quarta-feira, 22 de maio de 2013

ÍDOLOS

Ídolo é toda representação que exerce fascínio, que desperta paixões intensas e é admirado e visto como dotado de uma aura especial. Pode assumir diversas formas, seja de um objeto, um animal, de uma pessoa viva ou morta, e ser moldado em gesso, madeira, pedra bruta e até ouro.
O homem sempre teve uma predisposição interior para criar “ídolos” e neles depositar suas angústias, alegrias, esperanças e fantasias. O povo hebreu, da mesma forma que os cristãos modernos, não estava livre de ter os seus. O Todo-Poderoso teve tanto trabalho de tirar aquela gente do Egito, mas bastou Moisés virar as costas para que dessem a um bovídeo a honra da libertação.

O Salmo 115 resume bem as características dos ídolos: “têm boca e não falam; têm olhos e não vêem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta”.

Como tudo no campo da religião evoluiu, os ídolos também acompanharam esta evolução e hoje já não são mais fixos, nem são calados, manetas ou cegos, pelo contrário, enxergam muito bem o seu público, se movimentam, e o som lhes sai da boca com centenas de decibéis.

Nós, evangélicos não temos do que reclamar – antes havia os ídolos católicos, representados pela iconografia medieval de santos e santas, havia os ídolos pagãos como Buda e Shiva, e também os ídolos populares, do mundo da arte e do esporte. Hoje também temos os nossos! Faz lembrar do povo de Israel pedindo a Deus um rei, e o Senhor não concordava, então saíram com essa: “Se os outros povos têm rei, por que nós não podemos ter?”.

O ídolo de antigamente esperava uma oferenda simples na forma de uma moeda, uma vela acesa ou uma prece. Hoje, não, eles são muito mais exigentes e cobram altos cachês para serem vistos.

Ídolos são vaidosos – exigem sempre lugar de destaque e uma multidão de olhos. Tem um ídolo, loirinho, e bastante jovem, que exige em contrato pelo menos 3 mil pessoas reunidas para vê-lo. Senão ele não abre a boca.

Eles não podem se desculpar dizendo que não querem ser ídolos, se agem como tal. Aceitam essa condição sem reclamar, posam para fotos de encartes autografados por eles, cobram polpudos cachês, isolam-se cercados por assessores, o que aumenta o glamour e o fascínio, fazem caras e trejeitos à moda dos ídolos populares e só comparecem em eventos superlotados.

Porque gosta de ser visto, todo ídolo é o centro da atenção e tudo aponta para ele mesmo. Os homens de Deus, seja pregando, seja louvando, ou fazendo qualquer outra coisa, correm sempre o risco de ter as luzes apontadas para si, e não para Cristo, pois é sobre eles que brilham os holofotes.

Para o ídolo, todo altar é palco. Certamente, nem todo aquele que ocupa um palco é um ídolo, mas são poucos os que não se deixam levar. Para esses, todo palco transforma-se num altar.

Que motivações há por trás de um “ídolo” moderno? As motivações explícitas são: “não fazemos nada para nós”, e “tudo é para a glória de Deus”. Infelizmente essas explicações nem sempre resistem a uma avaliação mais profunda, e procura-se esconder – às vezes com sucesso – a perda do alvo inicial. Um famoso compositor evangélico confessou que quando ele estava no auge de sua vida artística e era admirado por todos, foi justamente ali que os seus olhos não estavam mais postos em Cristo.

Quem tem discernimento espiritual e conhece um pouco da natureza humana sabe que uma das forças mais atavicamente arraigadas no ser humano é a vaidade. Não é à toa que Salomão termina sua vida dizendo: “vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Ecl 1.2).

Não podemos jamais nos esquecer que aquele outrora anjo especial, grande em beleza e formosura, foi atingido pela vaidade. Ele era querubim da guarda ungido e perfeito no seu caminho, até que “elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor” (Ez 28.17). Tudo que é excessivamente belo, pomposo, e que aponta demais para si, traz no seu bojo o gérmen da destruição do verdadeiro objetivo, que é Cristo.

Até entre os discípulos a vaidade se fazia presente – e dois deles pediram lugar de destaque à Jesus, para que na glória pudessem sentar-se um à direita e outro à esquerda. O motivo? Queriam ser vistos pela platéia de redimidos no céu.

Constatamos com tristeza que a Igreja de Cristo tem sido um palco para as mais diversas manifestações da vaidade humana. Talvez seja por isso que João termina sua carta dizendo: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1Jo 5.21). E eu complemento: dos antigos e dos modernos.

A Deus, e somente a Deus, toda a glória!

Fonte: http://pastordanielrocha.blogspot.com.br/

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