quarta-feira, 13 de março de 2013

OU PERDOA OU APODRECE

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ATIRANDO PEDRA NO TELHADO Por: Glenio Fonseca Paranaguá       
A quem perdoais alguma coisa, também eu perdoo; porque, de fato, o que tenho perdoado (se alguma coisa tenho perdoado), por causa de vós o fiz na presença de Cristo; para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios. 2 Coríntios 2:10-11.

A expressão: “atirando pedra no telhado” é uma figura de linguagem que ilustra a ofensa. Ninguém vive neste mundo sem algumas pedradas pela frente e por trás. Feridas e contusões fazem parte da tragédia no dia a dia de cada um de nós. Há sempre alguém com estilingues jogando algo escabroso em alguma pessoa distraída ou desprotegida.

As críticas ferinas, as acusações injustas e as traições inesperadas são muito mais frequentes do que realmente gostaríamos de admitir em nossa ingênua imaginação. Além de que, somos também atiradores disfarçados em pacientes bem espertos.

Os bastidores dos relacionamentos estão sempre cheios de lixo composto pelos seixos atirados das janelas dos vizinhos, parentes e de gente muito próxima. Mesmo nos encontros entre aqueles que ‘consideramos’ nossos amigos de verdade, encontramos restos de brita atirada, como se fosse apenas sujeira pelas calçadas.

Ninguém está isento de ser machucado, esfolado e ferido neste mundo de tantas pedreiras, de onde, com certeza, as pedradas virão de todos os lados. Entretanto, a questão básica, aqui, não é a ferida sangrando, mas o hematoma que nunca sara.

As pauladas nossas de cada dia, precisam ser tratadas cuidadosamente na sala cirúrgica do Calvário. A dor da alma carece de uma medicação radical sob a acurada terapêutica da cruz de Cristo Jesus. É preciso um perdão furioso para tratar o furúnculo da amargura que infecciona os tecidos dos relacionamentos interpessoais.

Jesus não suportaria tanta dor moral naquelas seis horas atrozes na estaca, se não estendesse o seu perdão a todos os seus algozes. Quando ele orou: Pai perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem, Lucas 23:34a, além de conceder o alvará de soltura aos seus ‘apedrejadores’, estava abrindo, para si mesmo, as portas de um cárcere muito apertado de sofrimento alucinante, decorrente de amargura. Perdoar é um imperativo do amor.

Com certeza, a dor aguda dos cravos, apesar de sua cruenta crueldade, não pode ser comparada com a dor sufocante e ininterrupta da amargura interior, consumindo a alma. O cálice da cruz seria mais amargo, se Jesus não tivesse perdoado aos seus inimigos.

O perdão tem mão dupla, mas a via principal é para quem o está liberando. Aquele que perdoa é o mais beneficiado no caso. Ele se livra da condição de ser transformado numa penitenciária de segurança máxima e de se converter num carcereiro apoquentador, sempre preocupado com a fuga do réu.

O perdão liberado liberta muito mais o que perdoa, do que aquele que é perdoado. O verdadeiro alforriado, neste caso, é quem exerce o perdão, uma vez que a amargura, de contínuo, cobra um imposto muito pesado do amargurado.

Temos na Bíblia alguns exemplos de pessoas magoadas que podem ser estudadas aqui, tanto no que diz respeito ao ressentimento armazenado, como também, pelo desprendimento em perdoar, financiado pelo amor perdoador de Deus.

Há uma dupla intransigente e cabeçuda que começou uma brigar feroz na barriga da mãe. Esaú e Jacó fizeram do útero de Rebeca, sua mãe, um ringue onde um tentava nocautear o outro. Os filhos lutavam no ventre dela; então, disse: Se é assim, por que vivo eu? E consultou ao SENHOR. Gênesis 25:22.

Essa perrenga histórica saiu do ventre da mãe tomando dimensões terríveis, com o mais novo pegando no pé do mais velho. A disputa entre os dois continuou até que se tornasse numa amargura crônica. Esaú foi vítima de um “golpe baixo” do irmão, em razão de sua própria mentalidade vulgar, no que diz respeito aos valores familiares às avessas.

A disputa dos gêmeos vem gemendo pelos bastidores da história de povos e nações que se engalfinham até hoje, nas cavernas do Oriente médio, por causa de uma amargura insidiosa que insiste em agredir as entranhas da alma de gerações em gerações.

Os irmãos briguentos, apesar de terem feito uma ‘reconciliação dramática’, não tiveram um relacionamento amistoso daí para frente. A Bíblia, falando num texto sobre Esaú, deixa claro: atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando- se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados; Hebreus 12:15.

Fica evidente, no contexto, que o assunto se refere ao desgostoso e amuado Esaú, quando, em seguida, diz com concisão: Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado. Hebreus 12:17.

Remorso, choro e lamento não quer dizer que houve verdadeiro arrependimento, nem reconciliação formal significa que houve perdão. Há muita gente agindo com diplomacia no palco, enquanto esconde uma mágoa no camarim da sua alma.

Não é possível vivermos na terra sem cotoveladas, pedradas e pauladas, mas também, não é possível vivermos com um mínimo de saúde mental, sem perdoar os nossos agressores. O ódio aos algozes é algo agonizante para as emoções benfazejas.

Na casa de Jacó, ainda temos um caso bem curioso a observar. O seu filho José, “figura ímpar da prole”, foi alvo da inveja dos seus irmãos ambiciosos, que suscitaram uma crise gravíssima, provocada por este sentimento mesquinho, no seio da família.

José foi vendido como um escravo e, em consequência de sua conduta irrepreensível, acabou comendo o pão que o diabo amassou com a cauda. Durante uns 13 anos de sua biografia, ele sofreu, injustamente, desprezo, acusações e prisões, sendo mantido como um criminoso numa masmorra. Ele foi vítima do ‘olho gordo’ dos seus irmãos.

Nada pode ser mais atroz para uma pessoa correta, do que o sofrimento causado por acusações e injustiças. A lama ácida e fétida atirada sobre o linho branco deixa uma mancha de difícil remoção. A dor da tirania é esmagadora. José tinha razão para se vingar.

Entretanto, quando os ventos mudaram de direção e ele passou de réu condenado na cadeia, a ser o segundo homem mais importante do reino, no Egito; com a faca e o queijo na mão para retaliar os seus irmãos invejosos, se quisesse; sua atitude foi bem diferente de quem nutre a vingança por debaixo dos panos.

A pessoa tratada pela graça de Deus não tem opção. Ou perdoa ou apodrece. José não se fez de coitadinho. O perdão era a sua única alternativa como filho de Deus. Favorecido pelo Cordeiro imolado, desde a fundação do mundo, ele espreme o carnegão e responde aos irmãos culpados: Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus? Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida. Gênesis 50:19-20.

Não existe atalhos ou uma segunda via no caminho do perdão na vida dos filhos de Deus. Como também não existe pecado tão grave que a graça de Cristo não nos garanta a disposição de liberar o perdão de modo legítimo. Já falei: é a graça que nos habilita.

Se eu e você não estamos perdoando, de fato, os nossos ofensores, por mais grave que sejam as suas ofensas, com certeza, Satanás estará levando vantagens sobre nós e causando um barraco horroroso no meio da igreja de Cristo. É tudo o que ele mais gosta.

O perdão não é um opcional no desempenho da fé cristã. Corrie Ten Boom, que foi um exemplo cristão na defesa anti-sionista na época da segunda Guerra, disse: “não há outra forma de tocar o oceano do amor de Deus, senão perdoar e amar os inimigos”.

Não há escolha: ou perdoo ou pereço no meu mau humor. A agonia do magoado o atribula ao extremo e o mantém distante de verdadeiras amizades. Ninguém, minimamente sadio, gosta de conviver com gente feroz, ferina e fértil em fabricar lesões.

Os intrigantes vegetam entre o veneno que os consome intimamente e a dor que tenta inocular no próximo. Contudo, a toxina que é injetada no outro acaba também o intoxicando ainda mais. James Coulter afirmou: “o espírito que não perdoa como forma de orgulho é o assassino número um da sua vida espiritual”.

Para Jesus, a nossa oração só tem esta prioridade: perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve; e não nos deixes cair em tentação. Lucas 11:4. Parece que a tensão da tentação, neste caso, é não querer perdoar.

O perdão é um dom maravilhoso da graça de Deus e o portal que conduz à sala da comunhão. Li a história de uma mãe que perdoou o assassino do seu filho e, durante o período da condenação, ela o visitou semanalmente cuidando dele na cadeia. O resultado foi a sua conversão a Cristo e a transformação de um inimigo, num amigo da família.

Nós sempre teremos alguém atirando pedra em nosso telhado de barro; cabe a cada um de nós, subsidiados pela graça do Pai, consertar todas as goteiras, sem, entretanto, jogar os cacos das telhas quebradas no quintal daquele que nos alvejou. Bendito seja para sempre Aquele que nos garante tão grande empreendimento. Aleluia! Amém.

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