sexta-feira, 14 de junho de 2013

A ERA DOS INSATISFEITOS

Insatisfação com o emprego… reclamação com a escola… decepção com pessoas… queixume com os filhos… murmuração com os acontecimentos da vida… murmuração com a comunidade de fé… Adolescentes entediados, esposas frustradas, maridos desanimados. Esta é uma geração de insatisfeitos.
Insatisfação gera cobranças, destrói relacionamentos, e inventa culpados. Refiro-me à murmuração crônica, repetitiva, padronizada, que já não consegue enxergar beleza em nada, nem extrair prazer das coisas boas.
Ao contrário do que se imaginava no passado, a tecnologia e as facilidades do mundo pós-moderno não nos tornaram pessoas mais felizes.
Eliminando-se a hipótese de um diagnóstico de “anedonia”, que é a incapacidade de sentir qualquer forma de alegria, é preciso ter coragem para buscar a origem desses sentimentos.
Embora às vezes pareça estar no mundo exterior, na maioria das vezes reside dentro de nós.
E quando fatos desagradáveis acontecem, e as orações demoram a ser respondidas, logo essa murmuração é dirigida também a Deus.
Há hoje espalhados pelo mundo um exército de “decepcionados” com Deus, pois Ele “permitiu” que acontecessem certas coisas que deveria ter impedido, ou não respondeu as nossas orações da forma esperada.
Muitos mostram desgosto com Deus porque Ele não se “comporta” da maneira que se espera de um Todo-Poderoso, permitindo que coisas desagradáveis nos sucedam.
Quando temos mais coisas a pedir ao Pai que agradecer significa que, na minha visão, Ele está sempre “devendo” alguma coisa que ainda não supriu.
Na verdade, quando se desconhece o caráter do Deus revelado nas Escrituras e o seu papel na História e na minha vida, é fácil ficar desapontado.
Jesus mostrou aos religiosos de sua época a eterna insatisfação em que viviam: “Nós vos tocamos flauta, e não dançastes; entoamos lamentações e não pranteastes” (Mt 11.17). 
Ou seja, quer Jesus realizasse milagres, ou quer João Batista pregasse, não havia reação positiva, eles permaneciam insatisfeitos.
Creio que a “praga da murmuração” sempre esteve presente junto ao povo de Deus. Na passagem pelo deserto foi-lhes dado a comer do maná, mas o povo preferia claramente as carnes do Egito. E murmuraram….
O problema não era o maná em si, mas o estômago de quem comia o maná. Lição: Aquilo que Deus dá, muitas vezes não vai agradar ao paladar acostumado com a dieta do Egito.
A contrariedade e o aborrecimento com as pessoas que nos rodeiam, logo pode ensejar um pensamento de afastamento delas: “Ó Deus, em ‘algum lugar’ deve haver gente mais amável, mais solícita, e que mereça a minha presença….”.
Quando temos dificuldade em aceitar a falibilidade do outro e a incapacidade do próximo de gerar satisfação para mim o tempo todo, eu me decepciono.
É por isso que se torna quase impossível agradar a um insatisfeito contumaz, pois a queixa dele não é somente pelo que você “faz”. Em última análise, a insatisfação recorrente é uma doença dos olhos, é um “não-estar-presente-aqui”, pois a alma está vagando sonhadora em algum lugar.
Talvez o personagem bíblico mais mal-humorado e insatisfeito, tenha sido o profeta Jonas. Sua cruzada evangelística havia sido um sucesso, e sua pregação convertera toda uma cidade. Nenhum profeta jamais conseguira tal feito. Era para estar feliz. Mas não estava. Havia uma predisposição interior que o impedia de se alegrar.
Assim como Jonas, muita gente hoje que está vivendo na insatisfação, costuma dizer: “Melhor me é morrer do que viver” (Jn 4.8).
O Eterno lhe passa então uma reprimenda: “Jonas, é razoável esta tua ira?”.
Talvez o Deus da Vida também esteja nos perguntando: “É razoável a tua murmuração… o teu desprazer… o teu olhar de enfado… em que nada está bom?”
Considere-se também repreendido pelo Pai…

Daniel Rocha, pastor
FONTE:  http://pastordanielrocha.tumblr.com/page/3

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