sábado, 29 de novembro de 2014

O PRENÚNCIO DO TEMPO DO FIM

Por prof Adaylton de Almeida Conceição

INTRODUÇÃO: O livro de Daniel relata algumas das mais inspiradoras histórias da Bíblia. Daniel e seus amigos preferindo legumes às finas iguarias do rei Nabucodonozor. Sadraque, Mesaque e Abednego que, optando pela fidelidade a Deus, foram jogados na fornalha ardente, mas nem sequer um fio de cabelo deles foi chamuscado pelo fogo. Daniel sendo liberto da boca dos leões. 
      Mas, além das narrativas, os relatos da sucessão dos impérios desempenham um papel fundamental no livro, nos capítulos 2, 7 e 8. A questão principal é a identificação dos reinos nos capítulos 2 e 7, conforme nosso comentário anterior sobre o tema: 
"OS IMPERIOS DO MUNDO E O REINO DE CRISTO", e qual a relação deles com o capítulo 8. 

      Vimos em Daniel 7 que Deus repetiu o apocalipse histórico que Ele havia apresentado a Nabucodonosor em Daniel 2 por meio de uma estátua metálica no formato humano. Nesse capítulo, Deus expandiu as informações que já haviam sido apresentadas sobre a fase dos pés focalizando principalmente a natureza do quarto reino. 

     Em Daniel capítulo 8, veremos esse mesmo princípio de repetição e expansão com ainda mais detalhes em torno do poder do chifre pequeno que foi introduzido em Daniel 7. 

Dan. 8:1, 2 - “No ano terceiro... do rei Belsazar” – A visão de Daniel 7 teve lugar no primeiro ano do reinado de Belsazar. Esta visão ocorre no 3º ano (551 a.C.) – não muito tempo antes dos eventos de Daniel 5 em cronologia.
- “... Depois daquela [visão] que me apareceu no princípio”. – Esta visão aconteceu após a visão do capítulo 7. 
- “... Eu estava na cidadela de Susã...” Daniel, em visão, se vê em Susã, a principal cidade persa e a capital de inverno do Império Medo-Persa. A visão de Daniel 8 começa com o Império Medo-Persa, ao invés de ser em torno de Babilônia.

      Susã ficava a 370 quilômetros a leste de Babilônia, no Irã moderno, e se tornaria a capital do Império Persa. Tanto Daniel quanto Neemias viveram lá, bem como a Rainha Ester. Hoje é conhecida como Shush. Lá uma incomum pedra branca na forma de um cone marca o tradicional lugar de descanso de Daniel. Em adição aos Judeus Persas, muitos Muçulmanos Shiitas, que também reverenciam o profeta, visitam seu túmulo até hoje.

      O Rei da Pérsia usava uma coroa de cabeça de carneiro em batalha, então o carneiro com dois chifres representa a Medo-Pérsia. A Media era o lar dos Kurdos de hoje, enquanto a Pérsia se tornou o Irã. Juntos esses dois conquistaram uma área que se estendia do Paquistão até o leste da Grécia para Oeste e até às praias dos mares Negro e Cáspio para o norte e a governaram por 200 anos, até cerca de 330 AC. Uma Estrada Real corria de Susã até Sardes na Turquia Ocidental, trazendo bens do Mediterrâne para a cidade capital.

A VISÃO DO CARNEIRO E DO BODE (8.3,4,20)
      No ano terceiro do reinado do rei Belsazar apareceu-me uma visão, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio. E vi na visão; e sucedeu que, quando vi, eu estava na cidadela de Susã, na província de Elão; vi, pois, na visão, que eu estava junto ao rio Ulai. E levantei os meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha dois chifres; e os dois chifres eram altos, mas um era mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir; nem havia quem pudesse livrar-se da sua mão; e ele fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia. (Daniel 8.1-4)

1. A natureza da visão – v. 1,2
• Essa visão não é um sonho como a do capítulo 7. Daniel foi transportado em espírito até Susã e foi transportado através do tempo.

2. O local da visão – v. 2
• Deus transportou Daniel a Susã não fisicamente, mas em espírito. Susã era o local onde havia o templo de Dagon. Era cidade importante mesmo depois da queda da Babilônia, onde os reis medo-persas residiam por três meses ao ano.

3. A abrangência da visão – v. 17,19,26
• A visão se refere ao tempo do fim (v. 17), ao tempo determinado do fim (v. 19), e a dias ainda muito distantes (v. 26).
• A visão é profética. É recebida no período da grande Babilônia e aponta para o surgimento e queda de dois grandes impérios: Medo-Persa e Grego.
• A visão fala do surgimento de um rei que é protótipo do anticristo escatológico (o pequeno chifre). Esse pequeno chifre do capítulo 8 é diferente do pequeno chifre do capítulo 7. O capítulo 7 fala do anticristo escatológico que emerge do quarto reino (Romano). O pequeno chifre do capítulo 8 emerge dos quatro reis oriundos da queda do grande rei grego, Alexandre Magno. Esse pequeno chifre é o maior protótipo do anticristo escatológico.

4. A reação ante a visão – v. 17,18,27
• Daniel ficou amedrontado e prostrado diante da visão de Gabriel, o agente de Deus que lhe revelou a interpretação da visão (v. 17).
• Daniel caiu sem sentidos, rosto em terra, quando Gabriel fala com ele. Aqui não é tanto o esplendor do anjo, mas o conteúdo da revelação: A queda da Babilônia.
• Daniel ficou fraco e enfermo diante dos fatos futuros que haveriam de vir. 
• Essa visão prova que Deus é quem dirige a história. Ele está no comando.

As visões dadas ao profeta apontam para o tempo do fim (Dn. 8.17), ao tempo que fora determinado por Deus para o desfecho de todas as coisas (Dn. 8.19), em dias distantes daqueles vivenciados por Daniel (Dn. 8.26).

Carneiro = Medo-Pérsia

Como já aprendemos antes, bestas representam reinos. Aqui temos o “carneiro que... tinha dois chifres” com um chifre maior do que o outro. Dan. 8:20 nos diz que esses chifres representam“os reis da Média e da Pérsia”. Portanto, o carneiro representa o Império Medo-Persa. O carneiro neste capítulo representa o urso do capítulo 7 com um chifre mais alto que o outro. Um chifre é maior porque os persas se tornaram mais fortes do que os Medas e, a seu tempo, assumiram todo o reino.

1. Tinha dois chifres – v. 3,20
Esta é uma descrição do Império Medo-Persa que se levantaria para conquistar a Babilônia. Na mesma noite em que o rei Belsazar fazia uma festa, onde zombava dos vasos do templo, caía a poderosa Babilônia nas mãos dos medo-persas.

      O chifre mais alto é uma descrição do poder prevalecente dos persas na liderança do império. Ciro, o grande tomou o lugar de Dario. Em 550 a.C., Ciro tomou o controle da Média. Assim, se cumpriu a profecia.
      O carneiro persa derrotou a Babilônia e por algum tempo, tornou-se senhor do mundo. Mas Daniel viu sua ascensão e queda 210 anos antes do fato acontecer.

2. Era irresistível – v. 3,4
• A união dos medos e persas em um só império criou um exército poderoso que conquistou territórios para oeste (Babilônia, Síria e Ásia Menor), ao norte (Armênia) e ao sul (Egito e Etiópia).

3. Engrandeceu-se – v. 4
• Nenhum exército naqueles dias podia resistir ou deter o avanço do reino medo-persa. Isso levou esse reino tornar-se opulento, poderoso, cheio de soberba. Por isso, engrandeceu-se e aí estava a gênese da sua queda.

A VISÃO DO BODE
      E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha um chifre insigne entre os olhos. E dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto em pé diante do rio, e correu contra ele no ímpeto da sua força.E vi-o chegar perto do carneiro, enfurecido contra ele, e ferindo-o quebrou-lhe os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir, e o bode o lançou por terra, e o pisou aos pés; não houve quem pudesse livrar o carneiro da sua mão. E o bode se engrandeceu sobremaneira; mas, estando na sua maior força, aquele grande chifre foi quebrado; e no seu lugar subiram outros quatro também insignes, para os quatro ventos do céu. E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa. (Daniel 8.5-9).

A VISÃO DO BODE – V. 5-8,21

1. A rapidez de suas conquistas – v. 5, 21
• Esse bode representa o império Grego (v. 21).
O bode com um chifre era o símbolo de Felipe da Macedônia, pai de Alexandre o Grande. Os Persas havia humilhado Felipe e Alexandre construiu um grande exército para executar a vingança. Para unir as facções rivais da Europa Oriental contra os Persas, Alexandre inventou uma nova lingua, o Grego Comum, para que pudessem todos conversar juntos e resolver suas diferenças reais e imaginárias. Não mostrando misericórdia pelos Persas, e derrotou totalmente o exércio de 200.000 homens de Dario III na Btalha de Guagamela, em 331 A, com somente 35.000 homens do seu lado. Ele tinha 22 anos de idade. Sete anos depois ele morreu em Babilônia deixando o império para ser dividido entre seus quatro generais, Cassandro (Macedônia e Grécia), Lisímaco (Trácia e Ásia Menor), Ptolomeu (Israel e Egito) e Seleuco (Síria, Líbano e Jordânia).
      As conquistas de Alexandre foram extensas e rápidas. Em apenas 13 anos conquistou todo o mundo conhecido de sua época.

















• O império medo-persa foi desmantelado, dando lugar ao império grego.
• Em 334 Alexandre cruzou o estreito de Dardanelos e derrotou os Sátrapas. Pouco tempo depois venceu Dario III na batalha de Issos (333 a.C.). Em 331 venceu o grosso das forças medo-persas na famosa batalha de Gaugamela.

2. O poder do líder – v. 5
• Alexandre é descrito como O CHIFRE NOTÁVEL. Foi um líder forte, ousado, guerreiro. Era um homem irresistível. Um líder carismático, um homem de punho de aço.

3. O triunfo contra o carneiro – v. 6-7
• O poderio e a força de Alexandre são descritos na maneira em que enfrentou o carneiro: 1) Fere-o; 2) Quebra seus dois chifres; 3) Derruba-o na terra; 4) Pisoteia-o.

4. Engrandecimento e queda – v. 8
• O engrandecimento de um império é ao mesmo tempo prelúdio de sua queda e decadência. Quanto mais se aproxima o clímax do seu poder, tanto mais perto está também de seu fim. A Grécia não foi uma exceção (v. 8).
• O v. 8 profetiza a morte inesperada de Alexandre Magno na Babilônia em 323 a.C., exatamente quando ele queria reconstruir a cidade da Babilônia, contra a palavra profética de que a cidade jamais seria reconstruída.
• Com a sua morte, o Império Grego foi dividido em quatro partes, entre quatro reis: Casandro, Lisímaco, Ptolomeu e Selêuco. A profecia acerca de Alexandre cumpriu-se literalmente 200 anos depois da profecia dada a Daniel

A DECADENCIA DO IMPERIO GREGO. 
" de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa. E se engrandeceu até contra o exército do céu; e a alguns do exército, e das estrelas, lançou por terra, e os pisou. E se engrandeceu até contra o príncipe do exército; e por ele foi tirado o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra.
      E um exército foi dado contra o sacrifício contínuo, por causa da transgressão; e lançou a verdade por terra, e o fez, e prosperou. Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da transgressão assoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados?
      E ele me disse: "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado". (Daniel 8.9-14)
      Agora avançamos para 175 AC e para um descendente de Seleuco chamado Antíoco IV, chamado aqui de outro chifre, que deu a si mesmo o nome de Epifânio, ou O Divino. Até então o Império Selêucida crescera substancialmente e incluía Israel tomada dos descendentes de Ptolomeu. Antíoco Epifânio odiava os Judeus e jurou eliminar sua religião da face da terra. 
      Fazendo com que o último Sumo Sacerdote legítimo de Israel, Onais III, fosse assassinado, ele começou a vender o cargo para quem pagasse mais, uma fonte de renda que mais tarde também os Romanos adotaram. Ele invadiu Israel e tomou o controle de Jerusalém e do Monte do Templo. Ele baniu a circuncisão, a escrita ou fala do Hebraico e a posse de escrituras Hebraicas, queimando todas as cópias que pode encontrar. Ele converteu o Templo em um centro de adoração pagã, erigindo lá uma estátua de Zeus (Júpiter) com sua própria face sobre ela, exigindo que os Judeus a adorassem sob pena de morte. Ele degolou um porco em um altar sagrado e ordenou que os sacerdotes fizessem o mesmo.
      Essa profanação do Templo o tornou impróprio para uso pelos Judeus. Ficou conhecida como Abominação da Desolação e detonou a Revolta Macabéia, uma bem sucedida guerrilha de 3 anos e meio liderada por Judas Macabeu (Judá o Martelo) para expulsar as forças de Antíoco de Israel e restaurar o Templo para a adoração. Por causa disso, Antíoco Epifânio se tornou o mais claro tipo do Anticristo, com a Revolta Macabéia sendo um modelo da Grande Tribulação. Por 1550 dias (2300 sacrifícios matinais e vespertinos) o santuário permaneceu desolado até que foi consagrado novamente em uma cerimônia que é celebrada hoje como a festa do Hanukkah.

GABRIEL E A INTERPRETAÇÃO DA VISÃO
Agora o Anjo Gabriel vem para explicar para Daniel que irá expandir a visão para mostrar que haverá uma repetição desses eventos em uma escala muito maior no tempo do fim. Veremos que o "Pequeno Chifre" de Daniel 7.8 é o cumprimento dos tempos do fim do chamado "Outro Chifre" de Daniel 8.9, aquele que conhecemos como Antíoco Epifânio. Ele começa com a identificação do Carneiro e do Bode e descreve a distribuição do Reino de Alexandre para os seus quatro generais. Então ele segue direto para o "tempo da ira".

"Mas, no fim do seu reinado, quando acabarem os prevaricadores, se levantará um rei, feroz de semblante, e será entendido em adivinhações. E se fortalecerá o seu poder, mas não pela sua própria força; e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e fará o que lhe aprouver; e destruirá os poderosos e o povo santo. E pelo seu entendimento também fará prosperar o engano na sua mão; e no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem em segurança; e se levantará contra o Príncipe dos príncipes, mas sem mão será quebrado". (Daniel 8.23-25)
      Remanescentes desses impérios permanecerão até o Fim dos Tempos, quando um Rei como Antíoco se levantará, mas este não estará agindo em sua própria força. Em Apocalipse 13.2 nos é dito que o Dragão lhe dará a sua força. E diferentemente de Antíoco, que sofreu uma derrota embraçosa nas mãos dos Romanos e foi forçado a sair do Egito em vergonha, esse rei será bem sucedido em tudo o que fizer e será admirado por todos. E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?(Apocalipse 13.3-4)
      Ele entrará em cena como um pacificador, mas terminará com a maior parte do mundo sob sua autoridade, até mesmo pensando em ir à guerra contra os exércitos do céu. Como seu predecessor, ele terá um ódio não natural contra os Judeus e tentará eliminá-los da face da terra. Ele também erigirá uma estátua no Lugar Santo (Apocalipse 13.15), chamando a si mesmo de Deus e exigindo adoração (2 Tessalonicenses 2.4). Mas o seu fim virá nas mãos dAquele que realmente é o Rei de toda a terra
      Sabemos que o fim do reino do Anticristo será na batalha do Armagedom, quando o Rei dos reis e Senhor dos senhores o derrotará, instaurando o Reino Milenial juntamente com Israel e todos os seus santos.
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NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
- Adaylton de Almeida Conceição - Introdução à Escatologia (Ed. Manantial).

- Hernandes Dias Lopes - Ascensão e queda dos reinos do mundo

- Jack Kelley - Olhar Profético - Ikvot ha'Mashiach - Os Tempos do Fim Segundo Daniel

- Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa - O Prenúncio do tempo do fim (comentário da EBD).

Prof. Pr. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B.Th.M.Th.D.)

www.adayltonalm.spaceblog.com.br

adayl.alm@hotmail.com

= O Prof. Adaylton de Almeida Conceição, é Ministro do Evangelho, tendo exercido seu ministério no Amazonas e por mais de vinte anos trabalhou como Missionário na Argentina e Uruguai. É Escritor, Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia, Pós graduado em Ciências Políticas, Psicanalista e Jornalista Profissional. É o Diretor da Faculdade Teológica Manancial.

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