quarta-feira, 10 de julho de 2013

Cruz e Quebrantamento


Uma das grandes ênfases do reino de Deus é que, se pretendemos ministrar e produzir frutos nele (ou seja, se pretendemos fazer) precisamos primeiramente ser. Diferentemente da totalidade das ocupações humanas, ministrar no reino depende mais daquilo que eu sou em Deus do que daquilo que eu sei.
Em todo o Novo Testamento, o tema da cruz ocupa um lugar central. Nesta matéria, vamos procurar analisá-lo, juntamente com outro assunto que forma par com ele e na realidade o completa: o quebrantamento. Poucas verdades têm sido tão mal compreendidas como estas, e poucas são tão importantes para nossa vida e ministério. Vamos estudá-las com o coração cheio de expectativa quanto àquilo que o Espírito Santo pretende operar em nós à partir da revelação que receberemos.
A cruz na vida de Jesus
Fp 2:5-8 Este texto nos descreve, de forma clara, a atitude que o Senhor Jesus teve.
Fp 3:7-11 Aqui, vemos a mesma atitude, agora manifesta não por Jesus, mas por seu discípulo, Paulo.
Em ambos os casos, assistimos à operação do mesmo princípio, o princípio da cruz.
Este pode ser um assunto pouco popular, mas temos problemas quando perdemos de vista a sua centralidade.
Jesus teve uma regra em seu ministério: só ensinou o que praticava. Jamais ele ensinou alguma verdade que não tivesse ilustrado com seu próprio exemplo. Jesus apresentou, sempre, o mais alto nível de coerência possível.
Para Jesus, a cruz era um estilo de vida.
Onde começou a cruz?
Ap 13:8 Há um grande mistério nesta referência ao "cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo". Este texto nos mostra que, na realidade, a cruz não começou no início daquela semana final; nem no início do ministério de Jesus; nem com sua encarnação. A cruz começou na eternidade passada, quando Deus o Filho ofereceu-se a si mesmo para resgatar a humanidade, quando, em resposta aos planos do Pai, ele se propôs redimir aquele povo que iria cair em pecado. Essa é a sabedoria de Deus, oculta em mistério, de que fala 1 Co 2:7.
Fp 2:5-8 Vemos aqui como a cruz, que se iniciou nesse oferecimento do Filho, prosseguiu no ato concreto do seu despojamento. Esse despojamento ocorreu na encarnação, quando o Senhor deliberadamente escondeu os sinais da sua glória, despiu-se dela, e se revestiu com a nossa humanidade - não a nossa humanidade cheia de glória, mas a nossa humanidade sujeita a lutas, fraquezas, cansaços e tentações.
Quando acompanhamos os relatos do NT sobre a vida de Jesus, encontramos a cruz a todo instante: na infância certamente pobre e difícil, no trabalho árduo como carpinteiro; no ministério cansativo pelas estradas poeirentas da Judéia e Galiléia; no contato diário com a dor alheia, com a morte, com as doenças, com o pecado - a ponto de um dia, mostrando plenamente a sua humanidade, o Senhor ter suspirado: "Ó geração incrédula e perversa! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei?", Mt 17:17.
À partir de um determinado instante, no ano final de seu ministério, vemos Jesus firmemente decidido a encaminhar-se para Jerusalém, consciente do que haveria de se passar lá. Ele já vinha ensinando seus discípulos há algum tempo com relação à necessidade da sua morte e ressurreição, bem como recusando toda pretensão a ser algum tipo de soberano político em Israel. Ele compreendia qual a finalidade da sua vida. Quando os samaritanos o viram, nessa caminhada final para a cidade que matava os seus profetas, recusaram-se a recebê-lo, porque ele decididamente tinha a aparência de quem ia para Jerusalém, cf. Lc 9:53.
No Getsêmani, no fim daquela semana difícil, cheia de confrontos com os líderes religiosos, assistimos a uma crucificação tão dura quanto aquela que ocorreria no dia seguinte: ali, prostrado diante do Pai, em oração, Jesus crucificou seu ego: "Pai, se possível, passa de mim este cálice". Ele se referia não apenas aos tormentos físicos da cruz, mas também à própria ignomínia da morte. O Autor da vida iria provar a morte! "Todavia não seja como eu quero, mas como o Senhor quer", cf. Lc 22:42.
Com essas palavras a cruz veio de fato. Ele poderia escapar; poderia exigir a presença libertadora de milhares de anjos. Mas não fez isso. Jesus sujeitou-se aos desígnios do Pai.
As cenas que se seguem - os julgamentos, os açoites, a caminhada humilhante até o Calvário, os pregos que furam mãos e pés, a agonia da separação de Deus, o peso sobre si dos pecados de todos os homens, a morte - eram a finalização de um processo de crucificação que tinha tido seu início muito, muito antes.
A cruz na vida do discípulo
As Escrituras nos trazem um ensino consistente acerca da centralidade da cruz na nossa experiência.
Mt 16:24 Somente Jesus poderia morrer na cruz por nossos pecados. Jamais poderíamos fazer nada a esse respeito. Mas ao ensinar seus discípulos, Jesus constantemente falava sobre o negar-se a si mesmo e tomar a sua cruz.
Mt 16:24-28 Já vimos que a condição para ser discípulo de Jesus é a disposição em imitá-lO numa vida de renúncia à própria vontade.
Mt 16:25 Jesus esclarece aqui o princípio da cruz, mostrando que, no reino de Deus, quem luta por preservar sua vida acaba perdendo-a; e quem perde sua vida por amor de Jesus, ganha-a.
Mt 16:28 Jesus está dizendo aqui que uma visão do reino pertence apenas àqueles que assumem o compromisso firme de seguir a Jesus. Não é na multidão que estão as pessoas que "verão vir o Filho do homem no seu reino". É entre os discípulos!
Discípulo é aquele que imita. Ninguém pode ser discípulo de Jesus se não se dispuser a imitá-lo. Ora, como vimos, a vida de Jesus foi marcada pela cruz. O tempo todo Jesus negou seus direitos e privilégios, num processo contínuo de entrega da própria vida.
A Palavra se refere aos nossos direitos naturais, nossos apelos, nossos desejos, nossos planos, nossas metas - tudo aquilo que nutrimos, acariciamos, amamos, desejamos, mas que não se conforma à vontade de Deus para nossas vidas.
Jo 5:30 A cruz, para Jesus, foi a entrega completa do controle da sua vida ao Pai. Jesus decidiu não fazer nada a não ser a vontade do Pai. Da mesma forma, quando a Palavra nos ensina a tomarmos nossa cruz, está falando acerca da entrega absoluta do controle de nossa vida ao Senhor.
Lc 9:23 O texto frisa: "dia a dia tome a sua cruz". Quando nos convertemos, confessamos a Jesus como Senhor de nossa vida (Rm 10:9); somos tentados constantemente, no entanto, a reassumir esse controle. Tomar a cruz, portanto, é um ato diário de submissão ao Senhor.
Realidades espirituais operadas pela cruz na vida do discípulo
Fp 3:10 A cruz aparece neste texto como fato central que gera em nós uma série de importantes realidades espirituais.
"Para o conhecer..." Paulo não está falando de sentimentalismo aqui. Está falando de conhecer a Jesus na base de um relacionamento pessoal, direto.
Nem todos estão dispostos a conhecer a Jesus quando compreendem o que isso significa de verdade.
Não é possível apenas conhecer a Jesus. O texto nos mostra que conhecemos a Jesus juntamente com o poder da sua ressurreição e a comunhão (participação) dos seus sofrimentos, e à medida em que nos conformamos com ele (tomamos sua forma, ficamos parecidos com ele) na sua morte.
Trata-se de um "pacote" cujas partes componentes não podem ser separadas.
Não podemos simplesmente escolher a "parte" do evangelho que mais nos agrada, e esquecer o resto.
Existe uma ordem lógica na declaração de Paulo no v. 10. Isto é evidente.
  • conhecer a comunhão dos seus sofrimentos e a conformação com ele na sua morte;
  • conhecer o poder da sua ressurreição;
  • conhecê-lo (significa plena intimidade com Jesus).
O porque dessa ordem é claro. Só pode haver ressurreição depois da morte. É quando nos conformamos com Jesus na sua morte, ou seja, quando aprendemos a viver o princípio da cruz, que podemos provar o poder da sua ressurreição - e quando isso ocorre, podemos relacionar-nos intimamente com ele.
Fonte:http://www.igrejasermaodamontanha.com.br/

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