terça-feira, 26 de agosto de 2014

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Atrocidades em série
26 Ago 2014

 

Comissária de dh da onu acusa estado islâmico de crimes contra a humanidade no iraque

Nova ordem. Membro do grupo sunita Estado Islâmico avisa aos moradores de Taqba, na Síria, que uma base próxima do Exército sírio foi dominada pelos jihadistas

REUTERS


A uma semana de deixar o cargo, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, condenou num duro comunicado os "apavorantes e generalizados" crimes de guerra e contra Humanidade cometidos no Iraque pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e por outros grupos associados. A comissária destaca execuções em massa, limpeza étnica e religiosa, conversões e recrutamentos forçados, sequestros, escravidão, crimes sexuais e destruição de locais de culto. Desde junho, o EI vem avançando sobre vastas áreas de Iraque e Síria, onde proclamou um califado em que impõe sua visão extremista do islamismo sunita.
- Tais assassinatos de civis, a sangue frio, sistemáticos e intencionais, após isolá-los de suas afiliações religiosas, podem indicar crimes de guerra e crimes contra a Humanidade - acusou Pillay.
No comunicado, a sul-africana afirma que as principais vítimas das ações cruéis dos jihadistas são as minorias religiosas do Iraque, entre elas cristãos, yazidis, shabaks, turcomanos, kakais e sabeanos. A comissária afirmou que os governos do Iraque e da região autônoma curda e a comunidade internacional têm responsabilidade em proteger as minorias religiosas e garantir o retorno delas a seus lugares de origem. Centenas de milhares de pessoas fugiram diante do avanço do EI no Norte do Iraque, onde os jihadistas tomaram a segunda maior cidade do país, Mossul.
Mas mesmo na capital, Bagdá - onde o premier designado Haider al-Abadi encontra dificuldades em formar um novo governo representativo dos principais grupos - o sectarismo atua com força: cerca de 15 corpos são encontrados todos os dias, com sinais de execução, informou Pillay. Ontem, uma bomba explodiu numa mesquita xiita matando 13 pessoas. O atentado ocorreu minutos após Abadi, um xiita, pedir um governo de união nacional durante sua primeira entrevista coletiva.
Segundo a ONU, apenas no dia 10 de junho, cerca de 1.500 detentos da prisão de Badush, em Mossul, foram colocados em caminhões pelos jihadistas e levados para uma área abandonada. Lá, o sunitas foram convidados a se separarem do grupo. Para evitar que membros de outras tendências religiosas se passassem por sunitas, numa tentativa de escaparem da morte, os extremistas forçaram todos a provar sua fé. Como cada grupo reza de maneira diferente, os membros do Estado Islâmico teriam sido capazes de identificar os não sunitas: 670 deles, acusa a ONU, foram executados sumariamente.
Em outras áreas da província de Nínive, da qual Mossul é a capital, estimados 2.500 yazidis foram sequestrados e centenas acabaram executados apenas neste mês. Mesmo quando os membros desse grupo - cuja fé é baseada no zoroastrismo, com elementos do islamismo e do cristianismo - aceitam se converter ao Islã, os jihadistas acabam mantendo-os em cativeiro. A comissária da ONU, porém, lembra o que aguarda os que se recusam a mudar de fé: os homens são executados, e as mulheres e crianças, tomadas como escravas pelos extremistas - que muitas vezes ameaçam vendê-las.
Um outro massacre de yazidis, também apontado no relatório, chamou a atenção da comissária da ONU: apenas no vilarejo de Cotcho, na província de Sinjar, centenas de homens foram executados. As mulheres e crianças foram sequestradas e levadas para destinos desconhecidos. Muitos outros habitantes dessa província estão em "sério risco", denuncia Pillay. Além de yazidis e xiitas, milhares de cristãos, shabaks e cerca de 13 mil turcomanos fugiram de Mossul e outras cidades de Nínive. Eles estão em situação de vulnerabilidade, explicou a comissária: "Fugindo de suas casas temendo punições e execuções, muitos deslocados estão vivendo em difíceis condições na região do Curdistão e em outros lugares do país".
Apesar dos crimes cometidos contra xiitas e seguidores de outras fés, sunitas também são alvo do extremismo religioso. Segundo a ONU, dezenas de sunitas foram executados nas províncias de Diyala (próxima a Bagdá) e de Basra, no Sul do país.

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