quarta-feira, 13 de março de 2013

INTENÇÃO SEM AÇÃO É IGUAL A NADA

Mário Rocha Filho
      
Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Romanos 7:19

      Porque não fazer o bem e, contrariamente fazer o mal, é um assunto que poderá despertar tantas perguntas sem respostas na vida do homem? E cujo assunto é testificado pelo seu próprio modo de agir, que seria quase que irresponsável fazermos uma abordagem simplista e fechar questão concluindo que se trata de um conflito entre o bem e o mal. Ao buscarmos entendimento nas revelações das Escrituras, o Apóstolo Paulo, por inspiração de Deus, nos dá uma base firme e nos ensina que essa batalha diz respeito à influencia da lei e da graça na vida do ser humano; podemos aprender um pouco sobre esse “conflito” e dizer que se trata de uma guerra entre intenção e ação.

Há um provérbio popular que afirma: de boas intenções o inferno está cheio”; e quer dizer que não basta somente querer fazer o bem, é preciso realmente praticá-lo. No entanto, para praticar o bem, a boa intenção, unicamente, não é suficiente. A Bíblia explica em Romanos 7:21 que: Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Realmente, sabemos pela revelação da lei, que somos pecadores e não somos justificados por obras conforme Romanos 3:20a que diz: visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei. Essa operação do conhecimento e, simultaneamente do convencimento do pecado seguida de seu conceito, vem através do Espírito Santo de Deus, que, segundo o Livro de João 16:8-9, citando a fala de Jesus nos ensina: Quando ele (Espírito Santo) vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado porque não creem em mim.

Portanto, a lei existe para os que estão vivendo nela e, serve para três coisas: a) trazer o conhecimento do pecado, Romanos 3:20b em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado; b) mostrar que debaixo dela há condenação, Romanos.3:19 Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus; e c) serve ainda para mostrar o pecado como transgressão, Romanos 4:15 porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão; e indo além, serve também para avultá-lo a fim de que a falta se torne ainda mais indesculpável, Romanos 5:20a Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa.

Assim, podemos dizer com toda certeza, que na prática nenhum homem jamais conseguiu cumprir à lei, e apesar de Paulo ter escrito aos romanos citando Moisés - Romanos 10:5 – que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela, no mesmo livro – capitulo 3 verso 28 - ele diz: Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei. E assim, nós agora, com fundamento na Palavra de Deus, também concluímos que: a lei revela o pecado e não a salvação; ela produz a ira e não a graça, e nunca poderá ser usada como um meio que conduz à salvação. Pelo contrário, os pecadores são justificados pelo sangue derramado do Cordeiro, que é a justiça de Deus revelada no Evangelho de Cristo Jesus, conforme está escrito em Romanos 6:14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.

A partir da experiência da graça, ou seja, crendo que pela fé morremos para a lei que escraviza o nosso corpo mortal, cuja natureza adâmica é o que nos leva a pratica do mal, e que nesse ato fomos atraídos no corpo de Cristo e que na Sua ressurreição, ressuscitamos juntamente com Ele em novidade de vida, passamos a ter a vida de Cristo e produzir frutos dignos para Deus, que é o bem. Romanos 7:4 Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que frutifiquemos para Deus.

Quando Paulo diz que o bem que gostaria de fazer ele não faz, mas o mal que não gostaria, esse ele faz, está expressando uma realidade não somente para ele, mas para toda a humanidade. Porém, em seguida à essa afirmação ele explica que está se referindo ao pecado que nele habita, pois, no verso 20 do capítulo 7 ele diz: Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim; e no verso 24 do mesmo capitulo vem a pergunta fatal: Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Ou, deste corpo mortal? Porém, em seguida, no verso 25, trazendo esperança o mesmo Paulo responde: Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.

Temos que no capítulo 7 de Romanos, Paulo está falando para judeus não salvos, que conheciam e viviam debaixo da lei, sobre a necessidade radical de se entender a função da lei dentro dos propósitos equilibrados de Deus para salvação dos pecadores, por meio de Cristo, porém no capítulo 5 de Gálatas, agora falando para crentes que já conheciam o Evangelho, o Apóstolo bem apropriadamente escreve sobre a graça, lembrando no verso 1 que: Para liberdade foi que Cristo nos libertou. E em seguida, usando o verbo no imperativo exorta concluindo o verso: Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. De qual escravidão Paulo estava se referindo? Em João 8:34 lemos: Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado. Então, Paulo falava da escravidão ocasionada pelo cometimento de pecados. No verso 17 e 18 do mesmo capítulo 5 citado acima, da carta aos Gálatas, está escrito: Porque a carne milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei.

Bem, se, ao sermos guiados pelo Espírito não estamos debaixo da lei e sim debaixo da graça, e, sendo o Espírito contrário à carne para que não façamos o nosso querer, e, sabendo ainda, que o bem que quero está somente na minha intenção, pois não consigo realizá-lo, podemos buscar entendimento na própria carta aos Romanos, verso 18 do capítulo 7 onde Paulo diz: Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.

Cristo nos libertou do pecado e nós recebemos o Espírito Santo de Deus que nos capacita a amar, não só de intenção, mas de ação. Romanos 5:5 nos ensina: Ora, a esperança não traz confusão, porque o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Jesus disse que seus discípulos seriam conhecidos pelo amor em João 13:35 Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. O amor incondicional de Cristo, faz com que o “fazer o bem” seja possível, porque Ele disse que se permanecêssemos Nele daríamos muito fruto.

João ao falar das características dos filhos de Deus, daqueles que foram libertos para amar, disse que neles reconheceríamos o amor e que o amor apareceria em suas obras. Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós. E devemos dar a nossa vida pelos irmãos. Quem tiver bens no mundo e, vendo seu irmão necessitado, cerrar-lhe o seu coração, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. 1 João 3:16-18.

A manifestação do amor de Deus em nossos corações não exige de nós nenhum esforço, pois, é o próprio Deus que coloca em nós o Seu querer e também o desejo de fazer, e, sendo de Deus obviamente que é o “fazer o bem” que Paulo diz não conseguir na carne, pois, as obras da carne são conhecidas e são totalmente contrárias à natureza de Cristo e, consequentemente levam para a morte e não para a vida.

Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade. Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo. Filipenses 2:12-15.

Ao início de nossa meditação, vimos que do ponto de vista do homem, há uma diferença abissal entre o querer fazer o bem e o fazer o bem, que do mesmo ponto de vista, a lei e a graça são coisas completamente antagônicas, e dificilmente podem conviver entre si. Mas, graças a Deus, que nos salvou desse corpo mortal por intermédio de Cristo Jesus e nos uniu a Ele, crendo nessa verdade, somos capacitados por meio da vida no Espírito para o cumprimento de uma única lei: O amor.

A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei. Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nessa palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. O amor não pratica o mal contra o próximo, de sorte que o cumprimento da lei é o amor. E digo isto a vos outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências. Romanos 13:8-14.

Realmente, não temos nenhuma condição de fazer o bem, mas, em Cristo, com alegria e regozijo a intenção se concretiza em ação para a glória do Pai. Amém.

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