segunda-feira, 3 de junho de 2013

Números, números, números...


Uma crítica às grandes passeatas brasileiras
      Há algum tempo, fui convidado para dar uma palestra — não me pergunte: "Onde?" — e, a caminho do evento, o organizador me ligou e disse: "Olha, o ginásio está lotado. Há mais de cinco mil pessoas querendo ouvi-lo". Fiquei com um misto de entusiasmo e preocupação, ao ouvir isso. Mas, ao chegar ao local, fiz uma rápida contagem (usando as técnicas que aprendi com o saudoso pastor, pregador e amante dos números reais, Valdir Nunes Bícego) e constatei que os números apresentados eram "evangelásticos". Não havia sequer mil pessoas no local, que tinha capacidade para 1.500!

      Ontem, em São Paulo, ocorreu a maior Parada Gay do mundo, que recebeu — antes, durante e depois do evento — uma cobertura mais que especial da grande mídia. A organização da megapasseata afirmou que, pelo menos, cinco milhões de pessoas passaram pela Avenida Paulista... Wow! Mas, segundo pesquisa Datafolha, os supostos milhões foram "apenas" 220 mil, número menor que o do ano passado (270 mil), com uma redução de 18,5%.

     Na semana passada, em algumas Marchas para Jesus, em diferentes cidades brasileiras — passeatas que, em muitos casos, o nome do Senhor é pronunciado em vão —, muitos ufanistas também transformaram dezenas de milhares em milhões. Fica a impressão de que existe uma disputa entre certos movimentos evangélicos e ativistas gays, a fim de se verificar quem tem maior representatividade.

Sinceramente, a despeito de serem milhares — e não milhões — de pessoas reunidas, nas mencionadas passeatas, gostaria muito de ver essas grandes multidões não apenas buscando legitimidade e afirmação. Seria muito bom que milhares de pessoas fossem às ruas para condenar a onda de violência, a corrupção, o descaso pela vida humana, a situação caótica dos hospitais públicos, a precariedade da educação, etc.

Afinal, enquanto muitos vão às ruas para dizer que têm orgulho de ser isto ou aquilo — o que é um direito que lhes assiste —, a segurança, a saúde, a educação, os transportes, a civilidade, etc. continuam sendo uma vergonha... Até quando?


Ciro Sanches Zibordi

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