quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O CUIDADO COM A LÍNGUA

Prof. Adaylton de Almeida Conceição 
Tiago capitulo 3.1-12
INTRODUÇÃO. Tudo o que existe em nosso universo veio a existir pelo poder da palavra. Deus falou, e nosso mundo veio a existir. Quando ele formou o homem, a mais elevada das criaturas terrestres, Deus o abençoou com a capacidade de se comunicar.

O capítulo 3 de Tiago nos coloca na parede e nos desafia a viver uma fé genuína, verdadeiramente cristã. No final do cap. 2, Tiago nos mostrou como a fé verdadeira manifesta-se inevitavelmente em obras. Agora, no capitulo 3, ele mostra que “obras” não são somente o que fazemos, mas também o que falamos. 

A língua é um músculo com sua origem no coração. Por isso a língua talvez revele o verdadeiro estado do nosso coração mais rápido que qualquer outra prova de fé genuína listada por Tiago. A língua sou eu. Eu sou o que a língua fala! Abaixamos a guarda e revelamos o verdadeiro eu, mesmo que só por um instante. Assim como Jesus disse, a boca só fala do que o coração está cheio (Mt 12:34). A língua é o dreno do coração! A língua serve como escape daquilo que está borbulhando no coração.

O ser humano é a única criatura com a capacidade de articular as palavras. Ele se comunica através da fala. Isto é uma benção! Contudo, o que é benção pode transforma-se em maldição. Depende do uso. Um estudo mais acurado mostrará, com clareza, a intensidade do ensino das Escrituras quanto a esta questão. Uma advertência seríssima vem do próprio Senhor Jesus Cristo, no Sermão da Montanha (Mt 5.21,22). É preciso ter cuidado com a maledicência? A Bíblia afirma que, se alguém consegue controlar sua língua, consegue controlar todas as outras partes de sua personalidade (Tg 3.2).

A Língua tem Poder para Dirigir (3:1-4)
A língua é poderosa. Esse poder pode ser para o bem ou para o mal. Talvez, por ser tão potente, Deus prendeu a língua atrás de duas fileiras de dentes e dentro de uma caverna fechada. Tiago nos lembra que a língua tem um enorme potencial para direcionar vidas. 

A língua freada implica em vida controlada (2b-4)
Tanto no caso do “freio na boca do cavalo” quanto a do “leme no navio”, vemos que uma parte pequena mas estratégica é capaz de direcionar algo poderoso e até grande. O freio se coloca num ponto estratégico, na boca do cavalo. Mesmo pequeno e fraco, consegue direcionar o cavalo com pouco esforço, até de uma criança. Também, o leme é infinitamente menor em proporção ao navio, mas assim mesmo , por ficar num ponto estratégico, é capaz de direcionar um transatlântico como Titanic ou um porta-aviões conforme a vontade de um timoneiro. 
Assim é nossa língua, pequena, porém estratégica. Conforme vs 2b, se conseguirmos refrear a língua, somos capazes de controlar o corpo inteiro. Mas como isso é difícil! Quantas vezes eu já quis frear minha língua quando já era tarde demais! Tantos “foras” que já dei!A nuvem de palavras mortíferas tende a pairar sobre nós até hoje, como uma nuvem preta. Mas uma vez que as palavras escapam de nossa boca, é impossível chamá-las de volta. É realmente desesperador soltar palavras e depois ficar impotente enquanto assiste o estrago que elas fazem. Por isso temos que freá-las o quanto antes. Palavras como: Fofoca,Um “corte” no meu irmão, Ódio, Obscenidade, Piadas sujas, Ira, Palavrão, Blasfêmia.
O texto de Tiago pode ser entendido, basicamente, como uma divisão independente, sem muita ligação com o seu contexto. Porém, estes versículos retomam um dos temas preferidos de Tiago (1.19,26; 3.1-12). Parece que Levitico 19.16 – “não andaras como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo. Eu Sou o Senhor” – esta na mente de Tiago. O texto é claro e a justificava de Tiago para condenar a maledicência também o é: falar mal (julgar) de um irmão é falar (julgar) da lei. Esta é a Tônica do versículo 11. o versículo 12 mostra que julgar é tarefa de Deus, não nossa.
A MALEDICÊNCIA É PROIBIDA
Nem sempre pensamos em maledicência como algo proibido na lei (Lv 19.11,16). Nos Salmos (Sl 34.13), nos profetas (Zc 8.16,17), nos evangelhos (Mt 5.22), nas epistolas (Ef 4.25,29; Tg 3.1-12) encontramos orientações, admoestações e proibições quanto à maledicência. Estamos diante de algo que Deus proíbe e abomina. Sabemos que a linguagem é um meio fantástico para a comunicação entre as pessoas, porem é por demais perigosa. Ela pode construir, mas também pode destruir. Pode abençoar, mas também pode amaldiçoar (Tg 3.10).

A MALEDICÊNCIA TORNA VÃ A RELIGIÃO
“Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã” (Tg 1.26). O cristão que deixa de refrear a sua língua engana o seu próprio coração, perdendo a autenticidade de sua espiritualidade.

A espiritualidade do individuo e a da comunidade cristã não se mede pela intensidade das praticas devocionais. Não é pelo tempo gasto com oração e jejuns. Nem mesmo pelo mero conhecimento das Escrituras. Alem destas praticas, a espiritualidade é evidenciada e validada por uma linguagem sadia. Como diz Paulo, uma linguagem “agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4.6; ver também Cl 3.16).

Tiago 3.1; “Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor.”

As pessoas que aspiravam a posição de mestre não atinavam que os mestres receberão juízo na condição de mestre e nem da necessidade de estar enquadrado em alguns quesitos que Tiago discorre neste capítulo.

O juízo que Tiago faz referência será estabelecido no Tribunal de Cristo (Rm 14:10 ; 2 Co 5:10 ), visto que ele se inclui entre aqueles que receberão maior juízo (implicitamente Tiago se posiciona como mestre), e por ser certo que ele tinha certeza de sua salvação. O juízo do Grande Trono Branco não é destinado à igreja.

“não sejam muitos de vocês mestres” = (më polloi didaskaloi ginesthe). Pois fica bem claro que os que ensinamos,.. seremos julgados com maior rigor.” (meizon krima) um juízo mis severo. 

Estar à frente, segurando o microfone, parece ter se tornado status e tem atraído muitos pregadores. Porém são poucos os que percebem a responsabilidade de falar em nome de Deus. Se há algo que devemos ter cuidado é no orgulho que Satanás coloca nos corações. Orgulho em ser notado, ovacionado e tido como um grande pregador. E tudo indica que Tiago tinha esta preocupação em seu coração. Em um dos capítulos mais conhecidos do Novo Testamento, o apóstolo inicia desta forma: “Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor.” (3:1).

Tiago já tinha falado sobre falar menos e ouvir mais (1:19), mostrando que refrear a língua é um dos elementos da religião pura (1:26). Falar não é algo tão simples, principalmente para aqueles que têm a responsabilidade do ensino na igreja. Se há algo que o mestre precisa ter é coerência no que fala, para que a sua mensagem ganhe sentido e validade.

Tiago não quis minimizar ou desencorajar os dons de falar na igreja (Hb 5:12, Ef 4:11,12; 1 Pe 4:10,11). Sua advertência é totalmente coerente com o princípio ecoado em Mateus 12:26,27 “De toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo; porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado.” 

Há duas razões porque devemos pensar bem antes de assumir a posição de mestre:
1) (Vs 1) O mestre, pela natureza do serviço, tem que falar muito. Por isso, haverá mais palavras para serem pesadas, mais potencial para derramar palavras frívolas, inúteis, pecaminosas, enganadoras.
2) (Vs 2) O mestre tem maior responsabilidade, pois influencia a muitas outras pessoas pelo que fala, e facilmente tropeça no falar. Tem poder para dirigir, ministrar graça, ou enganar para toda a eternidade. 
A mesma coisa pode acontecer com os mestres (professores) na igreja. Temos que medir toda palavra quando ensinamos ou pregamos. Por isso ensinar e pregar são tarefas tão exaustivas. As vidas de homens e mulheres estão na balança. 

Na igreja Primitiva, os mestres tinham uma importância de primeira ordem. Sempre que os menciona é com honra. Na igreja de Antioquia os mesmos são equiparados aos profetas, e juntos comissionaram a Paulo e a Barnabé para sua primeira viagem missionária (Atos 13.1). Na lista daqueles que tinham um ministério importante na igreja, que nos é dada por Paulo, os mesmos são mencionados logo depois dos apóstolos e profetas (I coríntios 12.28; Efésios 4.11).

O ministério da Palavra é de uma responsabilidade tremenda, e por isso Tiago fala do juízo com maior rigor. Aqui podemos lembrar-nos das palavras de Jesus, que disse: “...A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido.”(Lc. 12:48). A advertência não é para desencorajar os leitores, e sim para mostrar-lhes a importância de se falar em nome do Senhor.

No verso 2 Tiago continua: “Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo.”. O instrumento principal do mestre é a língua. E o rigor do julgamento o coloca diante de uma situação perigosíssima, pois a língua é a parte mais difícil de controlar no corpo. Tropeçar aqui vem do grego 'ptaiei', que em um sentido moral pode significar “errar, equivocar-se, pecar”. Esta declaração no início do verso 2 mostra a universalidade do pecado (Rm. 3:9-18; 1 Jo. 1:8). O livro de Provérbios destaca a seriedade e a força das palavras (10:8,11; 16:27,28; 17:27; 18:7,8; 23:12). É tão difícil controlar a boca. É dela que se expressa àquilo que é falso, calunioso, cortante e que pode dominar outras pessoas. Desta forma, ninguém pode se achar perfeito, porque em alguma coisa vamos tropeçar.
Dos versos 3 a 5 Tiago usa alguns exemplos para mostrar o efeito devastador da língua. No verso 3 ele usa a ilustração dos freios usados em cavalos, e que controla todo o corpo do animal. …

A carta aos Hebreus demonstra o desejo do escritor em não tropeçar em coisa alguma, e para isso solicita aos cristãos que orem em seu favor “Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente” ( Hb 13:18 ). O portar-se honestamente em tudo deve ser o desejo de todo cristão, porém, ele deve ter consciência de que falhará em muitas coisas.

O tropeçar em muitas coisas não suspende o direito à salvação, uma vez que a salvação é alcançada pela fé. A salvação decorre da filiação divina por meio da fé em Cristo.

Com Tiago, aprendemos também que não pode haver duplicidade na palavra do cristão. Não faz parte do estilo de vida do seguidor de Jesus Cristo. São bem claros os vs. 11 e 12“Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa? Meu irmão pode acaso uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce.” 

São três os exemplos que Tiago emprega para ilustrar a verdade que deseja transmitir. Era este o método utilizado pelos rabinos para ilustrar seu ensino: três ilustrações para cada verdade. É oportuno recordar que Tiago esta escrevendo para cristãos provenientes do judaísmo e, por isso mesmo acostumado com a forma de ensino dos rabinos. Não é de estranhar que sua didática seja rabínica.

A primeira ilustração é a fonte que jorra água. (v. 11): “Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa?”. Uma fonte não pode produzir dois tipos de água, doce e amarga. Da mesma maneira, a língua de um cristão não pode produzir dois tipos de palavras, a de bênção e a de maldição.
Observa-se que Tiago não diz que a fonte deve produzir água doce (que pelo contexto nos parece ser a boa palavra). Pode produzir água amarga (a má palavra). O que Tiago diz é que a fonte produz apenas um tipo de água. Ou doce ou amarga. Da mesma forma como não se devem esperar palavras inconvenientes na boca de um cristão, não é de admirar que na boca de um homem que não seja temente a Deus haja palavras que não seja edificante. Cada fonte produz um tipo de água. Um é o falar do cristão. Outro é o falar do não-cristão.

A segunda ilustração empregada por Tiago é a da árvore que produz frutos segundo a sua espécie. (v. 12): “pode acaso uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce.” A figueira produz figos e a videira produz uvas. A declaração nos faz refletir de uma forma profunda. Cada árvore produz furtos segundo a sua espécie, de acordo com a sua natureza. Novamente somos chamados a refletir que não deve haver duplicidade de frutos em nosso viver. Produza, então, o cristão o fruto que dele se espera.

A terceira ilustração se assemelha à primeira, mas apresenta uma variação: “Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce.” (v. 12). Uma fonte que só produza água não é errada em si mesma. Pode ser uma fonte medicinal, por exemplo, produzindo águas sulfurosas. Esta ilustração difere da primeira em um ponto: Naquela, a fonte só jorra uma qualidade de água, potável ou não potável. Não importa qual seja, mas uma só. É genérica, porque tratam de ambas as possibilidades. Tanto faz produzir água doce ou salgada, desde que só produza uma. Esta aqui é especifica: A fonte salgada não produz água doce. A maior necessidade daquela região era água portável, boa para beber. A fonte salgada (usemo-la aqui para tipificar o falar do homem não regenerado) não pode produzir boa palavra. Quem deve produzir esta é o servo de Jesus. É ele quem tem a palavra que alcança/liberta o mundo. Poderíamos então parafrasear Jesus, quando exortou os discípulos a não omitirem o brilho da sua luz: “Se a fonte de água portável que há em ti produzir água não potável, que grande desastre será!”.

É de nós, portanto, que o mundo pode ouvir boas palavras, que alentam que consolam, que vivificam. Se não tivermos uma palavra de esperança, uma palavra honesta e decente para este mundo, de quem ele a ouvirá? 
“Os rabinos judeus usavam esta figura: ‘A vida e a morte estão nas mãos da língua. ’

É interessante as cinco figuras de retórica em relação à língua usadas por Tiago:
a. Primeiro se compara com um freio. “Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.” 3.3. O apóstolo passa a exemplos figurativos. Os exemplos apontam o contraste entre o tamanho e força do cavalo e a pequenez dos freios que os controlam. Igualmente, a língua pode dirigir a vida – para bem ou para mal.
b. A segunda figura é o timão. “Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa”.3.4 O contraste entre o tamanho de um navio e o tamanho do timão que o controla. Um pequeno timão em um grande navio controla sua direção com apenas uma mão do homem. Assim é a língua, um membro do corpo tão pequeno, pode fazer grandes façanhas, tanto para o bem como para o mal.
c. A terceira símil da língua é um fogo. “Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.” 3.5-6. "Assim também...”, ou seja, alguns dos elementos (leme e freio) que foram apresentados nas ilustrações anteriores se comparam proporcionalmente a língua e o efeito devastador que ela pode causar. O apóstolo evidencia o quanto é importante ter a língua sob controle. A maneira como se estende a chama da maledicência se vê na vida de muitos irmãos feridos e quase mortos como resultado de comentários e ditos infelizes de muitos que deveriam ter a função de apascentar e cuidar. Mas muitos em vez de estarem apascentando, estão “o pau sentando nas ovelhas”.
d. A quarta figura é a que assemelha a língua com uma fera selvagem e indomada. “Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana;” . 3.7. Toda a natureza é dominada pelo homem porque Deus lhe deu o domínio “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” (Gen. 1:26 ). O exemplo da doma de animais, é quando vemos elefantes, leões, tigres, águias que são domadas e controlados pelo homem.
e. Por último, Tiago coloca a língua como um mal irrefreável. “Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal”. O êxito com os animais selvagens não se tem tornado realidade na área de sua própria língua. Devido a queda mediante o pecado, perdemos o domínio sobre este pequeno pedaço de carne. A natureza humana tem demonstrado que não tem força suficiente para controlar a este pequeno membro. Só Deus pode coloca-lo sob controle.

Apesar da condição anterior (v. 7), o homem não pode domar a língua. Observe que Tiago aponta uma impossibilidade: nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode controlar; está cheia de peçonha mortal.
Se pensarmos somente na língua, é difícil explicarmos este verso. Porém, quando verificamos que o coração do homem e enganoso “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jr 17:9 ); e que, o que procede do coração do homem é que contamina “E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem” ( Mc 7:20 ), percebemos que a abordagem de Tiago refere-se ao posicionamento de Jesus: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ).

É impossível ao homem por si só mudar a natureza do seu coração “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ). Mas, o que é impossível aos homens é possível a Deus! Através da regeneração Deus cria um novo coração e um novo homem e lhe dá uma nova vida.

A ordem divina sempre foi: “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 ). Mas, como fazer tal circuncisão? É possível ao homem fazer tal incisão?

Ora, o é que impossível aos homens é possível a Deus. A circuncisão do coração só é possível quando se está em Cristo “No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo” ( Cl 2:11 ).
Tal circuncisão é pela fé “Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo.) Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10:6 -10).

"Muitos relacionamentos têm sofrido por falta de cuidado e prudência no uso das palavras. Mesmo vivendo na era da informação, há, sem dúvida, uma crise de comunicação instalada na sociedade. A língua é um poderoso instrumento para ajudar as pessoas. As palavras podem e devem ser usadas pelo Espírito Santo no processo de cura, de libertação, de aconselhamento. Quando Deus criou o mundo, o fez pelo uso da palavra, onde temos ‘disse Deus'. A fala pode ser uma porta de destruição, mas também uma porta para a construção de relacionamentos e ela nos liga a Deus e às pessoas que amamos. As palavras podem trazer vida ao caos", declarou o pastor.

O juiz de Direito Ézio Luiz Pereira, que é mestre em Teologia e membro da Academia Cachoeirense de Letras, destaca que a vida de uma pessoa pode ser pautada por uma palavra dita pelos pais na infância. "Um rótulo que se cola em um filho nos primeiros anos de vida costuma ficar e marcar uma personalidade. Quantos pais rotulam os seus filhos de tímidos, bagunceiros e outros? Esses pais podem depois não se lembrar, nem os filhos, mas o inconsciente da criança absorveu e escreveu o rótulo em sua identidade. Com a língua, redimimos e matamos. Temos que ter cuidado", explicou o juiz.
O Juiz Ézio ainda acrescenta que um dos principais problemas na contemporaneidade é o uso nocivo da língua, causando discórdia: "Veja, por exemplo, que muitas vezes um casal rompe o relacionamento não por falta de amor, mas por falta de linguagem ou o mau uso da língua que instrumentaliza a desunião".

OS PAIS E AS CONSEQUENCIAS DO MAL USO DA LÍNGUA
Por incrível que possa parecer, todas as conseqüências que você está vivendo e ainda viverá é resultado daquilo que você falou ou vai falar. É a lei da semeadura e da colheita. Tudo que o homem semear isso também ceifará. Deus não vai mudar seus princípios divinos.

Muitos pais cristãos não entendem porque seus filhos abandonam a igreja quando podem escolher seus caminhos. Nasceram na Igreja, participaram de vários ministérios e foram benção até que um dia, repentinamente, abandonam a Casa do Senhor. Aí bate o desespero, a angústia e a decepção com Deus. Mas, existe um motivo para essa tomada de decisão. Eles foram envenenados! Não pelo Diabo, mas pelos pais. Aqueles comentários feitos no jantar, após os cultos, quando o pastor era criticado, o louvor frio, a igreja sem unção, a recepção morta, etc... foram envenenando seus filhos aos poucos. O diabo não tem nada a ver com isso, mas os próprios pais. Foram dando doses homeopáticas a cada domingo e chegou o dia que o copo derramou. O culpado não é Deus de maneira alguma, pois quem não segue seus mandamentos recebe a condenação escrita em Sua Palavra.

O CRISTÃO TEM UM FALAR DIFERENTE
Deus, ao inspirar o apóstolo Paulo a escrever para os cristãos de Gálatas, listou nove frutos do espírito (amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio - Gálatas 5:22 e 23), que devem ser referência de vida para os cristãos. Através dessas virtudes, o mundo vai ver diferença nos que foram salvos por Jesus, seja no andar e, sobretudo, no falar.
"O cristão tem que ter um modo diferente de falar. Se não tem, deveria ter", declara Ézio Pereira, citando I Pedro 4:11: "Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre".

A MALEDICÊNCIA PODE SER VENCIDA
Embora Tiago mostre que a língua “é mal incontido, carregado de veneno mortífero” (Tg 3.8), cremos que a maledicência pode ser vencida. O Espírito Santo, nosso ajudador, auxilia-nos no cumprimento dos preceitos da Lei de nosso Deus. Temos as Escrituras e seus numerosos ensinamentos. Sejamos “praticantes da palavra, e não apenas ouvintes” (Tg 1.22). Apropriemo-nos de suas verdades, de “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro tudo o que é amável tudo o que é de boa fama” (Fp 4.8). Com certeza, esta apropriação nos auxiliará a evitar cometer o pecado da maledicência.

Ademais, temos o exemplo maior, nosso Senhor Jesus Cristo. “Jamais Alguém falou como este homem” (Jo 7.46). Aprendamos com ele, pois seu exemplo e sua vida nos garantem que a maledicência pode ser vencida. Nosso Senhor nunca precisou pedir desculpas por uma palavra mal colocada. Ele nunca cometeu equívocos quanto á sua fala.

Portanto, concluímos que a maledicência pode ser evitada; e deve ser vencida por aqueles que têm um compromisso genuíno com o Senhor Jesus Cristo.

Que nosso linguajar demonstre nosso fiel compromisso com o Senhor. Lembremos que a maledicência é pecado condenado por Deus. Ao ser praticado por aqueles que professam a fé no Senhor Jesus, toma inútil esta profissão de Fé. Ela produz conseqüências terríveis para as pessoas nos seus relacionamentos. E por fim, cremos fervorosamente que pode ser vencida com a preciosa ajuda do Espírito Santo de nosso Senhor.///

Revdº. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B.;Th.M.;Th.D.)

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adayl.alm@hotmail.com

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