sábado, 26 de julho de 2014

Absurdo, loucura? Conclua você mesmo lendo a matéria abaixo

Só para adultos: as mais terríveis bebidas alcoólicas

Estas bebidas não deveriam ser consumidas não só por crianças, elas são, de fato, contraindicadas para adultos também. Surge a impressão de que nos últimos milênios as pessoas simplesmente se fartaram de beber vinho, cerveja e bebidas alcoólicas fortes. Foi justamente por isso que elas criaram estas misturas infernais... Nós lhes oferecemos uma seleção das bebidas alcoólicas mais bizarras inventadas pelo homem.

O primeiro lugar entre os aperitivos mais chocantes com seus ingredientes pertence ao “vinho” de arroz coreano Ttongsul. Pensavamos que depois da famosa sopa Boshintang feita de carne de cão, folhas de perilla e dente de leão, nada poderia nos surpreender mais... Mas os coreanos conseguiram se superar a si mesmo nisso – o principal componente do Ttongsul são fezes humanas, no entanto, devemos reconhecer que os maestros locais usam somente fezes de criança, desodoradas segundo um método antigo especial e infundido com ervas aromáticas, decocção de arroz e talos de bambu. O processo de fermentação leva vários meses, passados os quais a bebida está pronta para consumo por quem quiser, embora essas pessoas sejam poucas mesmo na Coreia (tanto do Norte como do Sul), de onde origina a receita.

Para fechar o tema de bebidas feitas à base de produtos de atividade humana, não podemos ignorar o Gilpin Family Whisky – um uísque inglês único, feito de... urina. Seu criador James Gilpin estava certo de que sua criação seria apreciada por fãs de alta cozinha inglesa. Parece que foram pessoas como Gilpin que levaram ao Reino Unido o título de “chacota gastronômica da Europa”. Mas para sermos justos devemos notar que a cozinha inglesa não é assim tão ruim como muitos europeus estão acostumados a pensar nela. Uma coisa são pratos simples, mas saborosos como peixe e batatas fritas e pudim de Yorkshire, e outra bem diferente é uma mistura selvagem de uísque, açúcar e urina filtrada de idosos, que é apresentada como uma nova tendência gastronômica. A propósito, os velhos devem necessariamente estar sofrendo de diabetes (é justamente este fator, segundo James Gilpin, que “faz o sabor do uísque simplesmente inesquecível”). E apesar de que o negócio do engenhoso britânico está crescendo, poucos de seus compatriotas se atreveram a provar o uísque caseiro exclusivo. Assim, neste caso, o conservadorismo tradicional britânico serviu-os bem.

Para todos aqueles que se atreveram, apesar de tudo, a provar as duas bebidas anteriores e querem afogar o seu gosto, há uma ótima opção, o Jeppson's Malort, um licor com base em absinto, que possui um dos retrogostos mais incrivelmente longos e repugnantes capaz de fazer perder completamente a vontade de comer, rezar e amar durante vários dias seguintes. O Malort pode muito bem se gabar do gosto mais repugnante entre todas as bebidas alcoólicas em toda a história de sua existência. Beber Malort significa sentir na língua o gosto do líquido de embalsamar, a amargura de pneus queimados, aguarrás e gasolina. No entanto, há quem goste dessa mistura estranha também, embora na verdade sejam poucos. Segundo estatísticas, apenas uma pessoa em 49 concorda em repetir a experiência inesquecível de consumir Malort.

Essas bebidas alcoólicas exóticas, apesar de sua estranheza e alteridade de tudo o que alguma vez provamos, sempre encontram seus consumidores. A final de contas, se isso se vende, então é porque alguém precisa. Talvez você?
Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/news/


Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_07_26/S-para-adultos-as-mais-terr-veis-bebidas-alco-licas-6871/

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Infelizmente alguns estão passando uma borracha neste texto e agindo como se ele não existisse na Bíblia.

1 Coríntios 6.1-9.

1 Ousa algum de vós, tendo algum negócio contra outro, ir a juízo perante os injustos e não perante os santos? 2 Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois, porventura, indignos de julgar as coisas mínimas? 3 Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? 4 Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes na cadeira aos que são de menos estima na igreja? 5 Para vos envergonhar o digo: Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos? 6 Mas o irmão vai a juízo com o irmão, e isso perante infiéis. 7 Na verdade, é já realmente uma falta entre vós terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano? 8 Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano e isso aos irmãos. 9 Não sabeis que os injustos não hão de herdar o Reino de DEUS?

      Quando entramos nas redes sociais, nos deparamos com inúmeros casos de cristãos levando outros cristãos a justiça. O impressionante, é que geralmente são líderes que deveriam dar o exemplo e cumprir a Palavra de Deus e se for o caso, sofrer o dano, mas acabam recorrendo a justiça comum contrariando o texto acima. Agora, sabem porque muitos deles acabam agindo assim? É porque fizeram do ministério um negócio, e quando tocam nos seus negócios (fonte de mamom) se irritam e partem para a carnalidade levando uns aos outros aos tribunais. Agora o interessante, é que sempre encontram uma saidinha teológica para quererem se justificar com estes atos carnais e anti-bíblico. Não adianta, o texto é bem claro. Não podemos passar uma borracha e diminuir a mensagem que o texto quer transmitir. Se você levou seu irmão a justiça, eu te dou um conselho, vá se converter. Adalberto Pimentel da Silva   

Daniel, um homem público incorruptível

Por Rev. Hernandes Dias Lopes
      Deus tem usado homens incorruptíveis no meio de uma geração decadente para firmar os valores absolutos do seu reino. Um exemplo clássico é Daniel, um homem que viveu há 2.600 anos, mas cujo testemunho reverbera ainda hoje. Quem foi Daniel?

1. Um homem capaz de vencer os traumas do passado sem azedar o coração (Dn 1.1-6). Daniel foi arrancado da sua Pátria, da sua família ainda adolescente e levado cativo para a Babilônia. Ele perdeu sua nacionalidade, sua liberdade, seu nome e sua identidade, mas resolveu ser um influenciador em vez de sucumbir às circunstâncias adversas. O que na verdade mais importa não é o que as pessoas nos fazem, mas o que fazemos com o que elas nos fazem.

2. Um homem governado por um espírito excelente (Dn 6.4). Daniel não era apenas um homem culto, mas também um homem sábio. Ele olhava para a vida na perspectiva de Deus e buscava em tudo a direção divina. Ele viveu com discernimento em seu tempo e trouxe soluções divinas para os mais intrincados problemas do seu povo. Ele viveu acima do seu tempo.

3. Um homem íntegro cercado por um forte esquema de corrupção (Dn 6.5).Daniel estava cercado por uma horda de homens inescrupulosos, que encastelados no poder, buscavam seus próprios interesses e não os do povo. Os políticos haviam se corrompido de forma alarmante e viviam como ratazanas e sanguessugas, que se alimentavam do sangue da nação. A honestidade de Daniel incomodou os políticos corruptos e eles vasculharam sua vida privada e pública, para só descobrirem que ele era um homem impoluto e sem jaça.

4. Um homem piedoso cercado por uma geração perversa (Dn 6.10). Daniel era um político culto, ético e crente. Ele era um homem de oração. Sua religiosidade não era apenas de conveniência. Sua conduta privada e pública testificava sua integridade religiosa. Daniel manteve sua vida de oração, mesmo sabendo que seus inimigos haviam tramado contra ele para o matar. Homens honestos e piedosos incomodam o sistema. Mas, os políticos comprometidos com Deus e com as causas do povo não se intimidam com as ameaças de seus inimigos. Para estes, o ideal é maior do que a própria vida e por isso estão prontos a dar a vida pelo ideal.

5. Um homem duramente perseguido por causa de sua honestidade (Dn 6.4,7). Num contexto cercado por esquemas de corrupção, o homem público honesto será sempre perseguido. Com Daniel não foi diferente. Já que nada descobriam em sua vida para incrimina-lo, tentaram afastá-lo do caminho. O que é triste é perceber com isto a inversão dos valores: um homem ser perseguido por ser honesto, verdadeiro, defensor do erário público e lutar pelas causas justas.

6. Um homem protegido do ardiloso esquema dos homens maus (Dn 6.22). Daniel cuidou de sua piedade e Deus cuidou da sua reputação. Deus não apenas defendeu Daniel, mas, também o honrou. Ele foi jogado na cova dos leões, mas Deus o tirou da cova da morte e o alçou ao ponto culminante da honra. Os inimigos que urdiram e tramaram contra Daniel foram destruídos. A história deles foi manchada pela vergonha e pelo opróbrio, enquanto o testemunho de Daniel percorre o mundo.

7. Um homem abençoador e não vingativo (Dn 6.20,21). Daniel não era um político que destilava o veneno do ódio contra seus inimigos. Ele não vinga de seus inimigos nem pede vingança para eles. Da sua boca saem apenas palavras abençoadoras.

8. Um homem cuja influência foi conhecida em toda a terra (Dn 6.25-27).Daniel honrou a Deus e foi honrado por ele. Deus foi exaltado entre as nações pelo testemunho de Daniel. Deus é exaltado entre as nações quando os seus filhos permanecem fiéis no campo minado da sedução ou da perseguição. A Babilônia, com sua magnificente grandeza caiu, mas, Daniel permaneceu de pé. Daniel foi maior do que o próprio império babilônico. Que Deus nos dê homens públicos desse jaez!

Fonte: http://hernandesdiaslopes.com.br/2014/07/

Pasmem com o que estes débeis mentais estão tramando! Quem não quer se submeter a estes facínoras, tem que fugir do país até que a ordem seja restabelecida. Agora a pergunta, porque estes falsos moralistas não cortam os seus pinguelos?

Leia a matéria abaixo, da Folha de São Paulo
Extremistas no Iraque ordenam mutilação genital de mulheres
25 Jul 2014
Estado Islâmico afirma querer evitar 'libertinagem' feminina

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O movimento radical Estado Islâmico (EI) ordenou que garotas e mulheres da cidade de Mossul, norte do Iraque, e arredores sejam submetidas a mutilação genital. A informação foi confirmada pela ONU nesta quinta-feira (24).
O líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, emitiu um comunicado de Aleppo, na Síria, no último dia 11, no qual ordena a mutilação genital de todas as mulheres que estão sob sua liderança e tenham idades entre 11 e 46 anos.
O processo deverá ser realizado como o que "se fazia na cidade sagrada saudita de Medina", continua. Não está claro qual método seria empregado, mas a mutilação visa impedir que a mulher sinta prazer no ato sexual.
O EI capturou diversas cidades do Iraque recentemente e, no mês passado, proclamou a fundação de seu califado (Estado islâmico) --que, no futuro, pretende o grupo, se estenderá por um território que hoje inclui não só o Iraque, mas também a Síria.
Localizada a cerca de 400 km ao norte da capital Bagdá, Mossul é a segunda maior cidade do Iraque, e é a principal atualmente sob controle dos extremistas.
O EI diz que o intuito da mutilação genital em massa é "cuidar" da sociedade muçulmana, evitando "a expansão da libertinagem e da imoralidade" entre as mulheres iraquianas.
De acordo com a coordenadora da ONU no Iraque Jacqueline Badcock, cerca de 4 milhões correm risco de serem atingidas pela medida.
"Isso é novo para o Iraque, em especial nesta área, e é uma grave preocupação, que precisa ser tratada", disse Badcock. "Essa não é a vontade do povo iraquiano ou das mulheres do Iraque."

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Os dez Pastores que Respeito e Admiro

Os 10 Pastores que Respeito e Admiro

Por André Sanchez

Na sequência dessa série, destacarei agora aqueles que merecem toda a admiração e respeito devido à forma como tratam o ministério pastoral. Abaixo segue a minha lista.

OS 10 PASTORES QUE RESPEITO E ADMIRO: 

1°. O que não é perfeito, mas que busca ser exemplo do rebanho = Esse pastor sabe de suas limitações, sabe que não é melhor do que ninguém sabe que é um pecador resgatado pelo sangue de Cristo. Ele, porém, sabe também da missão que Deus lhe deu e busca conduzir suas ovelhas no caminho dado pelo Supremo Pastor, sendo, antes de todos, o primeiro a vivenciar a Palavra de Deus em sua vida para testemunhar a outros. Ele tem todo cuidado nessa questão e pode-se ver em sua vida um homem que busca viver o evangelho e não somente falar dele. É humano, tem seus erros, e não faz questão de passar uma imagem de todo poderoso.

2°. O que faz cultos Cristocêntricos = Esse pastor busca glorificar a Cristo nas ministrações que preside. Busca conduzir todas as coisas para que Cristo cresça e todo o resto diminua. Do primeiro ao último minuto de seus cultos busca apresentar a Cristo e conduzir as pessoas a Ele. É sensível ao observar e corrigir coisas que tentam competir com a centralidade de Cristo nos cultos.

3°. O que não tem medo de pregar a Palavra de Deus = Esse pastor não faz média, antes, entrega a palavra de Deus conforme a Bíblia a revela. Ele não usa de técnicas melodramáticas para tocar o coração dos seus ouvintes. Ele busca antes de tudo, que o Espírito Santo revele a Palavra aos seus ouvintes, conduzindo-os à presença viva de Deus. Sabe que muitas vezes irá desagradar pessoas na sua pregação, mas é fiel às verdades que Deus lhe manda pregar.

4°. O que não crê que os fins justificam os meios = Esse pastor é totalmente dependente de Deus em seu ministério. Ele conduz a igreja a andar nos caminhos corretos de obediência ao Senhor e não nos caminhos tortuosos que o coração humano propõe e que visam, antes de tudo, resultados que premiam o trabalho realizado. Para ele o mais importante é fazer a vontade de Deus usando os meios dados por Deus.

5°. O que é obediente a Deus mesmo não vendo resultados palpáveis = Esse pastor gosta de ver os resultados de seu trabalho, porém, não é guiado por esses resultados. É guiado pela obediência e direção de Deus. Mesmo, às vezes, não vendo resultados pontuados pelas pessoas como o ‘sucesso’, continua sendo fiel e o pastor responsável por certo número de ovelhas dadas por Deus. Para ele, cumprir a missão de Deus não é encher a igreja de gente a qualquer custo, mas sim obedecer a Deus e confiar a Ele os resultados do trabalho, seja quais forem.

6°. O que não faz a si mesmo o “bam-bam-bam” da igreja = Esse pastor sabe fazer suas ovelhas entenderem a diferença entre admiração e bajulação. Ele não aceita ser bajulado e até adorado como se fora mais do que os outros ou até mesmo um quase deus. Coloca-se na posição de servo, têm prazer de trabalhar em equipe e de ver suas ovelhas se desenvolvendo em seus ministérios, e sempre reitera que ele também é ovelha do rebanho de Deus. Não deixa o ego assumir o controle. Ele não é um ídolo dentro de sua igreja.

7°. O que não explora financeiramente suas ovelhas = Esse pastor não é ignorante, não acredita que as dívidas da igreja são pagas como que por milagre. Ele sabe das possibilidades da sua igreja e não usa ameaças e nem promessas que a Bíblia não faz para que suas ovelhas contribuam com o trabalho. Ele sabe instruir corretamente sua igreja sobre o que a Bíblia diz a respeito das contribuições para o reino de Deus. Não faz dos momentos de ofertório o momento mais importante do culto e nem do dinheiro o deus e a confiança maior da igreja. Trabalha a parte financeira da igreja com dignidade, ética e transparência.

8°. O que não tem medo de ensinar profundamente a Bíblia às suas ovelhas = Esse pastor não faz doutrinas em cima de textos isolados da Bíblia, por isso, não tem medo de ensinar suas ovelhas a serem questionadoras, estudantes profundas da Bíblia. Ele tem porta aberta ao diálogo e aos questionamentos. Por isso, os cultos que preside são banquetes de aprendizado e quebrantamento, onde a Palavra de Deus reina soberana como fonte de ensino e a regra de fé e prática. Por ser assim ele sabe que precisa sempre beber dessa fonte para também poder dar de beber cada vez mais aos seus discípulos.

9°. O que ora sempre buscando em seus pedidos que seja feita a vontade de Deus em primeiro lugar = Esse pastor não ousa sequer pronunciar palavras de ordem a Deus. Ele sabe quem é Deus, sabe de Seus atributos grandiosos. E mais, sabe exatamente que ele é apenas um homem imperfeito, que está de pé pela graça de Deus. Por isso, em suas orações ele é dependente de Deus e não o chefe de Deus.

10°. O que tem cheiro de ovelha = Esse pastor é pastor que pastoreia de verdade. A sua missão de vida é pastorear e não fazer fortuna com o rebanho vendendo suas peles e carnes! Chegue perto dele e sentirá o cheiro das ovelhas. Isso porque ele fica muito perto, ele acompanha, ele se preocupa com elas. Ele as ama de verdade, mesmo que elas não tenham nada para dar-lhe em troca. Ele as acolhe, ele cumpre seu trabalho cabalmente como bom trabalhador que não tem de que se envergonhar.

E VOCÊ, TEM ALGUM PASTOR QUE RESPEITA E ADMIRA?

‹‹Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória›› (1Pe 5.1-4 – ACF)

. Todas as citações bíblicas são da Tradução Almeida Corrigida Fiel – (ACF), da (SBTB)
Fonte: http://www.palavradaverdade.com/

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O PECADO DE DAVI E SUAS CONSEQUÊNCIAS

“E aconteceu, tendo decorrido um ano, no tempo em que os reis saem para a guerra, enviou Davi a Joabe, e a seus servos com ele, e a todo o Israel, para que destruíssem os filhos de Amom e cercassem Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém” (2 Sm 11.1).

INTRODUÇÃO
Nesse espaço, veremos uma fase de declínio na vida de Davi, o grande rei de Israel. Sua história ficaria manchada para sempre pela mácula de um adultério e consequente homicidio. No capítulo 11 de 2 Sm, encontramos o relato de um dos crimes mais condenáveis da história bíblica. O homem que já houvera derrubado inimigos quase imbatíveis e vencido guerras quase invencíveis em nome do Senhor rendeu-se incondicionalmente ao desejo carnal desenfreado pela mulher de um de seu melhores súditos. Numa tarde, enquanto passeava pelo terraço da casa real, ao ver Bate-Seba se lavando, Davi mandou perguntar quem era aquela linda mulher e, apesar de saber que se tratava da esposa de um grande amigo, trouxe-a à sua casa e a possuiu. Para desespero do rei, a mulher ficou grávida. Ele então mandou buscar Urias, seu marido, no campo de batalha para que ficasse com sua mulher algum tempo a fim de imputar-lhe aquela concepção. Como Urias se recusou a proceder conforme a ordem do rei de Israel, este arquitetou sordidamente a sua morte, ordenando a Joabe, por meio de carta enviada pela mão do próprio Urias, que o colocasse à frente do campo de batalha, em local indefensável, para que morresse. Morto Urias, Davi tomou a viúva como sua esposa e continuou a vida como se nada tivesse acontecido. Somente depois de confrontado duramente por Deus, o rei de Israel reconheceria seu erro e seria perdoado; todavia as conseqüências do seu pecado seriam danosas e duradouras.

DAVI E A TENTAÇÃO
A tentação é uma realidade com a qual todas as pessoas têm lidado desde o inicio do mundo. No jardim do Éden, ainda antes do fracasso de Adão e Eva, a tentação já era uma realidade, pois quando Lúcifer tentou nossos primeiros pais, eles ainda não haviam pecado. Por isso, vale ressaltar, ser tentado não é pecado, pois nenhum homem está isento disso, nem mesmo o próprio Filho de Deus esteve (Mt 4.1-11), mas pecado é ceder à tentação. Ser tentado também não é sinal de carnalidade, mas uma evidência de nosso caráter humano.

A Bíblia Sagrada é clara sobre a inevitabilidade da tentação. Quer falemos dos patriarcas ou profetas, reis ou apóstolos, todos sentiram o empurrão sutil da tentação impelindo para a prática do mal e, não raro, muitos daqueles heróis sucumbiram. Vemos um Abrão, amigo de Deus, entregar-se à tentação de mentir a Faraó, dizendo que Sara era sua irmã e não esposa a fim de livrar a própria pele (Gn 12.10-20). Encontramos um Jacó cedendo à tentação de enganar seu pai para usurpar a bênção de Esaú, seu irmão (Gn 27.6ss). Mais tarde, os filhos de Jacó cederiam ao desejo de se vingarem de seu irmão, José, e o venderiam como escravo (Gn 37.1-28). Moisés, o grande libertador, perdeu o controle e matou um egípcio (Ex 2.11,12). Visto que o objeto do nosso estudo é Davi, com o rei de Israel não foi diferente. Davi, apesar de todas as suas virtudes decantadas na Bilbia, era homem sujeito às mesmas paixões que aliciam a alma de todos os homens. O homem segundo o coração de Deus encontrava-se no apogeu do seu reinado quando, tomado por paixões infames, caiu em pecado de adultério com Bate-seba, esposa de seu fiel soldado Urias. A gravidez resultante do adultério desencadeou uma série de outros pecados, entre eles o homicídio cruel do marido traído, numa tentativa tresloucada do rei de Israel de encobrir o seu pecado.

Na Bíblia Sagrada, encontramos o registro de três fontes de onde a tentação pode fluir: o mundo, a carne e o diabo.

A carne. Quando a Bíblia fala da carne como fonte de tentação, refere-se à natureza humana caída, cheia de paixões e desejos, lícitos ou ilícitos, muitos dos quais conspiram contra a lei do Espírito de vida (Rm 8.1,2).

Devido o efeito degenerativo do pecado na espécie humana, o ambiente em que vivemos passou a ser um lugar cada vez mais estimulador da prática do mal, em oposição à Palavra de Deus. Todos os dias, somos bombardeados por milhares de estímulos internos e externos que nos incitam à prática de atos pecaminosos. É o que Freud chamou de princípio do prazer X princípio da realidade. Dentro de uma relação inseparável, a natureza humana e o mundo proporcionam prazeres de toda sorte, os quais se chocam com o código moral prescrito pela Palavra de Deus, orientadora de como o homem deve viver para encontrar a verdadeira felicidade. Renunciar aos prazeres ilícitos, tendo como contraponto a observância dos mandamentos divinos, é uma questão de sobrevivência da espécie humana.

Em Gálatas 5.16-25, o apóstolo Paulo fala da guerra espiritual que consiste de desejos na carne militando contra o desejo do Espírito. O referido apóstolo cita uma série de obras que são próprias da carne, ou seja, da natureza humana degenerada. Sua recomendação contra as paixões da carne é para que andemos no Espírito (v 16). Em Romanos 13. 14, a recomendação paulina é para que nos revistamos do Senhor Jesus Cristo e não tenhamos cuidado na carne e em suas concupiscências.

O mundo: O vocábulo "mundo", no sentido empregado aqui, diz respeito ao sistema iníquo que rege a vida dos homens (busca do poder, riquezas, independência de Deus etc), em nossos dias, amplamente difundido pelos meios de comunicação em massa, jornais, radio, televisão e revistas. A finalidade é levar os homens a ignorarem a existência de Deus e se tornarem livres para decidir o que fazer de suas vidas. Trata-se de um sistema que se opõe abertamente ao Reino de Deus. Por isso que a Bíblia usa prodigamente a palavra mundo relacionada ao sistema regido pelo maligno. Na sua primeira Epístola Universal, o apóstolo João nos adverte a que não amemos o mundo nem o que no mundo há (2.15), pois este mundo jaz no maligno (15.19). O apóstolo Tiago avisa que qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tg 4.4). Como um ímã, o mundo exerce um magnetismo quase inexorável sobre as paixões humanas, de sorte que os pecadores são arrastados como se por uma correnteza ao encontro dos prazeres e encantos que os levarão à ruína. A única arma capaz de vencer o mundo é a fé decorrente do novo nascimento. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 Jo 5.4).

O Diabo: Satanás é o agente principal da tentação. Ele é chamado de “o tentador” (Mt 4.3). Em toda a Bíblia Sagrada, vemos suas estratégias e velhos truques a fim de induzir pessoas ao erro. Só para ficar em alguns casos mais importantes: foi Satanás quem incitou Eva a comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal e, portanto, desobedecer a ordem de Deus, o que resultou em deletérias conseqüências para a humanidade (Gn 3.1); quem incitou Davi a enumerar o povo de Israel em um ato de desobediência ao Senhor, que também suscitou danosas conseqüências (1 Cr 21.1); quem, com genialidade e artifícios impressionantes, tentou Jesus a atropelar a vontade de Deus para a sua vida, porém, neste caso, não teve sucesso (Mt 4.1-11).
Contra o agente da tentação, a Bíblia nos recomenda o revestimento de toda a armadura de Deus (Ef 6.10,11) e, a partir daí, resistir ao diabo até que ele fuja (Tg 4.7).

O PECADO DE DAVI
Muito já se foi dito sobre a tentação e conseqüente pecado do maior rei de Israel. Livros e sermões já foram inspirados nele. Afinal de contas, por que um homem tão amado por Deus, de virtudes inescapáveis, chegou a praticar crime tão covarde contra um de seus fieis súditos? É uma pergunta que tem sido levantada durante os séculos e respondida de várias maneiras por aqueles que se dispõem a analisar o comportamento humano. Como um homem de Deus chega a tamanha crueldade e covardia? Talvez Davi seja o personagem bíblico que melhor representa o ser humano em suas complexas potencialidades, tanto para fazer o bem, como para fazer o mal. Com esse comentário, levanto a questão de o quanto somos circunstanciais, imprevisíveis e vulneráveis. Como disse um professor: "Nos recônditos da alma humana, existe um amontoado de desejos miseráveis, e a linha que separa o desejo do ato é muito tênue". Por isso a necessidade constante que temos de nos policiarmos, pois potencialmente o mal mora logo ali, ou melhor, logo aqui, dentro de cada um.

Antecedentes de uma tragédia.
1) A ociosidade do rei. O escritor bíblico diz que no tempo em que os reis saiam à guerra, Davi enviou Joabe, e a seus servos com ele, e a todo o Isael para que destruíssem os filhos de Amom e cercassem Rabá, porém Davi ficou no palácio (não deixe escapar a importância do porém, o grifo é nosso). Note que era tempo de guerra e não de descanso. Os reis saiam para a batalha a partir da primavera, definindo conquistas e reafirmando as fronteiras de seu país. Davi errou, não apenas em não liderar o povo à guerra, mas principalmente por descumprir a lei da guerra, conforme Deuteronômio 20, a qual rezava que os líderes deveriam estar na dianteira do povo. O rei de Israel, todavia, estava em casa descansando na ocasião, ocioso, passeando no terraço da casa real (2 Sm 11.1-2).

Há um adágio que diz: Todos precisam achar alguma forma de gastar o tempo. É preciso matar o tempo em algum lugar. Não nos enganemos: a atenção humana nunca está alheia ou neutra, ela sempre se volta para alguma coisa. Enquanto passeava pelo palácio, o rei teve a sua atenção atraída para uma mulher muito bonita que estava se lavando em algum lugar inadequado. Até aqui tudo bem. O rei poderia ter desviado a atenção ou se dirigido a outro lugar do palácio, porém, condescendente com o próprio desejo, como alguém que aprecia uma simples paisagem ao entardecer, inflamou a lascívia do seu coração e foi dominado pela cobiça. Até aqui, ele ainda tinha a capacidade de dominar sobre o seu desejo.

2) A cobiça desrespeita todos os valores e não mede conseqüências. Davi, fascinado pela beleza da mulher, resolveu dar mais um passo em direção ao perigo: mandou perguntar o nome da da beldade. Era Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias. Urias e Eliã faziam parte dos valentes de Davi, dois súditos leiais do rei. No livro de 2 Samuel, capítulo 23, a partir do versículo 24, começa a listagem dos grandes guerreiros de Davi, e ali dois nomes se destacam: “Eliã, filho de Aitofel, gilonita”, (v 34) e Urias, heteu (v 39). Note que este Aitofel, avô de Bate-Seba, era o grande conselheiro de Davi que, mais tarde,como num ato de vingança, aconselhou Absalão a possuir as mulheres do rei publicamente (2 Sm 16.20-23). Os laços de amizade e lealdade deveriam ter servido de freio ao desejo insano do rei, porém o veneno da cobiça já corria em toda a sua corrente sanguínea e já havia contaminado todas as suas células. A partir daí, o desejo não conhece obstáculo nem mede conseqüências. É por isso que quando uma pessoa se entrega à tentação, pode se encontrar numa situação absolutamente impossível de resistir.

Note que a barreira principal que se interpõe entre a tentação e a prática do pecado é o temor a Deus expressado na observância de sua Palavra (Sl 119.11). Por isso, as leis de Deus deveriam ter servido de freio para Davi, porém, no incidente com Bate-Seba, ele quebraria o sexto mandamento: "Não matarás"; o sétimo mandamento: "Não adulterarás"; e o décimo mandamento: "Não cobiçarás" (Êx 20:1-17). Todas essas barreiras morais seriam dirimidas pelo trator da cobiça.

Quantas histórias já ouvimos de maridos que abandonaram esposas, de amigos que jogaram para o ar anos de lealdade, chefes de família que abandonaram filhos, pastores que abandonaram igrejas; enfim, pessoas que cuspiram em todos os valores e princípios que defenderam a vida toda, porque viraram presa da cobiça quando brincavam com o pecado. Convém salientar que nem todos que procedem desta maneira realmente não amavam seus pares, não eram homens honestos e justos - não é isso -, mas não vigiaram em algum lugar de sua vida, momento em que deveriam ter eliminado o mal no seu nascedouro, e foram envenenados pela concupiscência. Não nos enganemos: se o pecado não fosse realmente tão danoso, a Bíblia não soaria um alarme tão estridente contra ele (1 Coríntios 10:12).

A consumação do pecado.
"Depois, havendo a concupiscência concebido-a, dá à luz ao pecado” (Tg 1.15). Prostrado finalmente à concupiscência, Davi manda trazer Bate-Seba e se deita com ela, totalmente cego às conseqüências de seu ato. A Bíblia mostra que a tentação segue algumas etapas. Tiago diz que cada pessoa é tentada quando atraída ou engodada pela sua própria concupiscência. Primeiro, Davi olhou; depois mandou perguntar o nome da mulher; em seguida, mandou buscá-la para o palácio. Neste ponto, a concupiscência já havia concebido, e daria luz ao pecado. Agora, o homem de Deus era apenas um escravo do seu pecado e desejos. O homem que, outrora, estivera a serviço de Deus, agora estaria a serviço do diabo.

A loucura de querer reparar um erro irreparável.

A Bíblia diz que um abismo chama outro abismo (Sl 42.7). Alguns dias depois do adultério, Davi ficou sabendo que Bate-Seba estava grávida. Tal notícia caiu como uma bomba na cabeça do rei, e então ele começou um vale-tudo para encobrir o seu pecado. Tanto Davi como Bate-Seba estavam cientes das implicações de seu erro. Levítico 20.10 deixa claro: “Se um homem cometer adultério com a mulher de seu próximo, ambos, o adúltero e a adúltera certamente serão mortos”. Bom, o pecado de Bate-Seba estaria visível ante o seu marido; ela seria certamente punida. Será que ela teria coragem de acusar o rei? Se fizesse, as suas palavras teriam alguma credibilidade? Davi assumiria sua culpa ou, uma vez adoecido pelo pecado, refutaria Bate-Seba? Isto nós não sabemos. O que não podemos perder de vista é que qualquer desvio da vontade de Deus abre o caminho para cada vez mais loucura e engano. Transgredindo a vontade de Deus, Davi abriu o caminho para mais tentações. A condescendência com uma paixão, longe de removê-la, só torna essa paixão mais e mais forte. Se Davi tivesse seguido o ideal de Deus, ele teria estado menos sujeito às tentações de Satanás. Neste caso, as comportas foram abertas, e Davi foi arrastado pela inundação.

Um apelo à astúcia
Atormentado pelo desespero, o rei apelou para a astúcia. Arquitetou um plano, aos seus olhos infalível: resolveu dar férias a Urias, o marido traído, e mandou que o trouxessem do campo de batalha para casa (bondoso, não?). Davi pensava consigo: estando Urias com a sua mulher, entrará a ela, e a gravidez dela será atribuída a ele (2 Sm 11.10-12). Davi só não contava com a lealdade e a sensatez de Urias, o qual se recusou terminantemente aos prazeres do sexo, enquanto seus compatriotas estavam no calor da batalha.
“ A arca, e Israel, e Judá estão em tenda, e Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados ao relento. Como poderia eu entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar como minha mulher? Tão certo como vives, não farei tal coisa” (2 Sm 11.11). Todavia a astúcia do rei desviado desconhecia limites. Ele, então, tentou forçar Urias por meio do álcool e o embriagou; porém a lealdade deste também desconhecia limites e ele mais uma vez se recusou a ir à sua casa.

Alguém disse uma vez que a vantagem que o mal às vezes tem em relação ao bem é que o mal não reconhece limites em suas ações, enquanto que o bem só pode atuar dentro de certos limites traçados pela ética e pelo bom senso. O rei de Israel já não conhecia limites às suas ações ímpias. Ele queria se livrar daquela situação a qualquer custo. Ele apelou, então, para uma solução extrema: matar Urias.

Crueldade desmesurada.
Vencido pela persistência de Urias, Davi escreveu uma carta do próprio punho, ordenando a Joabe que pusesse Urias no lugar mais perigoso da batalha e retirasse os homens de detrás dele para que fosse ferido e morresse, e a mandou pelas mãos do próprio Urias (2 Sm 11.15). Como observa o pastor Elinaldo Lima, Como Urias era um servo fiel, não violou a carta. Se o tivesse feito, veria que estava levando a própria sentença de morte.


Às vezes eu me pego pensando na surpresa de Joabe quando abriu aquela carta. Ele estava sendo forçado a ser cúmplice do rei em um assassinato covarde, sem nem saber o motivo. Sem dúvida ficou sabendo mais tarde quando voltou e viu Bate-Seba na casa de Davi. A minha proposição é que, a partir dali, Davi ficou praticamente nas mãos de Joabe, pois os atos deste se tornavam cada dia mais reprováveis e desobedientes, porém o rei Davi não o puniu nenhuma vez, muito pelo contrário, vemos Joabe repreendendo asperamente o rei e o ameaçando quando aquele general matou absalão, desobedecendo a ordem do rei (ver 2 Sm 18.5-18; 19.1-10). Foi Joabe quem enganou o rei para trazer absalão de volta do exílio (2 Sm 14.1-21). Tendo Davi posto Amasa no lugar de Joabe, à frente do exercito de Israel, Joabe o matou covardemente e retomou sua posição (ver 2 Sm 19.13; 20.10). Davi não tomou nenhuma medida para puni-lo. Note ainda a alfinetada que Joabe deu em Davi quando mandou avisar ao rei da morte de Urias em 2 Sm 11.19-21 Somente depois de passar o reino a Salomão, antevendo a sua iminente morte, Davi dar ordem para que, depois de sua morte, Salomão mate Joabe, como punição pelos seus crimes (1 Rs 2.5,6). Davi, depois de seu pecado, era um rei sem autoridade, o que normalmente sucede a todos os que pecam e causam escândalo.

Insensibilidade
Sabendo da morte de Urias, Davi, cinicamente, mandou dizer a Joabe: “Não te pareça mal aos teus olhos; pois a espada tanto consome este como aquele” (2 Sm 11.25). Estava resolvida a questão: Davi tomou Bate-Seba como sua esposa e se portou tranqüilamente como se nada houvera acontecido por cerca de um ano. O homem de Deus estava com a consciência cauterizada (cf 1 Tm 4.2). Seu estado de entorpecimento era tão grande que se não fosse um confronto direto com Deus por iniciativa deste, ele teria morrido em seu pecado sem nunca confessá-lo.

DAVI E A INTERVENÇÃO DE DEUS
Uma das grandes lições deste episódio é a imparcialidade da justiça divina, bem como as riquezas de sua misericórdia. Deus não pode condescender com o pecado, seja lá de quem for - Ele é justo. Certamente Davi pensou que o fato de ser rei de Israel, ungido do Senhor, lhe isentaria do juízo de Deus. “Não fará justiça o Senhor de toda a terra?” (Gn 18.25). Mais ou menos um ano depois – o menino já havia nascido (2 Sm 12.14) – , o rei estava tranqüilo em sua casa, celebrando a chegada de mais um filho, quando o profeta Natã aparece no pátio. Natã estava levando uma causa para que o rei julgasse. O que ele tinha para dizer era muito sério. Tratava-se de um camponês que possuía uma única ovelha e de um fazendeiro que tinha muitas ovelhas. Certa ocasião, o fazendeiro rico tomou a única ovelha que o pobre camponês tinha, a qual ele amava, e ofereceu como guisado ao seu visitante (2 Sm 12.1-6). Quem poderia ficar impassível diante de uma injustiça dessa? Davi ficou irado. “Este homem é digno de morte” ele disse. “Pela cordeira restituirá o quádruplo, porque fez tal coisa e não se compadeceu” (2 Sm 12.6). Davi estava promulgando sua própria sentença.
É comum desculparmos em nós mesmos aquilo que com veemência condenamos nos outros. O comentarista José Gonçalves foi muito feliz neste comentário: “É comum alguém que pecou e não tratou de forma devida o seu pecado projetar um sentimento de justiça e uma falsa santidade perante os outros”.2 Atente para palavra grifada (o grifo é meu). O conceito de projeção em Psicologia consiste em o indivíduo atribuir ao outro aquilo que é predicado seu. Por não aceitar em si, ele reprime e projeta no outro. Foi o que aconteceu com Davi, depois que o grande mestre Natã manipulou tão bem as questões emocionais não resolvidas do rei. Na parábola, Natã expôs o mal de maneira tão clara que conseguiu despertar uma resposta de indignação moral no empedernido coração do rei de Israel.

“Tu és este homem”, replicou o profeta Natã. “Assim diz o Senhor, Deus de Israel: A Urias, o heteu, feriste a espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; a ele mataste com a espada dos filhos de Amom” (2 Sm 12.7,9). O rei de Israel agora estava diante do espelho, de frente às suas misérias, desnudo, algo que só pode acontecer por meio de um confronto com Deus (cf Is 6.5). Há situação em que o estado de cauterização da consciência é tão grande que somente um encontro com Deus é capaz de fazer cair as escamas dos olhos e expor as misérias humanas. E o mais interessante: a iniciativa é sempre de Deus.

CONSEQUÊNCIAS DO PECADO
Uma lição inescapável neste caso é a de que o pecado, uma vez consumado, deixa suas conseqüências deletérias, ainda que seja perdoado por Deus. O pecado nunca acontece no isolamento; cedo ou tarde, de uma forma ou de outra, as conseqüências aparecem. Seus efeitos danosos levam sofrimentos tanto ao que pecou como a muitas outras pessoas inocentes. Nós não podemos nos enganar: depois da queda espiritual, a vida muda em todos os aspectos. Quantos lares destruídos, quantas famílias desmanteladas, sonhos e projetos frustrados, vidas ceifadas precocemente, por causa de um descuido de alguns crentes. “Não vos enganeis: Deus não se deixa escarnecer. Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). Davi seria perdoado por Deus, mas beberia um cálice amargo pelo resto de sua vida.

1) Sentenças divinas. Após denunciar o pecado de Davi, ali mesmo, o profeta proferiu duas sentenças divinas conta o rei. “Agora, portanto, a espada jamais se apartará da tua casa”. Foi exatamente o que aconteceu. O filho que nascera daquele adultério morreu logo em seguida (2 Sm 12.14). Amom foi assassinado por Absalão (2 Sm 13.28,29). Absalão foi morto por ter-se rebelado contra o pai (2 Sm 18.9-17). Mais tarde, Adonias também seria morto à espada (1 rs 2.24,25). Lembremos que Davi sentenciou que o homem da parábola, que tomou a ovelha do outro deveria pagar quatro vezes mais (2 Sm 12.6).

“Assim diz o Senhor: Eu suscitarei da tua própria casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei ao teu próximo, o qual se deitará com elas a plena luz do dia. Tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel, a plena luz do dia” (2 Sm 12.11,12). Para começar, Davi teve uma de suas filhas estuprada por um de seus irmãos (2 Sm 13.10-15). Depois Absalão, seu próprio filho, usurpou-lhe o reino e abusou sexualmente de suas mulheres em plena praça pública (2 Sm 15.1ss).
2) Conseqüências emocionais. Davi era um homem de alma despedaçada. As vergonhas, humilhações e execrações (2 Sm 16.5-8) por que passou o rei de Israel não encontram pares na Bíblia. As desgraças que se abateram sobe ele envolveram rompimento de antigas amizades (2 Sm 23.34), vexações familiares, desagregação do seu reino, deslealdade de seus súditos e perda de autoridade. Era um homem com feridas profundas na alma e sulcos profundos sobre as suas costas (Salmo 129). Seus salmos retratam com nítidas cores seus infortúnios (ver os salmos 6, 13, 22, 25, 38, 40, 41). A idade em que morreu - cerca de setenta anos (cp 2 Sm 5.4 e 1 Rs 2.10) - debilitado como estava, talvez tenha muito a ver com as angústias e frustrações de sua alma. Todavia, convém salientar, todas as sua feridas o impeliram para cima de Deus e o levaram a aprofundar suas experiências com Ele. Como já foi dito, o pecado cobra seu preço.

3) Conseqüências espirituais e físicas. No tocante aos efeitos espirituais e físicos, é muito pertinente o comentário do pastor José Gonçalves, o qual transcreveremos a seguir.

Não há dúvida de que os maiores efeitos do pecado de Davi estão na esfera espiritual. O pecado parece doce, inofensivo e natural, no entanto, suas conseqüências são amargas. Paulo, o apóstolo, adverte em sua primeira carta aos coríntios: “Por causa disso [do pecado], há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem” (1 Co 11.30). Em outras palavras, aquilo que é espiritual num primeiro plano, tem conseqüências físicas em segundo. Os especialistas advertem que há muitas doenças psicossomáticas, isto é, doenças da alma ou de origem psicológica que afetam o corpo físico. A Bíblia nos mostra que há também doenças de origem espiritual. A Palavra de Deus adverte: “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis ; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5.16). Davi pôs em prática isso e clamou ao Senhor: “[...] Tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti” (Sl 41.4). (lições bíblicas CPAD, 4º semestre de 2009, p. 60).

CONCLUSÃO
“Depois de algum tempo você descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.” Esta frase de Willian Shakespeare é um verdadeiro tratado sobre a condição humana. Ela resume bem este episódio triste da vida de Davi. A sua decisão por ceder à tentação, quando deveria ter resistido, deixaria manchas irremovíveis em sua historia de vida. Mas não é só isso. Sua história com Bate-Seba nos mostra que até os mais piedosos dos homens, se não forem cuidadosos, são capazes de cometer os piores pecados; mostra que as conseqüências de nossos atos são inevitáveis; mas também mostra que, por mais profundo que seja o lamaçal em que o pecador esteja mergulhado, o perdão de Deus pode alcançá-lo.

BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo pentecostal/ CPAD.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal/ CPAD
Paul Gardner/ Quem é Quem na Bíblia Sagrada/ Editora Vida.
Ogilvie, Lioyd John/ O Senhor do Impossível/ Editora Vida.
O Novo Dicionário da Bíblia/ Edições Vida Nova.
Lições bíblicas CPAD/ Salmos, a lira de Israel na devoção do homem moderno (3º trimestre, 1997).
Exley, Richard. Os sete estágios da tentação. São Paulo: Vida, 2000.
Fonte: http://pensarfazmuitobem.blogspot.com.br

Urias, o incircunciso fiel - 2Sm 11.1-11

   O texto lido apresenta a história do triângulo amoroso formado por Davi, Bate-Seba e Urias.
   Após assumir o reinado da parte sul de Israel, encontrando uma fragmentação política confederada, Davi unifica Israel, toma Jerusalém e a transforma em capital, reconduz a arca do Senhor, derrota diversas nações, expande as fronteiras, estrutura politicamente o país, e planeja construir o templo.

     Rei bem-sucedido, governante carismático, ícone político-religioso, compositor de, ao menos 73 salmos, aos 48 anos. Após contemplar Bate-Seba pela janela em um tempo que era para estar na guerra (2Sm 11.1), Davi adultera com a mulher de um de seus tenentes, Urias, o qual morre por plano premeditado. Davi é o mandante do homicídio. Descansar era lícito a Davi, porém, descansar em um momento errado é preguiça ou omissão, sendo assim, pecado. Como um abismo chama outro abismo... (Sl 42.7).

      Dependendo da motivação do agente, ou do meio empregado, o delito se torna qualificado, com maior pena, pela conduta ser mais reprovável. É uma forma de homicídio agravado. Os elementos que qualificam este homicídio são:
Cometer o crime mediante paga ou promessa de recompensa, mesmo que não seja real ou financeira;
Cometer o crime por motivo torpe (repugnante, baixo ou gratuito);
Cometer o crime para assegurar a execução, ocultação, impunidade ou vantagem de outro crime (homicídio por conexão);

   Davi cometeu um homicídio triplamente qualificado, que merecia pena de doze a trinta anos de prisão. No caso de Davi, as consequências foram doze anos de intrigas e crimes dentro de sua própria casa.


     Nesta história, a personagem injustiçada é o fiel Urias. Urias significa “Jeová é minha luz”. Era heteu, ou seja, estrangeiro, pertencente a um império que em tempos idos dominou a vastíssima região Síria, sendo fragmentado no século XII a.C.

   Urias, a despeito da traição davídica e da infidelidade conjugal de sua esposa, mantém-se firme em sua postura e fiel até a morte. Sua declaração de fé (2Sm 11.11) ecoa na galeria das grandes declarações de fé, como de Ananias, Misael e Azarias (Dn 3.17-18) e Rute (Rt 1.16-17). Urias só fala uma vez na Bíblia e, quando fala, declara sua fidelidade. Tão diferente de outras pessoas que falam apenas uma vez na Bíblia: a mulher de Jó (Jó 2.9), a mulher de Pilatos (Mt 27.19) só falam uma vez e sua fala é de mesquinhez e blasfêmia.

    Urias foi fiel a si mesmo (a seus princípios), ao seu trabalho (Davi era seu chefe), ao seu amigo (Davi era seu amigo), a seu casamento (Bate-Seba) e a Deus. Urias era um homem fiel.

    Após adulterar e receber a notícia da gravidez de Bate-Seba, sordidamente, Davi tenta promover a possibilidade da gestação de Bate-Seba ser oriunda de Urias, remetendo-o de volta à sua casa após trazê-lo da guerra. Urias prefere correr perigo de morrer a quebrar seus princípios de fidelidade aos amigos de guerra. Seus princípios eram mais forte do que as ordens do rei.

    Sem saber, Urias torna-se portador de sua pena de morte (2Sm 10.14), evidenciando requintes de crueldade desesperada de Davi. Urias poderia pensar na importância de sua missão em levar a missiva e a confiança de Davi nele, a ponto de retirá-lo da guerra para esta ação. Davi foi o Judas de Urias. Davi, homem segundo o coração de Deus... Como isto é possível? “Há um leão dentro de cada um de nós e libertá-lo é apenas uma questão de oportunidade”. Davi comete três pecados (2Sm 12.9): adultera, assassina Urias, e o faz por mãos de gentios. A transformação davídica ocorre quando ele despreza a palavra (2Sm 12.9).

    Urias é morto. Davi traz Bate-Seba ao palácio (2Sm 11.27). Natã é enviado por Deus para repreendê-lo. O filho que nasce morre. Bate-Seba fica novamente grávida. Deus lhe dá Salomão. Após mais de dois anos, a guerra contra os amonitas termina. Joabe e os valentes voltam. Veem Bate-Seba no palácio: tudo explicado, agora. Na lista de valentes, Urias é o último (2Sm 23.39). Urias é o apêndice da memória davídica sobre o que a falta de vigilância é capaz de fazer. Urias foi exemplo de fidelidade.

   Fidelidade é a expressão concreta da crença na idoneidade de outrem. A fidelidade parte da crença, a lealdade parte da amizade. Urias era fiel e leal. A partir da declaração de fé e atitudes de Urias, lições de como ser fiel podem ser exauridas.

    Seja fiel crendo na coisa certa. O que movia Urias, em primeira instância, era sua certeza de estar tomando as atitudes certas aos olhos do Senhor. Há pessoas que estão sinceramente erradas: participantes da procissão do Ciro de Nazaré, autoflagelantes nas cerimônias pascais filipinas, romeiros idólatras para Aparecida do Norte. O que auxiliará a acreditar na coisa certa é a sabedoria advinda pela profunda reflexão nas Escrituras, aplicada à vida.

    Aqueles que são chamados “fiéis” e seguem a um líder a despeito de sua insensatez, o fazem de forma irracional. Isto não é fidelidade, é lealdade e teimosia. Lealdade tem por princípio a amizade e não as Escrituras. Enquanto a firmeza é a capacidade de manter sua decisão quando coerente e necessária, a teimosia é a manutenção da decisão mesmo quando incoerente; quando desnecessária torna-se insensatez.

   Seja fiel fundamentando-se em princípios revelados nas Escrituras que dão sentido à vida. Urias tinha princípios tão arraigados que preferia sofrer a possibilidade da morte do que abrir mão de princípios na vida. “Destruídos os fundamentos que poderá fazer o justo” (Sl 11.3)? Estes princípios não eram autopropostos por ele mesmo, mas revelados por Deus. Estes limites foram propostos para a vida (Dt 30.16). Lembrando Dostoiévsky: “Se Deus não existe, então tudo é permitido”. O status quo anárquico globalizado é fruto da indiferença à lei divina. A falta de prazer em guardar a lei conduz à depressão (Sl 1.2; Ne 8.10). Quando me alegro na obediência à Palavra, Deus se alegra e me alegra em uma retroalimentação contínua.

    Seja fiel crescendo em vigilância. O que derruba um cristão é a falta de vigilância. Fidelidade sem vigilância é maromba sem alongamento: uma hora ou outra terá hérnia de disco. Fidelidade sem vigilância é dirigir certinho sem trocar correia dentada, óleo e freios. Uma hora o carro vai parar. Davi era fiel, mas não vigiou. Urias era fiel e vigiou em todo o tempo.

   A fidelidade de Urias não era cega. Não era insensata ou irracional. Ela via. Ela discernia. Discernia que a ordem de Davi era incoerente e, mesmo diante da possibilidade de morrer por desobedecer à insensatez do mandato davídico, manteve-se fiel à coerência.

    Davi viveu. Urias morreu. Urias morreu para a vida. Davi viveu morrendo. Morreu um pouco quando Amnon estupra Tamar (2Sm 13.14). Morreu mais um pouco quando Absalão matou Amnon (2Sm 13.29). Morreu mais um pouco quando Absalão o traiu (2Sm 15.10) e Aitofel se juntou à rebelião (2Sm 15.12). Morreu mais ainda quando Joabe matou Absalão (2Sm 18.15). Tudo isso por um minuto de prazer. A infidelidade não vale a pena. Ouvir é bom. Entender é melhor. Praticar é fundamental. A fidelidade gera vida na vida e conduz à vida. A infidelidade mata antes da morte chegar. E a pior morte que se morre é a morre que se morre antes de se ter morrido. É quere dormir para se encontrar um sonho porque o acordar é viver em um pesadelo. “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).


Por: Henrique Ribeiro de Araujo 
Fonte: http://www.teologiacontemporanea.com.br/

terça-feira, 22 de julho de 2014

A IMPORTANCIA DA SABEDORIA HUMILDE

Prof. Adaylton de Almeida Conceição
Texto: Tiago 1.5; 3.13-18.

O QUE É SABEDORIA?
      A palavra sabedoria provém do termo grego sophia, com 71 ocorrências no NT, 44 só nas epístolas paulinas. Ela possui muitos equivalentes, tanto no hebraico, como no grego, que podem ser compreendidos como: entendimento, discernimento, inteligência, capacidade de entender e pensar, percepção, instrução para formar hábitos adequados de comportamento, disciplina, prudência, conselhos, entre tantos outros.
      Tiago enxerga a sabedoria como sendo uma necessidade para as pessoas, mas faz questão de mostrar os tipos de sabedoria que podemos encontrar à nossa volta. E para o apóstolo, mais do que ter, ou não, sabedoria, é imprescindível saber a quem pedir, é preciso utilizá-la. 
      Tiago 1.5 "Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada".
"... tem falta de sabedoria (leipetai sophias). Aqui há uma combinação que podemos transliterar como: “Se alguém não chega á estatura ou medida da sabedoria”. Peça (aiteitö). Aqui temos o presente do imperativo ativo de aiteö, “que persista em pedir”. A Deus (para tou theou).
      Para Tiago, o mestre cristão com um quadro de fundo judeu, a sabedoria é uma coisa praticas. Não é a especulação filosófica ou o conhecimento intelectual; sua esfera são coisas da vida. Os estóicos definiam a sabedoria como “o conhecimento do humano e o divino”. A sabedoria cristã é um conhecimento tal que passa que passa à ação nas decisões e relações pessoais da vida cotidiana.
      Tiago propõe que os cristãos busquem a sabedoria vinda da parte de Deus: “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” (v.5). Esta sabedoria não é conhecimento científico ou teológico. É possível que Tiago tenha em mente a visão do Antigo Testamento sobre a sabedoria, em que a fonte dela é o conhecimento do Senhor.

A sabedoria perfeita de Deus
      A sabedoria de Deus, de modo geral, pode ser definida como “um entendimento adquirido sobre Deus e as suas verdades reveladas, que como conseqüência nos traz uma aplicação prática na nossa vida em todas as suas esferas (Jó 10:4; 26:6; Pv 5:21; 15:3), revelando a sabedoria de Deus ao mundo através do nosso testemunho, cuja base é, antes de tudo, o temor a Deus, que envolve obediência à Sua Palavra.” Essa sabedoria em tudo contrasta com a sabedoria do mundo. A sua essência e a sua fonte estão somente em Deus (Jó 12:13ss; Is 13:2; Dn 2:20-23). Em Jesus temos o seu modelo perfeito. Essa sabedoria está ao nosso alcance e deve ser buscada.
      A sabedoria de Deus não é subjetiva, mas objetiva e presente na criação do universo (Pv 3:19ss; 8:22-31; Jr 10:12), no homem (Jó 10:8ss; Sl 104:24; Pv 14:31; 22:2). Ele governa através da Sua sabedoria os processos naturais (Is 28:23-29) e históricos (Is 31:2). Tal sabedoria não pode ser apreendida pelo homem de forma natural (Jó 28:12-21), mas Deus a revela para ele (Jó 28:23,28). Isto é, toda sabedoria desprovida da revelação de Deus torna-se empobrecida, mesmo nos seus melhores aspectos (cf. 1 Co 1:17; 2:4; 2 Co 1:12 – O Novo dicionário da Bíblia, Edições Vida Nova, SP, 1999).
      O homem só é realmente sábio quando Deus graciosamente lhes outorga a sua sabedoria, daí a exortação de Tiago para que busquemos essa sabedoria (Tg 1:5-8). Ela esteve presente na vida de Salomão (1 Rs cap. 3ss; Mt 12:42; Lc 11:31), Estevão (At 6:10), Paulo (2 Pe 3:15), José (At 7:10). Essa sabedoria divina é necessária ao ser humano, para que ele possa compreender os oráculos de Deus (Ap 13:18; 17:9), liderar a igreja do Senhor (At 6:3), perceber os propósitos de Deus na redenção (Ef 1:8,9), andar de maneira digna diante de Deus (Cl 1:9; Tg 1:5; 3:13-17).
      Muitas pessoas buscam a sabedoria de Deus, esquecendo-se do seu princípio áureo: o temor do Senhor (Sl 111:10; Pv 9:10). É interessante notar, porém, que não tememos a Deus para ter sabedoria, mas o temor do Senhor transforma e guia os nossos pensamentos e ações, tornando-nos justos e retos, e dessa forma se revela a sabedoria de Deus em nós. Nossas ações, quando praticadas no temor do Senhor, são ações dignas e sábias.
     “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência.” (Provérbios 9:10).
“O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino.” (Provérbios 1:7).
“Porque o SENHOR dá a sabedoria, e da sua boca vem a inteligência e o entendimento. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos; é escudo para os que caminham na sinceridade...” (Provérbios 2:6,7).
     Além destes versículos existem muitos outros no Antigo Testamento que refletem a fonte da sabedoria: Deus. Tiago explica que se pedirmos a Deus sabedoria, Ele nos dará livremente. Aqui a palavra “haplos”, significa também “simplesmente, incondicionalmente, sem barganha”. A idéia é de franqueza, de coração aberto. Deus está pronto para nos ajudar a viver uma vida cristã mais firme e constante. Esta sabedoria representa também o discernimento que o Senhor nos dá para vivermos mais na dimensão espiritual do que na dimensão deste tempo presente.
       Deve lembrar como Deus dá liberalmente, generosamente e sem humilhar a ninguém. Os sábios judeus sabiam perfeitamente que o melhor presente do mundo pode perder-se pela forma de ser dado.
      Filemon, o poeta grego, chamava a Deus de “aquele que ama os presentes”, não no sentido de que Ele goste de receber presentes, mas de que adorava dá-los. E Deus não lança em cara nada que dá, ou seja, não censura. Dá com todo o esplendor de Seu amor. É interessante a palavra “sem censura” (me oneidizontos). Havia o mal hábito de lançar palavras ferinas junto com o dinheiro, como é ilustrado em Sirac 41.22. Diz mais: “E lhe será dado” (kai dothesetai autöi), aqui significando, não só sabedoria, mas todos os bons dons, incluindo o Espírito Santo.
      E finalmente dos versos 6 a 8, Tiago nos dá a principal exigência para termos sabedoria: Fé.“Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Não pense tal pessoa que receberá coisa alguma do Senhor, pois tem mente dividida e é instável em tudo o que faz.”.
      A fé consiste na confiança em Deus numa entrega total e plena nas mãos de Cristo. Porém, no relacionamento com Deus às vezes passaremos por momentos de dúvida. Porém o oposto da fé não é a dúvida, mas o medo. Por quê? Porque o medo paralisa, tira a perspectiva do alvo. A dúvida nos mostra o risco, e sem o elemento risco não há fé.
      Quando Tiago fala em dúvida aqui no texto, a palavra grega é diakrinomenos e significa “dividir, duvidar, vacilar, estar em dúvida consigo mesmo”. 
      Tiago 3.13-18 "Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência; então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas".

A SABEDORIA HUMILDE E A FALSA SABEDORIA
“O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e a humildade precede a honra.”Provérbios 15:33.
Uzias tinha somente 16 anos quando seu pai foi assassinado e ele subitamente se tornou rei de Judá, no oitavo século antes de Cristo. A história de seu reinado, que é registrada em 2 Crônicas 26, ensina uma lição poderosa sobre a importância da humildade. Uzias começou bem. Ele respeitava o Senhor e sua palavra, e Deus o abençoou abundantemente. O reino se expandiu e o rei fiel conseguiu dominar seus inimigos de todos os lados. Sua reputação se espalhou a outros países. Uzias se fortaleceu.
Então, tudo mudou. "Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína, e cometeu transgressões contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso" (2 Crônicas 26:16). Uzias era um homem especialmente escolhido por Deus para conduzir seu povo. Durante muitos anos, Uzias serviu o Senhor fielmente. Porém não estava autorizado a entrar no templo para queimar incenso. Esse papel estava reservado para outros homens escolhidos por Deus, os sacerdotes, que serviam no templo. Uzias, não estando mais contente com o desempenho do papel que Deus lhe havia dado, tentou assumir uma função extra e foi fortemente repreendido por seu erro.
O sacerdote Azarias e 80 outros sacerdotes seguiram Uzias até o templo e desafiaram seu ato presunçoso. Uzias enraiveceu-se e Deus respondeu imediatamente ao seu erro. O rei ficou leproso ali mesmo no templo diante dos olhos dos sacerdotes. Eles imediatamente o atiraram fora do templo, e Uzias correu da casa de Deus, percebendo que o Senhor tinha punido sua arrogância. Seu filho assumiu os negócios do Estado e deixou o leproso Uzias isolado em sua casa pelo resto de sua vida. A vida abençoada de um grande homem foi arruinada por um ato de desobediência,pela falta de humildade.

A HUMILDADE É FUNDAMENTAL PARA NOSSA COMUNHÃO COM DEUS
Quando Jesus pregou o sermão que define o caráter do verdadeiro discípulo, suas palavras iniciais foram diretas ao coração: "Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mateus 5:3). Ele continuou a pregar durante mais três capítulos, mas muitos ouvintes não o ouviram porque nunca passaram da linha de partida. Mesmo hoje, a maior parte da mensagem do evangelho cai em ouvidos surdos de homens e mulheres arrogantes que não querem mesmo reconhecer a posição de Jesus como Senhor.
Mas Jesus não reduziu os padrões. Ele não abriu uma porta extra para entrarem os arrogantes ou os "quase" humildes. Ele manteve intacto o seu requisito fundamental porque ele reflete a exigência eterna de Deus. Deus nunca aceitou o homem cheio de orgulho que pensava fazer as coisas a seu próprio modo. Ao contrário de toda a sabedoria dos homens carnais, tendentes a adquirir poder e posição, Deus aceita exclusivamente os humildes. Uma geração depois de Uzias, o profeta Miquéias pegou perfeitamente a idéia quando ele citou as palavras de Deus: "Ele te declarou, ó homem, o que é bom e o que é que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus" (Miquéias 6:8). As Escrituras deixam perfeitamente claro que não há outra maneira de caminhar com Deus. Ou andamos humildemente com nosso Deus, ou não andamos de modo nenhum com ele!
Jesus andou no meio de homens carnais e enfrentou tremendo desafio. Como poderia ele capturar seus corações para moldá-los como os servos humildes que o Pai quer? Não foi uma tarefa fácil. Ele falava freqüentemente de humildade, e mostrava em sua vida de serviço o que significa elevar os outros acima de nós mesmos. Quem poderia exemplificar melhor a humildade voluntária do que o próprio Deus, que deixou sua habitação celestial para servir e mesmo morrer pelos homens pecadores? (Esta é a essência do apelo irresistível de Paulo em Filipenses 2:3-8).
Há exemplos que mostram claramente como Jesus ressaltava a humildade para seus apóstolos. O um deles está em Mateus 18:1-4. Os apóstolos freqüentemente disputavam entre si sobre a grandeza. Dois deles uma vez foram tão ousados a ponto de pedir que fossem colocados acima de seus colegas no reino. Jesus respondeu à atitude deles chamando uma criança. Enquanto estes homens crescidos olhavam, Jesus começou a pregar um sermão memorável: "Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus" (Mateus 18:3-4).

COMO A ARROGÂNCIA IMPEDE AS BENÇÃOS DE DEUS.
Podemos tirar algumas conclusões claras e importantes do ensinamento da Bíblia, mostrando o porquê a falta de humildade impede as bênçãos de Deus. Considere como o orgulho é absolutamente oposto às qualidades e comportamentos que Deus quer que demonstremos.
Sem humildade, não serviremos a outros como deveríamos, porque aqueles que são arrogantes e egoístas querem ser servidos, e não servir.
Sem humildade, não seremos seguidores. Os orgulhosos querem ser chefes e cobiçam a posição e a influência de outros. Este foi o problema que Arão e Miriã tiveram em Números 12, e o mesmo pecado que custou as vidas de quase 15.000 pessoas, em Números 16.
Sem humildade não buscaremos realmente a verdade. O homem orgulhoso pensa que já conhece as respostas, e não quer depender de quem quer que seja, nem mesmo do próprio Deus. A arrogância também impede nosso entendimento da verdade. Se não queremos admitir a necessidade de mudança, ou não queremos aceitar o fato que alguma outra pessoa sabe mais do que nós, nosso orgulho será um bloqueio fatal para o estudo eficaz da Bíblia.
Sem humildade, não reconheceremos nossos próprios defeitos. Somos até capazes de enganar nossos próprios corações para não vermos nosso próprio pecado. Saul fez isto quando defendeu sua desobediência na batalha contra os amalequitas. Ele argumentou que tinha obedecido o Senhor e que o povo tinha errado (1 Samuel 15:20-21). Deus não aceitou esta desculpa esfarrapada, e não aceita a nossa.
Um outro problema relacionado com a arrogância e a falta de humildade é a dificuldade em aceitar a correção. Provérbios 15:31-33 mostra a conseqüência de tal orgulho: "Os ouvidos que atendem à repreensão salutar no meio dos sábios têm a sua morada. O que rejeita a disciplina menospreza a sua alma, porém o que atende à repreensão adquire entendimento. O temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e a humildade precede a honra." Provérbios 12:1 é mais direto: "Quem ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é estúpido."

O MODELO DE JESUS 
"Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus" (Mateus 18:3-4).
Outro exemplo dado por Jesus, ainda mais tocante, é registrado em João 13:1-17. Quando se preparavam para partilhar a refeição da Páscoa, Jesus aproveitou o momento para ensinar uma lição necessária. Os apóstolos jamais esqueceriam esta noite, e Jesus não perdeu a oportunidade para ensinar. Ele tomou uma toalha e água e foi, de discípulo em discípulo, lavando seus pés. Isto era, por costume, serviço dos servos mais humildes, mas aqui o Criador do universo estava se humilhando diante de simples galileus. Quando terminou, ele voltou-se para os apóstolos e perguntou? "Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. Ora, se sabeis estas cousas, bem-aventurados sois se as praticardes" (João 13:12-17).
Não é de se admirar que outros homens inspirados falassem da importância da humildade. Tiago disse: "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós... Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará" (Tiago 4:6)
“Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria.” Tiago 3.13.

A pergunta — "Quem entre vós é sábio e entendido?" — é de fato um desafio: se você diz ser sábio, demonstre sua sabedoria pelas obras que a verdadeira sabedoria produz. Muitos comentaristas acham que a pergunta de Tiago dirige-se especialmente aos mestres mencionados no versículo 1. Mas nem sophos (sábio, “pessoa sábia”) nem epistêmõn(“instruído”, “cheio de entendimento”) são aplicados como títulos ao mestre. Eles aparecem juntos várias vezes na Septuaginta, uma vez em referência às qualidades que os líderes devem possuir (Dt 1.13,15), mas também é aplicado a todo o Israel (Dt 4.6; Dn 5.12 aplica-os ao profeta). Está claro que Tiago considera a “sabedoria” uma virtude à disposição de todos (1.5), e mesmo 3.1 realmente não se dirige a mestres, mas àqueles que queriam se tomar mestres. Portanto, a exortação de Tiago é melhor compreendida como se fosse dirigida a todos os crentes em geral, mas especialmente àqueles que se orgulhavam de seu conhecimento superior.
      É necessário observar os três elementos que compõe o versículo: "Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria".
   Mostre pelo seu bom trato – (trato: tratamento; ajuste, pacto, tratado; convivência; passadio, alimentação; procedimento, modos, etc). Aquele que se sentisse sábio e entendido deveria ter uma boa convivência, bons modos e procedimento;
      As suas obras – ‘as obras’ constituem o motivo pela qual alguém se gaba; observe que ‘bom trato’ não é ‘boas obras’ (aquelas que são feitas em Deus), e que ‘boas obras’ também não é ‘as suas obras’, que o versículo faz referência; a pessoa que estivesse se gloriando deveria mostrar a sua realização (suas obras);
•Em mansidão de sabedoria – Porém, deveria demonstrar as suas obras segundo a sabedoria descrita no versículo dezessete: em mansidão de sabedoria que do alto vem.

“...sábio e entendido...”. (sophos kai epistemön). ‘Sophos’ se usa para definir o mestre prático (v.1), e ‘epistemön’ de um experto, uma pessoas destra e cientifica com um tom de superioridade.

Sabedoria é um assunto típico da literatura hebraica. Há três livros no Antigo Testamento que se enquadram na categoria de “livros de sabedoria”. 
Ao contrário do que acontecia com os gregos, a sabedoria para os judeus era sempre prática, vivencial e se focalizava em como aplicar ä vida as verdades de Deus. Por isso Tiago desafia seus leitores a mostrarem pelas suas obras que tipo de sabedoria eles têm.

UM NOVO CONCEITO DE SABEDORIA
Sabedoria em Tiago tem mais que ver com uma conduta que reflete a natureza e a vontade de Deus do que com um intelecto aguçado. Tiago lança um desfio: “Quem é sábio e tem entendimento entre vocês?” Tanto sabedoria como entendimento andam bem juntos. Sabedoria direciona os passos, e entendimento informa o destino das decisões. Segundo Tiago, ela é demonstrada pelo bom procedimento. A questão não é o quanto sabemos na nossa mente, mas quanto esse conhecimento é refletido no nosso procedimento.

Conforme Dibelius destaca, a exortação de Tiago à “pessoa sábia” parece desajeitada, pelo fato de ele combinar duas idéias nela: a sabedoria deve produzir obras e a sabedoria deve ser caracterizada pela humildade. A primeira idéia dá-nos uma forte lembrança da exigência anterior de Tiago, no sentido de que a fé se manifesta em obras. A verdadeira sabedoria, assim como a fé real, é uma qualidade prática e vital que tem a ver tanto (ou mais) com o modo pelo qual vivemos como com aquilo que pensamos ou dizemos. Neste sentido, Tiago é fiel ao conceito veterotestamentário da sabedoria como um modo de vida, a atitude e conduta típicas de uma pessoa piedosa. Mas Tiago está muito mais interessado na segunda ideia mencionada acima, as qualidades que devem ser manifestadas pela sabedoria. Em mansidão de sabedoria deve ser entendido como um qualificativo de obras\estas devem ser praticadas “em mansidão” que caracteriza a “sabedoria” ou nasce dela (vendo o genitivo como descritivo ou indicador de origem). Mansidão (praütês), na mente da maioria dos gregos, dificilmente era uma virtude a ser buscada: ela sugeria um rebaixamento servil e ignóbil. Mas Jesus, que pessoalmente foi “manso” (Mt 11.29), pronunciou uma bênção sobre aqueles que fossem mansos (Mt 5.5). Tal mansidão cristã envolve uma compreensão sadia acerca de nossa falta de méritos diante de Deus e uma respectiva humildade e falta de orgulho no trato com nossos semelhantes.

“Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade.” 3.14.

O problema encontra-se no coração do homem e a língua torna evidente este mal“...sentimento faccioso em vosso coração...”.
Este versículo demanda um exercício de interpretação de texto para uma melhor compreensão. Observe:

Uma pergunta – “Quem entre vós é sábio e entendido?”. O contexto nos mostra que só quem quer ser mestre se considera sábio e entendido;
Uma determinação a quem respondesse afirmativamente que é sábio e entendido – “Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria”. A determinação do apóstolo só é cabível a quem presume ser sábio e entendido; porém, a determinação é impossível de ser cumprida por quem se arroga na condição de sábio e entendido;

Uma conclusão – “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração...”. Este versículo é uma conclusão do apóstolo, e aponta os elementos que consta do coração daqueles que se acham sábios e entendidos. Observe que o argumento fica inconsistente quando se tenta combinar a primeira e a segunda parte do versículo ao se enfatizar a partícula ‘se’: “Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso...”, e;“...não vos glorieis, nem mintais contra a verdade”. O indivíduo pode se gloriar de uma alta posição, porém, jamais alguém vai querer se gloriar de ser invejoso e faccioso. A Bíblia Vida Nova da Editora Vida Nova reza o seguinte: “Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade”. Para enfatizar a partícula ‘se’, trocam o ‘não’ pelo ‘nem’, o que dá a entender que alguém se gloria em ser invejo e faccioso (‘glorieis disso’, disso o quê?).

A pergunta persiste: quem é sábio e entendido? Um sábio e entendido deve mostrar através do seu bom comportamento suas obras em mansidão de sabedoria. Quando alguém que se diz sábio e entendido não consegue cumprir com a determinação anterior, só pode estar acometido de amarga inveja e um sentimento faccioso no coração.

A determinação é clara e precisa: “...não vos glorieis nem mintais contra a verdade”.

Não vos glorieis – Com relação a gloriar-se, a primeira determinação do apóstolo é oposta: “Glorie-se o irmão de condição humilde (...) o rico, porém, glorie-se na sua insignificância...”; O apóstolo Tiago dá um bom motivo para os irmãos se gloriarem ( Tg 1:9 -10), e reitera que todos devem estar prontos a ouvir, tardios em falar ( Tg 1:19 ). Se alguém estava procurando a posição de mestre com a intenção de gloriar-se, a determinação é clara: não vos glorieis; pois os mestre receberão maior juízo ( Tg 3:1 ); a língua se gaba de grandes coisas ( Tg 3:5 ); e, quem entre eles era sábio e entendido, a ponto de gloriar-se? ( Tg 3:13 );
Muitos dentre os cristãos se sentiam mestres, sábios e entendidos, porém a sabedoria que neles estava não vinha de Deus ( Tg 3:1 e 13).

A pretensa sabedoria que alguns possuíam não era a sabedoria que vem do alto.
A sabedoria terrena, animal e diabólica é a que está vinculada à velha natureza. Eles ainda eram carnais ( 1Co 3:3 ).

v.16 "Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa".

A partir do v. 17, surge a descrição da sabedoria que vem do alto.
Vejamos rapidamente o que significa cada uma dessas características:

Pura é uma sabedoria que não está contaminada pelas imundícias que desagradam a Deus. Pura, em grego, hágnos e o sentido desta raiz contem a idéia de suficientemente puro para acercar-se aos deuses.  

Pacífica porque onde o Senhor está, há paz. A sabedoria diabólica , por outro lado, produz confusão e toda má obra. Moderada: o termo sugere moderação, equilíbrio, gentileza. É uma forma de autêntico cavalheirismo, é fazer aquilo que é justo, mesmo que isso implique em abrir mão de seus direitos.

A sabedoria divina é ainda cheia de misericórdia. A palavra aqui usada significa “compaixão pelos desgraçados”. Uma pessoa que tenha sabedoria que vem do alto terá profundo interesse pelas pessoas e irá se condoer com os que sofrem. Cheia de misericórdia e de bons frutos tem sido interpretado por alguns como uma redundância: os frutos que a misericórdia produz. No entanto, pode ser mais amplo. Não basta a misericórdia. Além dela, bons frutos devem ser apresentados. Sem parcialidade: a questão da acepção de pessoas tratada no capítulo 2 é aqui retomada. Quando na igreja há atitudes de favoritismo está havendo pecado.

Por tudo isso a sabedoria do alto é sem hipocrisia. A palavra “hipócrita” tem uma origem bem interessante: ela vem das peças teatrais gregas onde o ator representava uma personagem. O hipócrita é aquele que não age com sinceridade, mas toma suas atitudes de acordo com os seus próprios interesses do momento.

“Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz”. V. 18
Ao concluir este capitulo Tiago mostra através deste versículo um vínculo de conexão entre o que temos estado analisando e o que virá nos capítulos finais.
Mais uma vez Tiago tem que colocar nossa fé a prova, esta vez concernente à classe de sabedoria que manifestamos em nossa vida cotidiana.

O apóstolo Tiago chega a uma conclusão: o fruto da justiça semeia-se na paz! O que ele quis dizer?

Não se semeia o fruto, e sim a semente, pois devemos ter em mente que a semente dará o seu fruto no devido tempo. Ou seja, para se obter o fruto da justiça devemos lançar a semente na paz. Mas, qual é a semente que produz o fruto da justiça? Para se obter o fruto da justiça faz-se necessário semear a semente apropriada, que é a palavra de Deus ( 1Pe 1:23 ).
Nada bom pode crescer em um ambiente no qual as pessoas estão em constante rivalidade e desacordo.

CONCLUSÃO
Entendemos, que a sabedoria do alto é muito mais que um conhecimento profundo de Deus. Ela se desdobra em ações praticadas pela justiça, mediante um santo proceder, fruto de uma mente renovada pela graça de Deus. É uma sabedoria que não permanece estática diante da revelação de Cristo, mas que reage a essa revelação de maneira positiva, com o intuito de aprender dele para servi-lo. Ela às vezes pode confundir os que se deparam com ela (Mc 6:2), mas a ela ninguém pode resistir (Lc 21:15; At 6:10). Ela deve estar presente nos servos de Deus (At 6:3), como sabedoria dada por Ele (1 Co 1:17), porque somente o poder de Deus pode produzir em nós a verdadeira fé (1 Co 2:1-13). A sabedoria de Deus nos impede de cometer erros terríveis (1 Co 2:8) e nos traz pleno conhecimento dele (Ef 1:17).
A humildade, a pouca solvência faz parte do plasmar da verdadeira sabedoria oriunda de Deus.

Que sejamos sábios, que sejamos humildes, que sejamos SERVOS DO DEUS ALTISSIMO.

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Pr. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B.Th.M.Th.D.)

psimed2@yahoo.com.br

sábado, 19 de julho de 2014

FALSIFICAÇÕES

      Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; I Timóteo 4:1
      Temos vivido dias enganosos. Muitos têm sido enganados por falsificações, por fatos que aparentemente são reais, a tal ponto que, por eles, vão às ultimas conseqüências. Mas não são verdadeiros, são falsos, e esta é uma característica do diabo, de satanás, o pai da mentira, o pai da falsificação. E neste contexto as seitas são exatamente o que aparenta ser verdadeiro e por isso têm enganado a tantos. Como diagnosticar estas seitas?
      Primeiro, seria bom dizer que o surgimento de seitas no meio dos evangélicos é demonstração de que a igreja não está bem. Muitos estão com problemas graves e têm procurado a igreja, mas não têm visto solução para si mesmos; creio que aqui deva ser colocado o tradicionalismo evangélico, a ortodoxia (que, diga-se de passagem, é necessária) morta, a superficialidade cristã, a falta de conversão verdadeira, o comodismo, tudo isso tem feito as pessoas buscarem outro aconchego.
      No entanto é fato real que a grande maioria das pessoas está em busca de solução para os seus problemas, uma vida melhor, vida de paz, sem problemas, sem doença, mas são avessas às exortações, às recomendações de santificação; estão buscando pão como nos dias de Jesus. Vós me procurais não porque vistes sinais, mas porque comeste dos pães e vos fartastes. João 6:26.Aqui é que entra a seita, pois ela oferece ao povo exatamente aquilo que ele necessita (quer). E sevocê repreende alguém, recebe esta advertência: “Veja o bem que estou recebendo! Se me faz bem, deve ser de Deus!” Ou seja, se traz sucesso, solução, fez-me mudar de vida e traz felicidade, deve ser de Deus.
      É exatamente aí que satanás arma sua cilada e já tem dominado muitas vidas. Lembrem-se que muitas organizações que ridicularizam o cristianismo podem ajudar as pessoas e fazê-las felizes. Lembro aqui os psiquiatras e psicólogos ateus.
Eles podem trazer resultados muito bons, sem nada de orientação cristã. O próprio espiritismo tem trazido solução para muitas vidas; a yoga, o pensamento positivo e outros. Se você acha que tudo o que traz o bem pessoal é de Deus, saiba que já está caído diante do diabo.
      Como saber então se é de Deus? Como diagnosticar o problema? Seria bom inicialmente afirmar que o que importa ao homem não é o que ele sente, mas o seu relacionamento com Deus. Qualquer orientação que me faça ficar satisfeito, quando a minha relação com Deus está ruim, isto é do diabo. Era esta a situação dos fariseus.
      Mas há outros testes práticos que gostaria de colocar.
O modo como vem a “bênção”. Eles ensinam que se você obedecer a uma fórmula, pré-estabelecida, a bênção virá, a felicidade, a paz, a cura. E sempre é uma fórmula alheia às Santas Escrituras. Geralmente a idéia de uma visão que alguém teve, e daí é elaborado o sistema. Elas podem até citar as Escrituras, mas ao acaso, texto fora do contexto, e isso é transformado em pretexto. Compare isso com as grandes confissões de fé e credos do cristianismo. São todas sinopses da Palavra de Deus.
      Ali é enfatizada a grandeza e extensão da Bíblia. Como é diferente das seitas que apresentam apenas uma fórmula, uma fórmula mágica. ( Na igreja: ir à igreja, ou ler a Bíblia, ou orar).
Outro aspecto que é característico de uma seita é o testemunho pessoal.
      O que os sectários destas seitas falam é sobre sua vida, o que era e o que são agora. Que eram assim até entrarem para esta “igreja”, o seu problema está resolvido. Não ensinam as doutrinas fundamentais do cristianismo. Enfatizam apenas uma fórmula. Vejam que eles, ao enfatizarem seus testemunhos, começam com eles e terminam com eles, e não com Jesus como Senhor, apesar de citá-lo.
      Eles enfatizam apenas o que é prático. Negligenciam a doutrina. Dizem: “Vocês precisam é de algo prático”. Na verdade, porém, o que estão querendo dizer é que não é importante a doutrina. Mas não era assim que Paulo fazia na epístola aos Efésios; ele escreve os três primeiros capítulos nos quais a doutrina não é prática, é pura doutrina. E só depois do capítulo quatro é que a torna prática. Ou seja, primeiro o fundamento doutrinário, depois a prática. A ordem inversa é de grande perigo. É o que acontece com essas seitas.
Quero aqui realçar o perigo dentro das nossas igrejas. Hoje há uma tendência em se desvalorizar a doutrina.
      Teologia, doutrina, tudo soa muito intelectual, sofisticado (creio até que em algumas circunstâncias é verdade) e por isso é negligenciado.
      Há risco de seitas no nosso meio. Apesar de falar no Espírito Santo, não se acha que Ele é que vai realizar em nós o que Deus quer. Eles sempre afirmam que é você que pode fazer. Esquecem que é Deus que opera em nós tanto o querer como o efetuar.
Daí surgir a jactância, o orgulho, a satisfação própria. Há muita arrogância, pois são eles que conseguem realizar. A mudança foi devido a uma atitude tomada, uma conseqüência do seu esforço próprio. “Eu era assim, mas agora consegui isto...”
      Não estão entregues à vontade de Deus, mas seus interesses é que prevalecem.
      Este perigo também está em nossas igrejas e os que agem assim estão esquecidos do que disse Paulo: operai a vossa salvação com temor e tremor. Filipenses 2:12 - Mas eles dizem “não há nada o que temer”. Deus nos livre deste pecado da arrogância. É Deus que opera em nós a mudança. O mérito é dEle!
      Uma outra característica é que “a fórmula é muito simples”. Eles chegam a dizer que é um desperdício estudar tanto as epístolas, quando eles têm uma fórmula tão simples.
      As seitas têm todas as características dos remédios dos charlatães e toda a sua propaganda. “Eis aí o remédio que cura todos os males”. O pior é que não afirmam apenas que podem resolver todos os problemas, mas que podem resolver com facilidade.
      Mas não é isto que ensina o apóstolo Paulo quando diz: “em tudo somos atribulados, mas não angustiados, perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos...”
      Podemos ser vitoriosos, é verdade, mas não é fácil. Por isso ele disse também: “Nossa luta não é contra a carne e o sangue...” Temos de lutar contra poderes terríveis. Essa idéia de “fácil” é falsa à luz do Novo Testamento.
      Nesta linha de pensamento, outra característica semelhante das seitas é que elas oferecem a cura, a bênção, “imediatamente”. Já notou isso? É o método do “atalho”, e por isso conseguem tantos adeptos. Mas o que nos ensina o Novo Testamento é que estamos num mundo difícil, pecaminoso, dominado pelo diabo e seus anjos. Por isso precisamos de toda a armadura de Deus. Precisamos ser fortalecidos com poder pelo Seu Espírito no homem interior. Efésios 3:16.
      O homem moderno afirma: “Eu pensava que o cristianismo resolveria todos os meus problemas e endireitaria tudo imediatamente, mas agora me dizem que devo lutar, vigiar, orar, jejuar, suar... Não quero nada disso!
      Quero algo que solucione rápido o meu problema”. As seitas respondem: “Certo, naturalmente”. Observem que as seitas não ensinam crescimento na graça e conhecimento de Cristo; não falam emoperai a vossa salvação com tremor e temor. 2Pedro.3:18.
      Qualquer coisa que ofereça “atalhos” espirituais não é cristianismo da Bíblia. Mas as seitas perguntam: “O que você está precisando? Qual o seu problema?” E responde: “Venha. Nós podemos ajudá-lo”. E oferecem o remédio barato, fácil e rápido. Saúde, cura física, a bênção que soluciona todos os seus problemas.       Mas o método do Evangelho é muito diferente. A primeira coisa do Evangelho é o conhecimento de Deus. Está é a grande mensagem da Bíblia. Por que Cristo veio ao mundo?
    Para conduzir-nos a Deus, responde o apóstolo Pedro (1Pe.3:18).
   O Evangelho não começa com as minhas dores e penas, minhas necessidades de orientação ou minha afl ição. Começa por conhecer a Deus. Este é o objetivo do Cristianismo. A vida eterna é esta- Qual? Que eu não me aflija mais, ou que fique livre daquilo que me deprime? Não! - que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem enviaste. João 17:3. Se eu estiver correto com este pensamento, as outras coisas estarão resolvidas. O objetivo do Cristianismo é levar-nos ao conhecimento de Deus e do Senhor Jesus Cristo. As seitas não mencionam isto e também não falam de santidade. Podem até proibir muitas coisas nocivas, e dessa forma fabricar fariseus satisfeitos consigo mesmos. Mas a santidade não é algo negativo, e sim positivo - Sede santos, pois Eu Sou Santo - diz o Senhor. Não é apenas vitória sobre pecados particulares, mas é de fato ser santo. Eles não enfatizam isso.
Outra coisa que as seitas não falam é sobre a “esperança da glória”.
      O Novo Testamento nos fala da glória vindoura. Mas as seitas se propõem a ajudar as pessoas enquanto elas estiverem neste mundo, sem enfocar o futuro. “Você”, você é que está no centro, eles estão enfatizando a experiência e não falam da glória do céu, nem do novo céu e nova terra, onde habita a justiça. 2Pedro 3:13.
      Enfim, as seitas ficam apenas num estreito círculo no qual o homem está girando, girando e repetindo constantemente a mesma coisa. A “bênção” oferecida pelas seitas é bem diferente do que o Evangelho oferece. Abomino as seitas. Elas não passam no teste que é a Pessoa de Cristo.
      Todo movimento ou ensino que não faça do Senhor Jesus Cristo e Sua morte na cruz e Sua gloriosa ressurreição uma necessidade absolutamente central não é cristã e sim manifestação das “astutas ciladas do diabo”. Ou seja, qualquer ensino ou movimento que diga que você pode ter esta ou aquela benção sem primeiro crer no Senhor Jesus Cristo como o Filho de Deus, como Salvador de sua alma e Senhor de sua vida, e que sem Ele você não é nada, é uma negação das Escrituras, do cristianismo. Se o ensino ou movimento inclui maometano, budista, judeu e lhe oferece a bênção sem que eles reconheçam e confessem que Cristo, e somente Cristo, é o Filho de Deus e que Ele, somente Ele, pode salvar o pecador, porque ele morreu pelos nossos pecados, não é cristão! Essa bênção fora do evangelho é negação do cristianismo e devemos rejeitá-la. Não há acesso a Deus, não há conhecimento de Deus como Salvador e Libertador, exceto por meio de Cristo. As seitas são um insulto a Deus, a Jesus Cristo, não têm direito de existir. Se você acha que Jesus não é sufi ciente, e que deve ir após as seitas em busca de ajuda e “bênção”(cura, prosperidade...), você O está negando; você O está insultando. São as astutas ciladas do diabo.
      A fé que sustentou, fortaleceu e abençoou os santos no transcurso dos séculos, e que tem resistido a todos os testes que se podem conceber, é suficiente. Você não tem necessidade de seguir alguma idéia nova, moderna, que só passou a existir no século passado, ou neste. volte para a velha história, sempre nova e verdadeira. Volte para a fonte e origem de todas as bênçãos; volte para o Deus eterno e Seu Filho, nosso glorioso Salvador, o Senhor Jesus Cristo.
E o Espírito entrará em seu ser, e todas as suas necessidades serão supridas.

David Martyn Lloyd-Jones

Nota: Extraído do livro “O Combate Cristão" 
Fonte: http://www.a-palavra.org/2013/09/falsificacoes.html#more