sexta-feira, 31 de maio de 2013

Malaquias

Um alerta a nós

Após a conscientização de que o contato com a linguagem utilizada por Malaquias também pode transmitir ou enfatizar uma idéia, passemos ao próximo ponto.

“E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram” I Co 10. 6.

“Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” I Co 10. 11.

“Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus” Hb 9. 24.

Para prosseguirmos em nosso estudo precisaremos observar o alerta de Paulo aos cristãos da igreja em Corintios.

O objetivo do apóstolo Paulo é alertar os cristãos, mas deste alerta nos cabe uma grande lição.

O apóstolo demonstra que todos aqueles que saíram do Egito passaram pelas mesmas experiências. Todos foram batizados na nuvem e no mar; todos comeram da mesma comida; todos beberam da mesma bebida, mas Deus não se agradou da maioria deles.

Por quê? Por que todos os homens que saíram do Egito, exceto dois, não puderam adentrar a terra prometida? Todos não beberam da mesma água e não comeram da mesma comida? Nm 14. 30.

O que ocorreu com o povo de Israel serve de alerta para as nossas vidas, ou seja, ‘estas coisas foram-nos feitas em figuras’ e estão escritas para aviso, para que não venhamos a incorrer em erros I Co 10. 1- 6.

E quanto ao povo de Israel, o povo que nos serve de figuras?

Todos os elementos que estão presentes na história dos patriarcas e de Israel nos transmitem mensagens por figuras.

O fato de Israel ter estado debaixo da nuvem e ter passado pelo mar demonstram que todos foram batizados em Moisés I Co 10. 1; o fato de todos comerem da mesma comida e beberam da mesma bebida representa que todos se tornaram participantes de Cristo I Co 10. 4.

Moisés ao construir o tabernáculo no deserto seguiu um modelo, figura do verdadeiro tabernáculo que estava nos céus “Estava entre nossos pais no deserto o tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto” Atos 7. 44.

Quase todos os elementos que foram apresentados no Antigo Testamento contêm uma idéia transmitida por figuras.

A primogenitura apresenta uma das mais importantes das figuras bíblicas.

Quando Moisés construiu o tabernáculo, o fez com base em um modelo; a lei não apresentava a imagem exata das coisas, antes era só uma sobra das coisas futuras “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” Hb 10. 1.

E o que a primogenitura nos apresenta? Após entendermos a primogenitura, poderemos verificar a que se refere esta importante figura bíblica.

As figuras fazem referência a bens futuros e eternos. Nestas figuras contém elementos que nos faz perceber certos aspectos pertinentes ao que é permanente (eterno).

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” Rm 8. 29.

Sabemos que Deus faz todas as coisas segundo o seu propósito. Deus propôs fazer convergir em Cristo todas as coisas para louvor de sua graça e glória.

Ao falar do propósito eterno de convergir em Cristo todas as coisas na plenitude dos tempos, Deus falou ao rei Davi assim: “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” II Sm 7. 14. Ou seja, Deus demonstra a Davi qual seria a relação entre Deus e o descendente de Davi.

Deus estabelece a relação de Pai e Filho ao falar de Jesus ao rei Davi. Por que Deus estabelece esta relação? Porque antes de existir mundo, na eternidade, não havia a relação Pai e Filho na divindade. Mas, ao ser introduzido o ‘Deus forte’ no mundo dos homens, passou a existir a relação Pai e Filho.

Quando na glória, sabemos que Cristo criou todas as coisas “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” Cl 1. 16- 17, mas ao ser introduzido Cristo no mundo, pela relação que estava pré-estabelecida na eternidade, é dada a ordem: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” Hb 1. 6.

Por que se fez necessário se estabelecer a relação de Pai e Filho quando o ‘Deus forte’ foi introduzido no mundo? “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” Is 9. 6. “Os restantes se converterão ao Deus forte, sim, os restantes de Jacó” Is 10:21.

Porque Cristo é o unigênito do Pai, mas havia em Deus o propósito eterno de fazê-lo primogênito de toda a criação. Sabemos que Cristo é o unigênito de Deus em poder e glória, e isto não será alterado ao longo da eternidade, pois a ele glória e majestade para o todo sempre.

Mas, para que Cristo se tornasse o primogênito de toda a criação, torna-se premente a existência de irmãos. Não há como existir a primogenitura se há só um Filho.

Aqui se revela a multiforme sabedoria de Deus, em que Cristo foi feito um pouco menor que os anjos, porém todas as coisas lhe são sujeitas; e, por meio de Cristo, Deus trouxe à glória muitos irmãos (que somos nós, a igreja), cumprindo-se o propósito eterno de Cristo ser o primogênito de toda a criação.

Como? Quando Cristo ressurgiu dentre os mortos, Ele tornou-se o primogênito dentre os mortos, e quando o cristão morre e ressurge com Cristo, também se torna um dos filhos de Deus, e Cristo vindica a posição sobre excelente de primogênito.

Por quê? “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” Hb 2. 10.

Por meio de Cristo tudo existe, mas convinha que Ele levasse à glória muitos irmãos, ou seja, filhos gerados de Deus. Como conseqüência direta de Jesus ter introduzido muitos filhos à glória, passou a existir a preeminência de Cristo: o primogênito dentre os mortos: “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” Cl 1. 18.

Todos os que estão em Cristo, ou seja, que morreram e ressurgiram com Ele, não possuem alternativa. Haverão de ser filhos de Deus, predestinados, serão conforme a imagem de Cristo, com o único objetivo de Cristo ser primogênito dentre muitos irmãos “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” Rm 8. 29.

Em decorrência destas verdades eternas é que se estabeleceu o direito de primogenitura. No primeiro momento temos a impressão que o direito de primogenitura não tem relação com estas verdades eternas, porém ao observarmos as declarações do apóstolo Paulo, nos inteiramos da seguinte verdade: a primogenitura foi estabelecida por Deus aos homens como figura de verdades eternas.

Por isto faz-se necessário observarmos a relação fraternal entre Jacó e Esaú, pois nela temos que considerar o direito que decorre da primogenitura.

Se olharmos a primogenitura do ponto de vista secular, geralmente ela é analisada como sendo regras pertinentes à sucessão hereditária, o que envolve deveres para com a família e direitos quanto a bens patrimoniais.

Todas as vezes que se lê na bíblia que ‘fulano’ era o primogênito, a única relação que se estabelece é com relação ao direito do mais velho receber porção dobrada da herança.

Mas, após verificarmos que a primogenitura é figura de conceitos espirituais, muda a maneira de se observar o porquê a bíblia enfatiza o direito proveniente da primogenitura.

Paulo ao escrever aos cristãos em Roma faz referência a Esaú e Jacó da seguinte maneira:

“E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma” Rm 9. 11- 14.

O propósito inicial de nosso estudo é compreender os argumentos utilizados por Paulo para nos fazer chegar a conclusão de que não há injustiça da parte de Deus.

Justamente a citação de Malaquias: “Amei a Jacó e aborreci a Esaú”, que muitos usam para afirmar que Deus foi parcial em favor de Jacó é o texto que Paulo utiliza para demonstrar que não há injustiça em Deus.
Não há de maneira alguma injustiça da parte de Deus! Esta é a conclusão de Paulo. Mas, como chegar a tal conclusão diante dos argumentos que ele utilizou?

Quando Paulo cita a história de Esaú e Jacó, ele faz referência a eventos que ocorreram antes do parto. Destes eventos ele destaca que os gêmeos ainda não haviam nascido (o que demonstra que eles não haviam feito bem ou mal), e Deus anunciou a Rebeca que o maior haveria de servir o menor.

É certo que Deus adiantou a Rebeca que Esaú serviria a Jacó por meio de sua presciência, no entanto, a presciência não é a base da eleição.

Da mesma forma a soberania de Deus não é a base para a eleição, visto que a eleição é a base para o seu propósito.

Não! Não foi por meio destes elementos que Deus fez conhecido a Rebeca que Esaú serviria a Jacó.

1º Não foram as ações de Jacó que determinaram o amor de Deus;

2º Deus não tem preferência por suas criaturas, visto que ele não faz acepção de pessoas, é santo e não aceita suborno.

Quais são os elementos que Paulo utiliza para afirma que não há injustiça da parte de Deus? Por meio da presciência divina Deus disse que o maior serviria o menor com base no que foi dito por intermédio de Malaquias: “Amei a Jacó, e aborreci a Esaú”.

Observe a análise de Paulo:

“Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos, pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma” Rm 9. 11- 14.

Com base no que está escrito em Malaquias (com base em seu amor) é que Deus disse a Rebeca que o maior haveria de servir o menor. Se o amor é a base, não há como se considerar que a soberania e presciência de Deus é que demonstra a justiça de Deus.

Por que é segundo o amor de Deus? Porque o amor de Deus é demonstrado em justiça e não em favoritismo pessoal.

Com base nestes elementos Paulo conclui: “Que diremos, pois? Que há injustiça da parte de Deus?”.

Novamente: Que elementos? Observe:

“(para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)”

Claudio Crispim

Fonte: http://www.ibiblia.net/comentariomalaquiascinco.htm

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Agradeço e será um prazer receber seu comentário que depois de aprovado será publicado.