quinta-feira, 7 de março de 2013

A VELHA E A NOVA CRIAÇÃO

Por: Humberto Xavier Rodrigues
     

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. João 1:1

Existem dois livros na Bíblia que começam com a frase: ”no principio”. Uma das frases está em Gênesis, e a outra está no Evangelho de João. Se Gênesis fala da antiga criação, o Evangelho de João fala da nova criação. Em Gênesis temos os 6 primeiros dias da criação, mais 1 dia do descanso de Deus, totalizando 7 dias.

No Evangelho de João encontramos também os 7 dias da nova criação, demonstrados tipologicamente desta forma: Em João, no verso 29 do primeiro capítulo encontramos a frase “no dia seguinte”. A partir dessa frase vemos como tudo se iniciou. “No dia seguinte” nos remete ao dia anterior. E, o que aconteceu no dia anterior? Como iniciar a contagem de 7 dias da nova criação?

Como contar esses dias? Por causa do Evangelho de João podemos ver o Senhor de uma maneira muito mais ampla. É muito interessante que, quando João diz “no dia “seguinte”, cremos que o Espírito Santo desenhou de forma maravilhosa estes 7 dias da novo criação revelado neste Evangelho.

Assim ficamos sabendo que no primeiro dia o nosso Senhor Jesus já estava no meio deles, mas eles não O conheciam: “Respondeu-lhes João: eu vos batizo com água; mas, no meio de vós, está quem vós não conheceis” (Jo 1:26). Isso marca o primeiro dia.

O primeiro dia é o dia da encarnação. O Verbo se fez carne e tabernaculou entre os homens. Por isso, a história da nova criação começa com o Verbo que se fez carne, Deus-Homem entre os homens. Quando olhamos de maneira externa, Ele é homem, mas quando olhamos de maneira interna, Ele é Deus.

O primeiro dia é a presença do Senhor na Terra, este é o início do Céu na Terra. Quando o Céu toca a Terra é o início da nova criação. Agora, vem o “dia seguinte” quando João Batista viu Jesus que vinha para ele. Este é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. (Jo 1:29).

O dia seguinte corresponde ao “segundo dia”. Neste dia nos é dado a visão do Cordeiro de Deus. O que significa para nós este segundo dia? Ao vermos Jesus como o Cordeiro de Deus, lembramos que somos pecadores e necessitamos de um Salvador. Necessitamos de um substituto.

A presença de Jesus aqui na Terra nos mostra que como Cordeiro de Deus, Ele veio para remover o pecado do homem. Neste segundo dia vemos o começo de nossa história. Não só o começo, mas também o fim de velha criação.

. No primeiro dia vemos o Verbo, que se fez carne. No segundo dia vemos o Cordeiro que tira o pecado do mundo; vemos a historia de nossa restauração. Vemos que neste dia, morremos, ressuscitamos e estamos “assentados nos lugares celestiais em Cristo.(Ef 2:6).

Nenhum pecador é capaz de ser salvo pelas obras que pratica. Um dia, ele compreenderá que a salvação está fundamentada no que Cristo fez. Este é o descanso. Depender inteiramente e completamente de Cristo. Isto é graça! Este é o descanso!

O que o Senhor Jesus realizou naquela Cruz foi suficiente para nos fazer aceitos diante de Deus Pai. O Espírito Santo nos conduzirá para dentro desta verdade. Jesus não apenas morreu, mas também ressuscitou.

Quando Cristo morreu, nós também morremos, quando foi ressuscitado, também fomos ressuscitados; quando ascendeu, também ascendemos. A herança que temos Nele é, na verdade, muito superior ao que esperamos e imaginamos.

Nós morremos com Cristo. Isto é verdade quanto à morte no sentido Judicial. Mas, isto não é suficiente. É necessário que haja uma “unidade experimental com Cristo na Sua morte”. O fato histórico tem que se tornar uma realidade experimental. O que é verdade “para nós” tem que se tornar verdade “em nós” (Evan. H. Hopkins).Este é a nossa história na nova criação.

Quando chegamos ao terceiro dia, encontramos a mesma palavra. Eis o Cordeiro de Deus (Jo 1:35). Aqui não vemos mais “o Cordeiro que tira o pecado do mundo”. Isto significa que neste estágio não estamos mais sob o peso do pecado.

É neste ponto que nos esquecemos de nós mesmos, porque estamos ocupados com o Senhor. Agora, na posição de filhos, queremos andar com o nosso Pai. Esta experiência simplesmente significa que vamos até o nosso espírito e ali nos assentamos aos pés do Senhor para desfrutarmos de Sua comunhão.

Esta é a experiência revelada em nossa história, no terceiro dia: comunhão; andar com Deus. Este é o terceiro estágio da nossa vida cristã. Esta é a verdadeira entrada na vida cristã. Começamos com nossa união com Cristo, e seguimos num relacionamento ininterrupto, de Pai e filho.

No quarto dia, Eles encontram Pedro, e Jesus disse: Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas. (Jo 1:42). Neste episódio o Senhor muda o nome de Simão, isto é significativo porque antes de Pedro trabalhar para Deus, ele teve que ser trabalhado por Deus.

Muitos querem trabalhar para Deus, mas, se esquecem de que precisam ser trabalhados por Ele. Antes mesmo de alguém ser enviado por Deus para anunciar a boa nova do Evangelho é necessário a troca de vida. É preciso ser substituído, isto é, o velho homem precisa dar lugar ao novo homem.

Agora vamos para o quinto dia. É neste dia que podemos seguir o Senhor, por termos uma nova natureza. Agora, podemos seguir o Senhor, não mais como um fardo, mas sim, num caminhar prazeroso. Jesus “encontra com Felipe e Natanael, Ele disse a Felipe: ‘segue-me”.

No dia imediato, resolveu Jesus partir para a Galiléia e encontrou a Felipe, a quem disse: Segue-me (Jo 1:43). Segue-me que significa no grego: acompanha-me na minha jornada; é como Jesus estivesse dizendo para Felipe: “você não tem caminho, você não sabe por onde anda, mas eu sei por onde você deve seguir”, vem e segue-me Eu Sou o seu Caminho”.

É muito amplo o convite de Jesus, Ele está nos chamando para andarmos com Ele, isto quer dizer: venha jornadear comigo. Este é o conhecimento gradual do Senhor. Um relacionamento vivo com a Pessoa do Senhor Jesus. Não é um relacionamento submetido a regras: do que temos ou não temos que fazer.

Agora chegamos ao sexto dia. Jesus se encontra com Natanael, este estava sob uma figueira, isto significa que Natanael estava em um lugar muito secreto. Neste lugar ninguém poderia penetrar na alma de Natanael, mas teve um olho que penetrou ali, o olho de Jesus que o viu a distância. Porque te disse que te vi debaixo da figueira, crês? (Jo 1:50).

O Senhor Jesus não é apenas o nosso mestre, mas Aquele que tudo perscruta. É Aquele que vê o coração. Por causa do Seu olhar penetrante a operação da Cruz vai nos cortar profundamente o nosso ser. Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração (Hb 4:12).

Somos rápidos para julgar, condenar, aceitar e rejeitar o outro pela sua aparência. Não entendemos que o nosso olhar só alcança o envelope, nunca o que está em seu interior. Só existe um que pode ir além das aparências, o Senhor: Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porem o Senhor, o coração. ( 1 Sm 16:7).

Natanael representa a vida em secreto, uma vida escondida em Deus. A vida em oculto deve ser o estilo de vida dos filhos do reino. Diametralmente oposto ao estilo de vida dos fariseus, que só se preocupam em exibir os seus feitos publicamente, os filhos do reino visam a glória de Deus.

Esta é a experiência da recâmara interior. Quando oramos, devemos entrar no nosso quarto e o nosso espírito é o nosso quarto interior, porque no grego, esta recâmara interior é onde guardamos o tesouro. Cristo é o nosso tesouro celestial. O nosso espírito regenerado se tornou habitação do Espírito Santo: leva-me após ti, apressemo-nos. O Rei me introduziu nas suas recâmaras (Ct 1:4).

No primeiro dia da história da nova criação vemos a presença do Senhor aqui na terra. Nos dias subsequentes vemos a nossa história em Cristo. No segundo dia Ele é o nosso redentor. No terceiro dia, ganhamos a posição de filhos, no quarto dia, o Senhor trabalha em nós. No quinto dia, Ele nos convida para a Sua companhia. No sexto dia, vemos que o estilo de vida dos Seus filhos é a gloria de Deus.

Agora, entramos no sétimo e último dia da história da nova criação. A princípio, o propósito final da redenção não é o homem, mas sim a glória de Deus. Cristo é a glória de Deus, Ele é centro de todas as coisas: Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste (Cl 1:17).

O sétimo dia está representado pelo milagre da transformação da água em vinho: E disse-lhe: Todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior; porém, guardaste o bom vinho até agora (Jo 2:19). Este é o milagre que em sua totalidade tipifica o descanso.

Tudo o que Deus fez foi muito bom. O bom vinho tipifica a nova criação, e, esta nova criação descansa no que Deus fez. E nós Descansamos na obra consumada; realizada Cruz.

Cristo toma de direito uma posição que lhe é própria na Criação. Ele tem a supremacia sem contestação e sem controvérsia. Portanto, Ele tudo criou, tudo é para Ele – e Ele é o primogênito de tudo o que foi criado. E nós descansamos na Sua suficiência. Deus descansou no sétimo dia da criação e nós descansamos em Cristo.

Foi na Pessoa do Filho que Deus atuou quando, pelo Seu poder, criou todas as coisas, quer nos céus, quer na Terra, visíveis e invisíveis. Tudo o que é poderoso e elevado é obra da Sua mão, tudo foi criado por Ele e para Ele. Tudo está consumado!

Assim, quando Ele toma esse todo, toma-o como Sua herança de direito. Que maravilhosa verdade é esta: Aquele que nos resgatou; que se fez homem, como um de nós quanto à natureza, para nos dar o descanso, é o Criador! Senhor absoluto sobre todas as coisas. E, tudo que Ele fez é para Sua glória! Este é o fundamento do nosso descanso.

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