sexta-feira, 29 de março de 2013

O aborto de anencéfalos à luz da Bíblia Sagrada.

                    Não matarás.”. Ex 20:13.

 O título deste artigo pode suscitar o descontentamento de alguns. Talvez eles digam: “Ora, agora vem você discutir sobre um assunto tão importante baseando-se em um velho e ultrapassado livro e em sua fé religiosa. Por favor, discutamos este tema sobre critérios mais científicos, filosóficos e humanistas. Baseando-se em sua fé religiosa eu não posso lhe ouvir.”. Bem, considero esta atitude simplesmente patética pelos seguintes motivos:
 
1 – Demonstra um abominável preconceito. Quem pode provar que não se pode discutir um assunto importante levando-se em consideração a fé religiosa das pessoas?

2 – Numa discussão trocam-se idéias. Se possuo fé religiosa naturalmente isso se refletirá em minhas palavras mesmo que eu tente evitar. No entanto nem isso eu desejo, ou seja, não quero evitar a discussão sobre bases da fé religiosa. Se meu interlocutor não aceita estas bases não pode haver discussão genuína e opiniões meramente “científicas” ou “filosóficas” se imporão como “donas da verdade”, e todos os demais terão que calar-se. Não é isso extrema presunção?

3 – Nesta nação a maioria professa a fé cristã. Dessa forma pode-se presumir que estes milhões de pessoas dão algum valor a Bíblia Sagrada. Por si só tal fato já torna a Bíblia relevante na discussão.

4 – Na verdade a Bíblia é a elementar base para toda e qualquer discussão, pois trata-se da Palavra de Deus para a humanidade, e é o critério pelo qual seremos absolvidos ou condenados no Juízo Vindouro. Pode ser que você não creia e ridicularize, mas isso não muda nada. Quer creia ou zombe um dia você terá que prestar contas a Deus. Portanto, dizer que a Bíblia é irrelevante na presente discussão sobre anencéfalos é o ápice da loucura.

Quanto a mim como um cristão reformado basearei meus argumentos na Escritura Sagrada, e não peço desculpas por isso, pois creio que a Bíblia é a Palavra de Deus para mim e para você. Que o Senhor nos ilumine por seu Espírito para entendermos sua Palavra. Então vamos ao assunto.

Comecemos com dois casos hipotéticos:

Primeiro caso:

Imaginemos um quarto com um berço, e neste berço um bebê. Ao lado do dele estão os pais. Eles olham para seu filhinho com tristeza, pois sabem que ele possui um problema mental. Seu filho não se desenvolverá como as outras crianças. Não aprenderá a falar, não poderá andar com perfeição, não poderá interagir com as demais crianças e nunca poderá desfrutar dos benefícios de uma vida adulta normal. Como esta criança sofrerá! Oh como estes pais sofrem com tal situação e como sofrerão no futuro. Pergunta: É licito os pais matarem a criança para evitarem o sofrimento deles e dela? Resposta óbvia: Não!

Segundo caso:

Imaginemos outro quarto também com um berço e um bebê e os pais em volta. Da mesma forma estão tristes. Eles sabem que seu bebê está gravemente doente e viverá pouco tempo. Mas os dias têm passado e o sofrimento pela morte iminente torna-se insuportável. Pergunta: Devem os pais matar seu filhinho, visto que ele morrerá de qualquer jeito e a espera ser inútil? Resposta óbvia: Não!

Nestes exemplos as respostas naturalmente são sempre não. É assim por causa da consciência implantada por Deus em cada homem. Paulo diz: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se,” Rm 2:14,15. Deus implantou na consciência dos homens o sexto mandamento: “Não matarás.”. Ex 20:13. Cada homem sabe, sem que ninguém precise lhe dizer, que matar é um crime de assassinato, e que todo assassino merece a punição (Gn 4:8-11). É assim pelo fato de que cada homem possui a imagem de Deus. Matar o próximo é desonrar a imagem de Deus nele, é afrontar a Deus. Nisto está a dignidade da vida humana. Nisto está a dignidade da vida dos bebês nos exemplos que dei. Tudo isso aponta para o problema central do argumento abortista: Eles precisam provar que a vida que está no ventre da mãe é de nenhum valor e não se compara com a vida de um bebê no berço. Bom, parece que ainda se dá valor a vida dos bebês, mas até quanto a eles começa-se a ouvir questionamentos. Mas este ponto extrapola meu propósito no presente texto. O fato é que todo o abortista procura desvalorizar o problema central, o do valor da vida da criança no ventre, e focalizar em questões bem mais periféricas. Por exemplo, tem-se afirmado que há muitas mulheres morrendo por abortos clandestinos e que por isso deve-se descriminalizar a prática para que as que desejem abortar sejam protegidas. Mas qual o valor da vida dos abortados seja em casos clandestinos ou legais? Esta pergunta não é considerada central por tais abortistas. Todavia esta é a questão central, pois se a vida do abortado equivale a vida do bebê no berço todo o aborto não passa de um crime de assassinato e os abortistas são consequentemente assassinos. Você percebe? Assim os abortistas focalizam a questão na consequência de um aborto clandestino, que apesar de ser terrível é mais periférica que a vida do abortado, pois este é a inocente vítima da decisão da mulher que faz tudo de forma consciente.

Fato semelhante acontece com o caso dos anencéfalos. Evoca-se a questão do sofrimento dos pais e da inevitável morte da criança como altamente corroborante para a legitimação do ato de aborto. Mas a questão central não é essa. A questão central é: A vida do anencéfalo equivale a vida do bebê no berço ou de um adulto? Se equivale, o aborto é crime de assassinato e os abortistas são assassinos. Quando percebem que inevitavelmente esta é a questão central, os abortistas tentam de todas as formas demonstrar que a vida do anencéfalo não tem valor. Por isso ouvimos nos últimos dias coisas como: “Sem cérebro não existe vida”. Com isso eles procuram justificar o aborto. Mas se sem cérebro não há vida o que é um anencéfalo? Será apenas um conglomerado de células que pode ser descartado? Será como um tumor maligno que deve ser extirpado? Será esta a realidade? É possível afirmar isto com absoluta certeza? O fato é que os abortistas não conseguem provar nenhuma de suas arrogantes afirmações, e é assim porque não há como provar sem dúvida alguma que não há vida humana digna de proteção no caso de anencéfalos e nem em qualquer outro caso de aborto. Trata-se apenas de conjecturas abortistas e não de certeza. Ora, no caso da vida humana é imprescindível a certeza. Por exemplo, se um prédio for implodido ninguém acionará os mecanismos de implosão sem a absoluta certeza de que a área está livre da presença de qualquer ser humano. Se existir a mínima dúvida não se destruirá o prédio. Acaso os abortistas estão absolutamente certos quando afirmam que sem cérebro não há vida? É evidente que não! Dessa forma o peso da possibilidade do crime de assassinato cai todo sobre eles e não sobre os que são contra o aborto. Passo assim a mostrar como a Bíblia apresenta o grave crime dos abortistas.

Pensemos agora: Quando começa a vida humana? O cérebro é imprescindível para que haja vida humana? Diz-nos as Escrituras:

Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.”. Sl 119:13-16.

Este texto indica que cada ser humano tem sua origem em Deus. Antes que cada homem exista já está na mente de Deus. Observemos algumas palavras conforme o significado dado pelo dicionário Strongs que seja mais apropriado ao contexto:

Verso 13:

formaste” – Verbo criar.

teceste” – Verbo tecer.

Verso 15:

entretecido” – Verbo variegar, misturar cores – é levada um passo para a frente...sugere padrões de cores complexos de tecelão e bordador (Derek Kidner).

Verso 16:

substância ainda informe” – embrião.

Todas estas palavras mostram que é Deus quem forma a criança no ventre da mãe desde os estágios iniciais até o momento do nascimento. “Os vers. 15 e 16 são um excelente sumário do desenvolvimento ante-natalício; o primeiro entretecer secreto, o primeiro desenvolvimento, a formação de um esqueleto, o material de carne a revestir o todo e a crescer dia a dia” (NCB). Esta ação de Deus em formar a criança evidentemente inicia-se antes da formação completa do cérebro. O salmista diz que “no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” Sl 139:16. Evidentemente “estes dias” incluem os dias em que Deus o formou no ventre. Se são “meus dias” significa que já era o salmista naquele período de formação. Significa que no momento em que o espermatozoide fecundou o óvulo um novo ser teve seu início, e este ser era o salmista. Logicamente isto não aconteceu só com ele, mas com cada ser humano. E também é lógico que já era o salmista antes que o cérebro existisse. Assim podemos deduzir que biblicamente falando o cérebro não é determinante para estabelecer-se o status de vida humana. A vida humana com todas a sua dignidade e direitos já começa na fecundação do óvulo. A Bíblia mostra que tudo isso está no absoluto controle de Deus. Assim podemos concluir que é crime tentar por qualquer meio a destruição desta vida, pois não é simplesmente um conglomerado de células, mas uma nova vida humana com toda a sua dignidade, ainda que em período de formação do corpo. Tal fato é independe do cérebro. Mesmo que este não seja formado, como no caso dos anencéfalos, a vida humana continua a ser uma realidade e atentar contra ela é assassinato. 

Amigos, todos estes fatos nos levam ao ponto de afirmar que a criança no ventre da mãe desde o início da formação de seu corpo, ou seja, a fecundação, é digna da mesma proteção do bebê no berço. A Bíblia mostra esta dignidade em vários momentos. Vou lhe mostrar agora apenas o caso de João Batista.

Sobre João Batista diz-se: “Pois ele será grande diante do Senhor, não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo, já do ventre materno.”. Lc 1:15.

Que declaração impressionante. O Espírito Santo iria atuar em João Batista desde o ventre de sua mãe. Isso indica que no ventre não estava alguma coisa, um mero conglomerado de células, mas um ser humano, o próprio João Batista. Sabemos que João foi assassinado por Herodes (Mt 14:1-12). Matá-lo no ventre seria o mesmo crime sem tirar nem por.

Oh amigos o que posso dizer à luz destes fatos? Somente posso afirmar que todo o abortista é assassino mesmo que não esteja consciente. Neste caso o subjetivo pouco importa. Objetivamente cada abortista é assassino. Afirmo também que o Supremo que votou a favor da morte de anencéfalos, com exceção dos dois ministros que votaram contra, fez-se assassino. Não há outra classificação que podemos lhe dar. Estas pessoas traíram a Deus e ao povo. As autoridades têm a obrigação dada por Deus de fazer justiça e proteger os mais frágeis, mas o Supremo se fez de perseguidor dos inocentes anencéfalos. Tal fato é terrível, vil, sujo, horrendo. Saibam que Deus os chamará a prestação de contas muito em breve, como também a todos que lutaram para que este crime fosse legalizado no Brasil.

Oh abortistas só posso conclama-los ao arrependimento. Pois, apesar de seus graves pecados, em Cristo há perdão até para vocês. Vocês têm lutado e aplaudido a morte de milhões de inocentes pelo mundo. Mas ainda há perdão para vocês. Arrependam-se e corram para Cristo. Mas se não o fizerem, saibam hoje bem claramente que terão que prestar contas ao que deu a vida as crianças que vocês têm matado.

Mas permita-me ainda uma palavra sobre o sofrimento. Os abortistas têm usado o sofrimento dos pais de anencéfalos como algo que legitima o aborto. Mas este argumento não se sustenta ante os fatos que já abordei. Se o anencéfalo é um ser humano nada justifica seu extermínio. Porém desejo que reflitamos no seguinte: A vida é cheia de sofrimento. O caminho mais prudente não é destruirmos toda a fonte de sofrimento, mas entendermos que sofremos porque somos todos pecadores. O sofrimento existe porque há pecado no mundo (Gn 2:17). Assim o sofrimento é inevitável e pessoas conscientes sabem que podem e que vão sofrer. Evitar todo o sofrimento é simplesmente impossível. Dessa forma, dizer que o sofrimento da mãe é motivo para o aborto é algo monstruoso. Pois cria a ilusão de que é possível o desviar-se do sofrimento mesmo que para isso seja necessário matar. Também devemos observar que Deus controla todo o tipo de sofrimento inclusive as deficiências. Para tudo Deus tem um propósito sábio e bom. Deus disse a Moisés:

Respondeu-lhe o SENHOR: Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o SENHOR?”. Ex 4:11.

Os homens e mulheres tementes a Deus creem no que Paulo escreveu: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” Rm 8:28. Isso anula o argumento dos abortistas quando dizem que levar uma gravidez de um anencéfalo até o final é inútil. Pois até neste sofrimento Deus tem um propósito o que o torna útil.

Jó aprendeu esta realidade. Ele que era temente a Deus também sofreu terrivelmente. Perdeu bens e família (Jó 1,2), mas depois pode confessar que lucrara com o sofrimento. Jó reconheceu a Soberania de Deus e viu que agora conhecia mais ao Senhor (Jó 42:1-6). Portanto se este texto chegar a uma pobre mãe que sofre por seu filhinho que não desenvolveu cérebro, permita-me que respeitosamente lhe exorte a que não faça nenhum mal a seu filhinho. Não ouça, querida mãe, os abortistas. Conclamo-lhe a que gere seu filhinho, que dê a luz e deixe tudo nas mãos do Todo Poderoso. Não toque no seu filho não lhe faça mal. Entregue tudo a Deus, pois só Ele tem o direito de tirar-lhe a vida e tudo ocorrerá como Ele quer. Não toque seu filho, mas deixe as coisas correrem como devem ser, ou seja, a mãe deve proteger e amar seu filho e não matá-lo. Oh confie em Deus e siga o que Ele cravou em sua consciência, ou seja, não matarás a nenhum ser humano (Ex 20:13). Muito menos deves matar teu filho.

Mas, como uma mulher temente a Deus deve agir? Como uma verdadeira mãe deve agir? Leiamos um último texto:

Então, vieram duas prostitutas ao rei e se puseram perante ele. Disse-lhe uma das mulheres: Ah! Senhor meu, eu e esta mulher moramos na mesma casa, onde dei à luz um filho. No terceiro dia, depois do meu parto, também esta mulher teve um filho. Estávamos juntas; nenhuma outra pessoa se achava conosco na casa; somente nós ambas estávamos ali. De noite, morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele. Levantou-se à meia-noite, e, enquanto dormia a tua serva, tirou-me a meu filho do meu lado, e o deitou nos seus braços; e a seu filho morto deitou-o nos meus. Levantando-me de madrugada para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, reparando nele pela manhã, eis que não era o filho que eu dera à luz. Então, disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho; o teu é o morto. Porém esta disse: Não, o morto é teu filho; o meu é o vivo. Assim falaram perante o rei. Então, disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho é o morto; e esta outra diz: Não, o morto é teu filho, e o meu filho é o vivo.Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. Trouxeram uma espada diante do rei. Disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo e dai metade a uma e metade a outra. Então, a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque o amor materno se aguçou por seu filho) e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem meu nem teu; seja dividido. Então, respondeu o rei: Dai à primeira o menino vivo; não o mateis, porque esta é sua mãe.”. I Reis 3:16-27.

Esta história mostra que a verdadeira mãe preferiu sofrer a ausência de seu filho que vê-lo morto. E o texto deixa claro que esta é a característica de uma genuína mãe, pois foi assim que Salomão pôde identificá-la. Podemos resumir assim: A verdadeira mãe prefere sofrer que matar o seu filho. Vejam que este é exatamente o inverso do argumento abortista em relação aos anencéfalos. Eles dizem: As mães não devem sofrer por isso devem ter a chance de abortar. Assim enquanto a Bíblia ensina que as genuínas mães escolhem sofrer para que seus filhos vivam, os abortistas dizem na prática que as mães devem matar seus filhos para não passarem pelo sofrimento de dar a luz a um anencéfalo. Enquanto que a Bíblia proclama o altruísmo vivificador, os abortistas proclamam o egoísmo assassino. Enquanto que a Bíblia proclama a vida os abortistas proclamam a morte. Em qual destes lados você está? Uma mãe temente a Deus escolherá o lado da Bíblia não dos abortistas. Se uma mãe piedosa, temente a Deus receber o triste diagnóstico médico de anencefalia de seu bebê como reagirá? Suponhamos que o médico lhe diga: “Agora o Supremo legalizou o aborto...você não precisa sofrer initilmente.. aborte!”. A mulher temente a Deus dirá: “Não doutor, não matarei meu filho. Não doutor eu escolho sofrer contanto que a vida de meu filho seja preservada...Ah doutor, como eu sofro, como eu gostaria que ele fosse saudável, como gostaria de que nascesse perfeito e que crescesse forte e que aprendesse a andar e falar, e que corresse em minha direção e me chamasse de mamãe...Ah doutor, como gostaria...mas eu sei que ele logo morrerá, sei que talvez não dure muito após nascer, mas não matarei meu filho, não, não assassinarei meu próprio filho, mas o protegerei, o amarei, pois mesmo doente é meu filho,...como poderia matá-lo? Não! Eu o protegerei, o amarei até que chegue o derradeiro momento escolhido por Deus quando então ele, o meu filho partirá...Ah doutor, eu confio em Deus, creio em sua soberania, e sei que Ele é sábio e que por mais que agora eu sofra e não compreenda Nele ainda me alegrarei. Ah doutor, eu digo a minha alma: Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu (Sl 43:5)” Amém!

Que o Senhor tenha misericórdia desta nação em Cristo Nosso Salvador!
Fonte: Site A VERDADE ESTÁ NA BÍBLIA


terça-feira, 26 de março de 2013

Lições Bíblicas Jovens e Adultos 2º trimestre de 2013

Lições Bíblicas  Jovens e Adultos  2º trimestre de 2013

Neste 2º trimestre de 2013

     Estudaremos A Família Cristã no Século XXI: Protegendo seu Lar dos ataques do Inimigo.
A Família Cristã é um campo de batalha onde o Espírito de Deus luta contra Satanás, e nós precisamos ter consciência de que podemos glorificar a Deus com a nossa família. Nosso lar só alcançará a vitória quando resistir aos ataques do inimigo. Para isso precisamos estar submissos a Deus e à Sua Palavra. Os comentários das lições será feito pelo Pastor Elinaldo Renovato de Lima [formado em Economia, com mestrado em Administração, tendo lecionado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde chegou a pró-reitor, cargo que exerceu de 1977 a 1979. Foi Secretário de Administração (1973) e Secretário de Planejamento e Coordenação Geral do Município de Natal (dez./1973 a março/1975). Formado em Teologia pela Escola Teológica das Assembléias de Deus no Brasil, é, desde 1999, Pastor-Presidente da Assembléia de Deus em Parnamirim-RN. É, também, Professor da Escola Teológica das Assembléias de Deus no Brasil (ESTEADEB-RN), onde leciona Teologia Sistemática, Homilética, Hermenêutica, Ética Pastoral, História da Igreja, Escatologia e Evangelismo e Missões. É autor de vários livros, que podem ser vistos e adquiridos pelo Site www.assembleiadedeus-rn.org.br/familia.].

Sumário

     Tendo em vista a grande ameaça ao modelo bíblico de família instituida por Deus, neste segundo trimestre de 2013, em todas as Assembléias de Deus - Ministério Belém, estaremos estudando e repassando as lições abaixo, visando ensinar e orientar todas as famílias que participam da igreja.  Vale a pena vir estudar na EBD.
 
1 - Família, Criação de Deus
2 - O Casamento Bíblico
3 - As Bases do Casamento Cristão
4 - A Família Sob Ataque
5 - Conflitos na Família
6 - A Infidelidade Conjugal
7 - O Divórcio
8 - A Educação Cristã, Responsabilidade dos Pais
9 - A Família e a Sexualidade
10 - A Necessidade e a Urgência do Culto Doméstico
11 - A Família e a Escola Dominical
12 - A Família e a Igreja
13 - Eu e minha Casa Serviremos ao Senhor

quinta-feira, 21 de março de 2013

Como Estudar a Bíblia

Por R A Torrey
1. Tenha Tempo Todos os Dias Para Estudar (Salmo 1.2, 3)
A pessoa que, resolutamente, fizer um voto de estudar a Bíblia logo verá que cumprirá esse voto. O estudo diário será fato singular e fará diferença em sua vida. Pouco a pouco, o estudo vai-se transformando em qualidades que você mesmo não perceberá até ter feito o estudo por muito tempo. A quantidade de tempo a ser gasta é você quem deve decidir. Uma hora diária seria melhor, mas muito pode ser feito em quinze minutos. Tenha uma visão a longo prazo sobre esse estudo. Talvez nem todas as sessões de estudo não abra maravilhas para você, mas, com o correr do tempo, verá que tem sido uma boa influência.
 
2. Estude Mesmo a Bíblia (João 5.39)
Não fique satisfeito com um simples correr de olhos pelas páginas da Bíblia. Examine-a! Leia e releia as passagens para que se aproveite a verdade escondida nas páginas. Examine-as! Faça perguntas e procure as respostas: O que isto significa? O que isto significa para mim? Só tem isso? Procure entendimento pelas palavras diferentes que notar. Pese cada uma. Verifique outros versículos que têm a mesma palavra. Não seja um bebê o tempo todo -- estude você mesmo a Bíblia. Você pode atingir o significado. Forme seu próprio pensamento sobre o assunto.


3. Estude por Tópicos (Jeremias 15.16)
Essa é a maneira mais simples de estudar a Bíblia, é o método que mostra os resultados mais rapidamente. Procure estudar tópicos na Bíblia (por exemplo: justiça ou amor). Não isole seu estudo em uma única parte. Veja o assunto por inteiro. Dessa maneira, saberá tudo o que Deus diz sobre o assunto. Compre ferramentas para ajudarem no estudo, tais como: concordância bíblica, comentários, dicionário bíblico. Não é necessário ler um livro da Bíblia por inteiro para ter-se um estudo pelos tópicos. Use as ferramentas. Procure cada versículo que menciona o seu tópico, seja de cidades (Galiléia, Jerusalém, etc.), de assuntos (oração, amor, arrependimento, lar, paciência, etc.) ou de pessoas (Jesus, Moisés, Pedro, Noé, José, etc.) e logo ficará sabendo muito mais sobre a matéria.
  Mas lembre-se:
a. Seja Sistemático - Faça antecipadamente uma lista dos assuntos que quer estudar e estude-os um por um. Inclua vários para não ficar detido apenas em um só.

b. Seja Completo - Não estude só uns poucos versículos. Vá até onde não haja mais o que conhecer.

c. Seja Exato - Entenda realmente as palavras. Anote-as, use um dicionário para entendê-las. Anote o que vem antes e depois, compare com outras passagens similares.

d. Seja Organizado - A informação pode ser boa, mas muitas vezes precisa ser considerada de maneira útil. Escreva em um caderno o que aprende e o que quer aprender. Faça uma lista de perguntas e anote a resposta pelo estudo (1 Coríntios 14.40).

4. Estude por Capítulos (Isaías 28.10-13)
Essa maneira de estudo é a que toma menos tempo. Selecione os capítulos que quer estudar. Não comece por Gênesis, mas talvez João, Atos ou Salmos. Leia o capítulo cinco vezes (uma destas vezes em voz alta). Divida o capítulo em seções e descreva cada seção com um título. Anote os fatos principais na ordem que aconteceram. Anote as pessoas mencionadas e algo que aprendeu sobre elas. Anote as principais lições do capítulo. Procure uma verdade central no capítulo e anote-a. Há um versículo-chave no capítulo? De qual versículo você gostou mais? Marque-o e memorize-o. Coloque um nome no capítulo. Anote assuntos para estudos posteriores. Anote frases ou palavras para estudos posteriores. Anote as novas verdades que aprendeu no capítulo. Anote as coisas que aprendeu, as verdades que já conhecia e viu no capítulo. O que mudou na sua vida graças ao estudo do capítulo?


5. Estude a Bíblia por Ela Ser a Palavra de Deus (1 Tessalonicenses 2.13)
Desenvolva um maior desejo de conhecer a Bíblia, mais do que por outro livro qualquer. Aceite o que ela ensina, mesmo sem entender tudo ou concordar com todo assunto que estudou. Tenha confiança no que ela diz. Obedeça ao que aprende dela (Mateus 7.24, 25). Seja atento para ouvir a Deus por meio dela. O estudo da Palavra de Deus é tempo gasto com Deus.


6. Estude com Oração (Filipenses 4.6)
Antes de começar o estudo, ore. Durante o estudo, procure a Deus pela oração. Depois de estudar, entre em oração. É Deus quem explica o que vai ser estudado (1 Coríntios 2.15, 16). Peça graça para aceitar a verdade que não entende. Peça a graça de Deus para eliminar da mente e da crença o que não é verdadeiro. Deus está sempre presente.


7. Procure por Cristo (Lucas 24.27)
No estudo da Palavra de Deus procure pelo Filho de Deus em cada página. A Bíblia tem como tema central a exaltação de Jesus Cristo. Por Cristo, o Pai é exaltado sempre. Anote onde você encontra Cristo.


8. Use os Momentos Livres (Efésios 5.16; Colossenses 4.5)
Nem sempre é fácil estudar a Bíblia, mas podemos achar tempo nas salas de espera, nas filas e nos pontos de ônibus, nos minutos vagos entre atividades (refeições, banho, etc.). Tenha sempre consigo uma Bíblia ou um Novo Testamento ou uma folha com seu estudo. Leia, anote um pensamento, continue a aprendizagem.


9. Grave o que Aprender (Salmo 119.11)
Lembre-se da referência da verdade aprendida (o "endereço" dela). Anote o versículo principal e memorize-o. Ensine a verdade aprendida aos outros. Aplique as verdades a sua vida.


Fonte: http://www.celebrandodeus.com/estudos/estudos.asp?id=1

Parábola das dez virgens.

por Aloízio Sousa Arantes

Mateus 25:1-13
“ENTÃO o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. 2 E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas. 3 As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. 4 Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. 5 E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram. 6 Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro. 7 Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. 8 E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. 9 Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. 10 E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. 11 E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos. 12 E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. 13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.”
Mateus neste texto nos relata a Parábola das 10 virgens. As virgens representam todos os crentes. O que significa que, na igreja, há dois tipos de crentes: O Prudente e o Néscio; o vencedor e o derrotado. E o que diferencia o Prudente e Vencedor, nesta parábola? É que, além da lâmpada, ele tem azeite sobrando. O Néscio e derrotado, não é cheio do Espírito Santo O outro aspecto que precisa ficar claro é que a ênfase da parábola à luz da hermenêutica, não é a salvação do indivíduo do inferno, mas o Reino do Senhor Jesus Cristo. Tanto esta parábola como a dos talentos (também o capítulo de Mateus 25) falam acerca do Reino de Deus. Atente bem para o que diz Mateus no primeiro verso “ENTÃO o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.”
Isto posto, a partir de agora, vamos explicar o significado de alguns termos desta parábola:
  • As Noivas - representam os crentes;
  • O Noivo, representa o Senhor Jesus Cristo.
  • As Virgens - o termo não deve ser visto literalmente. Todos os crentes são vistos como Virgens diante de Deus – separados para o deleite de Deus;
  • O número 10 - significa a completude da responsabilidade humana. Por isso nós, os homens, temos 10 dedos nós pés e nas mãos. Por isso os mandamentos que Deus deu a Moisés são 10. Isso significa que essas 10 virgens englobam todos os crentes de todas as épocas;
  • Lâmpada - O que significa na Bíblia? Provérbios 20:27 diz que o espírito do homem é a lâmpada do Senhor. Essas lâmpadas que estavam com as virgens representam nosso espírito recriado. O nosso espírito é como uma lâmpada que foi acesa diante de Deus.
O texto diz que cinco das virgens eram néscias. Podemos dizer que elas eram crentes, por alguns motivos:
A Bíblia fala que elas eram todas virgens – isto nunca é colocado em dúvida, esta não é a questão principal desta Parábola. A grande questão não é se as virgens eram falsas ou verdadeiras, mas se eram néscias ou prudentes. Se fossem falsas, o Senhor teria dito. Elas tinham luz em suas lâmpadas; isto significa que elas nasceram de novo, tiveram seu espírito recriado na conversão. Por outro lado, se essa lâmpada também significa obras, quer
dizer que elas tinham obras, testemunho diante de Deus; se a lâmpada significa a Palavra, quer dizer que elas tinham a Palavra consigo. (Salmo 119:105 “Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra e luz para os meus
caminhos”).

Todas elas foram encontrar-se com o noivo. Se elas não fossem crentes, elas nunca iriam se encontrar com o noivo, assim como bandido não vai se encontrar com a polícia, lembre-se do que diz o adágio popular: “no lugar
que tem polícia o malandro não encosta, lagoa que tem piranha jacaré nada de costa”. O incrédulo não vai atrás de Cristo. É o Senhor Jesus Cristo que toma a iniciativa de amor indo de encontro com o homem perdido sem Deus.

No verso 6 “Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.” se diz que ouviu-se um grito, que é a voz do arcanjo; é a voz da sétima trombeta do Apocalipse. E quando este arcanjo tocar, então todos vão ressuscitar. E todas elas ouviram a voz do arcanjo, o que significa que elas eram crentes. As ovelhas reconhecem a Voz do Sublime Pastor!
Por fim nos é dito que todas elas tinham óleo nas lâmpadas. O problema é que elas não tinham azeite sobrando. O Azeite nas Sagradas Escrituras simboliza O Espírito Santo.
Outra diferença: se o Senhor não tivesse demorado, as virgens néscias teriam entrado pela porta. O grande teste então foi o tempo. Há muitos crentes que vão bem na sua jornada cristã, mas logo desistem, vão perecendo pelo caminho vão se desviando.
Ainda há outro aspecto que precisamos considerar com muita seriedade diante do Senhor: quando o noivo chegou, as virgens néscias pediram azeite às prudentes que disseram não, o que isto significa? Significa que cada um de nós deve ter a medida da Unção individualmente. Se as néscias não fossem crentes, as prudentes nunca poderiam ter negado do Espírito para elas. Elas disseram: vão comprar! Ora, se a parábola estivesse falando de salvação, a salvação poderia então ser comprada com obras por exemplo, ou está à venda?
Não; a Salvação é de Graça (“pela Graça sois salvos mediante a fé, e isto não vem de vós é dom de Deus”). Se as virgens néscias eram descrentes, então as prudentes pecaram, porque não quiseram dar do que tinham às outras. E A Bíblia não as repreende por isso. E no verso 13 o Senhor nos manda vigiar, pois não sabemos o tempo e a hora. Descrente não vigia, ele anda gozando a vida e seus prazeres regaladamente sem nenhuma preocupação com o seu destino na era vindoura – agora aqueles que vigiam são os crentes.

Agora entendemos que todas 10 virgens são crentes e que há na Igreja os crentes néscios e os crentes prudentes. O Prudente é aquele que edifica a sua vida em segurança, sobre a Rocha – que pratica a Palavra, tem realidade
e conteúdo espiritual. Aquele que está em linha com a Palavra de Deus não pode ser abalado.

E qual foi a insensatez que estas virgens cometeram?
Reino é tomado por esforço, e a Salvação é pela Graça!
Elas tinham apenas a lâmpada acesa – eram salvas da perdição do inferno -, mas não tinham azeite sobrando – não eram cheias do Espírito Santo. O azeite sobrando é a qualificação para reinar com o Senhor Jesus. O azeite é algo de que temos que nos encher a cada dia, pois vai se acabando, logo precisa ser cheio e renovado constantemente. Quem é cheio do Espírito quer fazer algo na direção do Espírito Santo, é gente comprometida, é séria e quer ver algo acontecendo, pois elas sabem que o Reino é tomado por esforço, e a Salvação é pela Graça. (Mateus 11:12 “Desde os dias de João Batista até agora o Reino dos Céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.”)
Porque as virgens prudentes não atenderam ao pedido das virgens néscias e não lhes deram azeite?
É porque há coisas que ministramos e outras que damos. O verso 7 fala que as virgens néscias, quando acordaram, queriam que as prudentes dessem a elas azeite. Mas estas mandaram comprá-lo. Comprar na Bíblia, é algo cheio de significado. Na Bíblia há muitas coisas gratuitas – como a salvação -, mas há outras coisas que temos que pagar um preço para tê-las.
Eu posso ministrar o batismo no Espírito Santo, mas não posso encher ninguém do Espírito Santo; cada um é responsável por encher-se e para isto o apóstolo Paulo dá a receita em Efésios 5:18-20 “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; 19 Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; 20 Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo; 21 Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus.” Como você vê amado leitor, este enchimento do Espírito Santo não é uma mera transferência de poder ou capacitação para obras de Deus, com uma oração impondo as mãos sobre a cabeça do indivíduo, empurrando, derrubando,
soprando, lançando o “paletó santo” sobre o indivíduo, com palavras mágicas, tal como temos visto no evangelicalismo moderno; nas ocorrências dos “Encontros Tremendos” onde o indivíduo entra pecador, e em três dias já sai prontinho batizado com Espírito Santo! Isto é vulgarizar a Palavra de Deus!

Sabemos que há no nosso meio irmãos que não gostam do termo “pagar o preço”, porque dizem que tudo é de graça. Mas, a Bíblia não nos ensina que tudo é de graça. Ela nos diz que há coisas que têm um preço. Provérbios 23:23 “Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento.” nos fala de coisas que devemos comprar.
Por exemplo ser um Mestre na Palavra requer tempo, oração, contemplação, estudo, pesquisa, esforço e disposição. Fala que a operação da vida e da unção tem um preço: entrar na morte. Morte é qualquer coisa que implica na suspensão dos nossos direitos legítimos e vitais. Ora, se temos direito de comer, mas abrimos mão dele para jejuar e ter unção, isso é morte. Se temos direito de dormir, de passear, e abrimos mão deles para orar, isso é morte. E quando pagamos o preço, a Vida de Deus vê.
Em Apocalipse 3:18 “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.”, na carta à igreja em Laodicéia, o Senhor nos aconselha a comprar ouro, que nos fala da natureza do caráter santo de Cristo; vestiduras brancas, que nos falam dos atos de justiça dos santos e da Santidade de Deus
e colírio, para vermos, para enxergarmos as coisas de Deus, para termos discernimento e percepção espirituais. Há muitos que são naturais e só vêem o que é palpável. Ter unção e um constante jorrar de vida implica, muitas
vezes, em muito choro, lágrimas, jejum, oração e perseverança. Há um preço a ser pago.

Verso 5. Todos nós iremos morrer a vida física um dia, ou seremos arrebatados (embora já tenhamos morrido com Jesus Cristo incluídos na sua morte, na cruz do calvário), assim como as virgens simbolicamente morreram
quando estavam dormindo. Dormir na Bíblia pode significar duas coisas:

Apostatar-se da fé: (Romanos 13:11-14 “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. 12 A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz. 13 Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. 14 Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da
carne em suas concupiscências.” e I Tessalonicenses 5:4-10 “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; 5 Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. 6 Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios; 7 Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedam-se de noite. 8 Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação; 9 Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, 10 Que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele.”);

Morrer (I Tessalonicenses 4:13 “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.” e João 11:11 “Assim falou; e depois
disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.”).

Neste texto, objeto do nosso estudo, cremos que o significado aqui é morte. Porque todas, tanto as néscias como as prudentes dormiram. Se se tratasse de apostasia, teríamos que admitir que as prudentes, também se apostataram da fé. Em segundo lugar, as prudentes dormiram e não foram de forma nenhuma afetadas pelo sono. E, em terceiro lugar, o Senhor não as repreende por haverem dormido. Por tudo isso, podemos ver que o sono, aqui, não é algo negativo. Mesmo porque o centro da parábola é o verso 13, que nos manda vigiar e orar. “Ouviu-se um grito: Eis o noivo, saí ao seu encontro!” .
Quando a Sétima Trombeta tocar, aqueles que morreram em Cristo vão ressuscitar; todos, tanto os vencedores quanto os derrotados, vão ressuscitar. Todas as virgens se levantaram, lembra-se? Isto significa que essa parábola fala da volta do Senhor Jesus.
O Verso 10 nos diz que, enquanto elas foram comprar azeite, o noivo chegou e as virgens que estavam apercebidas, que tinham azeite sobrando em suas lâmpadas, entraram para as bodas e as portas foram fechadas. Fechar a porta não significa que a pessoa perdeu a salvação; significa, sim, que o tempo para qualificação, enchendo-se do Espírito Santo, é hoje. É agora e não depois que o Senhor Jesus voltar. Em II Coríntios 5:10 “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.” nos é dito que todos os crentes comparecerão perante o Tribunal de Cristo. Este julgamento não é para salvação ou perdição eterna, mas para recebermos ou não o galardão de
Reinar com Cristo no Reino Milenar.

Qual a diferença entre as Virgens Néscias das Virgens Prudentes?
A grande diferença entre as virgens néscias e as virgens prudentes, além da quantidade de Azeite que elas possuem em suas lâmpadas é a seguinte: Enquanto as virgens néscias vão dormir em berço esplêndido; As Virgens Prudentes estão alertas, vigilantes, como o Coração velando no Noivo, Cantares 5:2 “Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite.” Por isto, registramos aqui um alerta do apóstolo Paulo na Carta aos Efésios, 5:14-17 “Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. 15 Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, 16 Remindo o tempo; porquanto os dias são maus. 17 Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.”
Verso 11. Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: “Senhor, Senhor abre-nos a porta!” Mas Ele respondeu: “Na verdade vos digo que não vos conheço”. O conhecer deste contexto é diferente de um simples conhecer; é algo mais intenso, mais profundo, mais íntimo. A Bíblia usa dois termos gregos para a palavra conhecer: gnosko (conhecimento objetivo, mental, da alma) e oido (conhecimento subjetivo, espiritual, mais intenso). A Bíblia muitas vezes, chama o ato sexual de conhecer. João 1:26,31, diz que João não conhecia a Jesus, mas é claro que ele o conhecia. Eles eram primos. João sabia quem era Jesus, o filho de Maria, mas não sabia quem era Jesus o Filho de Deus, para o que seria preciso especial revelação – mais que gnosko, seria preciso oido.
Quando o Senhor Jesus disse que não conhecia aquelas virgens néscias, será que Ele estava dizendo que não sabia quem eram elas? Claro que não, porque Deus conhece todo mundo. Ele é Onisciente, conhecedor de todas as coisas. Um clássico exemplo disto está no livro de I Samuel no capítulo 3. Samuel servia ao Senhor perante o Sacerdote Elí, num tempo de grande apostasia e falta de atividade profética, esta era a característica dos dias de Eli.
Vemos neste texto que o jovem Samuel servia o Senhor, porém Samuel não conhecia o Senhor. Ora, se Samuel servia ao Senhor, ele sabia quem era o Senhor. É como muitos crentes, que servem ao Senhor, porém não o conhecem na intimidade, em realidade e em espírito. O conhecimento do Senhor nos transforma, nos muda e nos conquista. A salvação é uma questão de conhecermos a Deus, é uma Porta dimensional que se nos abre para percorrermos O Caminho, mas o Reino é uma questão de Deus nos conhecer.
Para encerrarmos esta parábola, precisamos ter clareza de que, para sermos vencedores, não termos apenas que a Lâmpada acesa. É preciso ter azeite sobrando na vasilha. As virgens não foram julgadas por algo que fizeram ou deixaram de fazer. A grande questão não eram as obras, muitos espíritas na sua ignorância fazem muito mais obras do que o povo evangélico, pensando que com isto ganharão a salvação. Apesar das obras serem importantes, frutos de um coração convertido em fé. A grande questão era se estavam ou não cheias do Espírito Santo, com Azeite derramando em suas candeias. Eis aí porque nós somos tão radicais quanto à necessidade de estar cheio do Espírito Santo. É que não há como ser vencedor sem ser cheio do Espírito Santo. Sem estar cheio do azeite do Espírito Santo ninguém vai ser arrebatado.
No arrebatamento vai ser apenas para o crente vencedor. Nem todos os crentes vão ser arrebatados. Não basta estar com a vida correta e irrepreensível – até porque há muitos não-crentes que têm uma vida mais correta do que muitos de nós. É preciso ter algo mais – é preciso ter algo que o mundo não tem. Em nossa igreja somos tão radicais quanto a este aspecto que ninguém assume nenhuma função de liderança sem estar cheio do Espírito Santo.
Aloízio Sousa Arantes
asa.inox@g8net.com.br

segunda-feira, 18 de março de 2013

A contribuição cristã é a graça a nós concedida

A contribuição cristã é bíblica. Não precisamos ter constrangimento em tratar do assunto. Infelizmente, muitos líderes religiosos, movidos pela ganância e regidos por uma falsa teologia, exploram o povo em nome de Deus, usando mecanismos nada ortodoxos, para vender seus produtos, criados na fábrica do misticismo, para auferirem lucro em nome da fé. Esses desvios da sã doutrina e da ética cristã, que trazem enriquecimento para uns e vergonha para todos, têm levado muitos crentes a serem refratários com respeito à mordomia dos bens. O extremo de uns, entretanto, não pode nos levar para outro polo. Devemos cingir nossa fé e nossa conduta apenas pela Palavra de Deus.
Com respeito à contribuição cristã, precisamos observar duas coisas:
Em primeiro lugar, os dízimos. A entrega fiel de dez por cento de tudo quanto ganhamos para o sustento da obra de Deus é um ensino presente tanto no Antigo como no Novo Testamento. Não temos o direito de subestimar os dízimos nem de subtraí-los. Não compete a nós administrá-los. Devemos entregá-los com integralidade, alegria e gratidão para a manutenção da Casa e Deus e a expansão do seu reino.
Em segundo lugar, as ofertas. O apóstolo Paulo, na segunda epístola aos coríntios, trata dessa matéria de forma esplêndida. Ali nos oferece alguns princípios que vamos, aqui, destacar:
Primeiro, a oferta é graça mais do que obrigação (2Co 8.1). Graça é um favor imerecido. É Deus quem nos dá o privilégio de assistirmos os santos, socorrermos os necessitados e sermos seus cooperadores no avanço de sua obra.
Segundo, a oferta não é resultado da abundância do que temos no bolso, mas da generosidade do nosso coração (2Co 8.2). As igrejas da Macedônia, mesmo passando por muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e mesmo suportando profunda pobreza, superabundaram em grande riqueza de generosidade, ao contribuírem para os pobres da Judeia. A contribuição cristã é um privilégio e não um peso. Deve ser feita com alegria e não com pesar.
Terceiro, a oferta deve ser voluntária e proporcional (2Co 8.3,4). Contribuir por coação ou constrangimento não tem valor aos olhos de Deus. A contribuição deve ser espontânea, e também, proporcional. Os crentes da Macedônia ofertaram na medida de suas posses e mesmo acima delas. A contribuição não é para trazer sobrecarga para uns e alívio para outros, mas para que haja igualdade. Para usar uma linguagem bíblica, “o que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta”.
Quarto, a oferta é uma dádiva da vida, mais do que de valores financeiros (2Co 8.5). É fácil entregar uma oferta financeira a uma pessoa necessitada, sem entregar com ela o coração. Os macedônios deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois fizeram a oferta aos pobres da Judeia. Antes de trazer nossa oferta, precisamos trazer nossa vida. Primeiro Deus aceita o ofertante, depois recebe a oferta.
Quinto, a oferta é uma semeadura recompensada por Deus com farturosa colheita (2Co 9.6). Quando ofertamos para atender à necessidade dos santos, estamos fazendo uma semeadura. Quem semeia pouco, colhe pouco; quem semeia com fartura, com abundância ceifará. O bem que fazemos aos outros vem sobre nós mesmos e isso da parte do Senhor. Quem dá ao pobre, a Deus empresta. A alma generosa prosperará. A semente que se multiplica não é a que comemos, mas a que semeamos. É Deus quem nos dá semente para semear. É Deus quem supre e aumenta a nossa sementeira. É Deus quem multiplica os frutos da nossa justiça. É Deus quem nos enriquece em tudo, para agirmos com toda generosidade, a fim de que sejam tributadas a ele, as ações de graças. Quando socorremos os santos, isso não apenas supre as necessidades deles, mas também, redunda em ações de graças a Deus. Que Deus nos mova à generosidade e nos faça mordomos fiéis na administração dos bens a nós confiados!

Matéria do Rev Hernandes Dias Lopes

ÁFRICA, CONTINENTE AMALDIÇOADO?

Por Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho

A primeira vez que ouvi alguém dizer que a África era um continente amaldiçoado foi pela boca de um irmão, que já está na glória. Como era uma pessoa dada ao exotismo bíblico, que sempre via o que nunca alguém vira, e muito problemática, logo rejeitei a ideia. Além de estapafúrdia, a declaração vinha de uma pessoa que eu, embora tivesse apenas 15 anos, sabia não merecer crédito.
A “base bíblica” foi a maldição sobre Caim (Gn 4.11ss). Vez por outra, pessoas ignorantes da Bíblia e que a usam de maneira atomizada, sacando passagens do contexto, e ignorantes da obra de Cristo, presas e apaixonadas às maldições veterotestamentárias, ressuscitam a ideia esdrúxula. É impressionante o que a ignorância, aliada à empáfia, faz! Para alguns intérpretes (foi o caso deste irmão que me deu sua interpretação) o sinal posto sobre Caim foi a cor negra. Por isso, a África e os negros eram amaldiçoados, e foram deportados como escravos. Já ouvi gente dizer que a terra de Node, onde Caim foi habitar, era a África. Tolice da grossa, pois a região nunca foi identificada. E o termo hebraico, nod, tem a ideia de andar sem rumo, e não de deportação. A maldição sobre Caim foi que ele, um agricultor, homem de vínculos com a terra, seria nômade. E também a associação dos cainitas (descendentes de Caim) com os quenitas, amaldiçoados com deportação escrava (Nm 24.21-24) é tremendamente incerta. É uma violência exegética, o que se chama de eisegese (pôr ideia no texto).
Além de não se poder afirmar que Caim foi para a África, tal ideia ignora que o sinal (‘oth, algo externo), foi para proteção e não para maldição. Quem o encontrasse não deveria matá-lo (Gn 4.15). O termo reaparece em Gênesis 9.12: ‘oth berith (“sinal da aliança”). E em Gênesis 17.11: lê ‘oth berith (“para sinal da aliança”) Nestes dois casos, a palavra traduzida como “sinal” se associa com bênção. Obviamente que é o mesmo sentido com o episódio de Caim. Foi um sinal benigno, não maligno. O sinal posto foi lê Qain, literalmente “para Caim”, e não “contra Caim”. Foi algo para lhe favorecer. A maldição sobre Caim foi a de ser errante, e o trato posterior de Yahweh com ele foi de misericórdia, e não de ódio eterno. A tradição judaica diz que o sinal posto sobre Caim foi o nome sagrado de YHWH, para que todos soubessem que não deviam tocá-lo. Yahweh foi fiador de Caim. Isso se chama Graça e não maldição!
E há mais: as raças não surgiram após o Éden, mas após o dilúvio (Gn 10). E a dispersão da humanidade pela face da terra se deu em Gênesis 11 (especialmente v. 9). Caim nada teria a ver com a África nem com a Europa nem mesmo com a Oceania.
Há gente fissurada em maldições e no Antigo Testamento e suas pragas. Respeitosamente recordo-lhes o conteúdo do Sermão do Monte: “foi dito” e “eu, porém, vos digo” e sua admirável conclusão: “Estas minhas palavras”. O padrão é o ensino de Jesus, o Novo Testamento. Lembrem-se da palavra do Pai, na Transfiguração: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado; a ele ouvi” (Mt 17.5). Nós não ouvimos a Moisés e Elias (o Antigo Testamento), mas ao Filho amado (Hb 1.1-2).
Uma regra elementar de Hermenêutica ensina que o Novo Testamento interpreta o Antigo Testamento. Inclusive, segundo Paulo, o judeu só entende completamente o Antigo Testamento quando aceita o Novo (2Co 3.14-16). Seria bom parar de colocar o mundo e a igreja de Jesus sob o jugo do Antigo Testamento.
Fujamos de gente exótica que vê na Bíblia o que intérpretes bem mais capacitados e de mais autoridade espiritual nunca viram. Os reinventores do evangelho e da Teologia geralmente nos envergonham e escandalizam.
E no que interessa: não há nenhuma maldição especial sobre a África e sobre os negros. Racistas de plantão: não deturpem a Bíblia nem envergonhem os evangélicos!

O pecado que trará o fim do mundo

Pr Ricardo Gondim
Percebo uma zanga generalizada sobre determinados pecados. “O mundo vai de mal a pior; estamos perto do fim”, alertam. “Mas quais pecados aceleram o fim do mundo?”, pergunto. “Promiscuidade sexual”, respondem; e ainda avisam: “Se não acontecer um avivamento puritano, semelhante ao inglês no tempo da rainha Vitória, vai chover fogo e enxofre”. Insisto; minha inquietação é grande: “Por que tanta ênfase no pecado sexual?”.
Não vamos falar de uma iniquidade que Deus odeia, ou melhor, que ele abomina? O livro de Provérbios é categórico:
Estas seis coisas aborrece o Senhor, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, a língua mentirosa, e mãos que derramam sangue inocente, e coração que maquina pensamentos viciosos, e pés que se apressam a correr para o mal, e testemunha falsa que profere mentiras,
e o que semeia contendas entre irmãos
– Provérbios 6.16 9.
(o grifo é meu).
Deus odeia toda maldade que gera morte, mas detesta, abomina, maledicência, calúnia, boataria. O Senhor execra a difamação com veemência. Por que não se combate precisamente o mal que pode desencadear a ira divina? O nono mandamento da Lei de Deus não deixava dúvida, Javé não tolera quem semeia suspeita: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”.
Por que Deus aborrece a maledicência com tanta força? 
Porque o maledicente só desopila o baço quando, insatisfeito em arranhar uma reputação, busca destruir uma história. O caluniador crava as unhas na vida de pessoas que admira com ânsia de matar.
Porque o maledicente fuça a intimidade alheia para suscitar o que não presta. Para isso gosta de ambientes mal cheirosos. É hiena com fome de carniça. O caluniador se alimenta de notícias estagnadas. Ele sabe revolver as fossas do passado –  fossas podres. O mundo do caluniador rodopia em frases retalhadas de eventos que deveriam jazer no mar do esquecimento. Quando retalha conversas, pinça revelações de contextos íntimos; e  joga ao vento com o intuito de arrasar.
Porque o maledicente se contenta em sussurrar meias verdades. Ele aumenta, nunca inventa. Sua especialidade é imaginar. Evita o risco da calúnia com vagas insinuações. Fantasia, e espalha como fato, o que suspeita. O difamador não passa de rato. Seus movimentos são ágeis pelos esgotos da dúvida. Seu mundo necessita de penumbra; suas alucinações não resistem à luz. Necessita de lusco fusco para que todos fiquem pardos.
Porque o maledicente é escorregadio. Adora o discurso conservador para se proteger de atos falhos, de pequenas escorregadelas. É ortodoxo. Gosta de discutir literalidade; detesta a sua subjetividade. Montado em lógicas incontestes, evita que outros percebam o desconforto que nutre consigo mesmo. A fofoca espalhada serve para esconder a alma exangue do detrator. Como diz José Ingenieros, ele quer empanar “a refutação alheia para diminuir o contraste com a própria”. Quando sugere a dúvida, acredita que a sua leviandade diminuirá o discernimento das pessoas.
Por que o maledicente precisa de cúmplices. Ele só age em quadrilha. Amparado por gente de coração diminuto, espalha o vírus da notícia imprecisa. Procura não aparecer. Basta esperar que a informação suspeita se espalhe pela boca rancorosa de simplórios. A maquinação da maldade não carece de sua supervisão. E não falta gente baixa. Sobra quem se deleita em assistir ao espetáculo de uma biografia enxovalhada na sarjeta. Ele se delicia em saber que outros terminaram o serviço sujo que ele só começou. Desdenha a Bíblia, que tanto repete: “Não se alegre quando o seu inimigo cair, nem exulte o seu coração quando ele tropeçar…”.
Porque o maledicente saliva na iminente derrocada de quem, na verdade, admira. Depois que sabe da desgraça se refastela. Seu sorriso tem uma satisfação satânica. Ele deseja o que o outro desfrutava. Seu ódio é proporcional à admiração. Agora, acredita que não existe mais ninguém acima de si. A língua é fogo, muitas vezes incandescida pelo inferno. A língua produz um mundo de iniquidade e só precisa de uma fagulha para incendiar o curso de uma reputação. Para acabar com alguém, bastam uma breve insinuação, um cenho franzido, um gesto hesitante.
Porque o maledicente é dono de uma perfídia maldosa. Ele é mestre nas perguntas capciosas. Sua intenção é ouvir o segredo e deixar pontos de interrogação no ar: “Será?”; “Foi assim mesmo?” Para isso, oscila sordidamente entre a piedade e a detração. Com a mesma língua bendiz a Deus e amaldiçoa a história de alguém criado à imagem e semelhança do Deus, que ele jura adorar. Se não consegue destruir a biografia, o testemunho observado objetivamente, o caluniador questiona as intenções. Gosta de fazer juízo de valores porque a subjetividade é frágil. Vale-se de seus esgotos interiores para julgar e sentenciar. Davi pecou, mas teve a graça de escolher que tipo de punição sofreria. “Prefiro cair nas mãos do Senhor, pois grande é a sua misericórdia, a cair nas mãos dos homens”. O padre Antônio Vieira comentou a passagem: “O juízo dos homens é mais temeroso do que o juízo de Deus; porque Deus julga com entendimento, os homens julgam com a vontade”.
Porque o maledicente nunca quer ser justo. Sua verdade nasce da sua antipatia. Indisposto, exerce um juízo manchado de inveja. Mal discerne que suspeita, dúvida e sentença veem contaminada com aversão. O acusador não quer saber que encarna a perigosa serpente do Apocalipse e que terá o mesmo destino.
Porque o maledicente, antes de apontar o dedo, esquece de Provérbios: As palavras do caluniador são como petiscos deliciosos; descem saborosos até o íntimo. Como uma camada de esmalte sobre um vaso de barro, os lábios amistosos podem ocultar um coração mau. Quem odeia disfarça suas intenções com lábios, mas no coração abriga a falsidade. Embora a sua conversa seja mansa, não acredite nele, pois o seu coração está cheio de maldade. Ele pode fingir e esconder o seu ódio, mas a maldade será exposta em público. Quem faz uma cova, nela cairá; se alguém rola uma pedra, esta rolará sobre ele – (26.22-27). 
Soli Deo Gloria

quarta-feira, 13 de março de 2013

A RELIGIÃO OU O EVANGELHO?

Por: Glenio Fonseca Paranaguá
Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão. Gálatas 5:1.
A religião é um presídio de segurança máxima que o Diabo inventou para aprisionar os tontos que buscam a independência de Deus. Ela dá a impressão de que você está livre, mas as suas exigências são asfixiantes. Ninguém pode viver livremente em liberdade condicional. Essa liberdade vigiada é uma mentira do inferno.
Adão se tornou um prisioneiro do pecado e a sua descendência já nasceu algemada. Não há livre arbítrio para o pecador que só pode pecar. Todos nós viemos ao mundo sob a ditadura do pecado e encarcerados ao nosso ego.
Os nossos primeiros pais foram livres antes do pecado. Eles podiam pecar e não pecar. Depois da queda, a história é outra. Nascemos pecadores ou escravos do pecado.
A religião é uma proposta que visa ao homem pecador alcançar a Deus pelos seus méritos, justiça pessoal e boas obras. Ela propõe a aceitação de Deus pelos feitos dos seres humanos que se esmeram na conduta e conquista dos seus direitos de filiação.
O evangelho é outra realidade. Ele não focaliza o que fazemos para alcançar a Deus, mas o que o próprio Deus fez para nos alcançar, salvando-nos de nós mesmos e nos libertando de nossa teomania, isto é, nossa loucura de querer ser Deus.
A religião escraviza, mas o evangelho liberta. A religião exige o cumprimento da lei como forma de nossa aceitação. No evangelho, Jesus cumpre a lei e nos atribui, pela fé, a sua justiça como a realidade espiritual de nossa aceitação. E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Romanos 4:6.
A liberdade é um dos patrimônios mais preciosos dados pelo Pai, o Deus de toda a graça, aos seus filhos amados, que caminham em plenitude rumo à Nova Jerusalém. Nenhum filho de Abba pode andar neste mundo, alegremente, como um bem-aventurado, sob um regime de custódia ou aprisionado em uma gaiola de ouro. Ninguém pode ser feliz vivendo em cadeias de grades de ferro ou em grades invisíveis.
Apresento esta lenda chinesa como uma ilustração bem interessante, para que você possa avaliar os sistemas de aprisionamento usados pela religião, em nome do amor, a fim de sufocar as pessoas que pretendem mantê-las em cárceres apertados. Considere este assunto com toda atenção, pois é preferível um pássaro voando a um bando aprisionado.
O ROUXINOL E A GAIOLA DE OURO
Conta uma antiga lenda chinesa que certo dia o Imperador, passeando pelos jardins do palácio, ouviu cantar um rouxinol. E era tão lindo o seu canto, que as cores pareciam tornar-se mais vivas e o mundo mais belo.
Encantado, determinou que o pássaro fosse capturado e levado ao palácio, para que pudesse ouvi-lo cantar em todas as horas do dia; e que os mais hábeis artesãos recebessem os metais mais preciosos e as gemas mais raras, para que pudessem construir a mais rica gaiola que já se viu neste mundo.
Assim se fez. E ao pássaro extraordinário foi reservado um local de honra, no palácio, onde a esmerada iluminação fazia refulgir todo o esplendor da magnífica gaiola.
Entretanto, o rouxinol definhava a cada dia. As suas penas, antes brilhantes e vistosas, tornaram-se opacas e nunca mais se ouviu o seu canto.
O Imperador ordenou, em vão, que lhe fossem trazidos os mais atraentes e saborosos petiscos, que com as próprias mãos ofertava ao pássaro amado.
Um dia, o rouxinol fugiu. E nem todos os emissários do império, enviados pela China inteira, foram capazes de encontrá-lo novamente.
Então a tristeza dominou o Imperador, minando as suas forças. Em pouco tempo viu-se o poderoso regente preso ao leito, dominado por misteriosa e persistente doença. Fizeram de tudo e de nada adiantavam os remédios receitados pelos maiores médicos do mundo, que para curá-lo, foram chamados.
E veio uma madrugada em que, em meio ao delírio da febre, julgou o Imperador ver ao pé de seu leito o rouxinol.
Queixou-se, desvairado: - Ingrato, eis que te dei tudo de mim! Dei-te a gaiola mais rica que jamais existiu, o melhor lugar do palácio e até mesmo os melhores petiscos do mundo, com as minhas próprias mãos!Eu te amava e mesmo assim me abandonaste!
Respondeu-lhe o rouxinol: - Dizes que me amavas... e, mesmo assim, era mais importante a tua vaidade. Para que todos pudessem ver e ouvir o pássaro maravilhoso que possuías, me encerraste em uma gaiola, ao teu lado, privando-me de tudo que eu mesmo amava. Julgas, acaso, que a gaiola mais rica possa substituir a beleza e a imensidão do céu? Ou que os esplendores do palácio me sejam mais agradáveis que voar livre entre as flores, vendo a sua beleza e respirando o seu aroma, sentindo o calor do sol e o orvalho fresco da manhã?
Certo é que me alimentaste com as tuas mãos e que para mim procuraste os petiscos que melhores julgavas. Mas como podes acreditar que me fossem mais saborosos que os alimentos por mim mesmo escolhidos e por meu próprio bico colhidos?
Porém, não me cabe julgar-te. Sei que é assim entre os homens; o que chamais amor não é senão a satisfação das vossas vontades. Em nome do que dizeis sentir, buscais acorrentar a vós aquele que jurais amar; e não acreditais que alguém vos ame, a menos que se curve a vossos desejos, esquecendo as suas próprias necessidades. O que chamais “dor de amor” é, na verdade, o vosso egoísmo contrariado.
Deixa-me, apenas, mostrar-te o que é o amor. Porque, embora os emissários que enviaste para capturar-me não me tenham encontrado, eu jamais me afastei de ti; escondi-me em um arbusto do jardim, de onde, às vezes, podia ver-te, sem que me visses.
E renunciei ao canto, que me denunciaria, para desfrutar da liberdade.
Entretanto retorno, agora que precisas de mim. E apenas te peço que não tentes prender-me, ou o amor se perderia na revolta. É certo que não estarei contigo todo o tempo que quiseres, mas hás de ouvir-me sempre que me for possível.
Deixa-me cantar para ti porque te amo, não porque assim o desejas!
Raiava o dia. E o Imperador, já melhor da febre que o castigara, julgou ouvir um som maravilhoso que se espalhava pelo quarto, trazendo de volta a alegria e as cores da vida. Abriu os olhos para a luz do amanhecer, como se os abrisse para a esperança.
No parapeito da janela, cantando como nunca, estava o rouxinol.
A religião é a gaiola de ouro. É o lugar da clausura e da tristeza, enquanto o evangelho é a liberdade do Jardim da ressurreição Jesus Cristo. Se você canta acuado, o seu louvor é um lamento. É horrível ver crente religioso cantando sob pressão.
Pouca coisa diz tanto como o canto livre do passarinho liberto. Se você é de fato um filho de Abba, você faz parte do coral alforriado que adora com liberdade, sem medo de ser um bem-aventurado. Felizes são os que vivem fora das gaiolas como rouxinóis diante do trono de Sua Alteza, o Rei dos reis. Aleluia.