismo. A participação parecia ser mais geral do que de grupos. O texto de Efésios 5.18-19 deve ser entendido num contexto de culto, mais que de recomendação devocional: “Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito, falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor” (NVI). Talvez se faça aqui alusão à igreja de Corinto, em que havia embriaguez no ágape. Não quero diferençar entre salmos, hinos e cânticos espirituais porque vocês já sabem o que isto significa, mais do que eu. Deixa claro que havia mutualidade no culto, com participação dos crentes, em que o louvor tinha uma função também de edificação. As alusões permitem entender um compartilhamento, não um domínio. Um repartir, não o sobressair. Não encontramos choques, conflitos nem estrelismo. O culto une, não cria arestas. Soa-me estranho que o culto contemporâneo seja motivo de dissensões. Se é para Deus, se é inspirado pelo Espírito de Deus, se visa congregar o povo de Deus, como pode levar o povo a se digladiar? O culto do Novo Testamento parece uma comunhão singela de homens e mulheres ao redor de um fato: a cruz de Jesus e sua ressurreição. Era um culto cristológico e cristocêntrico. Bem diferente do culto contemporâneo, mais antropocêntrico e com cânticos centrados no adorador, mais que em Jesus. CONSIDERAÇÕES FINAIS Vamos ao arremate das considerações. Comecei pela institucionalização do culto, com o engessamento da liturgia, que deixou de ser atraente. Reconheço que a liturgia tem um componente cultural. Afirmo que as nuances culturais não podem se sobrepor à teologia. Afirmei que o processo de desinstitucionalização precisa ser correto, desvinculado de mudanças no conteúdo. Afirmei que as mudanças têm sido efetuadas com uma formatação neopentecostal. Afirmei que a busca de subsídio de funções e atividades litúrgicas com termos do Antigo Testamento para legitimação parece-me ocultar um desejo de se impor aos demais. E que esta imposição não é acidental, mas têm motivações secundárias. Afirmo agora que muito da atual liturgia é voltada para o ego, para estrelas eclesiásticas, para o surgimento de uma casta tanto sacerdotal, por isso que se chamam de levitas, quanto financeira. O louvor está dando dinheiro, 6 mais que frutos, em alguns segmentos. E muitos crentes aceitam porque há pessoas que querem er manipuladas. Reconheço e afirmo que no Novo Testamento o elemento que evidencia a sinceridade do culto é a edificação, não o personalismo. São a Palavra e a pessoa de Cristo. Declaro aqui que minha mais séria crítica ao movimento dos pseudos levitas e seus cânticos é a exaltação do ritmo e dos instrumentos, além do volume de som, mais que do conteúdo. Os cânticos de hoje têm empobrecido o culto. São paupérrimos de conteúdo e com um português que faria Camões uivar na sepultura. A tarefa mais importante dos ministros de música, à luz destas afirmações, parece-me ser não a defensiva, da criação de uma apologética litúrgica. Devem elaborá-la. Mas isto é ser reativo. Os ministros de música precisam ser propositivos, propondo uma liturgia dinâmica, viva, não engessadora, que proporcione espaço para a glória de Deus, mas ao mesmo tempo, espaço que a emocionalidade do adorador. Os batistas esperam balizamento de gente preparada. Apontei aqui as considerações e preocupações pastorais, sendo eu um pastor preocupado com a teologia sadia e com a vida espiritual. Espero dos ministros de música respostas às minhas inquietações. Há um espaço que vem sendo preenchido por gente sem preparo, cheia de boa vontade, mas desorientada e cheia de equívocos. Reconheço, como disse, as nuances culturais da liturgia. Mas volto a afirmar que a nossa, se não a oficial, mas a aceita pela instituição, carece de reparos. Vocês devem fazê-los. Isto não é tarefa para neopentecostais, pois sua liturgia embrulha sua “desteologia”. Este processo de “desteologia” começa com a nomenclatura auto-aferida, usada para encerrar argumentações. Que quero desta palestra? Não quero perguntas, mas respostas. Responderei às que me fizerem, porque assumo o que afirmo. Não temo perguntas. Quero, no entanto, respostas. Respostas de músicos para um pastor. Tenho andado numa direção e espero resposta de quem caminha na mesma direção. A resposta é para esta pergunta: como colocar a teologia correta numa liturgia atual, dinâmica e correta? Como efetuar mudanças litúrgicas sem cair na armadilha das mudanças que nos oferecem e que embrulham problemas doutrinários? Como ter um culto vivo sem transformar o culto num museu de horrores litúrgicos? Tenho dito
http://www.isaltino.com.br/2006/04/levitas-hoje/#more-427

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