quarta-feira, 13 de março de 2013

A EXALTAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

Por: Mauricio Mantovani
Lembra-te da promessa feita ao teu servo, pela qual me deste esperança. Salmos 119:49
O assunto do Salmo 119 é a Palavra de Deus. Em seus 176 versos a Palavra de Yahweh é exaltada, celebrada e aplicada a todas as situações da vida humana. Porém, o assunto da Palavra revelada de Yahweh nunca pôde, pode ou poderá ser tratado apenas como mais um assunto bíblico-teológico a ser pregado e estudado.

Sua Palavra é a personificação pré-encarnada da Pessoa de Cristo e só pode ser revelada pela ação do Seu Espírito. Para O Senhor do universo, Sua Palavra tem a mesma autoridade da Sua Pessoa. Adonai é o Deus que revela e sustenta a Sua própria Palavra. O salmista está mergulhado numa relação de desfrute e consolo através desta Palavra que lhe foi revelada.

Lembra-te da promessa feita ao teu servo, pela qual me deste esperança Salmos 119:49. “Promessa feita” é a Palavra revelada e depositada por Deus no coração humano. Esta Palavra produz a vida do Pai e a dinâmica da transformação Divina nas vidas impactadas por esta revelação. O Senhor não se ocupa em nos revelar meros conceitos bíblico-teológicos sobre si mesmo. A revelação de Yahweh é para impactar as pessoas de uma vez por todas com o Seu amor atrativo e moldá-las constantemente à Sua imagem, pelo poder do Seu Espírito.

Yahweh usa a metodologia da graça, através da qual a Sua Palavra, uma vez introjetada no coração de alguém, produz as características e os efeitos que testificam a concretude de Sua revelação pessoal. Uma pessoa transformada por este amor paternal irresistível e invencível, que é revelado na Palavra deste Pai Eterno, carrega as marcas de Quem a transformou. Não existe nenhuma possibilidade deste fato acontecer de outra maneira.

A revelação de Deus mexe radicalmente na estrutura humana de maneira interna e externa. Só se constata a obra de Deus quando a mesma é completa. O Senhor opera na desconstrução da vontade, da emoção e da racionalidade próprias do ser humano. A Palavra do Senhor é algo que Ele “deposita” em nosso interior e que nos faz viver na Sua dependência, sem que mereçamos ou tenhamos feito algo para que isso aconteça.

A frase “lembra-te da promessa feita” não é uma cobrança ou algum tipo de reivindicação feita pelo salmista para “determinar” que Deus cumpra a Sua Palavra. É, antes, uma recorrência ou pedido de socorro de quem depende do Deus que lhe revelou esta Palavra. É uma oração de quem não quer e aprendeu que, de fato, o melhor é não confiar em si mesmo.

“Pela qual me deste esperança” é uma declaração que demonstra a esperança que tem a pessoa que já pertence ao seu Senhor. Só podemos ter esperança verdadeira na Promessa que O próprio Yahweh nos faz crer através da revelação da Sua Palavra.

Este é o consolo da minha angústia: tua promessa me vivifica Salmos 119:50. O consolo que vem de Deus é uma alegria produzida por Ele mesmo. É a presença da vida Divina na vida humana, mesmo em meio às tristezas ou angústias que possamos experimentar. A Promessa que nos dá vida é a Palavra viva do Deus que é vivo e vive eternamente em nós! A Palavra do Senhor só apresenta um tipo de vida: aquela que vem Dele, é abundante e Ele mesmo nos garante.

Qual é a nossa capacidade emocional, volitiva ou racional, enquanto seres humanos, diante das contrariedades que nos cercam ou dos problemas aparentemente insolúveis? Quais são as nossas saídas diante dos embates da vida? A nossa única saída é sofrer a ação do Espírito de Deus! A única capacidade espiritual que temos é a de decretar a nossa falência humana!

A nossa desistência é a porta de entrada para o agir de Deus em nós e para que experimentemos a dependência da ação consoladora de Yahweh! É somente quando assumimos a nossa total incapacidade humana de nos consolar ou consolarmos alguém que o poder Divino começa a operar Sua obra em nós! É nas situações de desesperança que a esperança contida na Palavra de Adonai se torna o “único” motivo da nossa alegria. A Sua Palavra gera a vida Divina em meio às crises da vida humana. Toda a nossa esperança só pode vir Daquele que a vivifica em nós por meio da Sua Palavra.

Os soberbos zombaram continuamente de mim; contudo não me desviei da tua lei Salmos 119:51. Quem me faz ficar firme na revelação de Deus? É Ele mesmo através da ministração da Sua Palavra ao meu coração! Ministração é o ensino direto de Deus direcionado às vidas daqueles que Lhe pertencem. A atitude soberba em relação a orientação da Palavra de Deus é própria daqueles que creem não precisar Dele. As pessoas soberbas são autossuficientes e se acham na condição de não-dependência existencial de Yahweh. O seu ego inflamado os impede de se submeterem à lei Divina.

A recusa dos soberbos, denunciada pelo desvio voluntário da lei de Deus, é a marca característica de quem não sabe que O Senhor é movido pelo Seu amor e que a obediência à Sua lei só se poderia ser experimentada na dependência Dele, nunca por mera obrigação, peso ou expectativa de retribuição. A não obediência à lei do Senhor só demonstra o desejo de não conhecê-LO e viver por meio da Sua orientação.

Portanto, a humilhação sofrida por quem vivencia a Palavra de Yahweh se torna uma oportunidade ou até uma didática Divina para que possamos experimentar a segurança de vivermos sob a Sua proteção! Permanecer firmes no Senhor em meio às adversidades promovidas por viver a Sua lei só é possível pela ação desconstrutora e reconstrutora do Seu Espírito!

Senhor, lembro-me dos teus juízos, estabelecidos na antiguidade, e assim me consolo Salmo 119:52. Deus nos consola por meio da Sua Palavra. Deus revela as Suas ações desde a mais remota antiguidade. Yahweh sempre interviu na história da humanidade. O fato de a Sua Palavra ser a revelação específica da Sua Pessoa e Obra não anula a história dos feitos de Deus ao longo da caminhada humana. Deus nunca deixou de atuar e Se revelar às pessoas em qualquer época da história desde a criação.

Aliás, a Sua criação é fruto da Sua Palavra e, a Sua Palavra equivale à Sua Pessoa que age de maneira dinâmica, manifesta-se na forma de uma revelação escrita que foi preservada e disponibilizada ao Seu povo! Este fato é o bastante para consolar o salmista de maneira plena. Yahweh é O Deus que tudo criou, faz as coisas acontecer e Se revela às pessoas. Daí vem o crédito que deve ser dado à Sua Palavra desde o início do tempo (tempo de Deus) e dos tempos mais remotos (na história humana)!

Tal segurança trouxe conforto ao salmista! E a nós? O Deus da Palavra é o Deus que fideliza a Sua Palavra através dos Seus princípios estabelecidos ou antigos juízos. Os “juízos estabelecidos na antiguidade” são os Seus princípios ou critérios celestiais estabelecidos na Terra, pelos quais Ele julga as pessoas desde as mais remotas eras. A revelação Divina desde os primórdios da existência humana sempre foi conhecida. O apóstolo Paulo aborda este assunto dizendo pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são vistos claramente desde a criação do mundo e percebidos mediante as coisas criadas, de modo que esses homens são indesculpáveis; porque, mesmo tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; pelo contrário, tornaram-se fúteis nas suas especulações, e o seu coração insensato se obscureceu Romanos 1:20-21.

Por esta razão, existe uma “memória humana coletiva”, em relação ao pecado, que existe desde que Adão foi expulso do Éden, fazendo com que os juízos Divinos ou a Sua vontade em relação à humanidade criada nunca tenha sido um “segredo sagrado” confinado a poucas pessoas. Este fato traz consolo a todas as pessoas e, em especial, ao povo do Senhor de todas as épocas. Deus inicia Seus atos fora do tempo para revelar-Se no tempo da nossa humanidade. A segurança de que Deus não está indiferente à história humana consola ao coração do salmista.

Grande indignação apoderou-se de mim, por causa dos ímpios que abandonam a tua lei Salmos 119:53. Esta é uma indignação profética produzida pelo Espírito, pelo fato de as pessoas não crerem no Deus da Palavra. Nesta afirmação o salmista se diz inconformado com pessoas que se afastam deliberadamente da Palavra do Senhor. Neste contexto os ímpios eram aqueles que não davam crédito à Palavra de Yahweh, mesmo sendo testemunhas oculares daquele momento histórico de libertação operada por Deus e da restauração de Seu povo de volta à Terra Prometida.

O maior poder de influência religiosa e sócio-política daquela época era o babilônico. No entanto, não possuía forças para reter o povo do Senhor e muito menos a Sua vontade soberana e libertadora. Como seria possível desprezar a lei deste Deus naquele momento? Para o salmista isto era impossível! Daí o motivo da sua indignação. Será que ficamos tão inconformados assim quando presenciamos o tratamento desprezível que alguns dão à Palavra do Senhor em nossos dias?

O poder de Deus só se manifesta na vida daqueles que se apegam à Sua Palavra. João Calvino disse: os ímpios às vezes podem experimentar uma elevação de espírito durante seus sofrimentos, porém estão totalmente destituídos deste poder”.

Teus estatutos são o motivo dos meus cânticos na casa onde estou vivendo Salmos 119:54. É quando a Palavra do Senhor soa como o mais belo cântico que a nossa alma pode entoar. É quando a letra e a melodia nascem da experiência da revelação direta de Yahweh. O Senhor é quem escreve o roteiro da peça a ser encenada no palco das nossas vidas.

A Palavra de Deus faz nascer em nós uma alegria que brota de dentro para fora. O cântico é uma linguagem figurada que fala da alegria que vem da revelação de Yahweh, por meio de Sua Palavra ao coração do salmista. Quando o Senhor escreve os Seus estatutos em nossos corações, podemos viver uma alegria que não é nossa e porque vem Dele. A casa onde estou vivendo representa o coração ou o palco onde O Senhor atua e me concede a verdadeira motivação que me faz celebrar a presença da Sua vida em mim!

Estatutos de Deus não podem ser apenas conceitos sobre Ele. Isto seria academicismo frio e distante. Devemos lembrar do pronome “teus” antes do substantivo “estatutos”. Isto quer dizer que os estatutos de Yahweh é a visão revelada da Sua Pessoa, descortinada em Sua Palavra, absorvida em nossos corações e vivenciada em nossa peregrinação temporária nesta “casa onde vivemos”. Se isto não for motivo de uma alegria esfuziante, não sabemos o que significa alegria.

Senhor, à noite me lembro do teu nome, e observo tua lei Salmos 119:55. Trata-se da oportunidade de experimentarmos uma quietude interna diante do Senhor. Neste mundo físico há muitas vozes que roubam momentos preciosos de desfrute na presença Dele. Deus nos faz viver numa dimensão onde o barulho dos pensamentos e sistemas do mundo não passam de ruídos que não tiram o nosso olhar Dele e o privilégio de ouvir somente a Sua voz!

Quando a nossa escuta espiritual é afinada pelo diapasão de Yahweh, as notas da Sua Palavra permanecem afinadas e a mensagem que entoamos às pessoas está de acordo com a Sua harmonia celestial. A noite que Deus nos dá é o descanso que nos faz ouvir somente a Sua voz! Quando Deus invade a calada da noite da nossa intimidade e nos faz lembrar somente Dele, estamos aptos para “observar” a Sua Palavra no decorrer dos dias.

Ah se nesta noite as nossas almas pudessem ser somente receptoras da revelação de Adonai e escutar o sussurro do Seu amor por nós! Certamente os nossos dias seriam repletos da experiência que o salmista teve há aproximadamente 2.500 anos atrás.

Isso me sucedeu porque tenho guardado teus mandamentos Salmo 119:56. A intimidade com Deus gera em nós um testemunho que vem Dele. A revelação do Pai nos ensina a todo momento que em Seu reino a única opção ou ação que nos cabe é sermos totalmente passivos. Aqui o salmista fala dos efeitos causados pela dependência da ação restauradora de Yahweh. Qualquer ação de Deus em nós só tem início em nossa desistência. Diante deste fato só podemos descansar Nele.

O salmista se tornou um acólito da Palavra de Yahweh e a reproduziu em sua vida. Na suficiência do Pai só podemos viver uma vida que não é nossa! Isto equivale a viver apontando para uma vida de alguém que não somos. Paulo entendeu isto quando afirmou Portanto, não sou mais eu quem vive, mas é Cristo que vive em mim. E essa vida que vivo agora no corpo, vivo pela fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim Gálatas 2:20.

O salmista já possuía esta revelação antes da encarnação do mesmo Verbo que a revelou!

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