segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A PRÁTICA DO ACONSELHAMENTO PASTORAL

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho
Apresentado aos alunos do Centro de Formação Pastoral do Amapá

A QUESTÃO PRELIMINAR
      A questão preliminar na prática do aconselhamento pastoral é esta: O que queremos, exatamente, com o ministério de aconselhamento pastoral? Bancar o psicólogo, aparentar ar professoral, ser importante, dominar as pessoas, impor nosso ponto de vista? Na década dos oitentas, o charme nas igrejas não era o louvor, mas era o aconselhamento. Na ocasião, eu trabalhava na Faculdade Teológica Batista de Brasília e observei quantas pessoas vinham fazer Aconselhamento Pastoral, porque queriam desenvolver o ministério de aconselhamento nas igrejas. Observei duas características comuns em muitos dos interessados: (1) Eram pessoas dominadoras; (2) Eram pessoas com pontos de vista muito fortes e que lutavam, por eles. É curioso como o temperamento das pessoas as impele para certas funções nas igrejas. Pessoas apaixonadas pela evangelização, não incomumente, são pessoas agressivas. Alguns gurus evangélicos e pessoas que se atribuem títulos pomposos são pessoas com enormes carências emocionais. Elas buscam compensação nas atividades eclesiásticas.  O conselheiro precisa se sondar: o que o motiva é amor às pessoas, consciência de missão, ou desejo de controle?

      Voltemos à década dos oitentas. Enfatizava-se muito o discipulado, que hoje aparece com roupa nova, chamado de mentoreamento. Os candidatos a conselheiros queriam discipular pessoas, mas dava para notar que não era para fazerem discípulos de Cristo, e sim discípulos delas. Não era para levar as pessoas à estatura de varão perfeito, como encontramos recomendado em Efésios 4.13. Era para reproduzir pessoas à sua imagem e semelhança. Ainda hoje, buscamos muito fazer clones nossos em nossas igrejas. Ou dominar pessoas. O líder precisa sondar bem suas intenções. Principalmente se ele se vale do aconselhamento. Que deseja: ovelhas maduras ou pessoas submissas a ele? Aconselhar ou dominar? Ver o desenvolvimento da pessoa ou reproduzir-se nela?

1. O VALOR DO ACONSELHAMENTO PARA O CONSELHEIRO
Ao aconselhar, o pastor não apenas cumpre uma tarefa atinente ao seu ministério. Ele se capacita para o ministério pastoral, no trato com o rebanho. Ðescobre suas necessidades, vê as carências do povo e assim diagnostica seu estágio espiritual, como também vê por onde deve andar no ensino do púlpito. O gabinete pastoral é um termômetro que indica algumas enfermidades da igreja, e assinala para o pastor o que ele deve pregar, se deseja a terapia que vem da Palavra de Deus.

Uma ressalva deve ser feita, no entanto: o gabinete pastoral não vai ao púlpito. O que se ouve no gabinete morre no gabinete, mas o que se trata no gabinete sinaliza áreas que devem ser abordadas pelo púlpito. Se constantemente o pastor está administrando crises conjugais, isto é sinal de que precisa pregar mais sobre família. Se casos de mundanismo e baixa espiritualidade causam os problemas que surgem no gabinete, o obreiro descobrirá que a igreja está precisando de santificação. Precisamos  reconhecer o fato de que somos pastores e não terapeutas seculares, e que lidamos com igreja e não com uma clínica psicológica. Lamentavelmente, muitos pastores estão deixando a Bíblia, substituindo-a por ensinos de psicólogos seculares, sem temor a Deus, e caindo no mesmo equívoco de tantos conselheiros não cristãos, o de pensar que nossa tarefa é tornar as pessoas aliviadas de seus fardos, e se sentirem bem consigo mesmas. Nossa principal tarefa como conselheiros não é aliviar o fardo das pessoas, mas orientá-las dentro dos princípios da Bíblia. Vivendo os valores da Palavra de Deus as pessoas terão o alívio que o Espírito Santo dá.

Nossa tarefa, portanto, não é de ajudar os pecadores a viverem bem com seus pecados, mas “anunciar todo o conselho de Deus” (At 20.27). Assim fazendo, cumprimos nossa missão, ajudamos as pessoas e formatamos o povo de Deus dentro da Palavra de Deus. O aconselhamento ajuda o obreiro a cumprir sua missão, que é a de levar o povo do Senhor à maturidade: “Desse modo todos nós chegaremos a ser um na nossa fé e no nosso conhecimento do Filho de Deus. E assim seremos pessoas maduras e alcançaremos a altura espiritual de Cristo. Então não seremos mais como crianças, arrastados pelas ondas e empurrados por qualquer vento de ensinamentos de pessoas falsas. Essas pessoas inventam mentiras e, por meio delas, levam outros para caminhos errados” (Ef 4.13-14). E, secundariamente, ajuda o obreiro a conhecer o tipo de alimento que seu rebanho necessita.

O conselheiro precisa estar atento para o fato de muitas pessoas o procurarão buscando confirmação de suas atitudes,  e querendo apenas apoio e compreensão. Nem sempre desejarão mexer na causa fundamental do problema. O conselheiro deve ser compreensivo, mas nunca conivente com o erro e com o pecado.

2. UMA POSTURA DO CONSELHEIRO
Sentir indignação com o pecado é uma coisa. Sentir indignação com o pecador é outra. O Novo Testamento fala, por exemplo, para não sermos ansiosos. Mas quando lidou com a ansiedade de Marta, Jesus não lhe “deu uma dura”, mas foi terno: “Aí o Senhor respondeu: – Marta, Marta, você está agitada e preocupada com muitas coisas, mas apenas uma é necessária! Maria escolheu a melhor de todas, e esta ninguém vai tomar dela” (Lc 10.41-42).  Haverá momentos em que o conselheiro se frustrará porque vê que a pessoa está sendo infantil ou apenas desejando aliviar um sintoma do seu pecado, ao invés de lidar com o pecado. É preciso misericórdia. Sem abandonar a firmeza.

Além desta postura de aceitação da pessoa, o conselheiro precisa cultivar a imagem (que deve corresponder à realidade) de ser uma pessoa confiável. Observe este comentário em uma obra de aconselhamento profissional, secular: “O paciente tem vários graus de consciência do processo, experimentado principalmente na forma de suas fantasias sobre o médico e de uma sensação de segurança e confiança a seu respeito”[1]·. O conselheiro precisa passar a imagem real de uma pessoa confiável. Ele precisa dar ao aconselhado a sensação de segurança e de confiança a seu respeito. As pessoas confiavam em Jesus. Lembremos disto. Certa vez, um homem, membro de outra igreja, me pediu aconselhamento. Eu lhe disse para procurar seu pastor e ele me falou que o problema era o seu pastor, e me disse: “Quando eu era católico, sabia que quando eu confessava meus pecados ao padre, ele guardaria sigilo. Morria no confessionário. Tudo que eu conto para meu pastor vira ilustração de sermão. Ele não cita meu nome, mas quem me conhece sabe que sou eu”.

Se você almeja ser um conselheiro cristão, estas duas virtudes são indispensáveis: aceitação da pessoa e manutenção de sigilo. Um obreiro falastrão nem sempre obterá confiança das pessoas.

3. ESCLARECENDO A QUESTÃO DA ACEITAÇÃO DA PESSOA
O psicólogo Carl Rogers escreveu um livro intitulado Tornar-se pessoa (título em português). Sua terapia é centrada na pessoa. Veja esta citação sua: “Em meus primeiros anos de atividade profissional, eu fazia a pergunta: ‘Como posso tratar, ou curar, ou mudar esta pessoa? ’. Agora, eu formulo a pergunta da seguinte maneira: ‘Como posso proporcionar um relacionamento que essa pessoa possa usar para o próprio crescimento pessoal? ’”[2] .

Este é o aconselhamento centrado na pessoa. A idéia é que a pessoa tem as respostas dentro de si e pode crescer sozinha, usando informações para seu benefício. Isto é o que Rogers vê de mais importante no aconselhamento, o tornar-se pessoa. Mas a pergunta que o conselheiro cristão deverá fazer é mais ou menos nestes termos: “Como posso ajudar esta pessoa a entender o que Deus deseja que ela faça nesta circunstância?”. Mais que tornar-se pessoa, seu propósito é levar o aconselhando a tornar-se cristão maduro. A terapia centrada na pessoa parte do pressuposto de que as pessoas são boas e podem ser sua própria referência, prescindindo de um modelo externo. É a crença de que o homem é bom.

Infelizmente, alguns evangélicos têm perdido os referenciais da Palavra de Deus e feito psicologia, sociologia e filosofia segundo os parâmetros do mundo, esquecido de uma doutrina fundamental para nós, a Queda.  Eles se encantam com o ensino de homens sem Deus e desprezam o ensino do próprio Deus. O homem é pecador e não pode ser seu próprio referencial. Vivemos numa época que despreza a correção e valoriza o “eu”. As pregações e os cultos, em boa parte, são para exaltar o eu pecaminoso, vaidoso e cobiçoso, não a pessoa e os ensinos de Jesus. O aconselhamento pastoral não pode ser massagem no ego nem centrar-se em outra base que não seja o ensino das Escrituras.

O conselheiro cristão deve aceitar a pessoa, mas deve aceitar a autoridade das Escrituras sobre todas as pessoas, mesmo as que não são crentes. Eis uma citação de Crabb: “As categorias bíblicas são suficientes para responder às perguntas do conselheiro… Nossa tarefa é pensar sobre a vida dentro das categorias que as Escrituras fornecem. A autoridade para nosso pensamento depende de em que grau ele brota das categorias bíblicas claramente ensinadas”[3]·. Em outras palavras: o ensino bíblico é suficiente para responder a todas as indagações que um conselheiro tenha.

4. LIDANDO COM TIPOS DE PESSOAS – O QUE DESEJA APENAS FALAR
No trato com as pessoas, o conselheiro encontrará aquela que o procurará apenas para desabafar. Ela fala, fala, nunca pergunta (e quando pergunta é apenas de maneira retórica, esperando apoio, mas nunca uma resposta objetiva) nem se mostra inclinada a ouvir. O papel do conselheiro não é interromper e cortar a pessoa. Deve ouvir. Mas deve ter cuidado. Há pessoas que gostam de alugar ouvidos para fazerem seus monólogos. Não querem resolver nada, apenas falar. Pode ser bom para a pessoa, embora enfade o conselheiro. Mas pode ser ruim para a pessoa se serve como subterfúgio para ela nunca se decidir a fazer o que deve.
“De que esta pessoa precisa, realmente?”.  Esta deve ser a pergunta do conselheiro. Ela necessita apenas desabafar ou isto é uma prática de vida, em que ela aluga ouvidos para descarregar sua ira ou frustração? Há os que querem audiência cativa, um auditório, mesmo que de uma pessoa apenas, para se exibirem. Já notou a conversa das pessoas nas ruas, ônibus, filas de ônibus, lanchonetes? Como elas contam vantagens e se exibem? Há sempre pessoas contando histórias em que elas são heroínas. Cuidado com isto. As pessoas têm carências emocionais muito grandes, entre elas a de aceitação, de serem bem vistas, de serem respeitadas e admiradas. O conselheiro é visto como uma pessoa cuja admiração deve ser conquistada. Mas não pode ser manipulado. E seu tempo não deve ser gasto em contemplação de pessoas. Menos ainda sua atividade pastoral pode ser usada para validar comportamentos vaidosos.

Lidando com a pessoa que não ouve, apenas fala, pergunte-lhe, após algum tempo ouvindo-a: “Exatamente, o que você espera de mim?”. Procure, com gentileza, levar a pessoa a refletir sobre o que está fazendo ali. Se ela disser que é apenas um desabafo, ótimo. Ouça seu desabafo. Ela precisa disso.  Mas se nada tem a dizer, desejando apenas um auditório cativo, há um problema. Seu tempo é para ser usado com pessoas necessitadas, e gabinete pastoral não é sala de espera nem lugar de passatempo, e o pastor-conselheiro não é ouvido cativo para qualquer coisa.

Nunca seja grosseiro, mas nunca seja um poste. Há um livro de aconselhamento popular cujo título é muito interessante: Cuidado com os vampiros emocionais. Você encontrará pessoas que apenas sugam e querem que você seja passivo. Uma pessoa me procurou durante quase um ano de aconselhamento, e sempre para abordar o mesmo problema. A solução era visível, mas a pessoa nunca a consumava. Depois de tanto tempo tratando da mesma questão (quase que podia gravar o que dizia numa reunião para fazê-la ouvir na outra), precisei perguntar: “Além de alugar meus ouvidos e de se lamentar, o que você pretende, realmente?”. Talvez tenha sido pouco delicado de minha parte, mas entendi que já havia tempo e relacionamento com a pessoa que me permitia agir desta maneira. Graças a Deus ela entendeu que a solução era clara, estava em suas mãos e era questão apenas de executá-la. E ela fez o que devia. Mas durante quase um ano apenas falou. Avistar-se comigo não era solução, mas agravava o problema, porque quando alguém lhe falava sobre a situação que ela enfrentava, sua resposta-desculpa era: “Estou me aconselhando com o pastor”. Não estava se aconselhando com o pastor. Estava usando o pastor para justificar sua imobilidade. E o pastor estava ficando com a imagem de quem aconselhava sem aconselhar, na realidade. Esta é uma das preocupações que o conselheiro deve ter. Ele será usado por pessoas, em várias circunstâncias. Cuidado com o que o fala e cuidado como se porta. Cuidado com o que não fala e cuidado com o que deixa de fazer, como não se porta.

5. LIDANDO COM PESSOAS – O QUE QUER SE JUSTIFICAR
Quando Jesus se defrontou com os doutores da lei, em certa ocasião, um deles sentiu-se acuado. Diz Lucas 10.29: “Porém o professor da Lei, querendo se desculpar, perguntou: – Mas quem é o meu próximo?”. Muitas vezes, sem respostas, as pessoas querem se justificar, e apresentam desculpas.

Um jovem, certa vez, disse ao pastor que estava sendo assediado por sua chefe. E que seu emprego estava em risco se ele não aceitasse sair com ela. Já disposto a sair com ela, procurou o pastor, e depois de expor a situação, fez esta observação: “Pois é, pastor, antigamente os homens é que davam em cima das mulheres. Hoje as mulheres dão em cima dos homens. Os tempos mudaram. A Bíblia não podia prever uma situação dessas”. Calmamente, o pastor lhe perguntou: “Você já leu a história de José do Egito?”. O rapaz não queria aconselhamento. Já decidira que ia pecar e buscava apenas justificativa. Lembre-se, conselheiro: as pessoas não gostam que seus erros e pecados venham à tona. Tentam fazer aventais de folhas de figueira para si, ou acusam os outros pelos seus pecados. Sua função não é acusar. O Diabo é o acusador (Ap 12.10) e o Espírito Santo é o convencedor (Jo 16.8). Você não deve fazer o trabalho nem de um nem de outro. Sua função é ser um instrumento e deixar que o Espírito faça a obra. Não acuse nem tente convencer. Apenas mostre a Palavra de Deus.

Tenho observado que muita gente procura o pastor para obter confirmação do que já decidiu. Elas não procuram orientação, mas apoio para questões já assumidas. Podem até ter feito uma decisão acertada (e são elas que devem tomar sua decisão, e não o pastor), mas o conselheiro precisa ter bastante cautela. Já vivi a experiência muito desagradável de ver um homem, que abandonou a esposa, ter usado minhas palavras para sua aventura extraconjugal. Por isso, tenha cuidado. Seja bem claro no que diz, e em alguns momentos seja mesmo assertivo. No caso em tela, eu disse: “Bem, você é quem deve tomar a decisão sobre o que vai fazer”, não como conclusão da conversa, mas em algum momento da conversa. Ele tomou esta frase como desculpa. Hoje eu diria, claramente, que ele está errado, que deveria se apresentar diante de Deus pedindo forças e restauração do seu matrimônio. Paguei pela falta de clareza.

O jargão mais empregado hoje, como desculpa para fazer coisas erradas, é “Eu tenho o direito de ser feliz!”. As pessoas fogem da palavra “dever” como alguns cristãos de hoje fogem da cruz. Mas não pode haver direitos sem a contrapartida dos deveres. As pessoas têm o dever de fazerem as coisas certas, de serem honestas e íntegras. Nunca acharão felicidade cometendo o erro. A consciência as acusará, e depois haverá conseqüências. A preocupação do conselheiro não deve ser a de agradar, mas a de esclarecer. Ele não decide, mas deverá deixar claro para o aconselhando as conseqüências de suas decisões. Eis uma citação muito simples de Luiz Marins: “Uma das maiores pretensões que muita gente tem é a de querer agradar a todo mundo. Isso simplesmente não existe. Nem Cristo agradou a todo mundo em sua época. Por isso digo que é uma atitude pretensiosa querer agradar a todos”[4]. Desagradar às pessoas é muito arriscado, em nossas igrejas, principalmente se as pessoas desagradadas são poderosas na igreja. Muito pastor já perdeu pastorado por não se curvar. Não é necessário ser desagradável, mas é indispensável ser honesto.

A pessoa que quer se justificar pode se valer de lisonjas ou passar por vítima. No primeiro caso, ela o elogia, procurando desarmá-lo e trazê-lo para o lado dela. No segundo, procura levá-lo a se condoer dela. Afinal, quem está sofrendo merece compaixão e não crítica. Preste bastante atenção quando a conversação sair da área dos fatos e entrar na área de sentimentos e de interpretações subjetivas. Uma boa atitude é a de sempre procurar uma razoável objetividade. Sei que é difícil, em casos que envolvem emoções, manter-se objetivo. Mas o conselheiro deve evitar opinar em casos que o envolvam diretamente, ou alguém de sua família (em casos de relacionamentos na igreja), e manter sempre o foco no ensino bíblico.

Dizer  que a pessoa deve cumprir ou obedecer a Bíblia será de pouco valor. É melhor perguntar: “O que você acha que a Bíblia diz sobre o assunto?”.  Muitas vezes, a pessoa interpretará a Bíblia de modo que lhe agrade. Lembremos de Pedro, falando das cartas de Paulo: “Nas cartas dele há algumas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e os fracos na fé explicam de maneira errada, como fazem também com outras partes das Escrituras Sagradas. E assim eles causam a sua própria destruição.” (2Pe 3.16). Evite o bate-boca bíblico. Cite a Bíblia, cite outra passagem, refute, e depois deixe com a pessoa a decisão. Apenas não permita que a Palavra de Deus seja torcida para apoiar posições erradas.

6. LIDANDO COM PESSOAS – A QUE DESEJA BAND-AID ESPIRITUAL
Muitos dos problemas dos crentes são causados pelo Maligno e outros por pessoas que erram com elas. Mas eles também criam seus próprios problemas, quando vivem em desarmonia com a Palavra de Deus. Há gente que tem dificuldades financeiras porque ganha pouco, mas uma parcela enorme dos problemas financeiros não é causada pelo pouco que a pessoa ganha, mas pelo muito que ela gasta. Uma das questões essenciais para o conselheiro é descobrir qual a fonte dos problemas do aconselhando. Nem sempre é externa. Muitas vezes é interna, causada por ele. A pessoa não quer resolver, mas deseja apenas um curativo. O aconselhamento é visto por ela como se fosse um band aid, algo que mitiga o problema, mas não o resolve.

Numa determinada igreja, havia uma jovem que sempre tinha dificuldades financeiras. O tesoureiro da igreja era especialista em administração financeira, e um dia sentou-se com ela, perguntou quanto ela ganhava, ensinou-a a fazer um orçamento e deu-lhe dicas de como proceder. Aquela jovem se tornou madura na área de finanças.    Um irmão mais atilado notou e a ajudou. Ele viu a causa dos problemas. Esta é a questão: qual a causa do problema?

Procure, então, descobrir a causa, ao invés de tratar apenas das conseqüências. Nem sempre as pessoas querem mexer numa área delicada de sua vida, e querem apenas remediar a situação. O problema continuará e sempre haverá crises na vida da pessoa. O conselheiro mais lúcido procurará ir à raiz da questão: “Parece que volta e meia este problema aparece em sua vida, não é? A que você atribui isso?”. A pessoa poderá até não querer tratar do assunto, mas será chamada à reflexão sobre ele. Uma pessoa com muitas dificuldades relacionais, sempre se justificava dizendo que tinha “temperamento forte”. Um dia, um conselheiro lhe disse: “Você já pensou no ensino de Provérbios que diz forte é a pessoa que se controla? Pense se seu temperamento não é fraco, na realidade”. A pessoa retrucou: “O senhor está dizendo que sou um crente fraco?”, já indignada. O conselheiro apenas ponderou: “Não estou afirmando isto, mas já que você tocou no assunto, à luz dos ensinos de Provérbios sobre o autocontrole, o que você acha disso?”.

Com propriedade, ao invés de emitir opinião sobre o assunto (e logo o aconselhado usaria o “Não julgueis” em sua defesa), o conselheiro levou o aconselhado a emitir opinião sobre si mesmo. E a reflexão baseada na Bíblia. Um hino antigo, muito cantado no Dia da Bíblia, diz: “És espelho, martelo e espada, és o amigo melhor do cristão”. Ela é a melhor amiga do conselheiro e sua fonte de trabalho. Ele deve levar a pessoa a se ver na Bíblia, e a ver a orientação para seus problemas na Palavra Sagrada. Ela deve ser o espelho que ele usa para o aconselhando se ver a si mesmo.

Quando a pessoa quer apenas band aid espiritual é oportuno evitar aceitar seu jogo. Num determinado momento, sim, a pessoa precisa de um curativo. Mas o conselheiro deve saber que seu papel não é apenas de passar mertiolate (do tempo em que se usava mertiolate) nos arranhões, mas ajudar a pessoa a não se arranhar mais. Procure sempre entender o que está por trás da situação. Preste atenção no que não foi dito, naquilo que a pessoa tenta ocultar ou naquilo que ela logo descarta. Não seja um investigador, mas esteja sempre atento. Num aconselhamento, nem sempre o que se diz é o mais importante, mas sim aquilo que a pessoa tenta esconder.

7. ALGUMAS SUGESTÕES COMPLEMENTARES
Alinhavo, a seguir, algumas sugestões que complementam esta série de quatro palestras sobre o aconselhamento pastoral.

(1) Prepare-se antes da entrevista e prepare-se sempre. Temos o hábito de fazer uma oração rápida antes do culto, de mãos dadas, com o pessoal dos instrumentos. Isto dá uma aparência de que o culto será espiritual e abençoado porque fizemos aquela oração com ar compungido. Começamos o culto com uma oração, porque caso contrário, Deus não vai abençoar aquele culto. Oração não é pontilear (ou como usam hoje, em mau gosto lingüístico, “pontual”), mas  deve ser uma prática na vida do obreiro. Se o encontro foi agendado, ore antes dele. Peça sabedoria a Deus. Peça para ele lhe dar as palavras certas e iluminar sua mente. Aliás, seus primeiros momentos devocionais do dia devem ser pedindo sabedoria a Deus para agir corretamente, não pecar e não falhar.

(2) Seja amigável, mas evite a intimidade e o excesso de camaradagem que pode impedir sua ação como conselheiro pastoral. O pastor deve ser amigo, mas nunca deve perder sua postura pastoral. Principalmente no aconselhamento com o sexo oposto. Uma vez, uma jovem que aconselhei me perguntou se podia me dar um beijo de gratidão, no rosto. Disse um “obrigado” estava bom. Em público, não soaria mal, mas em privado é pouco recomendável. Seja cauteloso. Cautela e caldo de galinha nunca mataram ninguém, a não a ser a galinha. Mas isto, a morte da galinha, é outra história.

(3) Se o aconselhamento for a longo prazo, peça permissão para fazer anotações. Depois, releia-as, ponha em ordem, passe a limpo. É uma maneira de guardar as informações, até na mente (o processo de passar a limpo ajuda a memorizar) e saber o que está se passando com a pessoa.

(4) No encontro posterior, recapitule com a pessoa o que anotou. Pergunte se está certo o que anotou, se ela deseja modificar alguma coisa do que disse (não de como está, mas do que disse). As anotações são o histórico do aconselhamento.

(5) Guarde as anotações consigo, em segurança. Um pastor guardava todas as informações de aconselhamento no computador, emitindo opiniões sobre os aconselhandos. Um dia, uma pessoa eficiente em informática invadiu seu computador, copiou os dados, com suas opiniões, e despachou pela lista de emails da igreja.  Foi um transtorno.

(6) Nunca use as anotações fora do processo de aconselhamento.


CONCLUSÃO
Uma boa palavra, dita em um momento de necessidade, pode salvar uma vida. Por isso, sejamos cuidadosos no falar. Podemos levantar uma pessoa e ser os instrumentos de Deus para que ele restaure alguém. Nunca sejamos negligentes na nossa missão. Nem nos envaideçamos.

Somos instrumentos. Apenas isto. E para ser bem usado, o instrumento precisa estar bem preparado. Lembremos disto e sejamos instrumentos bem preparados.


[1] MACKINNON, e MICHELS. A entrevista psiquiátrica. 3ª. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1981, p. 19.
[2] HURDING, Roger: A árvore da cura. S. Paulo: Edições Vida Nova, 1995, p. 139.
[3] CRABB, Lawrence Jr. Como compreender as pessoas: fundamentos bíblicos e psicológicos para desenvolver relacionamentos saudáveis. S. Paulo: Editora Vida, 1998, p. 68.
[4] MARINS, Luiz. Livre-se dos corvos. S. Paulo: Harbra, 2003, p. 23.

Sobre o Divórcio

       No Oriente Próximo o noivado (no Talmude, erüsïn e qiddüshïn) é quase tão definitivo como o próprio casamento. Na Bíblia a mulher comprometida em noivado era algumas vezes chamada de ‘esposa’ e estava obrigada à mesma fidelidade (#Gn 29:21; Dt 22:23,24; Mt 1:18,20), e o noivo era algumas vezes chamado de ‘esposo’ (#Jl 1:8; Mt 1:19). Entre os hebreus ligava-se ao noivado os mesmos direitos e deveres do casamento. Uma vez que o noivado era um compromisso assumido, seu rompimento era considerado caso de infidelidade. Um caso típico na Bíblia, que podemos citar como exemplo, é o de José, que desejava desmanchar o noivado por causa de uma suposta infidelidade de Maria: "Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada [noiva] com José, antes de se ajuntarem [casarem], achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então, José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente". (#Mt 1:18,19). Vemos nesta passagem, José querendo separar-se [divorciar] de sua futura esposa porque presumia que ela lhe tivesse sido infiel. É claro que José não poderia ser considerado "justo", se sua separação não fosse por causa de infidelidade de Maria, pois nesse caso o infiel seria ele, em não cumprir o compromisso assumido.
      Se Maria tivesse mantido relações com outro homem, no período de seu noivado, teria ela cometido o pecado de fornicação, e não de adultério. Nesse caso o divórcio, ou separação, formalizado por meio do libelo de repúdio (#Mt 5:31,32) era plenamente lícito.
     O mesmo não pode ser dito em relação ao cometimento de adultério, embora muitos queiram apoiar o divórcio com base numa interpretação equivocada de Mateus 19:9.
Vejamos o que significam as palavras de Jesus nessa passagem, nas diversas traduções da Bíblia.
A Almeida Revista e Corrigida usa prostituição (#/RC Mt 19:9).
A Almeida Revista e Revisada da Imprensa Bíblica Brasileira e a Almeida Versão Brasileira usam infidelidade.
A Almeida Edição Contemporânea da Editora Vida (Bíblia Thompson) usa prostituição.
A Almeida Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica Brasileira de 1959 usa adultério.
A Almeida Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica Brasileira de 1993 usa relações sexuais ilícitas.
A Alfalit Brasil de 1997 usa adultério.
A Bíblia na Linguagem de Hoje usa adultério.
A Nova Versão Internacional usa imoralidade sexual.
O Novo Testamento Versão Fácil de Ler da Editora Vida Cristã usa imoralidade sexual
A Vulgata Latina de Jerônimo usa fornicação.
Tradução do Padre Matos Soares baseada na Vulgata - Edições Paulinas usa fornicação.
A Almeida Corrigida Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil usa fornicação.
Com o surgimento de novas versões da Bíblia, chamadas versões modernas, nota-se uma tendência cada vez maior para apoiar o divórcio. As duas únicas versões que traduziram o termo grego fielmente, são a Vulgata Latina de Jerônimo, a Tradução de Matos Soares das Edições Paulinas e a Almeida Corrigida Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. Estudemos agora o texto grego:  O Adultério só pode ser cometido por pessoa casada quando mantém relação sexual com outra pessoa que não é seu cônjuge. A fornicação só pode ser cometida por pessoas solteiras que mantêm relação sexual entre si.
Moicheía (adultério) é uma coisa e Porneía (fornicação) é outra. Esses termos não são sinônimos.  A tradução de porneía para relações sexuais ilícitas não é adequada porque essa expressão inclui grande variedade de significados. Toda relação sexual cometida fora do casamento é relação sexual ilícita, portanto a própria fornicação é um tipo de relação sexual ilícita, assim como o adultério, mas adultério não é fornicação e vice-versa.
A prostituição é também uma relação sexual ilícita. Se for cometida por um homem casado, que paga uma prostituta para manter relação sexual com ela, este homem comete adultério, e não fornicação. Se um homem solteiro procura uma prostituta, ele comete fornicação com ela. Porneía é traduzida de diversas maneiras. Porneía pode ser prostituição, imoralidade, impureza, devassidão, etc, MAS NUNCA ADULTÉRIO!
Portanto o adultério não é uma cláusula explicita para o divórcio. O divórcio só poderia ser concedido com o cometimento de porneía. O que Jesus afirmou em Mateus 19:9 é que um casal compromissado pelo noivado poderia separar-se em caso de porneía. Isto é óbvio, se eles ainda não eram casados, como poderiam cometer adultério? Se fossem casados e se separassem, estariam cometendo adultério. Mas o adultério (moicheía) não permitia a separação, mas sim a fornicação (porneía).
Portanto Jesus nunca apoiou o divórcio sob qualquer circunstância; nem poderia. Seria absurdo supor que Jesus iria contrariar a própria palavra de Deus: (#Ml 2:16).
Poucos decênios antes de Cristo dois célebres mestres: Shamai e Hillel se engalfinharam numa fervorosa e acirrada competição que levantou o ardor dos fariseus dividindo-os quanto aos motivos suficientes para o libellus repuddi (libelo de repúdio).
Shamai, austero e rígido, admitia como motivo do repúdio somente um grave escândalo praticado pela mulher. Hillel, relaxado e laxo, entendia que qualquer ocorrência se constituía em pretexto para a quebra do vínculo, como descuido no cozimento que causasse o queimar a comida.
Ao tempo de Jesus permaneciam vivas e acesas as disputas entre as duas escolas seguidas ambas por entusiastas e árdegos adeptos. Ao provocar o Mestre objetivavam os fariseus descobrir qual das duas escolas Jesus Cristo se simpatizava. Daí a pergunta que fizeram: "É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?" (#Mt 19:3). O "qualquer motivo" acrescido à pergunta questionava o sentido daquela "coisa feia" de Deuteronômio 24:1. (Veja #Dt 24:1).
A resposta de Jesus surpreendeu os fariseus. Jesus não defendeu nenhuma das posições existentes na época. Ele recusou tanto uma como a outra. Rejeitou a escola de Shamai, e Hillel recorrendo ao princípio no Éden.
"O Mestre recorre ao postulado esculpido na primeira página do Gênesis para dela extrair a luminosa conclusão da inseparabilidade, da indestrutibilidade, da imprescritibilidade, do pacto conubial. Nenhuma força humana o diluirá. Nenhum motivo, grave ou superficial, poderá justificar sua ruptura. O pensamento cristalino de Jesus Cristo exteriorizado em sua palavra límpida, sem possibilitar qualquer sombra de dúvida, é consentâneo com sua missão de amor. Em sendo Ele encarnação do amor de Deus... destoaria de sua missão e da sua própria personalidade se propugnasse pelo divórcio. Ou se lhe permitisse qualquer brecha. Amor e divórcio são termos irreconciliáveis. Instalados em pólos opostos. Divórcio é separação. Dissolução. Desunião. Ruptura. Desamor. Anti-amor. Contra-amor. Divórcio é abandono. Afastamento. ‘APOSTASION’ no grego original do Novo Testamento (#Mt 5:31; 19:7; Mc 10:4). Divórcio á APOSTASIA do amor! E Jesus Cristo, o Amor de Deus Encarnado, porventura confirmaria e apoiaria a APOSTASIA DO AMOR? Arrolar o Sacratíssimo Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo como depoente favorável ao divórcio é injuriar-lhe a personalidade e conspurcar-lhe a missão.".
"Ora, consoante o reconhecimento de Adão: ‘e serão ambos uma carne’ (#Gn 2:14) confirmado e ratificado por Nosso Senhor Jesus Cristo: ‘E serão os dois uma só carne; e assim já não são dois, mas uma só carne’ (#Mc 10:8), os cônjuges já não são partes independentes. Tanto mais que o casamento é um retrato da união entre Cristo e sua Igreja (#Ef 5:23-32). Se fosse possível se desenlaçarem Cristo e a Igreja, também o matrimônio poderia dissolver-se.".
Os divorcistas consideram o divórcio como uma "conquista da civilização". É embuste! É inquestionável constatação da história: em toda época de decadência moral a mulher se inferioriza. Também hoje a mulher é inferiorizada. Nesta trágica sociedade de consumo, quando a mulher se supõe em elevação na sociedade, transforma-se em mero artigo de consumo. Até em propaganda de vendas de apartamentos há de aparecer uma mulher desnuda... E é precisamente nesta fase desgraçada da história dos homens que se apresenta o divórcio como conquista da civilização.
"O Código de Eshunna (Babilônio), o mais antigo (do século XX antes de Cristo) e o código de Hammurabi, rei da Babilônia, descoberto em 1902, mencionam o divórcio. A legislação daqueles afastados tempos, de si mesma, não implantava o divórcio então em prática constante como uma das chagas sociais. Tentava reprimir os seus abusos e coibir seus trágicos resultados. Cito alguns exemplos: ‘Se um homem rejeita a sua mulher depois de haver tido dela alguma prole e toma outra esposa, seja expulso de casa e perca seus bens e vá conviver com aquela que preferiu’ (Eshunna, 59). O rei babilônio parece-nos mais humano, embora contemporâneo da técnica do machado, do que os homens da técnica da televisão e dos aviões a jato. Outro exemplo: ‘Se um homem é feito prisioneiro e em sua casa não há o que de comer, e antes de seu regresso a mulher desposa outro homem gerando filhos; se o marido retornar e voltar à própria terra, aquela esposa voltará ao primeiro marido; os filhos ficarão com o próprio pai’ (Hammurabi, 135).". Moisés viveu naquela época. A brutalidade dos corações dos homens de todos os povos atingiu também o povo judeu. Propenso este à prática do divorcista, Moisés reconheceu a necessidade de legislar sobre a matéria para coibir abusos. Jamais defendeu a legitimidade da dissolução do liame conubial. Como sábio legislador diante de uma conjuntura social, suportou-a para reduzir-lhe a possibilidade e mitigar-lhe os efeitos nocivos naquela fase de hiato da Lei dentro da vigência do Evangelho da Graça.
Petulantes e falsos acusadores, os fariseus disseram a Jesus Cristo: "Então por que MANDOU Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?" (#Mt 19:7). O Mestre Polemista recusou a corrupção farisaica ao corrigir a expressão e a idéia dos seus contendores: "Moisés PERMITIU" (#Mt 19:8). Ele não MANDOU (eneteilato). PERMITIU (epetreqen) (See Definition... 2010). Moisés foi obrigado pelas circunstâncias a tolerar o divórcio, vemo-lo, contudo, preocupado em reprimir os abusos e os pretextos frívolos (#Dt 22:13-19,28,29; 21:10-14; 24:1-4).
Esta tolerância por parte de Moisés não lhe arranha sequer o conceito de fidelidade ao plano inicial do Criador. Por isso, O Mestre salientou aos fariseus a razão dessa tolerância: "por causa da dureza dos vossos corações" (#Mt 19:7). A cláusula de exceção, por conseguinte, não é uma exceção. Trata-se de um entre parêntese feito por Jesus no decorrer de sua exposição. Entendendo-se corretamente essa palavra: "Assim não são dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem" (#Mt 19:6).
Os discípulos compreenderam plenamente a proclamação de Jesus e completamente nova para os judeus e lhe observaram: "Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar" (#Mt 19:10). A rigidez do assunto é radical e de difícil alcance para os homens a ponto de o Mestre frisar: "Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido" (#Mt 19:11).
Que os cristão-divorcistas supliquem ao Senhor a graça de entender essa palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Autor: Pastor Luiz Antonio Ferraz
Fonte: Cd estudos obreiro aprovado
Site: www.palavraprudente.com
Adaptação: Pr. Adelcio Ferreira

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

CENTRO DE RUPERAÇÃO PARA DEPENDENTES QUÍMICOS


DESAFIO JOVEM LIBERDADE E VIDA 

Local: São Paulo

Endereço:Rua Antonio Martins Silva

Jardim Metropolitano

Próximo ao bairro Ermelino Matarazo

CENTRAL DE TRIAGEM

TELEFONES
(11) 2026-0072
 (11) 2876-2065
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CELULARES
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 (11) 6017-0326  
(11) 6942-3187
  (11) 5336-5145 (TIM)

LIQUE E FALE DIRETAMENTE COM O PASTOR ELIAS GOMES DA SILVA,    DIRETOR PRESIDENTE

COMUNIDADE TERAPÊUTICA DEJOLIVI

CENTRO DE RUPERAÇÃO PARA DEPENDENTES QUÍMICOS

" PROCLAMANDO LIBERDADE AOS CATIVOS"
HISTÓRICO TEEN CHALLENGE

O Teen Challenge Desafio Jovem) teve o seu início em Nova iorque - EUA, quando em 1959 o Pasor David Wilkerson se dirigiu aos guetos daquela cidade com a intenção de ajudar jovens dependentes de drogas, orientando-os na sua recuperação e reinserção social.
O sucesso desse trabalho motivou a criação da Organização, que se estendeu a outras cidades americanas através de corporações autônomas, ainda que sob a mesma designação e seguindo a mesma filosofia. O Teen Challenge não se limitou, contudo, às fronteiras dos Estados Unidos. Progressivamente, foi-se estendendo a outras partes do globo, sendo uma organização conceituada e reconhecida pelos governos de vários países devido ao grande sucesso alcançado na recuperação de tóxico dependentes.
HISTÓRICO DO DESAFIO JOVEM NO BRASIL
Em outubro de 1972, a chegava a Brasília o autor do livro A CRUZ E O PUNHAL, já traduzido para o português, o já lendário pastor norte-americado DAVID WILKERSON. Ele se notabilizara por ter sido preso no Fórum de nova York, quando tentava defender sete jovens que haviam matado um adolescente numa cadeira de rodas, estando todos eles sob o domínio das drogas. A fato percorreu o mundo e o seu livro tornou-se best-selle, traduzido em várias línguas.
CONHEÇA O DESAFIO JOVEM LIBERDADE E VIDA
Desde 1997 é relevante a nossa atação na prevenção, tratamento e reinsenção social do dependente químico e de sua família. Nós utilizamos o protocolo de tratamento cujo sucesso foi provado durante 50 aonos e em mais de 80 países.
PREVENÇÃO - ORIENTAÇÃO - PATESTRAS
Prevenção: O Trabalho de prevenção é fundamental do processo de combate ao uso das drogas, neste sentido não temos poupado esforços e recursos para realizá-lo. Podemos citar participações em eventos das comunidades industriais, escolas e igrejas. Objetivo da palestra de prevenção sobre álcool, tabaco, crack, maconha e outras drogas é promover condições para que o participante se concientize aos narcotráfico através de palestras e dos tratamentos ambulatoriais e residencial.
COMUNIDADE TERAPÊUTICA

FASES DO PROGRAMA

O Programa de reabilitação do Desafio Jovem tem duração de 12 meses, e é dividida em quatro fases:

1ª Fase - Fase de Motivação: Abandono da Antiga Maneira de Viver.

Fase de motivação é o momento em que o jovem é levado (estimulado, direcionado, motivado), a aceitar o desafio da transformação; a chave para esta fase do programa será determinação para trabalhar no sentido da mudança.
Esta fase pode durar no mínimo dois meses e meio.

2ª Fase - Aprendendo uma Nova Maneira de Viver

É a fase onde o aluno é desafiado e treinado a aprender uma nova forma de vida e aplicar estes conceitos em suas práticas diárias.
Esta fase pode durar no mínimo três meses e meio.

3ª Fase - Vivendo uma nova Forma de Vida

Esta fase de recuperação é uma período em que o aluno esta em um processo de busca do saber (aprendizado) onde, e em situação ele aprende algo novo e é estimulado e orientado a viver aquilo que tem aprendido.
Ele aprenderá a importância da convivência com outras pessoas e a desenvolver atitudes saudáveis. O aluno aprenderá também a encarar a inescapável realidade da situação e os mecanismos para lidar com suas dificuldades.
Esta fase pode durar no mínimo de três meses e meio.

4ª Fase - Reentrada

Esta fase é um tempo de avaliar o desenvolvimento do aluno no Programa de reabilitação do desafio e a avaliar se o interno alcanço estabilidade emocial, social, espiritual e consequente obtendo a necessária independência para retornar ao convívio da sociedade. É um estágio com menos regras para que o interno desenvolva seu potencial individual.
Isto significa que o residente tomara certas decisões que concederão a ele a oportunidade de aplicar o que no dia a dia. Acompanhamento técnico-profissional coordenado por teólogos, pastores e professores com vasta experiEñcia nos diversos tipos de adição, tanto álcool como drogas.
Esta fase pode durar no mínimo três meses e meio.

Fonte: http://desafiojovemliberdadeevida.blogspot.com.br 



Se você tem alguém envolvido com o uso de entorpecentes, alcoolismo. Ligue e se informe com o Pastor Elias. A internação é para adeptos de qualquer religião ou sem religião.

Perigos que cercam a juventude cristã



       Meu assunto aqui diz respeito a juventude cristã, mas podemos aplica-lo as diversas faixas etárias da igreja como um todo. 
       Um dia desses, eu estava ouvindo a palestra para jovens proferida por um pastor de uma igreja aqui no Brasil. A palestra estava sendo direcionada a um congresso de jovens e o assunto era a situação dos jovens cristãos hoje nesta atual sociedade. O pastor fez sua introdução a palestra relatando as estatísticas da difícil situação dos jovens cristãos na atualidade. O ambiente era de muita demonstração de alegria por parte daqueles jovens. Em sua introdução, o pastor disse que apesar daquele congresso ter atraído muitos jovens, a realidade dos jovens na igreja infelizmente tem sido outra, muitos e muitos jovens passam, crescem e uns até se tornam adultos na igreja, mas com o tempo e com as ofertas atrativas do mundo, muitos abandonam a fé. Entre muitas coisas que ele disse naquele congresso, eu anotei algumas e quero compartilhar com você amigo leitor. Vou procurar usar a linguagem mais próxima do que disse aquele pastor.
Ele disse: vocês estão aqui hoje dando uma demonstração de muita alegria neste congresso mais em breve alguns de você estarão:
1º Fora da igreja
2º Envolvidos com o crime
3º Usando ou traficando drogas
4º Na prisão ou sendo procurados pela polícia
5º Apostatados da fé
6º Mortos sumariamente
       O referido pastor disse ainda o seguinte: eu gostaria muito de não ter que ter dito isto aqui hoje, gostaria de pular ou maquiar a parte ruim e fingir que tudo está bem, mas a nossa experiência nos diz o contrário.
       Após ouvir estas palavras deste pastor o que me marcou bastante, resolvi escrever aqui este relato, pois também vejo esta terrível realidade. Infelizmente, isto não acontece só com jovens, muito que estão dentro da igreja uma hora ou outra, vão abandoná-la. Os motivos para alguém abandonar a igreja são vários dentre eles temos:
  1. Esfriamento da fé se é que um dia a tiveram
  2. Oferta das heresias
  3. Oferta de uma religiosidade sem compromisso que ofereça um evangelho sem cruz e sem renuncia.
  4. Ofertas do mundo
         Mas dou graças a Deus, porque sempre permanece o remanescente fiel na igreja. Jovens bons, convertidos, homens e mulheres tementes a Deus que se converteram ao evangelho e não apenas se convenceram. Estes permanecerão honrando a Deus. Quanto aos jovens que estão na igreja eu digo o seguinte:
  1. Honrem e temam a Deus
  2. Espelhem em jovens como Daniel que honrou e não negou sua fé na Babilônia, jovens como José no Egito que pagou um alto preço, mas não negou sua fé e seu amor a Deus. Temos ainda homens como Elias, Eliseu, Isaías, Maria que foram jovens, mas serviram sempre a Deus. Precisamos de jovens assim na igreja de Cristo. Que você seja um deles e que Deus te abençoe.

Pb Adalberto Pimentel da Silva   

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Lição 4 Elias e os profetas de Baal


Lições Bíblicas do 1º Trimestre de 2013 - CPAD - Jovens e Adultos
Título: Elias e Eliseu — Um ministério de poder para toda a Igreja.
Comentarista: José Gonçalves.
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
Elaboração e pesquisa para a Escola Dominical da Igreja de Cristo no Brasil, Campina Grande-PB;
Postagem no Blog AUXÍLIO AO MESTRE: Francisco A Barbosa.
 
Lição 4
Elias e os profetas de Baal
27 de janeiro de 2013
TEXTO ÁUREO
“Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém o povo lhe não respondeu nada” (1 Rs 18.21).. O clássico desafio de Elias, até quando coxeareis, revela o coração dividido do povo. Eles deviam seguir ao Senhor de todo o coração ou não segui-lo em absoluto[a].
VERDADE PRÁTICA
O confronto entre Elias e os profetas de Baal marcou definitivamente a separação entre a verdadeira e a falsa adoração em Israel.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 Reis 18.36-40.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
  • Destacar a importância de se confrontar os falsos deuses;
  • Explicar quais são os perigos de dar crédito aos falsos profetas; e
  • Conscientizar-se da necessidade de confrontar a falsa adoração.
Palavra Chave
Falso: adj.
1. Não verdadeiro; não verídico.
2. Fingido, simulado.
3. Enganoso; mentiroso.
4. Desleal, traidor.
5. Adulterado, falsificado.
6. Suposto, que não é o que diz verdade.
7. Pessoa falsa.
8. Esconderijo; vão dissimulado debaixo de uma escada, de um móvel, etc.
adv.
9. Com falsidade; em falso.
em falso: errando o passo, a pancada, o movimento, etc. [b]
COMENTÁRIO
introdução
Elias depois de transmitir a mensagem a Acabe, retirou-se, conforme a palavra de YAHWEH, para um lugar alto junto ao ribeiro de Querite, além do Jordão, onde foi alimentado por corvos. Quando o ribeiro secou, YAHWEH o envia a uma viúva em Sarepta, cidade de Sidom, cujas provisões já eram escassas porém, viu o Deus de Israel provê alimentado para ela, seu filho e o profeta, que permaneceu com ela durante dois anos. Neste período de tempo, o filho da viúva morreu e foi ressuscitado por Elias (1Rs 17.2-24). Ao fim desse período de retiro, Elias encontrou-se com Obadias, o intendente do palácio de Acabe, a quem o rei enviara à procura de pastagens para os animais e que Elias enviou de volta ao seu senhor para que lhe dissesse que ele estava ali. Acabe não demora em encontrar-se com Elias e acusa-o de ser o perturbador de Israel. Elias desafia-o, então, que se oferecessem sacrifícios públicos, com o objetivo de se determinar quem era o verdadeiro Deus. O monte Carmelo foi o palco onde o povo caiu sobre o seu rosto, chorando: "Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!" Elias conclui dessa forma o seu importantíssimo ministério, restabelecendo o culto monoteísta de YAHWEH. O profeta ainda ordena a morte de todos os profetas de Baal (dono, senhor, marido, deus da água, do fogo, da fertilidade), nenhum deles escapou. Então, imediatamente os céus se abriram e a chuva caiu sobre a terra, de acordo com a palavra proferida por Elias e em resposta à sua oração (Tg 5.18). Hoje, estudaremos como o profeta Elias foi usado pelo Senhor para confrontar os falsos profetas com seus falsos deuses, fazendo com que o povo de Deus abandonasse a falsa adoração. Elias estava entre os maiores profetas bíblicos. Quando a nação de Israel mergulhou em sua mais profunda degradação, Elias foi o instrumento de Deus para desafiar o povo inconstante a retornar. Sua tarefa foi tremenda! Seus inimigos eram poderosos. O povo era ignorante e vacilante. No meio da terrível confusão religiosa do reinado de Acabe, Elias tentou realizar um renascimento espiritual muito necessário. Consideremos como os desafios que ele fez a Israel precisariam ser ouvidos nos dias de hoje. Tenham todos uma excelente e abençoada aula!
I. CONFRONTANDO OS FALSOS DEUSES
1. Conhecendo o falso deus Baal. Elias propôs um desafio não apenas à Baal, mas também à Aserá (também conhecido como Astarte, Asterote, árvore da vida, poste-ídolo, esposa de Baal, deusa da feritlidade, mãe, esposa de Baal), sua consorte, as duas divindades cananéias importadas naquela época, as quais descreveremos agora. O termo hebraico (בַּעַל) “Baal”, na sua origem, significava “senhor”, ou “possuidor”, mas posteriormente empregava-se para mostrar a relação do homem para com sua mulher, ou da divindade para com o seu adorador. Baal era filho de Dagon. Adorado como o deus da natureza. Alguns mitos descrevem a sua batalha contra a morte, a esterilidade e as inundações. Muitas vezes Baal significa simplesmente divindade e não necessariamente um nome próprio. De fato encontramos, muitas vezes, um adjetivo que qualifica o substantivo: Baal-berith (senhor da aliança); Belzebu (senhor das moscas), etc. Quando os israelitas entraram em Canaã, notaram que cada trecho da terra tinha sua própria divindade. Dessa forma, constatamos o relato de vários Baais, cuja forma plural foi traduzido por Baalins (1Rs 18.18). Na maioria das vezes, o sobrenome da divindade variava de acordo com a localidade. Um exemplo disso é Baal-Peor, divindade de uma área correspondente a uma montanha na região ao norte do Mar Morto e defronte de Jericó (Nm 25.3).
2. Identificando a falsa divindade Aserá. Asera, Astarte ou Astarote são três termos correlatos que tratam da deusa-mãe com aspectos de deusa da fertilidade, do amor e da guerra, conhecida dos israelitas por meio dos cananeus (1Rs 11.5). Os israelitas adotaram a adoração a Astarote juntamente com a adoração a Baal logo após chegarem à terra prometida (Jz 2.13). Era uma adoração comum no tempo de Samuel (1Sm 7.3,4; 12.10), tendo recebido sanção real por parte de Salomão (1Rs 11.5). Outra expressão correspondente a Asera é “poste-ídolo”. O Antigo Testamento se refere algumas vezes ao poste-ídolo como uma deusa (2Rs 23.4 – Almeida Revista e Atualizada), interessante que a NVI (Nova Versão Internacional) traduz essa mesma expressão por “Aserá”, o poste-ídolo também é usado acerca de uma imagem feita para essa deusa (1Rs 15.13 – Almeida Revista e Atualizada). Em hebraico, transliterado, temos Ashtoreth (em ugarítico ‘Attart e em acádico As-tar-tu). Era adorada sobretudo na região do atual Líbano (Tiro, Sidom e Biblos), pelos cananeus (1Rs 11.5), mas também em Malta, Sardenha, Sicília, Chipre e Egito. No mundo latino foi identificada com Vêneris; no Egito com Ísidis. Em época helenística foi identificada com Afrodite ou com a deusa Síria. Tinha como símbolos o leão, o cavalo, a esfinge e a pomba. Era a deusa da fertilidade, do amor e da guerra. Aparece diversas vezes no Antigo Testamento e o vocábulo hebraico usado reconduz ao termo hebraico “vergonha”, mostrando o juízo negativo do povo hebreu em relação ao culto dessa deusa.
SINOPSE DO TÓPICO (I)
A crença popular cananita dizia que El era o deus principal, ou seja, o pai dos outros deuses, e Aserá era a deusa-mãe.
II. CONFRONTANDO OS FALSOS PROFETAS
1. Profetizavam sob encomenda. ‘Mas o que é espiritual discerne bem tudo... comparando as coisas espirituais com as espirituais’ (1Co 2.15,13). Aqueles profetas de Baal, sustentados pelo estado, tinham como propósito agradar o rei em tudo. Eram profetas sim, contudo, profetas de uma falsa divindade. Mas não nos é estranho encontrarmos profetas do Deus Único que em nada diferem daqueles que cercavam a mesa de Acabe. No dizer de Paulo, estes tais serão discernidos pelos espirituais! Nos dias de Jesus existiam ministros que ‘exteriormente pareciam justos aos homens’ (Mt 23.28). Mas interiormente eles estavam cheios de hipocrisia e iniquidade. Sua aparência era enganadora até que os verdadeiros motivos fossem expostos pela luz da Palavra viva de Deus. Jesus comparou seus corações ao solo ruim que produzia frutos pecaminosos (Mt 13.1-23; 15.17-20)”. Claro está que temos a obrigação de julgar os profetas pelos seus frutos, isto também fica claro nos escritos de Paulo e João (1Ts 5.21; 1Jo 4.1; 1Co 14.29).
2. Eram mais numerosos. O relato Bíblico afirma que os profetas de Baal eram 450, e os profetas de Aserá eram 400 (1Rs 18.19), ampla maioria se comparado ao único profeta de YAHWEH nesse desafio do monte Carmelo. Apesar dessa maioria numérica no Carmelo, estes oitocentos e cinquenta profetas ficaram confundidos e envergonhados, pois somente o Deus de Elias respondeu com fogo e dissipou toda dúvida do coração do povo (1Rs 18.38,39). Não se pode esquecer que, Elias não estava só enquanto servo de YAHWEH, ainda havia sete mil que não se corromperam com o falso deus cananeu.
SINOPSE DO TÓPICO (II)
Os falsos profetas de Acabe eram mais numerosos e profetizavam por encomenda
III. CONFRONTANDO A FALSA ADORAÇÃO
1. Em que ela imita a verdadeira. O dicionário Aurélio define adoração como culto a uma divindade; culto, reverência e veneração. O mesmo dicionário define o verbo adorar como render culto a (divindade); reverenciar, venerar. As palavras que definem adoração, no Velho Testamento, significam ajoelhar-se, prostrar-se (#7812, Strongs), como em Êx 20.5. As palavras que definem adoração, no Novo Testamento, significam beijar a mão de alguém, para mostrar reverência; ajoelhar ou prostrar-se para mostrar culto ou submissão, respeito ou súplica (#4352, Strongs), como em Mt 4.10 e Jo 4.24. Adoração então é uma atitude de extremo respeito, inclusive ao divino, que se expressa com ações singulares de reverência e culto. Qual é a adoração que Deus realmente espera de nós? Qual é o som e a canção que Ele verdadeiramente espera de nós? Será que nossos dons e talentos fazem algum barulho no trono de Deus? Será que Ele consegue ouvir canções e vozes lindas, mas corações ocos e vazios? Qual é o verdadeiro som que ecoa no céu? João Calvino chamou, de maneira apropriada, o coração humano de “uma fábrica de idolatria”, querendo dizer que a adoração fiel não acontece naturalmente nos seres humanos caídos. Pecadores se tornam idólatras porque Deus plantou tão profundamente a necessidade dEle mesmo nos corações humanos, que quando não conhecemos ao Deus verdadeiro, inventamos falsos deuses, falsa religião e falsa adoração. Deus adverte contra tal adoração idólatra no primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim”. A adoração idólatra de falsos deuses é condenada por toda a Bíblia.[c]
2. No que ela se diferencia da verdadeira. Seria um engano severo achar que toda e qualquer expressão verdadeira de adoração é oriunda do homem. Do homem não pode emanar a verdade pura. O homem possui um coração enganoso e uma mente limitada (Jr 17.9; Is 55.8,9). Essas duas coisas geram um erro que não é percebido facilmente pelo homem, especialmente quando a maioria ao seu redor está envolvida no erro (2Tm 4.3,4). Não é sabedoria colocar base de sustentação naquilo que é enganoso e limitado. Devemos usar o que é firme e eterno. Se essa sustentação não vem do homem, tem que vir do que não é contaminado pelo homem. Somente a Bíblia, por ser dada pela inspiração do Espírito Santo, é a base firme para estipular o que é a adoração verdadeira. Se a Bíblia por escrito for a base; ela será a base "mui firme" (2Pe 1.19; Hb 4.12). Se as Escrituras Sagradas forem a nossa única regra de fé e prática, então tudo o que não concorda com elas será julgado como falso (Is 8.20). Não é válido estipular uma parte exclusiva da Palavra de Deus para a nossa sustentação do que é adoração verdadeira, pois "Toda a Escritura é inspirada e proveitosa" (2Tm 3.16; Rm 15.4). Por ser a Bíblia completamente dada por Deus, é ela que define para nós o que é a adoração verdadeira. Todos os cristãos precisam cultivar uma vida com Deus que está em crescimento e desenvolvimento. Se não estivermos crescendo, estagnaremos ou morreremos. A adoração coorporativa, oficial, do povo de Deus é um meio crucial e essencial que Deus deu para nos ajudar a crescer. Pense sobre as palavras de Hebreus 10.19-22: “Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos inaugurou, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa.” Esta passagem chama os cristãos para se achegarem a Deus através de Cristo, visto que, mesmo como cristãos, experimentamos uma distância entre nós mesmos e Deus, que somente a obra de Cristo pode superar. Precisamos nos achegar a Ele pessoalmente e individualmente em devoção, meditação e oração; mas nós também precisamos nos achegar a Ele, encontrando-O na comunhão do Seu povo, onde Deus promete estar especialmente presente (Mt 18.20). Nos encontramos com Deus quando o povo de Deus se reúne junto, ora junto, canta junto, e ouve a Sua palavra junto. O Cristianismo é uma religião na qual indivíduos se tornam uma parte integral do corpo de Cristo. Não somos simplesmente uma associação de indivíduos, mas estamos organicamente unidos uns aos outros (1Co 12.12-27; Ef 1.22-23). Expressamos que somos o corpo de Cristo, especialmente quando encontramos a Deus juntos em adoração pública.[c]
SINOPSE DO TÓPICO (III)
A verdadeira adoração firma-se na revelação de Deus na história.
IV. CONFRONTANDO O SINCRETISMO RELIGIOSO ESTATAL
1. O perigo do sincretismo religioso. Precisamos ouvir o convite da Escritura para promover a adoração santa e fugir da idolatria. Mas a adoração de falsos deuses não é somente o único tipo de idolatria condenada na Bíblia. O segundo mandamento nos ensina que a idolatria não é somente uma questão de adorar falsos deuses, que é proibido no primeiro mandamento. É também uma questão de adorar o verdadeiro Deus falsamente. O segundo mandamento diz, “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êx 20.4-6). Este mandamento claramente proíbe o uso de imagens de Deus na adoração, mas também implicitamente proíbe toda invenção humana na adoração. A proibição contra imagens significa que devemos adorar o verdadeiro Deus somente nas formas que Lhe agrada. O povo de Israel reivindicou que eles estavam adorando o Senhor como o verdadeiro Deus quando eles fabricaram o bezerro de ouro. Eles consideravam a imagem como Jeová (Êx 32.5-6). Mas tal falsa adoração ofendeu a Deus e trouxe julgamento sobre o povo. A história do bezerro de ouro nos lembra que o próprio povo de Deus pode cair em idolatria em sua adoração dEle. Podemos querer ser criativos e originais na adoração, mas essa criatividade pode conduzir à idolatria. Repetidamente no Antigo Testamento, Deus julgou Seu povo por causa de falsa adoração. Os filhos de Aarão, Nadabe e Abiú, foram fulminados e caíram mortos, por causa de oferecer “fogo não autorizado perante o SENHOR, contrário ao seu mandamento” (Lv 10.1). Jeroboão, o primeiro rei do reino norte de Israel, e seus herdeiros foram consistentemente criticados como idólatras por causa das imagens e dos falsos templos e cultos dedicados ao Senhor. O povo de Deus foi censurado nestas ocasiões, não porque adoraram falsos deuses, mas porque adoraram o verdadeiro Deus falsamente. O Novo Testamento também adverte contra agradar a nós mesmos com a falsa adoração. Paulo escreveu ao Colossenses condenando suas novidades e experiências como “adoração auto-imposta” (Cl 2.23). Jesus advertiu contra permitir que tradições dominem e subvertam a Palavra de Deus: “E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus” (Mt 15.6). Jesus não estava falando sobre adoração quando ele fez esta declaração, mas então ele usou Isaías 29.13, que é sobre adoração, para confirmar suas palavras: “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens” (vv. 8-9). Ele estava dizendo que o nosso culto a Deus, seja na vida em geral ou na adoração coorporativa, não deve ser determinada pela tradição, mas deve seguir o ensinamento de Deus na Bíblia. Paulo especificamente advertiu os Coríntios contra a falsa adoração na forma que eles estava administrando a Ceia do Senhor. Os pecados e os erros que infectavam sua adoração levaram Paulo a acusá-los de destruir este sacramento: “De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor” (1Co 11.20). De fato, Deus se preocupa tanto sobre a adoração que Paulo registra que Deus visitou os Coríntios com julgamento por causa dos seus abusos na adoração, relacionados a este sacramento: “Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem”. A Bíblia nos lembra que nem nossos instintos, nem nossas tradições e nem nossas experiências são guias confiáveis para a adoração. A própria Bíblia é nosso único guia confiável. Uma das ironias do nosso tempo é que muitos cristãos que afirmam a inerrância da Bíblia não a estudam realmente para descobrir o que ela diz sobre adoração. Nós devemos examinar as Escrituras para encontrar a vontade de Deus para nos guiar em nossa adoração. A Declaração de Cambridge faz a seguinte declaração: “Somente a Bíblia ensina o que é necessário para nossa salvação do pecado e qual é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser medido”.[c]
2. A resposta divina ao sincretismo. A Bíbia de Estudo Shedd apresenta a seguinte nota textual: "Este ato de matar ofenderia sensibilidade do homem moderno, pois que já estamos na era da graça de Cristo; mas para aquele povo, naquela situação histórica se justificava por vários motivos: 1) Vingava a morte dos profetas do Senhor; 2) Era o cumprimento do julgamento do Senhor contra os falsos profetas em Israel (Dt 13. 1-5); 3) Era uma guerra autêntica, dos servos de Baal contra o Senhor e seus seguidores (Bíblia de Estudo Shedd, pp 515)." Israel era uma teocracia, uma sociedade fundada e contida sob Deus. Deuteronômio 13.1-5 determina a execução dos falsos profetas. Deuteronômio 13.13-18; 17.2-7 prescreve a morte de qualquer um que abrace a idolatria ou incite outros a se tornarem idólatras.
SINOPSE DO TÓPICO (IV)
O Deus de Israel é rigorosamente contrário a idolatria. Nele não há sincretismo religioso.
CONCLUSÃO
Elias demonstrou ser um homem de fé ao lançar o desafio contra os profetas de Baal, e além disso, convocando o povo para uma demonstração que revelaria quem era o mais poderoso: YAHWEH ou Baal Melkart. E se Deus não mandar fogo? – poderia titubear Elias... Todos ali aprenderam às custas do estado que Baal era o deus que respondia com fogo! Simbolizava as forças produtivas da natureza! Ainda mais, o desafio seria no monte Carmelo, local onde o culto a Baal e Aserá era mais forte. Não na visão de um homem que vive pela fé como Elias; Carmelo era o lugar ideal para confrontar os baalins e mostrar a superioridade de YAHWEH, o Soberano de Israel sobre todos os ídolos humanos. Sabemos pelo relato bíblico que Deus havia preservado alguns verdadeiros adoradores, mas a grande massa estava totalmente propensa à adoração falsa. A nação que sempre fora identificada pelo nome do Deus a quem servia, estava agora perdendo essa identidade. Muitas pessoas em nossos dias precisam responder à mesma pergunta que Elias fez no Monte Carmelo. Muitos estão coxeando,quer por falta de ensino bíblico consistente, quer por negligência, ou outro qualquer motivo. Elias nos legou o exemplo de como devemos lidar com o pecado: mostrou que essa mazela deve ser tratada como convém e que a decisão de extirpá-la deve ser tomada com firmeza. Não é de mais dizer ainda, que essa luta continua hoje, muita coisa em nosso meio necessita ser levada ao vale de Querite para ser estirpada com firmeza! A falsa adoração, falsa piedade cristã e pseudo-profetas devem ser alvos de uma igreja triunfante que levanta a sua voz a fim de que a verdadeira adoração prevaleça. N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8),
Recife, PE
Janeiro de 2013,
Francisco de Assis Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere
Meu coração te ofereço, Senhor, pronto e sincero (Calvino)
EXERCÍCIOS
1. De acordo com a lição, quais as duas divindades pagãs principais no reino do Norte?
R. El e Aserá.
2. Explique como alguém pode deixar de ser uma voz profética.
R. Quando por conveniência adota as mesmas práticas e atitudes do sistema vigente.
3. Como a verdadeira adoração se diferencia da falsa?
R. A adoração verdadeira se firma na revelação de Deus na história; na participação do adorador no culto; pela Palavra de Deus.
4. Defina “sincretismo”.
R. Fusão de elementos culturais diferentes, ou até antagônicos, em um só elemento, continuando perceptíveis alguns sinais originais.
5. Por que o desafio entre Elias e os profetas de Baal foi muito além de uma guerra entre o bem e o mal?
R. Ele serviu para demonstrar quem de fato era o Deus verdadeiro e merecedor de toda adoração.
NOTAS BIBLIOGRÁFICAS
OBRAS CONSULTADAS:
-. Lições Bíblicas do 1º Trimestre de 2013, Jovens e Adultos: Elias e Eliseu — Um ministério de poder para toda a Igreja; Comentarista: José Gonçalves; CPAD;

-. Bíblia de Estudo de Genebra. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;
-. A Bíblia da Mulher. São Paulo e Barueri, Mundo Cristão e Sociedade Bíblica do Brasil, 2008;
-. La Bíble – Traduction oecuménique de La Bible - TOB, © Les Éditions Du Cerf et Societé Biblique Française, Paris, 1988;
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
-. LAHAYE, T.; HINDSON, E. (Eds.) Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. RJ: CPAD, 2008.
-. SOARES, E. O Ministério Profético na Bíblia: A voz de Deus na Terra. 1 ed., RJ: CPAD, 2010.
-. ZUCK, R. B. (Ed.) Teologia do Antigo Testamento.
1 ed., RJ: CPAD. 2009.
-. http://pt.scribd.com/doc/21991078/A-Vida-de-Elias-capitulos-1-a-8-A-W-Pink
TEXTOS UTILIZADOS:
[a] -.
Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001. Nota textual de 1Rs 18.21, p. 375;
[b] -. http://www.priberam.pt/dlpo/;
[c] -. http://www.monergismo.com/textos/liturgia/adoracao_godfrey.htm

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Francisco de Assis Barbosa