segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sobre o Divórcio

       No Oriente Próximo o noivado (no Talmude, erüsïn e qiddüshïn) é quase tão definitivo como o próprio casamento. Na Bíblia a mulher comprometida em noivado era algumas vezes chamada de ‘esposa’ e estava obrigada à mesma fidelidade (#Gn 29:21; Dt 22:23,24; Mt 1:18,20), e o noivo era algumas vezes chamado de ‘esposo’ (#Jl 1:8; Mt 1:19). Entre os hebreus ligava-se ao noivado os mesmos direitos e deveres do casamento. Uma vez que o noivado era um compromisso assumido, seu rompimento era considerado caso de infidelidade. Um caso típico na Bíblia, que podemos citar como exemplo, é o de José, que desejava desmanchar o noivado por causa de uma suposta infidelidade de Maria: "Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada [noiva] com José, antes de se ajuntarem [casarem], achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então, José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente". (#Mt 1:18,19). Vemos nesta passagem, José querendo separar-se [divorciar] de sua futura esposa porque presumia que ela lhe tivesse sido infiel. É claro que José não poderia ser considerado "justo", se sua separação não fosse por causa de infidelidade de Maria, pois nesse caso o infiel seria ele, em não cumprir o compromisso assumido.
      Se Maria tivesse mantido relações com outro homem, no período de seu noivado, teria ela cometido o pecado de fornicação, e não de adultério. Nesse caso o divórcio, ou separação, formalizado por meio do libelo de repúdio (#Mt 5:31,32) era plenamente lícito.
     O mesmo não pode ser dito em relação ao cometimento de adultério, embora muitos queiram apoiar o divórcio com base numa interpretação equivocada de Mateus 19:9.
Vejamos o que significam as palavras de Jesus nessa passagem, nas diversas traduções da Bíblia.
A Almeida Revista e Corrigida usa prostituição (#/RC Mt 19:9).
A Almeida Revista e Revisada da Imprensa Bíblica Brasileira e a Almeida Versão Brasileira usam infidelidade.
A Almeida Edição Contemporânea da Editora Vida (Bíblia Thompson) usa prostituição.
A Almeida Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica Brasileira de 1959 usa adultério.
A Almeida Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica Brasileira de 1993 usa relações sexuais ilícitas.
A Alfalit Brasil de 1997 usa adultério.
A Bíblia na Linguagem de Hoje usa adultério.
A Nova Versão Internacional usa imoralidade sexual.
O Novo Testamento Versão Fácil de Ler da Editora Vida Cristã usa imoralidade sexual
A Vulgata Latina de Jerônimo usa fornicação.
Tradução do Padre Matos Soares baseada na Vulgata - Edições Paulinas usa fornicação.
A Almeida Corrigida Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil usa fornicação.
Com o surgimento de novas versões da Bíblia, chamadas versões modernas, nota-se uma tendência cada vez maior para apoiar o divórcio. As duas únicas versões que traduziram o termo grego fielmente, são a Vulgata Latina de Jerônimo, a Tradução de Matos Soares das Edições Paulinas e a Almeida Corrigida Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Estudemos agora o texto grego:  O Adultério só pode ser cometido por pessoa casada quando mantém relação sexual com outra pessoa que não é seu cônjuge. A fornicação só pode ser cometida por pessoas solteiras que mantêm relação sexual entre si.
Moicheía (adultério) é uma coisa e Porneía (fornicação) é outra. Esses termos não são sinônimos.  A tradução de porneía para relações sexuais ilícitas não é adequada porque essa expressão inclui grande variedade de significados. Toda relação sexual cometida fora do casamento é relação sexual ilícita, portanto a própria fornicação é um tipo de relação sexual ilícita, assim como o adultério, mas adultério não é fornicação e vice-versa.
A prostituição é também uma relação sexual ilícita. Se for cometida por um homem casado, que paga uma prostituta para manter relação sexual com ela, este homem comete adultério, e não fornicação. Se um homem solteiro procura uma prostituta, ele comete fornicação com ela. Porneía é traduzida de diversas maneiras. Porneía pode ser prostituição, imoralidade, impureza, devassidão, etc, MAS NUNCA ADULTÉRIO!
Portanto o adultério não é uma cláusula explicita para o divórcio. O divórcio só poderia ser concedido com o cometimento de porneía. O que Jesus afirmou em Mateus 19:9 é que um casal compromissado pelo noivado poderia separar-se em caso de porneía. Isto é óbvio, se eles ainda não eram casados, como poderiam cometer adultério? Se fossem casados e se separassem, estariam cometendo adultério. Mas o adultério (moicheía) não permitia a separação, mas sim a fornicação (porneía).
Portanto Jesus nunca apoiou o divórcio sob qualquer circunstância; nem poderia. Seria absurdo supor que Jesus iria contrariar a própria palavra de Deus: (#Ml 2:16).
Poucos decênios antes de Cristo dois célebres mestres: Shamai e Hillel se engalfinharam numa fervorosa e acirrada competição que levantou o ardor dos fariseus dividindo-os quanto aos motivos suficientes para o libellus repuddi (libelo de repúdio).
Shamai, austero e rígido, admitia como motivo do repúdio somente um grave escândalo praticado pela mulher. Hillel, relaxado e laxo, entendia que qualquer ocorrência se constituía em pretexto para a quebra do vínculo, como descuido no cozimento que causasse o queimar a comida.
Ao tempo de Jesus permaneciam vivas e acesas as disputas entre as duas escolas seguidas ambas por entusiastas e árdegos adeptos. Ao provocar o Mestre objetivavam os fariseus descobrir qual das duas escolas Jesus Cristo se simpatizava. Daí a pergunta que fizeram: "É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?" (#Mt 19:3). O "qualquer motivo" acrescido à pergunta questionava o sentido daquela "coisa feia" de Deuteronômio 24:1. (Veja #Dt 24:1).
A resposta de Jesus surpreendeu os fariseus. Jesus não defendeu nenhuma das posições existentes na época. Ele recusou tanto uma como a outra. Rejeitou a escola de Shamai, e Hillel recorrendo ao princípio no Éden.
"O Mestre recorre ao postulado esculpido na primeira página do Gênesis para dela extrair a luminosa conclusão da inseparabilidade, da indestrutibilidade, da imprescritibilidade, do pacto conubial. Nenhuma força humana o diluirá. Nenhum motivo, grave ou superficial, poderá justificar sua ruptura. O pensamento cristalino de Jesus Cristo exteriorizado em sua palavra límpida, sem possibilitar qualquer sombra de dúvida, é consentâneo com sua missão de amor. Em sendo Ele encarnação do amor de Deus... destoaria de sua missão e da sua própria personalidade se propugnasse pelo divórcio. Ou se lhe permitisse qualquer brecha. Amor e divórcio são termos irreconciliáveis. Instalados em pólos opostos. Divórcio é separação. Dissolução. Desunião. Ruptura. Desamor. Anti-amor. Contra-amor. Divórcio é abandono. Afastamento. ‘APOSTASION’ no grego original do Novo Testamento (#Mt 5:31; 19:7; Mc 10:4). Divórcio á APOSTASIA do amor! E Jesus Cristo, o Amor de Deus Encarnado, porventura confirmaria e apoiaria a APOSTASIA DO AMOR? Arrolar o Sacratíssimo Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo como depoente favorável ao divórcio é injuriar-lhe a personalidade e conspurcar-lhe a missão.".
"Ora, consoante o reconhecimento de Adão: ‘e serão ambos uma carne’ (#Gn 2:14) confirmado e ratificado por Nosso Senhor Jesus Cristo: ‘E serão os dois uma só carne; e assim já não são dois, mas uma só carne’ (#Mc 10:8), os cônjuges já não são partes independentes. Tanto mais que o casamento é um retrato da união entre Cristo e sua Igreja (#Ef 5:23-32). Se fosse possível se desenlaçarem Cristo e a Igreja, também o matrimônio poderia dissolver-se.".
Os divorcistas consideram o divórcio como uma "conquista da civilização". É embuste! É inquestionável constatação da história: em toda época de decadência moral a mulher se inferioriza. Também hoje a mulher é inferiorizada. Nesta trágica sociedade de consumo, quando a mulher se supõe em elevação na sociedade, transforma-se em mero artigo de consumo. Até em propaganda de vendas de apartamentos há de aparecer uma mulher desnuda... E é precisamente nesta fase desgraçada da história dos homens que se apresenta o divórcio como conquista da civilização.
"O Código de Eshunna (Babilônio), o mais antigo (do século XX antes de Cristo) e o código de Hammurabi, rei da Babilônia, descoberto em 1902, mencionam o divórcio. A legislação daqueles afastados tempos, de si mesma, não implantava o divórcio então em prática constante como uma das chagas sociais. Tentava reprimir os seus abusos e coibir seus trágicos resultados. Cito alguns exemplos: ‘Se um homem rejeita a sua mulher depois de haver tido dela alguma prole e toma outra esposa, seja expulso de casa e perca seus bens e vá conviver com aquela que preferiu’ (Eshunna, 59). O rei babilônio parece-nos mais humano, embora contemporâneo da técnica do machado, do que os homens da técnica da televisão e dos aviões a jato. Outro exemplo: ‘Se um homem é feito prisioneiro e em sua casa não há o que de comer, e antes de seu regresso a mulher desposa outro homem gerando filhos; se o marido retornar e voltar à própria terra, aquela esposa voltará ao primeiro marido; os filhos ficarão com o próprio pai’ (Hammurabi, 135).". Moisés viveu naquela época. A brutalidade dos corações dos homens de todos os povos atingiu também o povo judeu. Propenso este à prática do divorcista, Moisés reconheceu a necessidade de legislar sobre a matéria para coibir abusos. Jamais defendeu a legitimidade da dissolução do liame conubial. Como sábio legislador diante de uma conjuntura social, suportou-a para reduzir-lhe a possibilidade e mitigar-lhe os efeitos nocivos naquela fase de hiato da Lei dentro da vigência do Evangelho da Graça.
Petulantes e falsos acusadores, os fariseus disseram a Jesus Cristo: "Então por que MANDOU Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?" (#Mt 19:7). O Mestre Polemista recusou a corrupção farisaica ao corrigir a expressão e a idéia dos seus contendores: "Moisés PERMITIU" (#Mt 19:8). Ele não MANDOU (eneteilato). PERMITIU (epetreqen) (See Definition... 2010). Moisés foi obrigado pelas circunstâncias a tolerar o divórcio, vemo-lo, contudo, preocupado em reprimir os abusos e os pretextos frívolos (#Dt 22:13-19,28,29; 21:10-14; 24:1-4).
Esta tolerância por parte de Moisés não lhe arranha sequer o conceito de fidelidade ao plano inicial do Criador. Por isso, O Mestre salientou aos fariseus a razão dessa tolerância: "por causa da dureza dos vossos corações" (#Mt 19:7). A cláusula de exceção, por conseguinte, não é uma exceção. Trata-se de um entre parêntese feito por Jesus no decorrer de sua exposição. Entendendo-se corretamente essa palavra: "Assim não são dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem" (#Mt 19:6).
Os discípulos compreenderam plenamente a proclamação de Jesus e completamente nova para os judeus e lhe observaram: "Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar" (#Mt 19:10). A rigidez do assunto é radical e de difícil alcance para os homens a ponto de o Mestre frisar: "Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido" (#Mt 19:11).
Que os cristão-divorcistas supliquem ao Senhor a graça de entender essa palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Autor: Pastor Luiz Antonio Ferraz
Fonte: Cd estudos obreiro aprovado
Site: www.palavraprudente.com
Adaptação: Pr. Adelcio Ferreira

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