sexta-feira, 23 de maio de 2014

MINISTERIO DE EVANGELISTA

  • Pr. Adaylton de Almeida Conceição
  •  
  • Introdução
  • TITULO – ευαγγελιστης euaggelistes.
  • É Interessante observar que nos textos de Romanos e Corinto o Apostolo Paulo destaca que o Deus Triuno distribui os dons, ou, as capacitações espirituais especiais, todavia, em Efésios o Apostolo destaca que o Deus Eterno distribui pessoas, veja:
  • E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores ... Efésios 4:11
  •  
  • Deus dá a suas igrejas, ao seu Corpo pessoas especiais para o realizar de sua obra. O que nos permite inferir que todas as Igrejas – necessariamente, necessitam de  pessoas com estas capacitações.
  • Nos meus comentários anteriores sobre o Apóstolo e o Profeta, já tínhamos enfatizado que estes dons foram dados por Cristo à sua igreja. O mesmo versículo onde aparece os Apóstolos e os Profetas, também está o Evangelista.
  • Evangelista (do grego Evangelistes), literalmente, proclamador de Boas Novas, ou mensageiro de boas noticias.
  • Os texto bíblicos abaixo mencionam o ministério e a pessoa do evangelista:
  • "No dia seguinte, partimos e fomos para Cesaréia; e, entrando na casa de Filipe, o evangelista, ( que era um dos sete, ficamos com ele." (At 21.8)
  • "E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres," (Ef 4.11)
  • "Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério." (2 Tm 4.5)
  • Os termos gregos traduzidos nas passagens acima para "evangelista" são:
  • - At 21. 8: εὐαγγελιστοϋ (euangelistou)
  • - Ef 4.11:  εὐαγγελιστάς (euangelistas)
  • - 2 Tm 4.5:  εὐαγγελιστοϋ (euangelistou)
  • Para que possamos entender o significado deste termo, é necessário que conheçamos o que significa o evangelho. O Evangelista é a pessoa que conhece por experiência própria as bênçãos do evangelho. É o evangelho do reino de Deus no coração dos homens.
  • É o Evangelho de Lucas que apresenta os dois motivos da grande alegria dos crentes, no principio e no fim do seu primeiro livro. “E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria,  que será para todo o povo” (Lucas 2.10). Também no fim do livro de Lucas, o Cristo ressuscitado abriu os olhos dos discípulos para que eles pudessem entender as Escrituras que explicam no evangelho da morte e ressurreição (Lucas 24.22-49).
  • O EVANGELISTA
  • O Espírito do Senhor está sobre mim, pois que me ungiu para pregar boas novas aos pobres; Ele me enviou para curar os quebrantados de coração, para proclamar liberdade aos cativos, a abrir as cadeias para aqueles que estão aprisionados; e proclamar o ano aceitável do Senhor,…” Isaías 61:1-2.
  • Este texto de Isaias  foi usado  na primeira mensagem pública de Jesus, o Evangelista por excelência. (Lucas 4.18).
  • Na história da Igreja Cristã não são muitos os registros sobre o modo de trabalho destes primeiros evangelistas.  Muitos desses missionários de quem não se tem registro, foram os responsáveis pela nova vivência com Cristo expandir-se para fora dos limites da Palestina.  Muito embora sendo desconhecidos seus nomes, o impacto causado pela sua pregação, que confrontava o paganismo reinante, foi tão grande que já nos anos 51/52 se registravam em Roma, tumultos havidos entre judeus que viviam na cidade e  estes desconhecidos anunciadores da fé cristã.
  • A perseguição sofrida por eles em nome de sua fé em Cristo foi, certamente, um dos motivos determinantes da disseminação do evangelho para fora dos limites de sua terra de origem.  A obstinação destes homens e mulheres, para muitas pessoas era como um sinal de loucura, era também motivo de admiração e até de conversão para outros.  A recusa deles em servir a outros deuses era considerado sinal de traição ou superstição, e surpreendia a muitos a fidelidade com que defendiam o nome de cristão, mesmo quando isto significava a morte iminente para aqueles que eram sinceros.
  • Na Segunda epístola a Timóteo, capítulo 4 verso 5, o apóstolo Paulo recomenda ao jovem pastor Timóteo que fizesse a obra de um evangelista como sendo uma forma de completar ou tornar mais efetivo o seu ministério.  Esta é uma discussão que nos chama a atenção de forma especial, visto que por algumas vezes somos levados a pensar que quando se fala no pastor e no evangelista, fala-se sempre de uma e da mesma pessoa.
  • O Apóstolo Paulo é muito claro quando escreve aos Efésios no capitulo 4 e versículo 11, onde fica enunciado a diferenças dos ministérios, ainda que os mesmos tenha a igual função de aperfeiçoar e edificar o corpo de Cristo.

  • Segundo o Dicionário VINE, "euangelistes (εὐαγγελιστής), literalmente, 'mensageiro do bem' (formado de eu, 'bem', e angelos, mensageiro), denota 'pregador do Evangelho' (At 21.8; Ef 4.11, que deixa claro a distinção da função nas igrejas; 2 Tm 4.5).
  • Alguns comentaristas questionam se o Evangelista  é uma função oficial da igreja ou apenas a atividade de alguém que evangeliza, que anuncias o evangelho.   Nós preferimos aceitar como está explicitado em Efésios 4.11,  como um dom específico ou ministério juntamente com os demais citado no texto.
  • É muito importante que saibamos que alguém chamado por Deus para o ministério ou serviço de Evangelista terá que preencher algumas qualidades fundamentais para o exercício da função.
  • Vida de santidade
  • “Ai de mim que vou sendo consumido, porque sou homem impuro e habito no meio de um povo de impuros lábios e meus olhos viram o rei,” (Isaías 6:5).  Sua impureza não lhe impediu de contemplar o Senhor dos exércitos.  Nossa impureza não nos impede de contemplar e experimentarmos a graça do Senhor em nossas vidas.
  • Certeza da salvação
  • Poderia parecer desnecessário falar a respeito disso, mas sem que se tenha uma experiência genuína e autêntica com Jesus Cristo como Salvador não há como se aplicar à evangelização.  Dizem as técnicas de venda que, se você não acredita no produto que vende, por consequência não conseguirá apresenta-lo com convicção.  Que diremos, pois, então em relação àquilo que é mais que um produto, que pode satisfazer necessidades passageiras e momentâneas, mas que pode nos garantir a eternidade na presença de Deus?
  • Dependência do Espírito Santo
  • A salvação só  pode  acontecer por obra do Espírito de Deus.  É Ele quem convence o pecador da necessidade de salvação (Jo. 16:7-8).  E esta é a diferença entre conversão e convencimento.  O alvo do  evangelista é alcançar vidas convertidas, arrependidas dos seus pecados e não apenas  convencidas de que lhes falta algo a ser alcançado.
  • Consciência  da sua missão
  • A ênfase dada ao ministério pastoral e do ensino é inquestionável em nosso meio.  A prática das igrejas relaciona o dom da evangelização sempre como característica do pastor.  Assim, não é prática comum associarmos o ministério de evangelização como pertencente à igreja local.  Em muitos casos, o evangelismo é apenas um departamento do organograma das igrejas, destinado a integrar aqueles que gostam de distribuir folhetos ou reproduzir nos lares a estrutura de culto que acontece no templo.
  • A missão do evangelista vai muito além disto.  Está na consciência do chamado de Deus para algo especial.  Manifesta-se na capacitação do Espírito Santo para fazer de cada ocasião uma nova oportunidade para apresentar as boas novas de salvação.  Identifica-se por saber que “nem sempre será para o lugar que eu quiser, que o Mestre haverá de me mandar”, por que é aqui que o Senhor me mandou desempenhar o meu ministério.
  • A vida pessoal do Evangelista
  • O ministério é uma árdua tarefa.  A natureza da vida cristã e o chamado para o ministério exigem integridade.  A crescente hostilidade e secularização de nossa sociedade acerca dos assuntos espirituais, a aceitação cada vez mais comum de padrões éticos inaceitáveis, bem como o desgaste daquela fé bíblica, dão lugar a um grande stress em nossas vidas pessoais, também.
  •  
  • O DOM DE EVANGELISTA
  • Evangelista é um vocábulo encontrado apenas três vezes no Novo Testamento. “Filipe o evangelista” (Atos 21.8).  “Ele mesmo deu uns para...evangelistas” (Efésios 4.11).  “Faze a obra de um evangelista..” (I Timóteo 4.5).
  • Podemos observar que a primeira referencia é a, um homem como evangelista,
  • a segunda é, ao dom de evangelista,
  • e a terceira, ao trabalho de evangelista. Um homem, um dom e o trabalho.
  • Apesar de que são poucas as referencias ao título de evangelista, este importante ministério esteve em grande evidencia na Igreja Primitiva.
  • Geralmente se admite que a base para o ministério de evangelista deve ser um ardente amor pelas almas e um irresistível desejo de ganhar aos perdidos para Cristo. Portanto, Evangelista é, uma dádiva de Cristo à Sua Igreja, para o importante trabalho de ganhar almas, e aperfeiçoar aos santos para a obra do ministério. Não é um ministério de segunda categoria como alguns creem. Também não é um degrau para o ministério de Pastor.
  • Filipe, o único homem em todo o Novo Testamento que foi chamado de “evangelista”, era um dos sete diáconos da Igreja Primitiva, um dos que foram dispersos pela perseguição que culminou com a morte de Estevão (Atos 6.5; 8.1-5).  Escolhido junto com Estevão, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, à Diácono.  A perseguição transformou o diácono Estevão em mártir, e conduziu a Filipe, também diácono, ao nível de evangelista. Nele, podemos encontrar duas qualidades que podemos destacar:
  • a.      Era um homem que sabia aproveitar os momentos de dificuldades e transformá-los em favoráveis à evangelização.
  • b.        Era um homem a quem Deus podia falar por meio dos anjos; que estava pronto a obedecer; estava apto a ser dirigido por Deus ( Atos 8.26-29). 
  • Pregava em Samaria com muita veemência, e multidões o assistiam e prestavam muita atenção no que ele anunciava, pois via os milagres acontecer em nome de Jesus Cristo, através da Palavra de Deus.  Não dispomos de nenhuma informação de que Filipe fora ordenado como Evangelista para Samaria. Entretanto, a chama divina ardente em sua alma o levava a anunciar a Cristo aos samaritanos.
  • Um verdadeiro Evangelista é sensível à voz do Espírito Santo.
  • Atos 8: 26-40:  Filipe estava sentado ou deitado, a Bíblia não nos relata com certeza como ele estava, mas o importante é que o Anjo do Senhor foi até ele e disse: Levanta-te e vai para região do sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserta(ou seja está sem a Palavra de Deus). No caminho encontra-se com um eunuco, alto funcionário da Rainha dos Etíopes, e Filipe correndo ao lado de seu carro disse: Entende tu o que lês? O homem respondeu que não, como poderia entender se ninguém o ensinasse. Então Filipe subiu no carro e começou a falar sobre o que ele estava lendo e ensinando a ele sobre a Palavra de Deus, e foi tão penetrante que o eunuco, após ter compreendido, viu um lugar onde havia água, perguntou a Filipe: O que impede que eu seja batizado? Filipe respondeu: É lícito se crês de todo o coração. Disse ele: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Então Filipe o batizou. E ao saírem da água, Filipe foi arrebatado e foi aparecer na cidade de Azoto, pregando e anunciando as Boas Novas do Evangelho de Deus.
  • Com Filipe aprendemos que:
  • O verdadeiro evangelista sempre é conduzido pelo Espírito Santo. O amor pelas almas o move, a vocação divina o inspira. Ele pode dizer como Paulo: “Porque se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho” ( I coríntios  9.16).
  • Alguns creem que são evangelista, simplesmente porque alguém diz que ele é evangelista, ou porque lhes deram uma credencial ou o título. Isto nada tem que ver com o verdadeiro ministério de evangelista. Algumas igrejas creem que “presenteando credenciais” vão agradar a alguns ou fazê-los sentir-se importante. Essa não é a forma correta de descobrir vocações para o ministério.                        
  • O verdadeiro Evangelista, mesmo sendo um grande instrumento das mãos de Deus para ganhar almas e contribuir para a formação de novas obras, nem por isso tem o direito de pensar que é independente do ministério ou denominação  de origem.
  • Os apóstolos foram informados de que Samaria havia recebido a Palavra de Deus (Atos 8.14). Foram a reconhecer oficialmente a nova obra, levando as normas doutrinais de integração na plenitude do Evangelho da graça. Nada se diz sobre o fato de que Filipe quis assumir a nova obra. A Igreja é do Senhor, não dos senhores.
  • Filipe plantou, Deus deu o crescimento da boa semente. Logo depois Filipe chama aos apóstolos para que venham regar. Filipe reconhecia que há diversidade de ministérios. Ele sabia que alguma coisa melhor poderia ser feita pelos apóstolos, ou seja, fundamentar e fortalecer a obra com a sã doutrina. Sabia que um membro do Corpo não pode prescindir dos outros nem exercer a função de todos.
  • O TRABALHO DE UM EVANGELISTA
  • No ministério de Filipe, temos um modelo muito importante. Vale a pena considerar alguns pontos do desenvolvimento do ministério de Filipe;
  • A Técnica de ensino moderno mais eficaz é o método audiovisual. É o meio mais fácil para que alguém possa entender uma explicação. É o que vemos no ministério de Felipe. Este é o que necessitamos ver no ministério da igreja em nossos dias. Ouvir e ver. “E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia, pois que os espíritos imundos saiam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados” ( Atos 8.6,7). Era o evangelho completo. Evangelho é nova de grande alegria. Filipe é o pregador do evangelho que pode usar este método.
  • As propagandas exageradas podem atrair multidões e depois afastá-las para mais longe. O poder de Deus atrai, transforma, liberta e enche de alegria.  Assim, temos a revelação clara de que o trabalho do evangelista  é feito com uma palavra de salvação e de poder, onde os milagres são visto de forma natural. É a proclamação da Palavra de Deus para libertar a alma e curar o corpo. 
  • A natureza e a pregação de Filipe. Essa era a explicação do motivo daquele maravilhoso êxito do ministério daquele homem de Deus; seu grande tema era o nome de Jesus, tanto para a salvação como para a cura das enfermidades. Isso nota que era algo peculiar, conforme vemos na grande cruzada de Samaria, e que volta a se repetir no seu encontro com o etíope, no caminho do deserto “...lhes pregava acerca do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres” (Atos 8.12). O seu método não mudou  com o etíope. “Então Filipe, abrindo a boca e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus” (Atos 8.35). 
  • O texto de 2 Timóteo 4.5, não diz que Timóteo era evangelista, entretanto, vemos a recomendação paulina ao seu filho na fé: “...faze a obra de um evangelista, cumpre tu ministério”. Isso revela que o Apóstolo Paulo via que este dom existia em Timóteo. Certamente Paulo viu algo especial em Timóteo relacionado com a maneira de evangelizar, apresentar as verdades eternas, o amor que ele tinha pelas pessoas e seu ardente desejo de trazê-los à Cristo.
  • Entendemos que o poderoso dom de evangelista não é comum a todos os cristãos, porem a responsabilidade de pregar o Evangelho a toda criatura, essa sim, deve ser comum a todos os salvos; a todos os que amamos a Deus e Sua obra. 
  • O EVANGELISTA é um Ministro de Deus, não é um ministério de segunda classe ou um degrau para assumir um ministério pastoral (como é usado em muitas denominações). É um ministério especial e específico dado por Deus, para a realização de um trabalho especial.
  •                     Pr. Adaylton de Almeida Conceição (Th.B. Th.M. Th.D. D.D.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradeço e será um prazer receber seu comentário que depois de aprovado será publicado.