quarta-feira, 13 de março de 2013

O CORAÇÃO, O CENTRO DA VIDA ESPIRITUAL

Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida. Provérbios 4:23.
“A primeira coisa que deve ser entendida é que a vida cristã começa e termina no coração”, afirma Steve Gallagher. E ele tem toda razão. O coração é o centro nervoso da vida espiritual.
A mente é o centro do conhecimento racional. O coração é o centro do conhecimento relacional. A mente trabalha com as ideias humanas, enquanto o coração labora com os ideais subjetivos da realidade íntima para o desenvolvimento da verdadeira intimidade interpessoal.
O cristianismo começa com a troca do coração. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Ezequiel 36:26. A primeira realidade espiritual da fé cristã é a cirurgia que promove a troca do coração. Nós nascemos com um coração de pedra, isto é, um coração feito do barro: o coração de Adão.
Então o Senhor origina uma permuta de coração. Retira o de pedra, o coração de Adão, e nos dá um de carne, o coração de Eva. Aqui temos uma metáfora. Adão foi feito da terra e é pedra, enquanto Cristo foi gerado da mulher, que foi extraída da costela ou da carne e dos ossos.
O coração de pedra é a natureza adâmica em sua dureza. O coração de carne é a vida de Cristo, o descendente da mulher, em sua humanidade divina. Adão é o homem caído e cheio de si mesmo, orgulhoso, duro; todavia Cristo é a humanidade em sua dimensão original e divina.
A mente é o quartel-general do conhecimento racional. Os sentidos são as portas de entrada do saber. O coração, do ponto de vista bíblico, é a sede da vida incorpórea e do entendimento espiritual. O profeta mostra esta ordem: Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Isaías 43:10.
Para se saber com a mente é preciso ver, com os olhos, ouvir, com os ouvidos ou sentir, com os outros sentidos. Estas são as janelas da alma. O saber precede o crer e o crer pressupõe a troca do coração, para poder entender. Jesus esclareceu assim esta ordem dos fatos que leva à realidade espiritual, denominada de novo nascimento ou, a troca de coração. Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados. Mateus 13:15.
Segundo a Bíblia, há dois tipos de humanidade: a natural e a espiritual. Ora, se o homem natural pudesse entender as coisas do Espírito de Deus, ele poderia se salvar a si mesmo. O perdido se acharia e, o pecador se santificaria por conta própria. O doente se curaria por si mesmo e o seu orgulho seria ainda mais insuportável.
A ordem de Jesus aos seus discípulos foi: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. O evangelho é o poder de Deus capaz de promover a permuta do coração de pedra pelo coração de carne ou, a substituição da vida natural de Adão pela vida espiritual de Cristo.
Sem esta substituição não há a nova vida espiritual. Mas, tudo começa com a pregação do evangelho. A Palavra de Deus confere a morte do pecador com Cristo e gera a sua vivificação pelo poder da ressurreição em Cristo, mediante o saber da verdade e a revelação do Espírito Santo.
Sabendo a verdade, podemos receber a Verdade que é Cristo Jesus. Recebendo a Cristo, ganhamos um coração de carne. Através deste coração podemos crer nele, nos arrepender e entender a verdadeira realidade espiritual. É com o coração que se crê. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. Romanos 10:10.
Jesus é o autor e o consumador da fé e o novo coração é a sua sede. O velho Adão é incrédulo por natureza e só por um milagre ele pode vir a crer. Este milagre chama-se: dar-vos-ei um coração novo e porei dentro de vós espírito novo. É algo Divino e sobrenatural.
O homem velho tem capacidade de aprender muito sobre Deus. O conhecimento racional pode tornar Adão num religioso exemplar. A raça adâmica tem um lado escuro e um lado brilhante, mas ambos estão contaminados pelo orgulho do pecado, por isso, até a religião de Adão, por melhor que seja, encontra-se contaminada de egoísmo e infestada de vanglória. Nada de Adão é aproveitável aos olhos de Deus, pois mesmo as coisas excelentes estão infectadas pela arrogância.
É do velho coração adâmico, perverso e corrupto, que procedem todos os pecados de uma pessoa. A sua manufatura é sem terceirização ou importação da matéria prima. A tentação pode vir do exterior como um produto importado, mas a fabricação é sempre individual, interna e intimista. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Marcos 7:21-22.
O evangelho, antes de tudo, tem que promover a substituição do velho coração de pedra pelo novo coração de carne; a vida do homem natural pela vida do Homem espiritual. Só depois desta permuta, a nova criatura, capacitada e dirigida pelo Espírito Santo, pode cultivar este novo terreno como um Jardim florido de Deus. Há uma nova lavoura sendo incrementada para um novo campo.
A proposta metafórica do profeta chorão é no sentido de Deus converter a alma do seu povo, como se fosse um Pomar abundante ou um Jardim das suas delícias eternas. Hão de vir e exultar na altura de Sião, radiantes de alegria por causa dos bens do SENHOR, do cereal, do vinho, do azeite, dos cordeiros e dos bezerros; a sua alma será como um jardim regado, e nunca mais desfalecerão. Jeremias 31:12.
Então, o que devemos cultivar neste Jardim? Sobre tudo o que se deve cultivar, cultive o seu olhar no novo coração, porque dele procedem as fontes da vida. Não são os seus atos virtuosos, nem a sua conduta externa, muito menos o seu conhecimento teológico que contam diante de Deus, mas as suas atitudes internas de confiança, isto é, a fé que lhe foi dada pela graça do Pai.
Vamos examinar ligeiramente alguns itens que fazem parte deste coração transplantado, de acordo com a visão simbólica do profeta Jeremias.
Primeiro. O novo coração exulta nas alturas de Sião. Este lugar superior aqui não se trata, propriamente, de um monte na terra de Canaã, mas de um estado de elevação do espírito, diante do trono soberano de Abba. Antes de tudo, o novo coração adora a Trindade Divina com exultação. O pico mais alto do coração substituído é o topo da intimidade com Deus em adoração.
Quem vive no cume do monte não fica atolado no vale. Quem adora não murmura. A linguagem elevada dos adoradores em Sião é bem diferente do jargão rasteiro dos concupiscentes em Canaã, que significa terras baixas. O coração trocado louva. A boca suja é o resultado de um coração lamacento. O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração. Lucas 6:45.
Segundo. Sem adoração exultante e agradecimento profundo, com certeza não há um novo coração pulsando no íntimo daquele que se diz ser um cristão. A alegria é um dos estágios da alma em gratidão penhorada, por causa dos bens do Senhor. Não é possível ser salvo e não ser realmente grato. As agulhadas e murmurações são frutos da ingratidão.
Adão é aquele que transfere a sua culpa para a sua mulher. Cristo é aquele que assume a culpa da humanidade. Adão é um crítico murmurador e acusador, por natureza. Cristo é a essência da adoração e a plenitude da gratidão. Aquele que manifesta a vida de Cristo expressa o seu bom perfume em ações de graças. O seu hálito é perfumado e a sua conversa sara as feridas dos outros.
Terceiro. Os cinco bens da fazenda revelam as riquezas da graça. O cereal, o vinho, o azeite são produtos vegetais, enquanto os cordeiros e os bezerros são animais, mas todos apontam para o suprimento das necessidades humanas e para os elementos no culto oferecido pelo povo de Deus. O número cinco tipifica a graça plena que sempre nos mantém num estado de contentamento, tanto no cotidiano, como diante do altar em adoração.
Quarto. A alma dos regenerados em Cristo Jesus é como um Jardim regado. Tudo viceja e floresce. Não há folhas murchas, flores sem viço ou frutos mirrados. Mesmo na estiagem mais acirrada, sempre há irrigação aspergida pelo Espírito Santo. O novo coração é terreno fértil para o plantio das sementes de cima e o Jardineiro celestial se deleita em cultivar o seu Jardim florido. A vida cristã autentica é um banquete constante de festa eterna.
É maravilhoso conviver na assembleia dos salvos, mas é triste coexistir com os descendentes de Adão. Enquanto os primeiros louvam, os últimos, frequentemente, lamentam. A linguagem dos santos edifica. A toada dos religiosos assola e solapa.
Nunca vi um tipo adâmico cantando no coral dos redimidos. Mas, quero ressaltar: não confunda os cantores do coro nas igrejas, com os cantores que cantam quando o couro é açoitado nos lombos. Não confunda um membro de um sistema religioso, com um redimido pela graça em Cristo, que vive para o louvor da sua glória.
Quinto. O coração da nova criatura em Cristo não se desfalece em face das grandes e profundas tribulações deste mundo, nem vive refém de uma memória entristecida. Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. Habacuque 3:17-18.
A vida cristã é uma vida de celebração e de festa permanente. O novo coração cultiva a alegria, mesmo em meio às maiores ressacas da confiança e no meio das maiores e mais terríveis tormentas. Estar em alguma tristeza faz parte desta vida. Viver em tristeza e desgosto, murmurando ou criticando, é uma acusação contra a suficiência de Cristo. A falta de festejo cotidiano denuncia o nosso descontentamento em fase de uma tão grande salvação.
O coração é o centro da vida espiritual. Um coração contente reflete a presença do Rei dos reis no interior de nossa vida; mas um coração desgostoso, crítico, murmurador, maledicente, ingrato e sem atitude de adoração nos acusa de falta de vida espiritual autêntica. Se nós não somos irradiantes de alegria diante desta tão grande salvação, então temos que avaliar a nossa experiência de salvação. Vós, com alegria, tirareis água das fontes da salvação. Isaías 12:3.

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