terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Os riscos de se vestir com um lençol

Artigo (sermão) do Rev. Hernandes Dias Lopes

Referência: Marcos 14.51-52

INTRODUÇÃO
1. A cidade de Jerusalém estava vivendo a noite mais dramática da sua história. Nas caladas da noite, as autoridades judaicas e romanas estavam tramando um plano maligno com a ajuda de Judas Iscariotes para prender o Carpinteiro de Nazaré, o meigo Rabi da Galiléia, o Filho de Deus, o Salvador do Mundo.
2. Jesus já estava no Getsêmani travando uma luta de sangrento suor. Ele ora com forte clamor. Ele chora e suas gotas de suor se transformam em sangue. Os discípulos dormem. O inferno lança contra Jesus suas setas mais venenosas. Jesus geme, chora, sua sangue, mas se rende completamente à vontade do Pai e se dispõe ir para a cruz, morrer em lugar da sua igreja.
3. Judas lidera a turba de sacerdotes e soldados que vão prender a Jesus. Ouve-se pelas ruas o tropel dos cascos dos cavalos. Muitas pessoas, movidas pela curiosidade abrem suas janelas. Outras, olham assustadas de dentro de suas casas. Mas um jovem, não se conteve. Do jeito que estava, enrolado em um lençol, pulou de sua cama e infiltrou-se no meio de turba para ver aquele dramático espetáculo da prisão de Jesus. Não se apercebeu que lençol não é roupa. Não se deu conta de que estava indevidamente vestido e que poderia ser desmascarado, denunciado e exposto a um vexame.
4. Viu como Jesus chamou Judas de amigo. Viu quando Pedro sacou da espada e decepou a orelha de Malco e como Jesus a restaurou. Viu como Jesus voluntariamente se entregou dizendo que havia chegado a sua hora. Viu como Jesus estava sereno, apesar do drama e começou a seguir a Jesus.
5. Este jovem é mais do que uma estatística na multidão, ele é um símbolo. Representa os seguidores ocasionais, os discípulos de plantão. Ele decidiu seguir a Jesus sem medir as consequências. Nem se apercebeu que estava apenas enrolado em um lençol, sem roupas próprias. Deu uma amnésia moral naquele moço. Curiosidade, pressa, improvisação e inconsequência foram as misturas que fizeram daquele moço um discípulo sem compromisso.
6. Quantas decepções e tragédias têm acontecido por causa dessa mistura. Quantos casamentos em desgraça. Quantos empreendimentos mal sucedidos. Quantas vidas destruídas. Tudo por causa de uma curiosidade mórbida, torpe e inconsequente.
7. Esse texto nos ensina algumas lições práticas.
I. AQUELES QUE SE COBREM DE UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DOS SEGUIDORES DE JESUS, MAS SEM COMPROMISSO 
1. Segue a Jesus, mas não tem compromisso – a Bíblia nos mostra que o rapaz seguia a Jesus. Ele se tornou um discípulo casual, mas não era um verdadeiro discípulo. Faltava-lhe o compromisso com Jesus. Ele era um discípulo de improviso. Seguia Jesus movido pela curiosidade, mas não tinha aliança com ele.
2. A geração do “Fica” – Este jovem é um símbolo da nossa geração que “fica” sem compromisso. No namoro, no casamento, nas amizades, no emprego, no endereço, todo mundo está ficando. As coisas e as pessoas estão se tornando descartáveis. Hoje as pessoas estão “ficando” até com Jesus e com a Igreja. Não querem compromisso. Não firmam raízes. Não toleram o princípio da fidelidade. Aquele jovem colocou o lençol só para ver de perto e voltar para a sua cama. Era uma aproximação casual de Jesus. Nada de compromisso. Muitos estão assim hoje: aproximações temerárias, intimidades perigosas, sem nenhuma fidelidade. Muitos estão “ficando” com Jesus apenas numa noite de louvor, mas sem compromisso de fidelidade a ele. Vêm à igreja apenas em ocasiões especiais. Pensam que fazendo isso estão quites com Deus. Mas isso não é seguir a Cristo. Ser discípulo é mais do que ter emoções, estar perto. É fazer a vontade do Pai.
3. A síndrome do controle remoto – O controle remoto é o instrumento da mudança. A decisão de mudar de canal está na ponta dos seus dedos. O controle remoto favorece em muito o descomprometimento. Com o controle remoto não há fidelidade a um canal, há um interesse por tudo e por nada, porque, no final, tudo e nada foi visto. Essa mania do controle remoto acabou por se manifestar nos relacionamentos. As pessoas não conseguem ficar muito tempo com a mesma namorada, com o mesmo namorado, com o mesmo marido, com a mesma esposa, com o mesmo carro, com os mesmos amigos, na mesma igreja. Hoje os crentes dizem que Jesus satisfaz, mas vivem insatisfeitos. Vivem a procura de coisas místicas, ou se deliciar nos banquetes do mundo. Paulo diz que as os lucros do mundo tornaram-se lixo ao comparar com a sublimidade do conhecimento de Cristo. O que mais as pessoas andam buscando é prosperidade, saúde, sucesso e não intimidade com Deus. A maioria das pregações hoje falam sobre dinheiro e saúde e não sobre salvação. Quando suas expectativas não são atendidas, elas abandonam a igreja, a fogem de Jesus como a multidão de João 6 e o jovem rico. O lençol não tinha amarração, costura, nem um cinto sequer. Por isso, ele se viu em “maus lençóis”. Compromisso é amarração, costura, segurança. Vivemos hoje a geração da comodidade, do menor esforço, dos consumidores de Jesus.
II. AQUELES QUE SE COBREM COM UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DAQUELES QUE VIVEM A SUPERFICIALIDADE DA VIDA CRISTà
1. O lençol era a única cobertura que aquele jovem possuía. Era, portanto, um arranjo, uma proteção superficial. Não havia mais nada além daquilo que era aparente. Quando arrancaram-lhe o lençol, não havia mais nada para lhe proteger a vergonha. Segurança aparente, conforto aparente, discipulado aparente, cristianismo aparente.
2. Lençol não é roupa – A turma do lençol está tentando mostrar que podem ser o que não são. A turma do lençol é light. Tudo lhe interessa, mas de forma superficial. Tudo nela torna-se etéreo, leve, volátil, banal, permissivo. Não tem vida devocional consistente. Não tem vida de oração regular. Não tem deleite nas coisas de Deus. Aproxima-se, olha, segue, mas sem compromisso.
3. Superficialidade que gera permissividade – Nesse estado de vida superficial, as pessoas confundem sexo com amor e se tornam moralmente frágeis e permissivas. Pessoas sem filtros morais têm dificuldade para dizer NÃO, para discernir as coisas, para separar o precioso do vil. O importante para essas pessoas é a aparência.
4. A síndrome do Simão, o mágico – São aqueles que misturam as coisas de Deus com ilusão religiosa. Os samaritanos diziam: “Este homem é o poder de Deus”. Simão iludia o povo. Misturava magia com evangelho. Seu interesse era o lucro. Simão abraçou a fé. Foi batizado. Passou a acompanhar os discípulos na evangelização, mas nunca foi um convertido. Estava vestido de roupa de crente. Parecia um crente, mas não era um crente. A turma do lençol se impressiona com o que vê. Se deixa enredar pelos mágicos porque não está firmada na Palavra.
III. AQUELES QUE SE COBREM COM UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DAQUELES QUE PREFEREM O QUE DÁ CERTO EM LUGAR DO QUE É CERTO 
1. O moço do lençol fez exatamente isso. Não era certo sair de lençol, mas naquele momento deu certo. Era noite, e como diz o ditado: “à noite, todos os gatos são pardos”. Naquela época, os homens usavam roupas compridas. O lençol enrolado no corpo, à noite, parecia-se com a vestimenta de qualquer homem naquele momento. A escuridão favorecia esse tipo de arranjo e jeitinho. O moço raciocinou: “Como ninguém sabe, nem está vendo, então eu vou fazer”. Nem sempre o que dá certo é certo. Sua ética é ética do momento, da conveniência.
2. A Bíblia diz em 1 Coríntios 10:23 que nem tudo que é lícito é conveniente. A bebida alcoólica é legal, lícita, porém para os filhos de Deus não convém. A pornografia está aí, em bancas de revistas, locadoras de vídeo, na televisão e no cinema. O adultério não é mais crime. O divórcio não é visto mais como algo que Deus odeia. Estamos adaptando demais a algumas coisas que dão certo no mundo. Abraão buscou um filho do seu jeito, pelo seu método e até hoje o mundo sofre as consequências. Nem sempre o que dá certo é certo.
3. A turma do lençol não se baseia nos princípios éticos da Palavra de Deus, mas naquilo que diz a sua intuição espiritual. Cada um cria a sua própria moral. O que orienta a sua vida: o que é certo ou que dá certo? Na família, nos negócios, no trabalho?
4. Há outro equívoco com a turma do lençol: a fé com base em resultados – deu certo com tal pessoa, então vamos fazer igual. A experiência de um não é a outro. Não é porque Deus fez algo em sua vida, que vai fazer igual na minha. Isso gera frustração. Deus permitiu que Tiago fosse morto à espada e livrou Pedro da prisão no mesmo contexto. Paulo foi usado por Deus para curar muitas pessoas, mas ele mesmo não foi curado do espinho na carne. Uns honram a Deus pelo livramento da morte, outros honram-no pelo livramento através da morte. É Deus quem dá a vida e quem a tira.
IV. AQUELES QUE SE COBREM COM UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DAQUELES QUE QUEREM SER DIFERENTES, MAS NÃO FAZEM A DIFERENÇA 
1. Aquele jovem foi identificado como um seguidor de Jesus. Ele não estava no grupo que prendia a Jesus. Então, pensaram: ele é seguidor de Jesus. Mas quando lançaram mão dele, ele estava se cobrindo com um lençol e saiu correndo nu. Na verdade ele não era um discípulo, era um carona da fé. Assim são muitos hoje. Carregam uma Bíblia, usam camisetas com frases bíblicas, mas na hora de fazer diferença, ser sal e luz, cai o lençol e só o que se vê é uma cena risível e ao mesmo tempo lamentável. Falta à turma do lençol conteúdo interior. Falta o fruto do Espírito. Falta consistência. Faz do evangelho uma piada ou o transforma em cheque sem fundo.
2. O jogador de futebol evangélico que ao fazer um gol, levanta a camisa e mostra uma frase na camiseta: DEUS É FIEL. Depois se dirige à câmera e vocifera um monte de palavrões. Isso leva o evangelho a cair em descrédito.
3. A turma do lençol é como o profeta Jonas. Eles são contraditórios. Eles dizem que temem o Deus do céu, mas estão andando na contra-mão da vontade de Deus. Dizem que crêem em Deus, mas estão fazendo o contrário do que Deus mandou. Hoje somos quase 30% da população, mas fazemos pouca diferença. As pessoas mudam da igreja, mas não mudam da vida. Aprendem a dar glória a Deus na igreja, mas não aprendem a falar a verdade no trabalho.
4. A experiência do pastor Ariosvaldo com o cantor (N.N.) nos Estados Unidos.
V. AQUELES QUE SE COBREM COM UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DAQUELES QUE ESTÃO DESPROVIDOS DE PODER QUANDO PRECISAM SE DEFENDER 
1. O jovem precisou se defender quando foi atacado. Precisou usar as mãos. Mas eram suas mãos que faziam com que o lençol aderisse ao seu corpo. Ao liberar as mãos, o lençol caiu. Ficou vulnerável, exposto, desprotegido, nu. O inimigo agarrou o lençol, a única coisa que lhe cobria. Ficou nu. Fugiu nu. Que vergonha! Ficamos em situação delicada quando o inimigo nos ataca e agarra nossa máscara. É a única coisa que nos nos protegia.
2. Pedro também usava um lençol. Não o lençol que cobria o seu corpo, mas que cobria a sua alma. Ele prometera a Jesus ir com ele à prisão e até à morte. Julga-se mais fiel e mais corajoso que os demais discípulos. Sua valentia transforma-se em consumada covardia. Agora está seguindo Jesus de longe, e negando a Jesus na casa do sumo sacerdote. Os inimigos arrancaram a máscara de Pedro e revelaram toda a sua fraqueza.
3. As máscaras não são seguras. Elas podem cair nas horas mais impróprias. Vestir-se com um lençol é um perigo. Ele pode ser arrancado pelos próprios inimigos. Ninguém consegue manter uma máscara afivelada o tempo todo. Ninguém pode vestir-se com um lençol sem ser exposto à vergonha na hora da batalha.
VI. AQUELES QUE SE COBREM COM UM LENÇOL SÃO UM SÍMBOLO DAQUELES QUE PARTICIPAM DA GLÓRIA DE DEUS, MAS NÃO CONSEGUEM MANIFESTÁ-LA EM SUAS VIDAS 
1. Poucos tiveram a chance que aquele jovem teve. Ele viu Jesus. Ele viu a glória do Filho Unigênito de Deus. Aquele foi um momento decisivo na vida de Jesus. Foi sua entrega, sua renúncia, sua glória. Ele viu Jesus curando a orelha decepada do soldado Malco. Ele viu Jesus enfrentando a soldadesca romana e as autoridades judaicas com serenidade. Mas aquele jovem apesar de ver a glória de Jesus, fugiu nu, sem manifestar a glória de Deus em sua vida.
2. A glória de Deus na Antiga Dispensação encheu o tabernáculo, o templo. Mas depois que o véu do templo foi rasgado, o Espírito Santo e a glória de Deus enchem não um templo, não uma casa, mas pessoas. Outro dia, uma pessoa veio me contar empolgada que os crentes da sua igreja estavam indo para uma mata ver os gravetos pegando fogo. No cenáculo o fogo não estava nos bancos, no chão, ou em outros objetos do ambiente. O fogo estava sobre os crentes. Eles estavam incendiados pela glória de Deus. Dali por diante, eles começaram a espalhar o fogo de Deus pelo mundo. Hoje as pessoas querem ver a glória de Deus se manifestando, estando correndo atrás de um espetáculo religioso, mas não manifestam em suas vidas a glória de Deus.
3. A turma do lençol está apagada porque só quer ver a glória de Deus. Só quer ver espetáculo, mas não reflete a glória de Deus na vida, na conduta. A busca do entretenimento, do espetáculo entrou no campo religioso. As pessoas hoje transformam culto em show, adoração em espetáculo. Elas querem o brilho, não o preço do discipulado.
VII. QUAIS SÃO AS VESTIMENTAS ESPIRITUAIS APROPRIADAS PARA UM SEGUIDOR DE CRISTO? 
1. Vestes de louvor (Is 61:3) – Usar vestes de louvor não é apenas caminhar pela vida cantando, mas viver de forma que Deus seja glorificado em nossa vida. Em vez de viver sob o manto da tristeza e do espírito angustiado, exalte ao Senhor, glorifique o seu nome em toda circunstância.
2. Vestes de salvação (Is 61:10) – Você não pode apenas aparentar um seguidor de Cristo. Ver a caravana passar não significa que você está passando com ela. Assistir o espetáculo não significada que você faz parte do enredo. Estar presente no meio da multidão, não significa que você é um discípulo. Não se contente apenas em ser um expectador do Reino, seja um súdito do Reino. Certifique-se de que você já tem as vestes da salvação, pois quem não as tiver será lançado fora no dia do Senhor.
3. Vestiduras brancas (Ap 7; 19) – As vestes brancas dos remidos fala da justiça de Cristo imputada a nós. Nossa justiça aos olhos de Deus não passa de trapos de imundícia. Mas Cristo tira os nossos farrapos imundos e nos veste com a sua justiça. Deus olha para nós e vê toda a justiça do seu Filho nos cobrindo. Por isso não há mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus.
CONCLUSÃO 
1. “Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha” (Ap 16:15).
2. “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele, para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1 Jo 2:28).

Jesus, o cabeça da Igreja

    O mundo inteiro acompanha, surpreso, a renúncia de Bento XVI, como líder maior do Catolicismo Romano. O alemão Joseph Ratzinger é o 265º papa e um dos maiores expoentes teólogos da Igreja Romana. Homem culto, que domina seis idiomas, entre eles o Português. É autor de vários livros, pianista e membro de várias academias científicas. É reconhecidamente conservador. Combateu firmemente a teologia da libertação. Como chefe de Estado e líder de um dos maiores segmentos religiosos do mundo, é uma das pessoas mais respeitadas de nosso tempo. Porém, o momento é oportuno para fazermos algumas reflexões sobre a posição que o papa ocupa. É o papa o cabeça da igreja, a pedra fundamental sobre a qual a igreja está edificada, o supremo mediador e o substituto do Filho de Deus, como preceitua a dogmática romana? Vejamos o que a Palavra de Deus ensina:

Em primeiro lugar, Jesus é o cabeça da igreja. Essa verdade está meridianamente clara em Efésios 5.23. Nenhum homem, por mais culto ou piedoso, poderia ser o comandante da igreja universal. Somente Jesus tem essa honra. Jesus é o dono da igreja, o Senhor da igreja, o cabeça que governa a igreja, o bispo universal da igreja.
Em segundo lugar, Jesus é a pedra sobre a qual a igreja está edificada. O papado está alicerçado na interpretação de que Pedro é a pedra sobre a qual a igreja está edificada e que todo papa é sucessor de Pedro. A grande questão é se essa interpretação tem amparo bíblico. O contexto de Mateus 16.18 está todo voltado para a Pessoa de Cristo. O próprio Pedro deixou claro que Jesus e não ele é a pedra sobre a qual a igreja está edificada. No começo do seu ministério Pedro disse que Jesus é a pedra (Atos 4.11) e no final do seu ministério, quando escreveu sua primeira carta, tornou a enfatizar esse mesmo fato (1 Pedro 2.4-8).
Em terceiro lugar, Jesus é o único mediador entre Deus e os homens. O título concedido aos papas, “Sumo Pontífice”, significa supremo mediador. Essa expressão não cabe em nenhum líder religioso, pois a Bíblia é categórica em afirmar que só existe um Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (1 Timóteo 2.5). O próprio Jesus disse: “Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida e ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6).
Em quarto lugar, Jesus enviou o Espírito Santo como seu substituto. O título atribuído aos papas “Vicarius Fili Dei”, ou seja, substituto do Filho de Deus, também, não pode ser concedido a nenhum homem. O substituto do Filho de Deus não é o papa, nem qualquer outro líder religioso, mas o Espírito Santo (João 14.16). O Espírito Santo, sendo Deus, está para sempre com a igreja e na igreja. O Espírito Santo veio para exaltar a Cristo e nos conduzir à verdade.
Em quinto lugar, Jesus é o dono da igreja. Foi o próprio Jesus quem disse a Pedro que ele mesmo edificaria a sua igreja (Mateus 16.18). A igreja é Deus, pois foi comprada com o sangue de Jesus (Atos 20.28). Jesus nunca passou-nos uma procuração, dando-nos a liberdade para sermos os donos de sua igreja.
Em sexto lugar, Jesus é o edificador da igreja. Nós somos os cooperadores de Deus, mas é Deus mesmo quem edifica a sua igreja. Um planta, outro rega, mas o crescimento vem de Deus (1Coríntios 3.9). Jesus disse: “Eu edificarei a minha igreja” (Mateus 16.18). Não conseguiríamos acrescentar nem um membro ao corpo de Cristo, mesmo que usássemos todos os recursos da terra.
Em sétimo lugar, Jesus é o protetor da igreja. A igreja não caminha vitoriosamente à parte da assistência e proteção de Cristo. Ele disse: “… e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18). Os inimigos da igreja são muitos e perigosos, mas Jesus é o nosso escudo e protetor. Ele é o general desse glorioso exército que caminha triunfantemente rumo à glória. Bendito seja seu santo nome!
 
Matéria do Rev. Hernandes Dias Lopes

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Espírito Santo, o segredo do poder

João 14:16-26

INTRODUÇÃO

Uma das realidades mais importante para o cristão, embora menos entendida, é o ensino bíblico a respeito do Espírito Santo. Hoje, muito se fala acerca da pessoa e obra do Espírito Santo, entretanto percebe-se que alguns equívocos têm sido cometidos. Esse desconhecimento a respeito da pessoa e obra do Espírito Santo tem causado muitas dificuldades na vida da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, gerando inclusive graves heresias.
Talvez, até mesmo de maneira inconsciente e ingênua, muitos têm tentado manipular o Espírito Santo, como se Ele estivesse a nosso serviço e não o contrário. O Espírito Santo está a serviço do Pai e do Filho e não a nosso serviço; a tentativa de manipulá-lo, pode ser uma forma de resistência á Sua obra, que é inédita, criativa, livre, dinâmica e, como já disse alguém, às vezes surpreendentemente simples, às vezes simplesmente surpreendente.
Uma compreensão bíblica equilibrada e desprovida de preconceitos a respeito do Espírito Santo é de fundamental importância para a vida do discípulo. Por isso, a orientação bíblica deve prevalecer às experiências pessoais.

1. A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

1.1. É de natureza divina
A Bíblia ensina que o Espírito Santo integra a Santíssima Trindade, sendo da mesma essência do Pai e do Filho. No livro de Atos 5.3-4 temos a evidência de que o Espírito Santo é verdadeiro Deus, Os atributos pertencentes ao Pai e ao Filho tais como: Onipresença (SI 139.7); Onisciência (1 Co 2.9-11); Onipotência (Rm 15.19); Eternidade (Hb 9.14) também pertencem ao Espírito Santo.
A Bíblia confirma a divindade do Espírito Santo atribuindo-lhe obras que somente Deus realiza. Veja em Rm 8.11; Jó 33.4; 1 Co 12.8-11.
1.2. Tem Personalidade própria
A palavra “Consolador” se encontra em João 14.16-17. Mostra que o Espírito Santo é uma pessoa
A Bíblia ensina que o Espírito é uma pessoa pelo fato de ter as qualidades que lhe são atribuídas são próprias de uma pessoa, a saber, pensamento, sentimento, vontade, consciencia e direção própria, conforme os textos a seguir: (Jo 14.26: Jo 16.1-8,13-15; Rm 15.30; Ef.4.30).
Os atos do Espírito Santo confirmam a sua personalidade: Ele fala. clama, testifica, ensina, intercede guia, conforme revela a Bíblia nos textos Ap 2.7; Gl 4.6; Rm 8.14,26.

2. A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

2.1. O Espírito Santo nos conduz a conversão e a regeneração
De início, é necessário compreender que Cristo, pelo seu sacrifício conquistou a nossa redenção e, o Espírito Santo aplica em nossas vidas o resultado dessa redenção. É o Espírito Santo quem age no coração do homem, abrindo o seu entendimento, operando no seu interior, realizando a transformação de sua natureza, levando-o a reconhecer o seu estado de pecado e perdição eterna. O homem, antes separado de Deus pelo pecado (morto espiritualmente), recebe vida, ressuscitando eternamente para o Senhor Jesus. Esta obra de regeneração do homem é realizada pelo Espírito Santo. O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo diz que o Espírito Santo “…nos convence do pecado, da justiça e do juízo…” (Jo 16.8). Jesus continua dizendo (Jo 3.5-6) que o Espírito Santo faz a pessoa nascer espiritualmente. Desta vez Ele responde a uma importante pergunta de um homem bom, religioso e bem intencionado, chamado Nicodemos, que não compreendia a mensagem da salvação. A ele Jesus diz: “…Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é Espírito”.
2.2. O Espírito Santo nos adota, sela e batiza
Sabemos, através da Bíblia, que todos os seres humanos são criados à imagem e semelhança de Deus, todos são criaturas de Deus. Porém, nem todos são, de fato, filhos de Deus. Alguns textos utilizam uma linguagem bastante dura quando se referem àqueles que ainda não são filhos de Deus apesar de terem a sua imagem e semelhança (1 Jo 3.9-10; Jo 8.44).
No ato da conversão, o Espírito Santo concede ao convertido um poder muito especial, adota-o como filho de Deus, confira em Gl 4.4-6; Ef 2.18-19. Esse poder somente é dado àquele que crê no nome de Jesus (Jo 1.12) recebendo-o como seu Senhor e servindo-o como escravo.
O batismo do Espírito Santo é uma dádiva de Deus e acontece como experiência única na vida do convertido, no mesmo instante de sua conversão. O Espírito Santo realiza a experiência do novo nascimento na vida do crente, adotando-o como filho de Deus. João Batista pregou dizendo: Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo (Mc 1.8).
2.3. A razão principal da vinda do Espírito Santo
Em João 16.14 está registrado: Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Glorificar a Cristo , anunciando-nos a sua vontade é a principal razão da habitação do Espírito Santo em nossa vida. E uma das maneiras que isso poderá ser realizado através de nós é sendo testemunhas de Jesus, como está registrado em Atos 1.8 “…mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”. Devemos falar de Jesus para as outras pessoas, contar a elas o que Ele fez em nossas vidas, falar do Evangelho de Cristo para os demais, falar das boas-novas do Evangelho, isto é evangelizar.
Evangelizando estaremos produzindo frutos espirituais para a vida eterna; além de glorificar o Pai estaremos nos tornando seus discípulos. Conforme João 15.8: Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tomareis meus discípulos.
Isto só acontecerá quando atendermos o desafio que recebemos da Palavra de Deus em Efésios 5.18 “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito…"
Ser cheio do Espírito é esvaziar-se de si mesmo. É esvaziarmos de nossas sujeiras, de nossos pecados e vícios, de nossa podridão, de nosso desejos carnais e pecaminosos cheio do Espírito é permitir que Ele dirija e conduza nossa vida. E permitir que Ele reine em tudo, em nossos sonhos, planos, projetos: em nosso falar: em nossas ações e atitudes, é ser guiado pelo Espírito Santo. Esse controle não tira a nossa consciência, não nos deixa em transe, mas acontece de maneira racional na medida em que obedecemos a vontade de Deus expressa em sua palavra sagrada, a Bíblia, e com humildade nos colocamos em suas mãos para sermos usados por Ele.

CONCLUSÃO

O Espírito Santo é Deus. Ele é o responsável pela conversão do homem a Deus. Toda pessoa convertida, ou seja, verdadeiro discípulo de Jesus, tem o Espírito como hóspede. O Espírito converte, habita e sela o verdadeiro discípulo (Ef 1.14-15). A vida cristã é vida no Espírito

Matéria do Pastor Josias Moura de Menezes (http://josiasmoura.com/2013/01/)
 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A VISÃO DE ISAÍAS E SEU CHAMADO PARA PROFETA.

Texto básico: Is.6.1-8 
Introdução: A visão ocorreu no ano em que morreu o rei Uzias, em 740 A.C.. O rei Uzias, conhecido também por Azarias, ( 2Rs.14.21 ) começou a reinar com a idade de 16 anos, e reinou 55 anos ( 2Cr.26 ). O reinado de Uzias foi próspero, havia segurança e estabilidade no povo de Judá. Isaías por ser da familia real, sendo o rei Uzias seu tio; gozava de uma intimidade e confiança do rei Uzias. A morte do rei Uzias, causou um senso de tristeza e vázio a Isaías, o que o levou ao templo, em busca de consolo. No templo Isaías teve uma grande visão, que culminou na sua chamada profética.

No templo, Isaías teve cinco tipos de visão. 

1. A visão da santidade de Deus. 
Santidade. Uma grande revelação do caráter de Deus.
Santidade. É um dos atributos inerente de Deus, e tudo que pertance a Ele.
Santidade produz: Reverência, temor, adoração, louvor, arrependimento, mudança de vida.
Santidade é o tema da nossa vitória. A bíblia diz: Seguí a paz com todos e a santificação, sem a qual nimguém verá o Senhor. Hb.12.14. A santidade de Deus, revelou ao profeta o seu estado pecaminoso, e lhe fez sentir a necessidade de uma vida de santidade.


2. A visão da glória de Deus. 
O termo glória de Deus, vem do hebraico, shekiná; que descreve a magnitude da manifestação divina. Toda a terra está cheia da sua glória. Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. Sl.19.1. Essa glória foi manifesta a Isaías, quando ele estava no templo. Foi manifesta a Moisés, quando ele estava no deserto. Foi manifesta a Salomão na inauguração do templo, e  foi manifesta a João, quando ele estava na ilha de patmos. Está na igreja por intermédio do Espírito Santo. Jo.17.22

3. A visão do pecado. 
Quando Isaías comtempla a glória de Deus, e tem uma percepção de sua santidade, ele vê o seu estado de miserabilidade, e o seu pecado aflora. Ele diz; Ai de mim, que vou perecendo! porque sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios.; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos Exércitos. A bíblia diz: A justiça de Deus exalta as naçoes, mas o pecado é o opróbrio dos povos. Pv.14.34. 
O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus, é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor. Rm.6.23. O pecado é como câncer na alma, que vai corroendo até a morte. Mas o sangue de Jesus Cristo, purifica de todo pecado. Is.1.18, 1Pe.1.7.

4. A visão da purificação. 
O pecado precisa ser exposto diante de Deus, para ser purificado. Isaías expôs o seu pecado, e Deus providênciou a solução; um dos serafins tirou uma brasa viva do altar de Deus e tocou nos seus lábios, e disse: A tua iniquidade foi tirada, e purificado o teu pecado. Nimguém pode fazer a obra de Deus se não passar pelo processo da purificação.
Seja pelo fogo. Is.6.6,7
Seja pela palavra. Sl.119.9 
Seja pelo sangue de Jesus. 1Jo.1.7 
 
5. A visão do serviço. 
Isaías depois de ter um encontro com Deus; comtemplado a sua glória e santidade, foi purificado do seu pecado e ficou pronto para o serviço. Quando ele ouviu o brado que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Ele respondeu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Deus quer nos usar na sua obra, porém é preciso ter um encontro com Deus, viver em santidade, e entregar-se à Deus sem reservas.
Fonte: http://pbgeraldo.blogspot.com.br/2011/08/visao-de-isaias-e-seu-chamado-para.html

QUE TIPO DE VASO É VOCÊ?

Texto básico: A palavra do SENHOR, que veio a Jeremias, dizendo: Levanta-te e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas. Como o vaso que ele fazia de barro se quebrou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que paraceu bem aos seus olhos fazer. Então, veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. Jr.18.1-6

Introdução: Jeremias, foi chamado por Deus para ser profeta em Judá (o reino do sul). Ele confrontou os líderes e o povo por causa do pecado, numa época em que a nação estava vivendo uma grande decadência espiritual e prestes a ser levada para o cativeiro na Babilônia. Deus para ensinar a Jeremias e mostrar a sua misericórdia para com a nação de Israel, ordenou que ele descesse à casa do oleiro. Na olaria, lugar onde o oleiro fabrica os vasos, eram usadas duas rodas pelo oleiro enquanto fazia seus vasos. A que ficava embaixo era trabalhada com os pés para dar movimento à que ficava acima, que era um disco ou prato, plano de madeira no qual ele colocava o barro para ser moldado com seus dedos enquanto a roda girava rapidamente. Quando um vaso quebrava, ele não era jogado fora; o barro era amassado e voltava para roda, e a obra era novamente iniciada. Ele repetia este processo, até que o barro toma-se a forma de um vaso perfeito. É isso que Deus declara ter poder para fazer com Israel. Deus quis dizer à Jeremias, que, assim como o oleiro tem poder de decidir fazer outro vaso, Deus também tem o poder de moldar o seu povo, para fazer com que estejam em conformidade com os seus propósitos.

1. TIPOS  DE  VASOS.

Existem muitos tipos de vasos, e cada um feito de materiais variados e com utilidades  diferentes. Há vasos para decoração de ambientes, há vasos para adornar festas, há vasos para cozimentos, há vasos para guardar tesouros, enfim há vasos para os mais variados tipos de utilidades. Espiritualmente falando, só existem dois tipos de vasos: Vasos de honra, vasos de desonra. Leiamos o que o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: Ora, numa grande casa não há somente vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra. 2Tm.2.20,21.

1.1. Vaso  escolhido. At.9.15

Deus não escolhe o melhor, ele escolhe o pior para transformar no melhor. Um homem de Tarso chamado Saulo, perseguidor dos cristãos, causava terror por onde passava. Ele que consentiu na morte de Estevão, e respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor; diz a bíblia que ele pediu cartas ao sumo sacerdote para ir a Damasco, a fim de espancar e prender homens e mulheres que fossem discípulos de Jesus. Mas Jesus teve um encontro com ele no caminho de Damasco, e ele ficou cego. O Senhor disse numa visão a um discípulo chamado Ananias: Levanta-te, e vai à rua direita e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que está orando. E respondeu Ananias: Senhor, de muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém. Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. Você é um vaso escolhido? então glorifica a Deus, porque ele disse: Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça. Jo.15.16.

1.2. Vaso  quebrado. Sl.31.12

Nesta ocasião o salmista Daví, estava passando por um momento de angústia na sua vida. Ele chegou a um ponto de dizer pra Deus: Tem misericórdia de mim, ó SENHOR, porque estou angustiado; consumidos estão de tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu corpo. Estou esquecido no coração deles, como um morto; sou como um vaso quebrado (Sl.31.9,12). Quando estamos como Daví estava, como um vaso quebrado; o SENHOR vem ao nosso encontro e  tomar os pedaços do nosso ser. Se você é este vaso quebrado, clame a Deus, e ele vai lhe tirar desta luta e tornar tudo novo pra você.

1.3. Vaso  puro. Is.66.20

Vasos puros (limpos) na casa do SENHOR, e o que devemos ser; pois muitos  foram contaminados e influenciados e perderam a pureza e a simplicidade do evangelho de Jesus. Pureza fala de santidade, estamos vivendo uma época, em que não se prega mais nos púlpitos de muitas igrejas sobre este tema. Mas, a palavra de Deus continua dizendo: segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb.12.14). Não devemos brincar de ser crente, um dia a capa da hipócrisia vai cai, Deus vai mostrar a falsa santidade de muitos. A bíblia diz: Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa  maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo. Santidade convém a igreja, Deus quer vasos puros na sua casa.

1.4. Vaso da misericórdia. Rm.9.23,24.

Benditos são aqueles que são alcançados pela misericórdia do Senhor. A palavra de Deus nos diz: As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim. Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade (Lm.3.22,23). Na carta de Paulo aos romanos, ele nos diz que, Deus deu a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou. Tem gente pensando que é o bom na casa de Deus, achando que pelos seus méritos alcançou o favor de Deus. É  engano, tudo que temos ou que somos é pela infinita misericórdia do SENHOR. Nós somos vasos da misericórdia de Deus; glória a ele por isso. Aleluia!

1.5. Vaso de honra. Rm.9.21 

Deus honra aqueles que lhe honra, porém a sua palavra nos diz: Antes de ser quebrantado, eleva-se o coração do homem; e, diante da honra, vai a humildade (Pv.18.12). Para ser um vaso de honra é preciso ser quebrantado, é preciso aparta-se da iniquidade e procurar apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. disse Paulo ainda: Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra (2Tm.2.15,19,21).

1.6. Vaso de desonra. Rm.9.21

O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo ele disse: Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém para desonra. Ser vaso de desonra é uma tristeza, infelizmente na casa de Deus há este tipo de vaso. Existem pessoas que dizem ser de Cristo, participa ativamente nos trabalhos da igreja, mas o seu testemunho é uma vergonha para o evangelho. E por incrível que pareça, estes vasos estão se multiplicando na casa de Deus, são pessoas que entraram  no evangelho, mas o evangelho não entrou nelas. Que o Senhor tenha misericórdia destes e lhes dê uma oportunidade para eles mudarem de atitude e se transformarem em  vasos de honra.

1.7. Vaso de barro. 2Co.4.7 

Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.
Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a execelência do poder seja de Deus e não de nós (2Co.4.6,7). Geralmente os grandes tesouros estão guardados em fortalezas e fechados a sete chaves; por ter um valor muito alto não se deixa em lugar de fácil acesso, para que o ladrão não venha  roubar. Porém Deus decidiu fazer o contrario, ele escolheu o homem (vaso de barro), e colocou dentro dele o Espírito Santo, para que a execelência do poder nunca seja do homem(vaso de barro); mas, de Deus.
Nós como vasos de barro temos só que guardar o que temos. A palavra de Deus nos diz: Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa (Ap.3.11).

Conclusão: Vaso bom é aquele passa na olaria de Jeová, tem muita gente que se diz vaso de Deus; mas na hora da provação, se vende e se deixa levar pelo engano. Seja um vaso para glória de Deus e deixa ele te quebrar e fazer uma obra extraordinária na sua vida.  

Fonte: http://pbgeraldo.blogspot.com.br/2012/05/que-tipo-de-vaso-e-voce.html

SETE CLASSES DE PESSOAS QUE DEUS PROCURA.

Texto básico: Quem subirá ao monte do SENHOR ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. Este receberá a benção do SENHOR e a justiça do Deus da sua salvação. Esta é a geração daqueles que buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó. Sl.24.3-6.

Introdução: Desde que o homem pecou, Deus sempre se preocupou em busca-lo. A verdade é que Deus sempre vai a procura do homem, visto que, o homem vivendo no pecado, ele jamais terá condições de buscar a Deus. A palavra de Deus nos diz: O SENHOR olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um. Não terão conhecimento os obreiros da iniquidade, que comem o meu povo como se comecem pão? Eles não invocam ao SENHOR. Sl.14.2-4. É interessante quando percebemos na palavra de Deus, que ele também procura pessoas com qualidades especiais para utiliza-las na sua obra. Vejamos sete classes de pessoas que Deus procura.
 
1. DEUS PROCURA OS FIÉIS.

Os meus olhos procurarão os fiéis da terra, para que estejam comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá. Sl.101.6.
Salva-nos, SENHOR, porque faltam os homens benignos; porque são poucos os fiéis entre os filhos dos homens. Sl.12.1.

2. DEUS PROCURA OS JUSTOS.

Então, disse o SENHOR: Se eu em Sodoma achar cinquenta justos dentro da cidade, pouparei todo o lugar por amor deles. Gn.18.26.
Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. Tg.5.16.

3. DEUS PROCURA OS VERDADEIROS ADORADORES.

Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o pai em espírito e em verdade, porque o pai procura a tais que assim o adorem. Deus é espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. Jo.4.23,24.

4. DEUS PROCURA OS QUE PRATICAM A JUSTIÇA.

Dai voltas às ruas de Jerusalém, e vede agora, e informai-vos, e buscai pelas suas praças, a ver se achais alguém ou se há um homem que pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei. Jr.5.1

5. DEUS PROCURA OS INTERCESSORES.

E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei. Ez.22.30.

6. DEUS PROCURA OS SERVOS

Achei a Daví, meu servo; com o meu santo óleo o ungir; com ele, a minha mão ficará firme, e o meu braço o fortalecerá. Sl.89.20,21.
E, quando este foi retirado, lhes levantou como rei a Daví, ao qual também deu testemunho e disse: Achei a Daví, filho de Jessé, varão conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade. At.13.22.

7. DEUS PROCURA OS  HOMENS DE FÉ.

Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Quando, porém, vier o filho do homem, porventura, achará fé na terra? Lc.18.8.
Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. Hb.11.8.
Porque ainda um poucochinho de tempo, e o que há de vir virá e não tardará. Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele.  Hb.10.38.
 
Fonte: http://pbgeraldo.blogspot.com.br/2013/01/sete-coisas-que-deus-procura.html 

SETE COISAS QUE DEVEMOS GUARDAR.

Texto básico: Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Ap.3.11.

Introdução: Guardar significa: Conservar, preservar, vigiar, acautelar, poupar. No mundo em que vivemos as pessoas procuram sempre guadar algumas coisas pensando no futuro; e isso é algo natural que está ligado ao ser humano. A palavra de Deus nos recomenda que guardemos algumas coisas que vai nos servir e nos beneficiar no presente e também no futuro, de uma eternidade com Deus. Diante de tantas coisas que a palavra de Deus nos manda guardar, veremos apenas sete.

1. A PALAVRA DE DEUS.

Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei (a palavra), esse é bem-aventurado. Pv.29.18.
Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. Sl.119.11.
Antes de ser afligido, andava errado; mas agora guardo a tua palavra. Sl.119.67.

2. A FÉ.

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. 2Tm.4.7.
Guardando o mistério da fé em uma pura consciência. 1Tm.3.9.

3. O ESPÍRITO SANTO.

Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Ef.4.3.
E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. Ef.4.30.
Não extingais o Espírito. 1Ts.5.19.

4. O CORAÇÃO.

Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida. Pv.4.23.
Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. Mt.15.19.

5. A LÍNGUA.

O que guarda a sua língua conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios tem perturbação. Pv.13.3.
A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto. Pv.18.21.
Assim também a língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo enferno. Tg.3.5,6.
Quem é o homem que deseja a vida, que quer largos dias para ver o bem? Guarda a tua língua do mal e os teus lábios, de falarem enganosamente. Sl.34.12,13.
Se alguém entre vós cuida ser religioso e não refreia a sua língua, antes, engana o seu coração, a religião desse é vã. Tg.1.26.

6. O PÉ.

Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; e enclina-te mais a ouvir do que a oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. Ec.5.1.
Esta expressão nos fala de prudência, de reverência e de sabedoria.
Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Tg.1.19.
E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada. Tg.1.5.

7. O BOM DEPÓSITO (A SÃ DOUTRINA).

Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós. 2Tm.1.14.
Ó Timóteo, guarda  o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência. 1Tm.6.20.
Porque eu sei em quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia. 2Tm.1.12b.
Fonte: http://pbgeraldo.blogspot.com.br/2013/01/sete-coisas-que-devemos-guardar.html

OS CINCO BENEFÍCIOS DA GRAÇA.

Texto básico: No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. João testificou dele e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem depois de mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu. E todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça. Porque a lei foi dada por Moisés; a GRAÇA e a verdade vieram por Jesus Cristo. Jo.1.1-5,15-17.

Introdução: A graça é o grande favor de Deus revelado para com a humanidade pobre e desvalida. Segundo os eruditos, a palavra graça, aparece 323 vezes no texto sagrado. A palavra graça, no sentido lato, significa: Favor imerecido. Graça, no hebraico, é "chen". Este termo aparece com frequência no antigo testamento. Significa curvar-se, abaixar-se, com a conotação de favor imerecido ou a condescendência de um ser superior por alguém inferior em valor e posição. Graça, no grego, é "cháris", significa favor não merecido. A graça é um dos atributos de Deus, que mais beneficia o homem; Deus é gracioso em si mesmo, em tudo que ele fez e criou está a sua graça. Os favores de Deus que é para todos, é o que chamamos de graça comum. A graça especial de Deus, que opera para a salvação também está disponível a todos, mas depende da escolha do homem, em aceitá-la ou rejeitá-la. Dos muitos benefícios que a maravilhosa graça de Deus nos proporciona, queremos destacar cinco. Lembrando que, cinco na numerologia da bíblia, é o número da graça.

1. SALVOS PELA GRAÇA.

Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens. Tt.2.11.
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Ef.2.8,9.
A salvação foi conquistada por Jesus na cruz do calvário, ele pagou um alto preço para nos livrar do inferno e garantir a nossa entrada no céu. A salvação nos foi outorgada, não pela nossa bondade, nem pelas boas obras praticadas, nem tão pouco pelos nossos méritos, mas pela graça de Deus. Se não fosse o grande favor de Deus, através da sua maravilhosa graça, nenhum homem teria condições de ser salvo.

2. PERDOADOS PELA GRAÇA.

Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça. Ef.1.7. Os nossos pecados jamais seriam perdoados se não fosse pela graça de Deus.
 Remissão significa perdão, esse perdão é pela graça e através do sangue de Jesus, pois a bíblia diz: Sem derramamento de sangue não há remissão. Hb.9.22.
A maior dívida que a humanidade já teve e jamais teria condições de paga-la, foi a dívida do pecado. Jesus Cristo, mediante a sua morte na cruz, perdoou todas as nossas dívidas e cancelou todos os nossos pecados.
  Na remissão, ele nos perdoou e apagou todas as nossas dívidas e nos livrou da maldição eterna, nos dando o direito de sermos chamados filhos de Deus.

3. REDIMIDOS PELA GRAÇA.

 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça. Ef.1.7. Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados (Cl.1.14).
 Redenção significa, libertação mediante um pagamento. Jesus Cristo, nosso redentor, nos libertou para sempre, nos livrando das garras de satanás.
 Redimir é quando alguém usa de misericórdia e paga o preço do resgate, não se importando com o valor, para libertar um prisioneiro. Redenção, é a intervenção da graça divina para libertar o perdido pecador. Porque o filho do homem veio buscar e salva o que se havia perdido (Lc.19.10). A graça redentora só tem valor se for  pelo sangue de Jesus. Na redenção, nós fomos resgatados, libertados e comprados por um alto preço. O sangue de Jesus Cristo, derramado na cruz do calvário foi o preço da nossa redenção; fomos redimidos, saimos da condição de escravos do pecado, para sermos servos de Jesus Cristo.

4. JUSTIFICADOS PELA GRAÇA.

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Rm.3.23,24.
Na justificação, nós somos aceitos por Deus, pela justiça de Jesus. Jesus Cristo, o justo; tomou todas as nossa culpas, cancelou todos os nossos delítos e pecados, e nos declarou inocentes e justos diante do tribunal divino, mediante a sua graça. Nós estávamos no banco do réu, e o diabo, o nosso adversário, fazendo o papel de promotor de acusação, o nosso processo penal era grande, e ja estava na mão do juiz, (DEUS), todavia, JESUS, o nosso advogado, tomou a nossa causa e assumiu a nossa culpa, e nos declarou inocentes diante de Deus. O profeta Isaías diz: Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; e todos nós caimos como a folha, e as nossas culpas, como vento, nos arrebatam (Is.64.6). Nenhum de nós tinhamos condições de ter sido justificados por nossa própria justiça, mas a graça de Deus nos alcançou.

5. REGENERADOS PELA GRAÇA.

Porque também nós éramos, noutro tempo, insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia, e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros. Mas quando apareceu a benignidade e caridade de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador. Tt.3.3-6.
Na regeneração, nós nascemos de novo, esse novo nascimento se deu quando fomos alcançados pela graça de Deus. Temos neste texto três ações de Deus que comprovam a manifestação da sua graça: A sua benignidade, o seu amor e a sua misericórdia. A nossa vida que pela graça de Deus foi transformada, teve a ação do Espírito Santo, que operou em nós pela palavra, a regeneração e a renovação. A nossa vida de outrora estava totalmente degenerada pelo pecado; mas agora, em Cristo fomos regenerados e renovados pela sua maravilhosa graça.

Conclusão:
Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus. 2Tm.2.1
Uma vez que fomos salvos pela graça, perdoados pela graça, redimidos pela graça, justificados pela graça e regenerados pela graça, somos aconselhados a se fortalecer na graça que há em Cristo Jesus. Um grande privilégio, é que agora temos acesso ao trono da graça; a bíblia diz: Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno (Hb.4.16). Agora estamos nos fortalecendo na graça, para que possamos continuar vencendo. O crente que não busca se fortalecer na graça de Jesus, ele fica vunerável ao pecado e prestes ao fracasso. As pessoas buscam se fortalecerem em muitas coisas, mas só a graça é suficiente; Jesus disse à Paulo: A minha graça te basta. Em seguida o apóstolo Paulo diz: Posso todas as coisas naquele que me fortalece. Fp.4.13. O apóstolo Paulo sempre usava a expressão, graça e paz, em suas cartas, como saudação aos cristãos (Rm.1.7, 1Co.1.3, 2Co.1.2, Gl.1.3, Ef.1.2, Fp.1.2, Cl.1.2, 1e2 Ts.1.1,1.2. 1e2 Tm.1.2,Tt.1.4, Fl.1.4).

 E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e fortalecerá. A ele seja a glória e o poderio, para todo o sempre. Amém! 1Pe.5.10,11.
Fonte: http://pbgeraldo.blogspot.com.br/2013/01/os-cinco-beneficios-da-graca.html

OS TRÊS GEMIDOS.

Texto básico: Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Rm.8.22,23,26.

Introdução: Gemido é um lamento doloroso, é um som inarticulado, um suspiro, uma lamentação. No sentido bíblico, é alguém que está sofrendo uma tristeza muito profunda, sem quase nenhuma esperança. A primeira vez na bíblia, que aparece a palavra gemido, é em Ex.2.23-25. Que diz: E aconteceu, depois de muitos destes dias, morrendo o rei do Egito, que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão e clamaram; e o seu clamor subiu a Deus por causa da sua servidão. E ouvindo Deus seu gemido e lembrou-se Deus do seu concerto com Abraão, com Isaque e com Jacó; e atentou Deus para os filhos de Israel e Deus os conheceu. Três coisas que Israel fez no Egito: Suspirou, clamou, gemeu. A resposta de Deus à aflição dos filhos de Israel: Deus ouviu, Deus lembrou-se, Deus atentou, Deus os conheceu (viu).  

 No texto sagrado de romanos 8. 22,23,26; lêmos acerca de três elementos que geme, e cada um com um propósito.  

1. A criação.  

Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. Rm.8.22.
No estado original da terra, havia uma perfeita harmonia em todas as coisas criadas por Deus. Mas quando o homem pecou, todo o sistema foi alterado e a terra passou a ficar debaixo de maldição. Disse Deus: Maldita é a terra por causa de ti. Gn.3.17. Apartí daí toda a criação começou a gemer. Com o aumento da população, aumentou também o pecado e multiplicou-se a maldição. Com o avanço da ciência e a ganância pelo poder, o homem vem agredindo cada vez mais a natureza e causando grandes males ao ecossistema, deixando a terra em desequilíbrio. O rompimento da camada de ozônio é uma situação irreversível, o chamado efeito esturfa é um problema inevitável, os oceanos tende a avançar, porque as geleiras dos pólos estão derretendo muito rápido por causa do rompimento da camada de ozônio, e isto vem causando altas temperatura  na terra, é o que os cientistas chamam de aquecimento global. A humanidade está se autodestruindo, a criação está com dores de parto; aguardando a sua redenção, quando haverá novos céus e nova terra. O homem como parte da criação de Deus, a sua alma geme com sede de Deus; há um vázio no homem que somente Deus pode preencher. Diante destas situações, somente Deus pode resolver; e ele vai. Glória à Ele por isso.  

2. A igreja.  

E não só ela, (a criação) mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. Rm.8.23.  
A verdadeira igreja de Jesus, está gemendo diante de tantas injustiças, maldades, impiedades, imoralidades, corrupções, impacialidades e conformismo. Diante de um sistema egoísta, opressor e desumano, a igreja clama pelo justo juiz, que há de vir para fazer justiça aos seus escolhidos. Por três razões a igreja geme: 1. A igreja geme por ter as primícias do Espírito. No antigo testamento está expressão, primícias, significava os primeiros frutos da terra, que eram trazidos e ofertados para Deus. Isto acontecia na festa das semanas ou pentecoste. Quando Paulo diz que temos as primícias do Espírito, ele está dizendo que Deus nos ofertou os primeiros frutos do Espírito. Por isso a igreja está gemendo, porque o Espírito que nela habita  não se conforma com os padrões deste mundo. 
2. A igreja geme esperando adoção plena.  A nossa adoção como filhos de Deus por intermédio de Jesus Cristo, ainda não nos dá todos os direitos como filhos de Deus. A nossa adoção plena acontecerá com a manifestação do filho de Deus. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. 1Jo.3.2.  
3. A igreja geme esperando a libertação do corpo. O apóstolo Paulo disse: Esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. Redenção e resgate, significa dizer que Jesus teve que morrer e ressuscitar para pagar o preço da nossa libertação. A  redenção do nosso corpo, significa dizer que enquanto estivermos neste corpo, estamos sujeitos a muitas intempéríes da vida; mas vindo o Senhor, ele transformará o nosso corpo abatido, em um corpo glorioso, semelhante ao dele. Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu. 2Co.5.1,2.  

3. O Espírito.  
E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. Rm.8.26.  
Por último, vemos o Espírito gemendo. Analizando a sequência: O Espírito ajuda as nossas fraquezas. O Espírito intercede por nós. O Espírito geme com gemidos inexprimíveis. Este gemido é um gemido diferente dos demais; inexprimíveis significa dizer, que não se consegue entender por palavras, gestos ou fisionomias. Não há ninguém neste mundo que consiga entender seu gemido. Só se conhece algo na voz silênciosa, quando quando se sabe a intenção dessa voz. Porém a voz do Espírito é de um nível incompreensível, inexprimível, que não se pode entender. Mas, aquele que examina os corações, sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. Rm.8.27.   

Conclusão: Depois do gemido vem a vitória. Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, me levantarei agora, diz o Senhor; porei em salvo aquele para quem eles assopram. Sl. 12.5.  

Pb. José Geraldo Barbosa.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Quanto Custa ser um Cristão?

“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar?” (Lucas 14:28)
     Este versículo é de grande importância. Poucas são as pessoas que não têm freqüentemente de fazer esta pergunta: “Quanto custa?”. Ao comprar um terreno, ao construir uma casa, ao mobiliar as habitações, ao fazer planos para o futuro, ao decidir a instrução e estudos dos filhos, etc., seria sábio e prudente que nos sentássemos a considerar com calma os gastos que tudo isso implicaria. As pessoas evitariam muitas moléstias e dores se ao menos fizessem a pergunta: “Quanto custa ser um crente verdadeiramente ser santo?” Estas perguntas são decisivas. Por não havê-las formulado desde um bom princípio, muitas pessoas que pareciam iniciar bem a carreira cristã, mais tarde mudaram seu rumo e se perderam para sempre no inferno.

Vivemos em tempos muito estranhos. Os acontecimentos se sucedem com extraordinária rapidez. Nunca sabemos “o que o dia nos trará”, quanto mais o que nos trará o ano! Nos nossos dias vemos muitos fazerem confissões de sua religiosidade. Em muitas partes do país as pessoas expressam vivo desejo de seguir um curso de vida santo e um grau mais alto de espiritualidade. É muito comum ver como as pessoas recebem a Palavra com alegria, porém depois de dois ou três anos se afastam e voltam a seus pecados. Há muitos que não consideram o custo de ser um verdadeiro cristão e um crente santo. Nossos tempos requerem de um modo muito especial que paremos e consideremos o custo e o estado especial de nossas almas. Este tema deve preocupar-nos. Sem dúvida o caminho da vida eterna é um caminho delicioso, porém seria loucura de nossa parte fechar os olhos ao fato de que se trata de um caminho estreito e que a cruz vem antes da coroa.

1) O que custa ser um verdadeiro cristão?

Desejo que não haja mal entendidos sobre este ponto. Não me refiro aqui ao quanto custa salvar a alma do crente. Custou nada menos do que o sangue do Filho de Deus ao redimir o pecador e livrá-lo do inferno. O preço de nossa salvação foi a morte de Cristo na cruz do Calvário. Temos “sido comprados por preço”. Cristo derramou o seu sangue em favor de muitos”(Marcos 14:241 Co.6:20). Porém não é sobre este tema que versa nossa consideração. O assunto que vamos tratar é distinto. Refere-se ao que o homem deve estar disposto a abandonar se deseja ser salvo; ao que deve sacrificar se se propõe a servir a Cristo. É neste sentido que formulo a pergunta: “Quanto custa?”.

Não custa grande coisa ser um cristão de aparência. Só requer que a pessoa assista aos cultos do domingo, duas vezes e durante a semana seja medianamente moralista. Este é o “cristianismo” da grande parte dos evangélicos da nossa época. Se trata, pois, de uma profissão de fé fácil e barata; não implica em abnegação nem sacrifício. Se este é o cristianismo que salva e o qual nos abrirá as portas da glória ao morrermos, então não temos necessidade de alterar a mundana descrição do caminho da vida eterna e dizer: “Larga é a porta e largo é o caminho que conduz ao céu”.

Porém, segundo o ensino Bíblico, custa caro ser cristão. Há inimigos que vencer, batalhas que evitar e sacrifícios que realizar; deve-se abandonar o Egito, cruzar o deserto, carregar o peso da cruz e tomar parte na grande caminhada. A conversão não consiste em uma decisão tomada por uma pessoa, em um confortável sofá, para logo em seguida ser levado suavemente ao céu. A conversão marca o início de um grande conflito, e a vitória vem após muitas feridas e contendas. Custa se obter a vitória. Daí concluirmos a importância de calcularmos este custo.

Tratarei de demonstrar de uma maneira precisa e particular o que custa ser um verdadeiro cristão. Suponhamos que uma pessoa esteja disposta a servir a Cristo e se sente impulsionada e inclinada a segui-lo. Suponhamos que como resultado de alguma aflição, de uma morte repentina, ou de um sermão, a consciência de tal pessoa tem sido avivada e agora se dá conta do valor da alma e sente o desejo de ser um verdadeiro cristão. Sem dúvida alguma, todas as promessas do Evangelho se lhe resultarão alentadoras; seus pecados, por muitos e grandes que sejam, podem ser perdoados; seu coração por frio e duro que seja, agora pode ser mudado; Cristo, o Espírito Santo, a misericórdia, a graça, tudo está à sua disposição. Porém, ainda, tal pessoa deveria calcular o preço. Vejamos uma por uma, as coisas que deverá desejar, ou, em outras palavras, o que lhes custará ser cristão

A) Custará sua Justiça Própria

Deverá abandonar o orgulho e a auto-estima de sua própria bondade; deverá contentar-se com o ir ao céu como um pobre pecador, salvo pela gratuita graça de Deus e pelos méritos e justiça de outro (Jesus). Deverá experimentar que “tem errado e se tem desgarrado como uma ovelha”; que não tem feito as coisas que deveria ter feito e feito coisas que não deveria; deve confessar que não há nada são nele. Deve abandonar a confiança em sua própria moralidade e respeitabilidade, e não deve basear sua salvação no fato de que tem ido à igreja, tem orado, tem lido a Bíblia e participado dos sacramentos do Senhor, mas que deve confiar, única e exclusivamente na pessoa e obra de Cristo Jesus.

Isto parecerá muito duro a algumas pessoas, porém não me surpreende que seja assim. “ Senhor - disse um lavrador, temeroso homem de Deus, a James Hervey - é mais difícil negar o nosso EU orgulhoso, que nosso EU pecador. Porém é absolutamente necessário que o neguemos . Aprendamos, pois, de uma vez por todas, que ser um verdadeiro cristão custará a uma pessoa perder sua justiça própria.

B) Custará seus pecados

Deverá abandonar todo hábito e prática que sejam maus aos olhos de Deus. Deve virar o seu rosto contra o pecado, romper com o pecado, crucificar o pecado, mesmo contra a opinião do mundo. Não pode estabelecer nenhuma trégua especial com nenhum pecado que amava antes da sua conversão. Deve considerar a todos os pecados como inimigos mortais de sua alma e odiar todo caminho de falsidade. Por pequenos ou grandes, ocultos ou manifestos que sejam os pecados, deve renunciar completamente a todos eles. Sem dúvida estes pecados tentarão vencê-lo, porém jamais poderá ceder. Sua luta contra o pecado será continua e não admitirá trégua de nenhum tipo. Está escrito: “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes...”. “cessai de fazer o mal” (Ez.18:31; ls.l:16).

Isto também parecerá muito duro para muitas pessoas; e vemos que freqüentemente nossos pecados são mais queridos do que nossos próprios filhos. Amamos o pecado, o abraçamos com todo nosso ser, nos agarramos a ele, nos deleitamos nele. Separar-nos do pecado é tão duro como separar-nos da nossa mão direita, e tão doloroso como se nos arrancassem um olho. Porém devemos separar-nos do pecado; não há outra alternativa possível. “Ainda que o mal lhe seja doce na boca, e ele o esconda debaixo da língua, e o saboreie, e o não deixe, antes o retenha no seu paladar.. “ ,sendo este o caso, devemos apartá-lo de nós si em verdade desejamos ser salvos (Jó 20:12-13). Se desejamos ser amigos de Deus, devemos primeiro romper com o pecado. Cristo está disposto a receber os pecadores, porém não aqueles que se agarram a seus pecados. Anotemos pois, também isto: o ser cristão custará a uma pessoa seus pecados.

C) Custará seu amor à vida fácil.

Para correr com êxito a corrida ao céu se requer esforço e sacrifício. Haverá de velar diariamente e estar alerta, pois se encontrará em território inimigo. Em cada hora e em cada instante deverá vigiar sua conduta, sua companhia e os lugares que freqüenta. Com muito cuidado haverá de dispor de seu tempo e vigiar sua língua, seu temperamento, seus pensamentos, sua imaginação, seus motivos e sua conduta em suas relações diárias. Terá que ser diligente em sua leitura da Bíblia, em sua vida de oração, na maneira como passa o Dia do Senhor e participa dos meios de graça. Certamente que não poderá conseguir perfeição em todas estas coisas, porém mesmo assim, não pode descuidar-se. “O preguiçoso deseja, e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta” (Pv.13:4).

Também isto parece duro e difícil. Não há nada que nos desagrade tanto como as dificuldades na nossa confissão religiosa; por natureza evitamos as dificuldades. Secretamente desejaríamos que alguém pudesse cuidar de nossas obrigações religiosas e que desempenhasse por procuração nosso cristianismo. Não está de acordo com o nosso coração tudo aquilo que implique em esforço e trabalho; porém sem dor não há lucro para a alma. Deixemos bem firmado este fato: o ser cristão custará a uma pessoa seu amor pela vida fácil.

D) Custará o favor do mundo.

Se deseja agradar a Deus deve saber que será depreciado pelo mundo. Não deve estranhar se o mundo o engana, lhe ridiculariza, se levanta calúnias contra você e o persegue e o odeia. Não deve se surpreender se as pessoas o depreciam e com desdém condenam suas opiniões e práticas religiosas. Deve resignar-se a que o acusem de tolo, entusiasta e fanático, e inclusive que distorçam suas palavras e representem falsamente suas ações. Não se surpreenda de que o tachem de louco. O Mestre disse: “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão vossa” (Jo.15:20).

Também isto parece duro e difícil. Por natureza nos desagrada o proceder injusto e as acusações falsas. Se não nos preocupa a boa opinião dos que nos rodeiam deixaríamos de ser de carne e osso._Sempre resulta desagradável ser o alvo de criticas injustificadas e objeto de mentira e falsas acusações; porém não podemos evitá-lo. Do cálix que bebeu o Mestre também devem beber seus discípulos. Estes devem ser “...desprezado, e o mais rejeitado entre os homens... (Is.53:3). Anotemos, pois, o dito: ser cristão custará a pessoa o favor do mundo .

Esta é, pois, a lista do que custará a uma pessoa ser cristã. Devemos aceitar o fato de que não é uma lista insignificante. Nada podemos riscar dela. Resultaria uma temeridade fatal se defendesse por justiça própria, os pecados, o amor à vida fácil, o amor ao mundo e crer que vivendo assim poder-se-ia salvar-se.
A realidade é esta: custa muito ser um verdadeiro cristão. Porém, que pessoa, no sentido pleno, pode dizer que este preço é demasiado elevado pela salvação da alma? Quando o barco está em perigo de afundar-se, a tripulação não vacila em lançar ao mar a preciosa carga. Quando a gangrena envolve a extremidade de um membro a pessoa se submeterá a qualquer operação, inclusive a amputação deste membro. Com maior motivo, pois, o crente está disposto a abandonar qualquer coisa que se levante entre sua alma e o céu. Uma religião que não custa nada, nada vale. Um cristianismo barato - sem a cruz - cedo ou tarde manifestará sua inutilidade; jamais levará a posse da coroa. Sem cruz não há coroa

II) A Importância de Calcular o Custo.

Facilmente poderíamos resumir o assunto estabelecendo o princípio de que nenhuma das obrigações prescritas por Cristo pode ser descuidada sem grande prejuízo para a alma. São muitos os que fecham os olhos para a realidade da fé salvadora e evitam considerar o quanto custa ser cristão. E para ilustrar o que digo eu os poderia descrever o triste fim daqueles que, ao declinar seus dias, se dão conta desta realidade e fazem esforços espasmódicos para voltar-se para Deus. Porém, com grande surpresa se dão conta de que o arrependimento e a conversão não eram tão fáceis como haviam imaginado e que custa “uma grande soma” ser um cristão. Descobrem, também, que os hábitos do orgulho e a indulgencia pecaminosa, junto com o amor a vida fácil e mundana, não podem abandonar-se tão facilmente como haviam pensado. E assim, depois de uma débil luta, caem em desespero a abandonam este mundo sem esperança, sem graça e sem estar preparados para comparecer diante de Deus. Em suas vidas alimentaram a idéia de que o assunto espiritual poderia ser solucionado prontamente e facilmente. Porém abrem seus olhos quando já é demasiado tarde e descobrem, pela primeira vez na vida, que estão indo para perdição por não haver antes “calculado o custo”.
Porém, há uma classe de pessoas as quais quero dirigir-me ao desenvolver esta parte do tema. E um grupo numeroso e que espiritualmente está em grande perigo. Tratarei de descrever estas pessoas e ao fazê-lo agucemos nossa atenção. Estas pessoas não são, como as anteriores, ignorantes do evangelho; não, ao contrário: pensam muito nele; não ignoram o conteúdo da fé; conhecem bem os esquemas da revelação. 

Porém, o grande defeito das tais pessoas é que não estão “arraigadas nem fundamentadas na fé”. Com muita freqüência o conhecimento religioso destas pessoas é de segunda mão; têm nascido de famílias cristãs, têm-se educado em uma atmosfera cristã, porém nunca têm experimentado em suas vidas as realidades do novo nascimento e a conversão. Precipitadamente e talvez por pressões diversas, ou pelo desejo de ser como os demais, têm feito profissão de fé e se tem unido a membresia de alguma igreja, porem sem haver experimentado uma obra da graça em seus corações. Estas pessoas estão em uma posição perigosíssima e são as que mais necessitam da exortação de calcular o custo de serem verdadeiros cristão

Por não haver calculado o custo um grande número de israelitas pereceu miseravelmente no deserto entre o Egito e Canaã. Cheios de zelo e entusiasmo abandonaram a terra de Faraó e parecia que nada poderia pará-los. Porém, tão logo encontraram perigos e dificuldades no caminho, seu calor não tardou em esfriar-se. Nunca pensaram na possibilidade de que pudessem surgir obstáculos. Pensavam que em questão de dias entrariam na posse da terra prometida. E assim, quando pelos inimigos, privações, sede e fome, foram provados, começaram a murmurar contra Moisés e contra Deus e desejaram voltar ao Egito. Em uma palavra: “não calcularam o custo” e em conseqüência morreram em seus pecados.
Por não haver calculado o custo, muitos dos seguidores de Jesus voltaram suas costas “... e já não andavam com ele” (JO.6:66). Quando pela primeira vez viram seus milagres e ouviram sua pregação, pensaram: “O Reino de Deus virá a qualquer momento”. Se uniram ao número dos apóstolos e, sem pensar nas conseqüências, o seguiram. Porém se deram conta de que se tratava de doutrinas duras de crer, e uma obra dura de realizar, e de uma missão dura de se levar a termo, sua fé se desmoronou e nada ficou da mesma. Em uma palavra: não pararam para “calcular o custo”, por isso naufragaram na sua profissão de fé cristã.

Por não haver calculado o custo, o rei Herodes voltou outra vez a seus velhos pecados e destruiu a sua alma. Desfrutava ouvindo a pregação de João Batista. O admirava e considerava um homem justo e santo, e inclusive o ouvia “de boa mente” . Porém, quando se deu conta de que devia abandonar a sua favorita Herodias, sua profissão de fé religiosa se desvaneceu por completo. Não havia pensado nisto; não havia “calculado o custo” (Marcos 6:20)..

Por não haver calculado o custo, Demas abandonou a companhia de Paulo, abandonou o evangelho, deixou a Cristo e perdeu o céu. Por longo período de tempo com o grande apóstolo dos gentios e se converteu em um dos seus companheiros de trabalho. Porém, quando se deu conta de que não podia participar da companhia do mundo e de Deus ao mesmo tempo abandonou o cristianismo e se uniu ao mundo. “Demas, tendo amado o presente século” - nos diz Paulo - “me abandonou... “ (II Tm.4: 10). Não havia calculado o custo.

Por não haver calculado o custo milhares de pessoas que têm sentido uma experiência religiosa sob a evangelização de famosos pregadores naufragam espiritualmente. Se excitam e emocionam e chegam a pensar que experimentaram uma obra genuína de conversão; porém, na realidade não tem sido assim. Receberam a Palavra com alegria tão espetacular que inclusive surpreenderam os crentes experimentados

Com tal entusiasmo falavam da obra de Deus e das coisas espirituais que os crentes mais velhos chegavam a envergonhar-se de si mesmos. Porém, quando a novidade e o frescor de seus sentimentos se dissiparam, uma repentina mudança lhes sobreveio e demonstraram que na realidade não eram mais do que corações de terreno pedregoso em que a Palavra não pôde lançar raízes profundas. “O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo antes de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza” (Mt.13:20-21). Pouco a pouco se derrete o céu de tais pessoas e seu amor se esfria. Por fim chega o dia quando seu assento na igreja está vazio e já nada se sabe deles. Por que? Porque não “calcularam o custo”.

Por não haver contado o custo, milhares de pessoas que professaram ser salvas em reuniões de avivamento, depois de um tempo voltam ao mundo e são motivo de vergonha para o evangelho. Começam com uma noção tristemente equivocada do que seja o verdadeiro cristianismo. Imaginam que a fé cristã não é mais que uma “decisão por Cristo”, uma mera experiência de certos sentimentos de alegria e paz. Logo que se dão conta de que têm de carregar uma pesada cruz no peregrinar até o céu, de que o coração é enganoso e de que o diabo está sempre ativo, se decepcionam e esfriam e retornam a seus velhos pecados. Por que? 

Porque nunca chegaram a saber o que é o cristianismo da Bíblia. Nunca aprenderam a calcular o custo.

Por não haver calculado o custo, freqüentemente os filhos de pais crentes dão um pobre testemunho do que é o cristianismo e são motivo de afronta para o evangelho. Desde a infância se familiarizaram de uma maneira teórica com o conteúdo do evangelho. Têm aprendido de memória longas passagens da escritura e têm assistido com certa regularidade a Escola Dominical, porém na realidade nunca têm pensado seriamente no que têm aprendido. E quando as realidades da vida começam a fazer-se sentirem suas vidas, com grande assombro por parte dos membros da congregação, estes filhos de crentes abandonam toda religião e submergem de cheio no mundo. Por que? Porque nunca chegaram a entender seriamente os sacrifícios e conseqüências que uma profissão de fé séria o cristianismo exige. Nunca se lhes ensinou a calcular o custo.
Estas verdades são tão solenes como dolorosas, porém são verdades e põem em relevo a importância do tema que estamos considerando. São considerações que põem de manifesto a absoluta necessidade que têm todos aqueles que professam um desejo profundo de santidade, de fazer-se a pergunta: Quanto custa?

Melhor iriam as coisas em nossas igrejas se ensinassem a seus membros a calcular o custo que implica a profissão de fé cristã. A maioria dos líderes religiosos dos nossos dias dão mostras de uma impaciente pressa nas coisas do evangelho. Parece que o único grande fim a que se propõem é a conversão instantânea das almas, e em torno disto centralizam seus esforços. Esta maneira tão parcial e vazia de ensinar e apresentar o cristianismo é funesta.

Não interpretem mal o que digo. Eu aprovo inteiramente que se ofereça a salvação de uma maneira imediata, gratuita e completa em Cristo. Aprovo plenamente que se chame com urgência os pecadores a que se convertam imediatamente depois de se ouvir a mensagem de salvação. E a estas coisas não cedo o primeiro lugar. Mas condeno a atitude e o proceder de alguns que apresentam estas verdades por si só, isoladas e sem relação às demais verdades de todo conselho de Deus. Além destas verdades, com toda honestidade devemos advertir os pecadores das obrigações que impõe o serviço a Cristo e o que implica sair do mundo.

 Não temos direito de forçá-los a entrar no exército de Cristo, se antes não os temos advertido e prevenido da magnitude da batalha cristã. Em uma palavra: devemos adverti-los do custo de ser um verdadeiro cristão.

Não foi esta a maneira de proceder do nosso Senhor Jesus? O evangelista Lucas nos diz que, em certa ocasião “Ora, ia com ele uma grande multidão; e voltando-se, disse-lhes: Se alguém viera mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc. 14:25-27). Francamente, não se pode reconciliar esta passagem bíblica com a maneira de proceder de muitos mestres religiosos da nossa época; no que a mim concerne, a doutrina do mesmo é clara como a luz do meio dia. Esta doutrina ensina que não temos que forçar os pecadores a uma precipitada confissão de fé cristã, sem antes não os termos advertido claramente da necessidade que têm de calcular o custo.

Lutero, Latimer, Baxter, Wesley, Whitefield, Rowland HilI, e outros, procederam segundo a maneira pela qual defende este texto. Todos estavam bem cientes do caráter enganoso do coração humano; e sabiam bem que não é ouro1 tudo que reluz, que a convicção não é conversão, que a emoção não é fé, que o sentimento não é graça, que não é de todo botão que provém fruto. “Não vos enganeis - era o grito constante destes pregadores - pensai bem no que fazeis; não corrais antes de haverdes sido chamados; calculem o custo!”.

Se desejamos fazer o bem, não nos envergonhemos de seguir as pisadas do nosso Senhor Jesus Cristo. Exortem as pessoas a que considerem seus caminhos. Obrigue-os com santa violência a que entrem e participem do banquete a que se entreguem completamente a Deus. Ofereça-os uma salvação gratuita, completa e imediata. Insta-os uma e outra vez a que recebam a Cristo na plenitude de seus benefícios.

 Porém, em tudo, diga-lhes a verdade, toda a verdade! Alguns pregadores se utilizam de atos vulgares para recrutar adeptos. Não fale somente do uniforme, do soldo e da glória, fale também dos inimigos da batalha, da armadura, das sentinelas, das marchas, e dos exercícios. Não apresente apenas uma parte do cristianismo. Não esconda a cruz da abnegação, que todo peregrino cristão deve levar, quando falar da cruz sobre a qual Cristo morreu para nossa redenção. Explique com detalhes tudo o que a1, profissão de fé cristã implica. Rogue com insistência várias vezes aos pecadores que se arrependam e corram para Cristo; porém, insista, ao mesmo tempo, a que se sentem e calculem o preço.

III) Sugestões para Ajudar a Calcular Corretamente o Custo.

Mencionarei alguns fatores que sempre influenciam nos nossos cálculos para saber o custo do verdadeiro cristianismo. Considere com calma e equilíbrio o que se tem de deixar e o que se tem de provar para chegar a ser discípulo de Cristo. Não esconda nada, considera tudo. E logo, faça as seguintes somas, tendo o cuidado de repassá-las bem para não haver equivoco, pois o resultado correto dos mesmos é alentador:
  1. Conte e compare os benefícios e as perdas que um discipulado verdadeiramente cristão contém. Muito possivelmente perderás algo deste mundo, porém ganharás a salvação da alma imortal. Está escrito: “Que aproveita ao homem, ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc.8:36). 
  2. Conte e compare os elogios e censuras, se é que és um cristão verdadeiro. Muito provavelmente terás de sofrer as reprovações do mundo, porém, terás a aprovação de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. As censuras vêm dos lábios de pessoas equivocadas, cegas e falíveis; a aprovação vem do Rei dos reis o Juiz de toda a terra. Está escrito: “Bem-aventurado sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mt. 5:11-12). 
  3. Conte e compare os inimigos e amigos. Por um lado tens a inimizade do diabo e dos maus; por outro, tens o favor e a amizade de Cristo Jesus. Os inimigos, quando muito, podem produzir-te alguns arranhões, pode rugir forte e rodear a terra e o mar para tratar de arruinar a tua alma; porém não pode de modo nenhum destruí-la. Teu Amigo é poderoso para salvar-te eternamente. Está escrito:“Digo-vos, pois, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: Temei aquele que depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer” (Lc. 12:4-5). 
  4. Conte e compare a vida presente e a por vir . A vida presente não é fácil; implica em vigilância, oração, luta, esforço, fé e labor; porém, só é por poucos anos. A vida vindoura será de descanso e repouso; a influência do pecado já terá terminado e satanás estará acorrentado. E, ah! será um descanso para toda eternidade. Está escrito: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para noS eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentado nós nas cousas que se vêem; porque as cousas que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2 Co.4:17-18). 
  5. Conte e compare os prazeres do pecado e a felicidade do serviço a Deus. Os prazeres que o homem mundano obtêm são vazios, irreais, não satisfazem. São como a fogueira que fazem os espinhos arder: range e brilha, porém, só por uns minutos, logo se apaga e desaparece. A felicidade que Cristo ou torga a seu povo é sólida, duradoura e substancial; não depende da saúde nem das circunstâncias; nunca abandona o crente, nem mesmo na hora da morte. E uma felicidade que, além disso, se verá galardoada com uma coroa incorruptível. Está escrito: “O júbilo dos perversos é breve” “Pois qual o crepitar dos espinhos debaixo duma panela, tal é a risada do insensato” (Jó 20:5; Ec.7:6). Porém também está escrito: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la a dou com a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo. 14:27). 
  6. Conte e compare as tribulações que o cristianismo verdadeiro implica e as tribulações que sobrevirão aos maus após a morte . A leitura da Bíblia, a oração, a luta cristã, uma vida de santidade, etc., implica em dificuldades e exigem abnegação por parte do crente. Porém não é nada em comparação com a “ira que virá” e que se desencadeará sobre os impenitentes e os incrédulos. Um só dia no inferno será muito mais intolerável que toda uma vida de peregrinação levando a cruz. O “bicho que nunca morre e o fogo que nunca se apaga” é algo que vai mais além do que a mente humana pode conceber e descobrir. Está escrito: “Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu em tormentos”(Lc.16:25). 
  7. Considere e compare, em último lugar, o número daqueles que se voltam do pecado e do mundo para servir a Cristo, e o número daqueles que deixam a Cristo e voltam ao mundo. Os que se voltam do pecado e do mundo para servir a Cristo são muitos; porém nenhum dos que realmente têm conhecido a Cristo voltam ao inundo. Cada ano multidões abandonam o caminho largo e tomam a senda estreita que conduza vida. Nenhum dos que andam pelo caminho estreito se cansam do mesmo e voltam ao caminho. O caminho largo registra muitas pegadas de pessoas que torceram seu rumo e o abandonaram; porém, as pegadas dos caminhantes do caminho estreito, que conduz ao céu todas seguem a mesma direção. Está escrito “O caminho dos perversos é como a escuridão”. “O caminho dos pérfidos é intransitável” (Pv.4:19; 13:15). Porém, também está escrito: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv.4: 18).
Estas somas e estas contas freqüentemente não se fazem corretamente; por isso há pessoas que continuamente e não podem dizer se vale a pena ou não servir a Cristo. As perdas e ganhos, as vantagens e desvantagens, as tribulações e os prazeres, as ajudas e os obstáculos, lhes dão um balanço tão igual, que não podem optar por Cristo. É que não têm feito a soma corretamente.
Como se explica o erro de tais pessoas? Se deve a uma carência de fé por sua parte. Para chegar a uma conclusão correta sobre nossas almas, devemos conhecer algo daquele poderoso princípio que Paulo menciona no capítulo 11 de sua Epístola aos Hebreus. Permitam-me demonstrar de que maneira intervém este princípio no grande “negócio” de calcular o custo.
A que se deveu o fato de Noé perseverar até o fim na construção da arca? Estava só em meio a uma geração pecadora, incrédula e havia de sofrer o opróbrio, a zombaria e o ridículo das pessoas. O que lhe deu fortaleza ao seu braço e paciência em seu labor? Foi a fé. Noé cria na ira que havia de vir; cria que só na arca poderia achar o refúgio seguro. Pela fé considerou e teve como pobre o conceito e a opinião do mundo. Pela fé calculou o custo e não duvidou de que a construção da arca significava um ganho.
A que se deveu o fato de Moisés rejeitar os prazeres do Egito e recusar-se ser chamado de filho da filha de Faraó? Como pode escolher ser maltratado com o povo de Deus e dirigir ao povo hebreu á terra da promissão, livrando-o da terra da escravidão? Segundo o testemunho do olho humano dos sentidos iria perder tudo e não ia ganhar nada em troca. O que impulsionou Moisés a agir dessa forma? Foi a fé. Ele cria que acima de Faraó havia UM maior e mais poderoso que o dirigiria e protegeria em sua grande missão. Ele tinha por maiores riquezas o vitupério de Cristo que todos os tesouros dos egípcios. Pela fé calculou o custo e “como vendo o invisível”, se persuadiu de que o abandono do Egito e o peregrinar pelo deserto era, na realidade, ganho.
Que foi que fez o fariseu Saulo de Tarso decidir deixar a religião de seus pais e abraçar o Cristianismo? Os sacrifícios e os custos que a mudança implicava eram em verdade enormes. No entanto, Paulo abandonou todas as brilhantes perspectivas que tinha entre os de sua nação; trouxe sobre si, ao invés do favor dos homens, o ódio do homem, a inimizade do homem, a perseguição do homem até a morte. A que se deveu o fato de Paulo poder fazer frente a tudo isso? Se deveu a sua fé. Ele cria que Jesus, a quem conheceu no caminho de Damasco, poderia dar-lhe cem vezes mais do que o que abandonara, e no mundo vindouro a vida eterna. Pela fé calculou o custo, e viu claramente até que lado se inclinava a balança. Cria firmemente que o tomar a cruz de Cristo sobre si era ganho.
Notemos bem todas estas coisas. A fé que fez Noé, Moisés e Paulo fazerem as coisas que fizeram, é o segredo que nos levará a conclusões corretas com respeito a nossa alma. A mesma fé tem de ser nossa ajudadora e nosso livro de contas quando nos sentamos para calcular o custo do verdadeiro cristianismo. Esta fé, se a pedimos a receberemos. “Ele dá maior graça” (Tiago 4:6). Armados com esta fé apreciaremos as coisas no seu justo valor. Cheios desta fé, nunca aumentaremos a cruz nem diminuiremos a coroa. Nossas conclusões serão todas corretas; nossa soma total não registrará erros.

Conclusão

Em conclusão desejo que consideres seriamente se tua profissão de fé religiosa te custa atualmente algo. Mui possivelmente não te custa nada. Com toda probabilidade tua religião não te custa dificuldades, nem tempo, nem pensamentos, nem cuidados, nem dores, nem leitura alguma, nem oração, nem abnegação, nem conflito, nem trabalho, nem labor de nenhuma classe. Bem, pois não te escuses do que vou te dizer: esta profissão de fé nunca poderá salvar tua alma; nunca te dará paz enquanto estás vivo, nem esperanças na hora da morte. lima religião que não custa nada, não vale nada. Desperta! Desperta! Desperta e crê! Desperta e ora! Não descanses até que possas dar uma resposta satisfatória a minha pergunta: “Que te custa?”

Pensa se é que necessitas de motivos que te estimulem mais e mais para o serviço do Senhor, pensa no muito que custou a salvação de tua alma. Considera que nada menos do que o Filho de Deus teve de abandonar o céu, fazer-se homem, sofrer a cruz, ser sepultado, para logo ressuscitar vitorioso sobre o pecado e a morte, e tudo para obter a redenção de tua alma. Pensa em tudo isso e te convencerás de que não é algo insignificante possuir uma alma mortal. Vale a pena tomar-se o incômodo de pensar sobre a esta alma tão preciosa.

Ó, homem preguiçoso! Ó, mulher preguiçosa! Te conformarás com perder o céu por mero fato de que não queres te preocupar com as coisas espirituais? Tanto te repugna o exercício e o esforço como para permitir que tua alma naufrague para toda a eternidade? Sacode esta atitude covarde e indigna! Lavanta-te e porta-te varonilmente! Que não termine o dia sem que hajas dito a ti mesmo: “Por muito que seja o custo, eu tomo a determinação de esforçar-me para entrar pela porta apertada”. Olha a cruz de Cristo e receberás alento para seguir adiante, e valor para consegui-lo. Sê sincero e realista com tua própria situação espiritual; pensa na morte, no juízo, na eternidade. Poderá custar muito o ser cristão, porém podes estar seguro de que vale a pena.

Se algum leitor realmente sente que tem calculado o custo, e tomado sobre si a cruz, eu o exorto a que persevere e continue em frente. Talvez freqüentemente sintas como se teu coração estivesse a ponto de desfalecer, e que o ímpeto da tentação ameaça naufragá-lo no desespero. Eu te digo: persevera, segue em frente. Não há dúvida de que teus inimigos são muitos, e os pecados que te rodeiam batem com ímpeto; talvez os teus amigos sejam poucos, e o caminho íngreme e estreito. Porém, mesmo assim, nestas circunstâncias, persevera e segue adiante.

O tempo é muito curto. Uns poucos anos de vigilância e oração, uns vão e vêm sobre as ondas do mar deste mundo, umas poucas mortes a mais, umas mudanças a mais, uns poucos verões a mais, e já não haverá necessidade de muita luta.

A presença e companhia de Cristo compensará os sofrimentos deste mundo. Quando nos vemos como somos vistos, e olhamos até a nossa jornada da nossa vida, nos surpreenderemos de nossa debilidade e desmaios de coração. Ficaremos surpresos de que demos tanta importância a nossa cruz, e pensamos tão pouco em nossa coroa. Ficaremos maravilhados de que calculando o custo, chegamos até a duvidar para onde se inclinava a balança. Animemo-nos! Não estamos longe do nosso lugar eterno!

PODE CUSTAR MUITO SER UM VERDADEIRO CRISTÃO 
E UM CRENTE FIEL, PORÉM VALE A PENA!

Fonte: Jornal “Os Puritanos” Ano IV N.3.