sexta-feira, 31 de maio de 2013

Perecendo no deserto

  1 Coríntios 10:1-12
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“Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo. Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto.” (1 Coríntios 10:3-5)
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No verso 11 da passagem em coríntios lemos: “Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado”. Que coisas? Os versos anteriores respondem: “não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.” (vers. 6b); “Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: O povo assentou-se para comer e beber e levantou-se para divertir-se.” (vers. 7); “E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil.” (vers. 8); “Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram” (vers. 9a); “Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador.” (vers. 10). Lembremos que “todos eles comeram de um só manjar espiritual… Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto.” (vers. 3,5).
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 “Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós,” (vers. 6a) para que sejamos perspicazes. David Roper definiu “perspicaz” da seguinte maneira em seu estudo sobre o profeta Elias: “perspicaz significa capaz de compreender os significados, descobrir lições, seguir e viver de acordo com essas lições”. As lições que precisamos buscar são aquelas que Senhor nos apresenta e nos revelou pela Sua soberana e infalível Palavra.
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“Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (vers. 12), ou seja, não caia nos mesmos erros dos antigos – registrados nesta passagem de coríntios – e venham a perecer no deserto. Eles estavam saindo da escravidão no Egito rumo à terra prometida, mas devido as suas constantes transgressões, ficaram pelo caminho. Daquela geração, apenas Josué e Calebe entraram em Canaã (Números 14:29,30).
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O apóstolo Paulo nos exortou a não cairmos nos mesmos erros cometidos pelos israelitas. Eles foram salvos por Deus da escravidão no Egito, mas abusaram da paciência do Senhor no percurso a terra que Ele jurou dar aos seus antepassados. Os erros são claros:
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1 – “Não cobicemos as coisas más” (vers. 6b): – Não fiquemos com o desejo ardente de possuir coisas que não nos convém como cristãos. Pelo contrário, que busquemos “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama” e “se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe” o nosso pensamento (Filipenses 4:8).
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2 – “Não vos façais, pois, idólatras” (vers. 7a): – Muitos deixam as imagens de escultura e os ídolos mudos da falsa religião, mas esquecem de abandonar aqueles “ídolos” pessoais – coisas e pessoas – que ainda tomam o primeiro lugar em suas vidas. Se Deus e os seus interesses ainda não são a primazia para nós, ainda não entendemos o chamado de Cristo: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lucas 9:23). Ele também disse: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:26,27). “Portanto,… livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hebreus 12:1,2a – NVI).
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3 – “E não pratiquemos imoralidade” (vers. 8a): – Na segunda parte do versículo 8 diz que “caíram, num só dia, vinte e três mil” por causa da imoralidade praticada. É para brincar com esta área? Definitivamente não! Mas devemos saber que é algo que assombra e pode derrubar muitos que querem seguir fielmente ao Senhor Jesus. O apelo carnal é muito forte na área sexual, e atualmente é amplamente explorada pelo inimigo através de diversos mecanismos, a começar pela mídia televisiva e agora também, explicitamente exposta na Internet. Todo o cuidado é pouco. Devemos na verdade é “fugir” como fez José ao ser assediado pela esposa de Potifar, oficial de Faraó (Gênesis 39:6-12). Se quisermos enfrentar esta luta pelas nossas próprias forças, com certeza cairemos, mas com a ajuda de Deus é possível vencer (1 Coríntios 10:13). Paulo disse: “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo” (1 Coríntios 6:18).
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4 – “Não ponhamos o Senhor à prova” (vers. 9a): – O diabo, quando estava com Jesus no deserto tentou induzi-lo a colocar Deus a prova quando disse: “Se és o Filho de Deus, atira-te daqui abaixo” (Lucas 4:9). Jesus o repreendeu dizendo: “Não tentarás o Senhor, teu Deus” (Lucas 4:12). Colocar Deus a prova é testar o seu caráter e poder. Quem crê realmente em Deus não precisa comprovar o caráter santo e o seu infinito poder. O inimigo conhecendo as escrituras, as citou para testar Jesus: “Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra” (Mateus 4:6). Quantos não usam erroneamente as escrituras, determinando assim, seu próprio fim. O diabo usou as escrituras para o mal e para fazer tentações. Porém devemos usá-las para o bem e para exortar, repreender e admoestar a todos a seguirem e obedecerem a Jesus, o Senhor, com temor e tremor (Filipenses 2:12,13).
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5 – “Nem murmureis” (vers. 10a): – Murmurar é difamar, cochichar, resmungar, queixar-se em voz baixa ou conversar às escondidas de alguém. A continuação do versículo diz que os murmuradores foram “destruídos pelo exterminador”. Muitos tem se queixado de Deus por causa das coisas que afetam as pessoas, como a violência sem precedentes e as catástrofes naturais. Jesus disse que “no mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16:33b). Estas palavras do Senhor foram ditas para consolar seus discípulos quanto à perseguição que sucederia após a sua morte por serem seus leais seguidores, mas podemos aplicá-la também a outras aflições que passamos neste mundo corrompido pelo pecado. Devemos lembrar que Deus criou um mundo perfeito, mas com a entrada do pecado, a criação tem sido afetada ao longo dos anos. Não creio que Deus criou o ser humano para ser destruído, mas para viver em harmonia com Ele pela eternidade. Porém, o homem recusou essa dádiva, preferindo desobedecer a uma ordem clara do Senhor; ali se deu a queda humana e de toda a criação. Em Hebreus lemos que “não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (4:13). Deus pela Sua onisciência e onipresença, sabe de todas as coisas que tem acontecido, desde a criação do mundo. Ele sabe dos pensamentos, das intenções, dos atos de bondade e das maldades de cada ser humano. Ele sabe das alegrias e das tristezas; das vitórias e das derrotas, das conquistas e das aflições de cada um de nós. Ele sabe de tudo o que tem acontecido de bom e de mal na terra e como diz a passagem de Hebreus, “todas as coisas estão descobertas e patentes” aos seus olhos. Precisamos é confiar nEle e saber que Ele pode pelo seu eterno poder nos livrar de todo mal. Porém, mesmo que sejamos fiéis a Ele, passaremos por aflições e tribulações neste mundo, como o próprio Senhor Jesus disse, mas o importante é saber que a nossa alma, o nosso maior tesouro, está assegurada eternamente nas mãos do Deus Todo Poderoso.
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Os antigos “comeram de um só manjar espiritual”, mas “Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto” (vers. 3,5). Os israelitas sofriam amargamente no Egito como escravos de um povo pagão. Deus em sua misericórdia e amor cumpriu a sua promessa feita aos seus antepassados que faria deste povo uma grande nação; a nação que carregaria o nome do Senhor. Não contentes com as dádivas de serem libertos da escravidão e terem Iavé como seu único Senhor e Deus, eles preferiram os tempos como escravos, esquecendo-se do sofrimento e opressão exercida por seus antigos senhores. Eles também, além de murmurarem, se voltaram para idolatria, cometendo toda forma de abominações como as que vimos pela passagem da primeira carta do apóstolo Paulo aos coríntios. Não podemos esquecer que de toda aquela geração que saiu da escravidão no Egito, apenas dois entraram na terra prometida, além é claro, dos descendentes.
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De igual forma, hoje os cristãos também tem a promessa de Deus de habitarem numa “terra prometida”; um novo lar, a pátria celestial (Filipenses 3:20,21). Deus na Sua infinita misericórdia, vendo o nosso sofrimento sob a escravidão - mas uma escravidão espiritual - enviou um Libertador, igualmente prometido em épocas passadas. Éramos escravos do pecado, mas Deus por meio de Cristo, o Salvador, nos libertou dessa escravidão. “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1:13). Jesus faz o Seu chamado e quem atende, arrependido de seus pecados e passa pelo “lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” é “justificado” pela sua graça, e assim se torna seu herdeiro, “segundo a esperança da vida eterna” (Tito 3:5,6). Tornamo-nos assim, peregrinos em “terra estranha”, pois a nossa pátria, passa ser a pátria celestial e não mais este mundo corrompido pelo pecado. Porém, assim como os antigos, podemos ficar pelo “deserto” deste mundo, cedendo aos apelos constantes dos prazeres da carne e da impiedade. Podemos experimentar das delícias espirituais (1 Coríntios 10:3,4), mas se não as valorizarmos, retornando a escravidão do pecado, cedendo aos seus “encantos”, com certeza pereceremos como muitos pereceram sem entrar na terra prometida.
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“Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo. Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto. Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós” (1 Coríntios 10:3-6a).
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Que possamos usar estes exemplos que o Senhor deixou pelas sagradas escrituras e valorizar o que tem valor e refugar o que não tem valor em nossas vidas (Filipenses 3:7-11). E ao contrário dos antigos, possamos agradar a Deus nos submetendo ao senhorio de Cristo e obedecendo sem hesitar a Sua soberana e única vontade para a sua honra, glória e virtude.
Fonte: http://simplesmentecristao.com/2010/09/27/perecendo-no-deserto/

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