segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A parábola o credor incompassivo

Pr. Adiel de Santana

Texto: Mat. 18:23-35

INTRODUÇÃO

Queremos ministrar ao seu coração sobre um dos temas mais libertadores da Bíblia: O Perdão. Diante dele nenhum inimigo escravizador pode triunfar. Ele retira todos os argumentos, faz cessar toda a contenda e calar toda contrariedade. O perdão traz alívio e sossego para a alma aflita. Ele revela o amor de Deus e por isso é tão poderoso assim. Desfrute desse maravilhoso tema e seja grandemente abençoado pelo Pai. Na estrutura deste estudo queremos responder à seguinte pergunta: Por Que Devo Perdoar?

Porque o Perdão é Um dos Temas Principais do Reino dos Céus.
“... o Reino dos céus é como um rei que desejava acertar contas com seus servos...” v. 23

Antes de qualquer coisa, precisamos entender que não podemos experimentar o Reino dos céus e seus benefícios sem passarmos pela experiência do perdão. A parábola tanto fala do perdão recebido por Deus quanto da necessidade de se perdoar o próximo. Assim como só podemos entrar no Reino dos céus através do perdão dos nossos pecados, só podemos nele permanecer se tivermos a mesma atitude perdoadora para com os nossos ofensores.

Porque a Minha Dívida Para Com Deus era Infinitamente Maior do que a Dívida do Meu Próximo Para Comigo.
“Passando a faze-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos... Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários...” vs. 24 e 28. Quando o rei foi acertar contas com seus servos, ele encontrou alguém que lhe devia um valor altíssimo, dez mil talentos, que não tinha como pagar. Um talento era equivalente a seis mil dias de trabalho. A dívida desse homem era de dez mil talentos, ou seja, o equivalente a aproximadamente 164.383 anos de trabalho. Tamanha era a dívida que seria necessária a venda como escravos do devedor, sua mulher, seus filhos e de tudo quanto possuísse, a fim de se restituir todos os valores devidos ao rei. Isso ilustra a nossa condição de pecadores diante de Deus.

O preço da nossa dívida espiritual era altíssimo. Não tínhamos condições de pagar porque já nascemos com essa herança e vivemos a vida toda com ela. Nada seria suficiente para salda-la: nem boas obras, nem o possuir uma religião ou coisa parecida. Porém, assim como o rei, movido de compaixão, perdoou seu servo de tão grande saldo devedor, assim o Pai Celestial agiu para conosco. Fomos perdoados e declarados livres de toda a culpa, sem que tivéssemos de pagar coisa alguma. Glória a Deus por isso! Um pouco mais adiante, porém, esse mesmo servo que havia acabado de ser liberado, encontrou um amigo, um conservo seu, que lhe devia apenas cem denários, um valor referente a cem dias de trabalho (somente três meses e dez dias).

E agindo para com ele de forma violenta, exigiu o pagamento imediato. Isso ilustra a possibilidade de alguém ter recebido tamanha graça perdoadora da parte de Deus, e não ter a mesma capacidade de agir com misericórdia para com os outros. O problema mais grave aqui abordado é o fato do devedor perdoado não ter a consciência de ser a dívida dele para com o rei infinitamente maior do que o que lhe devia o conservo. Precisamos entender o que Jesus nos quer ensinar. Não importa o que alguém tenha feito de mal para comigo ou contra alguém que amo. O meu pecado para com Deus era maior, e dele fui liberado. Quando penso assim, e só quando penso assim, é que terei condições de sentir compaixão de quem falhou ou pecou contra mim. Quando digo: “não perdoarei tamanha transgressão dessa pessoa”, estou deixando de ver a minha própria condição anterior que também era lastimável e miserável.

3.Porque o Perdão Revela a Compaixão Divina no Coração, e o Contrário, o Domínio de Uma Vontade Humana Não Redimida.“E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora, e perdoou-lhe a dívida... Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.” Vs. 27 e 30. Depois de ouvir as súplicas por misericórdia, o rei, movido de íntima compaixão pelo devedor, decide libera-lo em paz, perdoando toda a dívida. Não exigiu mais que fosse paga qualquer quantia. Não se ressentiu pelo prejuízo assumido, nem ameaçou vingança em ocasião oportuna. Nenhuma dessas atitudes negativas tiveram lugar no coração do rei, porque ele era dominado por um outro espírito, muito mais nobre. O sentimento de íntima compaixão por alguém é divino. Toda a vez que Jesus se moveu de íntima compaixão por alguém, algum milagre extraordinário aconteceu:

1) As multidões como ovelhas sem pastor e o poder sobrenatural delegado aos discípulos – Mt. 9:36 e 10:1;

2) A multidão enferma e a cura de suas doenças – Mt. 14:14;

3) O bom samaritano e o socorro prestado ao aflito – Lc. 10:33-35;

4) A viúva e a ressurreição de seu único filho – Lc. 7:11-15;

5) O pai em busca do filho perdido – Lc. 15:20. Em todos esses casos a íntima compaixão esteve fortemente presente e os resultados foram maravilhosos: Cura, libertação, restauração, provisão, e até mesmo, ressurreição.

Para perdoar alguém também precisamos desse sentimento divino e sobrenatural. Ele já está presente e disponível no coração de alguém que já foi redimido pelo sangue de Jesus Cristo. Portanto, basta decidir perdoar, que isso será plenamente possível, hoje e agora. Algumas pessoas dizem que para perdoar alguém, somente se for através de um milagre. Pois bem, já vimos acima que a compaixão de Deus transbordante no coração resultou em milagres extraordinários. É assim porque ela vem de Deus, e só Ele pode liberar o poder necessário para remover tamanhos obstáculos. Por outro lado, o que fora perdoado pelo rei, encontrando um conservo seu que lhe devia alguma coisa, simplesmente não se compadeceu dele como o rei havia se compadecido em seu favor. O texto bíblico nos relata que o conservo também suplicou por paciência que tudo seria pago. Mas ele não quis! O “não querer perdoar” revela uma vontade humana não redimida pelo sangue de Jesus. O mover-se de íntima compaixão, sim. Alguém que não quer ter paciência, ou misericórdia, ou liberar perdão, ainda está sob o domínio de uma vontade escravizada pelo pecado. Essa vontade prisioneira precisa conhecer a liberdade de Cristo.

Quando isso acontece, ela começa a experimentar a compaixão de Deus em relação às pessoas, a fim de vê-las como o Senhor as vê.

4.Porque o Perdão nos Livra de Transformar o Nosso Coração Em Uma Prisão.
Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.” v. 30.

Não querendo perdoar a dívida, o passo seguinte foi lançar o devedor na prisão, até que todo o valor fosse pago. Em vez de soltar através do perdão, decidiu prender através da retenção do perdão. O perdão solta, libera. O contrário, prende, retém. O pior de tudo é que as pessoas a quem não perdoamos não ficam presas em algum lugar físico deste mundo em que vivemos. Elas ficam presas em nosso coração e em nossas emoções. Para onde vamos levamos conosco nossos agressores. Acordamos, trabalhamos, descansamos e dormimos com eles em nossas lembranças. Se elas fossem boas até valeria a pena conserva-las durante toda a vida. Porém, tratam-se de memórias que gostaríamos de apagar por nos trazerem mal estar. Mas a ausência do perdão, infelizmente, prende o agressor, o mal praticado e todas as impressões negativas que fizeram parte daquele ato, todos eles juntos, dentro do nosso coração, fazendo dele uma prisão. Quando, porém, liberamos o perdão, estamos deixando sair livres não somente o agressor, mas a lembrança do mal praticado bem como todas as impressões negativas que ficaram impregnadas a partir do ocorrido. Portanto, é muito mais saudável para o corpo, para a alma e para o espírito, perdoar, do que não perdoar. Devemos sempre nos perguntar sobre o que queremos fazer do nosso coração: uma prisão ou um jardim?

5.Porque o Perdão nos Livra de Nos Tornarmos Dependentes da Atitude dos Outros.
"Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida.” v. 30.

O homem que deixou de perdoar, antes preferindo prender, o fez “até que” o outro fizesse alguma coisa para resolver o problema. Fazendo isso, tornou-se dependente do outro. Quando perdoamos agimos na nossa liberdade de perdoar independentes da atitude do outro. Se a pessoa me pedir perdão, perdôo; se não pedir, também perdôo. Se o outro quiser conversar comigo, perdôo; senão, perdôo mesmo assim. Quando não perdoamos, porém, nos tornamos reféns das decisões e das escolhas de quem nos ofendeu. Ficamos colocando condições e sempre esperando alguma atitude positiva da outra parte. Caso nada aconteça, ficamos sujeitos à escravidão emocional e a ressentimentos devastadores para a nossa alma, talvez, por toda a vida.

6.Porque o Perdão Fecha a Porta da Tristeza Para Outras Pessoas.
“Quando os outros servos, companheiros dele, viram o que havia acontecido, ficaram muito tristes e foram contar ao seu senhor tudo o que havia acontecido.” – v. 31 Até então a história contava com as seguintes personagens: o rei, o servo e o conservo. Mas agora, um novo grupo de pessoas surgiu: os amigos do servo. A recusa de se perdoar o conservo não ficou apenas entre eles dois. Os amigos dele ficaram sabendo e se entristeceram muito pelo ocorrido. Certamente, eles sabiam do grande favor que seu amigo havia recebido da parte do rei e se alegraram por isso. Mas agora, viram que a atitude para com o conservo havia sido totalmente destituída de graça. Daí a grande tristeza. Geralmente nos conflitos de relacionamentos não resolvidos, sofrem mais pessoas do que somente as envolvidas diretamente no caso.

Quase sempre filhos pagam pelo conflito entre os pais; amigos de longos anos de repente se vêem privados do convívio amistoso com todo o grupo; etc. Enfim, queremos dizer que a retenção do perdão não prejudica somente aquele que não foi perdoado. Prejudica quem não perdoou e também pessoas que acabam ficando sabendo da situação e que se entristecem por alguma relação que mantenham com pelo menos uma das pessoas envolvidas. Levando ainda mais para o lado espiritual, os anjos de Deus também acompanham nossas atitudes e também se entristecem quando não perdoamos.

Há uma indicação de que os anjos comunicam ao Pai o que fazemos ou deixamos de fazer em relação às pessoas: “Vede, não desprezeis a nenhum destes pequeninos; pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai, que está nos céus.” – Mateus 18:10. Vimos então que, a falta de perdão entristece a quem não perdoa, a quem não foi perdoado, a quem pertence ao círculo familiar ou de amizade dos envolvidos, bem como, aos anjos de Deus que sempre comparecem perante o Pai.

CONCLUSÃO

Nós vimos que o perdão é um dos temas principais do Reino de Deus. Por meio do perdão dos nossos pecados ingressamos nele, e somente mantendo a mesma atitude de Quem nos perdoou é que podemos nele permanecer. A dívida de alguém para comigo sempre será menor do que a dívida que eu tinha para com Deus. Somente um coração redimido pelo sangue de Cristo poderá ser canal da íntima compaixão divina em favor dos outros. O coração perdoador é semelhante a um jardim bem tratado e cultivado. Nele não há lugar para ressentimentos nem aprisionamentos de vidas. É esse tipo de coração que devemos ter como modelo para a nossa existência aqui na terra. A pessoa que perdoa é livre para perdoar em qualquer tempo. Não depende das pessoas nem das atitudes delas.

O perdão é gerador de contentamento e plena satisfação que só o Reino de Deus pode trazer. Ele faz transbordar de alegria o coração de quem perdoa, de quem é perdoado, dos amigos do perdoador e do perdoado, dos anjos de Deus que acompanham nossas vidas, e acima de tudo, do próprio Pai Celestial que considera bom e suave que os irmãos vivam em união – Salmo 133:1. Na função de libertar as vidas, o perdão nos retira totalmente da zona de perigo e de acesso a espíritos atormentadores. Eles não têm legalidade para agir na vida de alguém que perdoa. São totalmente livres de toda e qualquer influência maligna nessa área, os que entram pelo caminho da obediência através da liberação dos seus devedores.

“Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.” – Efésios 4:32

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