sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O PECADO NA VIDA DO CRENTE

Parte I

Introdução
Muitos podem pensar que, uma vez que uma pessoa se torna crente, ela nunca mais luta contra o pecado, nem peca. É verdade que aquilo que é nascido no crente não pode pecar e nunca vai pecar (I Jo. 3.9; 5.18). O que nasce é a natureza divina no crente. A natureza divina no crente não pode pecar, mas o crente pode. Também é verdade que aquele nascido de Deus não vive dominado pelo pecado. Mesmo ele caindo, levanta (Pv. 24.16).
O pecado que o crente tem é ligado a ele por ele viver no mundo (I Jo. 2.16) e ter o pecado ainda nos seus membros (Rm. 7.23). Enquanto o crente estiver carne, terá o problema do pecado (Mt. 26.41: “... o espírito está pronto, mas a carne é fraca.”). Se não houvesse a possibilidade do crente ser influenciado pelo pecado, Davi não teria orado: “Expurga-me tu dos que me são ocultos.” (Sl. 19.12; 119.133) e nem teria dito: “O meu pecado está sempre diante de mim” (Sl. 51.3). Jesus também não teria orado ao Pai que “os livres do mal” (Jo. 17.15). Paulo travava uma luta constante contra o seu pecado o que o fez lamentar: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm. 7.24).
É fato bíblico que o crente peca (Pv. 20.9; 24.16; Ec. 7.20), pois, ele é enfraquecido pela carne (Jo. 3.6, “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.”). Tanto a realidade da presença do pecado na vida do crente quanto à nova natureza são vistas claramente na doutrina da santificação que envolve a correção de Deus (Hb. 12.5-13). Se não houvesse pecado na vida do crente, nunca haveria a correção. Se alguém que se acha crente, não conhece a mão pesada de Deus que corrige seus filhos levando-os a serem “participantes da Sua santidade” (Hb. 12.10), esse tal não tem razão nenhuma de se achar salvo.
Mesmo havendo a capacidade de pecar, o crente é responsável por não pecar (I Pe. 1.15, “sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver”; I Jo. 2.1; “estas coisas vos escrevo para que não pequeis”). A possibilidade de pecar nunca é uma razão para se desculpar a ação do pecado, mas uma forte razão para vigiar (Mt. 26.41) para que não entremos em tentação.
Quem está salvo tem uma nova natureza feita por Deus em Cristo que luta contra o pecado (Gl. 5.17; “e estes opõem-se um ao outro”; Rm. 7.23; “que batalha contra a lei do meu entendimento”). Antes de ser Cristão, o salvo não tinha forças nenhuma para dominar o pecado (Rm. 8.8). Em Cristo, o Cristão tem o que é necessário para dominar o pecado (Mt. 26.41; Fp. 4.13; I Jo. 4.4).
Por causa da confusão que existe sobre este assunto e as dúvidas que Satanás pode trazer à mente do pecador e do crente, seria proveitoso estudar o que acontece e o que não acontece quando o crente peca.
Primeira Parte: O QUE NÃO ACONTECE QUANDO O CRENTE PECA?
O Crente Não Cessa de Ser Filho de Deus
Rm. 8.14-17, “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.”
Pela graça de Deus somos nascidos de novo. Deus usa a terminologia “filhos” para mostrar o relacionamento especial que Ele tem com os Seus pelo novo nascimento. A Bíblia, usando o termo “filho” (Rm. 8.14-17), revela a impossibilidade de se quebrar os laços permanentes que Deus tem com os Seus. Será que existe a possibilidade de alguém fazer destes filhos “des-nascidos”?
Esse relacionamento de “filho”, olhado por outro aspecto, é chamado de adoção. É um ato judicial, que é realizado da parte de Deus, (Gl. 4.4-7), por Jesus Cristo e pela obra do Espírito Santo, com aquele que era filho “da desobediência” (Ef. 2.2). Esse ato mostra como o crente é feito uma “nova criatura”, (II Co. 5.17), pois este é mudado para uma família nova, com uma natureza nova. Será que uma criação de Deus pode ser “descriada” ou “desadotada”?
O crente é nascido de novo pelo Espírito de Deus, (Jo. 3.3-8) através da semente incorruptível (a Palavra de Deus, I Pe. 1.23) que permanece “para sempre”. Quando cessa a incorruptibilidade? Qual a limitação cronológica de “para sempre”?
Todavia, o pecado na vida do crente tem um efeito, mesmo que não desfaça a condição de ser ele um filho de Deus. O crente que peca, quebra a comunhão com Deus. Nunca devemos pensar que Deus coopera ou tem coexistência com o pecado. A Bíblia mostra claramente que “Não há santo como o Senhor é santo” (I Sm. 2.2). Pela inspiração do Espírito Santo, a Bíblia estabelece que “Deus é luz e não há nEle trevas nenhuma” (I Jo. 1.5). Amós faz aos filhos desobedientes de Deus, Israel, uma pergunta que convém ainda hoje: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3.3). Nisso ele destaca a quebra de comunhão. O filho pródigo, mesmo no pecado continuou sendo o filho do pai, mas por causa do seu orgulho, era desobediente e, nessa condição, não andava com o pai (Lc. 15.11-32).
A própria comunhão quebrada muitas vezes, é uma correção de Deus para com Seus filhos. Não é a salvação que termina, mas a “alegria” da salvação que é removida (Sl. 51.1, 10-12). Existem várias manifestações desta quebra de comunhão: pode ser percebida pela falta de vitória espiritual (Pv. 28.13; II Ts. 5.19, “não extingais o Espírito”.); “Confusão de rosto” (Dn. 9.8) e até o mal (Dn. 9.12-14). A quebra de comunhão para o crente verdadeiro, é o que a vara é para o corrigido, ou seja, uma correção eficaz. Aquele que já saboreou as delícias do fruto do Espírito Santo (Gl. 5.22) e o conforto de um caminhar constante com o Santo sabe como é terrível a quebra da comunhão com Deus. Por isso, Davi clamou para ter de volta tal alegria, e Pedro quando pecou, “chorou amargamente” (Mt. 26.75).
A solução para o pecado na vida do crente é a confissão a Deus. A justificação é feita uma vez e “para sempre” (At. 13.39; 8.1, “agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”), mas a purificação é contínua. A justificação é imputada pela graça de Deus, “pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm. 3.24) e pela qual temos a “paz com Deus” (Rm. 5.1), mas a purificação que faz parte da santificação é responsabilidade do crente (Lv. 26.40-42, “então confessarão a sua iniqüidade”; II Cr. 7.14; “se humilhar, orar, buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos”; I Jo. 1.9, “se confessarmos”). Existe uma lavagem constante que é parte da obra de santificação na vida do crente. Essa lavagem é pela Palavra de Deus (Ef. 5.26) e nas horas de correção, quando a comunhão com Deus for quebrada, o crente clama por tal lavagem (Sl. 51.2).
Se a mão de Deus está pesando na sua vida e se você suspeita que haja pecado impedindo as bênçãos preciosas da Sua presença, busque a Deus em oração, pedindo que Ele sonde o seu coração. Quando a Palavra de Deus revelar qualquer coisa, confesse-a imediatamente, e procure humildemente a misericórdia de Deus que lhe dá a graça necessária para endireitar os seus pés no Seu caminho (Sl. 139.23-24).
O Crente Não Perde a Vida Eterna
Jo. 3.16, “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
Uma das razões da felicidade do crente que a Bíblia enfatiza repetidas vezes é: O salvo tem a vida eterna. Essa salvação eterna é baseada na graça de Deus (Rm. 11.6; Ef. 2.4-9; Jo. 3.16; I Jo. 4.19). O pecador, sendo o objeto da graça de Deus, não merece tal graça, nem antes de conhecê-la (Rm. 5.6-10) nem depois (Rm. 7.18).
Não há como enfatizar demais o fato da vida eterna. Essa vida é diferente daquela que Adão conheceu no Jardim do Éden e daquela que o povo de Israel conheceu sob a lei. A vida que Adão conheceu era probatória e a vida que Israel conheceu sob a lei era condicional. Enquanto Adão não comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele gozou paz com Deus e tinha firme sua permanência no jardim do Éden (Gn. 2.17; 3.6, 22-24). Enquanto Israel não adorou ídolos, enquanto Israel cumpriu a lei, gozou das bênçãos de Deus. O salvo é diferente, uma vez que ele tem a vida eterna baseada na obra de Cristo (Is 53.5-11; Rm 5.1; 7.22-25; 8.1; Fp 1.6).
A certeza dessa vida é entendida por palavras sugeridas na Bíblia como: “salvar perfeitamente” (Hb. 7.24,25), “não pereça” (Jo. 3.16), “nunca” (Jo. 10.28) e “ninguém pode arrebatar” (Jo. 10.28,29). É essencial lembrar que “os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Rm. 11.29).
Todavia, o pecado na vida do crente tem um efeito, mesmo que não transforme o que é eterno em temporário. O crente que peca perde a segurança da sua salvação. Isso quer dizer que ele perde o sentimento ou a confiança da segurança da sua salvação. A segurança da salvação vem com a obediência (I Jo. 2.3).
Jonas conheceu esta perda de confiança com seu pecado, pois das entranhas do peixe ele disse: “Lançado estou de diante dos teus olhos” (Jn. 2.4), uma condição que revela uma falta de comunhão e a falta de confiança que acompanha tal comunhão (II Pe. 1.4-9).
Jeremias lamentou: “Ainda quando clamo e grito, ele exclui a minha oração” (Lm. 3.8). Esse sentimento de abandono é mais usual entre os crentes que têm pecado (Sl. 51.3,11; 77.7-9).
A solução para o pecado na vida do crente é Cristo (I Jo. 2.1,2). Aquele que é a salvação do pecador é, também, a solução do crente que peca.
O Crente Não Perde A Presença do Espírito Santo
Salmo 139.7, “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?”
Não deve ser uma surpresa para o crente o fato de tudo acerca da sua salvação vir do Senhor (Jn. 2.9, “Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento; o que votei pagarei. Do SENHOR vem a salvação”.). Nenhuma parte da salvação, seja no passado, no presente, ou no futuro, depende da justiça do homem. Isto é verdade principalmente porque o homem não tem nenhuma justiça própria (Is. 64.6; Rm. 3.10-18). Deus opera as obras de salvação em nós pela Palavra de Deus e pelo Espírito Santo. O Espírito testifica de Cristo (Jo. 15.26) e nos convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo. 16.8). A fé é fruto do Espírito Santo (Gl. 5.22) como também a segurança da própria salvação (Rm. 8.16; Ef 1.13, “selados”). Por ser Deus quem através do Espírito Santo faz todas as partes da obra de salvação, o cristão pode ficar confiante de que essa obra permanece para todo o sempre (Ec. 3.14; Is. 51.6,8). Porque a salvação é pela graça, nunca por mérito real ou futuro. O cristão pode ficar aliviado de que a sua salvação é eterna.
O pecador recebe várias promessas e garantias quando Deus o traz à fé em Jesus Cristo. Uma das coisas que ele recebe é o Espírito Santo. O Espírito Santo foi dado para ficar com o cristão para sempre (Jo. 14.16). Será que um pecado por parte do cristão forçará Deus a mudar a vontade do Espírito Santo de permanecer no cristão? Existe algo que seja maior que Deus para forçar o Espírito Santo a não ficar para sempre com aquele que regenerou? Ninguém pode desfazer a obra de Deus por Cristo (Dn. 4.35; Jo. 10.28,29)! Nós merecemos perder o Espírito Santo, mas, por causa da promessa (Jo. 14.16) e da graça de Deus, não O perdemos (Mal 3.6).
É importante lembrar que o Espírito Santo está na vida do crente por causa da obra de Deus por Cristo e não pela obra do crente. Sendo pela obra de Cristo, e por Ele satisfazer a Deus em tudo, (Is. 53.11) aquilo que a Sua obra efetua é eterno, como Cristo é eterno (Jo. 1.1; 8.58).
A presença do Espírito Santo é tão certa que a Palavra de Deus usa a palavra “selados” para mostrar tal permanência. A palavra “selados” em grego significa “selar” ou “marcar com um selo”. Isso seria para proteção, para manter em confiança (Ap. 5.1,2), ou para comprovar (I Co. 9.2) ou confirmar (II Tm. 2.19). Um selo prova propriedade (#4973, Strong’s, Bíblia Online). Essa permanência contínua é determinada pela frase “para o dia da redenção” (Ef. 4.30; 1.13,14). O dia da redenção é o dia em que o corpo, a alma e o coração do cristão estarão juntos no céu com Cristo. O cristão é preservado para esse dia (Jd. 24). Sabendo que somos selados no Espírito Santo até o dia da redenção, somos constrangidos a sermos vigilantes; não por causa da possibilidade de perder o Espírito Santo, mas para não entristecer o próprio Espírito Santo.
Quando o Espírito Santo habita o cristão, ele é visto como estando salvo (Rm. 8.9,14-16). Para entender que a presença do Espírito Santo não se baseia na possibilidade do crente não pecar, podemos considerar os irmãos na igreja em Corinto. Mesmo com os pecados grosseiros e a ignorância que existia naquela igreja, os membros foram denominados como tendo o Espírito Santo (I Co. 3.16).
Todavia, o crente entristece o Espírito Santo pelo pecado (Ef. 4.30; I Ts. 5.19). Quando o Espírito Santo é entristecido, as vitórias na vida, as conquistas sobre o pecado e o crescimento na graça são prejudicados (Is. 63.10; Hb. 3.10-17). Pergunte a Himeneu e Alexandre se valeu a pena entristecer o Espírito Santo (I Tm. 1.19,20). Não se pode perder a presença do Espírito Santo, mas, se pode perder a manifestação da Sua presença.
A Solução do pecado na vida do crente vem através de uma limpeza espiritual constante. Observe que Davi foi sondado por Deus mais de uma vez (Sl. 139.1,23,24). O arrependimento e a fé que trouxeram a salvação é uma atividade contínua para o crente que conhece a sua fragilidade na carne (Cl. 2.6). Pelo andar no Espírito, o cristão é santificado para agradar a Deus e conhecer as bênçãos desse andar íntimo (Gl. 5.24,25. II Pe. 1.5-8)). Quando a carne estiver estimulada na sua vida, crucifique-a junto com as suas paixões e concupiscências. Jamais as defenda ou ignore.
O Crente Não se Torna Desqualificado para Ir para o Céu
Cl. 1.12-13, “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor”
Nenhum homem nascido de mulher vai para o céu através da sua própria justiça. Só podem ir para o céu os que foram feitos idôneos. Uma vez que homem não tem nenhuma justiça própria (Is. 64.6; Rm. 3.10), ele deve ser feito idôneo pela justiça de um outro. Dependendo das qualidades pessoais de quem o faz idôneo, o homem pode participar da herança dos santos na luz. Foi Deus, o Pai, quem nos fez idôneos para tal participação, nos tirando da potestade das trevas e nos transportando para o reino do Seu Filho (Cl. 1.12,13). Se for o próprio Deus quem fez essa obra, como alguém que não seja Ele pode desfazê-la (Jo. 10.29)?
A obra do Pai foi feita por Seu Filho Jesus Cristo. Cristo se ofereceu para sempre como sacrifício único pelos pecados. Pelo sacrifício de si mesmo, Cristo aperfeiçoa para sempre os santificados (Hb. 10.12-14). Como é que um aperfeiçoado não conhecerá o lugar onde não há nada que o contamine (Ap. 21.27)? A herança dada por Jesus Cristo é incorruptível, incontaminável, não pode murchar (I Pe. 1.3-5) e de maneira nenhuma o Cristão se tornará desqualificado para o céu (Jd. 1.1,24).
A obra de Deus feita pelo sangue de Cristo tirou toda a condenação de todo o pecado do crente (Ap. 1.5). Com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, fomos resgatados (I Pe. 1.18,19),e, por isso iremos ao Pai (Jo. 14.6).
A obra que Deus faz é perfeita. É tão perfeita que desde a eternidade Deus conhece o fim da Sua obra. Por isso, o Espírito Santo inspirou o Apóstolo Paulo a escrever que os santificados que Cristo aperfeiçoou (I Co. 6.11) serão verdadeiramente glorificados (Rm. 8.29,30). Não há dúvida nenhuma de que os que foram amados com amor eterno e atraídos com Sua benignidade (Jr. 31.3) estarão ao redor do Seu trono na glória (Rm. 8.17; Hb. 2.10). Pelo poder de Deus, os salvos entrarão na sua herança (At. 20.32).
Todavia, mesmo que o filho endureça o seu coração à correção que o Pai dá (Hb. 12.7), ele não se torna desqualificado para ir para o céu, contudo, pode ter a sua vida encurtada aqui na terra. Deus é glorificado quando os Seus dão frutos (Jo. 15.8) e os filhos de Deus que não se submetem à Palavra de Deus sofrem uma correção dura, até mesmo uma vida mais curta aqui na terra (I Co. 11.30; Sl. 38.3; 89.30-34), mesmo que as suas almas sejam salvas no último dia (Sl. 89.30-34; I Co. 3.15,16; 5.5).
A Solução para o Cristão não ter o pecado reinando em sua vida é ser vigilante em oração (I Pe. 4.7). É impossível para o Cristão que tem uma vida de oração ativa viver em pecado. Portanto, vigiai em oração. Ao lembrar-se das bênçãos que tem em Cristo, o filho verdadeiro purifica-se a si mesmo para ser como Cristo (I Jo. 3.3). Portanto, lembre-se constantemente das bênçãos que tem em Cristo. Uma obediência ativa à Palavra de Deus faz com que o Cristão evite de praticar o que não deve (Lc. 19.13; Ef. 2.10). Portanto, seja intensamente ativo na obra de Deus.
Em Resumo: Nenhum Cristão Nunca Vai para o Inferno para ser Eternamente Atormentado Pelo Seu Pecado
I Tm. 1.15, “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.”
O Apóstolo Paulo, pela inspiração do Espírito Santo, enfatizou que houve uma palavra fiel e digna de toda a aceitação. Essa palavra fiel era que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores (I Tm. 1.15). Se apenas um, entre todos os milhões de pecadores salvos por Cristo Jesus, fosse para o inferno para ser eternamente atormentado, essa palavra não seria fiel nem digna de aceitação. Contudo, as Escrituras determinam que essa palavra é fiel e digna. Os pecadores em Cristo são salvos! A beleza do fato que Cristo é o Salvador dos pecadores é entendida quando se entende que Cristo não só veio para salvar os pecadores, mas que também é poderoso para conservá-los (Jd. 1.1, 24) e guardar o que é depositado nEle até o dia final (II Tm. 1.12). A certeza da salvação é baseada na pessoa e poder de Jesus Cristo. Como não há dúvida nenhuma de que o pecado destrói, incita medo, envergonha e engana, também não há dúvida nenhuma que Cristo pagou o preço inteiro para o crente ser apresentado perante a Sua glória irrepreensível e isso, com alegria (Rm. 5.6-8; Jd. 24). Graças a Deus pela palavra fiel e digna de toda a aceitação!
A paternidade que o filho de Deus tem por intermédio de Jesus Cristo é razão suficiente para assegurar que nenhum filho vai para o inferno. Pelo amor de Deus (I Jo. 4.19) e através da vontade de Deus Pai (Jo. 1.13) o crente é feito filho idôneo para participar da herança dos santos (Cl. 1.12). Há algo maior do que o Pai que possa modificar a vontade dEle (Dn. 4.35; Jo. 10.29)? Não!
A posição que o filho de Deus tem em Jesus Cristo é razão suficiente para afirmar que o crente não vai para o inferno para ser atormentado eternamente. Nenhum filho de Deus sofrerá no inferno, mas, estará onde Cristo estiver. Isso é tão confiável quanto a oração e a vontade de Jesus (Jo. 17.24; 14.1-6). Por causa de tal confiança, o Apóstolo João afirmou: “Amados, agora somos filhos de Deus” (I Jo. 3.2). Os verdadeiros Cristãos podem ter a mesma confiança. Sendo filhos, somos logo herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm. 8.17), Quem nos aperfeiçoou para sempre (Hb. 10.14). Por sermos nascidos filhos de Deus pela semente incorruptível, (I Pe. 1.23) temos a posição abençoada de filhos de Deus. Para estes não há nenhuma condenação (Rm. 8.1).
As bênçãos outorgadas por Jesus Cristo dão razões suficientes para afirmar que o crente nunca perecerá no inferno. O Cristão tem a vida eterna, (Rm. 6.23) por estar em Jesus Cristo. Jamais os que crêem no Filho irão ao lugar de morte eterna pois têm a vida. Os que não têm Cristo, não têm a vida e não verão a vida (Jo. 3.36). Tanta a vida eterna, quanto o Espírito Santo são garantias do cristão em Cristo (Rm. 8.14; Ef. 4.30). Os que têm o Espírito Santo serão salvos no último dia sem dúvida alguma (I Co. 3.13-16) e não há nenhuma possibilidade de perecerem no inferno.
Muitas vezes, as próprias boas obras dos Cristãos causam confusão em alguns. Há ênfase na Bíblia para o Cristão andar ao agrado do Pai, isso é, através da obediência. Não há dúvida nenhuma de que há boas obras para serem operadas pelo crente (Ef. 2.10) que in¬cluem um andar para testemunhar diariamente a Deus (Mt. 5.14-16) e uma batalha para ser feita pela fé. A confusão vem, quando as obras são interpretadas como sendo a causa e não o efeito da vida nova em Cristo. Pelo amor de Deus somos salvos por Cristo. Por sermos salvos, nós amamos a Deus (I Jo. 4.19). Não é o nosso amor que causa Deus a nos dar Cristo. A nossa obediência é fruto do Espírito Santo de Deus, nos ensinando, consolando e guiando (Jo. 14.26; 15.26; Gl. 5.22,23). A nossa obediência não é a causa de recebermos o Espírito Santo. Através de um estudo atencioso da Palavra de Deus podemos entender que as boas obras, o bom testemunho, a batalha feita pela fé ou a nossa obediência nunca são as causas de obter Cristo ou a graça (I Tm. 1.12-14). Devemos lembrar destas duas verdades:
1. Salvação é pela graça - NUNCA é merecida (Rm. 11.6; Ef. 2.8,9).
2. Salvação é por Cristo - NUNCA pelo homem (Jo. 3.35,36; 14.6; Rm. 5.6,8).
Em resumo, é bom lembrar que é fato que o crente peca. Somente precisamos considerar as vidas de Abraão, de Jacó, de Moisés e de Davi para entendermos que os crentes pecam. Estes que pecaram não estão entre os que perecem no inferno. Eles estão incluídos entre os que têm a fé verdadeira (Hb. 11). Tinham a fé em Cristo (Hb. 11.39; 12.2) e por isso alcançaram testemunho, mesmo antes que a promessa (Cristo) viesse. Você tem tal fé em Cristo?
Bibliografia
PINK, Arthur W., Sins of the Saints. Chapel Library, Pensacola, sd.
BÍBLIA SAGRADA, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1/94
GILL, John, A Body of Doctrinal Divinity., Book 3, Chapter 12, Electronic Version presented by: Bible Truth Library

Autor: Pastor Calvin Gardner
Revisão ortográfica e gramatical: Renata Santos 09/2009
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br 


Parte - II
Segunda Parte: O QUE ACONTECE QUANDO O CRENTE PECA?
Temos estudado até este ponto as belezas de ser conhecido por Deus através do Seu Filho Jesus Cristo. As bênçãos de tal relacionamento gracioso são maiores do que qualquer conseqüência de qualquer ação pecaminosa. Contudo, estas verdades só confortam os Cristãos verdadeiros. De maneira nenhuma devem servir de desculpas para o domínio do pecado na vida de qualquer um. Para a pessoa que quer andar com o nome de Deus na boca, mas quer amar o pecado no coração, estas verdades estudadas não têm nenhuma colocação. Se tal pessoa pode amar continuamente o pecado, sem ter continuamente a mão pesada de Deus corrigindo-a, é evidente que tal pessoa não conhece Deus verdadeiramente. Essa pessoa não deve se iludir. Se uma pessoa não manifesta uma nova natureza (II Co. 5.17), que é testemunhada através do Espírito Santo morando e transformando continuamente a sua vida à imagem de Cristo (Rm. 8.11-14, 29), então essa pessoa não é nada de Deus. Ela necessita nascer de novo, do Espírito (Jo. 3.5-8).
Deus segura eternamente os Seus em Cristo, mas essa segurança não deve ocultar a verdade de que o pecado tem efeito na sua vida terrena. O estudo que segue considerará essas verdades.
A Comunhão com Deus é Quebrada
Sl. 39.10-11, “Tira de sobre mim a tua praga; estou desfalecido pelo golpe da tua mão. Quando castigas o homem, com repreensões por causa da iniqüidade, fazes com que a sua beleza se consuma como a traça; assim todo homem é vaidade. (Selá.)”
A natureza de Deus é santidade, (I Sm. 2.2; I Pe. 1.13-16; I Jo. 1.5, “não há trevas nenhuma”) e dos Seus filhos também (I Pe. 1.14-16). O propósito da salvação é tornar o que era filho da desobediência em filho de Deus (Ef. 2.2; I Jo. 3.1,2); o que era perdido, em achado e salvo (Lc. 19.10), e o que estava longe, traze-lo para perto (Ef. 2.13). Em Cristo, além da natureza pecaminosa que se inclina para a morte, pela carne, nasce uma nova, para a vida em paz pelo Espírito por causa de Jesus Cristo (Rm. 8.3-10; II Co. 5.17). Pelo pecado, o homem natural é separado de Deus (Is. 55.1,2), mas por Cristo a parede de separação que estava entre eles é derrubada e uma união de paz é feita onde a ira antes reinava (Ef. 2.13-16). Através dessa natureza nova, o cristão goza da comunhão incentivada pelo Espírito Santo (Rm. 8.15). Pela conversão tornamos a ter a mente de Cristo (I Co. 2.16) e vida nova com Deus.
Essa comunhão é: deleitosa (Sl 40.5, “Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar.”; Sl 139.6, “Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir.”); nutrida pela Palavra de Deus (Sl. 19.7-11. Portanto a Palavra deve ser lida no lar com a família, quando estivermos sozinhos, deve ser também memorizada, meditada, assistida, obedecida); divina (I Jo. 1.3, “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.”).
Quando o Cristão peca, a correção é imediatamente aplicada (Pv. 3.12; Hb. 12.5-9) e parte dessa correção é uma quebra de comunhão com Deus (Sl. 39.10,11; 51.1,10-12). A quebra de comunhão como correção não deve ser uma surpresa, mas entendida como sendo uma conseqüência normal (Amós 3.1-3). Por isso, quando os filhos de Israel praticaram o pecado, não cessaram de ser filhos, mas a vara de correção foi aplicada muitas vezes por causa da comunhão quebrada, e eles clamaram ao Senhor para ter de novo essa comunhão. Essa comunhão quebrada pode existir por anos, e como podemos entender pela história de Israel, levou efetivamente os filhos de volta a clamar pela relação íntima que Deus desejava (Ex. 3.7,8; Jz. 3.9-11, etc). Deus é o mesmo hoje (Ml. 3.6).
A quebra de comunhão é eficaz, pois o Cristão, pela sua natureza nova, não se relaciona mais com o mundo como antes. Agora o mundo aflige a sua consciência (II Pe. 2.7). Agora o mundo impede o crescimento abençoado (Gl. 5.17; Rm. 7.18-23). Quando, pelo pecado, a comunhão com Deus é quebrada por entristecer o Espírito Santo, o Cristão fica mesmo em apuros. Não pode recorrer ao mundo e nem tem liberdade com o Senhor Deus. Pode ser esta a razão pelo qual Pedro chorou amargamente (Mt. 26.75). Aquele que conhece a comunhão íntima com Deus sabe como a quebra de tal é uma vara de correção eficaz.
A única solução é a confissão e o abandono do pecado (II Cr. 7.14-15; Sl. 51.1-4; Pv. 28.13; I Jo. 1.9).
O Poder para Ser um Servo Fiel é Destruído
Gl. 5.16-17, “Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.”
Para se ser um servo fiel para a glória de Deus é necessário ter as Suas bênçãos. Ser um servo fiel não é fruto da carne. Na carne não habita bem algum (Rm. 7.18). Só as bênçãos de Deus em uma vida produzem fruto que convém ser visto publicamente (Gl. 5.22). Contudo, quando há presença de pecado na vida, como podem as bênçãos de Deus ser esperadas (Rm. 7.22-23)? Não podemos servir a dois senhores (Mt. 6.24). Se servimos ao pecado estamos contra o Senhor (Mt. 12.30; Rm. 6.12,16). Se atendermos à iniqüidade em nossos corações, O Senhor não nos ouvirá (Sl. 66.18). Será que devemos esperar o poder do Senhor em nossas vidas quando o Senhor não se agrada de nós? Como devemos esperar força para obedecer quando estamos vivendo contra o Senhor? Se não tivermos a confiança que Deus nos ouve como poderemos estar seguros em nossas vidas espirituais? Sem o poder de Deus para nos dar vitória e ter o Seu ouvido aberto para nosso clamor como poderemos realmente esperar ser livrados das nossas angústias? Como poderemos ser servos fiéis se O Fiel estiver envergonhado de nós (Lc. 12.9)? Como poderemos ter força se o nosso Senhor não se alegra de nós (Ne. 8.10)?
O servo fiel tem algo para ministrar aos outros. Ele continuamente conhece a beneficência, o juízo e a justiça na terra. Ele está confiante que o Senhor é O Senhor (Jr. 9.23-24). O fiel ceia com o Seu Senhor e o Seu Senhor ceia com ele e essa comunhão incentiva maior fidelidade (Ap. 3.20-21; I Jo. 1.3; Jo. 4.14; At. 1.8). Este crente tem um relacionamento vivo que emana do seu andar com Deus (Sl. 1.1-3). Mas, se o servo está praticando pecado, se tem mãos sujas, se não tem comunhão viva com o Senhor, como é que ele vai ter algo para proclamar ou pregar? Como pode o crente ser um servo fiel quando o céu parece fechado (Sl. 34.16), quando o espírito parece morto (Sl. 32.3-4) e quando se esquece da purificação dos seus antigos pecados (II Pe. 1.9)? Esse servo de Deus tem problemas sérios consigo mesmo, com seu Deus e, conseqüentemente, com o mundo.
A solução é confessar o pecado (Sl. 32.5; I Jo. 1.9; II Cr. 7.14; Pv. 28.13). Ter uma vida íntegra com o Senhor e Salvador Jesus Cristo traz a vitória. Ao dividir a adoração a Deus com o louvor do mundo, o poder de Deus na vida é destruído, logo, uma vida reta para com Deus é o que deve ser procurado para remediar a situação (Sl. 15.1-5). A possibilidade de o crente ter a glória de Deus na vida e ter o poder para ser um servo fiel somente é conhecida com atenção exclusiva à Palavra de Deus (Js. 1.7-8). Um coração restrito a Deus e limpo de pecado traz ânimo e sabedoria de Deus para sermos fiéis (Sl. 51.10-13). Quando o crente busca primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, ele tem o que necessita tanto na sua vida terrena quanto na sua vida espiritual (Pv. 2.1-9; Mt. 6.33).
Você está vivendo na carne e esperando o poder de Deus? Está com as mãos sujas? Confesse o seu pecado ao Senhor. Viva em submissão ao Senhor e assim terá o poder de Deus para ser um servo fiel!
O Seu Testemunho Cristão é Danificado
Mt. 5.14-16, “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”
A ciência nos diz que a luz (com uma velocidade de 299.792 km/seg.) da estrela mais perto da terra (“Próxima Centauri”, a uns 32 milhões de quilômetros) leva 3.3 anos para chegar a terra. A distância média das estrelas é uns 65 anos-luz (Enciclopédia Multimedia da Grolier, Ver. 8.01, 1996 - assunto ‘estrelas, distancia’ e ‘ano-luz’). A nossa vida espiritual é semelhante à luz de uma estrela. O brilho da nossa vida é visto e eficaz somente depois de muito tempo. Se algo entrasse entre a estrela e nós o brilho dela não mais seria visto por nós. Também, quando o pecado entra na vida do crente, esse brilho é interrompido ou, como acontece muitas vezes, é destruído completamente.
Conforme Mateus 5.14, nós somos “a luz do mundo”. Isso quer dizer que nós refletimos Cristo, que é a Luz (Jo. 8.12), ao mundo através das nossas vidas. Verdadeiramente, o que os outros sabem de Cristo é conhecido através de nosso testemunho (Tito 2.5; Tg. 3.13-18; I Pe. 3.1,2). Por isso somos chamados “a luz do mundo”, a candeia no velador e a cidade edificada sobre um monte (Mt. 5.14-16). Quando o pecado faz parte das nossas vidas cotidianas, o brilho de Cristo é diminuído, ou seja, o nosso testemunho de Cristo é danificado. O pecado é igual a algo que está entre nós e uma estrela. O brilho de Cristo não é visto mais.
Nosso corpo individualmente é o templo do Espírito Santo (I Co. 3.16,17; 6.19). O corpo somente pode manifestar o que está por dentro dele. Se tiver pecado praticado por dentro, uma vida suja será manifesta e não mais a glória de Deus. Um outro problema é desencadeado com uma vida suja no mundo. Representamos mal o nosso Salvador perante o mundo. Começamos por provocar confusão em todos ao nosso redor. Dizemos que somos Cristãos, mas vivemos em pecado. Dizemos que Cristo é poderoso para nos salvar dos pecados, mas vivemos caídos no pecado. Assim como um instrumento musical que emite um som estranho, nós provocamos confusão (I Co. 14.7,8). O mundo ouve o que dizemos, mas examina as nossas vidas diárias. O mundo pensa, por causa dos nossas vidas, que Cristo é falho.
Nós, como membros de uma igreja verdadeira, coletivamente, somos feitos o corpo de Cristo (Ef. 1.23). Se os membros da igreja estão vivendo em pecado não confessado e abandonado, como é que Cristo vai ser visto pelo mundo, como santo na assembléia? O mundo não precisa de uma testemunha com testemunho danificado. O mundo precisa ver a palavra de Deus representada através de uma vida santa para saber o que realmente significa a nossa pregação verbal. Por causa do dano que uma vida pecaminosa faz ao nome de Cristo, a correção de Deus pode ser exercitada com dureza (I Tm. 1.19,20; I Co. 11.30), mesmo que a alma seja salva (I Co. 3.15,16).
A solução para o pecado na vida é o arrependimento a Deus. Isso inclui tristeza e abandono completo do pecado. Logo que o pecado é abandonado, o poder de Deus deve ser procurado para poder vencer o mal e para poder viver em submissão à vontade de Deus (Sl. 139.23,24). Isso é o que o Apóstolo Pedro fez tornando-se um servo fiel (Mt. 26.75; Jo. 21.17,19).
Se o pecado estiver oculto, confissão ao Senhor se faz necessária (I Jo. 1.8-9; Sl. 19.12-14).
Se o pecado for contra um irmão, um arrependimento para com aquele irmão convém para consertar o testemunho diante do mundo e ser perdoado por Deus (Jó 42.8; Mt. 5.23,24).
Se o pecado for público, convém um arrependimento público. Somente assim terá o testemunho público restaurado (Zaqueu, Lc. 19.8).
Para consertar o testemunho depois de danificá-lo, cuide especialmente da sua submissão à Palavra de Deus.
“Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.” Sl. 119.9.
O Número dos Galardões no Céu é Determinado I Co. 3.11-15, “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo.”
O céu é obtido somente pela graça de Deus (Rm. 5.15; 9.15,16; 11.6; Ef. 2.8,9). Essa graça é motivada pelo amor de Deus por Seus eleitos (Jr. 31.3; Ef. 2.4-7). O céu é exclusivamente para estar com Jesus Cristo (Jo. 14.6; At. 4.12; I Co. 3.11; I Tm. 2.5,6). Nenhum Cristão pode receber mais Cristo ou mais Espírito Santo do que qualquer outro Cristão. Os Cristãos podem ter responsabilidades diferenciadas e serem usados de forma variada durante o seu tempo na terra (I Co. 12.14-30; Ef. 4.11-16), mas todos os crentes em Jesus Cristo irão para o céu da mesma maneira.
Todavia, a bíblia revela que haverá diferenças entre os participantes no céu (Mt. 19.30; I Co. 3.12; 15.41,42 e Dn. 12.3; Hb. 11.35, “uma melhor ressurreição”). Terão também no inferno (Mt. 10.15, “no dia do juízo, haverá menos rigor”; Ap. 20.13, “julgados cada um segundo as suas obras”; Mt. 12.41). Como há pecados de maior ou de menor grau, assim há no julgamento da sua punição eterna (Jo. 19.11, “aquele que me entregou a ti maior pecado tem”; Lm. 4.6).
No céu, as diferenças serão conhecidas pela diferenciação dos galardões. Os galardões dos cristãos podem ser ganhos e perdidos. Os galardões são coroas. Existem coroas de justiça (II Tm. 4.8), de vida (Tg. 1.12), de gló¬ria (I Pe. 5.4; I Co. 9.25) e são para serem lançadas aos pés de quem está no trono (Ap. 4.9-11). Também entendemos que os Cristãos terão as suas obras julgadas pelo Tribunal de Cristo (Rm. 14.10; II Co. 5.10). Este julgamento não é o julgamento geral dos incrédulos, mas é o julgamento em que as obras feitas pelo Cristão em vida serão julgadas.
Os galardões estão determinados pelo serviço do cristão a Cristo duran¬te a sua vida terrestre (Hb. 11.26, 35). As obras determinam as coroas que teremos (I Co. 3.11-15). As obras feitas na força da carne findam-se em palha, feno e ma¬deira, e serão queimadas, ou seja, perdidas. As obras feitas na força de Deus para a Sua glória em amor nos darão ouro, prata e pedras preciosas e estes galardões permanecerão. Devemos ter cuidado para que ninguém tome a nossa coroa (II Jo. 8; Ap. 3.11), tal perda será causa de choro (Ap. 21.4).
A perda das coroas, pela infidelidade do Cristão na vida terrena, confunde a muitos. Pela perda das coroas, muitos entendem a perda da salvação. Mas a salvação é pela obra de Cristo, outorgada pela graça e por isso, está segura eternamente. As coroas são ganhas pelo nosso uso da graça de Deus em nossa vida cristã na terra. Podemos perder as coroas (I Co. 3.15; Ap. 3.11), mas nunca poderemos perder Cristo ou o céu (Jo. 10.27-29). O Cristão nunca será separado de Deus (Rm. 8.35-39).
A solução para não perder os galardões é não andar na carne durante a vida Cristã (Gl. 2.20). Uma vida piedosa “para tudo é proveitosa” (I Tm. 4.8), e é a maneira pela qual fazemos as boas obras (Ef. 2.10; Tito 3.8). Vivendo no Espírito (Gl. 5.16), aplicando-nos mais e mais para viver conforme a Palavra de Deus. É viver segundo o poder de Deus em Cristo, Que nos apresentará diante de Deus irrepreensíveis (Jd. 24).
A Sua Vida Terá o Castigo de Deus
I Co. 11.32, “Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.”
Castigo, para muitos, é uma palavra feia. No contexto bíblico, o castigo, em referência a uma ação de Deus para com os Seus, ou dos pais para com os seus filhos, é uma atitude de amor. Amor tanto para com a pessoa corrigida, quanto uma amostra de amor pelos princípios de justiça e santidade. O castigo aplicado por Deus, para com os Seus, jamais é uma atitude de rancor, malícia, ódio ou outra manifestação que possa emanar de uma falta de amor.
A condenação dos pecados precisa ser feita (Ezequiel 18.20, “A alma que pecar, essa morrerá”). Os que não têm os seus nomes escritos no livro da vida e, os que nunca foram regenerados para serem filhos de Deus por Jesus Cristo, receberão a condenação pelos seus pecados no tempo do porvir no lago de fogo (II Ts. 1.8-9; Ap. 20.11-15). Os que já foram regenerados por Deus têm a condenação dos seus pecados já castigados em Cristo (Is. 53.4-6; Rm. 5.6-8; II Co. 5.21). A condenação eterna dos seus pecados foi levada em Cristo (Rm. 8.1). Todavia, sem dúvida nenhuma, estes têm as conseqüências das suas desobediências corrigidas nesta vida (Hb. 12.5,6).
Este castigo (repreensão) dos filhos de Deus é para correção, e é uma marca clara de que se é filho de Deus (Hb. 12.7,8). Estes açoites vêm do Senhor (I Co. 11.32) e vêm para o bem (Rm. 8.28, “para o bem”; Hb. 12.10, “para nosso proveito, para sermos participantes da sua Santidade.”). Deus pode usar os outros para estender a Sua correção (Mt. 18.15-17 - a igreja; Nm. 21.6 - situações; Jz. 3.3, 4 - pessoas que não conhecem a verdade) Contudo, sempre com a Sua direção. O castigo do Senhor é com o intuito de revelar o Seu amor (Pv. 3.12; Ap. 3.19, “Eu repreendo e castigo a todos quanto amo”), e aperfeiçoar os Seus (Ef. 5.26,27; Hb. 12.9,11). O castigo vem para o nosso bem. Todavia é melhor viver em obediência para não precisar de castigo.
QUANTO MAIS SUJEIRA TIVER EXPERIMENTADO, MAIS "CORREÇÃO" SERÁ APLICADA
A solução para não correr o risco de conhecer a vara corretiva do Senhor é andar reto segundo a Palavra de Deus. Quando pecares, confessa-o (I Jo. 1.9) e volta a observar os princípios deixados de obedecer (Sl. 119.9; Ap. 3.19, “sê pois zeloso, e arrepende-te”.).
Sua Vida na Terra Pode Ser Encurtada
I Co. 5.4-5, “Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, Seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.”
Brincar com Deus nunca foi saudável. Deus deve ser obedecido com temor e reverência (Ec. 12.13). O homem que peca, seja filho de Deus ou não, conhecerá a mão pesada de Deus. O filho de Deus conhecerá o castigo para trazê-lo à correção (Hb. 12.5,6). Quem não é filho de Deus não conhecerá a correção, mas conhecerá a punição eterna que leva à glória de Deus por Jesus Cristo (Fp. 2.10,11; Lc. 16.27,28). Podemos tentar esconder as nossas ações de pecado através de desculpas, boas intenções ou ignorância, mas Aquele que conhece os corações agirá com justiça e Ele não depende de nossas frágeis e egoísticas explicações.
A correção de Deus para quem está em Cristo e insiste no pecado, pode resultar em morte ‘precoce’. Há casos bíblicos de morte de crentes que insistiram no pecado. Em Éfeso, onde Timóteo estava pastoreando (I Tm. 1.3), Hemeneu e Alexandre foram dois que não conservaram a fé e a boa consciência e fizeram naufrágio na fé. Eles foram entregues a Satanás “para que aprendam a não blasfemar” (I Tm. 1.19,20; II Tm. 2.16-19; II Tm. 4.14). A instrução do Apóstolo Paulo para os crentes em Corinto, que insistiram no pecado, era para serem entregues a Satanás, não para a destruição da alma, mas, sim, do corpo (I Co. 3.12-16; 5.1-5). A bíblia também relata sobre os crentes que não procuraram o perdão e não eram sérios na prática da sua confissão e por isso foram afligidos com doenças e alguns até morreram (At. 5.1-10; I Co. 11.28-31). Em vez de brincar com o pecado, devemos arrepender-nos dele e correr à misericórdia de Deus, que foi revelada em Cristo.
Deus quer que Seu povo seja santo. Aquele que está oprimido pelo seu pecado e cansado dele, está instruído a tomar o jugo de Cristo e a aprender dEle (Mt. 11.28-30).
“Quem é o homem que deseja a vida, que quer largos dias para ver o bem?
Guarda a tua língua do mal, e os teus lábios de falarem o engano.
Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a.”
Salmos 34.12-14
COMO TER VITÓRIA SOBRE O PECADO
“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”, Romanos 12.12
Vivemos em um mundo onde o astuto Satanás é o príncipe das potestades do ar (Ef. 2.2). Não estamos numa luta contra personalidades, mas, contra este príncipe das trevas (Ef. 6.12). Acrescente a essa realidade o fato de termos um coração mais enganoso do que podemos conhecer (Jr. 17.9). Tudo isso, mais a verdade que o pecado apenas tem efeitos destrutivos, nos alerta a sermos perspicazes sempre.
A vitória sobre o pecado é conseguida quando estamos atentos. A toda hora temos que estar cuidadosos, pois o diabo não cessa de perturbar os retos caminhos do Senhor (At. 13.10). Ele é como um leão faminto, buscando a quem possa tragar (I Pe. 5.8). Ele destrói com mentiras e é homicida desde o começo (Jo. 8.44). Quando deixamos de ser prudentes como devemos (Mt. 10.16), ou quando cessamos de vigiar em oração (Mt. 26.41; Mr. 13.33; I Ts. 5.8; I Pe. 5.8), perdemos a oportunidade de usar o escape que Deus dá justamente para podermos suportar tais tentações e ardis de Satanás (I Co. 10.13). Pedro deixou de estar atento em uma única ocasião e caiu na tentação de confiar na carne (Jo. 13.37; 18.17,25-27). Esta única vez de displicência espiritual trouxe consigo um choro amargo (Mt. 26.75) e um mau testemunho que dura até hoje. Para sermos vitoriosos sobre a natureza sutil, enganosa e destrutiva do pecado, não temos opção alguma - se desejamos ter vitória - a não ser estarmos atentos em todo o tempo.
Devemos lembrar das experiências também. Não devemos ficar iludidos pensando que o que aconteceu uma vez não pode acontecer outra. Cada um de nós tem “o pecado que tão de perto nos rodeia” (Hb. 12.1), ou seja, uma tentação que Satanás usa repetidas vezes em nossa vida para nos tornar presas dele. Pela graça de Deus, temos vitória várias vezes sobre este pecado. Para continuarmos a ter vitória, devemos lembrar que Satanás não dorme! Somos aconselhados a não dormir também (Lc. 21.34-36). Há personalidades bíblicas cujas experiências nos ajudam. O fato de Abraão mentir sobre a mulher, várias vezes, (Gn. 12.10-20 - 20.1-5, 12-13) é uma experiência que nos ensina a ter cuidado. Também o apóstolo Pedro negou, não apenas uma vez, mas três vezes (Jo. 13.37; 18.17, 25-27). Se estes homens foram fracos, é prova que devemos ser vigilantes também. Cabe a nós reconhecer os sintomas e não sermos ingênuos. O que aconteceu a um outro, pode acontecer conosco também. As tentações são humanas (I Co. 10.13). O que aflige nossos irmãos cristãos, pode nos afligir também (I Pe. 5.9). O que aflige os do mundo pode nos afligir também, pois temos corações enganosos e as mesmas paixões (At. 14.14,15). Cristo instruiu os discípulos a lembrar “da mulher de Ló” (Lc. 17.28-32) para que eles fossem prudentes. Paulo lembrou a Timóteo de Himeneu e Alexandre (I Tm. 1.19,20) para que retivesse a fé e a boa consciência. Nós temos a Bíblia em nossas mãos e ela foi escrita para nosso ensino (Rm. 15.4). Não há razão para sermos inexperientes. Podemos e devemos aprender com os problemas e com as situações bíblicas que provocaram pecado. O escape útil desses pode ser o mesmo que precisamos. Devemos resistir, mas, não na força da carne. Temos que resistir firmes na fé, (I Pe. 5.6-9) para sujeitarmo-nos melhor a Deus (Tg. 4.7,8).
Se quisermos mesmo ter vitória sobre o pecado devemos ser santos. Devemos guardar os nossos corações (Pv. 4.23-26). Do coração procedem as fontes da vida. Os que observam a Palavra de Deus para praticá-la em suas vidas diárias são os que podem resistir às tempestades que certamente chegarão a vida de cada um de nós (Mt. 7.24-27). Uma vida que tem a armadura de Deus é uma vida pronta para ter vitória sobre as ciladas do diabo, (Ef. 6.11-18). A armadura de Deus é útil somente para os que já nasceram de novo e conscientemente vestem-se dela (Ef. 6.18, “orando em todo o tempo”). Somente os que manejam bem a Palavra de Deus não precisam se envergonhar (II Tm. 2.15). Apenas os que são chegados a Deus (Tg. 4.8) vão lembrar-se de lançar sobre Ele toda a ansiedade na hora de aperto (I Pe. 5.7). Sendo espiritual na hora da tentação, podemos desviar-nos do mal e sermos amparados na hora da aflição com a Sua graça.
Há perigo no pecado para qualquer pessoa, mas especialmente para o crente. Se você desejar afastar-se do pecado, chegue mais perto de Deus. Tendo feito tudo para resistir, sede firmes.

Autor: Pastor Calvin Gardner
Revisão ortográfica e gramatical: Renata Santos 09/2009
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br 

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