quarta-feira, 13 de março de 2013

CELEBRANDO SEMPRE NO SENHOR

Por: Glenio Fonseca Paranaguá
      Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos. Filipenses 4:4.
Alegrai-vos é um imperativo categórico da fé. Isto quer dizer: é uma ordem. A palavra de Deus não está nos exortando para que sejamos alegres. Ela está ordenando: alegrai-vos. A alegria na vida cristã é uma condição imprescindível. Se você é um cristão autêntico, então você é um cristão alegre. Mas se você e eu não somos alegres, algo está errado.
Alegrai-vos sempre no Senhor. Sempre é um advérbio de tempo que não tem espaço vazio. A Bíblia não está dizendo para nos alegrarmos quando as circunstâncias forem favoráveis ou quando não houver motivo de tristeza. Ela assegura a nossa vontade: sejamos sucessivamente alegres. Não há alternativa para o viver cristão. Regozijai-vos sempre. I Tessalonicense 5:16. Nós não estamos diante de uma escolha, mas de um mandamento.
A tristeza é um sentimento que tem um tempo de duração, mas a alegria é uma disposição firme da vontade dos filhos de Aba. O Deus do evangelho é um Deus alegre e a sua alegria faz parte de sua salvação. Tenho vos dito essas coisas para que o meu gozo esteja em vós e o vosso gozo seja completo. João 15:11. Jesus teve momentos de tristeza, mas ele nunca foi triste ou deprimido. O seu gozo está evidente em suas palavras.
Assim como há luz no fogo, a alegria está em Cristo. Aquele que tem Cristo vivendo pela fé em seu coração, tem alegria se manifestando em seu espírito como expressão da vida de Cristo. Jesus falou de um gozo íntimo e concluído. A vida de Cristo e a sua palavra são, de verdade, usufrutos de um contentamento eterno, ainda que cercados de muitas tribulações. Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. João 16:33.
Bom ânimo é o estado de espírito apoiado pela alegria do Senhor. Antes de Cristo passar pelo Calvário ele afiançou o suprimento de sua alegria imorredoura aos seus discípulos, com estas palavras: Mas agora eu vou para junto de ti, e isto falo no mundo para que eles tenham o meu gozo completo em si mesmos. João 17:13.
O Senhor havia dito que, em face de sua morte, eles iriam mergulhar numa tristeza terrível, mas em seguida, este desgosto seria convertido numa alegria sem precedente. Em verdade, em verdade vos digo que chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. João 16:20. Vemos aqui dois tipos de alegria: a folia do mundo em consequência do sumiço de Cristo Jesus e a exultação da igreja em decorrência da ressurreição de Jesus Cristo.
O salmista disse que a aflição tem o seu momento negro, mas o júbilo brilha com a aurora. Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã. Salmo 30:5b. As nuvens escuras na tarde da sexta feira da paixão não podem se comparar ao fulgor no alvorecer do primeiro dia da semana. É verdade que a morte trouxe o luto, mas a ressurreição escancarou a sepultura e fez brotar a ária de louvor nos corações dos discípulos extasiados.
Quando o Senhor estava preparando o coração dos seus seguidores para a ocasião tenebrosa da cruz e da morte, ele fez uma observação muito pertinente ao período de dores que a mãe passa ao dar a luz um filho, e disse: Assim também agora vós tendes tristeza, mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar. João 16:22. Jesus fala de uma alegria que não perde o seu tempo de validade em virtude da ressurreição. Agora o pavor da morte foi suplantado pela vitória da vida.
O cristianismo é a realidade da graça e a manifestação do gozo. Tudo o que somos neste mundo e no vindouro é fruto da graça plena de Deus, que patrocina também o bom humor de uma vida em celebração. Apesar dos arrochos deste mundo e das tentações malignas, não existe escolha para os que foram aceitos incondicionalmente pela suficiência do Cordeiro. Como sustenta Jean Vanier, a vida cristã é uma expressão de perdão e festa.
A alforria do pecado nos torna cantores jubilosos e profetas da esperança. O salmista viu na emancipação do cativeiro um tom vibrante que ultrapassa o sufoco gemido dos escravos. A restauração da sorte propagou um forte brado de aleluia, e os libertos cantaram com brio: Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de júbilo; então entre as nações se dizia; Grandes coisas o Senhor tem feito por eles. Salmo 126:2.
A lamentação é a marca registrada de prisioneiros infelizes e a murmuração é uma cantiga desafinada ensaiada nas estufas do inferno para azucrinar, tanto os cantores desentoados, como a plateia que se dá ao direito de participar deste show estranho. No Reino de Deus não é comum aos santos este tipo de espetáculo, pois o prazer desta turma é a celebração daquele que os libertou da escravidão. O cântico dos eleitos é um culto eterno.
A base da alegria no evangelho é o fato de termos sido encontrados pelo Pai das misericórdias. Jesus contando a parábola do Pai bondoso mostra o motivo da festa que ele promoveu: Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque este teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. Lucas 15:32.
O filho morto espiritualmente ganhou vida verdadeira e o rebelde e fugitivo foi recuperado na intimidade do lar. Nada pode ser mais exultante para aquele Pai do que a restauração da sua família. Jesus conta que no céu há festa todo dia quando um pecador se arrepende. Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. Lucas 15:10. Se a corte celestial faz festa pela salvação do pecador, por que os salvos não festejariam também, aqui na terra, esta tão grande salvação?
Se alguém foi salvo e não é alegre, então temos que reconhecer uma anomalia séria. Um cristão deprimido vive caluniando o seu Salvador. Ainda que possamos passar por alguns momentos de consternação, nada pode ofuscar o regozijo da salvação em nosso espírito. Blaise Pascal disse que “a felicidade não está apenas dentro de nós nem fora de nós, mas sim em nossa união com Cristo”. Se estivermos em Cristo na cruz e Cristo estiver em nós por causa da ressurreição, então teremos a certeza de uma felicidade eterna.
Quando Jesus enviou seus discípulos para uma missão especial, eles voltaram cheios de entusiasmo porque tiveram êxito nas suas tarefas. Para eles a alegria era decorrente do sucesso, mas Jesus procurou mostrar que a verdadeira alegria é fruto de uma realidade espiritual muito mais importante. Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus. Lucas 10:20.
A ênfase da alegria em Jesus é a identidade de filho de Deus, escriturada no cartório celestial e jamais a execução ou o resultado positivo de qualquer obra. O mundo dos negócios estima os executivos de renome, porém Jesus avalia o nome escrito no livro da vida como o motivo de celebração. A alegria no Reino de Deus é financiada por uma identidade construída na base do amor eterno do Pai. De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí. Jeremias 31:3.
Se formos filhos amados e aceitos incondicionalmente pelo Pai em Cristo, seremos filhos felizes e festeiros. O fato de reconhecermos a nossa aceitação em amor nos garante uma atitude de celebração permanente no Senhor. O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo. Sofonias 3:17.
O Deus da alegria é quem fomenta a nossa festa de celebração. Fomos achados por aquele que nos procurava. Fomos aceitos por aquele que nos queria como filhos legítimos. Somos salvos por aquele que se deleita em nós com alegria e que nos renova em seu amor absoluto, para que nos regozijemos com o júbilo de sua salvação. Por isso a palavra de Deus declara: Vós, com alegria, tirareis água das fontes da salvação. Isaías 12:3.
O evangelho é a boa nova da alegria de Deus tanto na prisão como no meio da fornalha. No cristianismo não há chance para cultivar o abatimento no espírito, por isso mesmo o apóstolo Pedro foi incisivo quando cutucou a tendência de ser vítima: Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. 1 Pedro 4:12-13.
As tribulações neste mundo são oportunidades para os santos promoverem os seus festivais de aleluia. A Bíblia deixa claro que as provações são os portais que se abrem para o palácio do contentamento. Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Tiago 1:2-3. Aqui não há lugar para autocomiseração.
A festa de jovialidade evangélica também abrange a celebração do sucesso alheio. Esse é um dos pontos mais complicados para os cristãos infantis ou imaturos, pois, para eles, é mais fácil lamentar com os que se lamentam do que festejar com os que prosperam. Mas a verdade de Deus é decisiva: Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. Romanos 12:15. Os dois lados desta questão são essenciais para o crescimento espiritual. Tanto o regozijo com os que se alegram como o pranto com os que pranteiam serve para desenvolver as características espirituais dos santos.
Finalmente, a celebração permanente dos filhos de Deus suporta a repetição do conhecimento. Uma das coisas que mostra a arrogância do espírito esnobe é a presunção do saber. Aquele que pensa que já sabe, encontra-se em perigo. A escola do contentamento só aprova aqueles já se satisfazem com migalhas e que comemoram com júbilo a cópia das mesmas verdades. Quanto ao mais, irmãos meus, alegrai-vos no Senhor. A mim, não me desgosta e é segurança para vós outros que eu escreva as mesmas coisas. Filipenses 3:1.
O verdadeiro discípulo de Jesus Cristo é alguém que está sempre disposto a aprender com alegria as coisas mais elementares da suficiência da graça em Cristo. Quem não sabe celebrar com simplicidade as verdades mais rudimentares da pessoa de Cristo, jamais festejará a excelência de Cristo num banquete mais requintado. Você tem fome apenas de Jesus Cristo? Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá. João 6:57. Ele é o único que pode satisfazer a fome de significado do nosso ser. Sendo assim: Alegrai-vos sempre no Senhor.
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