sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

E Quando a Ovelha Ataca seu Pastor?

       Ser pastor não é fácil. As responsabilidades e a prestação de contas diante de Deus são coisas sérias. Ofício pastoral também é complicado, pois lida com vidas ainda sujeitas ao pecado. Por isso mesmo, Paulo se preocupa em proteger os pastores de acusações falsas e ataques por parte das próprias ovelhas: “Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas” (1Tm 5.19). Paulo proíbe que uma pessoa solitária seja a testemunha de acusação contra um pastor. Se não houver outras pessoas que corroborem a denúncia, o testemunho deve ser rejeitado pelos irmãos.
      Diante disso, a óbvia pergunta que temos de nos fazer é: “Por que Paulo se preocuparia com acusações desse tipo contra pastores?”. A resposta não é tão difícil de ser descoberta. Os pastores têm como função pregar a Palavra, argumentar, corrigir, repreender e exortar (2Tm 4.2). Ao exercê-la, é certo que nem todos se agradam disso. Paulo, por exemplo, pelas exortações que escreveu em 1Coríntios, causou tristeza em muitos irmãos (2Co 7.8). Contudo, essa tristeza, à qual ele chamou tristeza “segundo Deus... que a ninguém traz pesar” (2Co 7.9,10), produziu nos coríntios arrependimento, cuidado, defesa, indignação [contra os próprios erros], temor, saudades, zelo e vindita [contra o próprio mal] (2Co 7.9-11). Contudo, algumas pessoas passaram a atacar Paulo dizendo que ele não era apóstolo – 2Coríntios é a carta em que Paulo mais tem de defender sua autoridade apostólica (1Co 10 – 12). Como solução para os problemas da igreja de Corinto, Paulo anuncia: “Esta é a terceira vez que vou ter convosco. Por boca de duas ou três testemunhas, toda questão será decidida” (2Co 13.1).       Na Galácia ocorreu o mesmo e foi usado de lisonja a fim de colocar os irmãos contra Paulo (Gl 4.17) e de mentiras como se o apóstolo pregasse duas mensagens diferentes (Gl 5.11).
      Desse modo, é possível perceber que, em seu ofício, os pastores enfrentam pessoas endurecidas que não se deixam tocar como a maioria dos irmãos (cf. 2Co 7.9-11), motivo pelo qual tais pessoas muitas vezes iniciam campanhas abertas ou dissimuladas de ataque e difamação contra seus pastores. Muitas podem ser as motivações para isso, mas três razões são mais frequentes.
      A primeira razão costuma ser despeito por ter sido repreendido pelo pastor. Enquanto muitos irmãos, ao serem exortados, se arrependem de pronto, corrigem seu erro e agradecem por terem sido auxiliados no processo de santificação, pessoas obstinadas, que nutrem de si uma imagem irreal de perfeição, desenvolvem mágoas profundas contra quem lhes apontou os erros. Por amor-próprio ferido, se lançam em uma batalha por vingança.
      A segunda razão costuma ser desejo de ocupar o lugar do pastor. A maioria dos crentes desenvolve o senso cristão de serem servos uns dos outros. Entretanto, é comum que algumas pessoas só vejam valor nas funções de liderança, sejam elas oficiais ou funcionais. Ao buscarem seus objetivos nesse sentido, é frequente ultrapassarem os limites impostos pelas Escrituras e serem contidas pelos líderes da igreja. Para obterem, então, o que querem, passam a atacar a liderança que querem ocupar.
      A terceira costuma ser discordância da pregação do pastor. A maior parte dos irmãos nutre verdadeiro desejo de aprender as Escrituras, abandonando os conceitos errados para acolher os corretos. Entretanto, há os que consideram o aprendizado uma humilhação pessoal, pois significa que não sabiam o quanto achavam ou diziam que sabiam. Para não terem de acolher um ensino que não obtiveram ou que rejeitaram, passam a atacar os portadores do ensino.
      Isso tudo causa muita dor e sofrimento na igreja. Os promotores de divisão – ovelhas que atacam seus pastores – colocam irmãos contra irmãos, falam às escondidas e mantêm uma postura dissimulada em público, plantam desconfianças no rebanho e fazem tudo para desestabilizá-lo a fim de surgirem como “salva-vidas” e, finalmente, tentam aliciar pessoas para um partido que as apoie contra seus pastores. Tudo isso é pecado e é a razão pela qual Paulo diz: “Não aceites denúncia contra presbítero, senão exclusivamente sob o depoimento de duas ou três testemunhas” (1Tm 5.19). Por isso mesmo os irmãos devem desconfiar de atitudes assim, disfarçadas ou não de piedade e de preocupação.
      O que fazer então? É simples! A primeira providência que os irmãos devem tomar é cautelosamente se afastar de pessoas assim: “Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles” (Rm 16.17). Em segundo lugar, alertar esses promotores de divisões como o Senhor enxerga suas atitudes destruidoras: “Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (Pv 6.16-19).
      Por outro lado, devemos nutrir a esperança de que em breve tudo isso vai acabar. Afinal, o inimigo da igreja responsável por incitar divisões no corpo de Cristo e disposições de despeito e de insubordinação um dia será vencido definitivamente: “E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco” (Rm 16.20).

Pr. Thomas Tronco
Fonte: http://igrejaredencao.org.br/

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