segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Lição 9: Não adulterarás

Lições Bíblicas CPAD - Adultos - 1º Trimestre de 2015

Título: A Lei de Deus — Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança

Comentarista: Esequias Soares

Data: 1º de Março de 2015

TEXTO ÁUREO
    “Eu, porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5.28).

VERDADE PRÁTICA
     O sétimo mandamento diz respeito à pureza sexual e à proteção da sagrada instituição da família, assim como o mandamento anterior fala sobre a proteção à vida.

LEITURA DIÁRIA
Segunda - Gn 2.21-24
O casamento foi instituído por Deus antes da queda no Éden

Terça - Pv 6.32,33
O adultério destrói a reputação e deixa cicatrizes indeléveis

Quarta - Jr 29.20-23
O adultério é uma prática insana com consequências funestas

Quinta - Ml 2.14
Deus exige fidelidade entre marido e mulher

Sexta - Mt 19.4-6
O plano divino desde o princípio era monogâmico

Sábado - Mc 10.11,12
No NT, adultério é qualquer relação sexual extraconjugal

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Êxodo 20.14; Deuteronômio 22.22-30.

Êxodo 20
14 - Não adulterarás.


Deuteronômio 22

22 - Quando um homem for achado deitado com mulher casada com marido, então, ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher e a mulher; assim, tirarás o mal de Israel.
23 - Quando houver moça virgem, desposada com algum homem, e um homem a achar na cidade e se deitar com ela,
24 - então, trareis ambos à porta daquela cidade e os apedrejareis com pedras, até que morram; a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou a mulher do seu próximo; assim, tirarás o mal do meio de ti.
25 - E, se algum homem, no campo, achar uma moça desposada, e o homem a forçar, e se deitar com ela, então, morrerá só o homem que se deitou com ela;
26 - porém à moça não farás nada; a moça não tem culpa de morte; porque, como o homem que se levanta contra o seu próximo e lhe tira a vida, assim é este negócio.
27 - Pois a achou no campo; a moça desposada gritou, e não houve quem a livrasse.
28 - Quando um homem achar uma moça virgem, que não for desposada, e pegar nela, e se deitar com ela, e forem apanhados,
29 - então, o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinquenta siclos de prata; e, porquanto a humilhou, lhe será por mulher; não a poderá despedir em todos os seus dias.
30 - Nenhum homem tomará a mulher de seu pai, nem descobrirá a ourela de seu pai.

OBJETIVO GERAL
Apresentar o sétimo mandamento, ressaltando o intento de Deus em favor da família.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I. Tratar a abrangência e o objetivo do sétimo mandamento.
II. Mostrar o real significado da infidelidade.
III. Relacionar alguns pecados sexuais segundo a lei divina.
IV. Analisar o ensino de Jesus acerca do sétimo mandamento.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
      Infelizmente, vivemos em uma sociedade em que muitos já começam a ver a infidelidade conjugal como uma prática normal. Contudo, segundo a Palavra de Deus, o adultério é e continuará sendo pecado. Encontramos tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, sérias advertências contra a infidelidade conjugal (Êx 20.14; Dt 5.18; Rm 13.9; Cl 5.19). A princípio, a quebra do sétimo mandamento pode parecer doce e até prazerosa, mas o seu fim é amargoso como o absinto (Pv 5.4). Com a infidelidade vem a disfunção familiar. A disfunção é perigosa, é destrutiva para toda a família, para a igreja do Senhor e para a sociedade de um modo geral.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
      O sétimo mandamento condena o adultério e a impureza sexual com o objetivo de proteger a família. A Bíblia não condena o sexo; a santidade dele é inquestionável dentro do padrão divino, mas sua prática ilícita tem sido um dos maiores problemas do ser humano ao longo dos séculos. O sétimo mandamento é tratado de uma maneira na lei, e de outra na graça. Um olhar no episódio da mulher adúltera (Jo 8.1-11) mostra que tal preceito foi resgatado pela graça e adaptado a ela, e não à lei.

PONTO CENTRAL
O adultério e a impureza sexual maculam a família.

I. O SÉTIMO MANDAMENTO

1. Abrangência. Trata de um tema muito abrangente, que envolve sexo e casamento num contexto social contaminado pelo pecado. O mandamento consiste em uma proibição absoluta, sem concessão, expressa de maneira simples em duas palavras: “não adulterarás” (Êx 20.14; Dt 5.18). Sua regulamentação para os israelitas pode ser encontrada nos livros de Levítico e Deuteronômio, que dispõem contra os pecados sexuais, a prostituição e toda forma de violência sexual com suas respectivas sanções.

2. Objetivo. O Decálogo segue uma lógica. Primeiro aparece a proteção da vida, em seguida vem a família e depois os bens e a honra. O mandamento “não adulterarás” veio para proteger o lar e dessa forma estabelecer uma sociedade moral e espiritualmente sadia. A proibição aqui é contra toda e qualquer imoralidade sexual, expressa de maneira genérica, mas especificada em diversos dispositivos na lei de Moisés.

3. Contexto. A lei foi promulgada numa sociedade patriarcal que permitia a poligamia. Nesse contexto social, o adultério na lei de Moisés consistia no fato de um homem se deitar com uma mulher casada com outro homem, independentemente de ser ele casado ou solteiro. Os infratores da lei deviam ser mortos, tanto o homem quanto a mulher (Dt 22.22; Lv 20.10).

SÍNTESE DO TÓPICO (I)
      O sétimo mandamento tem como objetivo proteger a família, estabelecendo uma sociedade moral e espiritualmente sadia.

II. INFIDELIDADE
1. Adultério. É traição e falsidade. É a quebra de uma aliança assumida pelo casal diante de Deus e da sociedade, uma infidelidade que destrói a harmonia no lar e desestabiliza a família. A tradição judaico-cristã leva o assunto a sério e considera o adultério um pecado grave. Trata-se de uma loucura que compromete a honra e a reputação de qualquer pessoa, independentemente de sua confissão religiosa ou status social (Jr 29.23; Pv 6.32,33).

2. Sexo antes do casamento. Esta prática está muito em voga na sociedade moderna, mas nunca teve a aprovação divina, e por isso os jovens devem evitar essas coisas (Sl 119.9). Em Israel, os envolvidos em tal prática, desde que a mulher não fosse casada ou comprometida, não eram condenados à morte. A pena era menos rigorosa, mas o homem tinha de se casar com a moça, pagar uma indenização por danos morais ao pai da jovem e nunca mais se divorciar dela (Dt 22.28,29). Hoje, esse tipo de pecado requer aplicação de disciplina da Igreja, mas nem sempre o casamento deles é a solução.

3. Fornicação. A “moça virgem, desposada com algum homem” (Dt 22.23) diz respeito, no contexto atual, à noiva que ainda não se casou, mas está comprometida em casamento. Trata-se do pecado sexual de fornicação praticado com consentimento mútuo. A pena da lei é a morte por apedrejamento, como no caso de envolvimento com uma mulher casada (Dt 22.24). A razão desta pena vai além do simples ato, pois se trata da quebra de fidelidade, “porquanto humilhou a mulher do seu próximo; assim, tirarás o mal do meio de ti” (Dt 22.24b).

SÍNTESE DO TÓPICO (II)
     A infidelidade conjugal quebra a aliança assumida pelo casal diante de Deus e dos homens.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
    “Geralmente o adultério era perdoado nas culturas pagãs, particularmente quanto à parte do homem que, embora fosse casado, não era acusado de adultério a não ser que coabitasse com a esposa de outro homem ou com uma virgem que estivesse noiva. O adultério é estritamente proibido tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento (Rm 13.9; Gl 5.19).
      Na Bíblia, o termo adultério é muitas vezes utilizado como uma metáfora para representar a idolatria ou apostasia da nação e do povo comprometido com Deus. Exemplos disso podem ser encontrados em Jeremias 3.8,9; Ezequiel 23.26,43; Oseias 2.2-13)” (PFEIFFER, Charles F. (Ed). Dicionário Bíblico Wycliffe. 7ª Edição. RJ: CPAD, 2010, p.35).

III. OUTROS PECADOS SEXUAIS

1. Estupro. A lei contrasta a cidade com o campo para deixar clara a diferença entre estupro e ato sexual consentido. Os versículos 25-27 tratam do caso de violência sexual, pois no campo a probabilidade de socorro era praticamente nula, e a moça era forçada a praticar o ato (22.25). Neste caso, somente o estuprador era morto, acusado de crime sexual, mas a moça era inocentada (Dt 22.26,27).

2. Incesto. A lei estabelece a lista de parentesco em que deve e não deve haver casamento, para evitar a endogamia e o incesto (Lv 18.6-18). Mais adiante, a lei prescreve as penas de cada grupo desses pecados (Lv 20.10-23). “Nenhum homem tomará a mulher de seu pai” (Dt 22.30). A lei dispõe contra a prática sexual execrável de abusar da madrasta. É o pecado que desonra o pai, invade e macula o seu leito. Quem pratica tal abominação está sob a maldição divina (Dt 27.20). Na lei, o assunto pertence ao campo jurídico e a condenação prevista é a morte (Lv 20.11). Entretanto, estamos debaixo da graça, e por essa razão o tema é levado à esfera espiritual, cuja sanção se restringe à perda da comunhão da Igreja (1Co 5.1-5). A sábia decisão apostólica é a base para o princípio disciplinar que as igrejas aplicam hoje.

3. Bestialidade. É uma aberração sexual, tanto masculina como feminina, contra a qual a lei dispõe tendo como sanção a pena de morte, seja para o homem, seja para a mulher e também para o animal, que devia ser morto (Lv 20.15,16). Bestialidade e homossexualismo desonram a Deus e eram práticas cananeias, razão pela qual os cananeus foram vomitados da terra (Lv 18.23-28).

SÍNTESE DO TÓPICO (III)
Deus abomina o estupro, o incesto e a bestialidade.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Incesto — O crime de coabitação ou relacionamento sexual com familiares ou parentes, que é proibido na lei de Moisés (Lv 18.1-18). A lista apresentada por Moisés é precedida por uma advertência de que Israel não deveria entregar-se aos pecados dos egípcios a quem eles haviam acabado de deixar, ou dos cananeus para cuja terra Deus os estava trazendo. A lista dos relacionamentos proibidos inclui: mãe, madrasta, irmã ou meia-irmã, neta, filha de uma madrasta, uma tia de ambos os lados, a esposa de um tio por parte de pai, nora, cunhada, uma mulher e sua filha, ou neta, a irmã de uma esposa viva. Uma filha e uma irmã por parte de pai e mãe não são mencionados especificamente, uma vez que já são classificadas como ‘parenta da sua carne’ (v.6)” (PFEIFFER, Charles F. (Ed). Dicionário Bíblico Wycliffe. 7ª Edição. RJ: CPAD, 2010, p.966).

IV. O ENSINO DE JESUS

1. O sétimo mandamento nos Evangelhos. O Senhor Jesus reiterou o que Deus disse no princípio da criação sobre o casamento, que se trata de uma instituição divina, uma união estabelecida pelo próprio Deus (Mt 19.4-6). Ele também se referiu ao tema do sétimo mandamento de maneira direta e indireta. Direta ao fazer uso das palavras “não adulterarás” ou “não cometerás adultério” no Sermão do Monte (Mt 5.27), na questão do moço rico (Mt 19.18) e nas passagens paralelas (Mc 10.19; Lc 18.20). Indireta quando fala acerca do divórcio, tema pertinente ao sétimo mandamento (Mt 19.9; Mc 10.11,12).

2. O problema dos escribas e fariseus. Mais uma vez Ele corrige o pensamento equivocado das autoridades religiosas de Israel. Os escribas e fariseus haviam reduzido o sétimo mandamento ao próprio ato físico, pois desconheciam o espírito da lei, apegavam-se à letra dela (2Co 3.6). Assim, como é possível cometer assassinato com a cólera ou palavras insultuosas, sem o ato físico (Mt 5.21,22), da mesma forma é possível também cometer adultério só no pensamento (Mt 5.27,28).

3. A concupiscência. Há diferença entre olhar e cobiçar. O pecado é o olhar concupiscente. O sexo é santo aos olhos de Deus, desde que dentro do casamento, nunca fora dele. O livro de Cantares de Salomão mostra que o sexo não é apenas para procriação, mas para o prazer e a felicidade dos seres humanos. Jesus não está questionando o sexo, mas combatendo a impureza sexual e o sexo ilícito, a prostituição. O Senhor Jesus disse que os adultérios procedem do coração humano (Mt 15.19).

SÍNTESE DO TÓPICO (IV)

O Senhor Jesus reiterou o princípio do sétimo mandamento.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
      “O Senhor Jesus estendeu a culpa pelo adultério da mesma forma como fez para outros mandamentos, incluindo o propósito ou o desejo de cometê-lo ao próprio ato em si (Mt 5.28). Tecnicamente, o adultério se distingue da fornicação, que é a relação sexual entre pessoas que não são casadas. Entretanto, a palavra grega porneia, uniformemente traduzida como ‘fornicação’, inclui toda lascívia e irregularidade sexual” (PFEIFFER, Charles F. (Ed). Dicionário Bíblico Wycliffe. 7ª Edição. RJ. CPAD, 2010, p.35).

CONCLUSÃO
      Cremos que Deus sabe o que é certo e o que é errado para a vida humana. A Bíblia é o manual divino do fabricante e é loucura querer ir contra Ele. A sanção contra os que violarem o sétimo mandamento, na fé cristã, não vai além da disciplina da Igreja e, em alguns casos, o caos na família. Mas o julgamento divino é tão certo quanto a sucessão dos dias e das noites, e a única salvação é Jesus (At 16.31; 17.31).

VOCABULÁRIO
     Endogamia: Estado de endógamo, isto é, aquele que só se casa com membros da sua classe ou tribo.

PARA REFLETIR

Sobre o sétimo mandamento:

O adultério destrói a família. Por quê?
      Sim. Ele destrói a família porque quebra a aliança assumida pelo casal diante de Deus e da sociedade. A infidelidade destrói a harmonia no lar e desestabiliza a família.

O adultério refere-se apenas ao envolvimento sexual de pessoas casadas?

Não. Refere-se também ao relacionamento sexual entre uma pessoa solteira e uma casada.

Por que o adultério é destrutivo para a família?

Porque é uma loucura que compromete a honra e a reputação do casal.

Por que o casamento é uma instituição divina?

Porque foi planejado e criado pelo Senhor.

Qual o limite entre o “simples olhar” e o “olhar malicioso”?

O olhar malicioso é o que cobiça com o desejo de possuir o outro.

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

Não adulterarás
      Quando um membro comete o pecado de adultério contra o cônjuge geralmente é redigido no Livro da Ata da Assembleia Geral da igreja local, assim: “pecou contra o sétimo mandamento”. Adultério e sétimo mandamento tornaram-se sinônimos na maioria das igrejas.

Com adultério, nos referimos ao relacionamento sexual de uma pessoa casada com outra casada ou solteira. Mas o sétimo mandamento tem uma particularidade no Antigo Testamento. Quando Deus o proferiu ao povo, a mulher tinha um papel bem diferente o da atual sociedade ocidental.

Era comum, em Israel, o homem adulterar com outra mulher, embora esta nunca fora a vontade de Deus para a humanidade. Pela dureza do coração humano, as mulheres eram preteridas por quaisquer desculpas: “Quando um homem tomar uma mulher e se casar com ela, então, será que, se não achar graça em seus olhos, por nela achar coisa feia, ele lhe fará escrito de repúdio, e lho dará na mão, e a despedirá da sua casa” (Dt 24.1). A expressão “achar coisa feia” foi responsável por muitas interpretações entre os sábios de Israel. O resultado: por mais absurdo dos motivos os judeus repudiavam as suas mulheres. Na sociedade dos tempos antigos, as mulheres repudiadas tinham apenas dois destinos para sobreviverem: tornavam-se prostitutas ou mendicantes.

No Novo Testamento, Jesus retomou o ideal de Deus para a humanidade e denunciou a covardia dos homens de Israel, principalmente a dos religiosos, dizendo: “Ouviste o que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu porém, vos digo que qualquer que atentar para uma mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5.27,27). Note que a expressão “achar coisa feia”, de Deuteronômio 24.1, perdeu todo o sentido agora. O nosso Senhor estava falando aos homens nestes termos: vocês não têm o direito de repudiar as suas mulheres para ficar com outras mais novas. Assim Jesus asseverou: “Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19.4-6).

O adultério viola por completo o princípio de Deus para com os seres humanos. Os destinatários das palavras de Jesus eram os homens da sua época. Por quê? Ora, eles determinavam a vida das mulheres. Mas hoje, também, o mandamento fala como nunca e cada vez às mulheres mais independentes: Não adulterarás!
Fonte: http://www.estudantesdabiblia.com.br/licoes_cpad/2015/2015-01-09.htm

NÃO ADULTERARÁS

      Este mandamento é tão importante quanto os demais. Nem mais nem menos importante. A Bíblia não hierarquiza os pecados. O profeta Malaquias coloca igualmente o adultério no mesmo plano de outras abominações contra Deus, que fala, pela boca do seu enviado:
      “Chegar-me-ei a vós outros para juízo; serei testemunha veloz contra os feiticeiros, e contra os adúlteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o salário do jornaleiro, e oprimem a viúva e o órfão, e torcem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos.
Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos”.
(Malaquias 3.5-7)

Outro profeta (Oséias) repete a mesma percepção:
      “O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios. Por isso, a terra está de luto, e todo o que mora nela desfalece, com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar perecem”.
(Oséias 4.2-3)

O apóstolo Paulo segue na mesma direção:
      “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”. (1Coríntios 6.9-11)
      Ao escrever assim, o apóstolo Paulo está na tradição de Jesus, que arrola o adultério no mesmo grupo daquilo que poderia ser classificado de pecado capital: Do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias (Mateus 15.19).
      Não há dúvida, portanto, que o adultério integra a relação dos atentados contra a santidade, santidade requerida por Deus a cada um de nós, não importam idades, estados civis, momentos de vida cristã.

A IMPORTÂNCIA DESTE MANDAMENTO
      Adultério não se refere apenas a relação sexual ilícita. O combustível costuma ser adulterado. Tudo que o homem faz falsificar o original, é adultério. O Dicionário Aurélio , diz :Adulteração - é falsificação, corrupção. (Adição fraudulenta de substância imprópria ou desnecessária a outra substância) medicamento, combustível, alimentos etc.). Adulterar um documento.
     "Por adultério compreendemos quebrar conscientemente o estado sadio do amor entre pessoas que assumiram o matrimonio".
        A visão madura desse mandamento evidencia que todo pecado na área sexual afronta o Senhor. Certamente que a Bíblia não condena apenas o adultério, mas toda a sorte de desvio quanto ao propósito eterno de Deus de que a vida sexual aconteça no contexto do casamento, quando há um relacionamento único e permanente entre um homem e uma mulher que se unem por amor.
    O mandamento contra o adultério aparece junto com o mandamento contra o furto e a cobiça. Isso deixa claro que a grande preocupação neste texto é a proteção do "bem" do próximo, a condenação ao ato de cobiçar e o adultério.

A dimensão mais ampla do mandamento
      O Antigo Testamento vê o adultério como algo hediondo (Jó 31:11) e como uma loucura (Jr 29:23). O castigo para o adúltero na lei de Moisés era a morte por apedrejamento. Tratava-se de algo tão sério que o próprio Deus era o vingador (Jr 5:8,9). Apesar disso, o pecado de adultério é tão perigoso que mesmo um homem como Davi ("homem segundo o coração de Deus") complicou sua vida exatamente na prática do adultério.
      No novo Testamento, recebemos orientação mais precisa de que o adultério tem sua raiz no interior da pessoa, numa mente poluída e num coração cheio de impureza (Mt 12:34). Tiago é quem nos ajuda dizendo que primeiro acontece a cobiça, e que esta dá à luz o pecado, que por sua vez gera a morte (Tg1:15). O adultério implica a condenação da alma do adúltero e a perda do direito de participar do Reino (1 Co 6:9).

JOSÉ – NOSSO EXEMPLO SEMPRE VIGENTE
      O adultério é pecado contra o outro, contra si mesmo e contra Deus. José do Egito o entendeu, como o demonstra a narrativa sagrada:
     Depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a cobiçá-lo e o convidou:
-- Venha, deite-se comigo!
Mas ele se recusou e lhe disse:
-- Meu senhor não se preocupa com coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados. Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, cometer algo tão perverso e pecar contra Deus?
      Assim, embora ela insistisse com José dia após dia, ele se recusava a deitar-se com ela e evitava ficar perto dela. (Gênesis 39.7-10)
      A prática do adultério é um atentado contra a santidade e contra a inteligência.
      A prática do adultério pressupõe um certo tipo de onipotência, a de que não serão descobertos.

AS CONSEQUÊNCIAS DO ADULTÉRIO
      Não pense que corre risco de adultério apenas quem é do diabo, qualquer cristão que não vigiar pode acabar se apaixonando por outra pessoa e desagradar a Deus em nome de uma paixão. Foi o que aconteceu com Davi, que era um homem segundo o coração de Deus. Quando seu olhar encontrou o de Bate-Seba que era casada; a atração foi inevitável. Porém, isso não tornou o pecado deles justificado, nem os eximiram de sofrer as conseqüências do pecado: um filho deles morreu, os dois filhos mais velhos de Davi entraram em contenda, um deles abusou da própria irmã, levando o outro a matá-lo, um dos filhos tomou o reino e as concubinas do próprio pai, etc. Ou seja, o pecado de Davi levou maldição para a casa dele.

      O sétimo mandamento continua atual porque o mundo está às avessas, dizendo "não" a tudo aquilo que Deus diz "sim” na sua Palavra, e "sim" a tudo o que a Bíblia diz "não". O resultado é o caos na família e na sociedade.
      O adultério é a relação sexual de um homem casado com uma mulher que não é sua esposa e vice-versa. Para muitos, tal prática pode parecer normal, mas a Palavra de Deus declara: "Não adulterarás" (Êx 20.14; Dt 5.18). Isso vai muito além da cópula extraconjugal. É a proibição de toda a forma de prostituição; é Deus dizendo "não" a todas as concupiscências desnaturais, imaginações e pensamentos impuros e lascivos (Mt 5.27, 28).
      O quinto mandamento resguarda a vida familiar de ruptura interna. Mas aqui o sétimo mandamento requer um relacionamento de amor e fidelidade entre marido e mulher. É isso o que Deus espera de todos os casais. Na verdade, são ideais provenientes da criação (Gn 2.24). O objetivo deste mandamento é conservar a sacralidade da família que foi instituída por Deus por meio do casamento no jardim do Éden (Gn 2.18-24). A santidade desse relacionamento familiar deve ser mantida. Esta lei servia também para Israel manter a pureza sexual e evitar as práticas da cultura egípcia, de onde os israelitas saíram, e da cultura Cananeia, para onde o povo se dirigia. Os preceitos pertinentes estão descritos com abundância de detalhes no sistema mosaico (Lv 18.6-30; 20.10-21).

O SÉTIMO MANDAMENTO
      O verbo hebraico nã ’ph,'00 "adulterar, cometer adultério", não apresenta problema linguístico neste mandamento, diferentemente do que pensam alguns expositores bíblicos. O termo aparece trinta e quatro vezes no Antigo Testamento, nove vezes em Jeremias, sete em Ezequiel, seis em Oseias, seis no Pentateuco e quatro na literatura sapiencial. O verbo ocorre no Decálogo, em Êxodo e em Deuteronômio como lo ’ tinã ’ph,'m "Não adulterarás" (Êx 20.14; Dt 5.18). As outras quatro vezes aparece em Levítico, que traz de maneira clara e inconfundível a definição de adultério no contexto da época: "Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera" (Lv 20.10).
      O substantivo porneia e o verbo porneuõU0 aparecem na Bíblia para designar orgia (Nm. 25.1; 1 Co 10.8), incesto (1 Co5.1) e práticas homossexuais (Jd 7). O termo porneia, às vezes, aparece junto com adultério e, outras vezes, como sinônimo, mas é um termo genérico e indica "prostituição, incastidade, fornicação, adultério, imoralidade, práticas homossexuais", ao passo que moicheia é usado especificamente para adultério e nunca se aplica à prostituição.
      O Antigo Testamento emprega todos esses termos também de forma metafórica para descrever a apostasia de Israel e sua infidelidade a Javé, seu Deus. O profeta Ezequiel, no capítulo 16, descreve a apostasia de Israel como prostituição e revela a diferença entre nã ’ph e zãnãh.

À GUISA DO NOVO TESTAMENTO
      Jesus deixa claro que quando Deus disse “Não Adulterarás” estava planejando uma vida de pureza para os seus filhos. Pureza corresponde a mais um padrão de qualidade do reino de Deus, requerido de todos os/as discípulos e discípulas de Jesus.
      Contemplando este assunto, o mestre discorreu sobre a sexualidade no Sermão do Monte. Em seu ensino, Jesus nos dá uma visão muito mais ampla e profunda sobre o assunto. Como nosso advogado e também aquele que há de julgar os vivos e mortos, o Senhor explica a questão do adultério com perfeição, mostrando o verdadeiro pensamento de seu Pai a este respeito, por certo, largamente diferente das interpretações e ensinos dos escribas e fariseus.
      O sexo foi criado por Deus, para ser desfrutado dentro do contexto do casamento legitimo que é, entre um homem e uma mulher. Portanto, a nossa correta atitude para com ele não é ignorá-lo ou tê-lo como tabu, mas considerá-lo sob a ótica bíblica e cristã, e assim aprendermos a lidar com esta área vital.

Pureza sexual é coisa do coração
      A pureza se manifesta em nosso comportamento. A pureza se manifesta em nossos relacionamentos. Mas ela tem sua raiz, a sua sede, no coração.
      Jesus nos ensina isto de forma muito clara. É possível que uma pessoa cometa pecados com seu corpo. É possível que uma pessoa cometa pecados contra o seu corpo.
    Mas o pecado, antes de tudo, e acima de tudo, é algo que acontece no coração, na mente. De tal forma que uma pessoa pode, aparentemente, até viver de modo santo, sem que isto constitua uma realidade aos olhos de Deus.

Jesus explica isto através deste exemplo:
      Mateus 5:27-30: “ Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno”.

AS FACETAS DO ADULTÉRIO
a. Aprendemos que não é só o ato sexual ilícito que configura adultério, mas também o desejo pecaminoso no coração. É o desejo alimentado pela cobiça. (Mat 5:27.30). Vivendo num contexto com fortes apelos visuais que conduzem ao pecado do adultério e da fornicação, é indispensável exercitarmos o autocontrole e buscarmos sempre o poder de Deus para vencermos as tentações. Devemos ter cuidado naquilo que assistimos, lemos ou mesmo com as nossas “vestimentas”, pois somos súditos do reino de Deus.

b. Aprendemos que o adultério pode acontecer no coração, então não podemos colocar o coração em outra mulher que não seja a esposa. A fidelidade é algo que acontece o interior de cada indivíduo.

c. Aprendemos que invés de oferecer nosso corpo ao pecado, precisamos oferecê-lo ao Senhor como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus ( Rom 12.1) e isso precisa acontecer todos os dias e todas as horas.

O ADULTÉRIO ATRAVÉS DOS SÉCULOS
    "Na Índia, em obediência às leis de Manu, a adúltera era devorada por cães e o cúmplice queimado vivo.
      No Egito, o adultério foi a princípio punido com a morte, e mais tarde, no fim do primeiro século antes de Cristo, era esse crime castigado com 100 pauladas, no homem, e com a mutilação do nariz, na mulher.
      Na Síria, a esposa traída podia perseguir o marido e mandá-lo afogar na água.
      Entre os judeus, não só a pena de morte alcançava a adúltera, como também a noiva que pecasse com outrem que não fosse o noivo, ou a viúva que pecasse com quem não fosse o irmão ou mais próximo parente do marido defunto.
   Os rabinos dizem que a morte reservada à adúltera era a estrangulação, mas no evangelho de S. João VIII, afirma-se que a pena era a lapidação: "Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério. Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres...".
     Nos tempos heroicos da Grécia, o adultério foi considerado crime que dava ao marido ofendido o direito de vingança até sobre a família do ofensor, no caso da fuga deste.
Zaleuco, legislador dos lócrios, ordenou que fossem tirados os olhos aos culpados de adultério.
       Infelizmente o que mais se nota nos dia de hoje, são apologia ao adultério, sendo sem duvidas no Brasil, a campeã a Tv Globo com suas novelas e o tal do BBB, também desta mesma emissora.

O ADULTÉRIO NOSSO DE CADA DIA
     Parece simples, como aprendemos os princípios desde pequenos de não trair, pois é pecado. Isto mesmo traição em qualquer sentido é pecado mesmo. O adultério é uma das formas mais vistas hoje em dia de pecar contra os ensinamentos de Cristo. Com certeza este mandamento é mais atual de todos. Êxodo 20:14 diz “Não Adulterarás”. Tudo adulterado é uma coisa impura, como a gasolina adulterada. É um combustível impuro. Quando Deus pede para que nós não adulteremos Ele quer que não nos tornemos impuros. Nos dias atuais a internet é uma das formas mais fáceis de encontrar o que procuramos e com certeza há muitas pessoas que só usam para este fim. 

DEUS CRIOU O HOMEM E A MULHER E É O AUTOR DO SEXO (Gen; 1;27. 28; 2;20-25).
     Portanto, o sexo e a relação sexual, dentro do marco do propósito de Deus, que é o casamento, é puro e santo. Segundo o relato bíblico, a mulher foi feita de uma parte física do homem. Assim que existe, desde o principio, uma afinidade natural entre os dois sexos. Deus colocou entre os dois uma atração mutua. Isto é normal e constitui uma lei natural em toda a raça .
      Evidentemente, esta atração entre os sexos foi estabelecida por Deus tanto para a felicidade do ser humano, como também para a procriação da raça. Visto que é uma relação tão dinâmica e tão poderosa, para evitar abusos e conseqüências tristes, Deus mesmo determinou certos limites bem claros que devemos respeitar inquestionavelmente.

AS RELAÇÕES SEXUAIS SÃO RESERVADAS UNICAMENTE PARA A VIDA MATRIMONIAL.
      A passagem referida em Gênesis deixa claro que a relação normal é de monogamia.
    Dentro do matrimonio a relação sexual é pura, normal, prazerosa, legitima não é suja ( I Cor. 7.2-5, 10-17). A mesma deve ser livre de impurezas e de atitudes abusivas, egoístas e anormais.
        Nós vivemos em uma época em que a oferta de sexo por parte dos meios de comunicação tem feito do tema sexual um item de alto consumo, paradoxalmente se tem multiplicado as disfunções sexuais (problemas com a sexualidade). Muitas pessoas não conseguem desfrutar de suas relações intimas, acumulando uma grande insatisfação.
      Parece que a abertura sexual e a liberação de uma censura, que tanto temos combatido num passado não muito longe, não nos tem dado bons resultados no terreno concreto e cotidiano: a cama.
      Isso porque a sexualidade que antes se descobria pouco a pouco com uma grande dose de excitante curiosidade, atualmente é consumida, por “atacado”. Despojando ao sexo de seu antigo mistério, não se logrou mais que transformá-lo num prato bastante comum, um verdadeiro “PF” do grande menu da sociedade de consumo.
      Sexo e violência, somados e entrelaçados nas produções para cinema, TV e revistas, conformam uma fórmula de grande êxito...para seus produtores. Entretanto, para nós, inadvertidos e famintos consumidores culturais, essa associação só tem redundado em mais insatisfação e uma multiplicação dos delitos relacionados com o sexo, como estupros e abusos.

REMÉDIO CONTRA ADULTÉRIO:
1- Ler a bíblia e orar diariamente. Pergunte a um adúltero se ele lê a Bíblia e ora todo dia!

2- Condenar todas as facilidades que o Diabo tem criado

3- Pensar nas coisas que são de cima e não nas que são da terra- Col. 3.2

4- Viver Cristo- Gálatas 2.20- Vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim.

5- Temer a Deus. Falta o temor de Deus em muitos crentes. Temor, é um medo santo de desagradar Deus.

6- Respeitar a presença de Jesus

CONCLUSÃO
        Estejamos atentos a todos os mandamentos de Deus, absolutos para as nossas vidas.
     “E as borlas estarão ali para que, vendo-as, vos lembreis de todos os mandamentos do Senhor e os cumprais; não seguireis os desejos do vosso coração, nem os dos vossos olhos, após os quais andais adulterando, para que vos lembreis de todos os meus mandamentos, e os cumprais, e santos sereis a vosso Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos ser por Deus. Eu sou o Senhor, vosso Deus”. (Números 15.39-41)
     Quando você se mantém puro no casamento, quando você espera a hora do casamento para ter uma vida sexual ativa, você está um pouco sozinho neste mundo, mas está na companhia de Deus. Não vale a pena?

Pr. Dr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)

(O Rev. Dr. Adaylton de A. Conceição, é Bacharel, Licenciado, Mestre e Doutor em Teologia, Escritor, Professor Universitário, Psicanalista Clínico com duas pós graduações, Jornalista Profissional, e Doutor HC em Psicologia e em Humanidade)


Facebook: Adayl Manancial

BIBLIOGRAFIA 

Comentarista do trimestre: Revdº Dr. Esequias Soares

Adaylton de Almeida Conceição - SEXOLOGIA CRISTÃ

Adaylton de Almeida - SEXO E VAZIO

Plínio Fernandes – Não Adulterará

Daniel Silva de Jesus - O verdadeiro significado de “Não Adulterarás” Israel Belo de Azevedo – Não adulterarás

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

NÃO MATARÁS

INTRODUÇÃO
      A cada hora são assassinadas dezenas pessoas no mundo. No entanto, o texto bíblico soa muito claro. "Matar é pecado". Mais de dois milhões de pessoas morrem de forma violenta a cada ano no mundo.destes, No entanto, a instrução desce cristalina no Monte Sinai: "não matarás".

      Tirar a vida de um ser humano é o mais radical ato de violência. Quem o faz destrói a mais preciosa criação de Deus — o homem, feito “à imagem e semelhança do Criador”. Por isso, quando Deus sintetizou em dez mandamentos o que ele exige do homem, Ele ordenou: “Não matarás” (Êx 20.13).

      Os teólogos de Westminster concluíram que nesse mandamento Deus proíbe “o tirar a nossa vida ou a de outrem, exceto no caso de justiça pública, guerra legítima, ou defesa necessária; a negligência ou retirada dos meios lícitos ou necessários para a preservação da vida; a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas e cuidados demasiados; o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios; as palavras provocadoras; a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém” (Catecismo Maior ).

    Regulamentando a aplicação desse mandamento, o Antigo Testamento traz leis rigorosas e severas para punir a violência contra a vida humana. O assassinato era punido com a pena de morte (Êx 21.12). A mesma punição era aplicada ao proprietário de um animal que matasse um ser humano, caso ficasse provado que a morte resultou da negligência do dono do animal (Êx 21.29). O homicida tinha direito à defesa, mas era julgado com rigor.

O sexto Mandamento - Não Matarás
      De Deus recebemos a existência, pois só n’Ele “está a fonte da vida” (Sl 35,10) e o poder de concedê-la ou de tirá-la é exclusivo do Criador. Quem ousará, então, interromper o curso de uma vida, antes do tempo desejado por Ele, sem incorrer em grave culpa?

       No Antigo Testamento, Deus interpelou severamente a Caim, primeiro assassino da História: “Que fizeste! Eis que a voz do sangue do teu irmão clama por mim desde a terra. De ora em diante, serás maldito” (Gn 4,10-11). E, como expressão da lei natural que protege a vida humana, Ele estipulou no Decálogo: “Não matarás” (Ex 20,13).

Não Matarás - A vida pertence a Deus
      Apesar dos evolucionistas afirmarem que o homem evoluiu de uma forma de vida inferior. A Palavra de Deus, no entanto, tem uma versão diferente para esse acontecimento, como podemos observar em Gênesis 2:7, que diz: "...E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente...". Observe também o que disse Davi de suas origens na vida humana, Sl. 139:13-16; ou a versão do amigo de Jó, Eliú, em Jó 33:4. Fica claro a partir destes versos que o ser humano é um produto do gênio criativo de um Deus Todo Poderoso, ou seja, Deus é o doador da vida, logo é Ele quem controla a entrada do homem nesta terra. Quando o homem apareceu pela primeira vez no planeta, Deus o Todo Poderoso estava lá; "...E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou..." (Gênesis 1:27). 

Assassinato envolve mais do que matar.
     Envolve a justiça de Deus - A morte carrega consigo uma penalidade, Jesus afirma categoricamente que os assassinos serão punidos quando diz: "...Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno..." (Mateus 5:21-22). Alguns, assassinos, infelizmente acabam por ficarem impunes pela justiça dos homens. Mas eles, no entanto, não escaparão da face de Deus onde todos terão que dar conta de suas ações - Apocalipse 20:11-15. Vemos nas palavras de Jesus Cristo em Mateus 5:21-22, que o assassinato é mais do que um ato da carne, é uma atitude do coração.

      No livro do Gênesis há um episódio muito triste e doloroso: a história de Caim e Abel. Ambos irmãos ofereciam sacrifícios a Deus, mas Caim oferecia o pior, enquanto Abel oferecia a Deus os melhores cordeiros do rebanho. Por isso, o fumo do sacrifício de Caim não subia ao céu, enquanto que o de Abel era agradável a Deus e subia ao céu. Caim sentiu inveja de seu irmão, convidou-o a passear pelo campo e com uma queixada de animal o matou.

      Deus amaldiçoou a Caim por ter derramado o sangue de um homem inocente. O sangue inocente grita vingança ante Deus e Caim viveu errante durante o resto de sua vida, cheio de remorsos.

      O quinto mandamento não só ordena “não matar”; mas também proíbe as brigas, agressões, invejas etc., e, sobretudo, ordena o respeito e o cuidado com a vida humana, que é um dom de Deus.

Só Deus é o dono e o senhor da vida
     A vida humana é sagrada; desde seu início é fruto da ação criadora de Deus e sempre mantém esta especial relação com o Criador, origem e término de nossa existência. Só Deus é o senhor da vida desde o princípio até o fim; o ser humano não é mais do que administrador, e deve cuidar da própria vida e da de seus semelhantes.

Êxodo 20:13 Não Matarás ou Êxodo 20:13 Não Assassinarás?
    Os céticos, os ateus os hereges de maneira geral tem interpretado equivocada e/ou propositalmente o texto "Não Matarás". Alguns deduzem até que haja uma Contradição Bíblica, quando não há. Há um erro grotesco e obscuro de tradução da Bíblia. Já passou da hora de corrigir. 

    O texto original da Bíblia de Exodo 20:13 usa a palavra hebraica:"rãsah" que se traduz como: assassinar/ assassinato. 

     Não se pode assassinar um animal, um inseto, um verme, uma arvore etc.. Somente é possível assassinar seres humanos. O texto também poderia ser traduzido como Não pratiqueis Homicídio? Não! Como se explicaria as mortes nas guerras de Israel? Como Israel poderia vencer a guerra sem matar?

A DIFICULDADE DE INTERPRETAÇÃO
      O escritor Altair Germano, comentando o tema diz: “Sempre que um estudo no sexto mandamento é realizado, surge uma série de questões complexas, polêmicas e controversas. 

      O problema já começa quando se analisa a melhor tradução para o verbo hebraico ratsah que em nossas versões ganha um sentido geral para “matar”, quando na realidade o seu significado é específico. O Capítulo 20.23 de Êxodo no hebraico é lo’ tirtsah (não matarás).

      No Dicionário Vine o verbo hebraico ratsah, de onde se deriva tirtsah, é traduzido por “matar, assassinar, destruir”. O Termo aparece principalmente no material legal (Lei), e nos profetas é usado para descrever o efeito da injustiça e ilegalidade em Israel (Os 4.12; Is 1.21; Jr 7.9). Na Septuaginta a tradução é phoneúseis (assassinarás). 

        Baco, ao comentar sobre o verbo ratsah, diz: [...] não é o verbo comum, neutro “matar”. Sempre fala de homicídio, culposo ou não. O mandamento enfatiza a gravidade do crime. Gênesis 9.6 explica: “Quem derramar sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado; porque à imagem de Deus foi o homem criado”. No caso das cidades de refúgio este verbo é aplicado ao homicídio sem intenção dolosa (Nm 35.16, 17). Mesmo assim, a separação destas cidades para esse fim, enfatiza a gravidade do caso [...].”

      Tirar a vida de um ser indefeso contraria princípios bíblicos muito sérios:

1º: A vida é sagrada para Deus: “Se alguns homens estiverem brigando e ferirem uma mulher grávida, e por causa disso ela perder a criança, mas sem maior prejuízo para a sua saúde, aquele que a feriu será obrigado a pagar o que o marido dela exigir, de acordo com o que os juízes decidirem. Mas, se a mulher for ferida gravemente, o castigo será vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, machucadura por machucadura.” (Êx 21:22-25).

2º: O Criador (e Juiz) não aprova que se mate o inocente: “ [...] não matarás o inocente e o justo [...]” (Êx 23:7).

A pena capital: 
     Gênesis 9,6: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem”.
       A pena capital não somente é permitida, mas exigida pela Lei de Deus como um princípio geral de justiça. O castigo da pena capital não é aplicado como satisfação de sentimento de vingança ou retaliação, mas como aplicação de justiça e preservação social.

Levítico 24,17: “Quem matar alguém será morto”. 
      Esta punição declarada de forma direta na Escritura constitui-se em obrigação perpétua para a humanidade, pois, esta é uma lei moral que foi dada a Noé, muito antes da existência do povo judeu e das leis cerimoniais e civis estabelecidas no Monte Sinai.

Êxodo 21,12: “Quem ferir a outro, de modo que este morra, também será morto”. 
       Esta exigência tem uma conotação muito ampla e envolve não somente o homicídio e os danos morais e materiais infligidos aos homens, mas também a danos causados por omissão de qualquer espécie e a tudo aquilo que degrada o homem em sua saúde.
Êxodo 21,14-16: “Se alguém vier maliciosamente contra o próximo, matando-o à traição, tirá-lo-ás até mesmo do meu altar, para que morra. Quem ferir seu pai ou sua mãe será morto. O que raptar alguém e o vender, ou for achado na sua mão, será morto”.
        No Novo Testamento temos claras indicações de que a pena capital é lícita e continua em vigor, como podemos ver na declaração do apóstolo Paulo no livro de Atos, onde ele considera expressamente válida a pena de morte em casos indicados.
Atos 25,11: “Caso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém, para lhes ser agradável, pode entregar-me a eles. Apelo para César”.
      Na Carta aos Romanos o apóstolo diz que o magistrado traz a espada, esta simbologia do porte da espada pelo magistrado é considerada por todos os escritores da antiguidade como o poder da execução do malfeitor, não existe dúvida quanto a isto.
Romanos 13,4: “Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”.

     De acordo com Charles Hodge, a questão prática desta lei é a seguinte: “Quem deve morrer? O inocente ou o assassino?”.

- A legitima defesa: 
     A defesa própria ou de familiares e amigos ameaçados não se constitui em crime conforme este mandamento por vários motivos expostos abaixo:
1 – Este homicídio cometido em defesa da vida ou da integridade da pessoa não é malicioso ou intencional, mas uma contingência onde se apresenta a opção da vida do agressor, em situação de dolo, e do agredido, sem razão ou justificação legal.
Tanto o juízo universal como o mandamento consideram inocente aquele que agiu em defesa da vida ou da integridade - a resposta acima diz: “O sexto mandamento exige todos os esforços lícitos para conservar a nossa vida e a dos nossos semelhantes”. 
Inclui-se neste caso, particularmente, os policiais e militares em serviço, que por força de sua profissão muitas vezes encontram-se face a face com bandidos e marginais da mais alta periculosidade e são obrigados a matar em defesa própria ou na defesa de outras pessoas ameaçadas.

Jesus Comenta o Sexto Mandamento

- “Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; aquele que matar terá que responder em juízo”.

OUVISTE - O ensino tradicional se transmitia oralmente, sobretudo nas sinagogas.

      Jesus apresenta agora exemplos específicos de sua interpretação da lei. Como Autor e seu único verdadeiro Expositor. Pondo de lado a casuística rabínica, Jesus restaurou a verdade a sua formosura original. A expressão ouvistes implica que a maioria dos ouvintes nesta ocasião não tinham lido eles mesmos a lei. Isto era de se esperar, porque a maioria deles eram rudes lavradores e pescadores. Quando conversou mais tarde com os eruditos sacerdotes e anciãos, Jesus perguntou: Nunca lestes nas Escrituras? Mateus 21: 42. No entanto, esse mesmo dia um grupo de pessoas comuns do povo, dentro do átrio do Templo, dirigiu-se a Jesus dizendo: Nós temos ouvido da lei, que o Cristo permanece para sempre João 12: 34.

FOI DITO - Ao citar a antigos expositores da lei, os rabinos com freqüência apresentavam o que esses eruditos tinham dito, com as palavras que Jesus emprega aqui. Nos escritos rabínicos estas palavras se usam também para apresentar citações do AT.

A EXTENSÃO DO MANDAMENTO – “NÃO MATARÁS”


      Certa vez, Ronald Regan, ex-presidente dos EUA, comentou: “todos que são a favor do aborto já nasceram”.
O ser humano deve ser respeitado desde o momento de sua existência, no ventre de sua mãe, e deve ter todos os seus direitos de pessoa humana. "Antes mesmo de Te formares no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei" (Jr 1,5).

     A Igreja repudia este ato de maldade moral. O aborto provocado é gravemente contrário ao quinto mandamento e à lei moral e consiste em uma prática monstruosa. Todos os que cooperam com este ato estão cometendo uma falta gravíssima e estão sujeitos à excomunhão pelo próprio fato de cometer o delito contra um inocente.
Desde a sua concepção, o embrião deverá ser defendido em sua integridade, cuidado e curado, na medida do possível.
      Legalizar o aborto traria muito mais problemas do que soluções porque as pessoas irresponsáveis ser aproveitariam disso para se tornarem mais irresponsáveis ainda. Afinal, elas acham “mais fácil” tirar um feto depois de uma “gravidez indesejada” do que assumir a responsabilidade pelo filho (a) que fez. Infelizmente, na hora de “fazer”, quase ninguém pensa nas conseqüências.

      Além disso, pessoas que optam pelo aborto desconsideram que um filho é uma “herança do Senhor” (Sl 127:3), que servirá de instrumento divino para desenvolver nelas a paciência e abrandar o sentimento egoísta. Quem é pai ou mãe sabe o quanto um filho melhora nosso caráter quando deixamos que isso aconteça. Quando temos um filho sabemos um pouquinho da profundidade do amor de Deus por cada pecador, de modo que O amamos ainda mais.

     Tirar a vida de um ser indefeso contraria princípios bíblicos muito sérios:

1º: A vida é sagrada para Deus: “Se alguns homens estiverem brigando e ferirem uma mulher grávida, e por causa disso ela perder a criança, mas sem maior prejuízo para a sua saúde, aquele que a feriu será obrigado a pagar o que o marido dela exigir, de acordo com o que os juízes decidirem. Mas, se a mulher for ferida gravemente, o castigo será vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, machucadura por machucadura.” (Êx 21:22-25).

2º: O Criador (e Juiz) não aprova que se mate o inocente: “ [...] não matarás o inocente e o justo [...]” (Êx 23:7).

A EUTANÁSIA:
       Consiste em pôr fim à vida de pessoas deficientes, gravemente doentes ou moribundas. Assim, toda ação de intenção ou omissão que acarrete o fim da dor, através da morte é gravemente contrária à dignidade do ser humano e ao Deus Vivo, seu criador. Quem prática e colabora com esta prática monstruosa está cometendo um assassinato.
    Renovato destaca mais uma vez as complexidades éticas envolvidas na questão, se posicionando, no caso da eutanásia ativa, contrário à prática. No caso da eutanásia passiva, cita um dos pontos da Declaração da Congregação para a doutrina da Fé, com o posicionamento oficial da Igreja Católica sobre a questão, que é contrária à prática. Seguimos também os referidos posicionamentos.

O SUICÍDIO : - Abusos que atentam contra a vida:
     A própria vida - intemperança, suicídio: É muito difícil acreditar que pessoas cristãs que esperam em uma vida futura venham a se suicidar, o suicídio é realizado com maior frequência entre pessoas que perderam ou não possuem a fé em Cristo.
Todos somos responsáveis por nossa própria vida diante de Deus, que é o seu único e verdadeiro soberano. Somos meros administradores de nossa vida e não podemos desfazer dela. O suicídio é contrário à perpetuação da própria vida e ao amor do Deus Vivo.

    Distúrbios psíquicos graves, a angústia ou o medo grave da provação, do sofrimento ou da tortura podem diminuir a responsabilidade do suicida. A Igreja ora pelas pessoas que atentam contra a própria vida.

      Existem três casos de suicídio na Bíblia, Saul, Aitofel e Judas, todos eles haviam sido abandonados por Deus quando cometeram o suicídio.

1- Saul - 1 Samuel 31,4: “Então, disse Saul ao seu escudeiro: Arranca a tua espada e atravessa-me com ela, para que, porventura, não venham estes incircuncisos, e me traspassem, e escarneçam de mim. Porém o seu escudeiro não o quis, porque temia muito; então, Saul tomou da espada e se lançou sobre ela”.

2- Aitofel - 2 Samuel 17,23: “Vendo, pois, Aitofel que não fora seguido o seu conselho, albardou o jumento, dispôs-se e foi para casa e para a sua cidade; pôs em ordem os seus negócios e se enforcou; morreu e foi sepultado na sepultura do seu pai”.

3- Judas - Mateus 27,5: “Então, Judas, atirando para o santuário as moedas de prata, retirou-se e foi enforcar-se”.

CONCLUSÃO
       Devemos respeitar nossa própria vida. Nosso corpo é templo do Espírito Santo, pelo que devemos glorificar a Deus em nosso corpo e em nosso espírito (1Coríntios 6.19-20)
Devemos aceitar o oferecimento da vida, por meio da morte, apresentado a nós por Jesus Cristo. Sabemos que o salário do pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna através de Jesus Cristo, nosso Senhor (Romanos 2.23). Ele nos criou e nos dá a vida eterna.
    Devemos respeitar a vida dos outros. E nós viveremos o absoluto de Deus.
- defendendo a vida, sempre, pois ela tem uma dignidade própria como criação de Deus, de quem o homem é imagem e semelhança;
- afirmando a vida, sempre, mesmo que isto nos coloque contra a corrente, que favoreça o aborto;
- praticando a distanásia, não a eutanásia;

- promovendo a paz. (Ou será que os não-cristãos serão campeões desta causa?)

Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (TH.B.Th.M.Th.D.)


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BIBLIOGRAFIA
- Adaylton de Almeida Conceição – Introdução à Exegese – CPAD – 1985.

- Altair Germano – Não Matarás

- Bioética, um Guia para os Cristãos, de Gilbert Meilaender, Vida Nova.

- GEISLER, Norman L. Ética Cristã: alternativas e questões contemporâneas. São Paulo: Vida Nova, 1984, p. 137-152.

- Itamar de Paula Marques - Itamar de Paula Marques

- LIMA, Elinaldo Renovato de. - Ética Cristã: confrontando as questões morais do nosso tempo. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 121-129.

- Silvio Dutra – Ouvistes o que foi Dito: Não Matarás.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

De servos apascentadores a gerentes eclesiásticos

     A sociedade de consumo dos shoppings e do fast food se instalou no mundo sem fronteiras e faz a cabeça da humanidade, inclusive dos evangélicos. Não é incomum encontrar em nossas igrejas pessoas que esperam da igreja shows e atendimentos de boa qualidade e de resultados rápidos. É óbvio que querer o melhor daqueles que se dizem representantes do melhor é algo perfeitamente normal. É nesse cenário que a igreja evangélica brasileira se encontra e tem que fazer a sua escolha. A igreja precisa decidir entre oferecer alimento sólido e preparar uma geração de autênticos discípulos e adoradores do Senhor Jesus Cristo ou simplesmente agradar uma humanidade que se encontra perdida, à semelhança de ovelhas sem pastor. A escolha da igreja vai fazer a diferença entre a maturidade cristã e a mediocridade de uma religiosidade cristã.
     De carona com a realidade do mercado fast food, outro questionamento está em pauta. Face aos diferentes ministérios na igreja local, quais devem ser as bases para o preparo de vocacionados? De um lado, a carência de um rebanho que tenha o perfil do seu pastor e mestre, Jesus; do outro lado, diferentes estilos de ministérios, que surgem com a necessidade de se ter uma igreja que fale a linguagem existencial humana e que abra espaço para um número cada vez maior de ministradores. E uma terceira frente de pressão e de tensão, cada vez mais forte, que é a da corrente dos gerentes eclesiásticos, ou MBAs da fé (Master of Business Administration, um grau acadêmico, destinado a administradores e executivos na área de gestão de empresas), que se tornaram especialistas em estratégias de marketing e vendas das fórmulas mágicas, travestidas de princípios bíblicos, de como fazer a sua igreja crescer. Tais gerentes, quando reúnem-se em congressos, sempre caros e inacessíveis aos líderes de pequenas igrejas, vendem as receitas de crescimento como se a voz do povo fosse a voz de Deus e a competência da liderança fosse o segredo para o sucesso do empreendimento chamado igreja; parece que não precisam da ação do Espírito Santo para fazer a obra de Deus prosperar, e assim tratam o reino de Deus com um expansionismo que em nada difere da visão de desenvolvimento e de sucesso dos grandes empreendimentos humanos, inclusive os de natureza religiosa. Que tal lembrar o que diz a Palavra de Deus: "De modo que não importa nem o que planta nem o que rega, mas sim Deus, que dá o crescimento." (1 Cor 3:7 BLH). "…E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos" (Atos 2.47 NVI). Os que pensam em satisfazer os homens para que as suas igrejas fiquem cada vez mais lotadas de clientes se prendem aos seus sermões motivacionais e de auto-ajuda e não pregam a palavra genuinamente bíblica e corretamente interpretada. Para os tais, pregar sobre conversão com base no arrependimento de pecados e fé no sacrifício redentor de Cristo, pregar sobre renúncia a este mundo e sobre a brevidade da volta do Senhor Jesus Cristo é politicamente incorreto, espanta as pessoas dos cultos.
     Assim, muitos segmentos evangélicos têm abandonado a reflexão bíblica e navegado apenas na superfície das necessidades humanas e do gerenciamento dos negócios eclesiásticos. Muitas denominações evangélicas têm seguido caminhos próprios e preparado e até bitolado a sua liderança para que não saia da visão ou do discurso ensaiado; poucas denominações orientam os seus lideres no sentido de que busquem formação acadêmica em instituições sérias e que ofereçam uma formação ministerial equilibrada, com capacitação ou qualificação para o ministério e um bom embasamento para uma reflexão teológica contextualizada.
     A verdade é que a liderança do povo de Deus não pode permanecer refém de uma onda globalizada do politicamente correto, da mentalidade antropocêntrica e hedonista, que enche os olhos daqueles que enxergam mais as luzes dos palcos do que a luz de Cristo, que escutam mais os gritos da multidão histérica do que a voz da Palavra de Deus. Precisamos de líderes que façam distinção entre gerenciar um negócio terreno e pastorear o rebanho do Senhor Jesus Cristo; de ser profeta que ensina a Palavra que é viva e eficaz ou de ser um animador de auditório preocupado em agradar a platéia. Certamente que, perseguindo a excelência no que fazemos para Deus, devemos nos contextualizar e fazer uso de todos os recursos disponíveis. No entanto, a eficiência não pode sobrepor ao eficaz e espontâneo exercício dos dons e talentos, e nem tampouco a ciência e as muitas tecnologias podem ignorar a Palavra de Deus e a ação do Espírito Santo. Nunca é demais lembrar e pensar no que afirmou Jesus: Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (João 15.5).

Pr Javan Ferreira

javanferreira@uol.com.br

Diretor da FATBOA-SP
Fonte: http:/www.isaltino.com.br/2007/02/servos-apascentadores-a gerentes eclesiasticos

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

HONRARÁS PAI E MÃE

INTRODUÇÃO: 
     “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.” (Êxodo 20:12).

     “Ouve teu pai, que te gerou, e não desprezes tua mãe, quando vier a envelhecer.” (Provérbios 23:22).

      Honrar significa reverenciar, estimar e valorizar. Honrar é dar respeito não apenas pelo que a pessoa faz, mas antes de todo pelo que ela é. Por exemplo, algumas pessoas podem não concordar com as decisões de seu presidente, mas ainda devem respeitar sua posição como líder de seu país.

      Semelhantemente, filhos de todas as idades devem honrar seus pais, quer seus pais mereçam ou não.

   Deus nos exorta a honrar nosso pai e mãe. Ele dá tanta importância ao honrar os pais que incluiu esse princípio nos Dez Mandamentos (Êxodo 20:12) e novamente no Novo Testamento: “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.” e “Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.” (Efésios 6:1-3)

     Você sabia que, durante a época do Velho Testamento, falar mal contra os pais ou revoltar-se contra as suas instruções podia levar à morte? Isso está escrito em Êxodo 21:15 e 17: “O que ferir a seu pai, ou a sua mãe, certamente será morto...E quem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente será morto.”

DEUS EXIGE HONRAR TEU PAI E TUA MAE
     Os quatro primeiros mandamentos do Decálogo indicam uma hierarquia bem clara de valores. No topo está Deus com Suas exigências para nos fazer felizes. Pouco abaixo, vem a família e, novamente, o objetivo é o bem-estar das pessoas.

     Os termos são bem claros: Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá (Êxodo 20.12).

    Quanto temos famílias bem estruturadas e pais dedicados, não temos qualquer dificuldade em aceitar a instrução. Se somos filhos de pais desajustados, o quinto mandamento nos soa amargo e injusto. Quando vemos filhos que honram os pais sendo ceifados ainda jovens, não temos como nos perguntar sobre a validade da recomendação divina.

    Não importam os nossos contextos, o mandamento continua esculpido nas nossas consciências. Ele está repetido integralmente no Novo Testamento, com m comentário: Honra teu pai e tua mãe -- este é o primeiro mandamento com promessa -- para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra (Efésios 6.2-3).

      “Esse era um plano ordenado por Deus, escrito com sua própria mão, e foi entregue por Moisés a eles; era de natureza moral, e de obrigação eterna: é para ser entendido, não simplesmente como uma elevada estima que os filhos deveriam ter em relação aos seus pais, ou o uso de uma linguagem e gestos respeitosos diante deles, nem apenas uma alegre obediência a ser cedidas a eles; mas também de honrá-los com sua substância, alimentação, vestimenta, e os suprindo com as necessidades da vida, quando eles estiverem em necessidade dos mesmos; que é, porém serviço razoável deles, por todo o cuidado, despesa e problemas que eles tenha tido em trazê-los neste mundo” (Exposição de toda a Bíblia de John Gill, Dr. John Gill 1690-1771).

      Honrar seu pai e mãe é demonstrado através de palavras e ações que surgem de uma atitude interior de estima e respeito pela posição que ocupam.

   A palavra grega para honra significa reverenciar, estimar e valorizar. Honrar é dar respeito não apenas pelo mérito, mas pela posição. Por exemplo, algumas pessoas podem não concordar com as decisões de seu presidente, mas ainda devem respeitar sua posição como líder de seu país. Semelhantemente, filhos de todas as idades devem honrar seus pais, quer seus pais mereçam ou não.

     Deus nos exorta a honrar nosso pai e mãe. Ele tanto valoriza honrar aos pais que incluiu esse princípio nos 10 mandamentos (Êxodo 20:12) e novamente no Novo Testamento: Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra (Efésios 6:1-3).

     É bem claro que somos comandados a honrar nossos pais, mas como? Honre-os tanto com suas ações como com suas atitudes (Marcos 7:6). Honre seus desejos, tanto os que eles já expressaram quanto os que não expressaram verbalmente. “O filho sábio {ouve} a correção do pai, mas o escarnecedor não ouve a repreensão” (Provérbios 13:1).

      Em Mateus 15:3-9, Jesus relembrou os fariseus do comando de Deus de honrar seu pai e sua mãe. Eles estavam obedecendo a letra da lei, mas tinham adicionado as suas próprias tradições, as quais em essência rejeitavam esse comando. Enquanto honravam seus pais em palavras, suas ações provavam o verdadeiro motivo do seu coração. Honrar é mais do que da boca pra fora. A palavra honra nessa passagem é um verbo e, como tal, exige uma escolha/ação correta.

      Honrar traz consigo a idéia de dar glória a alguém. 1 Coríntios 10:31 nos diz que qualquer coisa que façamos deve ser feita para a glória de Deus. Devemos procurar honrar nossos pais da mesma forma que Cristãos tentam trazer glória a Deus – em nossos pensamentos, palavras e ações.

      A palavra grega "hypakouo" significa obedecer, escutar, prestar atenção. Para uma criança pequena, obedecer os pais vai lado a lado com honrá-los. Isso inclui escutar, prestar atenção e submeter-se à sua autoridade. Depois que a criança cresce, a obediência que aprenderam ainda pequenos vai ajudá-los a honrar outras autoridades, tais como o governo, polícia e patrões.

O PRIMEIRO MANDAMENTO DE DEUS QUE CONTEM UMA PROMESSA DE VIDA

     Quando falamos da vida que temos que ter com nossos pais, precisamos saber que a Bíblia assim se refere no quinto mandamento da Lei de Deus:

      “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a face da Terra”. (Efésios 6:1-3).

      A Bíblia diz em Provérbios que “É ruína para o pai o filho insensato”. Realmente, provérbios 19:26 cita que “O filho que rouba o seu pai e afugenta sua mãe é filho que envergonha e desonra”. Hoje as notícias continuam a nos dizer que isto continua acontecendo, mas não comigo e nem com você. Honre seu pai e sua mãe, cuide deles e você terá aprovação de Deus. Ontem eles o criaram da melhor forma possível; hoje eles o sustentam e sentem o maior orgulho de você; amanhã, eles serão o exemplo que deve ser seguido, mas eles vão precisar que você cuide deles na velhice. Os pais ajuntam para os filhos porque, quando envelhecerem, os filhos é que vão administrar tudo o que eles construíram.

A PROMESSA
      Quero começar pela consideração de uma pergunta incômoda: o que significa a vida longa prometida neste mandamento? Há três possibilidades que se complementam numa única resposta. 

1. O primeiro sentido é contextual. A desobediência aos pais era punida com a pena de morte (Êxodo 21.17; Levítico 20.9; Deuteronômio 21.18-21). Quem os obedecesse estava livre deste peso. Em sentido mais largo, quem obedece aos seus pais evita cometer pecados que resultam na penas da lei.

2. O segundo sentido é que a promessa implica numa vida longa, em termos de tempo, de longevidade. Isto quer dizer que aquele que obedece a esta lei de Deus viverá mais tempo na terra. Este é um princípio geral e não uma regra absoluta; como tal, pode comportar exceções, que devem ser vistas como tais: exceções, por razões que só coração de Deus conhece. Deixemos claro que nem todos os adolescentes e jovens que morrem são filhos que não honravam seus pais. Se eles morreram é porque Deus permitiu que o princípio fosse quebrado.
Esta exceção não nos deve desviar da validade geral do princípio, demonstrável na experiência diária. Um filho que honra seu pai não se envolve com influências ruins que levam aos vícios e à irresponsabilidade, que levam à destruição.

3. O terceiro sentido que a promessa se refere a uma vida qualitativamente longa. Quem segue as instruções divinas para a sua vida, inclusive a de honrar seus pais, viverão de modo mais pleno, mesmo em meio às adversidades. Pai e mãe

    “Sabeis os mandamentos: não cometereis adultério; não matareis; não roubareis; não prestareis falso-testemunho; não fareis agravo a ninguém; honrai a vosso pai e a vossa mãe. (Marcos, 10.19; Lucas, cap. 18.20; Mateus 19.18 e 19.).

PIEDADE FILIAL

     O mandamento: "Honrai a vosso pai e a vossa mãe" é um corolário da lei geral de caridade e de amor ao próximo, visto que não pode amar o seu próximo aquele que não ama a seu pai e a sua mãe; mas, o termo honrai encerra um dever a mais para com eles: o da piedade filial. Quis Deus mostrar por essa forma que ao amor se devem juntar o respeito, as atenções, a submissão e a condescendência, o que envolve a obrigação de cumprir-se para com eles, de modo ainda mais rigoroso, tudo o que a caridade ordena relativamente ao próximo em gera!. Esse dever se estende naturalmente às pessoas que fazem as vezes de pai e de mãe, as quais tanto maior mérito têm, quanto menos obrigatório é para elas o devotamento. Deus pune sempre com rigor toda violação desse mandamento.

CRISTO NOSSO EXEMPLO

     Como acontece com todos os mandamentos, o Salvador é o exemplo de como devemos guardar o mandamento de honrar nossos pais. Mesmo na hora de Seu sofrimento na cruz, Jesus demonstrou preocupação por Sua mãe terrena. (Ver João 19:26–27.)

     Temos a tendência de pensar que honrar nossos pais significa meramente obedecer-lhes. Não há dúvida, porém, de que o Senhor tinha em mente mais do que isso, quando disse: “Honra a teu pai e a tua mãe”. Os dicionários dão diversas definições da palavra honra. A maioria delas se relaciona à consideração, ao respeito, estima e admiração e alta reputação. Honrar pai e mãe significa mais do que prestar-lhes obediência e respeito. Significa amá-los sem restrições, porque desejamos. Se realmente honramos nossos pais, desejamos obedecer aos seus justos desejos e escutar seus sábios conselhos.

     Muitos têm pais dignos de respeito e amor, dignos de serem honrados. Outros, que talvez não possuam tais sentimentos por seus genitores, poderão achar difícil honrá-los. No entanto, ninguém está isento de honrar seus pais, não importa quão difícil possa parecer.         Se nossos pais não guardam os mandamentos, podemos pôr em dúvida se merecem ser honrados; mas o quinto mandamento simplesmente manda honrá-los e não nos isenta de tal responsabilidade acrescentando qualificações tais como “se forem membros da Igreja”, “se forem ricos, saudáveis ou educadas” ou “se merecerem ser honrados”.

A VISÃO PAULINA SOBRE HONRAR E OBEDER AOS PAIS

     O apóstolo Paulo afirmou que os filhos têm responsabilidade em obedecer a seus pais. Ele escreveu aos efésios, "Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo" (Efésios 6:1). É interessante que Paulo não escreveu, "Pais, façam com que vossos filhos vos obedeçam." Naturalmente os pais são responsáveis por ensinar e corrigir seus filhos, mas Paulo dirigiu-se aos filhos e colocou sobre eles a responsabilidade por obedecer a seus pais. É certamente verdade que esses pais têm que instruir seus filhos a seguir a trilha da justiça, mas os filhos não são robôs. Eles também têm uma vontade e podem resolver não aceitar a disciplina de seus pais. Assim, o apóstolo Paulo mandou que os filhos se submetam à vontade de seus pais.

      Os filhos têm que obedecer a ambos os pais. Freqüentemente os filhos obedecem ao pai que é mais provável que os castiguem e desatendem as instruções do outro! A palavra que é traduzida "pais" em Efésios 6:1 é uma palavra geral que inclui ambos, mãe e pai. Os primeiros nove capítulos do livro de Provérbios foram escritos como se um pai estivesse escrevendo ao seu filho. O autor começa seu conselho a seu filho com o seguinte: "Filho meu, ouve o ensino do teu pai e não deixes a instrução de tua mãe. Porque serão diadema de graça para a tua cabeça e colares, para o teu pescoço" (Provérbios 1:8-9). Observe que o filho precisa seguir a instrução de ambos, pai e mãe.

     Aos Colossenses, Paulo escreveu a respeito do alcance desta obediência dos filhos: "Filhos, em tudo obedecei a vossos pais, pois fazê-lo é grato diante do Senhor" (Colossenses 3:20). Os filhos deverão obedecer a seus pais quer entendam ou não a razão da ordem dos pais, quer concordem e gostem ou não da ordem dos pais. A verdadeira prova de obediência é quando nos é mandado fazer alguma coisa contra nossas inclinações ou vontade.

    Observamos que Paulo escreveu aos efésios que os filhos deveriam obedecer a seus pais "no Senhor." A frase "no Senhor" deveria estar ligada com "obedecer" antes que com a palavra "pais." Paulo não estava sugerindo que os filhos deveriam obedecer a seus progenitores somente se seus pais e mães fossem cristãos (no Senhor") mas, que os filhos devem obedecer a seus pais enquanto tal obediência não conflite com seus deveres para com Cristo. Pedro exprimiu o mesmo princípio quando reprovado pelo Sinédrio judeu por pregar Jesus Cristo; "antes, importa obedecer a Deus do que aos homens" (Atos 5:29). "No Senhor" constitui a única limitação imposta à obediência de um filho.

    Paulo escreveu que os filhos obedecerem "é justo" (Efésios 6:1). Aos Colossenses ele escreveu que obedecer assim "é grato diante do Senhor" (3:20). Muitas pessoas, incluindo alguns pais, acreditam que a desobediência é uma coisa natural com os filhos e precisa ser tolerada pelos pais. Contudo, a Bíblia revela que Deus considera ser a desobediência pelos filhos uma coisa séria. Vale a pena repetir que, o filho que amaldiçoasse ou batesse em seu pai ou em sua mãe era morto por apedrejamento (Êxodo 21:15, 17; Levítico 20:9). Quando Paulo relacionou os vários pecados comuns entre os gentios, ele incluiu "desobedientes aos pais" (Romanos 1:30; veja também 2 Timóteo 3:2).

A FAMILIA NO PLANO DE DEUS
     O casamento e a família são ordenados para o bem do casal, a procriação e educação dos filhos. Um homem e uma mulher unidos pelo casamento, formam uma família que será reconhecida por qualquer autoridade pública, não se submetendo a ela. (ou seja, não depende desta autoridade para se formar). A família é feita por membros iguais em dignidade, responsabilidades, direitos e deveres. 

       A  família cristã é chamada de "igreja doméstica", porque é uma comunidade de fé, esperança e caridade. Ela tem um papel muito importante na Igreja, como se vê no Novo Testamento. É um reflexo da comunhão entre o Pai o Filho e o Espírito Santo e sua atividade procriadora e procriadora também se parece com a obra criadora do Pai. A Leitura cotidiana da Sagrada Escritura, fortifica a caridade na família.

      A família cristã é evangelizadora e missionária e as relações entre os membros dessa família estabelecem laços de intimidade, afetos e respeito mútuo entre si.

"A família e a sociedade"
    A família como se sabe, é a célula da sociedade e a autoridade, estabilidade e vida relações dentro dela constituem a liberdade, segurança e fraternidade na sociedade. É na família que os jovens poderão aprender os valores morais, tais como honra a Deus e usar corretamente a liberdade. 

    A família também deve ensinar os membros a cuidar dos jovens e dos mais velhos, dos pobres, doentes e deficientes. "A religião pura e sem macula diante de Deus o nosso Pai consiste, nisto: visitar os órfãos e a viúvas em suas tribulações e guardar-se livre da corrupção do mundo. (Tg 1,27) 

      A família deve ser apoiada pela sociedade quando não tem a capacidade de desempenhar as sua funções, porque o bem estar da sociedade depende de uma grande responsabilidade para com o casamento a ser fortalecido e da família também.
Temos que entender que em nossos irmãos e irmãs, vemos os filhos de nossos pais e seguindo esse raciocino também vemos nos nossos primos os descendente dos nossos avós. Nos batizados, os filhos de nossa mãe a Igreja; em cada pessoa humana, um filho de Deus. O próximo não é só um "indivíduo" da sociedade, mas "alguém" que merece o nosso respeito. 
O bom governo na sociedade deve proporcionar relações justas entre patrões e empregados, governantes e cidadãos para dar dignidade às pessoas preocupadas com a justiça e a fraternidade. 

"Deveres dos membros da família"

DEVERES DOS FILHOS : 
Dentre os principais deveres enunciados pelo preceito divino, podemos expor: 
Respeito pelos pais (piedade filial) : É o reconhecimento para com aqueles que pelo Dom da vida, por seu trabalho e amor, nos puseram no mundo permitindo que crescêssemos em estatura, sabedoria e graça. 
Respeito filial : Revelado através da docilidade e obediência. "Um filho sábio ama a correção do Pai, e o zombador não escuta a reprimenda" (Pr 13,1)
Responsabilidades para com os pais : Relembrados no quarto mandamento e dirigido aos filhos adultos. Eles devem dar ajuda material e moral na velhice, e na doença, na solidão e na angústia. 
O respeito filial também diz respeito aos irmãos e irmãs. Nós cristãos, temos que ter um respeito especial àqueles que nos deu o Dom da fé, a graça do batismo. E a vida na Igreja, podendo ser os pais, avós, tios, pastores, catequistas, etc.

DEVERES DOS PAIS : 
Um dos mais importantes deveres dos pais é o papel de educadores dos filhos. É de importância tão grande que é quase impossível substituí-los nessa função. 
Eles devem reconhecer nos filhos, como filhos de Deus e respeitá-los. Por terem tamanha responsabilidade, devem dar testemunho dela através da criação de um lar onde a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço sem interesses são a regra primordial. O lar é o local certo para a educação das virtudes.
Outra responsabilidade dos pais é dar o bom exemplo aos filhos, reconhecendo diante deles seus próprios defeitos, para melhor guiá-los e corrigi-los. 
Os pais, pelo matrimônio, recebem também a missão de evangelizar os próprios filhos e isso deve ser feito desde pouca idade. Temos aqui o papel da educação para a fé. Os pais, nesse sentido, podem ser auxiliados pela paróquia que é o lugar ideal para a catequese, tanto dos filhos quanto dos pais. 
Os pais têm a função de prover as necessidades físicas e espirituais dos filhos enquanto pequenos. Na fase de crescimento esse respeito e dedicação servem para educá-lo no uso correto da razão e liberdade. Quando adultos os filhos devem ter a liberdade de escolher uma profissão e um estado de vida. Os pais podem dar a esse respeito conselhos e opiniões de boa vontade. Os conselhos devem ser mais prudentes, quando os filhos estão pensando em constituir uma família.

Tornou-se de domínio público uma advertência bem-humorada sobre como os filhos consideram seus pais. Ei-la:

Aos 7 anos: "Papai é grande e sabe tudo".
Aos 14 anos: "Parece que papai se engana em certas coisas que diz". 
Aos 20 anos: "Papai está um pouco atrasado em suas teorias. Elas não são desta época".
Aos 25 anos: "O coroa não sabe nada. Decididamente, está caducando".
Aos 35 anos: "Com minha experiência, meu pai seria hoje um milionário".
Aos 45 anos: "Não sei se consulto o velho. Talvez pudesse aconselhar-me".
Aos 55 anos: "Que pena papai ter morrido. A verdade é que ele tinha idéias notáveis".
Aos 60 anos: "Pobre Papai. Era um sábio. Como lastimo tê-lo compreendido tão tarde".

Diante destas visões, mesmo que estereotipadas, precisamos recordar o conselho bíblico: Meu filho, obedeça aos mandamentos de seu pai e não abandone o ensino de sua mãe. Amarre-os sempre junto ao coração; ate-os ao redor do pescoço. Quando você andar, eles o guiarão; quando dormir, o estarão protegendo; quando acordar, falarão com você (Provérbios 6.20-22).
Não espere ficar velho para valorizar seus pais. Talvez seja tarde. Diga-lhes o quanto você os ama. Você alguma vez enviou flores para sua mãe? Não espere seu pai envelhecer para reconhecer que eles sabem mais que vocês.

A LEI E O “CORBÔ

     A palavra oferecer aqui é a palavra Corbã que o Senhor também usou para falar daqueles judeus que não honraram seus pais. Em essência, o que esses judeus estavam dizendo aos seus pais era “tudo que vocês poderiam se beneficiar de mim, minha propriedade, minha renda, é Corbã dedicado a Deus e eu não posso dar isso a vocês. Isso era um voto que eles costumavam fazer para evitar dar aos seus pais. Eles fizeram um voto dedicando tudo para Deus e, portanto, eles podiam alegar que nada tinham para apoiar e logo, nenhuma obrigação para tal apoio em relação a seus pais. Como Barnes explica:

    “Se ele tinha uma vez dedicado sua propriedade e dito que era “Corbã” ou uma oferta a Deus – isso não poderia ser apropriado para o apoio dos pais. Se os pais eram necessitados e pobres e se dirigissem ao filho em busca de assistência, e o filho respondesse, embora irritado, “É dedicado a Deus; essa propriedade que vocês precisam, e por qual vocês poderiam estar aproveitando de mim é “Corbã” – Eu dei isso a Deus;” os judeus diziam que a propriedade não podia ser retirada e o filho não tinha obrigação de ajudar aos pais com ela. Ele tinha feito uma coisa mais importante ao oferecê-la a Deus. O filho estava livre. Ele não poderia ser requerido para fazer alguma coisa por seu pai depois daquilo. Assim, ele poderia em um momento se livrar da obrigação de obedecer ao seu pai ou mãe. 

    Nosso Senhor Jesus Cristo condenou o uso da desculpa do “Corbã” – oferta a Deus – para evitar o auxílio aos pais. Obviamente para ele honrar aos pais era algo muito importante, tão importante quanto foi para Deus quando listou isso nos 10 mandamentos.

CONCLUSÃO. 
       Se queremos a bênção de Deus sobre nossas vidas, precisamos honrar nossos pais. Levemos a sério este mandamento com promessa. Um dia os filhos transformados em pais quererão ser respeitados.
Quando honramos nossos pais, obedecemos a Deus.
Quando honramos nossos pais, reconhecemos que não viemos do nada, que temos vínculos com nossos pais e que nossos filhos terão vínculos conosco, na longa cadeia das gerações.

Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição – (Th.B.Th.M.Th.D.)


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BIBLIOGRAFIA

Adaylton de Almeida Conceição – A Família Moderna (Publicado na Revista da Familia – 2012)

Adaylton de Almeida Conceição – Ética Cristiana – Ed. Manantial-Buenos Aires-Argentina/1996.

Adriano Pinheiro - Infringindo a lei de Deus

Jean Alves Cabral Macedo – Honra a Teu Pai e a Tua Mãe

Felipe Aquino – Honrar pai e mãe